Não
é nenhum exagero dizer que não há uma semana em que não recebamos perguntas
sobre “importações destruírem empregos”, “real valorizado prejudicar a
indústria nacional”, “moeda desvalorizada ter suas vantagens”, “protecionismo
ter alguma importância estratégica” e todas as variáveis do tipo. Não obstante todas as perguntas possíveis
sobre protecionismo já terem sido respondidas por completo em nossos artigos sobre
protecionismo, há alguns detalhes sobre o assunto que ainda não foram
explorados a contento. A maioria das
vezes, as perguntas centram-se na questão das tarifas de importação. Hoje, ela centrará na questão da valorização
da moeda.
Um
leitor nos envia a seguinte pergunta:
Boa noite,
Tenho uma dúvida de teoria econômica. Agradeço se puderem
me esclarecer.Qual seria a política cambial certa em um cenário de guerra
cambial, onde todos os países competem desvalorizando suas moedas? Por exemplo, o Brasil. Se nossa presidente,
seguindo os ensinamentos da Escola Austríaca, cruzasse os braços e deixasse o
mercado atuar, nossa economia estaria em uma situação melhor agora? Suponhamos
que em vez de desvalorizar o real, como o BC está fazendo, ele deixasse a nossa
moeda apreciar. Hoje, o real estaria valendo ouro e as importações, tanto as
que são para consumo quanto as de insumos para a indústria, seriam
impulsionadas como nunca antes, é verdade. Mas não aconteceria um processo de desindustrialização
semelhante ao sofrido pelos EUA devido à política cambial chinesa? Neste caso, no final das contas, estaríamos
em melhor ou pior situação?Pode-se citar, como pontos positivos, um provável aumento
de produtividade da indústria, em razão do crescimento das importações de
insumos e bens de capital. Contudo, como confiar que esse aumento seria
suficientemente grande para compensar — e este é o ponto negativo — a perda
de competitividade dos preços dos nossos produtos?Por fim, uma moeda valorizada funcionaria como refúgio para
os investidores (como o franco suíço até um tempo atrás), o que reduziria
drasticamente os juros de captação e seria um estímulo para o governo se
endividar mais.
Em
resumo, a pergunta do leitor em nada difere das outras dezenas que já recebemos
sobre o assunto. Porém, esta é mais
interessante porque permite um maior aprofundamento sobre uma questão muito
pouco entendida pelos brasileiros, por total falta de experiência com o assunto:
os benefícios de se ter uma moeda forte.
Primeiro, uma correção
Antes
de responder diretamente às perguntas do leitor, é importante fazer uma
correção técnica em seu raciocínio. Em
seu terceiro parágrafo, o leitor afirma que se o Banco Central brasileiro não
estivesse imprimindo reais para desvalorizá-lo perante o dólar, o real hoje estaria
substancialmente valorizado. Esse
raciocínio não é correto.
Sim,
é verdade que o que determina a taxa de câmbio de uma moeda é o seu poder de
compra. Consequentemente, a moeda que
for menos inflacionada tenderá a ter um poder de compra mais elevado em relação
às outras moedas, e sua taxa de câmbio, por conseguinte, será a mais
apreciada. Porém — e esse é o ‘grande
lance’ –, o que determina o poder de compra de uma moeda não é apenas a sua oferta, mas também a demanda por esta moeda.
Se
o Banco Central brasileiro interrompesse por completo a expansão monetária, de
modo que a quantidade de reais na economia se tornasse fixa, tal medida, por si
só, não seria nenhuma garantia de que a nossa taxa de câmbio iria se apreciar e
o real passaria a “valer ouro”, como disse o leitor. Tudo iria depender da demanda (nacional e mundial) por reais. A demanda por moeda pode ser entendida como ‘a
procura por moeda para se realizar transações econômicas’. Quanto maior o crescimento de uma economia,
maior tende a ser a demanda por sua moeda.
Ou seja: a demanda por uma moeda tende a ser proporcional ao crescimento
da economia daquele país.
Em
outras palavras: se o Banco Central brasileiro interrompesse a expansão do
crédito no país, que hoje apresenta um crescimento em torno de 18% ao ano, a
economia entraria em profunda recessão.
Estando em recessão, a demanda (nacional e mundial) por reais deixaria
de aumentar (poderia até cair). E isso,
por si só, impediria qualquer apreciação no valor do real no mercado
internacional. O real não iria se
valorizar, e a taxa de câmbio, ao contrário do que disse o leitor, não estaria “valendo
ouro”.
Um
exemplo prático desta teoria pôde ser observado no Brasil em 2003. Naquele ano, com a inflação de preços (IPCA)
chegando aos 17%, o Banco Central subiu os juros e fez com que a expansão de
crédito caísse de 13% para 3% ao ano, uma das menores da história do real (ver
o quarto gráfico deste
artigo). Isso, no entanto, fez com
que o câmbio fosse de 3,70 reais por dólar para apenas 2,80 reais por dólar,
sendo que, no primeiro semestre de 2004, o real já havia se desvalorizado
novamente para mais 3 reais por dólar. Ou
seja, a abrupta interrupção da expansão creditícia daquele ano, longe de gerar
uma forte valorização do real, gerou apenas recessão.
Desde
que o câmbio passou a ser flutuante, em 1999, o dólar só ficou abaixo de 1,70 real
durante alguns meses de 2008 e de 2010/2011, justamente quando a economia
estava crescendo às suas taxas mais vigorosas desde a introdução do real.
Esta
explicação, por si só, já deveria servir para aplacar os temores do leitor e de
todos os outros que, como ele, temem a “ininterrupta valorização” do real
perante o dólar e a consequente “aniquilação da indústria nacional”. Ao contrário do senso comum, é muito difícil
manter uma moeda permanentemente forte.
É necessário saber combinar baixa
expansão do crédito com contínuo crescimento econômico. Até hoje, apenas os suíços e os alemães
souberam fazer isso por várias décadas (ambos os países, aliás, fortes exportadores, “apesar de” sua moeda forte).
1º resposta
Implícito
em todo o raciocínio do leitor está a noção de que desvalorizar o câmbio — ou
seja, inflacionar a moeda — é uma medida benéfica para a indústria e neutra
para o resto da população. Nada mais
falso. O que o leitor não disse
explicitamente, mas deixou claro nas entrelinhas, é que medidas inflacionárias
podem ser boas para alguns e neutras para o restante da população, de modo a
criar um genuíno “ganho social” para o país.
