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A “guerra civil” americana – uma defesa do separatismo sulista

Empreendo a difícil e
politicamente incorreta tarefa de tentar defender os direitos dos estados norte-americanos
do sul durante o período que ficou conhecido como o da “guerra civil” americana
(1861-1865). Difícil porque o assunto
encontra-se impregnado de um senso-comum que costuma desqualificar e impedir a
exposição de outra interpretação e de visões distintas acerca dos fatos
históricos. Recorrentemente, os que ousam tentá-lo são tachados de racistas, de
escravistas e de preconceituosos, sendo injustamente desmerecidos. Por este
motivo, em respeito ao trabalho destes acadêmicos, propus-me a tentar prestar
alguns esclarecimentos para o leitor, expondo-lhe uma concepção não usual sobre
o assunto, a fim de que tenha acesso a outros lados da questão.

Começo, pois, por me referir a
um grande erro, perpetrado pelo uso incorreto da terminologia “guerra civil”.
Nunca houve uma guerra civil nos Estados Unidos da América. O que ocorreu foi
uma guerra de secessão. A diferença é grande. Numa guerra civil, dois ou mais
grupos rivais disputam o controle de um país, como foi, verbi gratia, o notável episódio espanhol, em que republicanos
comunistas e nacionalistas franquistas beligeraram durante três anos pelo
controle do estado espanhol. No caso americano, os estados do sul não lutaram
porque queriam o domínio do país; eles lutaram porque queriam se separar do
país. Os sulistas não almejavam comandar a União em Washington; seu real desejo
era se separar da União. O mesmo pode ser dito acerca da Revolução
Farroupilha (1835-1845) no Rio Grande do Sul.

Elucidada essa questão de mera
nomenclatura, podemos, destarte, nos aventurar pela problemática jurídica em
torno da guerra de secessão americana. Ocorre que, ao contrário do que muitos
pensam (ou são levados a pensar), os estados do sul tinham ao seu dispor teses
jurídicas que salvaguardavam o seu direito de se separar da União federal. Não
se olvide que a federação era uma criação relativamente recente na época, e que
não havia nenhum “manual” universitário que a definisse e impedisse a criação
de teses contrárias. Analisemos, então, a situação.

Segundo as aulas de Teoria do
Estado ou de Direito Constitucional I, qual é a diferença entre a federação
estadunidense e a brasileira (esta última sempre vista como sendo mais
autoritária)? O Brasil era um estado centralizado que se “federalizou”, ao
passo que as treze colônias americanas, após uma guerra em conjunto pela sua
independência, eram treze estados distintos, que, por tratados de direito
internacional, aceitaram formar uma confederação e, ad posteriori, uma federação constitucional (a qual, é sabido,
podemos meritar aos esforços argumentativos de Hamilton, Madison e Jay).

A consequência desse processo
ímpar de formação é que os estados americanos gozam de uma autonomia
incomparável com a dos entes federativos estaduais brasileiros. A organização
política idealizada pelos founding
fathers
para os EUA rege-se pelo princípio de que tudo aquilo que não for
competência expressa da União cabe aos Estados, o que pode ser
inconfundivelmente atestado pela leitura da décima emenda.[1]

Esse princípio foi de vital
importância para a argumentação dos estados do sul, pois, eis que, ao contrário
da constituição brasileira (CF art. 1º, caput),
a carta magna americana não prevê em nenhum de seus artigos que a União é
indissolúvel. Uma vez que a constituição é silente em relação à possibilidade
de secessão, e tudo aquilo que não estiver na mesma é de competência dos estados,
deduziu-se que os estados teriam o direito de se separar da União, à qual eles
aderiram por livre e espontânea vontade.

Além disso, os estados de
Virginia, New York e Rhode Island, ao assinarem a constituição americana —
aceitando, portanto, participar da federação –, incluíram uma cláusula em suas
adesões que lhes permitiria se separar da União no caso de o novo governo
tornar-se “opressor”. Ora, outro princípio que rege a federação americana é o
que diz que não há, nem pode haver, direitos diferentes entre os estados, os
quais devem ser radicalmente iguais em dignidade e direitos. Deste modo,
podemos concluir que absolutamente todos os estados teriam o direito, conferido
aos três supracitados, de se apartar da União.

