A doutrina marxista sobre o suposto poder arbitrário dos empregadores em relação à determinação dos salários parece plausível à primeira vista porque ela se baseia em dois fatos óbvios, fatos que não realmente a sustentam, mas que de fato parecem ampará-la. Estes fatos podem ser descritos como a “necessidade do trabalhador” e a “ganância do empregador”. O trabalhador comum tem de trabalhar para poder se sustentar, e ele tem de encontrar trabalho em um período de tempo razoavelmente rápido, pois sua poupança não é capaz de sustentá-lo por muito tempo. E, se necessário — caso não houvesse alternativa –, ele estaria disposto a trabalhar em troca apenas de um mínimo de subsistência física. Ao mesmo tempo, o interesse próprio (o egoísmo) faz com que os empregadores, assim como quaisquer outros consumidores, prefiram pagar menos a pagar mais — pagar salários mais baixos a salários mais altos.
As pessoas juntam estes dois fatos e deles concluem que, se os empregadores possuíssem plena liberdade, os salários seriam continuamente reduzidos em decorrência do grande poder do egoísmo dos empregadores — como um enorme êmbolo comprimindo ar dentro de uma seringa — e que nenhuma resistência seria oferecida contra esta queda nos salários até o ponto em que a subsistência mínima fosse atingida. Apenas neste ponto, afirma-se, os trabalhadores se recusariam a trabalhar, pois a fome sem o esforço do trabalho seria preferível à fome misturada ao esforço do trabalho.
O que precisa ser definitivamente compreendido é que, embora seja verdade que os trabalhadores, caso fosse necessário, estariam dispostos a trabalhar em troca da subsistência mínima, e que o egoísmo faz com que os empregadores prefiram pagar menos a mais, ambos estes fatos são irrelevantes para a determinação dos salários que os trabalhadores de fato têm de aceitar no mercado de trabalho.
Comecemos com a questão da “necessidade do trabalhador”. Para entender por que a disposição de um trabalhador trabalhar em troca apenas de sua subsistência é totalmente irrelevante para o salário pelo qual ele de fato trabalha, considere o exemplo análogo do proprietário de um carro que decide aceitar uma proposta de emprego para o qual ele teria de morar no centro de uma metrópole. Se ele não pode bancar os, digamos, $1.500 por mês para pagar o custo de manter seu carro em um estacionamento, e se ele não pode dedicar vários minutos do seu dia, o equivalente a alguma horas de trabalho na semana, dirigindo à procura de uma vaga na rua, ele estaria disposto, caso não encontrasse nenhuma oferta melhor, a dar seu carro para outra pessoa de graça — com efeito, a pagar para que alguém o adquirisse. No entanto, o fato de ele estar disposto a fazer isso é totalmente irrelevante para o preço que ele de fato irá aceitar pelo seu carro. Este preço será determinado de acordo com a utilidade e a escassez dos carros usados — pela oferta e demanda de tais carros. Com efeito, enquanto o número de carros usados à venda permanecer constante, e a demanda por carros usados também, não fará nenhuma diferença caso todos os vendedores de carros usados estivessem dispostos a dar de graça seus carros, ou dispostos até mesmo a pagar para que levassem seu carro. Nenhum deles teria realmente de aceitar um preço zero ou um preço negativo ou qualquer preço que fosse significativamente diferente do preço que ele de fato poderia receber atualmente.
Este ponto é ilustrado em termos do simples diagrama de oferta e demanda apresentado na figura abaixo.
O eixo vertical P denota o preço dos carros usados O eixo horizontal Q denota a quantidade de carros usados que os vendedores estão dispostos a vender e que os compradores dispostos a comprar a um dado preço qualquer. A disposição dos vendedores em vender uma determinada quantidade de carros usados a qualquer preço de zero para cima (ou, com efeito, desde menos de zero, que representaria o custo de pagar para que alguém levasse seus carros) é representado por uma linha vertical S que cruza esta quantidade. A linha vertical SS denota o fato de que os vendedores estão dispostos a vender a quantidade específica A de carros usados a qualquer preço começando desde menos de zero até o tanto que conseguirem obter pelos seus carros. O fato de eles estarem dispostos a vender por zero ou por um preço negativo absolutamente nada tem a ver com o preço que eles de fato obtêm, o qual, neste caso, é o extremamente positivo P1. O real preço que eles recebem é determinado pela limitação da oferta de carros usados em conjunto com a demanda por carros usados.
Na figura 14–1 está determinado o ponto E, o qual representa a interseção da linha vertical de oferta com a curva de demanda. O preço que corresponde à junção entre oferta e demanda é P1. O fato de todos os vendedores estarem dispostos, se necessário, a aceitar um preço menor do que P1 é, como dito, simplesmente irrelevante para o preço que eles de fato irão aceitar. O preço que os vendedores recebem em uma situação deste tipo não é determinado pelos termos em que eles estão dispostos a vender.
Antes, ele é determinado pela concorrência entre os compradores pela limitada oferta colocada à venda. (Este, é claro, é o tipo de exemplo que Böhm-Bawerk tinha em mente quando declarou que o “o preço é na realidade limitado e determinado exclusivamente pelas valorações feitas pelos compradores.”[i])
Essencialmente o mesmo diagrama, agora na figura 14–2, descreve a mesma situação para a mão-de-obra. Em vez de mostrar o preço, o eixo vertical agora denota o salário W. Em vez da linha de oferta de mão-de-obra ser vertical até o ponto em que os vendedores de mão-de-obra estão dispostos a pagar para se livrar de seus bens, supõe-se que absolutamente nenhuma oferta de mão-de-obra é oferecida abaixo do ponto de “subsistência mínima” M. Isto é descrito por uma linha horizontal traçada desde M e paralela ao eixo horizontal. Desta forma, a curva de oferta neste caso possui uma porção horizontal em um valor de “subsistência mínima” antes de se tornar vertical. Estas são as únicas diferenças entre as figuras 14–1 e 14–2.
A figura 14–2 deixa claro que o fato de os trabalhadores estarem dispostos a trabalhar em troca de um salário tão ínfimo como o da subsistência mínima é tão irrelevante para os salários que eles de fato acabam recebendo quanto o fato, no exemplo anterior, de os vendedores de carros usados estarem dispostos a dá-los de graça ou até mesmo a pagar para que alguém os leve. Afinal, ainda que os trabalhadores estivessem dispostos a trabalhar em troca da subsistência mínima, o salário que eles de fato obtêm sob as condições de mercado vigentes é incomparavelmente maior que W1, o que é demonstrado pela interseção — novamente no ponto E — da demanda por mão-de-obra com a limitada oferta de mão-de-obra denotada pelo ponto A no eixo horizontal. Exatamente como o valor dos carros usados, ou o valor de qualquer bem cuja oferta seja uma quantidade limitada, o valor da mão-de-obra é determinado de acordo com sua utilidade e escassez, pela demanda e pela oferta — mais especificamente, pela concorrência entre os compradores desta oferta limitada –, e não por qualquer tipo de custo de produção, muito menos por algum “custo de produção da mão-de-obra.”
