A
teoria econômica convencional afirma que desvalorizar a moeda de um país pode
ser algo bom para sua economia, dado que uma moeda mais fraca gera uma taxa de
câmbio mais desvalorizada, o que estimularia a produção industrial e
consequentemente as exportações e o emprego.
Isso geraria um crescimento econômico. Donde se conclui que, caso um país queira
vivenciar um crescimento econômico mais acelerado, a desvalorização da moeda
seria uma medida necessária.
Pensamento popular
De
acordo com o pensamento popular, o segredo para o crescimento econômico está na
demanda por bens e serviços. Afirma-se
que um aumento na demanda por bens e serviços gera crescimento econômico porque
tal aumento irá desencadear a produção de bens e serviços. Logo, aumentos ou reduções na demanda por
bens e serviços estariam por trás de aumentos e declínios na produção geral da
economia. Sendo assim, para manter a
economia crescendo, as políticas econômicas do governo têm se concentrar na
demanda geral, implementando medidas para estimulá-la.
É
fato que parte da demanda por produtos domésticos advém de países
estrangeiros. A acomodação desta demanda
é rotulada de exportações. Da mesma
maneira, os cidadãos locais também exercitam suas demandas por bens e serviços
produzidos no estrangeiro, o que é rotulado de importações. Observe que, ao passo que um aumento nas
exportações produz uma demanda geral pelos produtos domésticos, um aumento nas
importações reduz esta demanda. Donde se
conclui que as exportações, sempre de acordo com este pensamento, são um fator
que contribui para o crescimento econômico ao passo que as importações são um
fator que subtrai do crescimento da economia.
Dado
que a demanda internacional pelos bens e serviços de um país é um importante
ingrediente na determinação do ritmo do crescimento econômico, faz sentido,
segundo este pensamento, fazer com que os bens e serviços produzidos localmente
sejam atraentes para os estrangeiros.
Uma das maneiras de fazer com que os bens domesticamente produzidos
sejam mais demandados por estrangeiros é fazendo com que os preços destes bens
sejam mais atraentes para eles.
Por
exemplo, imagine que o preço de um saco de batatas no Brasil é de R$10 e de US$10
nos EUA. Imagine também que a taxa de câmbio entre o
dólar e o real é de 1:1. À taxa de
câmbio de 1 real por 1 dólar, um americano consegue, com US$10, comprar um saco
de batatas brasileiras.
Uma
das maneiras de os brasileiros estimularem sua competitividade é depreciando o
real em relação ao dólar. Suponhamos
que, em reação a um anúncio de que o Banco Central brasileiro está disposto a
afrouxar sua política monetária, a taxa de câmbio passe para R$2 por US$1. Consequentemente, isto significa que R$10
agora podem ser adquiridos com US$5, o que por sua vez implica que um saco de
batatas brasileiras agora custa US$5.
Consequentemente, um americano pode agora com US$10 comprar dois sacos
de batatas do Brasil em vez de apenas um, como ocorria antes da depreciação do
real. Em outras palavras, o poder de
compra dos americanos em relação às batatas brasileiras dobrou.
Se
aplicarmos o exemplo das batatas para todos os bens e serviços, podemos chegar
à conclusão de que, como resultado da depreciação da moeda, tudo o mais
constante, a demanda geral por bens produzidos domesticamente tenda a
aumentar. Isto, por sua vez, irá gerar
um superávit no balanço de pagamentos e, consequentemente, fortalecer o
crescimento do PIB. Observe que, para
estimular a demanda estrangeira, os brasileiros estão agora oferecendo dois
sacos de batatas em troca de um saco de batatas dos EUA. Isto também significa que o preço de um saco
de batatas americanas está agora duas vezes mais caro no Brasil em relação a
antes da depreciação do real. Muito
provavelmente, isto irá reduzir a demanda dos brasileiros por batatas
americanas. O que temos até agora, no
que concerne ao Brasil, são mais exportações e menos importações, algo que, de
acordo com o pensamento convencional, é uma ótima notícia para o crescimento
econômico brasileiro.