Hoje, a visão de que as
federações são indissolúveis é incontestável e pacífica na doutrina;[2]
mas nem sempre foi assim. Até aquela época, o conceito do que seria uma federação
ainda estava sendo construído. A Guerra de Secessão americana foi responsável
por sepultar e impedir o ressurgimento de qualquer tipo de interpretação que
desse azo à liberdade dos estados integrantes da federação. Ela consolidou uma
unificação nacional forçada e uma centralização de poderes na União até então
nunca antes vista. A partir desse momento, os estados passariam a ser encarados
como uma mera subdivisão política de uma única e indivisível nação. Isto é algo
de surpreender, pois esta concepção nacionalista era praticamente inexistente
na América do Norte daquela época. Prova disso é que a própria consciência da
população americana, juntamente com o modo como se referiam ao seu país, mudou.
Anteriormente falava-se em “THESE United States”, passando-se a um “THE
United States”[3].
Vale dizer, o sentimento nacionalista e a própria “nação americana” estavam
sendo inventados naquele momento; mais ou menos na mesma época em que um
processo semelhante estava ocorrendo no Brasil, com o movimento romântico do II
Reinado (1840-1889) e o esforço destes autores em criar uma identidade nacional
brasileira.[4]

Penso, pois, ter ficado claro a
questão de que, nos seus aspectos jurídicos, os estados do sul tinham sim um
embasamento para a sua decisão de se separar. Mas e quanto à questão da escravidão,
que sempre penetra o debate acerca da secessão? Não há dúvidas de que a
escravidão é um fenômeno hediondo e que atenta contra o direito natural.[5]
Contudo, o que estava em debate não era se a escravidão era certa ou não, mas o
direito constitucional de secessão. Aliás, a escravidão, igualmente, jamais
fora o debate central naquela época. A guerra não foi travada para libertar os
escravos e, talvez com a exceção do Haiti, os EUA foram o único país da América
que “precisou” de uma guerra para libertar seus escravos… Todos os demais,
Brasil incluso, o fizeram de maneira pacífica (o que não quer dizer,
evidentemente, que não houve ao longo da História louváveis resistências
negras).

O real motivo pelo qual a
guerra foi travada foi a discordância entre os projetos políticos dos estados
do norte e do sul americanos. O sul, agroexportador, pretendia o
estabelecimento de uma nação pró-livre comércio, com baixas tarifas
alfandegárias, ao passo que o norte, mais voltado para uma incipiente produção
industrial, intentava proteger seus mercados internos. Uma vez que a União
comanda a política externa do país, ambos os lados pelejavam no Congresso
propugnando seus interesses. O norte, entretanto, levava vantagem, pois
dominava ambas as casas do Congresso, devido a um fato curioso que merece ser
referido.

O voto para a House of Representatives (Câmara dos
Deputados) é proporcional, como todos os leitores hão de saber, mas, como os
negros não eram considerados cidadãos, os estados do norte
exigiam que eles não fossem contados como população, de modo que os estados do
sul tivessem menos deputados. Um consenso foi encontrado quando os estados do
norte concordaram em computar a população negra dos estados do sul como três
quintos da branca, ou seja: 1 negro = 3/5 de um branco. Mesmo assim, os estados
do sul continuaram em minoria no legislativo federal.[6]

A situação tornou-se
incontornável quando da eleição do candidato republicano Abraham Lincoln em
1860. A vitória deste político racista[7]
e abolicionista (por mais incoerente que possa parecer) fez com que a Carolina
do Sul, seguida depois por Flórida, Texas, Alabama, Georgia, Mississipi e
Louisiana, declarassem sua independência, formando os Estados Confederados da
América. O resto é história.

Lincoln lutou incansavelmente
para preservar a União (e não para libertar os escravos), deixando um saldo de
mais de 600.000 mortos (baixas quatro vezes maiores que as da guerra do Vietnã
e três vezes as da I Grande Guerra Mundial).[8]
Ele saiu vitorioso, mas morreu sem sabê-lo: faleceu assassinado antes do fim da
guerra, enquanto assistia à peça Our
American Cousin
no teatro Ford de Washington, aos 14 de abril de 1865.



[1]“X Amendment: The powers not delegated to the
United States by the Constitution, nor prohibited by it to the States, are
reserved to the States respectively, or to the people.”

[2] Por todos, conferir: Dallari, Dalmo de Abreu.
“Elementos de Teoria Geral do Estado”. 28ª edição. Ed. Saraiva. 2009. Pág. 259.
Na federação não existe direito de
secessão
. Uma vez efetivada a adesão de um Estado este não pode mais se
retirar por meios legais. Em algumas Constituições é expressa tal proibição,
mas ainda que não o seja, ela é implícita.” [Grifo no original].

