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Dez lições de economia austríaca para iniciantes – Primeira lição: economia e instituições

Sabe
por que devemos começar esse curso mostrando a importância das instituições na
economia?  Imagine que o seu pai (ou,
mesmo, você) queira abrir uma loja para vender sapatos.  Para isso, ele vai ter que obter autorização
do governo.  Como a burocracia no Brasil
é enorme, o seu pai só vai conseguir essa autorização em cerca de cinco
meses!  Agora, se você vivesse, por
exemplo, na Nova Zelândia, em menos de uma semana o seu pai já poderia abrir a
sapataria.  Isso quer dizer que, no
Brasil, ele deixaria de vender sapatos e, portanto, de ganhar a receita das
vendas por 150 dias!  E, ainda, supondo
que ele desejasse contratar dois vendedores para trabalharem na loja, que
durante aqueles cinco meses essas duas pessoas não teriam os seus empregos!

Entendeu
por que é tão importante analisar a economia tendo em vista as instituições de
uma sociedade?  No Brasil, essas
instituições (no exemplo dado, a burocracia e a intromissão do governo na vida
das pessoas) desencorajam quem quer trabalhar para melhorar de vida.  Em outros países, como a Nova Zelândia, as instituições
estimulam as pessoas que desejam progredir.

Vamos
a outro exemplo: você sabia que os brasileiros trabalham até o dia 25 de
maio
de cada ano para pagar os tributos (impostos, taxas e contribuições)
que existem no Brasil?  E que são
obrigados a pagar, senão serão punidos?  O
estado argumenta que a receita dos tributos é para ser revertida em educação,
saúde, justiça, segurança e infraestrutura. 
Agora responda com sinceridade: apesar de, como brasileiro, sermos
obrigados a trabalhar praticamente cinco meses do ano para o governo, nós temos
um sistema de educação bom?  De saúde? Nossa justiça é boa?  Vivemos com segurança?  Nossas estradas e portos são bons?  E ainda mais: será que esses cinco itens devem
ficar nas mãos do governo?  Por quê?  Então, para que trabalharmos cinco meses de
graça?

Um
terceiro exemplo: um empregado com um salário de mil reais por mês custa
mensalmente, na sapataria do primeiro exemplo, aproximadamente, dois mil e seiscentos reais por
mês
, ou seja, mais do que o dobro do salário.  Isso
acontece porque existem os chamados encargos sociais e trabalhistas, como a
contribuição sindical, o fundo de garantia do tempo de serviço, a contribuição previdenciária,
o 13º salário e várias outras exigências.  O resultado disso é que, em vez de empregar
aqueles dois funcionários, o seu pai vai empregar apenas um na sua sapataria.  Esses encargos provocam, portanto, desemprego
e, sendo assim, prejudicam enormemente a economia.

Quando
usamos a palavra “instituições”, então, estamos querendo dizer que os atos
econômicos são influenciados por fatores políticos, éticos, morais, jurídicos,
psicológicos, históricos, sociológicos etc.  Quando você encontra dificuldades, por
exemplo, para comprar um computador no exterior, é porque alguma decisão
política estabeleceu essa dificuldade; quando você se recusa a comprar um
aparelho celular que você sabe que foi roubado, é uma imposição ética, da sua
consciência, que impede você de fazer essa compra; quando você assina a
escritura de compra de um imóvel é porque existe uma legislação sobre o
assunto; quando você (se for o caso) sempre que comprar uma camisa, comprar
outra idêntica, porque acha que assim terá sorte, é uma decisão influenciada
por fatores psicológicos e assim por diante.

Por
isso, diversos estudiosos das sociedades costumam dividi-las, para efeito
didático, em três grandes sistemas, a saber, o sistema econômico, o sistema
político e o sistema ético-moral-cultural.  O primeiro é formado pela economia, isto é,
por todas as transações econômicas, desde as mais simples até as mais
complexas; o segundo, pela política, ou seja, pelos partidos, pela forma de
governo, pela divisão de poderes,etc.  E
o terceiro pelas regras morais e características culturais, que acabam se
refletindo nas leis.

Cada
um desses grandes sistemas vai mudando de forma particular ao longo do tempo e
possui regras de conduta, métodos, padrões e objetivos peculiares e, muitas
vezes, contrastantes.  É desse contraste
que vem a energia para o progresso e para a correção das distorções que
eventualmente surgirem.  Quando um ou
dois desses sistemas não estão funcionando bem, os restantes podem sustentar a
vida social durante algum tempo, mas quando os três apresentam problemas
graves, a sociedade fica instável.