Igualmente,
à taxa de câmbio original de 1:1, uma redução nos preços domésticos das batatas
brasileira de R$10 para R$5 também permitiria a um americano trocar seus US$10
por dois sacos de batatas brasileiras.
Em suma, mudanças na taxa de câmbio ou mudanças nos preços nos
respectivos países irão determinar a chamada ‘competitividade internacional’, a
qual também é rotulada de taxa de câmbio real. Ela pode ser resumida na seguinte fórmula:
Taxa
de câmbio real = taxa de câmbio nominal x (preços estrangeiros/preços domésticos)
A
taxa de câmbio nominal é a quantidade de moeda nacional necessária para se
adquirir uma unidade de moeda estrangeira.
Uma desvalorização cambial
significa um aumento da taxa de
câmbio nominal (aumenta-se o número de reais necessários para se adquirir um
dólar).
De
acordo com esta expressão, um aumento na taxa de câmbio real (isto é, uma
desvalorização do câmbio real) implica um aumento na competitividade dos
produtos brasileiros no mercado internacional, e uma redução na taxa de câmbio
real (isto é, uma apreciação do câmbio real) significa uma queda nesta
competitividade internacional. Donde
que, seguindo-se esta equação, uma desvalorização da moeda nacional (uma
redução na quantidade de moeda estrangeira necessária para adquirir uma mesma
quantidade de moeda nacional) levará a uma desvalorização na taxa de câmbio
real e, consequentemente, a um aumento na competitividade internacional.
Já
uma queda nos preços estrangeiros levará a uma apreciação da taxa de câmbio
real, desta forma reduzindo a competitividade dos produtos brasileiros no
exterior. Seguindo-se este raciocínio
simples, conclui-se que a desvalorização da moeda nacional — tudo o mais
constante — é algo benéfico para o crescimento econômico.
Por que estimular exportações por meio da
desvalorização da moeda não pode fazer uma economia crescer continuamente
Quando
o Banco Central brasileiro anuncia que irá afrouxar a política monetária, isto
leva a uma rápida resposta dos agentes do mercado de câmbio: eles irão vender a
moeda nacional e adquirir moedas estrangeiras, o que irá levar a uma
depreciação da moeda nacional. Em
resposta a isso, vários produtores nacionais perceberão que agora está mais
atraente aumentar suas exportações. Para
financiar este aumento em sua produção, os produtores recorrerão aos bancos, os
quais, em decorrência das recentes injeções monetárias feitas pelo Banco
Central, concederão crédito a taxas de juros menores.
Fazendo
uso deste crédito recém-concedido, os produtores poderão agora adquirir os
recursos necessários para expandir sua produção de bens com o intuito de
acomodar a crescente demanda estrangeira.
Em outras palavras, por meio deste crédito recém-criado, os produtores
irão retirar recursos reais de outros setores da economia, desviando-os para si
próprios. Enquanto os preços domésticos
se mantiverem inalterados, os exportadores irão registrar um aumento nos
lucros.
No
entanto, este suposto aumento na competitividade gerado pela desvalorização da moeda
significa que os cidadãos brasileiros irão agora obter menos bens importados
para uma mesma quantidade de bens exportados.
Em suma, ao passo que o país está enriquecendo em termos de moeda
estrangeira (mais dólares estão entrando no país), ele está empobrecendo em
termos de riqueza real, isto é, em termos dos bens e serviços necessários para
manter o padrão de vida e o bem-estar das pessoas. A quantidade de bens na economia diminui
tanto em decorrência do aumento das exportações quanto em decorrência da
diminuição das importações.
À
medida que o tempo passa, os efeitos de uma política monetária frouxa começam a
fazer um efeito mais generalizado nos preços dos bens e serviços, e, no final,
tendem a solapar os lucros dos exportadores.
