clube   |   doar   |   idiomas
Duas considerações sobre estado e mercado

Sociedade voluntária x sociedade tiranizada

Na falta de um termo melhor, estou dando a essa lei o nome de Lei de Woods: sempre que o setor privado introduz uma inovação que melhora a situação dos pobres, ou ofereça benefícios ou termos que ninguém mais está preparado para lhes oferecer, alguém — sempre em nome de estar ajudando aos pobres — irá requerer a restrição ou até mesmo a abolição de tal inovação.

O exemplo universalmente famoso é o da Wal-Mart, a rede varejista que vende produtos a preços baixos, beneficiando exatamente os de menor renda.  Exatamente por isso, diversos ativistas pedem sua abolição, com a justificativa de que a Wal-Mart paga salários baixos e compete deslealmente com seus concorrentes.  Da mesma forma, pense em qualquer empreendedor que tentou vender produtos a preços baixos, de olho no segmento de baixa renda e, exatamente por isso, foi processado por agências reguladoras por estar praticando dumping e prejudicando concorrentes menores.

Comentando esse fenômeno com o professor Christopher Westley, da Jacksonville State University, percebi que ele também apresentou uma lei que pode perfeitamente ser chamada de Lei de Westley.  Ainda mais simples que a Lei de Woods, a Lei de Westley afirma que o setor público sempre é cobrado com bem menos rigor do que o setor privado.  Logo, o setor privado é condenado mais intensamente por erros que o governo comete com muito mais consistência e em escala muito maior.  Ou, colocando de outra forma, as falhas do governo são tratadas bem mais complacentemente — quando sequer são notadas — do que as falhas cometidas por agentes privados.

O controle da criminalidade é um bom exemplo.  Certa vez, quando eu morava em Manhattan, um amigo de Connecticut que veio me visitar teve o rádio de seu carro roubado enquanto estávamos comendo em uma lanchonete.  Por acaso, no momento em que estávamos inspecionando o carro para ver se algo mais tinha sido levado, passou um carro de polícia.  Fizemos sinal para que ele parasse e explicamos a situação.  O policial nos disse que realmente era uma pena o que havia ocorrido, e foi embora.

Quando o governo diz às pessoas que nada pode ser feito quando sua propriedade é roubada, elas normalmente aceitam tal fato com uma amarga resignação.  Agora, imagine uma empresa privada dizendo a mesma coisa: nós de fato dissemos que iríamos proteger você, mas a verdade é que não vamos mover uma palha para tentar achar o meliante, recuperar seu item roubado ou indenizá-lo por sua perda.

E é melhor nem entrar no detalhe de quantos crimes, mesmo os mais graves, não são solucionados pelo estado e tampouco mencionar o fato de que, como me foi dito por um policial que conheço, exatamente nada acontece com ladrões de carro primários.  Em alguns locais, você tem de roubar um carro pelo menos cinco vezes para que finalmente alguma penalidade lhe seja imposta.

Já me perguntei várias vezes qual seria a reação das pessoas se uma empresa privada fosse assim tão negligente e tão obviamente incapaz de cumprir suas tarefas.  Iríamos para sempre ouvir sermões sobre a incompetência do mercado e sobre a necessidade de regulamentações mais estritas e de supervisão estatal mais intensa.  Os fracassos do estado, por outro lado, quando são corretamente percebidos, geram apenas gracejos e abanos negativos de cabeças.  Sim, ocasionalmente um político flagrado em corrupção renuncia, mas ninguém perde o emprego pelo fato de os Correios serem caros e ineficientes ou porque a polícia não pode fazer nada em relação ao roubo de carros.  O estado, de alguma forma, conseguiu se isentar da obrigação de ter de seguir os mesmos padrões de comportamento e performance que os agentes privados são obrigados a observar — e, pior ainda, a maioria das pessoas concorda e aceita que tudo seja assim.

Porém, o exemplo mais perfeito dessa fraude governamental está mesmo nas contas públicas.  Ano após ano, o governo promete que vai equilibrar o orçamento.  E, ano após ano, os déficits vão se acumulando.  Como consequência, a dívida interna, a qual você e seus descendentes terão de pagar no futuro, vai aumentando — dívida essa, convém enfatizar, que você não pediu e que não foi feita por você, mas que você terá forçosamente de pagar.  Alguém é punido por esse crime?  Alguém no Tesouro é demitido?  Alguma coisa, qualquer que seja, acontece com os responsáveis? Os jornais apenas noticiam o fato como uma coisa corriqueira.  Amanhã essa notícia já será velha.

Agora, imagine se uma empresa privada cujos serviços você não contratou fizesse uma dívida e lhe mandasse a conta?  Mais ainda: imagine se ela fizesse isso com um grande número de pessoas?  Dificilmente ela chegaria ao fim do mês.

Que o governo tenha conseguido corromper nosso senso de justiça a ponto de poder perpetrar sobre seres humanos perfeitamente conscientes fraudes tão transparentes como essas, é apenas mais um argumento a favor da sociedade livre e voluntária e contra o estado.

Poder x Mercado, ou: o mercado transforma tudo em mercadoria?

Mais clichês já foram proferidos sobre a economia de mercado do que sobre qualquer outro fenômeno social.  Recentemente, lendo as atas de um simpósio internacional ocorrido em 1982, editadas por Walter Block e Irving Hexham, deparei-me com essa observação:

A filosofia do livre mercado nos faz olhar para toda a vida social como se ela fosse um mercado... Ela leva as pessoas a considerarem tudo que as cerca como mercadorias, como coisas que têm preços, como objetos a serem usados.

Quem disse isso realmente é o de menos, embora devo esclarecer que nenhum dos dois editores foram os culpados por isso (duvido que Walter Block diria algo assim mesmo sob ameaça de tortura).  Não se trata de um argumento atípico: o livre mercado supostamente "mercadoriza" tudo, e reduz toda a vida a uma questão de cédulas e moedas.

Mas será que é realmente isso que o mercado faz?

Murray Rothbard descreveu o livre mercado como sendo simplesmente "o arranjo social em que os indivíduo praticam trocas voluntárias de bens e serviços".  Ao dar a um de seus livros o título Power and Market (Poder e Mercado), Rothbard estava situando "poder" e "mercado" como antinomias.  O mercado consiste em transações voluntárias entre agentes dispostos a transacionar; o estado, ou "poder", introduz a coação nas relações humanas, criando efeitos coercivos que não teriam sido escolhidos voluntariamente pelos indivíduos. 