Tal raciocínio também ajuda a entender por que a “ganância do empregador” é, assim como a “necessidade do trabalhador” totalmente irrelevante para a determinação dos salários. Isto se torna claro tão logo pensemos no real egoísmo dos compradores. Imaginemos, por exemplo, um leilão de obras de arte. Imagine que haja duas pessoas presentes neste leilão, ambas querendo a mesma pintura. Uma destas pessoas, o senhor Smith, está disposto a oferecer uma quantia de até $2.000 pela pintura. O outro, o senhor Jones, está disposto a oferecer não mais do que $1.000.
É claro que o senhor Smith não quer gastar $2.000 na pintura. Esta cifra representa apenas o teto da quantia total que ele está disposto a oferecer. Ele preferiria muito mais obter a pintura por somente $200 ou, melhor ainda, por apenas $20 ou, muito melhor, de graça. O que deve ser levado em conta aqui é exatamente qual a oferta mínima que o egoísmo racional do senhor Smith permitirá que ele ofereça. Seria, por exemplo, do interesse do senhor Smith insistir em um lance de apenas $20, ou de apenas $200?
Evidentemente, a resposta para esta é pergunta é decididamente não. Isto porque se o senhor Smith insistir em um lance tão baixo, a inevitável consequência é que ele irá perder o leilão para o senhor Jones, que está disposto a oferecer mais do que $20 e mais do que $200. Com efeito, nas condições
deste exemplo, o senhor Smith inevitavelmente perderá a pintura para o maior lance oferecido pelo senhor Jones caso ele insista em oferecer qualquer lance menor do que $1.000! Se o senhor Smith
quiser obter a pintura, as condições exigem que ele oferte um lance maior do que $1.000, pois esta é a quantia que supera o lance potencial máximo do senhor Jones.
Este exemplo denota o princípio fundamental do real egoísmo dos compradores. Tal princípio é o de que um comprador racionalmente deseja pagar não o menor preço que ele imagina ser possível pagar, mas sim o menor preço que seja simultaneamente mais alto do que o preço máximo a ser oferecido por qualquer outro potencial comprador do bem em disputa — o qual, caso contrário, obteria o bem em seu lugar.
Princípio idêntico, obviamente, se aplica à determinação dos salários.
A única diferença entre o mercado de trabalho e o leilão de uma pintura é o número de unidades envolvidas. Em vez de uma só pintura com dois potenciais compradores, temos vários milhões de trabalhadores vendendo sua mão-de-obra e vários potenciais empregadores querendo a mão-de-obra de todos estes trabalhadores e de incontáveis milhões de outros trabalhadores. E é assim porque, da mesma forma como no exemplo do leilão de obras de arte, o fato indelével presente no mercado de trabalho é que a quantidade potencial de mão-de-obra demandada excede a oferta de mão-de-obra disponível. A quantidade potencial de mão-de-obra demandada sempre irá exceder, em muito, a quantidade de trabalho que os trabalhadores são capazes de — e muito menos estão dispostos a — realizar.
A mão-de-obra, nunca é demais recordar, é um bem escasso. É o bem mais fundamentalmente útil e escasso do sistema econômico: praticamente qualquer outro bem que seja útil é produto da mão-de-obra e possui oferta limitada unicamente em decorrência de nossa falta de capacidade ou de vontade de despender mais mão-de-obra para produzir uma maior quantidade deste bem. (Isto, obviamente, inclui matérias-primas, que sempre poderão ser produzidas em maior quantidade caso mais mão-de-obra seja direcionada para a uma mais intensiva exploração de terras e depósitos minerais que já estão sendo utilizadas em linhas de produção, ou direcionando mais mão-de-obra para a exploração de terras e depósitos minerais ainda não explorados).
Para todos os propósitos práticos, não há limites às nossas necessidades e aos nossos desejos por mais bens — ou, por esta razão, não há limites ao trabalho necessário para produzi-los. Ao termos, por exemplo, uma necessidade e um desejo de sermos capazes de gastar uma quantia cinco ou dez vezes maior do que a que gastamos atualmente, temos uma necessidade e um desejo implícitos de realizar cinco ou dez vezes mais o trabalho que atualmente realizamos, pois isto é o que seria necessário — no atual estado de tecnologia e de produtividade da mão-de-obra — para nos suprirmos com tais aumentos na oferta de bens. Ademais, quase todos nós gostaríamos de receber os serviços pessoais integrais de pelo menos várias outras pessoas. Assim, em ambos os aspectos, a mão-de-obra é um bem escasso, pois a quantidade máxima de mão-de-obra disponível para satisfazer as necessidades e desejos de um indivíduo membro comum do sistema econômico jamais poderá exceder o trabalho de apenas uma pessoa, e, com efeito, na prática, está aquém desta quantidade por causa da existência de um grande número de pessoas, mais notavelmente crianças e idosos, que são incapazes de realizar um trabalho e que devem viver como dependentes do trabalho de terceiros.
A consequência de a mão-de-obra ser um bem escasso é que os salários em um livre mercado jamais poderão cair para um nível menor do que aquele que corresponde ao ponto de pleno emprego. Se isto ocorrer, a escassez de mão-de-obra começará a ser sentida, e qualquer redução adicional nos salários seria contra os próprios interesses dos empregadores, pois desta forma surgiria uma escassez de mão-de-obra. Logo, se de alguma forma os salários de fato caíssem para abaixo do nível correspondente ao pleno emprego, seria do interesse próprio dos empregadores voltar a elevá-los.
Estes fatos podem ser demonstrados no mesmo diagrama de oferta e demanda utilizado para mostrar a irrelevância, para a determinação salarial, do fato de os trabalhadores estarem dispostos a trabalhar pela sua mera subsistência. Assim, a figura 14–3 mostra que, se os salários estivessem abaixo do seu valor de equilíbrio de mercado W1, que ocorre no ponto de pleno emprego denotado por E — se, por exemplo, eles estivessem no nível inferior W2 –, haveria uma escassez de mão-de-obra. A quantidade de
mão-de-obra demandada ao salário W2 é B. Mas a quantidade de mão-de-obra disponível — cujo emprego constitui o pleno emprego — é a menor quantidade A. Portanto, ao menor salário W2, a quantidade de mão-de-obra demandada, B, excede a oferta disponível, A, na quantidade ilustrada pela distância horizontal AB.