[3] Katcher, Phillip. “The Civil War
Day by Day
“. 2nd edition. Chartwell Books, Inc. 2010. Pág. 189.

[4] Cereja, William Roberto e Magalhães, Thereza
Cochar. “Literatura Brasileira”. 3ª edição. Editora Atual. 2005. Pág. 201 e
202.

[5] Para uma condenação da escravidão, conferir:
carta-encíclica Catholicae Ecclesiae (1890),
de Sua Santidade o Papa Leão XIII (1878-1903).

[6] Woods Jr., Thomas E. “The
Politically Incorrect Guide to American History
“. 1st edition.
Regnery Publishing, Inc. 2004. Pág. 18.

[7] Conferir, por todos, as teses de Lerone
Bennett Jr.; “Forced
into Glory: Abraham Lincoln’s white dream
” e Thomas J. DiLorenzo, The
Real Lincoln: A New Look at Abraham Lincoln, His Agenda, and an Unnecessary War

e Lincoln
Unmasked: What You’re Not Supposed to Know About Dishonest Abe

Em um discurso de 1848, Lincoln chegou a
declarar:

I will say then that I am not, nor ever have
been in favor of bringing about in any way the social and political equality of
the white and black races, that I am not nor ever have been in favor of making
voters or jurors of negroes, nor of qualifying them to hold office, nor to
intermarry with white people; and I will say in addition to this that there is
a physical difference between the white and black races which I believe will
forever forbid the two races living together on terms of social and political
equality. And inasmuch as they cannot so live, while they do remain together
there must be the position of superior and inferior, and I as much as any other
man am in favor of having the superior position assigned to the white race.

“Digo, portanto, que não sou, nem jamais fui, a
favor de criar, de qualquer maneira que seja, a igualdade social e política das
raças branca e preta; que não sou, nem nunca fui, a favor de transformar negros
em eleitores ou jurados, nem de habilitá-los a exercer cargos públicos, nem de
permitir seu casamento com pessoas brancas; e direi, adicionalmente, que há uma
diferença física entre as raças branca e preta que, creio eu, irá para sempre
proibir as duas de viverem juntas em termos de igualdade social e política.  E, visto que elas não podem conviver desta
forma, enquanto elas permanecerem em coexistência terá de haver a posição do
superior e do inferior, e eu, assim como qualquer outro homem, sou a favor de
que a posição superior seja atribuída à raça branca.”

Abraham Lincoln, Debate with Stephen Douglas, Sept. 18, 1858, in Abraham Lincoln: Speeches
and Writings, 1832-1858
 (New York: Library of America, 1989), pp.
636-637.

Por que, então, ele era abolicionista?
Acredita-se que ele desejava, destarte, reservar as novas terras do oeste para
os brancos; o que ajudaria a explicar, outrossim, os seus programas de
deportação de negros de volta para a África, em especial para a colônia
americana da Libéria, sob o pretexto de permitir-lhes “a volta para casa”.

[8]http://en.wikipedia.org/wiki/United_States_military_casualties_of_war
e http://www.civilwarhome.com/casualties.htm.
Disponíveis em 26/02/2011.

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109 comentários em “A “guerra civil” americana – uma defesa do separatismo sulista”

  1. Rafael, ótimo artigo. A insistência na escravidão dos confederados pode ter sido o principal motivo de sua derrota, uma vez que somente perto do fim da guerra os negros pegaram em armas pelos confederados. Ótimo tema, ainda mais que o filme Abraham Lincoln caçador de vampiros está em cartaz.

  2. Será mesmo que isso seria bom?\r
    \r
    Apesar de seu imenso poderio, eles já nos salvaram do nazismo na II GG, do comunismo durante a guerra fria, e agora tentam pôr um freio no crescente fanatismo muculmano e seus terroristas, tudo isso com boa parte deles mesmos sendo contra as acoes militares necessárias,e boa parte do mundo achando que eles são os sindicos do mundo.\r
    Se o são, dou gracas a Deus, pois poderia vc imaginar se os sindicos do mundo fossem asiaticos (com muito pouco tradição em liberdades civis), muculmanos religiosos fanaticos que até hoje não separaram religiao de estado, ou se, com a força da URSS sem contrapontos, o comunismo fosse mundial?\r
    \r
    Sem um contraponto de peso como os EUA, os valores ocidentais de liberdades individuais, livre-mercado e separação politica e religiosa, dificilmente esses valores teriam vingado. E, sem esses, valores, a ciência jamais teria progredido aponto de termos os confortos e tecnologias de hoje que tanto facilitam nossas vidas, nos trazem saude, longevidade, diversão, conhecimento.\r
    \r
    Isso sem contar as diversas intervencoes na américa-latina, a fim de impedir caudilhos comunistas de tomarem o poder, tranformando-nos num grande “Cubão”.\r
    \r
    Devemos agradecer-lhes, e muito….