Se poder e mercado são opostos, comparemos então a pura economia de mercado com a pura aplicação do poder — o serviço militar obrigatório.  O recrutamento compulsório consiste em um grupo de pessoas sobre as quais o estado declara ter o direito de utilizar seus corpos em conflitos que envolvem a imposição de violência e o alto risco de morte.  O risco moral presente no recrutamento compulsório é óbvio: o estado estará mais preparado para iniciar guerras e incorrer em táticas propensas a gerar significantes perdas de vidas caso o custo de tal atividade seja socializada e os soldados utilizados sejam, do ponto de vista do estado, praticamente sem custos.  Se houver muito mais de onde aquelas centenas de milhares de soldados vieram, e nenhuma das autoridades tiver de ser responsabilizada por qualquer custo gerado pela perda de vidas, então é de se esperar que tal arranjo gere mais negligência com a vida humana do que em outro contexto.

Nosso crítico diz que o mercado "leva as pessoas a considerarem tudo que as cerca como mercadorias, como coisas que têm preços, como objetos a serem usados".  Mas não seria exatamente isso que o estado faz no caso do recrutamento compulsório, essa que é a mais antimercado das transações?  O estado vê o populacho como uma simples matéria-prima a ser empregada, involuntariamente, na busca dos perigosos e violentos objetivos do estado — em outras palavras, como "um objeto a ser utilizado."  Com uma diferença: o estado sequer paga um preço mutuamente acordado pela mão-de-obra que ele recruta!

É assim que o estado se comporta continuamente.  Ele não precisa interagir com as pessoas ou ter qualquer consideração por suas preferências e direitos; muito menos ele se sente na necessidade de negociar termos satisfatórios com elas.  Ele sempre pode agir unilateralmente, de modo que, ao indivíduo, não reste outra alternativa senão aceitar o que quer que o estado tenha determinado em relação a questões como o quanto de sua propriedade será expropriada, o que seu filho aprenderá na escola ou para onde ele será enviado para lutar e morrer.

Já no mercado existe o sistema de preços.  Os preços de mercado exercem uma importante função, além de tornarem possíveis tanto o cálculo econômico quanto a ampliação da divisão do trabalho.  Os preços de mercado implicam propriedade, a qual por sua vez implica o direito de se desfazer do bem do qual se é dono.  Se o preço que ofereço não lhe agrada, você não precisa executar seu serviço laboral para mim.  Se o preço que ofereço não lhe agrada, você não precisa entregar sua propriedade para mim.  Os preços de mercado nos relembram que a cooperação social tem de trazer em si uma cooperação genuína, o que significa que nenhum lado de uma transação tem o direito de trapacear ou roubar o outro, uma vez que essa é a moralidade do criminoso.  Ao contrário deste, os participantes do mercado precisam chegar a acordos que sejam mutuamente satisfatórios para que uma transação ocorra.

Os preços de mercado, em outras palavras, não são coisas artificiais e malvadas que desestimulam a cooperação social.  Ao contrário: são eles, acima de tudo, que tornam possível a cooperação social.  Eles transmitem a regra de que nós não podemos simplesmente sair andando por aí como selvagens egocêntricos, tomando o que quisermos dos outros, como se nada e ninguém pudesse sobrepujar nossas demandas e desejos.  Temos de estar sempre dispostos a oferecer algo em troca das coisas que queremos adquirir, de modo que a pessoa que está nos oferecendo o bem que queremos possa também melhorar suas condições — ao invés de ser por nós explorada, sem qualquer consideração para com seu bem estar.

Com o estado, por outro lado, o preço é aquele que ele próprio determina.  Ele vai ofertar serviços que você não quer, que você nunca vai usar e que você pode até achar moralmente repugnante — e então vai dizer que você tem de pagar por eles.  Em caso de desapropriação (domínio eminente), quando o estado confisca sua propriedade para benefício próprio, ele irá lhe pagar alguma coisa, porém será o próprio estado quem vai decidir exatamente quanto vai lhe pagar.  Como isso pode ser preferível a um mundo em que cada indivíduo tem a liberdade de declarar os termos em que ele aceita dispor de sua propriedade e mão-de-obra?  Como isso pode ser preferível a um mundo em que nenhuma transação ocorre a menos que ambos os lados voluntariamente concordem em fazê-la?

É o estado, portanto, e não o mercado, que "considera tudo que [o] cerca como mercadoria... como objetos a serem usados."  Precisamente porque age fora do mercado, o estado pode criar preços arbitrários para seus serviços, fazer com que esses preços sejam diferentes para diferentes classes de pessoas e, no fim, ameaçar usar de força física contra qualquer um que se recuse a pagá-los.  Quem mais na sociedade civil pode se comportar assim?

Agora, nosso crítico pode retrucar dizendo que não deseja dispensar o mercado como um todo, mas apenas quer ver o mercado tendo uma participação menor na sociedade.  Mais: ele quer apenas estimular uma abordagem mais democrática e comunitária da propriedade e de seu uso.  Porém, nem uma votação democrática e nem linguagens floreadas alteram minimamente a questão moral.  Se uma maioria de eleitores vota a favor de me expropriar ou de me mandar para lutar uma das guerras que o estado empreende pelo mundo afora, a situação em nada difere em termos morais de uma situação em que o estado tivesse feito essas coisas por conta própria.

Quanto ao mercado ter uma menor participação na sociedade, há a inevitável consequência: quanto menor for a sua participação, maior será a participação da arbitrariedade e da força, as quais aumentarão na mesma proporção em que o mercado encolher.  Se a livre interação de proprietários não mais puder determinar os termos em que os indivíduos irão interagir entre si, então a ameaça da força assumirá tal função.  E aí nós veremos qual sistema realmente considera todos como "objetos a serem usados".

Nada é mais fácil ou mais elegante do que condenar o suposto materialismo do mercado.  Mas esse tipo de retórica é o inimigo do pensamento racional.  A escolha é clara: propriedade privada e preços de mercado ou a lei da selva.  E afetações de cinismo em relação ao mercado ou ilusões românticas sobre como a vida seria mais legal sem ele não podem obscurecer essa escolha fundamental.



autor

Thomas Woods

  • Filipe Rangel Celeti  27/04/2010 12:46
    Um dos melhores textos que tive a oportunidade de ler em toda a minha vida!
  • Magno Gontijo  27/04/2010 21:29
    Pego o que o Filipe escreveu e elevo ao quadrado. Muito bom mesmo!
  • Marcelo Boz  28/04/2010 11:02
    Brilhante!\r
    Condensou em um artigo pequeno um conjunto de idéias, que muitas pessoas levam a vida inteira para adquirir.
  • CR  28/04/2010 12:25
    Pela Lei de Woods os chineses devem ser banidos. O contrário é o que se delineia, ao gáudio da humanidade.
  • Filipe Rangel Celeti  28/04/2010 14:40
    CR:

    Não compreendi a ligação com os chineses...
  • CR  28/04/2010 15:42
    Pois não Filipe:
    O EUA, a reedição sofisticada espartana, há muito vem perdendo participação no mercado mundial para os produtos orientais, muito mais baratos, e que por isso penetram vertiginosos mormente entre os mais pobres. Presumem os americanos que os chineses visem hegemonia. A diferença entre a pilhada de Platão e a sapiência do Tao é esta: enquanto ocidentais presumem que o poder é caminho à felicidade, portanto sugerindo que quanto maior domínio mais feliz, os orientais sabem que não temos poder sequer pelo próprio sono, e contentam-se em apenas usufruir e compartir. Seus olhos para nós até são meio estranhos, mas não são maiores do que a barriga.
  • Flavio Ortigao  28/04/2010 20:44
    Esse artigo de Thomas Woods e' realmente muito bom.
    O mercado, inventou a civilizacao. Todas essas relacoes que temos hoje, a maioria delas diatante da simples relacao de troca de mercadorias, se inicaram la mesmo. Antes do mercado, nossas relacoes humanas eram limitadissimas, e nao nao teriamos desenvolvido relacoes humanas mas amplas, que nos levaram a criar estruturas Politicas como Cidade e Estado sem ele. Todas essas relacoes, usando um termo marxista, superestruturais pedem ser retracadas ao mercado.
    Em que pese sua importancia e centralidade, o mercado tem limites. Nao so desses que o "poder", no sentido do autor, contrapoe a mercado, mas nao vamos esquecer (Essa e' pro Fernado) da ETICA. Nos, por exemplo, nao aceitamos mais mercado de escravos, como o do Valongo no Rio de Janeiro. A escravidao tornou-se anti-etica. A maioria das pessoas, eu inclusive, acha isso muito bom assim.
    Isso demonstra que atravez da historia a sociedade criou mecanismos de limitar o poder do mercado, e que nem sempre isso foi contrario ao melhor interesse da sociedade. Nos sabemos, e' claro que sociedade que querem restringir o mercado, acabam em tiranias. A politica existe entre esses extremos. Buscar o consenso sobre os limites ao "poder" e ao mercado.
  • Roberto Chiocca  28/04/2010 20:54
    Texto brilhante! Thomas Woods se supera cada vez que leio algo vindo dele!

    Flávio, não acho que você tenha entendido a diferença entre mercado e "poder", caso contrário não citaria a escravidão.
  • Leandro  28/04/2010 20:57
    Não é à toa que um dos integrantes do IMB considera Woods o cara.
  • Paulo  28/04/2010 21:38
    Não gostei do texto. O autor tenta criar um mundo bipolar hostil de Mercado X Estado, onde na verdade há muito mais mutualismo entre as partes do que uma separação fervorosa. Pareço estar lendo texto de política atual PT X PSDB (escrito por um petista ou por um peessedebista), como se tudo fosse resumido a 0 ou 1.
    Posso até fazer uma (forçada) analogia de crianças brigando : "A culpa foi sua!" "Não, a culpa foi sua!", a única diferença é que as crianças "brigam" com textos mais técnicos, porém a sinopse é a mesma.
    "A culpa não é minha, é dele!
  • Leandro  28/04/2010 21:52
    Paulo, não se trata de criar um mundo hostil e bipolar. O texto fala sobre como o estado sempre ganha um salvo-conduto, não importa as atrocidades que cometa -- ao passo que o mercado sempre é, e muito corretamente, chamado às suas responsabilidades.

    Ademais, é verdade que há muito mutualismo entre estado e iniciativa privada -- esse é o corporativismo que tanto condenamos. Porém, é bom não confundir as coisas: conluio entre estado e iniciativa privada é fascismo (corporativismo) e não livre mercado e livre concorrência.

    Acho que é aí que está seu erro: você está fazendo a crítica certa, mas está dando os nomes errados.
  • anônimo  28/04/2010 23:13
    Leandro, entendi o que você quis dizer, porém o que EU tentei expôr é que não existe bom moço quando se trata de Estado e Mercado. O texto faz parecer que o último é um pobre coitado injustiçado, rs.
  • Rubens Amaral  05/05/2010 19:07
    Quando podemos esperar a tradução dos livros de Woods, MIB tem planos fazer isso?\r
    www.thomasewoods.com/translations/\r
  • Marco Antonio Pupo  05/05/2010 21:42
    Leandro, não querendo fugir do tema, permita-me uma questão. A Escola Moderna Bancária Livre (modern free banking school) que advoga o fim do monopólio estatal através da extinção do Banco Central e a privatização da moeda, aparenta ser uma excelente ideia fundamentada nos princípios da escola austríaca de economia. Você conhece seus fundadores; Lawrence H. White, George Selgin ? É correto assumir que ambos são pupilos da escola de Chicago? Por favor comente. De antemão, agradeço.
  • Leandro  07/05/2010 07:46
    Prezado Rubens,

    Traduções, há várias em pauta. O problema é a verba e a mão-de-obra - ou melhor, a falta de ambas. Mas é só ter perseverança que um dia elas virão. Abraços!


    Prezado Marco Antonio Pupo,

    Confesso que tenho grandes simpatias pelo free banking. Seria de fato um sistema imensamente superior ao que temos hoje. Já temos, inclusive, um artigo de George Selgin sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=312

    A crítica do pessoal pró-padrão-ouro, porém, se mantém válida: como começar um sistema de moedas privadas sem que essas moedas tenham um histórico (que o que as possibilita serem utilizadas como meios de troca)? Isso seria uma violação do teorema da regressão demonstrado por Mises.

    O problema todo realmente está em como começar com moedas do nada. Eu poderia imprimir Leandros e você imprimir Pupos à vontade. Mas a questão é: quem iria aceitar moedas que não possuem nenhum histórico?

    Qualquer sistema de moedas privadas teria inevitavelmente de começar com moedas que tenham alguma commodity como lastro. E esse lastro provavelmente seria o ouro. A partir daí, se haveria reservas fracionárias ou reservas 100%, isso seria a algo a ser decidido pelo mercado mais à frente. O fato inescapável, portanto, é esse: tal sistema teria inevitavelmente de começar com algum lastro. E se ele começa com algum lastro, por que não permanecer com ele?

    Quanto aos free-bankers serem chicaguistas, humildemente confesso não ver muita ligação, dado que Chicago sempre foi a favor de um monopólio da moeda.

    Abraços!
  • Zéh  07/05/2010 08:12
    Reservas fracionadas causam inflação?
  • Leandro  07/05/2010 08:35
    Perfeitamente, Zéh. Você deposita 1.000 reais num banco, ele fica com 100 reais (10%) e empresta os 900 reais restantes para um outro cliente.

    Esse cliente, ira gastar esses 900 reais que, por sua vez, irão parar em outra conta bancária. Esse banco, consequentemente, irá reter 90 (10%) reais e emprestar os 810 restantes.

    E por aí vai.

    No final, 1.000 reais terão se tranformado em 10.000 reais, apenas por esse processo de multiplicação bancária.

    Esse valor de 10% seria o compulsório do exemplo adotado. No Brasil, o compulsório atual é de 30%, o que siginfica que os 1.000 reais iniciais podem se transformar em 3.333 reais.