Em suma, um aumento nos preços põe um fim na ilusória tentativa de se
criar prosperidade econômica do nada, utilizando apenas manipulações monetárias
para este fim. De acordo com Ludwig von Mises
As tão faladas vantagens que a desvalorização proporciona
ao comércio exterior e ao turismo se devem inteiramente ao fato de que o ajuste
dos preços e salários domésticos ao estado de coisas criado pela desvalorização
requer algum tempo. Enquanto este
processo de ajustamento não se completa, as exportações são estimuladas e as
importações, desencorajadas. Não
obstante, isto significa apenas que, neste intervalo de tempo, os cidadãos do
país que desvalorizou sua moeda estão obtendo menos em troca do que estão vendendo
no exterior, e pagando mais pelo que estão comprando no exterior; o consumo
interno, consequentemente, sofre uma redução.
Este efeito pode parecer benéfico para aqueles que medem o bem-estar de
uma nação pela sua balança comercial. Em
linguagem clara, esta realidade pode ser descrita da seguinte forma: o cidadão
inglês precisa exportar mais bens ingleses para poder comprar aquela quantidade
de chá que corresponderia, antes da desvalorização, a uma menor quantidade de
bens ingleses.
Compare
esta política de desvalorização da moeda com uma política conservadora na qual
a moeda não se expande. Sob estas
condições, quando o conjunto da riqueza real do país está se expandindo — isto
é, quando a quantidade de bens e serviços está aumentando –, o poder de compra
da moeda nacional irá também aumentar.
Isto, tudo o mais constante, levará a uma valorização da moeda. Com a expansão da produção de bens e
serviços, e com a queda nos preços e nos custos de produção, os produtores
nacionais poderão aprimorar sua competitividade internacional e sua
lucratividade nos mercados estrangeiros ao mesmo tempo em que a moeda segue se
valorizando.
Por
outro lado, quando há uma política monetária frouxa, os ganhos obtidos pelos
exportadores são apenas temporários, e se dão à custa de outras atividades da
economia, as quais ficam privadas de recursos, como explicado acima. Já quando a política monetária é austera, os
ganhos obtidos não se dão à custa de ninguém; eles são apenas a manifestação da
criação de riqueza real.
Uma
moeda forte, além de permitir aos seus usuários desfrutar mais bens por meio de
mais importações, também lhes propicia uma maior qualidade de vida. Viagens internacionais e produtos eletrônicos
exóticos se tornam mais acessíveis aos consumidores. Os produtores nacionais, por sua vez,
conseguem acesso mais barato a recursos e a bens de capital estrangeiros. Ainda que seus preços de venda no mercado
interno se mantenham inalterados — em decorrência da solidez monetária — o resultado
é que seus lucros tendem a ser maiores.
Igualmente,
as exportações também tendem a aumentar.
A taxa de câmbio representa apenas uma fatia do custo total que os
estrangeiros têm de pagar para importar bens desta economia. Tão importante quanto a taxa de câmbio é o
custo deste bem em sua própria moeda nacional.
Que diferença faz para o importador dos bens da economia brasileira se,
por exemplo, o real está 10% mais barato em relação ao dólar e, ao mesmo tempo,
os preços domésticos no Brasil subiram também 10% em decorrência da inflação
monetária? O efeito é nulo. Por outro lado, com uma moeda forte
permitindo a importação maciça de bens de capital mais baratos, os custos de
produção tendem a cair e a produtividade tenda a aumentar, o que irá reduzir os
preços internos e, consequentemente, estimular as exportações. É assim que uma moeda forte estimula também o
setor exportador.
Conclusão
No
mundo atual, os bancos centrais agem coordenadamente, expandindo em sincronia a
oferta monetária de seus respectivos países de modo a manter as flutuações das
taxas de câmbio o mais estável possível.
Obviamente, durante este processo, tais políticas desencadeiam um
persistente processo de empobrecimento, pois o consumo não se dá de acordo com
a produção de riqueza real.
Adicionalmente,
neste arranjo, se um país tentar adquirir uma vantagem passageira por meio da
desvalorização de sua moeda — implantando uma política monetária mais frouxa
–, ele conseguirá apenas estimular os outros países a fazer a mesma
coisa. Consequentemente, o surgimento de
desvalorizações competitivas é a maneira mais garantida de se destruir a
economia de mercado e jogar o mundo em um prolongado período de crise.