  3. Fábio Mendes dos Santos

    Rafael,
    muito legal seu artigo. Simples e direto. É um bom chamativo para aqueles que ainda acreditam na versão dominante (e incorreta, diga-se) desse episódio da História norte-americana.
    Parabéns. Abraço.

  4. O próprio texto justifica as razões pelas quais a separação está fora de questão. Por outro lado, as divergências quanto a representatividade no Congresso sempre existirão e, ao que me parece, tem suas raízes das divergências presentes na própria discussão da Declaração da Independencia.
    Acho que Lincoln fez sua escolha como governante, preservar a geopolítica do continente, após mais de 60 anos era bem mais importante. A questão escravagista tem haver com os interesses economicos da época e processo de industrialização incrementado pela própria Guerra da Secessão, mostra isso bem. Acho que a discussão moral sobre a escravidão e bem mais antiga e desvinculada de raças.
    Pergunta: Por que a história dá passos para traz? Talvez hoje com ganhos de escala a competição social entre os diferentes tipos possam ser compensadas em bem e serviços públicos, num passado não muito distante isso não passaria de ficção científica.
    O Brasil também não é algo coeso como aparenta. Talvez, a nossa tradição portuguesa influencie bem nossa história e as tomadas de decisões. No entanto, as várias revoltas que se seguiram ao movimento de independencia demonstram que não só o sul tinha ideias e políticas próprias. Não foi a toa que D. Pedro II saiu de carruagem a rodar todo o seu império, não teria sido para ratificar a luta do pai, D. Pedro I. (ambos de origem austríaca).

  5. Sinto-me obrigado a comentar…

    Espero que o IMB não entre nessa de reinterpretar a história com olhos de hoje, uma coisa é entender e analisar a economia outra bem diferente é avaliar o passado com os olhos de hoje, pois muito do que Lincoln disse ainda hoje seja verdade nos estados unidos como: O casamento entre raças distintas ainda é incomum, a população negra ainda possui um educação inferior a população branca e principalmente nos estados unidos, ao contrário do Brasil, os negros são bem diferentes dos brancos, fisicamente, negar isso é negar a história.

    A civilização européia dominou sim a população negra da áfrica, seja por qual motivo for, ainda sim isso é verdade, inclusive a escravidão ainda hoje existe por lá, da mesma forma que existia no tempo dos descobrimentos, facilitando ou permitindo o comércio negreiro, ainda assim tenho certeza que muitos negros prefeririam morar nos EUA da década de 60 do que na África.

    É uma verdadeira pena que a história seja dessa forma, assim como o holocausto, são períodos horríveis da nossa história, no entanto tentar resolver hoje problemas de ontem só vai gerar mais problemas e distorções.

    Por bem ou por mal a escravidão acabou e acredito piamente que caso o sul tivesse se separado, o mundo moderno seria bem diferente, dizer que os sulistas queriam livre-comércio parece ser uma forçação de barra, pois parecido com o Brasil, os estados do sul pareciam feudos com alguns donos, mas não como um povo

  6. Quando penso nessa guerra, sempre lembro do Brasil e o quão estúpidos somos. Afinal, temos um protecionismo absurdo para beneficiar alguns estados mais industrializados, portanto mais ricos, às custas de todos os outros. E ninguém dos estados prejudicados fala nada. Aliás, acho que nem mesmo veem um conflito, afinal somos todos brasileiros…\r
    \r
    Um curto texto que li há pouco sobre isso:\r
    bdadolfo.blogspot.com.br/2007/11/transferncia-de-renda.html\r
    \r

  7. Acho muito perigoso essa de “A verdadeira história”. Ninguém de fato saberá tudo o que aconteceu, portanto, o mesmo acontecimento pode ter varias versões e muitas vezes as modificamos sem percebermos. Por isso que entendo a história como um todo, como uma teia de fatos e não um caso especifico e isolado cheio de detalhes. Os detalhes podem ser modificados, alterados e deturpados, mas as consequências são bem claras.

