Eis a notícia divulgada ontem para todo o mundo:
Os principais bancos centrais do mundo lançaram nesta quarta-feira uma ação coordenada para aliviar as crescentes tensões no sistema financeiro global, uma medida que estimulou acentuadamente as bolsas de valores.
O Banco Central Europeu, o Federal Reserve americano, o Banco da Inglaterra, e os bancos centrais do Canadá, do Japão e da Suíça fazem parte da operação, a qual foi criada para “intensificar suas capacidades de fornecer liquidez e suporte ao sistema financeiro global.”
O BCE emitiu um comunicado dizendo que a intenção dos bancos centrais é baratear o acesso dos bancos ao dólar, aumentando a liquidez da moeda americana sempre que necessário. A operação começará na próxima segunda-feira.
Os BCs também estão tomando medidas para garantir aos bancos que eles tenham acesso imediato ao dinheiro em qualquer moeda, de acordo com as condições de mercado.
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Temores de mais turbulência financeira na Europa já fizeram com que alguns bancos europeus se tornassem dependentes de empréstimos do BCE para suas operações diárias. Outros bancos estão receosos de emprestar a esses bancos problemáticos por medo de não terem seu empréstimo quitado.
Tais limitações aos empréstimos interbancários podem afetar a economia como um todo, pois fazem com que haja menos dinheiro disponível para ser emprestado a empresas e famílias.
Essa última frase é adorável. Os bancos centrais estão fazendo todo esse esforço coordenado pensando unicamente no bem das famílias. Nada a ver com os grandes bancos que estão sentados sobre pilhas de títulos da dívida soberana.
Vamos explicar melhor o que está acontecendo. O Federal Reserve fez o seguinte acordo com todos aqueles cinco bancos centrais mundiais acima citados: as operações de troca de cada moeda nacional por dólares serão “facilitadas”. Em outras palavras, agora ficará mais barato para os bancos de todo o mundo pegarem dólares emprestados em troca de suas moedas nacionais. E como será possível baratear essa operação? É justamente esse o ponto que não foi comentado: o Fed simplesmente irá aumentar a quantidade de dólares em circulação no mundo. Não foi coincidência nenhuma o fato de que, tão logo foi anunciado este programa, o dólar imediatamente se desvalorizou não apenas perante todas as outras moedas, como também perante metais preciosos, como ouro e prata.
Como explicou Peter Schiff:
Muitos analistas creem que tudo isso não passa de uma forma disfarçada de pacote de socorro à zona do euro. Não é. Trata-se, isso sim, de um pacote de socorro aos bancos de ambos os lados do Atlântico. Na noite de terça-feira, a Standard & Poor’s rebaixou a avaliação de vinte grandes bancos americanos, dentre eles o Bank of America e o Morgan Stanley. Antes do anúncio desse programa, as ações do Bank of America estavam em menos de US$ 5, o menor valor em 52 semanas. Após o anúncio, as ações dispararam. Creio que tudo isso não passa de mais uma forma de pacote de socorro aos bancos, à la QE2. Não se trata de estimular crescimento econômico, mas sim de socorrer instituições financeiras insolventes por meio de mais inflação monetária. Quem entende essa dinâmica já deveria estar comprando ouro e outros metais preciosos.
Qualquer uso dessa linha de crédito criada pelo Fed significa uma expansão da base monetária: todos os dólares, não importa onde sejam depositados — Cazaquistão, Japão ou México –, irão inevitavelmente acabar retornando a um banco americano. Isso significa que, sempre que um banco central estrangeiro incorrer nessa operação de crédito com o Federal Reserve, este irá criar dinheiro novo com o intuito de fazer a troca de moedas. A mesma operação foi feita no final de 2008 e ela foi a principal causa da explosão da base monetária americana ocorrida à época.