Embora
o setor industrial realmente se beneficie com a desvalorização do câmbio, este
benefício se dá em detrimento do bem-estar de todo o resto da população do
país, que não apenas tem de arcar com um custo de vida mais elevado em
decorrência da inflação de preços gerada pela inflação monetária, como ainda
fica privada de obter bens importados a preços acessíveis. Como pode alguém defender a redução do poder
de compra de vários em prol de bem-estar de alguns poucos? Isso é elitismo puro e duro.
Vejam
o que houve recentemente no Brasil, que adotou a medida de desvalorização
cambial defendida pelo leitor. Em julho
de 2011, um dólar valia R$1,54. Isso
significa que um brasileiro que ganhava um salário de R$3.000 tinha um poder de
compra de US$1.948. Hoje, após a adoção das medidas defendidas
pelo leitor, um dólar vale R$2,02. Logo,
um brasileiro que ganha R$3.000 viu seu poder de compra cair para US$1.485. Para manter seu poder de compra inalterado,
este brasileiro teria de ganhar hoje R$3.934.
Como
pode esta abrupta redução no poder de compra da população brasileira ser
defendida? Como ela pode ser boa para a
economia? Como pode uma população estar
em melhor situação se ela hoje possui mais dificuldades para adquirir bens estrangeiros? Se um país quer ser uma potência, como ele
irá conseguir isso reduzindo o poder de compra de sua população? Todo esse raciocínio equivale a dizer
simplesmente que dificultar o comércio é uma medida que cria riqueza para
todos.
2ª resposta
Também
implícito no raciocínio do leitor está a noção de que uma economia saudável é
aquela que possui baixas taxas de desemprego.
Outro erro. Baixas taxas de
desemprego é algo que pode ser atingido da noite para o dia: basta colocar os
desempregados para cavar buracos. Ou
aumentar as contratações do setor público.
Reza a lenda que a URSS tinha desemprego zero. Não duvido.
Dizem o mesmo de Cuba. Não
duvido. Mas de que adianta você ter um
emprego se você não pode consumir nada com o seu salário? De que adianta você trabalhar e ganhar em
troca um salário que não lhe dá nenhum poder de compra? De que adianta você trabalhar e não poder
adquirir nada, pois o governo cria empecilhos? É a isso que uma sociedade deve aspirar?
Ter
um trabalho mas não poder usufruir os frutos do seu trabalho é escravidão. Por isso comunismo é escravidão. Você trabalha e não pode usufruir os frutos
do seu labor. Por que defender isso?
Em
termos de bem-estar, é preferível ser um desempregado alemão que ganha 800
euros de seguro-desemprego e que pode utilizar esta moeda (ainda) forte para adquirir
bens estrangeiros a custos baixos, a ser um assalariado brasileiro que, com
seus R$1.509 (rendimento
médio real dos trabalhadores do setor privado com carteira assinada em 2011),
tem hoje um poder de compra nominal de 576 euros, mas que, considerando todas
as tarifas de importação, tem um poder de compra real muito abaixo disso.
Pelo
mesmo raciocínio, um desempregado espanhol ou português — que, com sua moeda
forte, tem acesso a bens americanos e europeus a preços baixos — possui um
padrão de vida mais elevado que o de um trabalhador médio brasileiro. Como pode alguém defender esta política de
escravidão de todos em prol do bem-estar de poucos (do setor industrial)?
Uma
sociedade formada por uma minoria exportadora e rica e por uma maioria que não
tem poder de compra já existe: a China.
É para lá que os defensores do mercantilismo cambial querem nos
levar. Prefiro ser desempregado em Portugal. O padrão de vida é muito
maior.
Completando
Em
outros artigos já
foi explicado que o real empecilho à indústria nacional, longe de ser o câmbio,
sempre foi a carga tributária, a inflação monetária, a burocracia, as
regulamentações restritivas, a infraestrutura precária, os sindicatos e os
encargos sociais e trabalhistas. O
câmbio é apenas o bode expiatório favorito dos incompetentes que querem
transformar uma inocente variável na única culpada por todos os malefícios
estruturais e arcaicos da nossa economia.
Portanto, aqueles que estão genuinamente preocupados com a indústria
nacional deveriam parar de se preocupar com o câmbio e concentrar seus esforços
em pressionar o governo a parar de oprimir o setor com todos os empecilhos
acima listados. Não queiram reduzir o
poder de compra da população. Isso é
imoral.
Como
não poderia deixar de ser, o leitor citou o fantasma da “desindustrialização
americana”, um mito criado pela mídia.
Mito? Sim, mito. Não houve desindustrialização; houve aumento de
produtividade. Não confiem em mim; olhem
os dados e concluam.
Embora
o emprego na indústria americana (linha azul) tenha se reduzido, a produção
industrial do país (que é o que realmente importa para a economia) seguiu
crescendo. Isso se chama aumento de produtividade.
Após
fazer terrorismo com a falaciosa situação industrial americana, o leitor faz a
pergunta fulminante: “Neste caso, no
final das contas, estaríamos em melhor ou pior situação?”
Não
obstante o temor do leitor em relação ao câmbio não possuir fundamento, vamos
supor aqui, para o bem do debate, que uma liga de alemães e suíços tomasse o
controle do BACEN e passasse a impor sua filosofia monetária. Imaginemos também que, como que por mágica,
repentinamente o Brasil passasse a apresentar baixas taxas de expansão do
crédito e sólidas taxas de crescimento econômico. Em suma, o real passaria a se valorizar
continuamente. Vamos supor também que
não haja nenhuma alteração no arcabouço tributário, regulador e estrutural da
economia. O Brasil passa a ter uma moeda
valorizada mas sem ter uma economia competitiva (eu falei que era necessário
uma mágica para isso acontecer). Creio
que era essa arranjo que o leitor tinha em mente.
“Neste caso, no
final das contas, estaríamos em melhor ou pior situação?”
Em
melhor situação, sem a menor sombra de dúvida.
E, se você discorda, então, por coerência, você não apenas tem de
recusar qualquer proposta de aumento salarial, como também tem de dizer que,
quanto maior for o seu aumento salarial, pior será a sua situação — ou, o que
dá no mesmo, dizer que quanto maior for a sua redução salarial, melhor será a sua situação. Quem defende desvalorização cambial está
defendendo a redução do poder de compra da população. E defender redução no poder de compra é o
mesmo que defender redução salarial. É
incoerência ser a favor de uma medida (desvalorização da moeda) e ser contra a
outra (redução salarial).