Sobre
isso, Mises escreveu,
Uma aceitação geral dos princípios do câmbio flutuante irá
resultar em uma competição maléfica entre as nações, cada uma se esforçando
para desvalorizar mais do que a outra. Ao final dessa competição, os sistemas
monetários de todas as nações estarão arruinados.
Leia também: Uma moeda forte pode trazer desvantagens para os brasileiros?
Sábias palavras de Shostak.
Leandro, gostaria de ver um comentário seu sobre o mito de que a manutenção, por parte da China, de sua moeda, o yuan renmibi, desvalorizada ao longo das últimas décadas foi uma medida que ajudou este país a aumentar dramaticamente suas exportações e a manter um crescimento econômico elevado.
Gostaria que você escrevesse ou citasse artigos sobre isso de acordo com a Economia Austríaca.
Grato pela atenção
Desestimulante é ler citações de Mises que de tão corretas e atuais parecem terem sido ditas há 1 hora atrás.
Mais um artigo fantástico!\r
\r
O grande problema é o fato de que esses efeitos são tão contrários à intuição. É muito mais fácil se concentrar no que se pode ver e políticos usam isso como modus operandis sem o menor pudor. O discurso ficou tão atrelado à mentalidade coletiva que falar qualquer coisa contrária a isso parece um absurdo.\r
\r
Não basta que todas as evidências apontem para o lado contrário. Não basta a lista imensa de países pobres com moedas fracas e a lista de países ricos com moeda forte. Não basta ter vivido a época de hiper-inflação. A realidade é solenemente ignorada em troca do discurso pró-exportação. A resposta padrão é que sem esses “incentivos” não conseguiremos produzir nada e todos morreremos de fome importando tudo da China.
De início, esclareço que não tenho conhecimento técnico em economia. Tudo que sei é o que li no Mises.org.br. Perdoem-me, portanto, se a pergunta mostrar-se ridícula ou inoportuna.\r
\r
Pois bem, a imprensa costuma elogiar o tal sistema de câmbio flutuante, que faz parte do famoso “tripé da estabilidade econômica”. \r
É um sistema adotado, salvo engano, por boa parte dos países.\r
\r
Diante disso, pergunto:\r
\r
a) a crítica do autor ao câmbio flutuante se refere à intenção do planejador central em manter a moeda subvalorizada para ter “vantagem” em relação a outros países e conseguir exportar mais(foi isso que eu entendi). Nesses termos, um BC que busca a valorização da moeda nacional é menos mau?\r
\r
b)considerando a atual organização do sistema econômico e financeiro, há uma alternativa melhor para o câmbio do que o sistema de câmbio flutuante?\r
\r
Abraço.
Desculpem minha ignorancia, mas o que ocorre quando no livre mercado as empresas emigram de uma região (seja ela País, Estado, etc..) para outra uma outra região que pratica salarios menores, ou seja haveria nesse espaço um aumento de desempregados, desse modo como o mecado agiria para reverter essa situação??
Mais um artigo brilhante do Frank Shostak, assim como um outro texto dele sobre o conceito de inflação. Alguém pode mandar esse link para o Guido Mantega? Sinceramente, não sei se o ministro é simplesmente desonesto ou ignorante.\r
Leandro, porque será que os entusiastas da manipulação cambial não se pronunciam a respeito da Alemanha?
A Alemanha foi a nação que mais exportou no século XX, neste mesmo período (a partir dos anos 50 para ser preciso) o Marco alemão foi uma das moedas mais estáveis e apreciadas do mundo.
Desvalorizações cambiais não farão com que uma economia recheada de gargalos estruturais e institucionais, se torne mais competitiva que as concorrentes, mais dinâmicas. Pelo contrário, beneficia exportadores ao passo que desestrutura todo o sistema de precificação da economia interna, em decorrência da inflação, dado que a desvalorização cambial nada mais é que inflacionar mais que os outros países.
“Desvalorizar o câmbio estimula o crescimento econômico?” A resposta para esta pergunta, também título do artigo, é: estimula à medida que, num ambiente previsível, deixa os produtos nacionais mais baratos e eleva as exportações e os investimentos nela.
