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Eis o grande problema com o PIB: ele mensura o trivial e ignora completamente o essencial
E isso leva à adoção de políticas insensatas e destrutivas

Dado que a pandemia de Covid-19 está levando a uma reavaliação das instituições e dos métodos operacionais ao redor do mundo, tem-se aí uma ótima oportunidade para reorientarmos nosso pensamento econômico, de modo que ele passe a corresponder mais corretamente às realidades da economia moderna. 

E isso começa por abandonarmos a mensuração tradicional que se faz do PIB.

O Produto Interno Bruto é um anacronismo. Olhar a variação do PIB como indicativo da saúde da economia (que é o que, na prática, fazem os economistas, a mídia e os governos) faz tanto sentido quanto olhar para o número de calorias ingeridas por uma pessoa e daí determinar a sua saúde.

O PIB é simplesmente o valor monetário de todos os bens e serviços finais que foram comprados e vendidos dentro das fronteiras do país em um dado ano. 

Apenas para relembrar, o PIB de um país é calculado por meio da seguinte (e extremamente simples) equação:

PIB = C + I + G + X - M

C representa os gastos do setor privado, I representa o total de investimentos realizados na economia, G representa os gastos do governo, X é o total de exportações e M, o de importações.

Todos os problemas com esta equação do PIB já foram destrinchados neste artigo, de modo que não necessitam ser repetidos aqui. A abordagem será outra. Aqui, será abordado tudo que o cálculo do PIB não mostra.

Visível, mas não calculado

A mensuração do PIB foi introduzida nos EUA durante a Segunda Guerra Mundial. O intuito era mensurar a capacidade de produção da economia americana naquele período belicoso. Sua intenção inicial era exclusivamente essa. Sendo assim, ele até fazia algum sentido para aquele período. Hoje, não mais. 

Hoje, ele inadvertidamente passou a ser visto como mensurador de bem-estar, de modo que todas as transações monetárias por ele calculadas passaram a ser vistas como sendo um progresso e uma contribuição para a saúde econômica do país.

Sendo um produto de meados do século XX, o PIB serve para analisar a capacidade e a saúde de uma economia industrializada e homogênea, composta de poucos bens e serviços intangíveis. 

Falando mais diretamente, o PIB foi criado para contabilizar carros, geladeiras, tanques e munições, e não para contabilizar aulas de ioga, armazenamento de dados nas nuvens, conferências via Zoom, motoristas de Uber, e vídeos monetizados do YouTube.

É revelador que os atributos mais enfatizados do PIB são os de que ele é fácil de ser compilado e fácil de ser entendido: apenas some tudo. Quanto mais, melhor. Viu? É simples.

Os significativos defeitos na mensuração do PIB não apenas o tornam um indicador enganoso, como também levam a conclusões erradas sobre o que faz a economia pulsar. Tais erros, por sua vez, levaram a políticas públicas extremamente custosas e prejudiciais.

O enfoque está errado

Esse enfoque exclusivo nos produtos finais mascara a real situação da atividade econômica. Como bem sabe qualquer um que já leu o clássico artigo "Eu, o lápis", de Leonard Read, o grosso da atividade econômica está muito abaixo da superfície do produto final que compramos nas prateleiras.

Os produtos finais são transformados ao longo de múltiplas camadas de etapas intermediárias, desde o seu início como matéria-prima até o produto efetivamente finalizado e pronto para o consumo final. Auxiliando no processo de transformação estão os bens de capital, a mão-de-obra, e os insumos complementares que são necessários para a concretização do produto final.

É aí que as principais falhas da metodologia do PIB são reveladas.

A falácia da "dupla contagem"

Para evitar aquilo que os economistas rotulam de "dupla contagem", o PIB não contabiliza o gasto das empresas com investimentos em bens intermediários.

Bens intermediários são classificados como aqueles utilizados (e exauridos) na produção de um bem final. Por exemplo, o pão vendido na padaria é um bem final. Equipamentos como as tigelas de mistura e os fornos comprados pelo padeiro e utilizados para fabricar o pão também são considerados bens finais no cálculo do PIB, pois eles não são exauridos no processo de produção.

Em contraste, a farinha, o trigo e outros ingredientes produzidos e incluídos no pão são considerados bens intermediários. Como tais, o dinheiro gasto pelo padeiro nestes itens não são incluídos no PIB.

Similarmente, a transportadora que entregou a farinha para a padaria forneceu aquilo que é considerado um serviço intermediário, de modo que o dinheiro gasto neste transporte também é deixado de fora do PIB.