A escassez existe porque o salário mais baixo W2 permite aos empregadores bancar uma mão-de-obra que eles não conseguiriam bancar caso o salário fosse W1; ou permite àqueles empregadores que conseguiriam bancar alguma mão-de-obra ao nível salarial W1 bancar agora uma quantidade maior de mão-de-obra. Em qualquer que seja o grau que tais empregadores empregarão uma fatia da mão-de-obra que não conseguiriam empregar sob outras condições, esta mesma quantidade de mão-de-obra não mais estará disponível para outros empregadores, que estão dispostos a pagar o maior salário W1.
Pelo bem da simplicidade, podemos supor que, ao nível salarial artificial W2, toda a quantidade de mão-de-obra AB é empregada por empregadores que, em outros contextos salariais, não seriam capazes de empregar esta mão-de-obra. O efeito disso será deixar uma quantidade equivalentemente reduzida de mão-de-obra disponível para aqueles empregadores que poderiam arcar com o salário de mercado W1. A mão-de-obra disponível para estes empregadores será reduzida na quantidade AC, que é precisamente igual a AB. Tal é o inevitável resultado da existência de uma quantidade específica de mão-de-obra e de parte dela ser retirada do mercado por alguns empregadores em detrimento de outros empregadores. O que um grupo ganha, o outro tem necessariamente de perder. Assim, dado que os salários agora são W2 e não W1, os empregadores que seriam capazes de bancar os salários de mercado W1 e com isso seriam capazes de obter a quantidade total de mão-de-obra A irão agora empregar somente a menor fatia de mão-de-obra C, dado que um grande volume de mão-de-obra foi retirado do mercado por empregadores que dependem do salário artificialmente baixo W2.
Os empregadores que seriam capazes de bancar o salário de mercado W1 estão em situação idêntica à do ofertante do leilão de obras de arte que está prestes a ver a pintura que ele quer comprar ser leiloada para outro ofertante que não é capaz ou não está disposto a pagar o mesmo tanto que ele estava. A maneira de visualizar esta situação é imaginar que há dois grupos fazendo seus lances pela quantidade de mão-de-obra AB: um grupo está disposto a pagar o salário de mercado W1 ou até mesmo um valor maior — um valor tão alto quanto W3 — e o outro grupo está disposto a pagar somente um salário abaixo de W1 –, um salário que deve ser tão baixo quanto W2. Na figura 14–3, a posição destes dois grupos é indicada pelas duas zonas sobre a curva de demanda: uma zona superior HE e uma zona inferior EL. O salário W1 é um pré-requisito para que os empregadores da zona superior consigam superar os lances feitos pelos empregadores da zona inferior.
A questão é: seria do interesse próprio, seria do egoísmo racional daqueles empregadores dispostos a pagar um salário W1, ou um valor maior, perder a mão-de-obra que desejam para outros empregadores que não estão dispostos a pagar um salário tão alto quanto W1? A resposta óbvia é não. E a consequência é que se, de alguma forma, o salário caísse para abaixo de W1, o interesse próprio dos empregadores que estão dispostos a pagar W1 ou mais, e que corressem o risco de perder alguns de seus empregados caso eles não pagassem esta quantia, fará com que eles elevem o salário novamente para W1. O egoísmo dos empregadores, assim como o egoísmo racional de quaisquer outros compradores, não os leva a pagar o salário (preço) mais baixo que imaginam poder, mas sim o menor salário que seja simultaneamente mais alto do que o salário máximo a ser oferecido por quaisquer outros potenciais empregadores da mesma mão-de-obra e que não estão dispostos a pagar o mesmo tanto — e que, caso contrário, obteriam esta mão-de-obra em seu lugar.
O princípio de que é contra o interesse próprio dos empregadores permitir que os salários caiam até o ponto em que criem escassez de mão-de-obra é ilustrado pelas condições que prevalecem no mercado quando o governo impõe esta escassez em decorrência de uma política de controle de preços e salários. Em tais condições, os empregadores na realidade chegam a conspirar com os empregados para que ambos se esquivem dos controles e aumentem os salários. Eles o fazem por meio de medidas como a concessão de promoções artificiais, o que os permite elevar os salários ainda dentro das normas do controle de salários.
O pagamento de salários mais altos em meio a uma escassez de mão-de-obra serve ao egoísmo racional dos empregadores porque representa o meio necessário para se conseguir e manter a mão-de-obra que eles querem empregar. Ao fornecer lances mais altos que a concorrência, formada por outros potenciais empregadores, é possível atrair trabalhadores e, ao mesmo tempo, remover qualquer incentivo para que sua atual mão-de-obra queira mudar de emprego. Isto porque tal aumento elimina a demanda artificial por mão-de-obra da parte de empregadores que dependem de um salário abaixo do salário de mercado
para conseguir pagar por mais mão-de-obra. Tal princípio é, como dito, idêntico ao princípio do ofertante que quer obter a pintura em um leilão aumentando o valor de seus lances para impedir que a pintura seja adquirida por outro ofertante não disposto a pagar o mesmo tanto que ele. Fazer um lance mais alto é do seu interesse próprio, pois derruba a concorrência. Sob condições de escassez de mão-de-obra, algo que necessariamente ocorre quando os salários ficam abaixo do nível correspondente ao pleno emprego, o pagamento de maiores salários fornece exatamente o mesmo benefício para os empregadores.
Tendo por base toda a discussão acima, já deve estar claro que os salários nominais médios não são determinados nem pelas necessidades dos trabalhadores e nem pela ganância dos empregadores, mas sim, basicamente pela quantidade de dinheiro no sistema econômico e, por conseguinte, por um lado, pela demanda agregada que tal dinheiro gera por mão-de-obra e, por outro, pelo número de trabalhadores dispostos a trabalhar — ou seja, pela razão entre demanda por mão-de-obra e oferta de mão-de-obra. Também já deve estar claro que, em um mercado de trabalho livre e desimpedido, os salários nominais não podem cair para abaixo do nível correspondente ao pleno emprego.
Por fim, vale lembrar que uma redução nos salários até o ponto de pleno emprego não implica uma queda no padrão de vida do trabalhador médio. Isto é, uma redução nos salários não implica nenhuma redução nos bens e serviços que ele pode realmente comprar com seu salário — o que seria uma redução em seu chamado salário real –, pois a eliminação do desemprego criada pela queda nos salários traria não apenas um maior volume de produção, como também uma redução nos custos de produção. E ambos estes fenômenos significam preços mais baixos para os bens de consumo. Com efeito, é muito provável que os salários reais na realidade aumentassem com a eliminação do desemprego, mesmo já no curto prazo, pois não apenas os preços cairiam o mesmo tanto, ou até mais, que os salários, como também o fardo de se fornecer auxílios aos desempregados seria eliminado, tendo como resultado o fato de que os salários líquidos cairiam menos do que os salários brutos e menos do que os preços.