Não adianta se à desvalorização segue uma subida de preços internos, porque encarece a produção dos exportadores e reduz seus lucros. Ou seja, líquida a vantagem e o estímulo iniciais.
Também não adianta ficar numa política de sucessivas desvalorizações do câmbio, a fim de compensar a subida do preços internos e manter os produtos nacionais mais baratos, o que o Brasil fazia na época da hiperinflação. Não adianta porque cria incerteza e dificuldade de planejamento, desestimulando o investimento e o crescimento das exportações e da economia.
Em resumo, pra funcionar precisa, concomitantemente, de preços internos comportados e previsibilidade da taxa de câmbio, tal qual a China faz.
No Brasil não há como implementar, via câmbio, uma política eficiente de estímulo as exportações porque esbarraria se, inevitavelmente, na subida da inflação, devido a poupança interna baixa. E não se pode contar com poupança externa, já que esta valorizaria o câmbio.
Leandro,
Não entendi bem a fórmula:
Taxa de câmbio real = taxa de câmbio nominal x (preços estrangeiros/preços domésticos)
As duas taxas são real para dólar? Os preços são em qual moeda? Real e dólar?
Poderia dar um ex. dessa fórumula com números?
Obrigado, abraço!
Qual o câmbio real do Brasil hoje?
Sobre a passagem abaixo:
“Fazendo uso deste crédito recém-concedido, os produtores poderão agora adquirir os recursos necessários para expandir sua produção de bens com o intuito de acomodar a crescente demanda estrangeira. Em outras palavras, por meio deste crédito recém-criado, os produtores irão retirar recursos reais de outros setores da economia, desviando-os para si próprios. Enquanto os preços domésticos se mantiverem inalterados, os exportadores irão registrar um aumento nos lucros.”
Não consegui entender o mecanismo econômico envolvido em: “Em outras palavras, por meio deste crédito recém-criado, os produtores irão retirar recursos reais de outros setores da economia, desviando-os para si próprios.”
Ainda, na menção a mises:
“”As tão faladas vantagens que a desvalorização proporciona ao comércio exterior e ao turismo se devem inteiramente ao fato de que o ajuste dos preços e salários domésticos ao estado de coisas criado pela desvalorização requer algum tempo. Enquanto este processo de ajustamento não se completa, as exportações são estimuladas e as importações, desencorajadas.””
Também não consegui entender como se processa os referidos ajustes que minam a vantagem obtida artificialmente por manipulação monetária.
Algum colega poderia me indicar onde obter esses informações(referências bibliográficas, textos na internet, qualquer coisa), ou responder as perguntas ou ambas as coisas?
Grato.
Como é bom entrar aqui e ganhar um pouco de ar lendo esses textos.
Por que ultimamente nas minhas aulas ta complicado, sou bombardeado a todo minuto com coisas como protecionismo e “a chave para o crescimento é a exportação, então temos que exportar mais e importar menos”.
Isso que eu nem vou comentar o que eu ouvi sobre padrao-ouro hoje e sobre a crise de 29. Só pra voces terem uma ideia ouvi coisas do tipo “o padrao-outro é rudimentar” e “a culpa da crise de 29 foi o excesso de ouro nos EUA”.
Publiquei ontem um texto que trata do assunto.
Ressalto:
Rogoff e Reinhart (2004)mostram que o Brasil perde apenas do Congo entre os países com as moedas que mais se desvalorizaram no mundo entre 1970 e 1991. Nesse sentido, há algumas questões pertinentes:
1. Isso tornou o Congo ou o Brasil nações industriais e competitivas?
2. Além disso, como se justifica a perda de participação relativa da indústria no PIB nesse mesmo período?
3. Como nações ricas e de câmbio apreciado, como a Alemanha e os Estados Unidos, conseguem ter participações elevadas entre os países exportadores do mundo?
Esses textos deveriam ser transformados em vídeos e postado no you tube. Ficaria mais fácil de divugar. As pessoas tem preguiça de ler.
Muito bom o texto!
