Há
certas ideias econômicas que não apenas são logicamente erradas como também
nunca foram confirmadas por nenhum fato histórico. Já se demonstrou por que elas estão erradas
há pelo menos 250 anos. No entanto, elas
ainda possuem ferrenhos defensores até hoje.
E o que é pior: quanto mais se prova que elas não têm nenhuma lógica,
mais seu número de defensores aumenta.
Há
algo estranho que parece ser inerente à maneira como o homem pensa sobre sua
própria riqueza. Há algo que parece
persuadi-lo de que tudo aquilo que ele já viu acontecer repetidas vezes
em vários países simplesmente não aconteceu.
Ou, se claramente aconteceu, não mais continuará acontecendo.
Uma
destas ideias é a de que impostos sobre o consumo de bens importados aumentam a
riqueza de quase todas as pessoas da sociedade.
Esta é a doutrina de que tarifas e cotas de importação
impostas pelo governo irão de alguma forma deixar as pessoas mais ricas. Este erro foi refutado definitivamente por um
dos maiores filósofos de todos os tempos, David Hume, em 1752. Aproximadamente 25 anos depois, foi refutado
em detalhes por Adam Smith, amigo de David Hume, em seu livro clássico A Riqueza das Nações. Não obstante, apesar de haver uma
concordância quase universal entre economistas sérios, e apesar dos repetidos
sucessos econômicos de países que reduziram suas tarifas e cotas de importação,
medida essa que levou a uma crescente prosperidade, ainda existe uma linha dura
de pensamento anti-econômico que diz que o governo federal — mas nunca
governos estaduais e municipais — deve aumentar os impostos sobre bens
importados. Caso contrário, a população
do país ficará pobre.
Por
mais que se escreva sobre isso, e eu o continuarei fazendo, não tenho a menor
ilusão de que os ferrenhos obscurantistas irão algum dia entender que impostos
sobre o consumo de mercadorias importadas não tornam uma população mais rica. Algumas pessoas simplesmente não possuem a
capacidade intelectual de seguir uma linha de raciocínio econômico. Isso inclui pessoas que acreditam que tarifas
e cotas de importação tornam a maioria das pessoas de um país mais ricas.
A mentalidade ludita
Existe
outra falácia igualmente sem nenhuma lógica e que é idêntica à falácia dos
indivíduos pró-tarifas de importação.
Tal falácia também possui vários seguidores. Trata-se da crença de que as máquinas e a
automação deixam os trabalhadores mais pobres.
Esta crença é frequentemente rotulada de ‘filosofia ludita’. Um sujeito chamado Ned Ludd supostamente saiu
quebrando máquinas de tear durante um acesso de fúria em 1779. Em 1811, um artigo sobre Ludd foi publicado
em um jornal. Isso inspirou várias pessoas
a repetirem o feito. Quando então elas
saíram quebrando máquinas, elas foram chamadas de luditas.
Quem
eram esses agressores? Eram pessoas que
até então possuíam empregos altamente bem pagos como fabricantes de
determinados bens que atendiam às demandas de pessoas ricas. Era um mercado bem restrito. Com o tempo, essas pessoas foram descobrindo
que sua clientela cativa estava diminuindo em decorrência do fato de outros
produtores terem passado a utilizar máquinas para produzir em massa esses mesmos
bens. Essa produção em massa aumentou a
oferta desses bens. Tal aumento da
oferta levou a uma redução de preços. Essas
pessoas repentinamente descobriram que seu trabalho era caro e pouco produtivo.
Tais
pessoas eram membros de uma guilda que por séculos havia utilizado seu poder
político em áreas urbanas para adquirir o monopólio de mercados específicos. Elas descobriram que a concorrência de preços
trazida pelas máquinas estava reduzindo suas rendas. Em resposta, eles destruíam as máquinas. Em outras palavras, elas utilizavam de
violência contra produtores e proprietários de máquinas com o objetivo de
manter seu monopólio. Antes, elas
utilizavam seu poder político para alcançar este mesmo objetivo.