    Veja aqui dois artigos que explicam bem esse processo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=311

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344

  • Tiago RC  07/05/2010 08:56
    Leandro,

    Imagino que o lastro inicial para moedas privadas poderia ser alguma moeda estatal, que hoje tem valor, mesmo sem ter lastro, graças ao uso de força. Não vejo por que abolir o BC e o monopólio da moeda iria fazer com que as reservas existentes nessa moeda estatal percam todo seu valor imediatamente. Elas poderiam continuar sendo usadas. A grande vantagem nesse esquema é que o custo de estocagem de moedas sem lastro tende a zero (meros dados num computador, não precisa de cofre nem nada).
    A questão que fica é o velho debate de propriedade intelectual. No meu entendimento, alguém que imprima cópias idênticas a uma moeda sem lastro não está fraudando nada, já que moeda sem lastro não é um contrato, é apenas um papel pintado. Então não dá pra condená-lo como criminoso... a agência que herdasse a casa da moeda estatal teria que se desdobrar muito pra conseguir impedir a "falsificação" de suas moedas sem iniciar violência contra ninguém.

    Abraços!
  • Cícero  11/11/2010 11:27
    Ótimo texto!
  • André  11/11/2010 16:03
    Estamos esperando uma análise sobre o banco Panamericano.
  • Leandro  11/11/2010 16:25
    Trata-se de um perfeito exemplo de como um sistema bancário de reservas fracionárias protegido por um banco central é um cartel governamental que existe apenas para proteger os interesses dos poderosos em conexão com o regime, em detrimento de todos nós.

    Em teoria, o Banco Central deveria regular o Panamericano, certo? Deveria apontar as fraudes. Cadê o Banco Central? Tá lá agora orquestrando operação de resgate, e dizendo que não tem nada a ver com isso...
    veja.abril.com.br/noticia/economia/henrique-meirelles-rombo-e-culpa-da-falta-de-controle

    De acordo com Henrique Meirelles, "O Banco Central não pode assumir a responsabilidade por números de instituições privadas. Nenhum banco central do mundo pode assumir responsabilidade futura, garantir que todas as instituições do sistema não tem problemas."

    Ora, mas essa não é uma das autoproclamadas funções de um banco central? Regular o sistema financeiro? Isso é o que se chama de risco moral. Uma instituição está lá para fazer uma coisa, e ela não faz. Mas todo mundo acredita que ela faz e fica tranquilo com isso. Por outro lado, se não existisse tal regulação, todo mundo ficaria mais atento e mais vigilante.

    A Caixa Econômica, banco 100% estatal (cujo único acionista é o Tesouro), injetou nada menos que R$ 700 milhões num banco falido. Ela não deveria, em conjunto com o BACEN, saber onde estava se metendo, onde estava jogando dinheiro público?

    De novo, cadê a onisciência do Banco Central e da Caixa? Por que dois entes estatais fizeram tanta lambança assim com nosso dinheiro? Alguém está surpreso?

    Por fim, o que é mais assustador: se um banco insignificante como esse Panamericano deu um chapéu no BACEN e na Caixa, imagine do que não são capazes os grandalhões?

    A sorte deles é que o povo não é muito informado sobre isso. Caso contrário, já poderia estar havendo uma corrida bancária.
  • Bruno  11/11/2010 17:32
    Isso é bem interessante Leandro.

    Porém ando lendo outras perspectivas sobre esse caso.

    1) Vários sites e blogs dão conta de que a solução para esse caso está vindo "do mercado" através do tal FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Dizem (aí pediria sua ajuda) que é um fundo privado feito pelos próprios bancos privados. Parece que o grupo do Silvio Santos terá uma carência de 3 anos.

    2) O Silvio Santos está penhorando várias empresas do grupo para validar a garantia.

    3) Não foi falha da consultoria KPMG ou Deloitte (agora não qual das duas é o certo) que deveria apontar e ajudar a Caixa na avaliação?

    4) Será que procede a informação de que a Caixa não terá prejuízos pois não participa da gestão do PanAmericano?
  • Leandro  11/11/2010 18:50
    Bruno,

    1) Sim, o FGC é uma entidade criada pelo governo (mas gerida privadamente) em 1995. Ele é abastecido com uma "contribuição" feita pelos bancos: paga-se 2% sobre o valor total das contas que são cobertas pelo FGC. Atualmente, contas de até no máximo 60 mil reais.

    O dinheiro oriundo daí realmente é todo privado (embora a imposição de sua existência seja do governo, mas isso não vem ao caso aqui). Observe, também, que em momento algum mencionei o FGC, justamente pelo fato de o problema todo não estar nele.

    2) Dizem. Se for verdade, e eu acredito que seja, essa parte (somente essa parte) fica entre ele e o FGC.

    3) Mais ou menos. Como diz a reportagem, "A CEF informou que as contas do banco foram aprovadas após auditoria feita por ela e outras empresas - o banco Fator foi contratado para fiscalizar e, por sua vez, contratou a KPMG para analisar as contas do Panamericano."

    Ou seja, a própria CEF assume que também fez a auditoria.

    Ademais, problema semelhante foi visto com as agências de risco americanas, que deram AAA para todos papeis podres lastreados em hipotecas subprime. O que era compreensível, dado que tais agências eram pagas pelos bancos para que elas avaliassem os próprios bancos. É como se eu te pagasse para avaliar meu carro. Se sua avaliação fosse ruim, eu não te contrataria.

    Não estou dizendo que a KPMG foi comprada. Estou dizendo que vários bancos participaram do processo, inclusive o banco estatal diretamente interessado na compra. E tudo sob a regulação estrita do Banco Central. Muito estranho.

    4) O que se sabe por enquanto é que a Caixa enfiou 700 milhões de reais num banco falido cujo dono participou de alguns encontros secretos com o presidente da República. Hoje ela é dona de 49% do capital votante, e de 35,54% do capital total. Se a CEF vai ter prejuízo ou não, vai depender da liquidez futura do Panamericano e se ela vai conseguir reaver o valor que ela aplicou.
  • Vinci  11/11/2010 23:04
    Leandro,

    Gostaria que vc me respondesse como os austríacos explicariam o sucesso da social-decomcracia. E não me venha dizer que lá existe liberdade economica ou que houve acumulação de riqueza antes desse processo. Quero saber como a social-democracia, com estado muito atuante e liberdade economica deram certo, mas mesmo assim vocês criticam




    P.S: Deixo claro aqui que não sou marxista, Keynesiano ou qualquer porcaria dessas. Apenas acredito que tenho MUITO pouca leitura ou conhecimento acumulado para me enquadrar a alguma corrente. Por enquanto, prefiro ler e questionar, até que, quando achar respostas suficientes, dê-me por satisfeito - quase impossivel!
  • Gabriel Oliva  12/11/2010 11:01
    Vinci,

    Aqui estão alguns artigos do IMB sobre o assunto que você perguntou:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=632
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=113

    E aqui estão os dois mais importantes índices de liberdade econômica que são feitos anualmente:
    www.freetheworld.com/2010/reports/world/EFW2010-ch1-ch2.pdf
    www.heritage.org/index/Ranking.aspx

    Note que, em ambos, os países escandinavos estão bem colocados nos rankings. Isso se deve ao fato de que o tamanho da carga tributária, apesar de importante, não é o único determinante da liberdade econômica.
  • mcmoraes  12/11/2010 11:45
    Vinci, vc deveria elaborar + a afirmação a respeito do sucesso. A propósito, aqui vai a opinião de alguém q discorda d vc.
  • André Poffo  11/11/2010 23:48
    Vinci, que sucesso?