  8. Libertarianismo em Honduras:

    Projeto de cidades privadas gera polêmica em Honduras
    Atualizado em 10 de setembro, 2012 – 06:36 (Brasília) 09:36 GMT

    As ‘cidades modelo’ serão construídas por investidores privados e geridas de forma autônoma

    Um polêmico projeto que prevê a construção de cidades privadas com leis, sistema fiscal, polícia e políticas de imigração próprios está causando polêmica em Honduras.

    Na última semana, o governo hondurenho deu sinal verde para a construção da primeira das “cidades-modelo”, que ainda não têm locais definidos para serem construídas.

    As “cidades-modelo” serão construídas por investidores privados e geridas de forma autônoma.

    ‘Paródia de Estado’

    Para dar continuidade ao projeto, as futuras leis e estatutos das novas cidades precisam ser referendadas pelo governo. Em seguida, as administrações locais estariam aptas a governar, administrar, assinar tratados, estabelecer uma política monetária própria e criar órgãos de aplicação da lei, incluindo tribunais e delegacias.

    As cidades-modelo não terão de transferir recursos para a capital Tegucigalpa, a não ser que seja para financiar bolsas de estudo ou em caso de desastres nacionais.

    Para o ex-promotor Oscar Cruz, a verdadeira catástrofe está na aprovação de um modelo que é uma “paródia de Estado”.

    Cruz entrou com um recurso contra as cidades-modelo, que agora está tramitando na Suprema Corte.

    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/09/120909_honduras_cidade_modelo_lgb.shtml

  9. Nenhuma guerra acontece só por um motivo e a "guerra civil" americana não é um caso à parte. Inegavelmente, a questão da escravidão influenciou, e muito, para que a tal guerra viesse a acontecer, apesar dos pesares acerca de Lincoln e apesar dos projetos políticos do Norte e os do Sul.

    Também acho muito ousado dizer que o Sul queria uma nação pró-livre comércio. É claro que os mandões sulistas queriam mais liberdade comercial, ao nível dos interesses deles; mas creio que não queriam o sistema laissez-faire.

  10. O texto mostra pontos importantes que são menos conhecidos. Mas o autor mostra apenas um lado da questão. O fato é que a decisão da união de abolir a escravidão foi o que desencadeou a declaração de separção. Então, esse não é um fator que posso ser considerado sem importância. Ninguém que tenha estudado a questão ignora que a guerra da união contra os confederados foi uma guerra contra a secessão. Ninguém que eu conheça afirma que Lincoln declarou guerra para libertar os escravos. Mas a questão da escravidão não foi uma questão menor. A decisão de abolir a escravidão não estava diretamente ligada às outras questões entre estados do sul e do norte. Era simplesmente uma questão de incoerência intitucional. Haver escravidão em alguns estados e não em outros criava questões legais espinhosas, e muitos conflitos. A sucessão de acontecimentos não foi planejada ou prevista por ninguém. Como já havia uma relação conflituosa por outros motivos, a questão da escravidão acabou sendo a gota d’água para que o sul buscasse a separação.

    Colocado isso, noto que o texto mostra que Lincoln não cria na igualdade entre brancos e negros. E daí? Nunca lí em lugar nenhum que a união declarou guerra para impor o fim da escravidão.

    Mas quanto aos muitos esclarecimentos, o texto é bastente bom, e altamente elucidativo.

  11. Tenho uma duvida… É sempre dito por aqui, que os EUA cresceram mto no século 19, e que durante esse periodo, os EUA se aproximaram consideravelmente do libertarianismo, sendo esse tempo, usado como um exemplo de país que aplicou o livre mercado. Mas ao mesmo tempo, que agora foi dito que o norte praticava protecionismo em sua indústria, afinal, era de fato uma sociedade de livre comércio, ou protecionista?
    Abraços.

  12. O texto é bom, mas não acho uma boa ideia um texto pouco falar da questão da escravidão, e só focar na questão legal da separação dos estados e da briga livre mercado/protecionismo.

    O sul tinha todo direito de se separar, fato, mas não tinha o direiro de ser um estado escravocrata, simplesmente porque nenhum estado tem esse direito.
    O suposto livre mercado sulista, me parece bem fajuto pra falar a verdade, era simplesmente latifundiários querendo exportar o máximo possivel, a custas dos escravos, isso não é livre mercado, eu prefiro infinitamente mais viver numa sociedade protecionista onde as pessoas são livres, do que viver num de “livre mercado” escravocrata, me parece muito difícil defender os confederados, mesmo tendo o motivo legal para a separação, sem a guerra, a escravidão não teria sido abolida.