O
termo “sabotador” vem de “sabot”, que é sapato em francês. Operários atiravam sapatos
nas máquinas com o intuito de destruí-las e, com isso, reduzir a produção de
bens altamente específicos. Tal ato era
visto pela maioria das pessoas como destrutivo, mas ele claramente trazia
benefícios de curto prazo para aqueles que estavam enfrentando a concorrência
das máquinas. No final, tudo era apenas
mais um dos vários casos de violência contra proprietários e empreendedores.
Atualmente,
a maioria das pessoas crê que tais atos de violência são moralmente errados. Elas também acreditam que são economicamente
errados. Essa é uma vantagem que temos
hoje. Há um número maior de pessoas que
começou a entender princípios básicos de economia — no caso, que tudo aquilo
que aumenta a oferta de bens, e que também é lucrativo para a pessoa que está
aumentando a oferta de bens, é bom para a maioria dos cidadãos desta sociedade.
O
problema é que a filosofia dos luditas ainda continua presente entre nós. Hoje, tal filosofia é encontrada mais
especificamente naquele que criticam a automação e o uso da robótica. Ainda hoje, há várias pessoas cujo
conhecimento econômico sobre a natureza do livre mercado e sua relação com a
prosperidade econômica é precário. Tais
pessoas são hostis a uso de robôs em todas as áreas de produção. Quero dizer, em quase todas. Curiosamente, elas aceitam a automação e o
uso intensivo de máquinas naquelas tradicionais linhas de montagem, as que vêm
utilizando robôs há 30 ou 40 anos (como o setor automotivo). Em outras palavras, para casos específicos,
estes progressistas se tornam tradicionalistas.
Para eles, o mundo de 30 ou 40 anos atrás era bom. Aqueles dias eram muito melhores do que os
dias de 100 ou 200 anos atrás.
No
entanto, o aumento da produtividade que levou o mundo aos bons tempos de 40
anos atrás foi baseado na adoção de técnicas de produção em massa as quais hoje
chamaríamos de automação e robótica. Foi
a adoção de máquinas no lugar da mão-de-obra humana, algo que por sua vez se
baseou em novos suprimentos de energia, o que permitiu que todo o mundo se
tornasse mais rico. Pense nas invenções
do século XIX. Pense na ferrovia. Pense na colheitadeira. Pense na máquina de costura. Todas essas invenções substituíram o trabalho
manual por equipamentos. Os condutores
de charrete perderam a competição contra o motor a vapor, e o mundo ficou em
melhor situação por causa disso.
Não
importa quantas histórias sejam contadas e quantos exemplos práticos sejam
relatados sobre o incremento no padrão de vida do mundo atual em decorrência do
aumento do uso de energia e do aumento do uso de máquinas — a mentalidade
ludita continua firme e forte entre nós.
Há pessoas que continuam afirmando que a automação nós deixará mais
pobres. Elas estão dizendo isso há 200
anos.
Aumentos
no padrão de vida estão diretamente relacionados a um aumento na quantidade de
bens e serviços disponíveis. E isso foi
possibilitado pela automação.
Há
uma regra fundamental na economia que nunca deve ser ignorada: qualquer coisa que possa ser feita lucrativamente por uma máquina deve ser feita por uma máquina.
Por que isso é verdade? Porque a
mão-de-obra humana é, de longe, a mais versátil e a mais móvel dentre todos os
capitais. As pessoas são capazes de
estar sempre aprendendo novas formas de servir seus clientes. Macaco velho realmente aprende novos
truques. No entanto, para fazê-lo
aprender novos truques, ele tem de enfrentar a realidade: o que quer que ele
fazia antes para ganhar a vida pode agora ser feito de maneira mais eficiente e
mais barata por uma máquina. Macaco
velho pode aprender novos truques, mas a necessidade é a mãe da invenção. Macaco velho prefere fazer truques velhos. E ele prefere ganhar uma renda alta para
fazer truques velhos. Mas o progresso
econômico não os permitirá continuar auferindo uma renda alta fazendo truques
velhos se surgirem novas ferramentas que irão possibilitar que novatos façam
esses mesmos truques — e os façam de maneira até melhor — a um preço menor.