Leandro, por favor, uma luz.\r
\r
Então é errado dizer que haja “câmbio livre”, afinal todos os governos – uns mais outros menos – mexem na oferta monetária, certo?\r
\r
De qualquer forma, na aula de “contabilidade social”, o professor, explicando sobre os regimos de câmbio, disse que não existe nenhum exemplo no mundo de país que opera com câmbio livre porque os governos sempre dão uma interferida.\r
\r
Pelo que ele disse, eu entendi que ele estava falando de manipulações diretas na taxa de câmbio e não dessas manipulações na base monetária que acabam refletindo na conversão.\r
\r
É verdade que nenhum país opera com câmbio livre?\r
\r
O Panamá, por exemplo, que não tem BC, mexe na taxa de câmbio de alguma forma?
Leandro,\r
\r
eu li em algum lugar que vc havia dito que as manipulações no câmbio promovidas pelo governo em nada tinham a capacidade de influenciar na nossa capacidade de exportar ou nossa predisposição a importar.\r
\r
Vc poderia me indicar se eu li certo e, em caso positivo, apontar onde está esse comentário ou texto?\r
\r
Obrigado e parabéns mais uma vez!
Grande Artigo, pena que o nosso Ministro Guido Mantega não aprendeu tal lição basilar e ainda diz que o dólar a R$ 2,00 (dois reais) veio para ficar…
Mais um da série “artigo-aula”.
[I]quando o conjunto da riqueza real do país está se expandindo — isto é, quando a quantidade de bens e serviços está aumentando —, o poder de compra da moeda nacional irá também aumentar. Isto, tudo o mais constante, levará a uma valorização da moeda[/I]
Por que isso leva a uma valorização da moeda?
Leandro, boa tarde.\r
\r
Fiquei com uma dúvida em relação à questão das reservas fracionárias: o Prof. Huerta de Soto coloca que os bancos deveriam manter 100% dos depósitos. Como isso poderia ocorrer, se os bancos lucram justamente emprestando o dinheiro depositado pelos chamados “agentes superavitários”? Ou seja, como os bancos poderiam manter 100% das economias depositadas? \r
\r
Muito obrigado.
Um amigo meu que trabalha no Banco Central (aquele mesmo que respondeu o questionário da Câmara dos Deputados) me mandou essa resposta (perguntando ao final), após ler o presente artigo que eu havia enviado para ele:
Notícia:
Dólar sobe quase 5% no mês e vai a R$ 2,131, maior valor desde 2009
O dólar comercial subiu forte nesta sexta-feira (30), e fechou com alta de 1,61%, valendo R$ 2,131 na venda. É o maior valor de fechamento desde 5 de maio de 2009 (R$ 2,149). Em novembro, a moeda norte-americana acumulou alta de 4,95%, na maior valorização mensal desde maio deste ano (5,79%). Um dos motivos para a alta acentuada do dólar nesta sessão foi a divulgação do crescimento do PIB abaixo do esperado por analistas, em 0,6%. O baixo crescimento deixou os investidores preocupados, porque sugere que o governo pode lançar mão de um real mais desvalorizado e juros mais baixos para estimular a economia. Os operadores também ficaram em alerta para uma possível atuação do Banco Central, que não aconteceu.
Meu amigo pergunta: “Cadê a emissão de moeda???”
Como assim o dólar aumentou hoje? Hoje ele aumentou apenas uns 5 centavos. Seu amigo acha que o real se desvaloriza de uma vez só, de acordo com impressora? Ele acha que não é um processo contínuo? O dólar está se valorizando em relação ao real continuamente desde julho de 2011. O real está uma porcaria não é de hoje. As coisas apenas estão ficando mais claras agora.
Pelo menos fico um pouco (só um pouco) mais aliviado de saber que não se trata do Hamilton. Mas isso não ajuda. Enfim…
Uma aceitação geral dos princípios do câmbio flutuante irá resultar em uma competição maléfica entre as nações, cada uma se esforçando para desvalorizar mais do que a outra. Ao final dessa competição, os sistemas monetários de todas as nações estarão arruinados.