Dado que a chanceler Angela Merkel se recusou com muita firmeza a permitir que o BCE monetizasse a dívida dos PIIGS, Ben Bernanke foi então chamado para fazer o serviço. Uma notícia que passou despercebida foi o recente encontro ocorrido na Casa Branca, nesta segunda-feira passada, entre o Secretário de Tesouro americano Timothy Geithner, o presidente do Conselho Europeu Herman Van Rompuy, o presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso e a Comissária do Comércio Europeu Catherine Ashton. Esse encontro ocorreu na segunda-feira e o programa foi anunciado na quarta-feira. Você acha que eles se reuniram apenas porque gostam de um bom papo enquanto tomam chá?
O que tudo isso significa
Esse último esquema inflacionário criado pelo Fed soa como uma inovação tecnocrática. A ideia é que o Fed fará pelo mundo aquilo que a Europa, a Inglaterra e a China estão relutantes em fazer: rodar a impressora de dinheiro 24 horas por dia para socorrer instituições financeiras e economias insolventes. Como efeito, o Fed simplesmente se comprometeu a ser o emprestador de última instância para toda a economia global.
Parece algo novo, mas não é. Imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, John Maynard Keynes advogou com muito afinco a criação de um papel-moeda global, que seria administrado por um banco central mundial. Essa era a sua solução proposta para a rixa entre as moedas nacionais: tirar o poder inflacionário dos estados nacionais e entregá-lo a uma autoridade mundial. E assim o mundo jamais teria de lidar novamente com problemas de “falta de coordenação”.
A ideia não vingou, mas as instituições que supostamente deveriam administrar tal sistema foram de fato criadas: o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Mas elas não funcionaram como originalmente havia sido planejado. Em vez de uma autoridade monetária mundial, os estados nacionais mantiveram sua autoridade monetária; e essas duas novas instituições se tornaram gloriosas fornecedoras de assistencialismo para os ricos dos países pobres, meros canais de transferência de dinheiro — e de opressão — para países em desenvolvimento.
O sonho de Keynes manteve-se vivo, no entanto. A criação do euro e do Banco Central Europeu foi um passo nessa direção. O mesmo pode ser dito da abolição dos últimos resquícios do padrão-ouro feita por Richard Nixon em 1971. A cada nova crise monetária criava-se uma desculpa para avançar ainda mais em direção àquilo que Murray Rothbard rotulou de sonho keynesiano.
E por que o sonho keynesiano ainda não foi implantado totalmente? Por várias razões. Estados-nações não abrem mão de seus poderes facilmente. O Banco Mundial e o FMI são institucionalmente inadequados para a tarefa. Várias pessoas no setor bancário também se sentem desconfortáveis com essa ideia, pois têm pleno conhecimento da devastação que a expansão incontida do crédito pode causar à economia. E banqueiros não têm nenhum interesse em um mundo devastado. Não é negócio para eles. Ademais, até o momento ainda não houve uma crise grande o bastante para justificar medidas tão extremas.
No entanto, tal crise pode finalmente estar chegando. Desde 2008, o Fed demonstrou que, dentre todos os bancos centrais do mundo, ele é o único corajoso o suficiente para adotar gigantescas medidas inflacionárias sem titubear. O Banco Central Europeu opera sob algumas restrições estatutárias que limitam um pouco sua atuação como planejador central monetário. A China ainda não se converteu por completo à fé inflacionária. E o mesmo pode ser dito para a Inglaterra.
Ben Bernanke, no entanto, é um ser diferenciado: ele tem se revelado um keynesiano ultrapassado, do tipo que tem uma fé inabalável e ilimitada no poder do dinheiro de papel em solucionar todos os problemas do mundo.