A explicação clássica para se evitar a "dupla contagem" dos bens intermediários no PIB é exemplificada pela alegação de que, se a venda de aço fosse acrescentada às vendas da Ford, o aço seria contabilizado duas vezes: uma quando foi vendido para a Ford, e a outra quando a Ford vende o veículo contendo esse aço.

Mas essa lógica é falaciosa, pois ela iguala o valor total dos bens intermediários com o valor que eles acrescentam ao preço final de um produto.  

Voltando ao exemplo do pão, imagine este simples cenário:

  • Um fabricante de fertilizantes vende sementes de trigo para um agricultor por $1.
  • Esse agricultor, que planta trigo, vende seu trigo para o dono do moinho de trigo por $3.
  • O dono do moinho de trigo faz a moagem e a trituração do grão, transforma o trigo em farinha de trigo, e então vende a farinha para o padeiro por $5.
  • O padeiro processa essa farinha, faz o pão, e vende o pão ao consumidor final por $6

O preço final de venda do pão é $6, mas o dinheiro total gasto nos bens intermediários no processo é $9. Obviamente, o total gasto nos bens intermediários não está incluído no preço de venda final.

O que de fato está incluído no preço de venda é o valor agregado em cada fase pelos bens intermediários.

  • O valor agregado pelo fabricante de fertilizantes é $1.
  • O valor agregado pelo agricultor de trigo é $2 (ele vendeu o trigo por $3, mas gastou $1 no fertilizante).
  • O valor agregado pelo dono do moinho de trigo é $2 (ele vendeu a farinha de trigo por $5, mas gastou $3 no trigo).
  • O valor agregado pelo padeiro é $1 (ele vendeu o pão por $6, mas gastou $5 na farinha de trigo).

É o valor agregado o que está incluído no preço final das vendas. Já o volume de gastos nos bens intermediários é descartado pelo PIB.

Os gastos em investimento, e não os gastos em consumo, representam a maioria dos gastos da economia

Tão logo todo o gasto em bens intermediários é levado em conta, temos que os gastos em consumo representam apenas aproximadamente 30% da economia.

O economista Mark Skousen há muito vinha clamando pela necessidade de uma mensuração que ele chama de Produto Integral, a qual captura todos os gastos da economia. Em 2014, esta mensuração finalmente foi adotada pelo Departamento de Comércio dos EUA. Ela revela que a maior parte da atividade econômica envolve não os gastos em consumo de bens finais mas sim investimentos das empresas na produção destes bens.

Daí podemos concluir empiricamente aquilo que a teoria já explicava há muito tempo: não é o consumo o que impulsiona a economia. São os investimentos.

Outros três problemas fundamentais

Além deste grave problema matemático-econômico, há outros três problemas fundamentais em se utilizar o PIB como uma medida da saúde geral da economia.

O primeiro é a sua incapacidade de fazer distinções qualitativas. Isso foi ilustrado pela minha comparação inicial entre PIB e ingestão de calorias humanas. As distinções qualitativas que o PIB é incapaz de fazer podem ser separadas em duas: diferenças qualitativas entre coisas semelhantes e diferenças qualitativas entre coisas distintas.

Eis um exemplo:

  • Um laptop de hoje que custa $3.000.
  • Um laptop de quinze anos atrás que custava $3.000.

De acordo com a equação do PIB, ambos representam contribuições equivalentes à saúde da economia. No entanto, qualquer ser racional consegue entender a enorme diferença nas capacidades dos computadores em questão. Só que isso é completamente ignorado ao se utilizar a métrica do PIB.

O mesmo ocorre no caso a seguir, que ilustra a segunda das duas maneiras como o PIB é incapaz de considere distinções qualitativas:

De novo, qualquer ser racional consegue entender que estas duas coisas fazem contribuições qualitativamente distintas para a saúda econômica e pessoal do país. No entanto, e novamente, em termos de PIB, não há nenhuma distinção entre ambos.

O segundo problema em se utilizar o PIB como uma mensuração da saúde geral da economia é que ele não inclui nenhuma mensuração das perdas que a economia vivenciou ao longo do ano.

Houve furacões ou enchentes devastadoras? Tudo o que aparece na estatística do PIB é um aumento nos gastos com construção. 

Três novos smartphones e um microchip muito mais rápido surgiram este ano? Você não encontrará a depreciação dos modelos anteriores na métrica do PIB.