    Aliás, já pensei como você, sem me enquadrar em alguma doutrina, mas isso antes de ler sobre a Escola Austríaca. Inclusive ainda não estou satisfeito, acerca dos conhecimentos.
  • Adriel Santos Santana  12/11/2010 00:16
    Vinci,

    A resposta para sua indagação está vários textos deste blog. É só procurar.

    P.S: "E não me venha dizer que lá existe liberdade economica ou que houve acumulação de riqueza antes desse processo." Você afirma que tem pouco conhecimento sobre o assunto, mas prefere já ir descartando certas respostas? Está começando com o pé errado, amigo.
  • Vinci  12/11/2010 01:52
    Adriel,

    agradeço a atenção. Quanto a descartar certas respostas, fiz isso por que alguns austriacos criticam o tamanho do estado, mas dizem que a social-democracia escandinava é "diferente". E não é um sucesso? que dados economicos vc olha? crescimento do PIB ou qualidade de vida dos ultimos 50 anos? Sucesso sim! Vc pode me dizer que a asfixia da poupança interna devido a um estado oneroso gera niveis cada vez menores de investimento, que altas cargas de tributação diminui a liberdade de consumo dos indivíduos.... Essa resposta pra mim não serve. São falácias.

    Educação de excelente qualidade... saúde... habitação... transporte público... e LIBERDADE ECONÔMICA, meu caro. É isso que tem na escandinávia.

    Eu já procurei por artigos aqui no IMB mas n encontrei. Se puder, me indique algum.

    Ah, sei que o Leandro vai fazer um comentario pertinente aqui. Esse rapaz é sempre solícito.
  • Fernando Chiocca  12/11/2010 14:47
    Vinci, seria bom você levar em consideração dois elementos antes de tentar afirmar o que funciona e o que não funciona.
    Os dois elementos são tempo e relação de causalidade.
    Em outras palavras, quando você observa um resultado que considera desejável, e avalia quais os fatores que levaram a obtenção deste resultado, você deve observar se o resultado foi obtido por causa destes fatores ou apesar destes fatores.
    E deve considerar que os resultados observados não são permanetes, e podem ter sido obtidos antes dos fatores e estarem decaindo após estes fatores que você observou.

    Enfim, o que você fez foi praticamente a mesma coisa que uma pessoa observar um ladrão roubando uma mansão luxuosa e dizer que a mansão é luxuosa por causa do ladrão..
  • Andre Poffo  13/11/2010 12:26
    Adiciono ao comentário do Fernando, que o resultado sendo desfavorável, como uma crise, também poderá ser avaliado do mesmo jeito.
  • Adriel Santos Santana  12/11/2010 11:50
    Vinci,

    O Gabriel Oliva já postou os tais artigos em resposta ao seu penúltimo comentário.

    Sobre seu último comentário, bem:

    "(...) a asfixia da poupança interna devido a um estado oneroso gera niveis cada vez menores de investimento(...) altas cargas de tributação diminui a liberdade de consumo dos indivíduos(...). Essa respostas(...) são falácias."

    Falácias?!? Quem afirma é que tem que provar, não é? Então, prove aqui que são falácias. Agora você me deixou curioso. Quero muito saber qual é a sua explicação econômica para tais problemas enfretados pelos países escandinavos atualmente.

    E o Leandro ainda irá te responder como sempre faz. Ele realmente é muito solícito.
  • mcmoraes  12/11/2010 16:13
    Olhem só q coincidência. Essa mesma pergunta já foi feita por um Vinci (seria o mesmo?). E já foi respondida pelo Leandro.
  • Vinci  12/11/2010 17:43
    Caro Adriel,

    novamente agradeço a atenção. Sobre as falácias, elas existem quando os economistas observam certos dados da economia e não analisam outros. O nível de investimento da economia escandinava é sustentável, meu caro, mas no curto prazo pode não parecer. A prova disso são os mais de 50 anos de sucesso - repito, sucesso - da qualidade de vida naqueles países. A despeito dos níveis de investimento e poupança - identidades macroeconomicas - os países escandinavos sempre tiveram a melhor qualidade de vida da Europa.

    Caro Chiocca, a mim você não disse nada. Sua comparação com o ladrão e a mansão não se adequa ao caso, por que os estados escandinavos - os "ladrões" - geraram distribuição de renda e enorme qualidade de vida, além da liberdade econômica tão bem falada. Então, tenho certeza que você tem comentários mais pertinentes para postar aqui, além dessas análises anacrônicas. Sobre "o você deve observar se o resultado foi obtido por causa destes fatores ou apesar destes fatores.", foi exatemente isso que fiz. A maior distribuiçaõ de renda e qualidade de vida naqueles países se deu pelo ESTADO social-democracia, ou é pura coincidência esses países alcançarem os maiores indices sociais justamente após a implementação do projeto social-democrata?


    Sobre os artigos indicados, vou dar uma lida aqui.
  • Fernando Chiocca  13/11/2010 13:36
    nos estados escandinavos - os "ladrões" - geraram distribuição de renda e enorme qualidade de vida, além da liberdade econômica tão bem falada.

    Ou seja, o que você está dizedno é que o roubo da mansão aumentou a renda e a qualidade de vida dos ladrões(de fato) e de quem foi roubado? E que ser roubado é ter liberdade? Liberdade = escravidão? Ser roubado aumenta a qualidade de vida da vítima?
    E é impressão minha ou você realmente defende que ladrões roubem as pessoas para melhorar sua qualidade de vida?

    Então, tenho certeza que você tem comentários mais pertinentes para postar aqui, além dessas análises anacrônicas.

    Tenho sim.
    A economia é uma ciência de causa e consequencia. E suas proposições são axiomáticas lógico dedutivas, são válidas a priori, ou seja, são irrefutáveis. Logo, é interessante você levar isto em consideração.
  • Leandro  12/11/2010 23:02
    Prezados, estarei sem acesso à internet até segunda feira. Sobre a Escandinávia, o sempre incansável e prestativo mcmoraes já se prontificou a postar, logo ali em cima, um link em que respondi detalhadamente à questão da Escandinávia feita pelo próprio Vinci.