A
maneira como o Ocidente enriqueceu após 1800 foi por meio do empreendedorismo,
da criatividade, da redução do custo da energia (possibilitada por maiores
investimentos e maior acumulação de capital) e da invenção de máquinas melhores
e mais eficientes. Nós enriquecemos
porque fomos capazes de aproveitar a produtividade da natureza, na forma de
energia e por meio de equipamentos especializados, e utilizá-la para substituir
a valiosa mão-de-obra dos seres humanos, mão-de-obra essa que consequentemente
foi liberada para ser utilizada em outros setores, o que permitiu um aumento
generalizado da oferta de bens e serviços.
Trabalhadores demitidos
Os
luditas sempre afirmam estar falando em nome dos trabalhadores que foram
substituídos pelas máquinas e cujos serviços não mais conseguem concorrer em um
livre mercado. Os luditas se posicionam
a favor do trabalhador demitido como se as necessidades de um trabalhador
demitido gozassem de uma maior autoridade moral do que os desejos de
consumidores que estão sempre à procura de bens melhores e mais baratos. O ludita parte do princípio de que o livre
mercado deve funcionar em benefício do produtor e não em beneficio do
consumidor.
Essa
é a lógica da guilda. É a lógica de uma
pessoa que não mais é capaz de competir com a produtividade de máquinas que
podem operar dia e noite lucrativamente, com interrupções apenas ocasionais
para manutenção. Sempre que for lucrativo
para o empreendedor substituir um ser humano por uma máquina, a conclusão é uma
só: os consumidores estão sendo mais bem servidos pela máquina. Quem diz isso? Os próprios consumidores. São eles que compram os produtos das
máquinas. São eles que, ao propiciarem
lucros para o empreendedor, mostram para ele que sua decisão foi acertada.
Por
que deveríamos criticar consumidores em nome do operário dispensado, uma vez
que o operário dispensado pode agora servir diferentes consumidores e produzir
diferentes serviços, sendo que estes serviços são exatamente aqueles que estão
sendo demandados pelos consumidores? Por
que temos de defender o estilo de vida do operário que não mais é capaz de
concorrer com uma máquina inanimada, em detrimento do consumidor?
Seguidas
vezes, os suspeitos de sempre dizem que a automação deixará a sociedade mais
pobre como um todo. Eles dizem que
ficaremos mais pobres como nação ou como civilização porque haverá um constante
fluxo de novos equipamentos que irão aumentar a produtividade dos
produtores.
Sempre
que alguém se aproximar de você dizendo que o livre mercado nos deixará mais
pobres, comece a procurar os reais objetivos desta pessoa. Pesquise quem são as pessoas que ele
representa. Pesquise em nome de quem ele
está falando. Siga o dinheiro. Se sua investigação não gerar nenhum resultado
interessante, rastreie a ideia até suas origens. Pode estar certo de que não se trata de uma
ideia nova. Pode estar certo de que
outra pessoa, uma década ou um século atrás, surgiu com esse mesmo argumento. E defendendo os interesses de alguém mais
poderoso.
Então
o livre mercado nos deixará mais pobres.
Por quê? Porque ele permitirá que pessoas
criativas sirvam seus consumidores de maneira mais completa e mais eficaz. Isso é um perigo para produtores relaxados ou
defasados que não são capazes de concorrer com novos métodos de produção. O ludita sempre falará em nome do produtor, e
especificamente do produtor desalojado, que não é capaz de concorrer de maneira
eficaz. Ele nunca falará em nome do
consumidor, que é em sua maioria formada por pessoas mais pobres que o
produtor.
Avaliamos
a riqueza per capita por meio daquilo que somos capazes de comprar; e quando
podemos comprar mais coisas com nossa renda, estamos mais ricos. No entanto, os luditas entre nós alegam que,
na condição de consumidores, estamos iludidos.
Estamos tomando decisões de curto prazo quando compramos coisas mais
baratas. Estamos julgando nossa situação
econômica exclusivamente por meio do que podemos comprar. Eles nos dizem que deveríamos tomar nossas
decisões que impeçam novos métodos de produção de serem implantados, pois estes
novos métodos irão aumentar nossa renda real (poder de compra). Eles nos dizem que o aumento da renda real é
um passivo terrível. O aumento da renda
real nos deixará mais pobres. Com este
raciocínio, os luditas agitam contra a adoção de catracas eletrônicas em ônibus
e contra a substituição de condutores de metrôs por máquinas que fazem o mesmo
serviço.