Quando estes fatos são considerados, torna-se claro que, sempre que as condições de mercado requererem uma redução nos salários, tal redução levará a um aumento do padrão de vida do trabalhador médio, afastando-o do nível de subsistência, e não a uma redução em direção à subsistência.
Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute.
[i] Ver Eugen von Böhm-Bawerk, Capital and Interest, 3 vols., traduzido para o inglês por George D. Huncke e Hans F. Sennholz (South Holland, Ill.: Libertarian Press, 1959), 2:245.
Esse artigo ainda ajuda a concluir que, se a burocracia e os impostos para os empregadores forem reduzidos ou extintos, mais empregadores entrarão na disputa pelos empregados o que irá inevitavelmente aumentar os salários… Alguém poderia me dizer se já fizeram alguma pesquisa pra saber se ser comunista/socialista/keynesiano advém de algum distúrbio mental que os impede de enxergar o óbvio?
Excelente o tema do artigo. Apesar do autor falar sobre salário, o mesmo raciocínio se aplica a qualquer outro preço.
Estou conversando sobre esse assunto com alguns amigos. Estava explicando porque o preço do iphone no brasil é tão caro e um deles respondeu que isso é devido a “ganância dos empresários”.
É engraçado como essa “teoria da ganância” é bastante popular. Uma busca no google pelos termos “ganância preço empresário” resultará em incontáveis protestos de pessoas que acreditam que os empresários brasileiros possuem uma ganância fora do normal, que por sua vez explicaria os preços mais altos e até a inflação!
O título está muito bom, pois provoca a leitura do público que precisa ser atingido. Mas o texto está longo demais, e meio técnico. Um leigo (maioria marxista simpatizante) abandonaria a leitura no quarto parágrafo, pois o exemplo do carro exige mais de 2 linhas de raciocínio. Imagine nossa disposição para ler um artigo sobre a “fetichização da mercadoria enquanto fator de dominação da classe trabalhadora”. Temos de ser mais breves e simples se quisermos atingir pessoas além daquelas que já concordam com a teoria.
O artigo é realmente muito bom, mas faltou uma abordagem que sempre acho interessante: o freqüente estímulo, principalmente aos mais pobres, de que tenham filhos. Uma geração maior de pessoas gera uma oferta maior de mão-de-obra no longo prazo (principalmente desqualificada), tudo o mais constante.\r
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Já que a oferta de conhecimento também depende do mercado (tanto de novas pessoas dispostas a ensinar quanto de meios de disseminação do conhecimento – escolas, novos livros, internet, etc) qualquer política de incentivo a reprodução não planejada (como realizada por diversas entidades religiosas)tem impacto direto na oferta de mão-de-obra (notadamente vindo de pessoas com menor poder aquisitivo e menor conhecimento).\r
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Feita essa observação, somente posso chegar a conclusão que uma melhora na condição de vida das pessoas que ofereçam trabalho como meio de trocas voluntárias somente ocorrerá no longo prazo de houver também desincentivo a reprodução indiscriminada: nada de escolas públicas, nada de hospitais públicos, nada de auxílio por número de filhos (aumentando o custo de cada criança para uma família).\r
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A diferença de ganhos dessas pessoas deveria ser feita pela caridade de cada sociedade (um município, micro-região ou até mesmo dentro de um estado federativo – Pensando na organização política do Brasil) e não por impostos que criam verdadeiros currais eleitorais ao pior estilo peronista de populismo.
A última edição da Veja tenta explicar porque o Iphone (entre outras coisas) são tão caras no brasil. Como já havia mencionado acima, a teoria que explica isso seriam duas:
-a ganância do empresário brasileiro
-a estupidez do consumidor brasileiro
É tragicômico ver o nível de conhecimento econômico que predomina na população dita mais esclarecida.
Vejam essa matéria que tenta explicar o preço do iphone usando as duas premissas que citei: http://www.gizmodo.com.br/conteudo/por-que-ninguem-consegue-responder-esta-pergunta/
E leiam o comentário que selecionei (comentário que recebeu a maior quantidade de aprovados pelos leitores do site):
“A resposta é clara: cobram o quanto querem pois sabem que vao comprar. Igualzinho ao setor automotivo…”
Ou seja, a maioria das pessoas adota a premissa 2 na determinação dos preços: a estupidez do consumidor brasileiro.
Há algum artigo no Mises que trata especificamente sobre essa falácia? Obrigado e abraços
Muito bom o artigo. Como o Gustavo disse acima, o raciocínio se aplica a qualquer preço. Só acho que uma referência a Menger faria jus a genialidade de quem estabeleceu com bastante clareza estabeleceu o princípio subjascente à argumentação. Não entendo por que Menger é tão pouco citado mesmo entre os austríacos.
Essa ideia de que os empregadores podem pagar o quanto quiserem para os trabalhadores porque eles precisam de salário pra sobreviver é uma das maiores bobagens disseminadas hoje em dia.
Eu preciso comer. Se não o fizer, eu morro. Então isso quer dizer que o McDonald’s pode cobrar o quanto quiser de mim pelo Big Mac? Se esse socialista for consistente, terá que dizer que sim. Mas aí ele precisa explicar porque no mundo real eu consigo comprar um Big Mac por cerca de 10 reais, e não ao custo de toda minha renda do período.
E inversamente, com o salário mínimo, você tem o desemprego, excassez de empregos.
“Excassez” doeu os olhos…
O problema brasileiro esta na relação do preço de mercado dos bens e serviços em relação ao salário médio do trabalhador brasileiro, os valores cobrados pelo setor de Saúde, Habitação, Ensino, Laser, e outros não condizem com a realidade salarial.
Por que utilizam a engenharia financeira em favor dos empresários, esquecem do salário e da renda. Utilizam o sistema (Keynes) de especulação, onde a taxa de juros é cuidadosamente elaborada para desvalorização da renda ou salário e valorização do lucro, o detentor do capital sempre obtém toda vantagem em relação ao trabalho.
Acredito que numa democracia a engenharia financeira deva ser utilizada em favor do povo e suas necessidades. É necessário repensar os fatores de produção, economia, política e tudo.
Veja como exemplo o preço de um terreno, casa ou apartamento em relação do salário de um trabalhador médio brasileiro, um absurdo.
A cidade de São tem 6 milhões de favelados e pessoas que vivem em cortiços, mais da metade da população é Migrantes. A Maior Favela e Cortiço do Brasil..
