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E se o Coronavírus houvesse se espalhado sem ser detectado?

Eis um experimento mental que vale a pena

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Por John Tamny
9s atrás

E se o Coronavírus houvesse se espalhado sem ser detectado?

Eis um experimento mental que vale a pena

Dentre aqueles que observaram os trágicos, desnecessários e ineficazes lockdowns feitos ao redor do mundo ao longo dos últimos 11 meses, surgiu uma pergunta interessante: como seria se o coronavírus houvesse se espalhado, mas sem jamais ser diagnosticado ou detectado?

Teria a vida sido diferente em um cenário em que essa coisa que causou um enorme pânico global entre os políticos não tivesse sido detectada?

Não se trata de uma pergunta desarrazoada. 

Dado que é difícil imaginar tal cenário em um mundo dominado por redes sociais, por uma mídia histérica (que assassina reputações de pessoas que não façam genuflexão para seus mandamentos) e por políticos que gostam de ser vistos como "atuantes", esse experimento mental se torna mais fácil se recuarmos no tempo.

Doença de mundo rico

Sendo assim, pergunte-se a si próprio o que políticos e uma mídia histérica teriam feito 100 anos atrás caso houvesse um surto desse mesmo vírus.

Em primeiro lugar, dado que o mundo era bem menos rico há 100 anos, ninguém poderia se dar ao luxo de ficar em casa. Dado que trabalhar era o único meio de vida de praticamente todos, não haveria a menor possibilidade de políticos imporem lockdowns. O povo simplesmente teria se revoltado.

Quanto às mortes, vale lembrar que a expectativa de vida era relativamente baixa em 1920. Isso é relevante quando lembramos que o coronavírus, em termos de letalidade, se concentra esmagadoramente em idosos. Nos EUA e na Europa, as mortes ocorreram majoritariamente em asilos e casas de repouso

Tais localidades não eram comuns há 100 anos, e por um motivo simples: pneumonia, tuberculose, meningite, difteria e várias outras doenças letais sempre pegavam as pessoas antes de elas chegarem à terceira idade.

Ou seja, falando mais diretamente, não havia um número suficientemente alto de idosos em 1920 para que o vírus pudesse ter qualquer tipo de impacto letal notável. Consequentemente, devido a esta escassez de idosos, o vírus talvez nem sequer teria sido descoberto.

Pense nisso.

Não é exagero nenhum dizer que o coronavírus é um vírus "para o mundo rico". Fechar o comércio, proibir as pessoas de trabalhar e colocá-las para vivendo de assistencialismo do governo é um arranjo que apenas sociedades muito ricas podem se dar ao luxo de implantar. Pessoas produtivas (e por isso financeiramente bem-sucedidas) possuem empregos "portáteis" (podem trabalhar de casa) e passaram incólume pelos lockdowns (há um estudo que mostra como a disparidade de renda aumentou durante os lockdowns, para surpresa de ninguém). Acima de tudo, apenas em um mundo em que os idosos são realmente velhos é que o vírus consegue ter qualquer correlação notável com a morte.

Atualmente, a expectativa de vida é a maior da história do mundo, e é assim por causa dos enormes avanços na medicina possibilitados pela criação de riqueza e pela acumulação de capital ocorrida ao longo do tempo, as quais possibilitaram às pessoas viverem mais tempo.

A humanidade nem sequer teria notado esse vírus 100 anos atrás. Nós simplesmente não éramos ricos o bastante para isso.

O vírus já estava aqui; e sem histeria

Tudo isso nos leva a um recente estudo do National Institutes of Health (Institutos Nacionais da Saúde), o qual demonstrou que, apenas no último verão americano, praticamente 17 milhões de casos de coronavírus não entraram nas estatísticas. Segundo o estudo, essa descoberta sugere que pandemia estava muito mais difundida no país do que se imaginava. 

Ora, mas é óbvio. E isso ocorreu em todos os países do mundo.

A menos que as pessoas já tenham se esquecido, este vírus começou a circular pelo mundo em algum momento do segundo semestre de 2019, se não ainda antes. Questão de lógica. 

O Partido Comunista Chinês, conhecido por praticar abertamente a censura de informações e por não ser transparente, reconheceu ao mundo a existência do vírus em 31 de dezembro de 2019, o que significa que o vírus certamente já existia e circulava bem antes disso. O epicentro do vírus, a rica cidade chinesa de Wuhan, é facilmente conectável ao resto do mundo via Xangai e Pequim. Milhares de voos diários ligando a China ao resto do mundo eram a rotina até o início de 2020. 

A lógica impõe que o vírus já estava infectado as pessoas globalmente muito antes de os políticos entrarem em pânico. 

[N. Do E.: no Brasil, partículas do novo coronavírus já haviam sido descobertas em amostras do esgoto de Florianópolis colhidas em novembro de 2019; e já se sabe que o vírus já circulava no Espírito Santo em dezembro de 2019].

Sendo assim, não é nada surpreendente que as estimativas feitas sobre o número de infectados nos EUA estejam bem abaixo da realidade. Isso certamente também está ocorrendo no resto do mundo. 