A
mentalidade ludita é impermeável à lógica econômica. É impermeável ao entendimento da
história. Para um ludita, o livre
mercado age contra os verdadeiros interesses dos consumidores. Ao redor de todo o mundo, os consumidores,
desde 1980, aumentaram suas aquisições de bens e serviços. Por quê? Porque, dado que consumidores
também são produtores, eles aumentaram a oferta de bens e serviços. A oferta criou demanda. A única maneira de alguém poder ir ao mercado
e comprar bens e serviços é tendo anteriormente produzido bens e serviços. E a única maneira de se adquirir algo sem
antes ter ofertado algo é fazendo com que políticos tributem pessoas produtivas
e transfiram o dinheiro para grupos de interesse. Em todo caso, sem uma produção anterior, não
pode haver nova demanda. Falando de
outra forma, “Você não pode conseguir algo em troca de nada”.
O
raciocínio ludita se baseia nesta suposição: indivíduos que agem segundo seus
próprios interesses, comprando bens e serviços de baixo custo, estão atuando
contra os interesses do país. Este era o
argumento dos mercantilistas do final do século XVII. Este foi o argumento que Adam Smith criticou em A Riqueza das Nações. Esta é a essência de todos os sistemas que
recorrem à interferência estatal na economia.
O argumento afirma que políticos sabem melhor do que todos os cidadãos o
que é bom para o país. O argumento diz
que consumidores, que agem individualmente em busca de seus próprios desejos da
maneira menos cara possível, estão totalmente desorientados e equivocados. Enquanto indivíduos, eles estão tomando
decisões que solapam sua própria riqueza.
Essa é a essência do
argumento coletivista. Essa é a
essência do keynesianismo. Essa é a
essência de todas as formas de intervencionismo estatal.
O
argumento diz que indivíduos, na condição de tomadores de decisões responsáveis
pela administração de sua própria riqueza, estão cegos em relação ao que é realmente
bom para a sociedade. Em outras
palavras, o livre mercado, ao permitir que indivíduos possuam esse tipo de
autoridade independente, leva a uma situação em que a vasta maioria das pessoas
fica em uma situação pior. Em suma, a
liberdade econômica é autodestrutiva.
Conclusão
Sempre
haverá políticos que recebem doações de alguma guilda de produtores e
trabalhadores prestes a serem desalojados pela concorrência das máquinas. Tais pessoas querem fechar o mercado para si
próprias, e estão dispostas a pedir que o governo envie homens com armas e
distintivos para impedir que empreendedores eficientes satisfaçam os desejos de
consumidores.
A
mais séria ameaça, no entanto, é intelectual.
É o raciocínio ludita, presente na academia e na mídia, que solapa a
esperança das pessoas no futuro. Se o
livre mercado é autodestrutivo, pois a busca individual pelo interesse próprio
é destrutiva para a nossa renda real, então não podemos confiar na
liberdade. Não podemos também nutrir
nenhuma esperança legítima em relação ao futuro. Dois séculos de liberdade econômica
enriqueceram o mundo de uma maneira que era totalmente inimaginável em 1800; mas
isso não pode continuar, dizem os luditas.
A liberdade econômica não mais irá produzir uma cornucópia. Por que não?
Porque a busca individual pelo interesse próprio, feita de maneira
voluntária e sem nenhuma coerção, é, segundo os coletivistas, uma cilada e uma
ilusão.
Conclusão:
precisamos de mais funcionários públicos com armas e distintivos para
restringir o empreendedorismo e a busca pelo interesse próprio. Em suma, precisamos de mais governo para
suprimir nossos desejos de melhorarmos de vida.
Isso nos deixará em melhor situação.
Quem são os iludidos?
Perfeito o artigo, mas o que pode, de fato, o cidadão comum contra o Leviatã?
Modéstia à parte, sempre que posto minhas ideias aqui, a audiência cresce exponencialmente. Pois todos querem beber um pouco de minha sabedoria.
Aparentemente, o que vou dizer não tem nada a ver o presente artigo.
Vejamos, por exemplo, como pensa a elite dominante reacionária sobre casais gays e o futuro do mundo capitalista.