Recentemente,
passei uns dias na Europa. Portugal,
Áustria, Itália e Suíça. Vou tirar Suíça
e Áustria da equação porque sei que muitos irão protestar qualquer comparação
destes países ao Brasil. Vou me
concentrar apenas em
Portugal. As notícias
que chegam aqui é de que o país está à beira da catástrofe e que, em
comparação, o Brasil é um paraíso. Puro
sensacionalismo. Um trabalhador
português, por causa de sua moeda forte, possui, por todos os motivos citados
acima, um padrão de vida invejável para a classe média brasileira. Ele tem acesso a produtos importados a preços
baixos de todos os países do mundo. Fartura
de oferta é o que não lhe falta. Acessórios
que, para os brasileiros são de luxo, para um português são corriqueiros. Questões culturais e morais à parte, um
acesso mais fácil e mais barato a serviços e bens de consumo é justamente o que
define o padrão de vida de uma sociedade.
Os
carros que circulam corriqueiramente em Lisboa — oriundos majoritariamente da
Alemanha, da França e da Itália — podem ser vistos apenas nos bairros mais
chiques de São Paulo. Um carro popular
europeu possui como itens de série apetrechos que no Brasil são opcionais
caríssimos. No bairro do Chiado, você
encontra comércio mais diversificado, mais elegante, mais vibrante e (muito)
mais barato do que na Oscar Freire. Fui
à FNAC de Lisboa à procura do iPhone 5.
“Desculpe, mas está esgotado em todo o país. A próxima leva chega semana que vem.” No Brasil, o iPhone 5 não se esgotou. Ele simplesmente não chegou. A rede El Corte Inglés,
com oito andares de comércio de todos os tipos, faz qualquer shopping brasileiro
parecer uma coleção de lojinhas de bairro (mas com preços que fariam um suíço
repensar seu conceito de riqueza).
Um
país como o Brasil, que possui reduzida oferta de bens estrangeiros e preços
estratosféricos, realmente está em melhor situação do que um país em situação
contrária? Se o Brasil fosse realmente
invejável e a Europa estivesse realmente tão mal, não seriam os brasileiros que
estariam invadindo Lisboa à procura de bens de consumo, mas sim o contrário.
Concluindo
Sim,
uma moeda forte seria uma bênção para a população brasileira. Ela representaria um aumento do poder de
compra do trabalhador e, consequente, um aumento em seu padrão de vida. Ela teria o mesmo efeito de um aumento
salarial permanente. Ela imediatamente
daria aos brasileiros acesso barato a uma farta quantia de bens e serviços
estrangeiros, aumentando enormemente nosso padrão de vida. Os nacionalistas que hoje batem no peito para
elogiar o Brasil e escarnecer a situação europeia certamente nunca saíram do
país e não têm a mínima ideia da invejável qualidade de vida do cidadão médio nos
países mais atrasados da Europa.
Mas
uma moeda forte impõe certas disciplinas que, se não forem obedecidas e
respeitadas, farão várias vítimas. Por
exemplo, dado que uma moeda forte não combina com uma expansão pródiga do
crédito, esta ausência de inflação monetária não permitirá a continuidade de
atividades econômicas artificiais, as quais só podem ser sustentadas justamente
por meio de contínuas expansões monetárias.
Pense em um restaurante com música ao vivo tocada por uma banda
barulhenta e desafinada. Ninguém
realmente quer ouvir aquilo, mas acaba, por educação, pagando o couvert. O restaurante seria a atividade econômica
sólida e a banda seria a atividade econômica artificial. Em um ambiente de moeda forte, não
manipulada, esta banda não teria emprego.
Seus integrantes teriam de procurar outras atividades mais
produtivas. Já em um ambiente de moeda
fraca e inflacionada, haveria dinheiro para o couvert desta banda. Mas o ônus viria na forma de pratos e bebidas
mais caros para os clientes, bem como serviços mais relaxados e de menor
qualidade.
Portugal
e Espanha sempre possuíram moedas fracas (o escudo e a peseta,
respectivamente). A entrada no euro
repentinamente lhes trouxe um poder de compra maior que o do franco suíço. O padrão de vida de espanhóis e portugueses
elevou-se substancialmente. Hoje, não é
do euro que eles querem sair. Há apenas
uma parcela improdutiva da sociedade — formada majoritariamente por sindicatos
de funcionários públicos e privados — que está protestando contra privatizações
e contra necessários cortes em seus salários.
Por
isso, um país com moeda forte tem de ser produtivo, caso contrário haverá
desempregados. Não há espaço para
empregos em atividades econômicas artificiais, para as quais não há genuína
demanda. Não há espaço para malabaristas
de semáforo ou para flanelinhas ganharem dinheiro.
Ou eles procuram atividades produtivas, ou definham. Da mesma forma, uma moeda forte não dá espaço
para políticos e burocratas criarem medidas — como a expansão do crédito —
que beneficiem grupos de interesse e determinadas camadas eleitorais.
Quanto
à constatação final do leitor, que diz que “uma moeda valorizada funcionaria
como refúgio para os investidores (como o franco suíço até um tempo atrás), o
que reduziria drasticamente os juros de captação e seria um estímulo para o
governo se endividar mais,” há um erro em sua conclusão final. Dizer que uma economia funcionaria como
refúgio para investidores e que isso reduziria os juros de captação está longe
de representar um problema. Dizer que
isso seria um estímulo para o governo se endividar ainda mais é uma inversão da
realidade. É a moeda fraca que estimula
o endividamento, e não a moeda forte. O
Brasil sempre teve moeda fraca, nunca parou de aumentar seu endividamento bruto
(que é o que realmente conta) e nunca demonstrou qualquer preocupação quanto a
isso. Já os países do euro, moeda forte,
estão sendo obrigados a apresentar medidas de redução de suas dívidas, algo
impensável no Brasil.
No
mais, gostaria que o leitor me citasse quais os genuínos empecilhos que uma
moeda fraca apresenta ao crescente endividamento estatal. Não consigo pensar em nenhum. Por último, mesmo que o
raciocínio do leitor fosse correto, tal medida (aumento do endividamento)
deveria ser imputada ao estado, aos seus políticos, aos seus burocratas e aos
cidadãos que toleram tais desmandos, e não à moeda forte.