    Se pormos em uma balança, qual é a melhor opção, um estado livre e industrializado, porém protecionista, ou um estado escravocrata rural sem barreiras protecionistas? Se por acaso, a escravidão não tivesse sido abolida, e não tivesse acontecido guerra alguma, como os EUA ficariam, seriam tão fortemente industrializados como foram? Ao meu ver, o sul se tornaria uma região de miséria, de atraso total e o norte não seria tão industrializado, não pela falta de protecionismo(até porque não acho que o norte precisava de protecionismo para desenvolver sua indústria, pra mim isso era uma ideia tola que os governantes tinham), mas porque a escravidão não combina com industrialização por motivos óbvios. De fato, a melhor situação, é se o sul tivesse aceitado a abolição, e o norte tivesse aceitado o livre mercado, teria evitado uma guerra que destruiu quantidades gigantes de riquezas.

  13. Yochanan Ben Efraym

    Excelente Artigo!!\r
    \r
    \r
    \r
    Eu tenho aprendido muito mais lendo os artigos deste espaço, do que os anos no que passei no ensino médio…kkkk

  14. Essa guerra não seria também para consolidar o Banco Central Europeu na America?
    Digo, o norte estava comprado pelos banqueiros europeus, e o sul não queria um banco central estrangeiro.

  15. Aquiles

    Não há incoerência da minha parte. Apenas citei fatos históricos. A escravidão não foi a única causa de tensão entre os estados do sul e os do norte, mas foi sim uma das causas. O abolicionista Abraham Lincoln foi eleito presidente em 1860, e quase imediatamente, em 1861, os estados do sul declararam a secessão. Então, embora a discussão sobre a abolição não tenha sido “a causa”, foi uma das causas da secessão. Eu diria que foi a gota d’água.

    Mas note que dizer que a proposta de abolição da escravidão foi uma das causas da secessão em sí, não é o mesmo que dizer que foi uma das causas da guerra. Uma vez que foi declarada a secessão, a união poderia simplesmente declarar: “Vamos continuar com o nosso projeto de abolir a escravidão em todo o território dos EUA (de acordo com os princípios da constituição), mas quanto à declaração de secessão de alguns estados, eles estão no pleno direito deles, e se a maioria do povo lá deseja separar-se dos EUA, nada podemos fazer senão aceitar esse fato, uma vez que a constituição não o proíbe, e é direito natural dos estados de uma federação separar-se dessa federação”. Se a união declarsse isso, estaria agindo de acordo com a constituição.

    Então a abolição da escravidão não resultava, por sí, em guerra, mas sim o entendimento (errado) da união de que nenhum estado podia declarar-se autônomo.

  16. Mas ainda no sul dos Estados Unidos encontramos o racismo, cidades de negros e cidades de brancos, são separadas, negros trabalhando por um prato de comida.

    Cidades de negros são visivelmente mais desorganizadas e pobres…

  17. Cara, o artigo até está correto em parte das razões para a Secessão, mas não discute a fundo o principal motivo: a ocupação do Oeste. Isso era importante devido a razões políticas, essas sim explicadas pelo texto, no trecho em que fala sobre o peso dos negros no voto. Com a ocupação do Oeste, todo estado que fosse colonizado pelos sulistas iria liberar o uso e comércio de escravos em seu território, quando de sua incorporação, enquanto que os colonizados pelos nortistas não haveria escravidão. Isso determinaria o futuro político do país e daí a preocupação quanto à constituição dos novos estados. O sul, se não me falha a memória, queria a livre escolha dos estados, enquanto o Norte queria que se obedecesse uma regra de 1 pra 1, ou seja, um estado escravista e um nortista. O resto da análise, isso é, a parte econômica dela, está descrita no artigo.
    Vale ressaltar que por esses exatos motivos é uma guerra era inevitável, pois a medida que o Oeste fosse sendo ocupado, conflitos iriam nascer e invariavelmente haveria um confronto para decidir a força dominante no continente.

  18. Que belo artigo! Sou dono de um site que foca na cultura sulista americana (www.southernrockbrasil.com.br/) e por várias vezes fui chamado de racista, mesmo sendo neto de um negro, algo que sempre abominei e faço questão de combater.

    Usarei esse seu artigo como referência quando me perguntarem sobre o assunto novamente.

  19. não foi só a questão da escravidão, bem como protecionista a causa da guerra. Isso ajuda a demonstrar bem como a maior nação do mundo nunca foi lá tão liberal, como vários artigos aqui sempre falaram.

