“Seremos sábios se deixarmos o comércio
deste país crescer além do ponto que podemos manter por muito tempo?”
– William Stanley Jevons, “The Coal Question“, 1865
Algum tempo atrás, falei que não era preciso ser
sustentável; porém, desde então, mudei de ideia. Estou, neste caso, considerando uma
sustentabilidade ambiental como sendo um processo pelo qual a humanidade poderá
permanecer vivendo no planeta Terra durante muitos anos da mesma forma que vive
hoje: com qualidade de vida sempre crescente.[1]
Atitudes que buscam a sustentabilidade
normalmente tentam evitar duas possíveis catástrofes: o esgotamento dos
recursos naturais necessários para a vida na Terra e mudanças climáticas
extremas causadas pela emissão de carbono na atmosfera. Esta defesa da sustentabilidade se refere à
primeira; quanto à segunda, mantenho os argumentos apresentados aqui de
que não temos grandes motivos para nos preocuparmos.
Como já comentei antes, sempre se deve separar
os objetivos da sustentabilidade ambiental, já que estudos mostram que, se os
recursos naturais realmente terminarem, não haverá mais recursos para serem
queimados e produzirem gases causadores de mudanças climáticas.
Sendo assim, as políticas atuais que buscam a sustentabilidade de recursos
naturais, como campanhas de reciclagem de lixo, economia de água e de energia,
subsídios de energias renováveis e conscientização ambiental em geral não são a
melhor maneira de atingir estas metas, dado que elas não tocam a raiz da
questão: lixo, água e energia são setores normalmente controlados pelos
governos. No Brasil, empresas privadas
muitas vezes realizam a coleta de lixo e distribuição de água e energia, mas
todas ou são contratadas pelo estado, ou necessitam de licenças limitadíssimas
para operar, ou têm seus preços e procedimentos altamente regulados pelo
estado. Enfim, não existe um mercado de
fato para estes recursos.
O problema que isto gera é simples: a lei da oferta e demanda — e, consequentemente,
o sistema de preços — se torna inexistente. Governos caem no problema do cálculo econômico ao tentar arbitrar taxas para o seu
consumo sem considerar os fatores de oferta e demanda existentes no mercado,
causando quantias de consumo e de produção artificiais, ora acima ora abaixo do
ponto ótimo. Já exemplifiquei este
processo falando sobre o lixo neste post de um ano atrás.
A taxa de lixo, atualmente, é arbitrada
sem critérios objetivos, usando como base da cobrança o tamanho dos imóveis e
dando desconto, por exemplo, para templos religiosos no caso de Porto Alegre.
Assim, quem produz lixo não paga de acordo com o
volume, o peso, a toxicidade ou os danos ao ambiente que o seu descarte produz.
Ou seja, no sistema de hoje, não
interessa se você separa seu lixo e cuida para produzir menos resíduos: seu
vizinho que mora em um apartamento parecido com o seu, que mistura baterias,
óleo de cozinha e lâmpadas fluorescentes no mesmo saco e não amassa nenhuma
garrafa ou caixa vai pagar exatamente a mesma taxa que você. Se existisse efetivamente um mercado de lixo,
certamente quem coletaria o lixo cuidaria para cobrar de acordo com critérios
de peso e volume, e quem armazenaria ou reciclaria o lixo cobraria de acordo
com a toxicidade ou natureza.
Água e energia funcionariam da mesma maneira (como qualquer outro recurso, por
sinal), e se o preço for colocado abaixo do que deveria ser, o consumo será
acima do que seria de forma natural. Se
estes recursos seguissem uma lógica de mercado, regiões afastadas das zonas de
abastecimento e com baixa densidade demográfica provavelmente teriam um preço
de água e de energia muito mais elevado que em grandes centros urbanos, onde o
custo da infraestrutura é dividido entre milhões de pessoas. Mas isto não acontece: a sociedade subsidia e
incentiva artificialmente o gasto de água e energia nestas regiões. Alguns argumentam que esta política serve para
ajudar os pobres, porém todos sabemos que não são apenas pobres que moram longe
dos centros urbanos. Na prática, esta
forma de taxação também acaba incentivando a dispersão das cidades de forma
antieconômica, que em termos técnicos é chamado de ‘alastramento urbano‘.