É
fácil entender que, desses três sistemas, o ético-moral-cultural é o mais
importante, porque quando ele vai mal, é muito difícil que a economia e a
política possam funcionar adequadamente.  Por exemplo, uma regra moral que deve
prevalecer em toda e qualquer sociedade que se preza é aquela que proíbe o
roubo e a corrupção.  Se essa regra for
desobedecida de modo generalizado, é claro que o roubo e a corrupção vão
contaminar a economia e a política, e vai acabar acontecendo um caos na
sociedade.


duas maneiras de se abordar as questões sociais.  A primeira, que podemos chamar de construtivismo (ou engenharia social), baseia-se na ideia de que a mente e a razão
humanas são capazes, por si sós, de permitir aos homens construírem uma
“sociedade ideal”.  Um exemplo desse tipo
de visão é o socialismo-comunismo, como nos casos da antiga União Soviética, de
Cuba, da Coreia do Norte e do Vietnã do Norte (a China, de alguns anos para cá
vem abandonando lentamente esse modo de ver a sociedade).  Outro exemplo de construtivismo é a Alemanha
da época de Hitler.  Como você já deve
ter percebido, quem acredita que as pessoas podem construir uma sociedade ideal
tem que acreditar também que o poder para tomar as decisões julgadas como
“melhores” para todos deve ficar concentrado em poucas mãos.  Não é por acaso que todos esses exemplos são
casos de ditaduras com forte concentração de poder, seja nas mãos de um partido
(o comunista ou nacional-socialista, que era o nome do partido nazista) ou,
mesmo, de uma só pessoa.

A
segunda maneira de enxergar as questões sociais pode ser chamada de racionalismo crítico: racionalismo porque
sabe que o homem é racional; mas crítico, porque também sabe que nossa mente e
inteligência são falíveis e que cometemos erros, mesmo quando somos bem
intencionados.  Ora, se nós cometemos
equívocos (por exemplo, compramos um aparelho de TV de baixa qualidade), por que
devemos supor que as pessoas do governo também não erram?  Se você pensar bem, será que os que trabalham
no governo não erram mais do que nós, porque nós tomamos decisões baseadas na
nossa satisfação, enquanto eles decidem o que é melhor ou pior para os outros?  Quem disse que eles sabem o que é melhor para
você e sua família do que você mesmo e a sua família?

Além
de não sermos infalíveis em todas as decisões que tomamos, existe outro
condicionante para essas decisões, que é o nível de nosso conhecimento sobre
todos os fatores que influenciam as nossas decisões.  O nosso conhecimento jamais é perfeito e, além
disso, ele vai mudando conforme o tempo vai passando.  Por isso, uma decisão qualquer pode ser a
melhor possível às três horas da tarde, mas ser uma péssima decisão duas ou
três horas depois.  Além disso, decidir
sobre algum ato econômico é sempre uma questão pessoal, muito diferente das
decisões de engenharia ou de química.  Com
isso, queremos que você perceba que a economia, vista como ciência, é uma ciência
social, não exata, que não se sujeita a leis matemáticas, e não uma ciência
natural, mecânica e impessoal.

Outro
fato que mostra que o construtivismo é
um equívoco: a economia lida sempre com decisões de indivíduos, decisões pessoais, porque os seres humanos são
individualistas.  Ora, o construtivismo
trata as pessoas como se fossem coletivos (e não indivíduos), como, por
exemplo, “a sociedade”.  Pense só nisto:
a sociedade existe, é claro, ela é a soma dos indivíduos que fazem parte dela,
mas quem toma as decisões econômicas (como, aliás, qualquer outra decisão) não
é ela, mas sim os indivíduos!

Nas
colmeias, cupinzeiros e formigueiros, cada abelha, cada cupim e cada formiga
não “pensam” em si, mas no coletivo.  Tudo
o que fazem é em prol da colmeia, do cupinzeiro ou do formigueiro.  Mas com os homens isso não acontecerá jamais,
porque tendemos primeiro a pensar em nós próprios e em nossas famílias, depois
nas pessoas mais próximas, depois no nosso bairro ou no nosso local de trabalho
e só vamos pensar na “sociedade” em último lugar.  O socialismo, portanto, trata os seres humanos
como se fossem formigas, cupins ou abelhas, sem vontade própria e sem
individualidade e por isso é um sistema desumano.  Agride as características básicas da espécie
humana. Sendo assim, fracassou redondamente nos países em que foi imposto e
fracassará sempre onde quer que venha a ser implantado.