A produção de energia termoelétrica aumentou? Uma indústria, ao produzir algum bem, consumiu recursos naturais até seu completo esgotamento? O custo da degradação ambiental não aparece no PIB. A violência levou a um aumento dos gastos com proteção individual (cercas elétricas, alarmes, câmeras internas)? O PIB sobe. Mas o efeito deletério da criminalidade não aparece.

Finalmente, o terceiro problema básico em se utilizar o PIB como mensurador da saúde geral da economia é que ele não contabiliza trabalho não-assalariado — isto é, o tempo gasto limpando a casa, cuidando das crianças ou cozinhando. Pague para alguém fazer isso e esse trabalho será incluído no PIB; faça você mesmo, e ele não será. Faz sentido?

E aqui vai um extra: se você vai para o seu trabalho caminhando em vez de dirigindo, isso é "ruim" para economia.

Esse exemplo, por si só, já mostra por que precisamos de ir para além da atual mensuração do PIB.

Para concluir

Basear-se na enganosa e falaciosa mensuração do PIB como indicador da saúde da economia faz com que políticos priorizem medidas destrutivas voltadas a objetivos errados. 

O enfoque sempre será o de aumentar o consumo (o C da equação) via políticas de "estímulo", aumentar os gastos governamentais, incentivar as exportações por meio de desvalorizações cambiais e restringir as importações por meio de tarifas protecionistas. Tudo em detrimento da poupança e do investimento privado. Isso irá apenas levar a um maior endividamento das pessoas e a uma exaustão da capacidade produtiva da economia. 

Se ao menos a pandemia de Covid-19 levasse a uma reformulação do PIB…


autor

Bradley Thomas
é o criador do portal Erasethestate.com, é libertário ativista e escritor com aproximadamente 15 anos de experiência na área de filosofia política e economia.


  • Curiosidade  01/09/2020 19:46
    Se vocês não tivessem nascido no Brasil em qual país vocês escolheriam?
  • Antônio Carlos  01/09/2020 20:15
    Posso soar ridículo, mas eu gosto muito daqui, gosto da minha vida aqui, gosto das pessoas com quem convivo. Não escolheria nenhum outro país.
  • Vinicius  02/09/2020 00:46
    E soa ridículo mesmo ainda bem que admite, evite ao máximo falar tamanha atrocidade para um jovem pobre brasileiro sem perspectiva e desesperado por uma melhora em sua vida.
    O Brasil é de longe o país grande que menos estimula seus jovens a irem ver o mundo lá fora seja que motivos for, para viagem, para férias, para aprender idiomas de verdade e não essa vergonha que ensinam aqui, para trabalhar uns anos, fazer um estágio, para sair pegando geral, estudar, imigrar, para conhecer suas origens enfim uma perfeita perpetuação da ignorância.
    A primeira coisa que alguém vindo de um país com tanta dificuldade nota ao pisar no mundo normal é que os problemas têm solução, com 95% da população jamais saindo daqui pra ver algo menos pior são todos presas fáceis de políticos picaretas e seus amigos querendo perpetuar a ignorância.

  • Marcos  10/09/2020 18:18
    Meu caro, ridículo é você tentar desqualificar a opinião alheia só porque a sua realidade é diferente. Se uma pessoa faz um comentário escrevendo que gosta do Brasil e não trocaria o país por nenhum outro, essa é a opinião dela. A realidade dela é diferente da sua, não a julgue.
  • Vinicius  10/09/2020 19:34
    Marcos, não sou seu caro, o comentário foi publicado em uma plataforma de livre debate, meu comentário serve de vacina para que um incauto do andar de baixo o leia e acabe se enganando sobre o quão amaldiçoado é este país para ele, e você tem algum argumento para contribuir com o debate?
  • Estado o Defensor do Povo  02/09/2020 00:21
    Sou novo pra responder esse tipo de pergunta, vejamos como o país estará daqui a 60 anos, eu provavelmente ainda estarei vivo até lá.
  • Vinicius  02/09/2020 00:53
    Gostaria de ter nascido alemão ou canadense por motivos práticos, mas no fundo do coração apenas gostaria de ter nascido no seio de uma família estruturada aqui no Br mesmo. Ser neguinho, nerd, filho de mãe solteira sem estudo na periferia é pesado demais, muita dependência das estruturas estatais disfuncionais e de uma sociedade com poucos conhecimentos disseminados para lhe compartilhar.
    E você? Gostaria de ter nascido onde?
  • Felipe  02/09/2020 12:17
    Estados Unidos ou Alemanha.
  • Alguem  02/09/2020 16:42
    Estados Unidos,Canada,Irlanda,Nova Zelandia,Polonia. Os melhores paises do mundo em minha opiniao.
    Quanto a familia extruturada,é muito importante o que o Vinicius escreveu.
    Porem,o duro que muita gente nao ve isso e sai botando filho no mundo com qualquer homem ou mulher.
  • Andre  02/09/2020 19:09
    "Quanto a familia extruturada,é muito importante o que o Vinicius escreveu.
    Porem,o duro que muita gente nao ve isso e sai botando filho no mundo com qualquer homem ou mulher."