O matrimônio monogâmico, heterossexual e indissolúvel só faz sentido para aquela sociedade fragilizada por séculos de "invasões bárbaras", de "epidemias", de miséria e de fome, na qual o casamento, antes de tudo, visava à reprodução. Foi por isso que o matrimônio virou sacramento.
Mas e num mundo cheio como o nosso? Será que o Capitalismo aguenta tanta gente?
Não é à toa que até pessoas ditas de esquerda e "anticapitalistas" pregam o controle populacional. A taxa de filhos por família cai ano a ano. Ter muitos filhos já virou piada. As famílias se constituem cada vez mais tarde.
Na Europa dos tempos da Grande Peste, as mulheres se casavam com 17 anos e até menos. No Brasil rural e miserável de algumas décadas atrás era a mesma coisa.
Mas hoje é diferente. A lógica do matrimônio está cada vez menos ligada á reprodução. Ao contrário, em uma sociedade fragmentada como a nossa, em que as mulheres e os homens já estão quase que cumprindo as mesmas funções (onde vai parar a divisão de trabalho sexual que é quem fundamenta quem é o homem e quem é a mulher?), a tendência é que as mulheres se casem cada vez mais tarde e por isso tenham menos filhos; e que uniões homossexuais (que não visam a reprodução) sejam cada vez mais comuns.
Texto perfeito. Em minha opinião, este foi o trecho mais marcante:
”Por que deveríamos criticar consumidores em nome do operário dispensado, uma vez que o operário dispensado pode agora servir diferentes consumidores e produzir diferentes serviços, sendo que estes serviços são exatamente aqueles que estão sendo demandados pelos consumidores? Por que temos de defender o estilo de vida do operário que não mais é capaz de concorrer com uma máquina inanimada, em detrimento do consumidor?”
Realmente, as máquinas diminuem os trabalhos escravos e aumentam os lucros do capitalista. Mas o texto, claro, omite um dado importante: o desamparo do trabalhador demitido. É aí que entra o papel fundamental do Estado. Explico:
Quando Thomas Edison inventou a lâmpada elétrica, ele arruiu a indústria do lampião a gás no século 19. O Estado deveria amparar os trabalhadores desempregados daquele setor. Igualmente, no século 20, Bill Gates acabou com as fábricas de máquinas de escrever. Aqui também o Estado deveria entrar em ação e proteger os trabalhadores demitidos.
E ainda dizem que o Estado e suas leis trabalhistas devem ser extintas. Ainda não sei se este site é sobre economia ou sobre humor.
Excelente artigo.
E é impressionante a presença desse pensamento. Semanas atrás estive conversando com um amigo que passou uns dias em Portugal, evidente que o mesmo não é muito interessado em questões econômicas, e o mesmo me colocou o seguinte aspecto:
– Portugal (e a Europa em geral) só tem velhos, não há emprego para jovens, é tudo automatizado, posto de combustível, metrô, os pedágios. Dificilmente tu algum contato com atendentes neste postos mais baixos, por isso que está quebrado, os jovens não conseguem chegar ao mercado e blá, blá, blá”
Esse meu amigo não é esquerdista, bem pelo contrário, no entanto representa o pensamento vigente de quem não compreende a questão da mecanização e principalmente a questão dos custos trabalhistas e salário mínimo, questões tão distorcidas pelo mídia em geral.
Parabéns ao mises. Vocês são minha visita diária na web.
um dos poucos sites que abrigam artigos racionais a respeito do cotidiano economico das pessoas espero que assim aos poucos o brasil va pelo menos deixando de ter uma mentalidade politico-socio-economico totalmente dominada pelas esquerdas estatocratas!!!
Falando em avanço da robótica, qual será os empregos que permaneceram intactos, ou seja, no qual esse progresso não interfira draticamente ?
‘O ludita parte do princípio de que o livre mercado deve funcionar em benefício do produtor e não em beneficio do consumidor.’
Ele pensa no consumidor sim.Não adianta ter uma loja de ferraris em cada esquina se o trabalhador não tem dinheiro pra comprar.
Alguém assistiu 2001:uma odisseia no espaço?
Se um dia alguém inventar uma inteligência artificial capaz de automatizar o setor de serviços, as pessoas vão trabalhar de que?