A
experiência histórica, que a Escola Austríaca de Economia sustenta, mostra que
o principal ingrediente para que as economias alcancem o progresso é a liberdade de escolha.  Como veremos na segunda aula, passamos a nossa
vida fazendo escolhas, desde o berço
(quando, por exemplo, escolhemos brincar com um carrinho azul e não com um
vermelho), passando pela escolha da profissão, de com quem nos vamos casar, da
escola para matricular nossos filhos etc.  Sempre que as pessoas fazem uma escolha, seja
no campo da economia (como comprar uma caneta) ou nos outros (como em quem votar)
elas imaginam que, naquele momento em que a escolha é feita, aquela é a melhor
opção para aumentar a sua satisfação.

Quanto
maior a nossa liberdade de escolha, maior a possibilidade de ficarmos mais
satisfeitos, de outros ficarem satisfeitos e da economia como um todo
progredir.  Quando as telecomunicações
estavam a cargo do estado, você só tinha uma empresa de telefonia operando na
sua cidade, tinha que esperar um tempo enorme para instalarem um telefone na
sua casa, se comprasse um celular tinha que registrá-lo em cartório, os preços
eram absurdamente altos e não adiantava você reclamar.  Depois que o setor foi privatizado, nossa
liberdade de escolha aumentou bastante, o número de linhas fixas se
multiplicou, o número de celulares cresceu enormemente, a competição entre as
empresas aumentou e os preços dos serviços em termos reais diminuíram. Além disso tudo, com a entrada de novas
empresas no mercado, o número de empregos aumentou.

Procure
agora saber se as pessoas que vivem em Cuba têm acesso a telefones (fixos ou
celulares).  Entendeu então o que queremos
dizer com a expressão liberdade de
escolha
?

Por
fim, temos que falar da importância da propriedade
privada
para o desenvolvimento individual: se você fosse um fazendeiro da
Sibéria no tempo do comunismo e uma das vacas (que eram de propriedade do governo)
estivesse para morrer de frio, dificilmente você deixaria a sua cama às duas
horas da manhã para salvá-la, porque a vaca não era sua, era do estado.  Mas, se ela fosse sua, primeiro, você cuidaria
para que ela não sentisse frio, gastando em equipamentos de calefação e,
segundo, mesmo que ela viesse a sentir muito frio, você com certeza deixaria a
sua cama para salvá-la, sabe por quê? Simplesmente porque ela lhe pertencia!

A
propriedade privada, portanto, ao lado da liberdade de escolha e da economia de mercado são fundamentais
para que as pessoas progridam na vida e, portanto, as sociedades também se
desenvolvam cada vez mais. Explicaremos
a economia de mercado em uma das aulas seguintes.  Por ora, registramos apenas que uma economia
de mercado é uma economia em que prevalece a liberdade de escolha individual,
seja para consumir como para produzir, para poupar, investir, etc.  Em outras palavras, uma economia em que o
estado não exerça controles.  Esses
controles, como veremos oportunamente, são sempre maléficos, ao contrário do
que, com certeza, ensinaram você a acreditar.

Estamos
agora, depois dessas observações sobre a importância das instituições,
preparados para as nove lições seguintes, em que vamos tentar mostrar como a
economia do mundo real funciona.

Como
o homem nasceu para ser livre, para viver uma liberdade responsável, as
melhores instituições para estimularem a melhoria do padrão de vida das pessoas
são a liberdade de escolha ou economia de mercado e a propriedade privada.

 

Sugestões de leitura:

Iorio,
Ubiratan J., Economia e Liberdade: a
Escola Austríaca e a Economia Brasileira
, caps. 1 e 2, Forense Univ., 1997,
Rio de Janeiro, 2ª edição.

Fedako,
J, O “nós” é uma falácia

Mises,
L, A desigualdade e o egoísmo
estimulam o desenvolvimento

Bastiat,
A vidraça quebrada 

Williams,
W, A pobreza é fácil de ser
explicada

 

Sugestões
para reflexão e debate:

1.
Pense se é mesmo tão importante que, para abrir uma sapataria, você tenha que
obter autorização do governo.

2.
Você acredita que uma só pessoa que detenha todo o poder político (por exemplo,
Fidel Castro em Cuba) pode determinar o que é melhor ou pior para você, de modo
melhor do que aquele que você mesmo decidir escolher?