  20. Prezado Rafael Salomão Aguillar (ou a quem interessar possa)

    Muito interessante o seu artigo.

    Mas ainda me resta uma dúvida, agradeço se expressar a sua opinião.

    Está claro que o regime escravocrata foi a motivação utilizada para justificar a guerra de secessão Obviamente, os interesses por trás da declaração são aqueles que importam efetivamente.

    Para os sulistas, além do regime escravocrata representar o meio de produção vigente, também há de se considerar o desejo de cada estado ser autônomo, ou seja, de ser independente politicamente. É fundamental considerar isso inclusive na derrota na guerra de secessão. (Texas, por exemplo, não cedeu combatentes à confederação justificando que teria que defender seu território, tanto dos indígenas, quanto dos nortistas). Havia um medo latente do poder centralizado. Isso ajuda muito a explicar a vontade de se separar.

    Nesse sentido, qual era a vantagem, para os estados centro-nortistas, da permanência dos estados sulistas na união federativa?

    Mercado consumidor?

    Acho frágil apenas o mercado consumidor como justificativa porque a Inglaterra mesmo já desenvolvia uma “colonização” pelo capital e não pelo território, ou seja, não era necessário ter posse de uma colônia, bastaria tê-la como consumidora (de preferência monopolizada) e fornecedora de matéria prima.

    Então seria talvez um interesse de afastar a influência inglesa?

    O sul era fornecedor de algodão e possivelmente se aproximaria cada vez mais da antiga metrópole.

    Talvez o sul – latifundiário e agroexportador – financiasse o norte – indústria incipiente? Ou talvez eliminar um gérmen de instabilidade?

    Um abraço

  21. Comentando em meu blogue:demaoemao.blogspot.com.br/ escrevi sobre uma possível independência do Texas, que mutatis mutandi, pode servir de argumento também para defender a possível independência dos Estados Americanos, lembrando que atualmente existem 11 Estado que assinaram petição pedindo a separação, embora só o Texas tenha no momento condições de se tornar independente por atingir em sua petição o número de 60.000 assinantes, quando a lei só exige 25.000, ainda não alcançados por qualquer outro Estado. Tenha-se em mente que os argumentos usados pelo Texas para se separar superam, talvez, os argumentos de outros Estados, por razões históricas. Para nós latinos a independência do Texas é de uma importância capital. O Texas pertenceu ao México, se tornou independente como Republica do Texas e somente 10 anos depois se união aos Estados Unidos. Apesar do movimento independentista ser de direita, é benéfico para os latinos por causa da história que o liga aos latinos, sem esquecer que a população latina no Texas é muito grande. A independência do Texas é o caminho natural desde que se observa a queda paulatina do império americano, e, evidente, sua separação será benéfica para se avançar no processo de derrubada do império ianque, e acabar de vez com sua hegemonia, porque não é bom para o mundo ter uma potência hegemônica, desequilibrando a convivência das nações.. Sem contar que devemos sempre apoiar qualquer povo que queira separar de uma nação para formar uma outra.

  22. Acontecimentos como o de Ferguson reforçam a idéia de separatismo baseado em injustiça racial, os panteras negras estavam certos, Malcolm X, deveria ter levado até o fim sua idéia de separatismo, se tivesse prosperado, hoje em dia os afro descendentes estariam com um padrão de vida muito melhor

  23. ”Ele saiu vitorioso, mas morreu sem sabê-lo: faleceu assassinado antes do fim da guerra, enquanto assistia à peça Our American Cousin no teatro Ford de Washington, aos 14 de abril de 1865.”Lincoln foi assassinado 5 dias após a rendição do Gen.Lee em Appomatox na presença do Gen.Grant(futuro presidente americano).Sobre a vitória Lincoln fez um discurso em Washington numa tarde do dia 11/04/1865.Portanto Lincoln morreu sabedor da vitória da união.

  24. Em defesa do separatismo sulista? Interessante.

    Vamos olhar as propsotas sulistas? Vamos

    “Our new government is founded upon exactly [this] idea; its foundations are laid, its corner- stone rests upon the great truth, that the negro is not equal to the white man; that slavery — subordination to the superior race — is his natural and normal condition. This, our new government, is the first, in the history of the world, based upon this great physical, philosophical, and moral truth.”