Invadiram as áreas de mananciais, barrancos, precipícios e usaram políticos de esquerda para regulamentar suas Terras junto à Prefeitura Corrupta.
O preço do imóvel no Brasil é algo místico, irreal, não condiz com a realidade nacional.
O metro quadrado construído passa do R$ 1200 e alcança em determinadas cidades R$ 7 até R$ 10 mil.
Algo de pai para filho, algo entre família, nada democrático, nada para o povo, uma forma de manter o Status.
Um trabalhador brasileiro demorará vinte e cinco anos para pagar o seu imóvel, uma vida só não basta.
Imagine um mortal comum economizando R$ 10 000 por ano, para conseguir comprar um "dois quartos" em São Paulo ficará vinte e cinco anos ou uma vida.
Quando o correto seria economizar por seis anos a quantia anterior, existe uma diferença de 25/6 = 4 vezes o tempo e o valor necessário (especulação)
O banco ganha no financiamento superfaturado 550% ao Mês.
Não adianta ser a sexta economia mundial, se não temos o mesmo poder aquisitivo dos países ricos, de nada vale.
Um outro exemplo: um mesmo carro é fabricado no Brasil e nos Estados Unidos, o valor do carro brasileiro é duas ou três vezes mais caro que o americano, porém, o trabalhador americano ganha duas ou três vezes mais que o brasileiro.
Alguma coisa está errada, que vai ajustar?
Quando eu for professor, usarei esse texto de referência.
Quero ser professor de introdução a economia, e toda aula deixar um texto com a galera denominado:
* acabando com falácias econômicas – essa é de viés marxista, obviamente.
Mas em situações de alto desemprego como fica a situação do trabalhador num mercado de trabalho livre?
Caro amigos,
Com relação ao início dos comentários e complexidade dos artigos, tudo depende do objetivo do Mises. Cada público requer uma comunicação específica. Imagino que a missão do Mises seja difundir as ideias da EA e criar uma base sólida de consulta. Já conquistar mentes e corações da massa, imagino que seja missão do Liber. Um padre nunca iria conquistar seguidores com um discurso técnico, ele tem que falar na linguagem que seus ouvintes entendam. Temos diversas formas de atingir as pessoas de menor escolaridade, com imagens, vídeos e histórias principalmente.
Agora, se quisermos realmente fazer frente aos governos, a iniciativa privada precisa oferecer caridade à população, pois o Ser Humano tem medo à sua própria liberdade. Se eu não tenho competência para atingir meus objetivos e satisfazer minhas necessidades mais básicas, tenho que culpar algo, alguém ou então cometer suicídio. E foi exatamente isso que os políticas perceberam a muito tempo atrás. De esmola aos pobres e garanta apoio enquanto ela durar.
Na minha opinião, temos que atingir as pessoas de dentro das empresas para fora e a primeira coisa a fazer é ter apoio dos empresários para que abram as suas portas às nossas ideias.
“Nada é, pois, imutável, a não ser os direitos inerentes e inalienáveis do homem”
Acho absolutamente fascinante e inútil nossas queridas discussões aqui. Deveríamos ser pragmáticos! De nada adianta usar o cérebro numa queda-de-braço, o libertarianismo deveria fundar um partido político qq e se juntar a CORJA o mais rápido possível para oferecer, ao menos, uma alternativa “menos pior”.
Marx nunca disse que o “egoísmo” dos empregadores faz com que os empregadores, prefiram pagar menos a pagar mais. O que ele (Marx) disse é que o empregadores está submetido à lei que impõe:
“Ora, qual é a lei geral que determina a queda e a subida do salário e do lucro na sua relação recíproca?
Estão na razão inversa um do outro. A quota-parte do capital, o lucro, sobe na mesma proporção em que a quota-parte do trabalho, a jorna, desce, e inversamente. O lucro sobe na medida em que o salário desce, e desce na medida em que o salário sobe.
Objectar-se-á, talvez, que o capitalista pode ganhar pela troca vantajosa dos seus produtos com outros capitalistas, pela subida da procura da sua mercadoria, seja em consequência da abertura de novos mercados, seja em consequência de necessidades momentaneamente aumentadas nos velhos mercados, etc.; que o lucro do capitalista pode, portanto, aumentar por meio do prejuízo causado a terceiros capitalistas, independentemente da subida e descida do salário, do valor de troca da força de trabalho; ou que o lucro do capitalista podia também subir graças ao aperfeiçoamento dos instrumentos de trabalho, da nova aplicação de forças da natureza, etc.
Em primeiro lugar, terá de se admitir que o resultado permanece o mesmo, ainda que tenha sido provocado pela via inversa. O lucro não subiu, de facto, porque o salário desceu, mas o salário desceu porque o lucro subiu. O capitalista adquiriu, com a mesma soma de trabalho alheio, uma soma maior de valores de troca sem ter por isso pago mais o trabalho; ou seja, portanto, o trabalho é pago mais baixo em relação com a receita líquida que rendeu ao capitalista.
Além disso, lembremos que, apesar das flutuações dos preços das mercadorias, o preço médio de cada mercadoria, a relação em que se troca por outras mercadorias é determinado pelos seus custos de produção. No seio da classe dos capitalistas, as vantagens conseguidas por uns à custa de outros equilibram-se, por isso, necessariamente. O aperfeiçoamento da maquinaria, a nova aplicação de forças da natureza ao serviço da produção capacitam, num dado tempo de trabalho, a criar com a mesma soma de trabalho e capital uma massa maior de produtos, mas de modo nenhum uma massa maior de valores de troca. Se, pela aplicação da máquina de fiar, posso fornecer numa hora o dobro do fio que fornecia antes da sua invenção, por exemplo, cinquenta quilos em vez de vinte e cinco, eu não recebo a longo prazo, por estes cinquenta quilos mais mercadorias em troca do que antes por vinte e cinco, porque os custos de produção desceram para metade ou porque eu, com os mesmos custos, posso fornecer o dobro do produto.
Finalmente, seja qual for a proporção em que a classe dos capitalistas, a burguesia, seja dum país seja de todo o mercado mundial, reparte entre si a receita líquida da produção, a soma total desta receita líquida é sempre apenas a soma com que o trabalho acumulado, no seu todo, foi aumentado pelo trabalho directo. Esta soma global cresce, portanto, na proporção em que o trabalho aumenta o capital, ou seja, na proporção em que o lucro sobe contra o salário.
Vemos, portanto, que mesmo quando ficamos no seio da relação de capital e trabalho assalariado, os interesses do capital e os interesses do trabalho assalariado estão directamente contrapostos.