Como
disse Jesús Huerta de Soto, uma moeda
forte coíbe e limita as decisões arbitrárias de políticos e burocratas. Ela disciplina o comportamento de todos os
agentes que participam do processo democrático.
Ela promove hábitos morais de comportamento humano. Em suma, ela restringe as mentiras e a
demagogia, e facilita e amplia a transparência e a verdade nas relações
sociais. Nem mais e nem menos.
Por
que não querer isso?


Brilhante texto. Estarei compartilhando via e-mail, facebook e até mesmo imprimindo e entregando diretamente aos amigos. Parabéns.
Caro Leandro.
Ótimo texto. Só discordo de voce em um ponto, quando se refere a desindustrialização americana. O grafico que mostra ganhos de produtividade faz muito sentido, so que não mostra uma coisa: esse ganho de produtividade so foi possível porque os americanos se focaram em tarefas que podem ser massivamente automatizadas, o que como voce bem sabe, não é possivel em todos os setores. Alguns setores precisam ser intensivos em mão de obra humana (como industria textil, industria de calçados), não existem maquinas que substituam as pessoas de maneira satisfatória.
Isso causou que a mão de obra qualificada em alguns setores na economia americana simplesmente desaparecesse. Fora isso concordo com seu texto.
Sugiro leitura do texto dailyreckoning.com/made-in-america-again/, é relevante ao assunto.
Abraço
Ótimo texto, Leandro!
Até hoje, apenas os suíços e os alemães souberam fazer isso por várias décadas
O Japão não fez por várias décadas então?
Logo, um brasileiro que ganha R$3.000 viu seu poder de compra cair para US$1.485.
E não podemos esquecer que o poder de compra do dólar também caiu, ou seja, é pior ainda.
Leandro, parabéns pelo artigo!
Você poderia só me tirar uma dúvida? O BC para manter o câmbio em R$2,02 tem que comprar os dólares que o FED está imprimindo e que estão vindo parar aqui de alguma forma, certo?
O BC imprime dinheiro para comprar esses dólares?
Outra questão: O BC aplica as reservas de dólares em títulos da dívida americana? Se sim, isso significa que o BC tira dinheiro do cidadão pelas duas pontas: encarecendo as importações e destruindo o poder de compra via inflação.
Ou seja, o BC retira dinheiro da economia brasileira e financia o governo americano.
Estou correto? Ou estou fazendo confusão?
Se eu fosse resumir esse texto, e todo esse discurso, eu diria que ele é um laborioso cálculo do custo de oportunidade das políticas suicidas de empobrecimento geral do Brasil. Os políticos estão empobrecendo todos para que todos sejam igualmente pobres, e não desigualmente ricos. Não é só uma imoralidade, é um problema cognitivo também.
Brilhante!
Só tenho um reparo a fazer:
“Os nacionalistas que hoje batem no peito para elogiar o Brasil e escarnecer a situação europeia certamente nunca saíram do país e não têm a mínima ideia da invejável qualidade de vida do cidadão médio nos países mais atrasados da Europa.”
Não é verdade. Muitos desses nacionalistas viajam constantemente pela Europa e pelos EUA a passeio às custas dos impostos que o resto da população paga. O caso é que, para continuar nessa mamata, eles contam com a ignorância da maioria da população, que nunca saiu do país. Eis o por que eles “batem no peito para elogiar o Brasil e escarnecer a situação europeia”.
Leandro,
Parabéns pelo artigo. Merece e será compartilhado.
Abs,
Parabéns pelo belo artigo, Leandro!
Existe uma forma segura de diminuir o crédito até ele ser lastreado em poupança sem gerar recessão?
Abraço!
O texto aborda muito bem alguns pontos da mentalidade protecionista.
Além dos pontos mencionados, outros pontos muito mencionados nesse debate são:
– Deve existir protecionismo da indústria (mesmo que isso seja as custas de produtos mais caros) porque a indústria é “setor estratégico”, “agrega valor” etc…
É aquela velha mentalidade desenvolvimentista industrial do séc. 20. Muita gente vê a indústria como o único setor que “gera riqueza”.
– A mentalidade nacionalista do “nós contra eles”. As pessoas tem a mania de enxergar o comércio internacional como uma disputa onde alguém perde e alguém ganha. Acreditam que um país só pode enriquecer se conseguir exportar sempre mais do que importa. Por isso elas apoiam essas medidas que estimulam a indústria “nacional”. Veja que existe toda uma mentalidade socialista no cognitivo do povo que vê empresas de outras pessoas como parte de sua propriedade a ser defendida… É muito estranho isso.
Se para importar um carro é necessário exportar uma quantidade x de laranja, a desvalorização da moeda faria com que fosse preciso exportar uma quantidade maior que x, ou seja, nós estaríamos voluntariamente aumentando o preço dos produtos que compramos do exterior.
Consigo entender porque certos grupos defendem esse tipo de medida do governo, já que mesmo que a desvalorização destrua um pouco do poder de compra desses próprios grupos, o lucro conseguido às custas de todo o resto supera e muito essa perda.
O que não consigo entender é porque vejo vários economistas mainstreams defenderem esse tipo de política tão evidentemente danosa.
Por que do ponto de vista da teoria mainstream a desvalorização cambial é algo vantajoso?
Desculpe, mas minha formação não é em economia. Deixe-me ver se entendi. O governo imprime reais para desvalorizar a moeda? Mas o que ele faz com esse dinheiro impresso? Não entendi isso direito.
Achei esse artigo que me ajudou pra caramba:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=597
Acho que entendi, existem 2 formas de fazer a desvalorização, pelo de método expensão bancária e pelo método de compra de moeda e estocando.
O interessante é que mudar artificialmente a taxa de juros tem um efeito parecido com o de mudar a taxa de câmbio. O mercado tende sempre a retornar ao patamar antigo e o governo tem que acelerar cada vez mais pois o mercado começa a antecipar.
Eu inclusive comprei um livro do Paul Grugman antes de conhecer esse site, que havia explicações para as crises monetárias, mas eu não entendi nada. Acho que esse artigo do Sidney Richard Sylvestre é bastante acertado e simples.
Olá Leandro,
Você comentou no texto que, com a extinção da expansão do crédito, a alocação de recursos teria de ser otimizada, e o setor produtivo seria o maior beneficiado disso, conjuntamente com a população brasileira, a qual iria se beneficiar do poder de compra continuamente maior.