3.
Por que a economia não é uma ciência exata?

4.
Por que a liberdade de escolha e a propriedade privada são tão importantes para
o desenvolvimento das economias?

5.
Pense na diferença entre uma economia baseada em indivíduos e uma economia
baseada em “coletivos”.

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59 comentários em “Dez lições de economia austríaca para iniciantes – Primeira lição: economia e instituições”

  1. Muito bom! Eu só trocaria a palavra “privatização” por “concessão”, que é o que ocorre de fato. Alguma lição mais adiante vai tratar desse tema?

  2. Gostei. Que venham as outras 9 licões! As sugestões de leitura ajudam demais, vale muito a pena ler também. Estou seriamente pensando em imprimir tudo, organizadamente, e montar um “livro” para presentear alguns amigos que precisam urgentemente parar de lamber as botas do estado e começar a defender a liberdade.

  3. Parabenizo a iniciativa e já vou para as reflexões. Quanto à sugestão para reflexão e debate (item 2), possivelmente eu tenho uma posição um pouco divergente da “veia central” da EA, apesar de chegar às mesmas conclusões.\r
    “2. Você acredita que uma só pessoa que detenha todo o poder político (por exemplo, Fidel Castro em Cuba) pode determinar o que é melhor ou pior para você, de modo melhor do que aquele que você mesmo decidir escolher?” ou, no meio do texto ” Quem disse que eles sabem o que é melhor para você e sua família do que você mesmo e a sua família?”. A minha resposta a essas 2 perguntas é: É sim possível que outra pessoa saiba o que é melhor pra mim do que eu mesmo se levarmos em conta que nem todos seres humanos possuem uma conduta moral que favoreça a paz (não iniciação de agreção) e o prosperidade (propriedade privada e divisão do trabalho de mercado). Mesmo ferindo esses conceitos, é possível que ações de força levem a uma situação posterior (digamos em um tempo t1) melhor, como por exemplo alguém que tome minha poupança e ganhe mais para mim no mercado acionário. Ainda assim, a atitude de força, a despeito dos resultados, é recriminável pois se eu não possuo o que produzo e se terceiros podem tomar meu patrimônio ganho honestamente ou correr risco não autorizado com ele, qual é o incentivo que tenho em mantê-lo? e qual é o incentivo que o agressor tem para fazer os negócios de forma apropriada? Ou seja, posterior ao tempo t1, qual o incentivo que terei de manter meus bens se outrem pode tomá-lo e usá-lo a revelia?\r
    Ou seja, essa abordagem difere da “veia central” por reconhecer que outrem pode atingir um resultado melhor no curto prazo, mas não podem fazê-lo tempo todo. I.e., meu argumento é moral, e não econômico.\r
    Não sei se estou divergindo da posição da EA de fato, só não lembro de ter visto essa leitura por aqui antes. Nesse sentido, qualquer esclarecimento é bem vindo!

  4. Patrick de Lima Lopes

    Brilhante artigo, Lorio!

    Mas como explicarei aos construtivistas cientificistas que seu método de administração do ser-humano “supostamente” baseado em verdades científicas que buscam torná-lo o mais saudável possível não passa de uma arrogância fatal?

  5. Bacana a iniciativa do IMB e do prof. Iorio com essa série pra iniciantes. Estou compartilhando e recomendando os textos no Facebook, acredito que seria legal se outras pessoas fizessem o mesmo, pra espalhar o assunto e a visão austríaca. Abraços!

  6. Só sei q se eu vivesse na Nova Zelândia, nem constituiria família:

    menteconservadora.blogspot.com.br/2011/07/na-nova-zelandia-garotas-dormem-com.html

    Taí seus trouxas!

  7. As 10 lições tem que virar um livro! Há várias instituições por aí que poderiam lançá-lo (IEE, IFL, o próprio mises.org, etc). No aguardo dos próximos textos!

  8. Só é errado dizer que na Nova Zelândia, demorar 1 semana para receber autorização do estado para vender sapato “estimula as pessoas que desejam progredir”.
    Não estimula, apenas desestimula menos. Governo só atrapalha, toda hora, em toda parte e em todo lugar.

  9. Tá bom, Fernando, entrego os pontos… hehehe Governo só atrapalha, mas na N Zelândia são 6 ou 7 dias, aqui são 152. Então, não fui muito errado quando escrevi “estimula”. Bom, poderia ter escrito “desestimula bem menos”… Mas de qq forma, se conseguíssemos aqui na Brazuca diminuir de 152 para 7 dias já seria uma coisa espetacular.