Muito bom o artigo! Um esquerdista argumentará que (como sempre) a automação não vem em benefício do consumidor, mas do capitalista, que não repassará a redução de custos e irá aumentar sua margem de lucro.
Só um porém, no trecho “Eles dizem que ficaremos mais pobre como nação ou como civilização porque”, deveria estar “pobres”, no plural.
Ora, este tipo de “gás mental”, para não ser mais explicito, é meramente um engodo politiqueiro disseminado para poluir mentes obtusas.
Vejamos uma pergunta fácil:
– Quantos produtos existiam antes da existência das maquinas?
Teve-se muitos e muitos séculos sem maquinas e uma população demograficamente um tanto estável. Ora, sem maquinas seria possível haver produção para a atual população? O elevado custo de produção permitiria os deslocamentos atuais em tão pouco tempó?
É óbvio que a existencia das maquinas permitiu a existência de incontáveis produtos que dão conforto ou de alguma forma satisfazem os consumidores. Isso se pode constatar observando que em poucas decadas nascem mais produtos do que em séculos pré maquinas. Portanto, a existencia de velhos produtos a menor custo tanto quanto a criação de novos produtos é a “maquina de empregos”, demandando cada vez mais assalariados, prestadores de serviço e empreendedores.
Se 500 anos atras uma camponesa tinha que se contentar com uns poucos trapos, atualmente uma camponesa ou doméstica pode usufruir de dezenas de peças de roupa. Se antes 3 costureiras levavam uma semana para produzir um vestido a um elevadissimo preço (capaz de custear as tres mal e porcamente) atualmente essas tres podem produzir dezenas de peças que serão adquiridas (oh!! o consumismo!!) às dezenas por quem antes adquiria uma, adicionando-se o fato de o menor preço INSERIR NOVAS CONSUMIDORAS de modo que não mais serão necessárias 3 costureiras para atender a demanda, mas SIM 6 ou 12 ou dezenas. Sem as maquinas, a demanda persistiria de uma peça a cada semana, devido o elevado custo. Como atraves da maquina o custo baixou, o menor preço conseguiu adicionar NOVOS CONSUMIDORES …Eis aí a MAQUINA DE EMPREGOS! …ou seja, qualquer maquina fabrica empregos indiretamente e diretamente, pois precisam ser produzidas e demandam manutenção e isso só é possivel porque barateiam todos os produtos de necessidade, permitindo sobras para novos produtos e para a propria manutenção. Eis a riqueza aumentando!
– Uma curiosidade:
Há os tipos que reclamam das maquinas que “suprimem” empregos e, pasmem, ao mesmo tempo reclamam do “consumismo” que proporciona emprego … :-O …vale o titulo de livro “Oque querem os imbecis?” …faria um grande sucesso!
Se não estou enganado, este é o primeiro artigo do IMB sobre os benefícios da mecanização. Fazia falta!
Por um capitalismo mais humano e menos produtivo.
O capitalismo no qual vivemos hoje é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna-se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.
Vivemos um novo período na história da humanidade. A base dessa verdadeira revolução é o progresso técnico, obtido em razão do desenvolvimento científico e baseado na importância obtida pela tecnologia, a chamada ciência da produção.
Todo o planeta é praticamente coberto por um único sistema técnico, tornado indispensável à produção e ao intercâmbio e fundamento do consumo, em suas novas formas.
Graças às novas técnicas, a informação pode se difundir instantaneamente por todo o planeta, e o conhecimento do que se passa em um lugar é possível em todos os pontos da Terra.
A produção globalizada e a informação globalizada permitem a emergência de um lucro em escala mundial, buscado pelas firmas globais que constituem o verdadeiro motor da atividade econômica. Tudo isso é movido por uma concorrência superlativa entre os principais agentes econômicos — a competitividade. Tal fenômeno reduz a qualidade de vida da população e empobrece a todos espiritualmente e materialmente. Baseada apenas na mais-valia, o caos gerado pelas novidades técnicas e automotivas não são entregues ao resto da população, limitam-se a criar empregos à elite enquanto a miséria reina entre os mais necessitados. Num mundo assim transformado, todos os lugares tendem a tornar-se globais, e o que acontece em qualquer ponto do ecúmeno (parte habitada da Terra) tem relação com o acontece em todos os demais. Assim, os problemas crescem.