O que isso significa é que o Fed assumiu, sozinho, a função de socorrer todo o resto do mundo. Há uma lógica perversa nisso tudo. Afinal, se você vai agir como um imperador do mundo, operando sob a presunção de que nada no planeta está fora do seu alcance político, então você terá de arcar com algumas responsabilidades. Ajuda internacional e tropas estacionadas em quase todos os países do mundo são só o começo. Você eventualmente terá também de assumir responsabilidades financeiras. Uma economia globalizada e viciada em dívidas necessita de uma instituição disposta a intervir e garantir essas dívidas, fornecendo a liquidez necessária para ajudar a economia mundial durante os tempos difíceis.
Tão logo o anúncio das novas medidas do Fed veio a público, a elite intelectual da internet prontamente fez a óbvia observação de que tais medidas geram um enorme risco de desencadeamento de uma crise inflacionária global. Ela pode levar ao desmantelamento final das moedas de papel.
O Fed, no entanto, garantiu que não é bem assim. Suas novas medidas “não geram risco cambial“. Porém, como explicou o economista Robert Murphy, “estritamente falando, isso não é verdade. Há sim um grande risco cambial. Se o Fed der $50 bilhões de dólares ao BCE, este (ao câmbio do dia) vai dar ao Fed o equivalente em euros a $50 bilhões de dólares. Ato contínuo, o BCE vai emprestar os dólares que recebeu do Fed para os bancos. No entanto, se antes de os bancos pagarem de volta os empréstimos, o euro se desvalorizar perante o dólar… então o BCE não terá meios de adquirir dólares suficientes para pagar o empréstimo ao Fed. Mesmo com o BCE tendo uma impressora de dinheiro, ela está configurada para imprimir euros, e não dólares”.
Murphy vai adiante e explicita aquilo que todo mundo sabe, mas ninguém está disposto a dizer: “A atual rodada de intervenções não irá solucionar os problemas. Com o tempo — provavelmente mais cedo do que mais tarde –, os bancos centrais ao redor do mundo irão inventar novos mecanismos de intervenções extraordinárias, e sempre com a desculpa de que, caso isso não seja feito, o mundo se desintegrará. O problema é que imprimir dinheiro não resolve os problemas fundamentais. Não importa o que eles façam, no final todo o mundo financeiro entrará em colapso.”
A velocidade com que tudo isso está acontecendo é estonteante. Não faz nem 48 horas que ouvimos as primeiras manifestações públicas de preocupação quanto a uma possível escassez de crédito na Europa. As grandes corporações alegaram estar vendo suas linhas de crédito secarem. Os bancos estavam começando a se tornar mais meticulosos e cautelosos em suas operações, o que não foi nenhuma surpresa, pois, considerando-se que as taxas de juros estão em quase zero, tornou-se praticamente impossível obter algum lucro com as operações convencionais de concessão de crédito.
Ao passo que, em 2008, o Fed permitiu que as preocupações quanto à escassez de crédito crescessem ao ponto de virarem mania internacional, desta vez ele interveio rapidamente na esperança de se antecipar aos inevitáveis alertas sobre o iminente fim da civilização. Somente trilhões em dinheiro de papel podem salvar o mundo agora! O Fed viu o que estava por vir e decidiu tomar medidas antes mesmo de surgir uma demanda por elas.
Porém, ao invés de acalmar os mercados, o efeito real será o oposto. Se você for ao médico porque está com uma congestão nasal, e ele correr com você para uma sala de cirurgia, você não irá simplesmente congratulá-lo por ser tão meticuloso e cuidadoso. Você irá, isso sim, perceber que ele sabe de algo muito sério, algo de que você não sabe — no caso, que a sua condição é muito mais séria do que você imaginava. Sua família muito provavelmente irá entrar em pânico.
Esse motivo psicológico, por si só, já é capaz de perturbar os mercados de maneira imprevisível. O Fed agora assumiu a função de impressor de dinheiro de papel para o mundo inteiro. Estamos em um admirável mundo novo. Se você crê que uma nova era de prosperidade, paz e estabilidade nos aguarda, então você certamente passou o último século vivendo dentro de alguma caverna. É impossível que uma única alma viva possa dormir bem sabendo que Ben Bernanke se elegeu a si próprio o analista de crédito de todo o globo.