  10. Prof Iorio,
    Parabens pela excelente aula, cujo dominio da linguagem e conhecimento técnico permitem o aprendizado sem necessidade de aula presencial!!

  11. Muito bom artigo. Tô ansioso pelos demais.

    Só uma obs.: a frase “Sendo assim, fracassou redondamente nos países em foi imposto e fracassará sempre onde quer que venha a ser implantado.” seria melhor como: “Sendo assim, fracassou redondamente nos países em QUE foi imposto e fracassará sempre onde quer que venha a ser implantado.”

    Concordo com o Fernando: o governo da NZ atrapalha menos. Concordo também com o Bruno. A telefonia fixa aqui no Brasil tem grandes operadoras mas elas foram monopólios em suas áreas de atuação quando da “privatização”, logo foram “concessões”. Telefonia celular veio em seguida e somente 10 anos após a tal concessão é que foi liberada a concorrência entre elas em qualquer canto do Brasil. E o principal para que uma telefônica possa operar, o canal de comunicação, mesmo na atualidade é de propriedade do governo e apenas concedido para as teles, logo, o modelo é de concessão e a tele é monopolista do canal em todo o território nacional.

    Abraços

  12. Caro Professor Iorio:

    Meu senão nesta lição, fica por conta da área da comunicações, pois por longo tempo, fui sentindo a evolução da telefonia, e me lembro de tempos em que ainda como estatal, não haviam demoras como as citadas, e chamava à atenção o fato do baixo preço das tarifas.
    Notei após um determinado tempo, que estas coisas, foram tendendo para o quadro que o Sr. citou, tendo vindo em seguida, as informações, dos arranjos desonestos, que passaram pelo impedimento de expansão do número de aparelhos de modo que pode-se dizer que tudo piorou nestes serviços.
    Recorrendo ao livro da “Privataria tucana” encontramos delatação de arranjos que visaram destruir o funcionamento que estava estabelecido via leis do Congresso Nacional, que estabelece leis para quem os paga, e isto teria sido conseguido com o intuito, já de mudar o jogo, destruindo a qualidade do funcionamento da estatal, já com interesses de privatização e assim realmente uma linha com aparelho além da demora, tinha um custo absurdo próximo de mil cruzeiros à época, sem se falar da indústria do aluguel de telefones.
    Paralelamente a isto, não pode haver risco em se tratando de comunicações, no fato de que um país, esteja nesse interim em mãos alheias, o que pode derrepente num momento estratégico ser bloqueado e ficar sem poder se comunicar?
    Grato pela atenção, e parabéns pela forma didática como apresntou a 1ª lição.

  13. A concessão do setor de telefonia não é um bom exemplo de livre escolha. Claro, comparado com o tenebroso passado estamos no paraíso. Agora, de longe, foge a um real modelo de livre comércio, concorrência, escolha ou afim, que se encontra em países desenvolvidos.

  14. Ranking | 05/09/2012 08:02

    Salvar notícia
    Suíça é o primeiro em competitividade; Brasil sobe 5 lugares
    Desempenho do Brasil neste ano colocou o país em 48º lugar em ranking global

    Suíça fica com o primeiro lugar em ranking de competitividade

    São Paulo – A Suíça se manteve pelo quarto ano consecutivo como o país com as melhores condições de competitividade do mundo, segundo o Relatório de Competitividade Global 2012-2013, divulgado na manhã desta quarta-feira pelo Fórum Econômico Mundial.

    O segundo lugar também não trouxe surpresas e Cingapura manteve a vice-liderança no ranking. A primeira mudança aconteceu na terceira posição, que ficou com a Finlândia, país que passou a Suécia desde a última divulgação.

    O ranking do Relatório Global de Competitividade é baseado no Índice de Competitividade Global (GCI, na sigla em inglês). O estudo leva em consideração os dados econômicos e pesquisas de opinião feitas em 144 países com a colaboração de parceiros locais. No Brasil, o Movimento Brasil Competitivo (MBC) e a Fundação Dom Cabral realizam em conjunto a pesquisa.

    São abordados 12 pontos: instituições, infraestrutura, ambiente macroeconômico, saúde e educação primária (no mesmo tópico), educação superior e capacitação (no mesmo tópico), eficiência no mercado de bens, eficiência no mercado de trabalho, desenvolvimento do mercado financeiro, prontidão tecnológica, tamanho de mercado, sofisticação de negócios e inovação.