    Hmmm, bem liberais.

    https://en.wikipedia.org/wiki/Cornerstone_Speech

  25. Mises omite como sempre a parte verdadeira oculta pela história do por quê houve a Guerra da Secessão. Chega a ser cruel com Abraham Lincoln chamando o de racista um Presidente digno que queria que sua nação fosse livre de banqueiros inescrupulosos da Europa. E por certo momento conseguiu ao revogar a Carta que concedia à eles (banca) de emitir papel dólar sem lastro para emprestar ao próprio governo cobrando juros extorsivos e penalizando a população com impostos altos para pagar esses famigerados banqueiros. A família de banqueiros europeus não desistiu fácil e começou a estimular a revolta no Sul dos EUA para dividir a nação e dessa forma enfraquecer os dois lados e então eles entrariam em cena com seus empréstimos escorchantes e a restituição da Carta que concedia à eles o privilégio de emitir papel moeda sem lastro. Escravidao ou taxa alfandegária é so uma desculpa pra ocultar a verdadeira causa da Guerra Civil.

  26. Perfeito o artigo que esclarece tudo sobre a Secessão nos EUA. Muita gente desconhece a verdadeira história e o discurso do Lincoln. É bom lembrar, que aqui a Princesa Isabel só assinou a carta da Abolição, pois queria salvar o Império, se não fosse isto, porque não o fez antes? A escravidão iria acabar nos EUA, era uma questão de tempo.

  27. Sendo um curioso no assunto e não um estudioso profundo do tema achei o artigo interessante pois proporciona uma outra visão apesar de ter a sensação do autor ter diminuído demasiadamente a importância da escravidão para o início da guerra, no entanto sugiro para quem gosta desse tema assistir ao filme “Um Estado de Liberdade”, atualmente está em exibição na Netflix, trata-se de um belo filme baseado em fatos reais. O filme é recente, de 2016, e todo elenco e produção são de alto nível.

  28. Parabéns pelo artigo!

    A causa principal que levou à guerra foi a secessão dos Estados sulistas. A escravidão não foi o motivo principal ou mais importante. Diante da arbitrariedade do governo federal, da baixa representatividade do Sul no Congresso e às tarifas elevadas, a secessão era a alternativa lógica. O problema é que os “Estados Confederados da América” entraram em choque com os interesses do governo federal, de maioria nortista. Imagino o que aconteceria no Brasil se São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul formassem os “Estados Confederados do Brasil”.

  29. É verdade que o real motivo da guerra de secessão é o desejo dos confederados de se separar da união. E que a união era contra essa separação a união não entrou nessa guerra para libertar os escravos mas sim para manter os estados confederados pertencendo a união.

    Quando o Congresso Americano proibiu oficialmente a importação de escravos em 1808, ninguém imaginava que as divergências entre o Norte que era industrializado e o Sul que era agrícola fossem se agravar tanto, a ponto de culminar na guerra de secessão . A escravidão foi apenas o estopim do conflito, mas suas causas foram um complexo emaranhado de fatores desde socioeconômicos e político e culturais. Na primeira fase do conflito, o Norte lutou pela unidade da nação ou seja manter os estados confederados pertencendo a união. A federação não lutava pela abolição da escravatura. Tanto que o presidente Abraham Lincoln escreveu a um jornalista: “Se eu pudesse salvar a união sem libertar um único escravo, eu o faria”. Ao ver que os nortistas não conquistavam vitórias decisivas, Lincoln aderiu às reivindicações dos republicanos radicais e abolicionistas, e que por tabela acabou transformou a guerra contra os “Estados confederados” numa luta contra a escravidão, mesmo sendo que o real motivo era manter a União.

    Mesmo não sendo por motivos nobres, a vitória do Norte e da União foi de extrema importância sim para o fim da escravidão. Imagina se os confederados tivesse vencido, era capaz de existir por muito mais tempo e décadas pessoas negras sendo escravizadas! Então defender o separatismo sulista, mesmo negando que não é defender a permanência da escravidão dos negros.

  30. Fernando Ventura Junior

    Uma coisa não entendi. Ainda que se considerassem os votos dos 100% dos negros do sul, como poderia votar se eram escravos? Vi em um vídeo do professor Afonso(Ciência de Verdade) que argumenta que apenas 3% da população do sul desses Estados Unidos possuía negros na condição de escravos e portanto a maioria dos negros já se encontrava livres e seriam esses que poderiam votar. Também li que negros livres participaram da guerra da secessão lutando pelo sul.

  31. Caros, uma dúvida:

    Qual eram os interesses do imperador Dom Pedro II ao permitir a imigração dos confederados americanos para o Brasil após o fim da guerra ?

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