No caso da expansão creditícia cessar, isso também implicaria na extinção desses ciclos econômicos gigantescos que ocorrem continuamente no mundo como, no caso, o que está acontecendo com os preços dos imóveis no Brasil, que estão simplesmente incompráveis. É isso mesmo? Sem a expansão, os ciclos seriam totalmente menores e menos devastadores dos que ocorrem hoje em dia?
Muito obrigado.
E o caso japones, eles tem a moeda desvalorizada neh? Mas não me parece que é artificialmente, como se deu o caso deles?
“Hoje, após a adoção das medidas defendidas pelo leitor, um dólar vale R$2,02. Logo, um brasileiro que ganha R$3.000 viu seu poder de compra cair para US$1.485. Para manter seu poder de compra inalterado, este brasileiro teria de ganhar hoje R$3.934.”
Por que assumir que os salários não vão aumentar junto com a inflação? Salário não é um preço como todos os outros?
Oi, eu entendo porque uma inflação, faz o preço do moeda cair.
Mas eu estava lendo em um livro que dizia que o preço da moeda subir Desencoraja a inflação.
Foi usado exatamente o termo Desescoraja. Alguém sabe explicar isso?
Ótimo texto Leandro. Poderia acrescentar ainda os benefícios de se desestatizar a moeda, quebrando o monopólio do governo sobre a mesma. Seria a melhor solução não depender de uma moeda só.
Só um pouco mais do mesmo….\r
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http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?id=1322000\r
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O diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz Coelho, elogiou o esforço do governo para diminuir a apreciação do real ante o dólar. Ele ressaltou, porém que o patamar atual do câmbio, pouco inferior a R$ 2,10, ainda é insatisfatório para a produção industrial e para melhorar de forma expressiva a competitividade do setor.\r
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Dólar mais caro não afetará preços no Natal, diz comércio”Na minha opinião, o câmbio variando numa faixa entre R$ 2,30 e R$ 2,50 seria razoável e não seria inflacionário”, apontou. Para Coelho, a mudança em pelo menos 20 centavos não causaria pressões fortes sobre os preços internos por dois motivos. Um dos fatores é que incentivaria as empresas nacionais a fabricar mais produtos para exportação. Outro elemento é que o mercado interno é grande e boa parte do consumo doméstico está sendo atendido pelas importações. “Portanto, há uma demanda grande da população que poderia ser atendida por mercadorias feitas aqui, gerando mais empregos”, comentou.\r
\r
Na última sexta-feira (23), o ministro da Fazenda, Guido Mantega declarou que o câmbio acima de R$ 2,00 “veio para ficar”, já que há cerca de 5 meses opera nesse nível.\r
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A Fiesp apresenta nesta segunda-feira o Índice Competitividade das Nações (IC-Fiesp), um ranking que identifica as principais restrições ao aumento da competitividade brasileira e busca experiências internacionais de sucesso que possam servir de exemplo ao País.\r
\r
Excelente o texto. E bem claro, e governo é o cancer de todos nossos males . parabéns
Quando é que esse cara vai dar aula? Eu pagaria caro por um professor assim!
“Uma sociedade formada por uma minoria exportadora e rica e por uma maioria que não tem poder de compra já existe: a China.”
Obs: OK, mas isso é uma situação artificial na mesma medida que os EUA realmente “tem” o seu atual poder de compra, o que somente está sendo possível graças ao status de reserva de valor do dólar. Ou seja, livre para flutuar, o renminbi seria mais forte, beneficiando a maioria chinesa.
“Como não poderia deixar de ser, o leitor citou o fantasma da “desindustrialização americana”, um mito criado pela mídia.”
Se isso é um mito, então a que se referia o Peter Schiff nessa frase “Obama is pursuing, with unprecedented vigor, the same policies that have for decades undermined our industrial base and yoked us to an unsustainable consumer/credit driven economy…”? (www.lewrockwell.com/schiff/schiff57.1.html). Também em um de seus últimos livros ele diz “the loss of our industrial base”.
“É a moeda fraca que estimula o endividamento, e não a moeda forte.”
Não compreendi como a moeda fraca estimula o endividamento. A dívida americana foi construída em moeda forte. A do Reino Unido também (www.youtube.com/watch?v=8OMFv1bIeEY). O que estimula o endividamento, pelo que vejo, é o acesso fácil ao crédito combinado com políticas fiscais expansionistas, simplesmente.
“Em momento algum — e isso você omitiu –, Schiff fala que a culpa é dos chineses ou do câmbio deles.”
“De-pegging will force the hand of U.S. politicians toward pursuing realistic policies. The Chinese will come to their senses eventually because it is in their interest to do so. Meanwhile, the longer the peg is maintained, the more indebted we become, the more out of balance our economy grows, and the more our industrial base shrivels. In short, the longer they wait, the steeper our fall.” ( http://www.lewrockwell.com/schiff/schiff59.1.html )
Um país A, que passa anos praticamente apenas importando de B, tende a desvalorizar sua moeda nessa relação, dado que constantemente demanda a moeda de B. Numa relação comum entre moedas, esse efeito (valorização da moeda de B) seria contrabalançado, posteriormente, pelo movimento contrário – quando B viesse comprar produtos de A e demandasse a moeda de A.
Mas isso é diferente na relação EUA-China. O segundo movimento – B comprando de A – não acontece; como sabemos, a China prefere acumular seus saldos na forma de títulos do governo americano. Então, seguindo a construção hipotética, se em vez de comprar produtos de A, B agora vende crédito para A (pois compra títulos da dívida de A – moeda de A, em outras palavras), que se endivida cada vez mais, até o dia em que os credores começam a duvidar que serão pagos. Quanto melhor for a reputação da economia de A, mais tempo, teoricamente, demora para este dia chegar. Daí que, no caso prático, manter a moeda artificialmente baixa na relação com uma economia do tamanho da norte-americana e com a reputação de ter a moeda internacional de troca, tende a formar o pior e mais durador dos cenários possíveis. Ter a moeda internacional de troca intensifica e agrava todos os efeitos que o Schiff descreveu.
Se o país A estivesse se desindustrializando um pouco, devido ao efeito provocado por B (além do empurrãozinho da sua própria falta de competitividade, é claro), a relação com outros países, por outro lado, não seria afetada, e este país seria obrigado a manter os pés no chão. Mas os EUA sofrem com os efeitos nocivos do “privilégio” por diversas frentes, são muitos os países que fazem suas reservas em dólares. Assim, que, tendo sua moeda tal status e sendo uma economia tão grande, entendo que o cãmbio chinês é – repito, neste cenário peculiar – um combustível que intensifica e agrava os problemas dessa engrenagem insustentável. Contudo, eu não diria que a “culpa original” é dos chineses, porque, afinal, foram os EUA que aceitaram para o dólar o status absurdo de papel internacional de troca, e, como tu bem disse, o problema de competitividade é culpa do governo.