Perfeito, rasteiro, bem colocado e no canto, fora do alcance do goleiro keymesiano Bernanke. Gol dos austríacos!
” Se você crê que uma nova era de prosperidade, paz e estabilidade nos aguarda, então você certamente passou o último século vivendo dentro de alguma caverna”
Economia em caos não significa que a qualidade de vida está piorando. Ela vai continuar melhorando. Nós brasileiros já passamos por todo tipo de complicação econômica e estamos sempre evoluindo em qualidade vida, idh, educação, renda per capta etc…
Não me entendam mal, sou ancap mas vou continuar investindo em ações, renda fixa e imóveis, as empresas vão continuar lucrando (sabendo escolhê-las) e o país vai crescer no longo prazo, mesmo com turbulências em curto prazo.
O que os BCs deviam fazer?
Amigos,\r
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Boa tarde!\r
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Quero compartilhar com vocês um artigo que me causou profundas náuseas e que tem relação com o artigo acima. \r
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Só para quem tem estomago forte.\r
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Abraços!\r
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O Fundamental – Delfim Netto\r
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Grupos não pequenos de estudiosos insistem em atribuir a crise a uma organização social misteriosa à qual dão o nome genérico de “capitalismo”, codinome da organização da atividade econômica em torno dos “mercados”, instituição que os homens “descobriram” para coordenar a atividade de consumir bens e serviços e, ao mesmo tempo, estimulá-los a produzir de forma relativamente eficiente e com maior liberdade individual.\r
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É preciso reconhecer que: 1) os mercados são meros instrumentos alocativos que tentam compatibilizar os interesses dos indivíduos no seu duplo papel; 2) obviamente, não há simetria de poder entre esses papéis; e 3) eles (os mercados) não podem funcionar (ou mesmo existir!) sem um Estado para regulá-los.\r
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Essa economia de mercado não foi inventada. Há claras evidências de que os mercados existem desde a velha Mesopotâmia (500 anos antes de Cristo). Foi sendo “descoberta” pelos próprios homens na sua atividade prática de buscar instituições que lhes permitissem facilitar a sobrevivência material e a possibilidade de combiná-la com sua eterna busca de liberdade de iniciativa. Ela não é nem perfeita nem imortal. A grande esperança é que a ação do Estado que garante a sua funcionalidade, possa minorar seus defeitos com as políticas econômica (a flutuação) e social (a desigualdade).\r
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A irresponsabilidade fiscal dos Estados precisa ser superada \r
A ideia que os mercados têm a capacidade de autocorrigir-se e que os resultados da distribuição de seus benefícios são “justos” ou “merecidos” – e que, portanto, dispensam a ação do Estado – é absurda. Tão absurda quanto a ideia que os problemas que estamos vivendo se devem apenas a eles, sem nenhuma cumplicidade do Estado.\r
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Já passou da hora de os economistas livrarem-se de umas ingenuidades. A primeira é que Deus foi bom com eles deixando-lhes como objeto de estudo um mundo, cuja ordem poderia ser descoberta, como, por exemplo, o movimento dos astros. A segunda é o reconhecimento que, por mais importante que seja o papel do Estado, o poder incumbente está longe de ser onisciente e, logo, não precisa ser onipresente e, muito menos, pretender a onipotência!\r
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A história nos ensinou, e a experiência atual confirma, que o Estado precisa ser fiscalmente responsável! Não é preciso ser economista para entender tal “conta de padaria”. A receita pública não pode ser, permanentemente, maior do que a despesa pública, não importa a “qualidade” ou a “necessidade” do gasto.\r
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Se ele é imperioso e permanente, só há três formas de atendê-lo: 1) aumentando a eficiência do governo; 2) cortando despesa menos prioritária; ou 3) aumentando os impostos. É uma maldição aritmética desagradável que a relação dívida pública/PIB só possa ser estabilizada num nível cujo financiamento possa ser feito, permanentemente, com uma taxa de juros real menor do que a taxa de crescimento real do PIB.\r