    Que ele venha agora dizer que nunca viu nada aqui a respeito do tema é no mínimo sobrenatural.

    Abraços.
  • Erick Skrabe  13/11/2010 10:17
    Vinci,

    Acho que o tema Escandinávia já foi respondido.

    Mas ñ é uma conversa fácil. Porque é um modelo que hoje ainda funciona.

    Eu acredito que este modelo não seja sustentável - mas isso é uma opinião pessoal baseada na minha experiencia profissional com empresas de lá.

    Outro ponto, como lembrou o Fernando, é que a Guerra ñ destruiu nada de relevante nesses paises (apesar de problemas, como os estupros nazistas na Dinamarca) e da Noruega ter relativamente muito petróleo (em ralação ao tamanho de sua população).

    Só um adendo: "Sobre as falácias, elas existem quando os economistas observam certos dados da economia e não analisam outros." (Vinci)

    Falácas não são necessariamente omissões ou mentiras. Falácias são argumentos inválidos mas que parecem ter sentido. Talvez a forma mais comum é quando se ataca QUEM fala e não O QUE fala.

    Essa coisa de só mostrar os dados que interessam tb é picaretagem intelectual, mas de outro tipo. Se vc aceita uma sugestão leia o "como ganhar uma discussão sem precisar ter razão", um livro do Schopenhauer que fala de vários esquemas de picaretagem. Vc vai reconhecer vários deles nos discursos dos politicos.
  • Vinci  13/11/2010 18:25
    Chiocca, ainda com essa de mansão-ladrão, meu caro?

    A comparação Estado social-democrata = ladrão é feita por vc, não por mim. Não perverta as coisas.
    "
    ...E suas proposições são axiomáticas lógico dedutivas, são válidas a priori, ou seja, são irrefutáveis."

    Quem lhe ensinou isso, meu rapaz? Santo Agostinho? A economia é axiomática logico dedutiva? Quem dera fosse isso, principalmente pelos grandes erros causados pelo método indutivo. Mas é um ledo engano creditar tais adjetivos à tão jovem ciência econômica.



    Meus caros, vcs me convenceram. A Suécia e os demais países escandinavos são financiados por ladrões. Seu povo não perde por esperar a desgraça que virá em breve, devido ao modelo de estado aplicado ali. Tenho pena desses países, cheios de "ladrões", pessoas desgraçadas e miséria em todo canto. Podem estar até "melhorzinhos" agora, mas em breve, de acordo com o método escatológico da "grande escola austríaca", aquilo tudo vai ruir!

    Caro Chiocca, com o seu método axiomático lógico dedutivo cheguei a conclusão que a escandinávia não tem solução. JÁ ERA!!!



    Pobres suecos...
  • Fernando Chiocca  13/11/2010 19:37
    Vinci, "Não é nenhum crime ser ignorante em economia, a qual, afinal, é uma disciplina específica e considerada pela maioria das pessoas uma "ciência lúgubre". Porém, é algo totalmente irresponsável vociferar opiniões estridentes sobre assuntos econômicos quando se está nesse estado de ignorância." - Murray Rothbard

    E você, meu caro irresponsável, acabou de demonstrar que não só é ignorante em economia como sequer sabe do que se trata a ciência economica, o ramo mais desenvolvido da praxeologia.

    E sua irresponsabilidade é o que dá força a essa sandice que temos mundo afora, onde abilolados apoiam a imitação do modelo destrutivo hora adotado em países ricos em países pobres, perpetuando a probreza e baixa qualidade de vida nestes países.

    Devo crer que suas intenções são as melhores possíveis. Olha para as vantagens da Suécia e queria vê-las no Brasil. Mas, carecendo de uma teoria, falha completamente na anáilise de causalidade, e acaba defendendo que "ladrões roubem mansões para existir mansões".

    Tenha calma.Estude. Aprenda. Depois vocifere.

    abs
  • Vinci  13/11/2010 19:55
    Pronto, Chegamos no ponto onde queria.

    Não fique chateado comigo, Leo - olha a intimidade! Juro a você que não sou social-democrata. O que tentei fazer aqui foi mostrar que as certezas da escola austrica não são tão certas assim. A prova disso é que vcs criticam o estado grande mas não sabem explicar o sucesso escandinavo.


    Quanto a mim e minhas opniões políticas, esteja certo de que seria o caos um estado-social democrata aqui no Brasil. Comungo com a escola austrica em muitos quesitos, principalmente na liberdade econômica e na redução do estado. Acredito que política monetária gera desastres inflacionários e que gastos governamentais asfixiam o setor que deveria conduzir o desenvolvimento do país, o capital privado.

    O que não posso deixar de observar é que em outras circunstâncias historicas, econômicas e sociais, a presença do estado gerou enormes benefícios, como o exemplo que dei da escandinávia. Mas foi apenas um exemplo. Em momento algum falei de Brasil ou de que a social-democracia deveria ser copiada.

    Quanto a epistemologia da ciência econômica, vejo que você apenas a enxerga na ótica "austríaca", na conceituação de Mises e Rothbard. Aí, meu caro, a ignorância já não é mais minha.

    De resto, não levarei nunca nossas discussões para o lado pessoal, por que é com figuras como vc que aprendo mais. Desculpe se houve ofença ou algo parecido, tentei apenas apresentar minhas verdades provisórias. Acredito que algumas delas foram mal interpretadas, mas isso é natural.

    Continuarei postando e comentando sobre os artigos aqui Juro que adoro o IMB e aprendo muito com vocês, inclusive com seus acertos e equívocos.


    "Tenha calma.Estude. Aprenda. Depois vocifere.". Hehehe. Valeu pela dica, farei isso e voltarei mais vezes.

    Grande abraço
  • Fernando Chiocca  13/11/2010 20:54
    Leo?

    Sabemos explicar e já explicamos tudo. O sucesso que você vê é apesar do estado. O estado é um ladrão roubando a mansão. E mesmo que alguém (náo posso acreditar) não se importe com um crime como este, as consequencias economicas deste tipo de política são extremamente destrutivos, reduzindo o bem estar geral.

    E tem razão, considero apenas a ótica austríaca, pois é exclusivamente isso que chamo de ciência econômica. Para as diferenças entre a escola austríaca e a neoclássica, veja: www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=30
  • Gustavo  13/11/2010 22:55
    A prova disso é que vcs criticam o estado grande mas não sabem explicar o sucesso escandinavo.