A respeito da produtividade da economia americana, te sugiro este artigo:
http://www.washingtonmonthly.com/magazine/january_february_2012/features/the_myth_of_american_productiv034576.php
E aqui a entrevista do autor: http://www.c-spanvideo.org/program/303862-6
Em linhas gerais, o autor, Michael Mandel, explica por que as estatísticas estão sendo mal feitas e não se pode confiar nelas. Há linhas de montagem sendo transferidas para o exterior mas aparecendo no cálculo de produtividade americano, ou seja, elas mostram uma redução no número de empregados combinada com um aumento do output – como se este fosse inteiramente americano. Produtos importados contabilizados como nacionais. O reflexo disso? Um déficit crescente na balança de pagamentos. É o que sugere o Schiff neste vídeo ( http://www.youtube.com/watch?v=3VyFWzc-cmg ), a partir de 20:55, ao comentar a respeito da estatística oficial – “I just don’t buy it”.
Por último, e só para fins de precisão: são as políticas de enfraquecimento da moeda que estimulam o endividamento, não a moeda fraca em si.
Há planos para um artigo explicando o atual momento do real?
Leandro, gostaria de saber como ficaria a situação de pagamento da dívida pública.
Supondo que a população do Brasil possua 300 reais sob sua posse, e 1 dólar = 3 reais. Então a população do Brasil possui 100 dólares disponíveis para compras internacionais (desconsiderando os impostos e outros empecilhos). Agora, suponhamos que a população do Reino Unido possua 10 libras sob sua posse, e 1 dólar = 0,2 libras. Então a população do Reino Unido possui 50 dólares disponíveis para compras internacionais.
Sendo assim, mesmo com Reino Unido possuindo uma moeda mais valorizada, é a população brasileira que possui maior poder de compra internacional? Como mensurar a quantidade de dólares que podem ser extraídos de um país? Dividindo o agregado monetário M1 ( ou algum outro ) pela taxa de cambio? Ou o valor das reservas internacionais já é o máximo que poderá ser extraído (mesmo se a quantidade conversível de dinheiro dividida pela taxa de câmbio ultrapassar o valor das reservas)?
Os efeitos em uma economia da valorização e desvalorização cambial de uma moeda dependem diretamente das taxas em que a respectiva moeda está sendo “criada” ou “destruída”? Se existirem 10 reais e 1 real = 0,5 dólar, o Brasil possui 5 dólares. Se 7 reais forem “destruídos”, passam a existir 3 reais e sendo agora 1 real = 1 dólar, o câmbio foi valorizado mas Brasil possui agora apenas 3 dólares. Assim, não acredito que a valorização do real foi vantajosa. Por outro lado, se 90 reais forem criados, passam a existir 100 reais e sendo agora 1 real = 0,2 dólares, o câmbio foi desvalorizado mas o Brasil possui agora 20 dólares. Assim, não acredito que a desvalorização do real foi desvantajosa.
O meu colega foi extremamente incompetente em cumprir a proposta fornecida pelo professor. Mas, comigo, o socialismo tá na alma. Vocês capitalistas ensinam as crianças a comprarem Barbie, essas coisas que não servem para nada. Quando crescem, ficam vulgares. O segredo é a educação, temos que implementar a revolução cultural socialista nas escolas infantis. As crianças tem que parar de beber coca cola, pepsi, fanta e comer hambúrgueres de multi nacionais gordurosas. O CAPITALISMO AJUDA AS MULTI NACIONAIS FABRICANTES DE PRODUTOS GORDUROSOS. E AI? COMO A ESCOLA AUSTRÍACA PODE-SE DIZER BENÉFICA PARA O POVO? A Shania Twain lançou a musica de protesto mais bem fundamentada da história. Vamos dançar contra o capitalismo:
http://www.youtube.com/watch?v=iEe3hBXZEyI
Não Ditadora Fabiana, o capitalismo não ensina as pessoas a comprarem nada, nem Barbie nem comida gordurosa.
O capitalismo ensina liberdade para as pessoas, para que elas, e tão somente elas (e não o estado ou um ditador) façam suas escolhas.
São as pessoas que escolhem comprar Barbie, são as pessoas que escolhem comer comidas gordurosas, e o fazem porque gostam.
Se alguém que compra Barbie acaba virando pessoa vulgar, é um problema dela e sua educação (que vem de casa), e não da Barbie ou da fabricante da Barbie.
Não consigo entender é como alguém julga correto querer mandar e decidir as coisas pelas outras pessoas, quem dá a eles este direito?
E como já disse outro colega do site: O pior é que isso ai vota!
“O CAPITALISMO AJUDA AS MULTI NACIONAIS FABRICANTES DE PRODUTOS GORDUROSOS. E AI? COMO A ESCOLA AUSTRÍACA PODE-SE DIZER BENÉFICA PARA O POVO?”
Caixa alta não faz sua afirmação estapafúrdia se tornar algo melhor, muito pelo contrário.
O capitalismo não ajuda multinacionais fabricante de produtos gordurosos, quem ajuda é quem compra os produtos deles. E quem compra é porque gosta. E eu não me sinto no direito de dizer pra ele que ele está proibido de comer o que ele gosta, posso, no máximo, instruí-lo. A escolha é dele, não minha (ou do estado, do ditador, ou sua).
A EA ensina/explica economia, não como fazer produtos gordurosos. Não entendi a ligação.
Não sei como resolver essa situação pois não era para de forma alguma meus alunos citarem o real motivo dos questionamentos. Cancelei o trabalho. Peço que vocês do IMB apaguem todos os comentários do Rafael e da Fabiana. E adverto-os: fiquem espertos, preservem os ganhos salariais da nossa classe. Nós economistas precisamos de um estado forte e um mercado bastante regulamentado para conseguirmos auferir grandes somas. Vocês são ingênuos, o livre mercado é muito menos propício ao trabalho de nós economistas.
Tudo é uma questão de receber bem no final do mês. Infelizmente a melhor coisa que consegui com meu curso foi ser professor substitutivo numa universidade. Eu sei que o livre mercado é mais favorável a geração de riquezas, mas entendam: fazer parte de uma casta favorecida é uma benção!!!