Daí a ilusão de vivermos num mundo sem fronteiras, uma aldeia global. Na realidade, as relações chamadas globais são reservadas a um pequeno número de agentes, os grandes bancos e empresas transnacionais, alguns Estados, as grandes organizações internacionais. Essas colhem os espólios da exploração das nações do terceiro mundo.
Infelizmente, o estágio atual da globalização e do capitalismo estão produzindo ainda mais desigualdades. E, ao contrário do que se esperava, crescem o desemprego, a pobreza, a fome, a insegurança do cotidiano, num mundo que se fragmenta e onde se ampliam as fraturas sociais.
A droga, com sua enorme difusão, constitui um dos grandes flagelos desta época.
O mundo parece, agora, girar sem destino. É a chamada globalização perversa. Ela está sendo tanto mais perversa porque as enormes possibilidades oferecidas pelas conquistas científicas e técnicas não estão sendo adequadamente usadas.
Não cabe, todavia, perder a esperança, porque os progressos técnicos obtidos neste fim de século 20, se usados de uma outra maneira, solidária; bastariam para produzir muito mais alimentos do que a população atual necessita e, aplicados à medicina, reduziriam drasticamente as doenças e a mortalidade.
Um mundo solidário produzirá muitos empregos, ampliando um intercâmbio pacífico entre os povos e eliminando a belicosidade do processo competitivo, que todos os dias reduz a mão-de-obra. É possível pensar na realização de um mundo de bem-estar, onde os homens serão mais felizes, um outro tipo de capitalismo. Resistir contra tal reforma não é só irracional, é insistir na desigualdade, na escassez, na ignorância e no sofrimento humano.
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(Artigo ATUALIZADO de Milton Santos com o atual pensamento intelectual sobre o livre-comércio e a inovação técnica nos meios de produção)
Uma coisa curiosa é perguntar a um operario o seguinte:
O governo pode depositar na conta de cada pessoa um valor de R$ 50.000,00 todo mes. Nada impede que o faça. Então te pergunto: isso faria com que todos ficassem ricos?
Uns se recusam a responder com medo de falar M e outros protestam (houve quem dissesse que os americanos não deixam) afirmando que isso seria absurdo pois que ninguém mais precisaria trabalhar e que assim viraria uma bagunça, com todo mundo só vadiando. …rsrs
Nenhum, absolutamente nenhum responde que com todo este dinheiro não haveriam produtos suficientes, sobretudo porque muitos tendo o dinheiro não iria trabalhar e assim não produziriam e nada haveria para comprar com tal “renda”. …Pergunta simples que responde a maioria das questões de politicagem economica, principalmente inflação de preços, bem como o empobrecimento dos que criam, investem e trabalham para produzir bens e serviços uteis enquanto outros, que nada produzem de util, apenas consomem os bens e serviços produzidos dando em troca apenas dinheiro fabricado sem lastro na produção.
Esta pergunta também leva a se perceber que o governo não precisa cobrar impostos para ter dinheiro/recursos, mas sim COBRA IMPOSTOS DE QUEM PRODUZ PARA IMPEDIR QUE SEJA CAPAZ DE CONSUMIR TANTO QUANTO PRODUZ, afim de que essa parcela impossivel de ser consumida pelos produtores o seja pelo Estado. Ou seja, facilmente se pode perceber que é o Estado consumidor o grande causador da pobreza, já que dentre produtores haveria trocas de produtos e os “gananciosos capitalistas” não aufeririam lucros em moeda caso os assalariados não pudessem consumir. …Haveria um circulo VIRTUOSO sem o Estado.
Trabalhei como corretor de redações do vestibular da FATEC no final do ano passado e o tema da redação era exatamente o discutido no artigo. Alguma dúvida que, de cada 10 textos, 11 criticavam a mecanização? E o pior, desenvolviam, provavelmente, a “lógica” do professor ignorante de cursinho deles, esquerdinha: “se mecanizar vai haver desemprego e as pessoas não terão dinheiro para comprar os produtos produzidos pelas máquinas e todo mundo vai se dar mal”. Pois é, acho que é o que aconteceu nos últimos 200 anos, não? Acho que é por isso que qualquer pessoa comum de classe média vive, hoje, melhor que um rei de séculos passados… Eis o retrato puro da doutrinação a que os coitados estão sendo submetidos. Esses sim poderiam se dizer “vítimas do sistema”, caso soubessem que o são.