    ?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?
    Isto tem um nome: trollagem.
  • Miguel A. E. Corgosinho  13/11/2010 23:28
    A primeira questão estrutural do lastro da moeda é: qual proteção garantidora assinala uma retomada para a repartição do chamado lastro de valor? \r
    \r
    \r
    \r
    - Estado \r
    - livre mercado \r
    - ciência\r
    \r
    \r
    \r
    O Estado, no seio da cultura mundial, aparece como terreno escolhido para a fonte original da produção. Mas os adeptos do acaso sustentam pelo menos três maneiras preliminares de relegar o dominio do valor científico da moeda por trocas de posições com o preço de lastros: com emissão títulos, segundo dívida pública, câmbio ou padrão ouro.\r
    \r
    \r
    De modo aproximado, os indicativos econômicos, entretanto, não presumem um unico motivo para representar, por igual, qualquer setor das relações da produção - de modo a qualificar determinado valor de unidade monetária em que a moeda deriva da base correta de sua dedução.\r
    \r
    \r
    Tal disposição culmina no Estado ser destituído ferozmente da visão interior da produção, pela taxa de câmbio (de moeda para moeda), Por outro lado, o livre mercado poderia fazer uma excessiva disparidade entre o valor da moeda e a produção caso revelada pela escassez de ouro. Todos dessa diversidade de objetivos, portanto, não presumem um unico motivo para descrever qualquer setor da realidade - de modo a qualificar o valor determinado em que a moeda deriva da base correta de sua dedução.\r
    \r
    \r
    Os próprios interesses da propriedade privada simplesmente não decidem a sorte da delimitação objetiva restrita a quantidade de recursos autofundamentantes - como a localização espaço temporal redutiva à grandeza suscetível de medida independente, a qual conservaria o caráter absoluto dum valor cognoscitivo na ciência. \r
    \r
    \r
    Assim, a moeda do mercado financeiro diante de situações hipotéticas, postas no centro do debate das nações, parece gozar do privilégio dos especuladores que enfeitam em muitas vezes o sentido de valor.\r
    \r
    \r
    A tarefa que me proponho é oferecer um exemplo perfeito de valor, que não é secundário, e, com certeza, leva em conta o ponto exterior que tem por meio certos os limites para caracterizar a superação, por dia, de todas as necessidades valorativas da propriedade privada.\r
    \r
    \r
    O padrão ouro que seria para muitos predecessor exclusivo da fidelidade dos objetos, nos ensina que só o parto da natureza é a condição necessária para estabelecer onde as premissas de valor são obtidas\r
    \r
    \r
    Conforme a consequência da prioridade cronológica do progresso da produção, o lastro da moeda sugere que se trate o devir do valor como forma dos precedentes imediatos da natureza e a contraprova da matemática desde suas origens. Tudo isso é importante para novas produções, mas o sentido de valor se encontra dentro das distinções dos sistemas que inversamente devem transformar completamente a elaboração do único requisito decisivo da ciência econômica.- visar a finalidade das funções que procuram reduzir a moeda ao âmbito universal, para o qual depositaremos todo o patrimônio do saber certo que a ciência pode empreender.\r
    \r
    \r
    Assim o valor poderia se conservar como uma forma de, a priori, resumir um ponto exterior qualificado para legitimar o futuro de todo coligir do livre mercado no infinito? claro.\r
    \r
    \r
    Examinemos a eficácia teórica de formar um mundo ideal, no papel, centralizando a estrutura de passagem da economia, ascendente a trajetória do cálculo de valor correspondente ao sistema que se baseia em fatores de tempo, a ponto de poder adquirir o meio de existência espacial da propriedade produtiva aqui na terra.\r
    \r
    \r
    Dessa consideração deve emergir um mundo real como mediação constante do sistema de referência de tempo; idêntico aos fatores da produção, fiel de um "sistema em si", em "razão de referência" para todas as nações. Uma medida de unidade de valor (=A) sobre o conjunto das voltas periódicas da produção se constitui com a ciência de que cada fator misto de consolidação prática pode dar conta da formação objetiva da realidade fora dela.. \r
    \r
    \r
    A moeda se constrói como resultante do total de alternâncias (=X), através da unidade de universalidade, ao manter a razão de espaço no cosmo isenta da contradição, quanto a coerência e completeza, porque ao cosmo são dadas as vinculações de verossimilhança opostas entre ponto espaço..\r
    \r
    Com efeito, como equiparar os objetivos nacionais de conversão do objeto em moeda no seu primeiro tempo de espaço no cosmo? - Torna-se necessária a ciência da razão que movimenta (=A =X) e retorna a si mesma depois de fundamentar a "natureza de nossos dias". Isto no plano cósmico exige um meio exterior - o Mundo Real - suprimindo a negação de valor (+ 1). E é claro que não se pode aplicar enunciados de valor em parte alguma por moeda se algo concreto não tomar o seu lugar no papel decisivo do aspecto abstrato, pelo ponto de natureza da produção (A=A ) - o primeiro A dividido em fatores no segundo A)..\r
    \r
    \r
    Inalienável ao Estado, o ponto de natureza estabelece a unidade no diverso, vinculada, por sua vez, a progressão mútua de primissas; isto é, a partir da precedência de A é A passamos a sustentar no cosmo uma imanência de referência exterior - o empirismo lógico entre atividades e passividade: a quantidade sobre a significancia dos termos de "valor".\r
    \r
    \r
    Daí se passar a natureza =A para que a reflexão de valor possa ser de consciência externa (=X): Logo, vem ao caso explicar a necessidade do ponto de apoio do Mundo Real.ser a história corrente dos dias, para a razão de referência periódica de um mês ser solucionada simultaneamente em um dia.\r
    \r
    Podemos nos valer da transcrição a seguir para atribuir um oposto que possa fixar aqueles fatores que preencham a sua razão de referência no "meio exteior" para explicar "A", hoje atribuído à condição negativa da moeda (financiamento externo em dólar): "Fichet pág, 114: A imaginação não põe em geral nenhum limite fixo, pois ela própria não tem nenhum ponto de apoio fixo; só a razão põe algo de fixo, pois só ela fixa a própria imaginação. A imaginação oscila entre determinação e a indeterminação, finito e o infinito"...\r
    \r
    ..."A consciência só é possível por reflexão e a reflexão só é possível pela determinação."\r
    \r
    A consciência externa da razão de referência, para perfazer o resultado último, põe a repetição unificante da origem num espaço exterior - o centro mundial da moeda para determinações de novas produções ao PIB - imaginado ao cabo de uma rede mundial do sistema em si, apto a resolver o problema de um lugar para o saber certo da determinação das finalidades e às suas adequações nos fatores.\r
    \r
    Em contrapartida, o sistema cósmico é o pano de fundo desta síntese do apoio fixo ao sistema em si, quando passa a engendrar a propriedade privada com as distinções dos fatores (que ainda conheceremos ao seu tempo), para a medida que realmente ocorre como alternativas das proposições da Sociedade Industrial.\r
    \r
    A rigor, segundo um apoio fixo de espaço (capaz de unificar todos os fenômenos), o universo econômico permite à própria história o começo absoluto. Como tal, um dado dia terá todo o projeto potencial de um mês reflexionando (valor=X), sobre o qual evolui a transposição do uno (valor/moeda) da produção, limitado pela unidade de tempo do mundo real..\r
    \r
    Direi futuramente as distinções dos fatores em proposições das classes da natureza real
  • Vinci  13/11/2010 23:38
    Na verdade queria dizer "Chi" ou "Nando". É que fiquei com postura solícita do Leandro na cabeça. hehe - sem qualquer conotação de pederastia!