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Parece razoável concluir, portanto, que o que precisa ser superado é a irresponsabilidade fiscal dos Estados e a sua incompetência regulatória. Vivemos, basicamente, uma manifestação de Estados pouco cuidadosos fiscalmente e impotentes diante do poder econômico dos interesses financeiros. A crise de 2007/09, que se recusa a terminar, é a testemunha da tendência do setor financeiro de servir-se do setor real e de sua capacidade de apropriar-se do poder incumbente.\r
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Os “indignados” sugerem trazer de volta ideias de cérebros peregrinos, que “inventaram” outros mecanismos de organização social. Os mesmos que rechearam de tragédias o século XX. É preciso insistir que, até agora, o mercado como instrumento alocativo relativamente eficiente não encontrou nenhum substituto, como mostram o fracasso soviético e o sucesso chinês.\r
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A crise americana é menos grave do que a da Eurolândia, mas tem pouca probabilidade de terminar antes da eleição de novembro de 2012. E depois? Depois, valha-nos Deus se os intelectuais republicanos vencerem a batalha eleitoral! É uma pena. Os EUA têm tudo para sair mais depressa da crise. Faltam-lhes apenas uma liderança que reconstrua a confiança da sociedade.\r
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Na Eurolândia, a questão é mais complicada. Ela tem, na verdade, quatro problemas: 1) um desalinhamento das moedas dentro do euro, que causa resultados assimétricos nos balanços de pagamentos; 2) um descontrole dos déficits públicos; 3) uma perspectiva de crise bancária; e 4) falta-lhe um Banco Central autônomo, que seja, de fato, o emprestador de última instância e possa organizar as dívidas dos países.\r
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O jogo dialético civilizatório (apoiado no sufrágio universal) entre o mercado e a urna não é uma linha reta: pode sofrer graves e custosos desvios. O fato fundamental é que ele não resiste à irresponsabilidade fiscal. Quando essa leva as lideranças políticas à completa predominância do curto prazo sobre o longo, aproveitando-se de situações econômicas passageiras favoráveis para permanecer no poder, o mercado (isso é, a realidade fática) acaba cobrando o seu preço.\r
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O Brasil pagou tal preço no passado. A presidente deve ser fortemente apoiada quando corta na carne o Executivo e pede moderação ao Legislativo, ao Judiciário e aos sindicatos. Nunca a solidez fiscal foi tão necessária para proteger-nos da crise mundial, que está longe de terminar. É por isso que a DRU deve ser aprovada.\r
“A irresponsabilidade fiscal dos Estados precisa ser superada
A ideia que os mercados têm a capacidade de autocorrigir-se e que os resultados da distribuição de seus benefícios são “justos” ou “merecidos” – e que, portanto, dispensam a ação do Estado – é absurda. Tão absurda quanto a ideia que os problemas que estamos vivendo se devem apenas a eles, sem nenhuma cumplicidade do Estado.”
Quado uma pessoa escreve uma máxima como esta citada acima impondo a sua afirmativa, há de no mínimo do mínimo ser acompanhada pro uma premissa lógica que justifique tal afirmativa. Essas história de é assim porque é assim e pronto, é coisa de gente mau intencionada, vanila e ignorânte.
Quem lê os artigos liberais deste site, dá vontade de dar risadas, diante da TV, das “soluções” apresentadas pelos economistas keynesianos.
a impressão que dá é que Delfim nunca leu Mises ou até mesmo Adam Smith.\r
A pergunta que nao quer calar, será que é só impressão ou é realidade.\r
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Não entendi muito bem o que o Tucker quis dizer com “sonho Keynesiano”. Pra mim, sempre esteve clara a idéia de Keynes sobre os perigos de se atrelar a liquidez mundial às emissões de um único país, ou limitá-la a um reduzido grupelho de moedas. O próprio Tucker coloca a ponta disso no texto, apesar de não se aprofundar na idéia.