Se, como afirmado pelos especialistas, este vírus se espalha facilmente, e com mais intensidade que o vírus da gripe, e dado que ele começou a se disseminar pelo mundo em algum momento de 2019, então é óbvio que o real número de infectados pelo mundo é muito maior do que o apontado nas estatísticas oficiais.

Mas o que é realmente interessante nesta rápida disseminação é que a vida continuou seguindo normalmente enquanto o vírus se espalhava pelo mundo. Nos últimos meses de 2019 e nos dois primeiros meses de 2020, as pessoas já conviviam com o vírus. E a vida seguia normal. Aquilo que é majoritariamente letal para os mais idosos não é muito notado por aqueles que não são velhos. Um vírus que rapidamente se espalhava não era um fator importante até os políticos decidirem torná-lo importante.

Com efeito, um vírus que é majoritariamente letal apenas para os mais velhos possui características mansas para os jovens. Se eles são infectados, a esmagadora maioria nem sequer considera os sintomas preocupantes o bastante para irem fazer exames.

É isso o que o estudo dos Institutos Nacionais da Saúde parece indicar. O estudo analisou testes sanguíneos de 11.000 americanos que até então não tinham sido diagnosticados com Covid-19. Dos participantes, 4,6% tinham os anticorpos da Covid-19, mas sua real fase de infecção nunca ficou aparente para eles.

E é exatamente isso o que as pessoas mais sensatas sempre falaram: o real número de infectados sempre foi muito maior do que as estimativas exatamente porque, para a esmagadora maioria dos infectados, os sintomas da infecção ou não eram sentidos ou não eram incômodos o bastante para justificar uma ida ao médico.

Voltando novamente 100 anos no tempo, pergunte-se a si mesmo quantas pessoas, naquela época, procurariam um médico caso algo semelhante ao coronavírus estivesse se disseminando. Ou, melhor ainda, quantos fariam exame em um mundo que era muito mais pobre do que hoje.

Essas perguntas são meramente retóricas. O vírus teria se disseminado rapidamente entre a população mais nova em 1920, e as pessoas infectadas teriam desenvolvido imunidade.

A vida seguiria

Pelo estudo dos Institutos Nacionais da Saúde, não é desarrazoado especular que muito mais indivíduos ao redor do mundo estão imunes ao vírus do que mostram as estatísticas, e que a melhor abordagem, desde o início, teria sido a liberdade

Deixem as pessoas viverem suas vidas. Mais importante: deixe que os mais jovens sejam infectados. Foi exatamente assim que a humanidade avançou durante séculos: sendo infectada e desenvolvendo imunidade. Com efeito, é exatamente assim que se cria imunidade e resistência: sendo infectado.

Portanto, o que teria ocorrido se o coronavírus houvesse se espalhado sem ser detectado? Jamais saberemos, mas é sim possível ter uma ideia. 

O vírus não começou a se espalhar repentinamente apenas em março de 2020. Não é porque os políticos decidiram que deveriam fechar tudo em março de 2020 que o vírus começou apenas ali. Ele certamente já rodava o mundo em 2019. No início de 2020 já era uma realidade. A vida seguia normal enquanto o vírus já circulava pelo mundo.

E assim deveria continuar. Se há algo que a história do mundo comprova é que indivíduos livres estão constantemente respondendo a desafios, e organizando maneiras de atacar esses desafios. Acreditar que, se não houvesse políticos e burocratas dando ordens e apresentando diretrizes, as pessoas simplesmente ficariam sentadas inertes e apáticas em resposta ao novo coronavírus não é nada realista. Elas teriam se mobilizado. Elas sempre fizeram isso. Na melhor das hipóteses, a brutal intervenção política — por mais bem intencionada que fosse — simplesmente revogou essa possibilidade.

Sars-Cov-2 não será o último vírus deste tipo a se disseminar pelo mundo. Pode ter a certeza de que, tão logo a próxima cepa surgir, cientistas alarmistas, médicos e auto-declarados especialistas irão, sem nenhum esforço, convencer  políticos assustados e ávidos por "fazerem alguma coisa" a nos protegerem da doença, e até mesmo da morte. Políticos adoram isso.

Mas será que realmente precisamos de políticos para evitarmos ficar doente? Precisamos de burocratas para nos protegerem da morte? É realmente possível alguém afirmar isso sem nenhuma vergonha?

O real problema dos lockdowns não é que eles destroem empregos, empresas e o espírito humano. O real problema é que tudo aquilo que retira a liberdade é, por definição, contra a própria vida humana. Aquilo que esmaga a liberdade também aniquila o conhecimento necessário para prolongar a vida e o bem-estar.

Foram os políticos que tornaram tudo anormal. Jamais nos esqueçamos da odiosa carnificina que eles conseguem criar quando encontram razões para "fazer alguma coisa".


Sobre o autor

John Tamny

É o editor do site Real Clear Markets, contribui para a revista Forbes

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