O melhor exemplo histórico que comprova este
fenômeno de regulação natural dos recursos naturais por meio da oferta e
demanda foi o da previsão do esgotamento do carvão — então principal recurso
natural para produção de energia — no início do século XX. Especialistas da época, como o célebre
economista William Jevons, acreditavam
seriamente — assim como hoje — que a humanidade entraria em crise porque
nossos recursos (no caso, o carvão) iriam acabar. Isso não aconteceu, e não foi porque as
campanhas foram eficazes e “cada um fez a sua parte” altruisticamente
economizando carvão para as gerações futuras, mas sim porque o carvão
simplesmente se tornou mais caro à medida que sua quantia foi diminuindo,
fazendo com que houvesse, egoisticamente, uma economia.
Isso pressionou o mercado de energia elétrica a
ser mais eficiente no uso do carvão e a encontrar outras fontes (como o
petróleo) ou a pesquisar energias alternativas. O mesmo efeito já está acontecendo hoje: o que
mais pressiona a busca por novas fontes de energia não são campanhas de ONGs,
subsídios governamentais ou a conscientização moral da população, mas sim as
incontornáveis leis econômicas. O
petróleo simplesmente se tornou muito mais caro, pressionando o mercado mais
uma vez. Não se trata de um processo
forçado e consciente, como grande parte do movimento ambientalista aborda a
questão, mas sim um processo natural e inconsciente, no qual toda a população
gradualmente muda seus costumes em decorrência do aumento dos preços, processo
este por sua vez é definido pelas quase infinitas interações entre as pessoas,
bem explicado por Hayek em “O Uso do Conhecimento na Sociedade“.
O preço do petróleo aumenta…

… os preços dos paineis solares diminuem. Por que será?
Segundo muitos economistas e historiadores, foi
exatamente a ausência de preços que
causou falta de alimentos e a grande fome da Ucrânia. Que não
repitamos os erros do passado com nossos preciosos recursos naturais. Se o petróleo estiver acabando, como iremos
saber? Que tipo de sinais temos que ter? Com a ação dos preços, os copinhos plásticos
descartáveis irão gradualmente aumentar de preço, fazendo com que nosso consumo
diminua.
Portanto, sustentabilidade de verdade — esta
que aqui defendo — só será atingida se os países deixarem de arbitrar taxas
para seus recursos naturais e para a produção de resíduos. As leis básicas de oferta e demanda do
mercado fazem automaticamente o serviço. Mas se isto for desrespeitado, as previsões
catastróficas realmente podem se tornar realidade.
Para aqueles procurando mais informações sobre o tema, recomendo este vídeo curto e legendado com o economista
Steve Horwitz, e uma visita ao site da ONG PERC.
[1] Quem acredita que a qualidade de vida dos
humanos na Terra está diminuindo, ou está equivocado ou tem uma opinião bem
diferente da minha acerca do que é qualidade de vida. Ver “Rational Optimist“,
de Matt Ridley.
1 Alguém já ouviu falar desse livro: Bjorn Lomborg – cool it- ?
2 Uma sugestão pro site, quando alguém comenta a diferença pro comentário anterior é de uns dez pixels, se fosse de um ou dois os comentários não iam ficar tão espremidos no canto direito
O discurso ambiental no caso do Brasil é uma forma de governos estrangeiros através de ONGs pressionar o governo Brasileiro para frear sua produção energética, recentemente o caso de Belo Monte foi um desses casos.
Menos energia = Menor crescimento
Nenhuma ONG está realmente preocupada com os pobres animaizinhos que terão sua terra inundada, é uma maneira de limitar o crescimento de diversos países.
Ninguem vai lá na China reclamar de seu alto consumo de carvão né?
quanto ao caso da escassez de recursos essa é a maior bobagem de todas, o mercado sempre irá se moldar de acordo com as necessidades e variações de preços.. no futuro vão dizer que algum componente das celular solares ou da energia eolica está se extinguindo (o que acho difícil) e acorrerá a mesma situação.