    Brasil sobe, mas não supera China

    O Brasil subiu cinco posições no ranking deste ano, passando de 53º para 48º.

    Entre os países do BRICS, o desempenho colocou o Brasil em uma posição mais alta que Índia, Rússia e África do Sul. A melhora não foi suficiente, porém, para superar a China.

    Confira o desempenho dos BRICS neste ano:

    exame.abril.com.br/economia/noticias/suica-e-primeiro-em-competitividade-brasil-sobe-5-posicoes

  15. Conversando com um colega marxista, eu disse-lhe que, se o governo diminuísse a carga tributária, os empresários empregariam mais pessoas. Ele retrucou, dizendo que se o governo de uma hora pra outra tirasse os impostos, os empresários (sempre gananciosos e perversos) não usariam os incentivos para contratar mais trabalhadores. Ao contrário, continuariam empregando com o mesmo salário de antes, e embolsariam os novos lucros dos incentivos fiscais dados pelo governo.

  16. Diego Vasconcelos

    Sábias palavras.. \r
    \r
    “A maioria das pessoas esquecem no fator liberdade que é o mais importante. Todo funcionário é livre para mudar de emprego. Se você se sentir explorado pelo patrão você pode mudar de emprego”

  17. Bom texto, certamente um interessante mecanismo de provocação para que se debrucemos sobre a economia sob a lente da EAE.
    Entretanto, para mim, não ficou muito claro o conceito de “instituições” segundo este modelo teórico.
    Bela iniciativa!!!
    Parabéns!!

  18. Como a economia austríaca lida com os argumentos pró-estado, pró-socialismo, os quais defendem a abolição da propriedade privada, pois sem propriedade, as pessoas fariam um trabalho melhor pois tratando os bens de forma eficiente também receberiam bens que foram trabalhados de forma eficientes, sempre argumentando que não haveria roubo, nem descuido pois seria de todos?

    Eu já tenho um ponto contrário a esses argumento pró-socialismo, mas queria saber das outras ideias dentro da escola austríaca.

  19. Leandro, muito obrigado pela resposta bastante esclarecedora, e agora que recomendou vou começar a ler este livro do professor Mises.

    No ponto que citou sobre os preços e sobre o direcionamento dos bens de forma mais eficiente com a existência da propriedade privada, entra outro ponto, a da teoria monetária, onde a moeda serviria como emissor desses preços legítimos, isso? onde já refutaria a proposta dos socialistas de abolição da moeda, certo?

    Obrigado, abraços.

  20. Perdão pela minha ignorância, conheci a Escola Austríaca a pouco tempo, alguém poderia me explicar os itens 3, 4 e 5 ?

    3. Por que a economia não é uma ciência exata?

    4. Por que a liberdade de escolha e a propriedade privada são tão importantes para o desenvolvimento das economias?

    5. Pense na diferença entre uma economia baseada em indivíduos e uma economia baseada em “coletivos”.

  21. Excelente iniciativa. A cada dia aprendo mais com vocês. Esse site, se fosse lido por uma boa parte da população acadêmica, faria uma diferença absurda no nosso país. Ainda chegaremos lá.
    Em pouco tempo enfrentarei a difícil escolha de encontrar uma escola para minha filha, que ainda tem 1 ano e 2 meses. Mesmo em São Paulo, e pagando fortunas de mensalidade, a maioria das escolas está infestada pelo sócio-construtivismo. Gostaria de saber se alguém aqui já passou por isso e conhece boas escolas que adotem o racionalismo. Tenho certeza de que o melhor investimento que posso fazer por minha filha é garantir que estude em escolas que a levem o mais longe possível de visões coletivistas. É claro que não nenhuma garantia, mesmo em escolas que não adotem isso de forma aberta. Sempre haverá professores doutrinadores, e por isso mesmo eu sempre estarei de olho nas coisas que estiverem sendo ensinadas a ela. Não só isso, transmitirei a ela esses conhecimentos logo cedo para que esteja de certa forma blindada a todo tipo de doutrinação que possa vir a sofrer.

    Grato.

  22. “O socialismo trata os seres humanos como se fossem formigas, cupins ou abelhas, sem vontade própria e sem individualidade e por isso é um sistema desumano. Agride as características básicas da espécie humana. Por isso, fracassou redondamente nos países em que foi imposto e fracassará sempre, onde quer que venha a ser implantado.”

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