Mais preciso impossível.
“A teoria econômica convencional afirma que desvalorizar a moeda de um país pode ser algo bom para sua economia, dado que uma moeda mais fraca gera uma taxa de câmbio mais desvalorizada, o que estimularia a produção industrial e consequentemente as exportações e o emprego. Isso geraria um crescimento econômico. Donde se conclui que, caso um país queira vivenciar um crescimento econômico mais acelerado, a desvalorização da moeda seria uma medida necessária.”
A desvalorização PODE ser boa, implicando que outrossim pode ser má também.
Além disso, pressupor que ela é uma “medida necessária” ignora todas as demais medidas propostas pela “teoria econômica convencional” que podem ser adotadas em detrimento da desvalorização do cambial, reduzindo-as à ineficácia e inoperância. Inclusive algumas das que são propostas no desenvolvimento do texto que se segue, travestidas sob outros axiomas.
Não deu pra continuar.
Estes artigos já foram melhores.
Prezado Leandro, estou aprendendo um pouco de economia na faculdade e a professora abordou o tema da depreciação cambial dizendo que há duas faces dessa depreciação. Falu em dois tipos de pass-through da depreciação cambial – pass-through para bens tradables – industriais e agrícolas praticados no mercado doméstico. Isso significa que com a depreciação cambial haverá um aumento nos preços desses bens?
O outro é o pass-through de bens non-tradables e disse que era esse que precisava ser minimizado. Nestes estão os custos com mão de obra e salários. Disse que era necessário que as taxas de juros dissipasse o efeito inflacionário da depreciação cambial sobre os salários.
Poderia me ajudar a entender resumidamente esses assuntos?
Grato pela atenção
PERGUNTA > Qual a importância do cãmbio para o desenvolvimento da economia ?
Muito legal esse artigo,não entendo nada de economia mais consegui esclarecer bem algumas duvidas,essas discussões sobre o assunto são muito boas Parabéns!!!
Como já disse que não entendo nada gostaria se for possível claro que você me respondesse, qual seria o melhor modelo de cambio a ser adotado pelo Brasil porque?
Desde já agradeço!
Por que a Política Monetária Restritiva é utilizada em uma conjuntura de câmbio desvalorizado?
Gostaria de saber se havendo uma valorização do Real frente ao dolar podera provocar uma queda no PIB brasileiro?
Leandro com o câmbio apreciado no Brasil, reduz-se o fluxo de capital estrangeiro?
Um artigo atemporal!
Simples e elucidativo. Não possuo formação em Economia, mas consegui compreender o mar de lama em que estamos (2017).
Fiquei abatido, pois nota – se claramente que o Brasil se tornou um cassino para o investidor extrangeiro.
Nossa economia, com perdão da expressão, parece a mesma da época do "plantation".
Seria uma saída plausível a adoção da âncora cambial no combate à inflação? Eu acredito que sim. Além disto, creio que deveríamos ter uma ampla reforma tributária.
Se a nossa moeda desvaloriza podemos vendar mais mercadoria, mas ganharemos menos dolares. Com menos dolares vamos importar menos produtos, o que será mal se o produto importado tiver mais aceitação no mercado do que seu similar nacional. Li numa outra pagina que a variação para menos funiciona como um Robin wood ao contrario tirando de quem tem pouco para dar para quem tem muito.
Olá, estou fazendo meu trabalho de conclusão de curso sobre a política monetária da primeira república. Achei muito interessante a abordagem do Mises, poderiam me passar por favor a fonte bibliográfica referente ao livro do Mises em que ele aborda especificamente essa temática de câmbio, inflação e etc? ficarei muito agradecido
é um campo muito delicado e complicado de se envolver pois se desvalorizamos uma , valorizamos a outra , hoje em dia acontece muito com o comércio chines ,que vendem seus produtos diretamente ao publico por meio de sites por preços ,muitas vezes maior que a metade do preço do brasileiro , fazendo assim que o comércio brasileiro venda menos e tenha que por sua vez aumentar os preços dos produtos e serviços para poderem se manter no mercado .