    Sou um admirador de Popper, meus caros. Acredito na falseabilidade das verdades provisórias. Busco sempre falsea-las. Quando não consigo, assumu-as como "verdade".

    O Fato é que vocês do Mises Brasil me ajudam muito. Com toda sinceridade, aqui eu acho pessoas que questionem, debatam e elevem a discussão a um nível interessante.

    Meu sonho um dia é ser liberal! hahahaha. Infelizmente ainda não consigo deixar de falsear varias ideias da escola austriaca, mas algum dia, quem sabe...


    Espero continuar sendo bem recebido e vendo as discussões em tão bom nível. Mas se um dia eu ver aqui a unanimidade, a concordância de todos, passarei a ver esse sítio com descredito. Homogeinização é coisa de comunista! hahaha


    Grande Abraço.
  • Fernando Chiocca  14/11/2010 00:34
    Você ia pirar se eu te dissesse que o método da falseabilidade de Popper não passa em seu próprio critério de validação? Isto mostra que existe outro tipo de conhecimento.

    Veja mais sobre a metodologia aqui neste curto livro:www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=18
  • Vinci  13/11/2010 23:52
    Gustavo, não quero parecer um troll, com toda sinceridade. Apenas tento rebater os conceitos que acho invalidos.
  • Gustavo Boscolo Nogueira da Gama  14/11/2010 01:09
    Sua falsidade toma um imenso tempo de pessoas que poderiam produzir muito mais intelectualmente - com o agravante de que este trabalho desperdiçado seria um tremendo adiantador da mudança do nosso desgovernado país.
    Sobretudo, se você queria fazer piada conosco, conseguiu, pois o cavalheirismo é intrínseco a nós, os (publicamente) idiotas dos "austríacos".
    Fico imaginando pelo que passaremos até que tenhamos uma visibilidade nacional mínima; uma visibilidade nacional mínima positiva, então... puxa. Somente os que desejam de verdade o bem estar comum é que sabem quanto sofrimento causa este simples exercício.
    Tomara que um dia você se arrependa do que faz e passe para o lado dos que não suportam mais (no meu caso, tive depressão) ver o sofrimento que a escassez causa.
    Deus te perdoe. Sério.
  • Vinci  14/11/2010 01:41
    Hahahahahah! Grande Gustavo! Seu depoimento foi comovente.

    Peço desculpas por todo mal que causei! Serei mais "positivo" da proxima vez.
  • Vinci  14/11/2010 01:52
    Chiocca, eu não entendi sua colocação sobre a falseabilidade popperiana.

    "Você ia pirar se eu te dissesse que o método da falseabilidade de Popper não passa em seu próprio critério de validação? Isto mostra que existe outro tipo de conhecimento."

    Eu não entendi a frase. Como assim?
  • Fernando Chiocca  14/11/2010 16:33
    O falsificacionismo não é o metódo apropriado para encontrar verdades ciêntíficas no campo da ação humana.
    Quando você diz que esta aplicando o método popperiano para atestar verdades economicas, você está praticando bad science.
    As proposições economicas são sintéticas a priori, e, como já dito, são certezas apodícticas.
    O método empirista-positivista de Popper foi atacado até mesmo pelos relativitas; "Falsification, near enough, has been falsified" e dificilmente pode ser considerado válido até mesmo para as ciências naturais. Veja In Defense of Extreme Rationalism
  • Vinci  14/11/2010 19:27
    Seria presunção minha dizer que aplico o método Popperiano de falsear as "verdades". O que aprendi com Popper foi sempre buscar os erros, sempre enxergar as verdades não como apenas confirmações, mas vê-la também em suas contradições.


    Sobre o caracter epistemológico das ciências econômicas e as análises contidas em Popper, prefiro não comentar. Sei muito pouco desse assunto, e como você disse:

    "Tenha calma.Estude. Aprenda. Depois vocifere."


    Epistemolia e Popper estão na minha lista de assuntos a serem estudados no verão.


    Você tem outro contato via web sem ser aqui no IMB? Blog email ou orkut? Algum canal para que eu possa tratar de outros temas.


    Valeu
  • Daniel  17/11/2010 15:16
    Aqueles que entendem que a livre iniciativa é o caminho do progresso e que acreditam que a liberdade de expressão é um princípio inegociável devem ler essa reportagem.

    Nem tão livre assim
    www.teletime.com.br/9/2010/nem-tao-livre-assim/tt/204100/revista.aspx

    "O Plano Nacional de Banda Larga, editado em maio, por exemplo, está provocando mudanças regulatórias importantes que podem significar a ruptura do paradigma de Internet desregulada. O princípio é simples: ao atuar para que a Internet se massifique, o governo precisa intervir no mercado e impor regras, e isso muda o quadro de livre desenvolvimento que vigorava desde 95."
  • augusto  17/11/2010 16:12
    "Quando se discute o serviço como um direito, é um serviço que deve ser considerado essencial e deve ter um tratamento similar a outros serviços considerados essenciais"\r
    \r
    "serviço como um direito"\r
    "serviço que deve ser considerado essencial"\r
    \r
    ...\r
    \r
    argh
  • Conservador  17/11/2010 17:33
    Serviços essenciais devem ser regulados pelo estado. Afinal, se nosso gado fugir ao nosso controle, como nós criadores ficamos?
  • ZEPIKA  09/10/2012 07:52
    nao existe capitalismo puro, nen nunca vai existir...

    isso é um conto de fadas q os economistas burgueses usam pra nos iludir
  • Neto  09/10/2012 08:19
    troll
  • Pedro  31/01/2013 16:26
    Na verdade, a Wal-Mart não estava pensando nos pobres, mas em competir com os concorrentes. Vender abaixo do preço normal, no prejuízo até, para desbancar os outros. Um exemplo igual a este é o da Coca-Cola, que fez o guaraná Jesus falir. Tudo bem que se defenda o mercado, mas fingir que as empresas são bem-intencionadas é demais.
  • Malthus  31/01/2013 16:34
    Mais um que acreditou nesta falácia do "vender barato tendo prejuízo até quebrar o concorrente e subir os preços". Fale isso com um administrador e ele rirá da sua cara.
    Isso nunca aconteceu em lugar nenhum, e há uma explicação econômica para isso.

    Leia o início deste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1381
  • Emerson Luis, um Psicologo  13/08/2014 21:43

    São três fases: primeiro o Estado proíbe inovações que surgem no mercado, depois regulamente ao máximo e finalmente assume o crédito por sua existência.

    * * *


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.