Não divulguem esse comentário e reformulem o site IMB. Quando eu leio IMB me dá vontade de chorar. Devemos fazer todos acreditar nos benefícios do mercado regulamentado e assim, acreditarão que nós economistas devemos ganhar muito bem.
Portugal e Espanha sempre possuíram moedas fracas (o escudo e a peseta, respectivamente). A entrada no euro repentinamente lhes trouxe um poder de compra maior que o do franco suíço.
Então fui enganado todo esse tempo por artigos e professores dizendo que o Euro foi a causa da crise nos PIIGS?
Mas esse artigo me deixou curioso: como a população japonesa pode ter uma qualidade de vida tão boa ou melhor que a europeia se o Yene é tão desvalorizado?
Leandro, cá estou novamente lendo esse artigo (de uma forma ou de outra sempre acado sendo redirecionado para artigos que já li anteriormente ao ler a seções de comentários).
Sobre este ponto:
“Em outras palavras: se o Banco Central brasileiro interrompesse a expansão do crédito no país, que hoje apresenta um crescimento em torno de 18% ao ano, a economia entraria em profunda recessão.”
Gostaria de entender melhor esse processo. Segue minha “análise”, gostaria que você (ou alguém) me corrigisse caso eu esteja falando alguma besteira:
Entendo que congelando o M1 de imediato provocaria uma disparada nos juros em decorrência da escassez monetária, o que desestimularia a atividade econômica, uma vez que as pessoas tenderão a poupar seu dinheiro… (>>>> recessão <<<<) Entretanto, obviamente que com o M1 congelado, os juros galopantes seriam impagáveis, isso leva os juros a adquirirem valores mais brandos (provavelmente, até menores que os valores atuais). Com juros menores, o “entesouramento” de dinheiro acaba e o dinheiro passa a fluir pela economia, iniciando a recuperação da economia. O tempo de duração dessa fase de ajuste é diretamente proporcional ao esforço do governo em combatê-lo (keynesianos gonna keynesiar). — Agora fica uma dúvida: Nesse meio tempo, supondo que os juros batam na casa dos 60% (um chute sem nenhuma pretensão de acuracidade), o que acontece com os (poucos) contratos fechados nesse período? Eles terão obrigatoriamente que ser cumpridos? Obviamente seria burrice pegar um empréstimo nessas condições, mas haveria os que certamente o fariam por falta de conhecimento econômico… Certamente, que se o cenário em questão se desse no Brasil, o governo daria um jeito de permitir que essas pessoas dessem o calote, afinal, os pobres coitados foram “ludibriados pelo mercado”. — Tentando relacionar esse assunto com o nosso maravilhoso sistema bancário, como se daria a relação das reservas fracionárias com um M1 fixo? É possível que ambos coexistam? — Por último, mas não menos importante, gostaria de salientar a grande epifania que está sendo a descoberta da Escola Austríaca. Quanto mais eu leio e aprendo, mais convencido estou de que de fato vivemos na Matrix. Por sorte (ou não), escolhi a pílula vermelha. Acho que ainda é cedo pra dizer se é sério ou só fogo de palha, mas estou até cogitando mudar o rumo da minha carreira (que está só começando) da engenharia/TI para a economia. Não sei estaria um passo maior que a perna, afinal, tudo o que aprendi na faculdade foi a economia ceteris paribus e algumas noções de análise de investimentos…
@Racional Total 26/06/2014 16:40:14
“Acho que ainda é cedo pra dizer se é sério ou só fogo de palha, mas estou até cogitando mudar o rumo da minha carreira (que está só começando) da engenharia/TI para a economia.”
Não faça isso em hipótese alguma!
+1
A economia que você aprenderá nada tem a ver com a economia de verdade. Não faça isso!
@Henrique 27/06/2014 15:02:24
Tenho ciência disso, Ali Baba… Infelizmente, no mundo keynesiano em que vivemos, não escaparei dos agregados monetários e do estímulo à demanda agregada. Entretanto, com o conhecimento proporcionado pela escola austríaca, creio eu que teria certa vantagem em identificar as ciladas do mercado financeiro antes do mainstream…
Pode ser. Mas também pode ser que você seja seduzido pelo lado negro da força.
Prezado Leandro, comentando seu último parágrafo…
“Como disse Jesús Huerta de Soto, uma moeda forte coíbe e limita as decisões arbitrárias de políticos e burocratas. Ela disciplina o comportamento de todos os agentes que participam do processo democrático. Ela promove hábitos morais de comportamento humano. Em suma, ela restringe as mentiras e a demagogia, e facilita e amplia a transparência e a verdade nas relações sociais. Nem mais e nem menos.
Por que não querer isso?”
Este fato não é apenas um acidente de percurso, ou um simples desvario dessa manada de economistas que defendem a desvalorização da moeda…. Todas estas gerações Keynesianas que estão sendo formadas, são apenas geradas para servirem ao estado totalitário, mesmo que de forma inconsciente. O pensamento de Keynes é completamente invertido, assim como é toda a mentalidade revolucionária. Eles subverteram a realidade histórica, e assim o fazem em todos os âmbitos que a realidade abarca.
Logo, a meu ver, a linha keynesiana de economia, foi concebida unicamente para servir como ferramenta na subversão dos conceitos clássicos da economia, invertendo seus valores de forma a contribuir para o estabelecimento do comunismo no mundo.
Portanto, não é apenas um acidente de percurso, ou apenas um desvario por parte deles esta inversão de suas interpretações, mas é algo completamente normal na mentalidade que eles adotaram por ideologia. Não é a toa que a linha de Keynes conspira contra a liberdade humana, ao mesmo tempo que transfere ao Estado todo o poder.
Ótimo artigo Leandro! Deus te abençoe.
Queria poder mostrar meus aplausos. foi muito esclarecedor. obrigado pela dedicação no texto, muito instrutivo.
No decorrer fui percebendo que minha mente estava contaminada com certas idéias que foram totalmente destruídas de forma simples e racional.
abraço, continua nessa que esse povo tem que acordar.
Leandro e equipe IMB, parabéns pelo artigo!
Já que estou aqui, e como é meu costume, apenas gostaria de compartilhar um resumo de uma postagem minha num grupo de economia do face, sobre as vantagens e desvantagens de uma moeda forte.