Um rápido aumento do capital é igual a um rápido aumento do lucro. O lucro só pode aumentar rapidamente se o preço do trabalho, se o salário relativo diminuir com a mesma rapidez. O salário relativo pode descer, embora o salário real suba simultaneamente com o salário nominal, com o valor em dinheiro do trabalho, desde que, porém, não suba na mesma proporção que o lucro. Se, por exemplo, o salário subir 5% num bom período de negócios, e o lucro, pelo contrário, subir 30%, então o salário comparativo, o salário relativo não aumentou, mas diminuiu.
Se aumenta, portanto, a receita do operário com o rápido crescimento do capital, a verdade é que ao mesmo tempo aumenta o abismo social que afasta o operário do capitalista, aumenta ao mesmo tempo o poder do capital sobre o trabalho, a dependência do trabalho relativamente ao capital.
O operário tem interesse no rápido crescimento do capital — significa apenas: quanto mais depressa o operário aumentar a riqueza alheia tanto mais gordos serão os bocados que caem para ele, tanto mais operários podem ser empregados e chamados à vida, tanto mais pode ser aumentada a massa dos escravos dependentes do capital.
Vimos, portanto, que:
Mesmo a situação mais favorável para a classe operária, o crescimento mais rápido possível do capital, por muito que melhore a vida material do operário, não suprime a oposição entre os seus interesses e os interesses burgueses, os interesses do capitalista. Lucro e salário ficam, tal como antes, na razão inversa um do outro.
Está o capital a crescer rapidamente, então o salário pode subir; incomparavelmente mais depressa sobe o lucro do capital. A situação material do operário melhorou, mas à custa da sua situação social. O abismo social que o separa do capitalista alargou-se.
Por fim:
A condição mais favorável para o trabalho assalariado é o crescimento mais rápido possível do capital produtivo — significa apenas: quanto mais depressa a classe operária aumentar e ampliar o poder que lhe é hostil, a riqueza alheia que lhe dá ordens, em tanto mais favoráveis condições lhe é permitido trabalhar de novo para o aumento da riqueza burguesa, para a ampliação do poder do capital, contente por forjar para si própria as cadeias douradas com que a burguesia a arrasta atrás de si.
Crescimento do capital produtivo e subida do salário — estarão tão inseparavelmente ligados como afirmam os economistas burgueses? Não podemos acreditar na sua palavra. Não podemos acreditar que, segundo eles próprios dizem, quanto mais gordo o capital, melhor cevado será o seu escravo. A burguesia é lúcida de mais, calcula bem de mais, para partilhar os preconceitos do feudal que ostenta o brilho dos seus servos. As condições de existência da burguesia obrigam-na a calcular.
Teremos, por conseguinte, de investigar mais de perto:
Como age o crescimento do capital produtivo sobre o salário?
Se o capital produtivo da sociedade burguesa cresce no seu todo, então ocorre uma acumulação mais ampla de trabalho. Os capitais aumentam em número e volume. O aumento dos capitais aumenta a concorrência entre os capitalistas. O volume crescente dos capitais fornece os meios para levar para o campo de batalha industrial exércitos mais poderosos de operários com ferramentas de guerra mais gigantescas.
Um capitalista só pode pôr outro em debandada e conquistar-lhe o capital vendendo mais barato. Para poder vender mais barato sem se arruinar tem de produzir mais barato, isto é, aumentar tanto quanto possível a força de produção do trabalho. Mas a força de produção do trabalho é sobretudo aumentada por meio duma maior divisão do trabalho, por meio duma introdução generalizada e dum aperfeiçoamento constante da maquinaria. Quanto maior é o exército de operários entre os quais o trabalho se divide, quanto mais gigantesca a escala em que se introduz a maquinaria, tanto mais diminuem proporcionalmente os custos de produção, tanto mais frutuoso se torna o trabalho. Nasce daqui uma competição generalizada entre os capitalistas para aumentarem a divisão do trabalho e a maquinaria e as explorarem à maior escala possível.
Ora, se um capitalista achou, graças à maior divisão do trabalho, graças à aplicação e aperfeiçoamento de novas máquinas, graças à exploração mais vantajosa e maciça das forças da natureza, o meio para criar, com a mesma soma de trabalho ou de trabalho acumulado, uma soma maior de produtos, de mercadorias, do que os seus concorrentes; se ele puder, por exemplo, produzir uma vara de pano no mesmo tempo de trabalho em que os seus concorrentes tecem meia vara de pano — como irá operar este capitalista?
Ele poderia continuar a vender meia vara de pano ao preço até aí vigente no mercado; isto, contudo, não seria um meio para pôr em debandada os seus adversários e aumentar as suas próprias vendas. Mas na mesma medida em que a sua produção se expandiu, expandiu-se para ele a necessidade das vendas. Os meios de produção mais poderosos e caros que pôs em acção capacitam-no de facto para vender mais barata a sua mercadoria, mas ao mesmo tempo obrigam-no a vender mais mercadorias, a conquistar para as suas mercadorias um mercado muito maior; o nosso capitalista venderá, portanto, a sua meia vara de pano mais barata do que os seus concorrentes.
O capitalista, porém, não vai vender a vara inteira ao preço a que os seus concorrentes vendem a meia vara, embora a produção da vara inteira não lhe custe mais do que aos outros a de meia vara. Se o fizesse, não ganharia nada extra, pois recuperaria apenas na troca os custos de produção. A sua receita eventualmente maior proviria do facto de ter posto em movimento um capital mais elevado, mas não do facto de ter valorizado o seu capital mais do que os outros. Além disso, ele atinge o objectivo que quer atingir se fixar o preço da sua mercadoria alguns por cento abaixo do dos seus concorrentes. Põe-nos em debandada, rouba-lhes pelo menos uma parte do mercado, vendendo mais barato. E nós, por fim, recordamos que o preço corrente está sempre acima ou abaixo dos custos de produção, consoante a venda duma mercadoria coincide com a temporada favorável ou desfavorável da indústria. Consoante o preço de mercado da vara de pano está abaixo ou acima dos seus custos de produção até aí usuais, variarão as percentagens a que o capitalista que empregou meios de produção novos e mais frutuosos vende acima dos seus custos de produção reais.
Contudo o privilégio do nosso capitalista não é de longa duração; outros capitalistas concorrentes introduzem as mesmas máquinas, a mesma divisão do trabalho, introduzem-nas à mesma escala ou a uma escala superior, e esta introdução torna-se tão generalizada até que o preço do pano é feito descer não só abaixo dos seus velhos custos de produção, mas abaixo dos novos.
Os capitalistas encontram-se, portanto, na mesma situação entre si em que se encontravam antes da introdução dos novos meios de produção, e se com estes meios podem fornecer o dobro do produto ao mesmo preço, agora são obrigados a fornecer o dobro do produto abaixo do preço velho. Ao nível destes novos custos de produção começa outra vez o mesmo jogo. Mais divisão do trabalho, mais maquinaria, maior escala a que divisão do trabalho e maquinaria são exploradas. E a concorrência traz de novo contra este resultado o mesmo efeito contrário.
