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Pior do que tá não fica?

Com o slogan "vote Tiririca, pior que tá não fica", o PR lançou para candidato a deputado federal o palhaço Tiririca. A candidatura virou fenômeno de popularidade, e várias comunidades foram criadas no Orkut, algumas com mais de 50 mil participantes. O velho voto de protesto, daqueles cansados com "tudo que está aí", tem conquistado adeptos da esquerda à direita. E quem não está enojado com a política nacional?

O problema é que o tiro sai pela culatra. Ao contrário do movimento debochado dos comediantes do Casseta & Planeta, que lançaram no passado o Macaco Tião como candidato no Rio, o voto em Tiririca coloca de fato alguém no poder. Na verdade, pode colocar mais de um, pois a quantidade enorme esperada de votos pode arrastar mais colegas de legenda. O PR, que não é bobo, deu para Tiririca o disputado número 2.222, de fácil memorização, de olho nesta oportunidade. E tem muito marmanjo caindo nessa!

Pensando que estão protestando contra o governo, os eleitores de Tiririca estarão contribuindo com o projeto de poder do PT, uma vez que o PR é da base aliada de Dilma. Grande protesto! Ajudar a dar ampla maioria aos petistas no Congresso, para que os projetos "bolivarianos" tenham mais chance de passar. Pior que tá não fica? Fica sim! Vide Venezuela, Argentina, Bolívia e Equador, todos eles sob governos de "camaradas" do PT.

Trata-se de uma estranha forma de lutar pela liberdade contra "tudo que está aí". Fica até parecendo protesto de adolescente rebelde, que não costuma ligar muito para os resultados de suas ações, e apenas com a sensação de prazer que a rebeldia propicia. Acham-se malandros, mas não passam de inocentes úteis a serviço do PT. Se tivessem um espelho, talvez soubessem discernir melhor quem é o verdadeiro palhaço nessa história...


autor

Rodrigo Constantino
é formado em Economia pela PUC-RJ e tem MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, primeiro como analista de empresas, depois como gestor de recursos. É autor de cinco livros: "Prisioneiros da Liberdade", "Estrela Cadente: As Contradições e Trapalhadas do PT", "Egoísmo Racional: O Individualismo de Ayn Rand", "Uma Luz na Escuridão" e "Economia do Indivíduo - o legado da Escola Austríaca".


  • Getulio Malveira  15/09/2010 14:31
    De fato não há o que argumentar. Se todos os estatistas fossem iguais, não haveria diferença em votar entre um partido de esquerda e um de extrema-esquerda - o que obviamente não é verdade. O voto é algo indivídual e depende da preferência individual. Se não podemos nos abster de votar protocolarmente, devido as sanções governamentais, o máximo que podemos fazer é não votar em nenhum dos candidados. Não vejo isso como uma questão de "protesto", mas uma simples questão de preferência subjetiva. Aqueles que preferem votar no "menos pior" também manifestam uma preferência subjetiva. Não podemos cair na falácia coletivista de acreditar que o fato de nos definirmos como liberais, libertários ou anarcocapitalistas nos torna um grupo homogêneo que compartilha as mesmas preferências. Concordo, porém, com o Rodrigo quando ele afirma que votar nesse cidadão constitui um protesto sem sentido e acrescento que sua eleição, ainda que se faça com fundamento em um "protesto", terá as mesmas consequências de eleger com grande votação qualquer outro candidado da base governista e não afetará em nada a atuação do referido sujeito no Parlamento. Minha preferência individual é pelo voto em Branco, mas cada um sabe de si.
  • Andre Luis  15/09/2010 22:31
    Perfeito seu artigo Rodrigo.As esquerdas tentam nos engabelar lançando um suposto candidato de protesto,que ajudará o PT a conquistar mais cadeiras no nosso parlamento.Parabens.
  • Nilo BP  16/09/2010 02:25
    É verdade. Como todo mundo com contas pra pagar sabe, até o ancap mais ferrenho (myself included) tem que conviver com o governo para não morrer de fome. Oposição à política por princípio é o mínimo que uma pessoa decente e que sobreviveu à lavagem cerebral da educação básica pode fazer; mas neste caso vale fazer uma concessão à realidade e perceber que votar no Tiririca pode trazer mais coisas ruins que boas.

    Para quem ainda acha que o fato de Tiririca virar deputado seria um golpe na façada de seriedade do Estado, pense de novo: não apenas seria um golpe simbólico, já que de fato a reputação da política no Brasil não pode piorar muito, como poderia provocar uma reação por parte daqueles que levam a democracia a sério.