Uma coisa que eu não consigo entender é porque os países desenvolvidos se preocupam tanto com o desenvolvimento dos países emergentes a ponto de espalhar essa papagaiada de crescimento sustentável.
Semana passada mesmo surgiu a notícia de que asteroides podem ser explorados em busca de ouro, prata, diamante, água, ferro, entre outros. Portanto, as principais matérias para o desenvolvimento podem ser extraídas eternamente sem muita dificuldade(principalmente se for levado em conta que cada vez teremos mais tecnologia, tornando o procedimento cada vez mais e mais produtivo).
O maior problema seria o petróleo, uma vez que esse recurso provem de matéria orgânica, algo mais difícil de ser encontrado fora da Terra.
E, convenhamos, se o petróleo é o maior problema em relação a escassez de recursos, não estamos tão mal. Visto que a sua função principal é energética, uma área em que possuímos inúmeras outras opções a serem exploradas.
Qualquer intervenção maior do estado causaria danos ainda maiores à economia. Algo que eu definitivamente não preciso falar por aqui.
Se todo ecologista enxergasse isso – algo que não é tão complicado, convenhamos – deixaria de dar tanto apoio a essas ONGs muito mais vermelhas que verdes…
ps: O link para o site da PERC está errado.
Somente o livre-mercado pode salvar o meio ambiente.
Os recursos naturais não são tratados como escassos quando há incentivo governamental para sua utilização imediata, em detrimento de qualquer planejamento para o futuro.
A estudos que indicam ser o petróleo de origem não biológica. Poderá ser detectado alhures no espaço sideral. Como em Titan, lua de Saturno, por exemplo.
“Teoria do petróleo abiótico
Muito menos disseminado é o fato de que esta não é a única teoria para explicar o surgimento do petróleo. Na verdade, esta teoria hegemônica vem sendo cada vez mais questionada por um grande número de cientistas, que defendem que o petróleo tem uma origem abiótica, ou abiogênica – sem relação com formas de vida.
Os defensores da teoria abiótica do petróleo têm inúmeros argumentos. Por exemplo, a inexistência de fenômenos geológicos que possam explicar o soterramento de grandes massas vivas, como florestas, que deveriam ser cobertas antes que tivessem tempo de se decompor totalmente ao ar livre, juntamente com a inconsistência das hipóteses de uma deposição do carbono livre na atmosfera no período jovem da Terra, quando suas temperaturas seriam muito altas.
A deposição lenta, como registrada por todos os fósseis, não parece se aplicar, uma vez que as camadas geológicas apresentam variações muito claras, o que permite sua datação com bastante precisão. Já os depósitos petrolíferos praticamente não apresentam alterações químicas variáveis com a profundidade, tendo virtualmente a mesma assinatura biológica em toda a sua extensão.
Além disso, os organismos vivos têm mais de 90% de água e mesmo que a totalidade de sua massa sólida fosse convertida em petróleo não haveria como explicar a quantidade de petróleo que já foi extraída até hoje.
Outros fenômenos geológicos, para explicar uma eventual deposição quase “instantânea,” deveriam ocorrer de forma disseminada – para explicar a grande distribuição das reservas petrolíferas ao longo do planeta – e em grande intensidade – suficiente para explicar os gigantescos volumes de petróleo já localizados e extraídos.” ( … )
Para informaões mais completas acessem
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=petroleo-gas-natural-nao-fosseis&id=010115090803
Como é o ponto de vista econômico-ambiental do mercado livre em relação à obsolescência planejada, uma vez que se trata de um estímulo a mais na produção de lixo?
Os governos não conseguem nem coletar corretamente o lixo das cidades, como poderia fazer algo mais? IMPOSTO ZERO JÁ!
Os falsos conceitos do ecologismo ( sustentabilidade, comida orgânica, energia eólica, solar, explosão demográfica, aquecimento global, etc) devem ser questionados na medida em que são um golpe anti capitalista a favor de expressões e tautologias vazias como ” o bem comum”
O ecologismo é um holismo religioso e anti humanista. É uma posição não realista.