Vemos como o modo de produção, os meios de produção, são assim continuamente transformados, revolucionados, como a divisão do trabalho traz necessariamente consigo uma maior divisão do trabalho, a aplicação de maquinaria uma maior aplicação de maquinaria, o trabalhar em grande escala um trabalhar em maior escala.
É esta a lei que faz a produção burguesa sair constantemente dos seus velhos carris e obriga o capital a intensificar as forças de produção do trabalho porque as intensificou, a lei que nenhum descanso lhe concede e permanentemente lhe sussurra:
Em frente! Em frente!
Não é esta lei senão a lei que, dentro dos limites das flutuações das épocas do comércio, necessariamente equilibra o preço duma mercadoria com os seus custos de produção.”
http://www.marxists.org/portugues/marx/1849/04/05.htm
Tem outro trecho, este é em inglês:
“Labour must be sufficiently productive for the worker not to require all his time to keep himself alive. But from this point the distinction comes into force. Incidentally, if originally labour is but little productive, the needs are also extremely simple (as with slaves) and the masters themselves do not live much better than the servants. The relative productivity of labour necessary before a profit-monger, a parasite, can come, into being is very small. If we find a high rate of profit though labour is as yet very unproductive, and machinery, division of labour etc., are not used, then this is the case only under the following circumstances; either as in India, partly because the requirements of the worker are extremely small and he is depressed even below his modest needs, but partly also because low productivity of labour is identical with a relatively small fixed capital in proportion to the share of capital which is spent on wages or, and this comes to the same thing, with a relatively high proportion of capital laid out in wages in relation to the total capital; or finally, because labour-time is excessively long, The latter is the case in countries (such as Austria etc.) where the capitalist mode of production is already in existence but which have to compete with far more developed countries. Wages can be low here partly because the requirements of the worker are less developed, partly because agricultural products are cheaper or—this amounts to the same thing as far as the capitalist is concerned—because they have less value in terms of money. Hence the quantity of the product of, say, 10 hours' labour, which must go to the worker as necessary wages, is small. If, however, he works 17 hours instead of 12 then this can make up (for the low productivity of labour]. In any case because in a given country the value of labour is falling relatively to its productivity, it must not be imagined that wages in different countries are inversely proportional to the productivity of labour. In fact exactly the opposite is the case. The more productive one country is relative to another in the world market, the higher will be its wages as compared with the other. In England, not only nominal wages but [also] real wages are higher than on the continent. The worker eats more meat; he satisfies more needs. This, however, only applies to the industrial worker and not the agricultural labourer. But in proportion to the productivity of the English workers their wages are not higher (than the wages paid in other countries].” Karl Marx
http://www.marxists.org/espanol/m-e/1840s/manuscritos/man1.htm#1-1
O que não faz a falta de leitura, né?
“La demanda de hombres regula necesariamente la producción de hombres, como ocurre con cualquier otra mercancía. Si la oferta es mucho mayor que la demanda, una parte de los obreros se hunde en la mendicidad o muere por inanición. La existencia del obrero está reducida, pues, a la condición de existencia de cualquier otra mercancía. El obrero se ha convertido en una mercancía y para él es una suerte poder llegar hasta el comprador. La demanda de la que depende la vida del obrero, depende a su vez del humor de los ricos y capitalistas. Si la oferta supera a la demanda entonces una de las partes constitutivas del precio, beneficio, renta de la tierra o salario, es pagada por debajo del precio; una parte de estas prestaciones se sustrae, pues, a este empleo y el precio del mercado gravita hacia el precio natural como su centro. Pero, 1.) cuando existe una gran división del trabajo le es sumamente difícil al obrero dar al suyo otra dirección; 2) el perjuicio le afecta a él en primer lugar a causa de su relación de subordinación respecto del capitalista.
Con la gravitación del precio de mercado hacia el precio natural es así el obrero el que más pierde y el que necesariamente pierde. Y justamente la capacidad del capitalista para dar a su capital otra dilección es la que, o priva del pan al obrero, limitado a una rama determinada de trabajo, o le obliga a someterse a todas las exigencias de ese capitalista.
(II) Las ocasionales y súbitas fluctuaciones del precio de mercado afectan menos a la renta de la tierra que a aquellas partes del precio que se resuelven en beneficios y salarios, pero afectan también memos al beneficio que al salario. Por cada salario que sube hay, por lo general, uno que se mantiene estacionario y uno que baja.” Karl Marx
http://www.marxists.org/espanol/m-e/1840s/manuscritos/man1.htm#1-1
“Estão na razão inversa um do outro. A quota-parte do capital, o lucro, sobe na mesma proporção em que a quota-parte do trabalho, a jorna, desce, e inversamente. O lucro sobe na medida em que o salário desce, e desce na medida em que o salário sobe.”\r
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Tem gente que lê isso é acha que é algo sério. Quanta falta de visão. \r
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O lucro de um empregador vai subir se a produtividade do trabalhador subir e não o salário. \r
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“Além disso, lembremos que, apesar das flutuações dos preços das mercadorias, o preço médio de cada mercadoria, a relação em que se troca por outras mercadorias é determinado pelos seus custos de produção.”\r
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Não imbecil. O preço das mercadorias é determinado pelo valor que outras pessoas estão dispostas a pagar por ela. Logo, se ninguém está disposto a pagar determinado preço, a mercadoria não será produzida ou comercializada. Os custos de produção e manutenção apenas dizem se tu terás lucros ou prejuízos.\r
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“Se o capital produtivo da sociedade burguesa cresce no seu todo, então ocorre uma acumulação mais ampla de trabalho. Os capitais aumentam em número e volume. O aumento dos capitais aumenta a concorrência entre os capitalistas. O volume crescente dos capitais fornece os meios para levar para o campo de batalha industrial exércitos mais poderosos de operários com ferramentas de guerra mais gigantescas.”\r
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Tanto despautério que é difícil até pensar. O aumento do capital não gera o aumento da concorrência. Será que hoje, na era da informação, essa gente não nota que o conhecimento e, em consequencia disto, o trabalho desenvolvido com maior conhecimento é um bem de capital? Que a restrição da livre circulação de informação é justamente o que buscam os estados socialistas?\r
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“Além disso, lembremos que, apesar das flutuações dos preços das mercadorias, o preço médio de cada mercadoria, a relação em que se troca por outras mercadorias é determinado pelos seus custos de produção.” \r
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Que teoria interessante. Terminei de montar uma casinha de estrume hoje, ao total foram 100 dias juntando os excrementos. Alguem quer trocar num honda civic 2012?
cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22413
“Entre 1965 e 1975 se desatou uma importante controvérsia entre os seguidores dessa teoria e um grupo de professores da Universidade de Cambridge, Inglaterra. Nessa disputa a teoria marginalista recebeu uma crítica decisiva. Os críticos, com Piero Sraffa, Joan Robinson e Pierangelo Garegnani à cabeça, demostraram que não havia maneira de medir o fator chamado capital de maneira independente da distribuição. Essa crítica demostrou que a teoria da produtividade dos fatores sofria de uma circularidade fundamental. Só é possível determinar a produtividade do capital conhecendo o preço dos bens de capital (porque isso é o que permite somar máquinas heterogêneas e edifícios de todo tipo), mas os preços não são independentes da distribuição do ingresso e, no caso do capital, o preço depende da taxa de lucro. Portanto, para conhecer a produtividade do capital é necessário conhecer a taxa de lucro, mas para isso é necessário conhecer: a produtividade do capital!”
“A conclusão do debate é clara: a distribuição do ingresso não está determinada por fatores técnicos na economia. A distribuição se define, como bem afirmou Sraffa há já 50 anos, por forças que estão fora do sistema econômico e depende de coisas como a força relativa das uniões de empresários e dos sindicatos dos trabalhadores. Não há nenhuma razão técnica pela qual os salários devem ser baixos ou inclusive miseráveis. Tampouco há motivos tecno-econômicos para justificar os descomunais ingressos do um por cento da população que Mankiw quer defender, por mais que insista que suas contribuições à economia guardam proporção com esses ingressos.”
Me parece uma balela incrível o que está escrito nessa matéria, especialmente depois de conhecer a teoria austríaca. No entanto, qual seria o argumento austríaco contra o que foi dito?
“A mão-de-obra, nunca é demais recordar, é um bem escasso. É o bem mais fundamentalmente útil e escasso do sistema econômico[…]”
Presumo que a Escola Austríaca então negue a existência do “exército de reserva”, de que se fala especialmente em tempos de greve em empresas privadas – ou, se não nega, que demonstre o que, na atual conjuntura de mercado, possibilita sua existência. Fico grato se receber indicação de algum trabalho que traga essa explicação.
É sério sim. Desculpas aceitas, Ali. Obrigado.
Infelizmente, “exército de reserva” não é uma falácia hoje. É real. Eu pedi a opinião austríaca a esse respeito, e recebi (e fiquei me lamentando sobre o quão óbvio era e eu não percebi por conta própria). Obrigado, Karl.
Se me expressei mal, ou deixei transparecer alguma intenção de falácia ou deboche, me desculpem. Era uma dúvida genuína.
Abs
O marxismo tem o poder de fazer os seus devotos enxergarem o oposto do que realmente acontece ou explicar a realidade pelas causas opostas das que de fato causam determinadas situações. Em vez de minimizar os salários, o livre mercado os maximiza através da concorrência entre os empregadores – quando o Estado não intervém.
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Caros, boa tarde! Sou novo por aqui e encontrei este artigo hoje, embora as discussões sobre ele tenham sido realizadas a algum tempo atrás. Como não tenho muita experiência com economia, tentei entender os conceitos apresentados e me fizeram bastante sentido.
Minha dúvida é a respeito de um exemplo prático, uma menina na minha timeline reclamando sobre o salário oferecido por uma empresa de design, de cerca de R$1500 para pessoa com experiência, e algumas outras pessoas comentando que muitas empresas têm feito o mesmo, e a conclusão da discussão sendo que as empresas exploram as pessoas porque tem gente que aceita ganhar isso.
Como eu poderia argumentar com ela a respeito deste ponto?
Obrigado,
Primeiramente, muito obrigado pelas respostas! Imaginei que pelo fato do artigo ser antigo talvez ficasse sem resposta, mas é muito bacana ver que a galera por aqui é solicita para ajudar as pessoas com menos conhecimento!
Tenho algumas dúvidas adicionais a respeito do mecanismo que faz o salário não diminuir para além do salário de equilíbrio no pleno emprego, então apenas para validar o meu entendimento:
– Dado uma demanda D de produtos e serviços no País existe uma demanda Q por mão-de-obra por parte das empresas que, de acordo com uma oferta S de trabalhadores determina um valor de salário W.
– Se o valor do salário diminui, o efeito é as empresas contratarem mais mão-de-obra para produzir mais produtos e serviços, que seriam consumidos por uma demanda D’ (entendo que por trás disso existe o pressuposto de que as pessoas querem consumir o máximo de produtos e serviços possível e essa demanda é reprimida pela capacidade de produção, é isso?)
– Se todas as pessoas passarem a ser empregadas (pleno emprego), uma redução adicional no salário significaria por parte das empresas uma demanda Q’ de mão-de-obra que não existe no mercado, ou seja, haveria escassez de mão-de-obra, ou seja, dado que as empresas iriam competir pelo empregado adicional o salário do mesmo subiria de volta para no mínimo o salário do pleno emprego
É isso?
Duas dúvidas:
– O desemprego é devido ao fato de o custo de mão-de-obra disponível no mercado ser maior do que a produtividade destes trabalhadores e por isso não compensaria para as empresas empregar mais?
– No caso de ser possível uma imigração de mão-de-obra, eu poderia contornar esse salário de equilíbrio do pleno emprego e pagar “mais barato” para ter a mão-de-obra adicional?
Obrigado!
Este artigo é importantíssimo e sem dúvidas, uma das melhores entregas do IMB ao Brasil e um de meus prediletos.
Alguém assistiu o podcast com o debate Capitalismo X Socialismo, entre Renata Barreto e Elias Jabour?
Vi alguns cortes feitos por alguns esquerdistas em que a Renata comete alguns erros. Ela cita a Lei de Ferro dos Salários atribuindo isso a Marx, qdo na verdade é uma ideia de David Ricardo. Inclusive, vi alguns marxistas citando que Mises, em sua obra, também comete o erro de atribuir a ideia de Lei de Ferro dos salários a Marx.
Renata também traz a ideia que Marx era contra o avanço tecnológico (pois destruiria empregos) e Elias rebate afirmando que era o contrário (Marx via a mecanização como algo positivo que possibilitaria redução da jornada de trabalho).
Elias repete as besteiras de sempre – capitalismo é uma invenção do estado, o estado é que produz invenções tecnológicas, protecionismo comercial, estado estimulando industria infante, etc – como se isso fosse a fórmula para progresso.
Mas alguns erros da Renata servem de trunfo para os esquerdistas dizerem que os liberais criticam Marx sem conhecê-lo.