    Imagine um professor daquilo que hoje se passa por "Geografia" na escola: "Tiririca ter sido eleito é uma vergonha! Vivemos em um país de analfabetos políticos! É dever de VOCÊS como FUTUROS CIDADÃOS levarem a democracia a sério e ajudarem este país a ir para frente!"
  • Araci de Almeida  16/09/2010 07:34
    Araci Almeida\r
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    Parabéns pelo artigo muito bom!\r
    Como foi comentado não levam eleições e candidatos a sério, pois a cultura de nosso país não é preparada para tal, Teria que ter uma limitação nessas propagandas politicas, os canditados usam sua criatividade como querem, e nossos eleitores gravam o que acham de engraçado, pois para alguns é mais facil gravar uma fala engraçada do que uma fala de um intelectual.\r
    É uma pena o povo brasileiro não querer assistir horário politico para se interar das proposta dos candidatos, eles conhecem os candidatos através do boca a boca da sua cidade e assim vão no embalo dos lideres de cada candidato, claro que não são todos, mas a maioria. \r
    O boca boca leva a população acreditar o que um Presidente por exemplo coloca de beneficio para a população carente e o que o outro de partido oposto pode tirar, colocando esses carentes em panico, então assim vai sempre o mesmo partindo em diante.\r
    O medo ou o receio de ficar sem alguns beneficios oferecidos torna o partido atual mais forte, pois o grande numero de eleitores é mais carente do que os que podem se manter na sociedade injusta de ganhos monetarios que é a nossa.\r
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  • Fabricio  16/09/2010 10:26
    Parabéns pelas linhas Rodrigo. \r
    Amei quando o chamou de "palhaço Tiririca", pois carrega um delicioso duplo sentido.\r
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    Apenas uma observação ao Sr. Getulio: Ao votarmos em branco, o que estamos realmente dizendo? Não seria viável, neste caso, o voto nulo. Aliás, nunca dito nas propagandas do TRE, este, que sempre busca "conscientizar" o eleitor para votar em alguém. \r
    Desafio alguma meio de comunicação à explicar corretamente a função e as consequências do voto nulo.\r
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    abraços
  • Gilson A.  16/09/2010 11:22
    Olá\r
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    Uma dúvida: o voto é obrigatório (isso nós sabemos), porém, o que aconteceria se todo esse eleitorado não votasse? e não digo em branco ou nulo, me refiro fisicamente não apertar nenhum botão. \r
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    no meu imaginário a resposta é essa: Seríamos punidos por não votar, mas não teríamos uma eleição válida, já que não existiria votos válidos para computar.\r
    \r
    Estou certo ou errado??
  • osvaldo oliveira  20/09/2010 17:31
    O circo esta formado, se o voto não fosse obrigatório quem iria lá, perder tempo, gastar sua memória, entrar em fila, entendo que o voto deveria ser facultativo e não a força. Os politicos antes das eleições prometem tudo pós as eleições, tente falar com algum deles.
  • Johny  21/09/2010 14:18
    Excelente!
  • Getulio Malveira  21/09/2010 17:42
    Senhor Fabrício, em responta a tua observação deixo o link do TSE que esclarece de modo simples a diferença entre votos brancos e nulos. Não existem quaisquer consequencias jurídicas de se votar branco ou nulo, uma vez que o TSE já decidiu que nenhum deles constitui voto válido. Qualquer dúvida, sugiro consultarem o código eleitoral ou a jurisprudência do TSE e não fontes duvidosas da internet. Quanto a minha recomendação pelo voto em branco, ela é óbiva: o voto nulo, decorrente do ato de digitar um numero inexistente de candidado, é considerado pelo TSE simplesmente como erro; já o voto em branco, por ser voto previsto no sistema e inegavelmente um ato deliberado traduz-se numa mensagem clara: não desejo votar em nenhum desses candidados, a qual podemos acrescentar justificações subsidiárias: por que não gostei de nenhuma proposta, por que sou contra o sistema, etc.\r
    \r
    Aqui vai o link do TSE, a quem cabe interpretar a lei eleitoral em última instância: www.tse.gov.br/eje/html/info_eleicoes3.html
  • Getulio Malveira  21/09/2010 17:51
    Gilson,\r
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    Eu pessoalmente não te recomendaria esse tipo de protesto. Se voce se dirigir à urna e não efetuar a votação voce irá tumultura bastante o processo, uma vez que ninguém poderá votar por voce. A consequencia para voce é que voce seria preso. Já para a sua seção eleitoral, provavelmente seria um pequeno trastorno: ter de chamar o responsável da justiça eleitoral para abortar a operação.
  • Getulio Malveira  21/09/2010 18:05
    Um adendo à hipótese (coletivista) de que por algum milágre todo o "povo" resolvesse não votar, votar em branco ou anular seus votos (as consequencias jurídicas são as mesmas para as três hipóteses). Raciocinemos: suponhamos que todos se recusem a votar. É precioso, por uma questão pragmática, introduzir outra hipótese bem provável, qual seja, de que ao menos os candidatos votariam. Nesse caso, haveria um empate, ja que cada candidato obteria um fração idêntica dos votos válidos, um voto. Então a eleição seria resolvida por critérios de desempate previstos na legislação eleitoral: basicamente o candidato mais velho ganharia, seria "legitimamente" empossado e a vida seguiria seu rumo.
  • Rhyan Fortuna  21/09/2010 18:14
    Não entendi porque permitiram colocar esse texto num site sério que é o IMB...
  • Libertário  21/09/2010 18:45
    Somos dois Rhyan, disparado o pior artigo da história do IMB, e não segue nem um pouco a linha dos artigos daqui, tem um tom ofensivo, descontrolado, uma lastima o IMB o haver publicado, espero que erros como este não se repitam.
  • Luciano B  22/09/2010 03:57
    Bom texto, alguns comentários refletem a infantilização política brasileira. Não se pode dizer "não quero mais brincar disso" e contribuir para a aceleração de um processo de degradação político e moral tão sério como o que ocorre.