Vantagens de uma moeda forte:
• Sendo a moeda não apenas um mero meio de trocas, ela também é um bem. Ser detentor de uma moeda forte é ser detentor um bem caro e apreciado;
• Facilita o direto acesso ao consumo, que é o objetivo primário da economia;
• Permite um poder de compra maior de bens estrangeiros em relação aos bens domésticos, tanto em quantidade como, provavelmente, em variedade;
• Fornece maior segurança aos especuladores e investidores;
• Promove baixa inflação, o que propicia um ambiente estável e mais previsível a investimentos de longo prazo;
• Por estar ligada à baixa inflação, promove diminuição da desigualdade de renda;
• Incentiva maior especialização de produção, encarecendo bens exportáveis e barateando bens importáveis, o que irá proporcionar maiores vantagens comparativas;
• Permite maior concorrência em determinados bens, e ao mesmo tempo, promove maior cooperação entre os países, visto que o volume de transações internacionais tende a elevar-se devido à especialização;
• Permite que atividades econômicas obsoletas e ineficientes desapareçam e deem lugar a bens com mais apurada demanda;
• Incentiva governos a equilibrarem o orçamento, controlando seus gastos e limitando sua expansão;
• Incentiva maior liberdade no mercado de trabalho e, consequentemente, alocação mais rápida deste recurso escasso;
• Promove maior austeridade monetária, limitando o surgimento e a duração de políticas públicas geradoras de bolhas, ciclos econômicos e flutuações econômicas, em geral.
• Diminui o poder de barganha de cartéis e de agentes econômicos oligopolistas (como ruralistas, industriais, sindicatos e lobistas e exportadores em geral), promovendo, deste modo, maior poder de barganha e bem-estar ao consumidor.
Desvantagens de uma moeda forte:
• Desconheço.
“Também implícito no raciocínio do leitor está a noção de que uma economia saudável é aquela que possui baixas taxas de desemprego. Outro erro. Baixas taxas de desemprego é algo que pode ser atingido da noite para o dia: basta colocar os desempregados para cavar buracos.”
Boa tarde, Leandro! Poderia me explicar melhor a questão do emprego numa economia de livre-mercado? Por exemplo, a questão dele ser infinito. Há artigos que desenvolvem esta questão mais profundamente?
Outra questão: Onde encontro artigos explicando dívida externa?
Leandro, equipe IMB e leitores, descobri algo interessante, que provavelmente vocês já saibam, mas mesmo assim vale a pena compartilhar aqui: os bons termos de troca do Brasil estão completamente relacionados à moeda forte, ou seja, quanto mais valorizada a nossa moeda, mais saímos ganhando no comércio internacional em relação a outros países:
http://www.tradingeconomics.com/charts/brazil-currency.png?s=usdbrl&d1=19930101&d2=20151231&URL2=/brazil/terms-of-trade&title=false
Eu acredito o motivo disso seja o fato de que talvez o Brasil possua como pauta de exportação produtos que possuem uma relativa inelasticidade-preço da demanda e porque usufrua algum poder de mercado, pelo menos como oligopolista. Ou seja, por sermos os grandes exportadores mundiais de café, cana-de-açúcar, cacau e carnes (para Europa, China e Estados Unidos) e exportadores regionais de industrializados (para nossos vizinhos latino-americanos)– e, consequentemente, definidores de preços –, quando ocorre uma valorização do real, estamos usufruindo poder de mercado: nossas receitas (em reais e dólares) das exportações não diminuem — pelo menos, não muito — enquanto que os nossos custos de importações (em reais) caem significativamente, apesar de serem os mesmos quando cotados em dólares.
Conclusão: além de todas as outras vantagens citadas neste artigo, adotar uma moeda forte traria significativos ganhos de comércio internacional ao Brasil simplesmente por encarecer nossos bens exportáveis (e baratear os bens importáveis), pelo fato de usufruirmos poder de mercado sobre certos bens exportáveis, que é exatamente o contrário do que os cepalinos davam a entender.
O que vocês acham?
Caro Editor Leandro,
Muito grato pelo seu artigo esclarecedor. Porém, se partimos do pressuposto que o dólar é uma das moedas fortes a nível mundial, porque é que os EUA é um dos paises desenvolvidos e industrializados, mais endividados do mundo!
Obrigado,
Se cambio valorizado em si não gera queda industrial, qual foi o motivo da queda da indústria de transformação no Brasil após o Plano Real?
Entendido sobre a indústria. Agora sobre os déficits na balança comercial, minha pergunta não foi sobre as consequências, e sim sobre o motivo. Seria o Real valorizado ou culpa das crises mundias da época? Digo, mexicana, asiática e russa.
“Uma sociedade formada por uma minoria exportadora e rica e por uma maioria que não tem poder de compra já existe: a China.”
O artigo é de 2012. O que você quis dizer nesse trecho, visto que o renminbi só foi afundar depois de 2014, enquanto ele seguiu uma trajetória de valorização de meados de 1994 até meados de 2013? Porque uma moeda com poder de compra é aquela que menos se desvaloriza ao longo dos anos ou mesmo se valorize ao longo dos anos. Eu entendi algo errado?
“Vejam o que houve recentemente no Brasil, que adotou a medida de desvalorização cambial defendida pelo leitor. Em julho de 2011, um dólar valia R$1,54. Isso significa que um brasileiro que ganhava um salário de R$3.000 tinha um poder de compra de US$1.948. Hoje, após a adoção das medidas defendidas pelo leitor, um dólar vale R$2,02. Logo, um brasileiro que ganha R$3.000 viu seu poder de compra cair para US$1.485. Para manter seu poder de compra inalterado, este brasileiro teria de ganhar hoje R$3.934.”
Hora de atualizar o poder de compra dos salários no Brasil:
Um salário de R$ 3000 agora vale US$ 556. Ou seja, em menos de 10 anos, o seu poder de compra evaporou. O seu salário foi embora.
Para manter o poder de compra lá de 2011 de US$ 1948, hoje um brasileiro deveria estar ganhando R$ 10.502,54.
Se continuar assim, o trabalho assalariado no setor privado já estará quase em situação de escravidão, não pela ótica marxista, mas graças à moeda cada vez mais fraca e aos impostos e regulações escorchantes, assim como na queda de variedade e qualidade nos bens e serviços oferecidos. Você trabalha, mas o fruto do seu trabalho não consegue comprar muita coisa.
Uma ótima política social para os mais pobres.