Além do que, acho um tanto injusto jogar três linhas tão diferentes (keynesianismo, pós-keynesianismo e novo-keynesianismo) dentro do mesmo balaio e rotulá-lo “keynesiano”, como se fosse tudo a mesma coisa. Quando, na verdade, elas todas, apesar de guardarem parcas similaridades, tem propostas bem diferentes entre si.
Salvo estas duas, que considero como incoerências, achei o artigo excelente.
E parabéns pela tradução.
Concordo com o que o Gilx escreveu ali em cima. Depois que passei a ler diariamente os artigos do IMB, não consigo mais assistir ao noticiário econômico na TV e quase sempre dou risada quando vejo “economistas” vomitando keynesianismo. Domingo passado, tentei acompanhar o programa Canal Livre, na Band, sobre a crise econômica. Foi patético. Espinafraram o livre mercado (ou que eles consideram como livre), e sacramentaram o estado como regulador imprescindível, entre outras bobagens. Eu ri assistindo, sozinho. Alguém aqui viu também? Se ainda não tiver no youtube, no site da Band eles disponibilizam o programa completo uma semana depois. Quem quiser rir um pouquinho (ou chorar, sei lá…), é só dar uma olhadinha nas abobrinhas que foram faladas no programa.
E vejam nosso governo seguindo a Cartilha keynesiana.
economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2011/12/01/caixa-libera-r-5-bi-para-consumo-apos-pacote-do-governo.jhtm
Nossos lideres iluminados dizendo que o consumo é sinonimo de prosperidade.
Cômico se não fosse trágico.
“Por sinal, Leandro, já chegou a ler o texto Why We Can’t Associate Too Closely with the Austrians?”\r
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O rapaz é um físico tapado pelos anos de “estudo”, coitado. Eu tenho uma versão modificada de “Why We Can’t Associate Too Closely with the Austrians”. Se eu apresentar prontamente uma idéia como teoria austriaca, o imbecíl vai rejeita-la de cara sem ao menos refletir sobre o assunto. Existem vários movimentos anti-preconceito (gays, negros, bigodudos, etc.)hoje no mundo, mas talves o grupo mais injustiçado seja o dos austriacos. È um assunto que ja foi mt debatido aqui mas ainda acredito que deveriamos plantar algumas sementinhas e fazer os interlocutores acharem que é uma criação deles, uma versão modificada do “mainstrain” (e a menina dos olhos de ouro, especialmente neste mundo inflacionário, é sim a TAC)
É uma grande vigarice utilizar um fenômeno inerente à autocorreção dos mercados — as recessões — como prova de que os mercados não se corrigem.
Eu acredito que as políticas citadas no artigo tem mais inspirações monetaristas que Keynesiana. Como o artigo clássico do Milton Friedman e da Ana Schwartz dizia, a crise de 29 foi intensificada por causa da queda de 1/3 da oferta monetária americana, e a economia entrou num ciclo vicioso de falências bancárias que tornou os efeitos da crise mais persistentes.
Embora não concorde com a política do FED, o artigo foi feito apenas para atacar o Keynesianismo e não é muito bom nisso, existem textos melhores para isso e com uma lógica mais forte.
Leandro,
Acompanho os excelentes textos do site e também as suas respostas. Tenho aprendido muito. Sou totalmente favorável a Escola Austríaca de Economia, e defendo o mercado livre. Gostaria porém, e peço que não repare se eu falar alguma bobagem, mas o que deveria ser feito para evitar a crise que se aproxima? Se não devemos incentivar o consumo nem ajudarmos os bancos gerando mais moedas, eu digo nós os amercianos, o que deveria ser feito então? Obrigado.
Hahahahaha!!