    A reação virá, o brasileiro não é tão rápido como o americano, por exemplo, para reagir a questões políticas, muito menos se os que têm consciência da realidade contribuirem para acelerar a destruição.

    Tem que haver tempo para novos partidos se formarem e participarem da política, como o Partido Federalista e o Libertários, ainda embrionários. Quando isso ocorrer, teremos melhores opções.

    Concordo que talvez seja melhor que a bomba estoure na mão do PT, mas não devemos contribuir para que este tenha força total na Câmara, no Senado e nos governos estaduais.

    Muito importante também é haver um segundo turno, primeiramente para que a política sangre um pouco mais, deixando mais evidende a mediocridade e mantendo as pessoas ligadas a política por mais tempo, e mais importante, evitar que as eleições estaduais sejam contaminadas pela adesão a um governo eleito no primeiro turno, desequilibrando as forças favoravelmente ao PT.

    O que está em jogo nessas eleições é o equilibrio de forças, essencial nas democracias.

    Espero que os mais descontentes caiam na real, tomem um engov e votem pelo equilibrio de forças e pela manutenção da democracia. Em eleições, todos somos culpados, sempre.

    Abraços


  • Rodrigo Constantino  22/09/2010 11:31
    Na verdade, eu também acho que esse artigo não tem o perfil do IMB, e ele foi postado apenas como resposta ao artigo pior ainda para o IMB, escrito pelo Fernando Chiocca. O IMB não tem nada que perder tempo falando de Tiririca! Arranha a imagem do instituto que se pretende sério. O artigo foi escrito para meu blog apenas.
  • Fabricio  22/09/2010 17:24
    Obrigado pela resposta Getúlio. Aprendendo aos poucos porém nunca parar. Mas a Lei não é "fechada", ou seja, deixa uma enorme margem para a interpretação do magistrado.\r
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  • mcmoraes  22/09/2010 22:35
    O comentário do Rhyan foi afortunado.
  • Maurício  23/09/2010 11:31
    Olá, Rodrigo,\r
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    Desculpe-me por meter a colher na discussão de vocês, mas eu não jogaria o artigo do Chiocca no lixo, não.\r
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    Entendo a sua preocupação com os efeitos práticos do debate, ela é muito pertinente. Mas temos de reconhecer que o Fernando acerta quando coloca como ponto central de seu texto a satirização das instituições políticas como passo para deterioração das instâncias de poder. E é exatamente isso que estamos vendo, os políticos preocupados com a deterioração da imagem da instituição, pedindo que as pessoas votem "conscientemente".\r
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    O Mercadante entrou na justiça para tirar a propaganda do Tiririca da TV, ele está na prática, tirando votos da coalizão do PT. Assim como o Mercadante e tantos outros, o que se vê é a preocupação com o prestígio da instituição. \r
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    Quando o Tiririca diz na sua propaganda eleitoral:"O povo não é palhaço, mas EU sou". É o maior tapa na cara que eu já vi alguém dar na cara dos políticos.\r
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    Para deixar claro, eu não voto no Tiririca, mas a candidatura dele está incomodando muitos políticos ditos sérios.\r
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    Abraços
  • Nilo BP  23/09/2010 14:13
    Com certeza há mérito no fato de Tiririca estar esbofeteando a "legitimidade" do Estado, mas também é verdade que o sujeito ajudaria a fazer do governo Dilma um juggernaut político. O artigo do Chiocca, na minha opinião, exagera os benefícios (para os anti-políticos) da candidatura de Tiririca, e subestima o efeito que ele teria como deputado aliado à Dilma.

    Longe de mim votar no PSDB, que (como dise o Fernando Chiocca) é o PT com maquiagem diferente (e nem tão diferente assim, nesta eleição eles estão bem desavergonhados), mas votar em Tiririca me parece um protesto contraproducente. Melhor mesmo é manter uma posição inequívoca e votar em branco / ficar em casa.

    Falando nisso, deixo aqui uma nota lamentando o falecimento do voto 69. Descanse em paz, amigo.
  • Getulio Malveira  06/10/2010 17:48
    Não poderia deixar de apresentar um comentário final sobre essa eleição que, graças aos bons deuses, assisti do sofá de casa. Nós, preguiçosos, revoltados, desiluidos, indeciso ou simplesmente esclarecidos, podemos ficar satisfeitos: atingimos um recorde em termos de abstenções, votos brancos e nulos (para minha felicidade maior os brancos cresceram em relação aos nulos). Cerca de 34,1 milhões de brasileiros não-votaram, votaram em branco ou anularam seus votos - um recorde para ser comemorado!


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