E quando o individuo utiliza o estado para adquirir a màquina ou os juros subsidiados do bnds para introduzir a inovação tecnologica? Todos sabem que isso è interferência estatal. A concorrencia deve ser norteada por principios èticos e morais. Um pais como o Brasil não pode ser exposto à concorrência estrangeira devido à desigualdade de custos, aos privilègios, ao controle governamental da economia. Essa liberdade de importação pode ser um bom pretexto para a criação de monopòlios, gigantes campeões de eficiência com auxilio do bolsa Loius Vitton.
Não Leandro, talvez não tenha me expressado com clareza. Eu entendo a maneira de como o acesso ã tecnologia pode melhorar a produtividade e acredito que algumas pessoas são mais capazes que outras em determinadas atividades e em como governos podem destruir qualquer vantagem que se possa ter em qualquer tipo de atividade. Não afirmei que è preciso mais governo para o que quer que seja, afirmei que funciona como pretexto, ao governo e amigos, mesmo que não faça sentido. Talvez a sutileza não seja um de meus pontos fortes, eu tenha errado levando você a entender o contràrio do que afirmei. Sem desigualdades de custos provocadas pelo governo, sem privilègios e sem controle governamental da economia e sem pretextos para quebrar os menores em beneficio dos maiores ou, sem essa història de confundir favores com eficiência.
O Ludismo é oficializado na prostituição/constituição de 1988, quando se estabelece como direito do trabalhador,a proteção contra a automação, no termos da lei.
Sempre adorei a automação. Graças a ela, podemos trabalhar menos e receber produtos melhores a custos menores. Quanta esforço podemos poupar devido a tecnologia… Não dá para acreditar que alguém pode não gostar disso.
Nos anos recentes o governo federal tem-se empenhado em substituir a tributação sobre a folha de pagamento pela tributação sobre a receita.
E o que isso tem a ver com os ludditas? São nossos administradores centrais, ludditas?
Quando deixa de tributar os salários de um setor em 20% e passa a taxar a sua receita em 1%, o legislador está incentivando aquelas empresas que empregam mais pessoas, são menos automatizadas e menos produtivas. Por outro lado, aquelas que se empenharam em ser mais automatizadas, fazendo mais bens com menos pessoas, são penalizadas.
É um modelo perverso também em outros aspectos, por ser cumulativo e criar tributo sobre tributo mas vamos nos ater ao tema central do artigo.
Para os setores que foram desonerados pelo governo – Sim, é assim que o governo ‘vende’ esta idéia – a motivação pela produtividade cairá, as empresas ultrapassadas tecnologicamente ganham uma sobrevida e o Brasil continua no seu caminho de criar uma legislação tributária diferente para cada produto.
Foram anos para acabar com o Pis e Cofins cumulativos, taxados a 0,65% e 3% respectivamente. Quando mudaram para o regime atual, a taxa foi para 1,65% e 7,6%, totalizando os atuais 9,25% de tributos federais sobre a receita, que se somam aos 17% de tributos estaduais.
Num exercício matemático simples, essa carga tributária de 1% leva a um aumento de aproximadamente 3,5% nos preços.
Concluindo, as empresas menos produtivas e que empregam mais pessoas para produzir, ganharam um incentivo marginal* de 3,5% nos seus produtos. Por outro lado, o empreendedor que poupou e investiu no seu parque para ser mais eficiente e produtivo perde.
* Por incentivo marginal, queira entender a diferença efetivamente recolhida ao fisco entre as duas formas de tributação.
Posso até visualizar uma reportagem com o ministro da fazenda quebrando máquinas no jornal noturno da TV.
São ou não são ludditas, nossos administradores públicos?
Olá,
Creio que no lugar de “1980” deveria estar “1800”, no 23º parágrafo.
Prefiro pessoas à automação forçada. Obrigado.
Ouvi falar que o governo quer proibir a netflix pois corre o risco de causar desemprego. Gostaria de saber a opinião de vocês acerca disso e como o livre mercado lidaria com esse problema do desemprego