    Isso não vai mudar, pelo contrário vai piorar, com o declínio dos casamentos e da taxa de natalidade só resta ao estado usar a irresponsabilidade sexual dos jovens pobres para garantir os pagadores de impostos do futuro.

    gostaria de ter nascido na Austrália, Nova Zelândia ou Inglaterra.
  • Frederick Bastiat  03/09/2020 20:30
    Suíça
  • vastolorde  02/09/2020 16:11
    Sua forma de pensar é meio vitimista. A vida é dor, viver é sofrer, é passar por problemas. Nascer em outro país, mesmo nos mais ricos não é garantia de que sua vida será melhor, que terá mais oportunidades e por fim ficará menos exposto a políticos picaretas, demagogos e etc. Na verdade é bem provável que será ainda mais fácil de cair nas promessas absurdas de pilantras da política.

    Eu tenho os EUA e a Suiça como locais incríveis, e tenho certeza se pudesse escolher uma nacionalidade preferiria essas. Mas só se eu pudesse escolher o tempo em que viver. Nos tempos atuais todos estão indo para o mesmo buraco. Demagogos dominam o mundo democrático, como previsto pelos antigos filósofos gregos. Mas as pessoas estão cada vez mais sensíveis e fracas, e somos incapazes de lutar contra essas pessoas. Materialismo e o Consumismo, são as religiões do mundo, assim como o Xintoísmo e o Budismo são no Japão.
  • Vinicius  02/09/2020 18:52
    "Nascer em outro país, mesmo nos mais ricos não é garantia de que sua vida será melhor, que terá mais oportunidades e por fim ficará menos exposto a políticos picaretas, demagogos e etc. "

    Não é garantia né? nada é 100% mas faz um bem danado nascer pobre num país rico, vai ter esgoto, educação que permita aprender um ofício, conseguir um emprego simples sem precisar de ajuda de um político ou amigo poderoso, receber o ordenado em moeda que não desvaloriza muito, andar nas ruas com menos chance de tomar um tiro e quem sabe até ter um carro.

    Eu não sonego informação de jeito nenhum, ensino a molecada mais desenrolada da minha antiga quebrada a sair disso aqui, diminuir o gado pagante de impostos e serviçais de uma classe média que sente nojo deles, os mais estudiosos ensino a tirar visto de estudante na Austrália, os mais bonitões e fortes a assumir mãe solteira nos EUA e Canadá e os mais malandros a serem motoboy em Portugal e Galícia. Os muito pobres também precisam de uma chance e certamente esta não está no Br.
  • PESCADOR  02/09/2020 17:04
    Eu queria ter nascido na Suiça. De longe, o melhor país que já visitei. Melhor que Alemanha e EUA. Qualidade de vida absurdamente alta para os padrões de um mundo cada vez mais estatista; muita oportunidade para os jovens; o país é de uma beleza natural incrível, além de ser muito limpo; mulheres bonitas em todos os lugares; etc, etc, etc.
  • Vladimir  02/09/2020 18:15
    De todos os que eu já conheci, estes são os que me marcaram mais:

    A Suíça é o mais incrível.

    Os EUA são os de vida mais fácil. Sério, tudo lá é moleza de se fazer e de se conseguir. É o país que de fato entrega facilidades.

    O Canadá é agradável, mas você só não pode ficar doente. Os hospitais deles são uma bosta. Todo mundo vai pros EUA pra se tratar.

    Portugal é supreendentemente agradável. E barato.

    A cidade de Praga é a mais bonita de todas (mas acho que não moraria no país).

    Toda a Itália é belíssima, mas eu não moraria lá. Dependendo da cidade, tudo é muito pior do que aqui. Ao sul de Roma, então, é uma avacalhação total.

    Alemanha, França, Espanha e Reino Unido valem uma visita, mas é só. Não me atraíram. Jamais pensaria em morar lá. (Tudo de bom que tem na Alemanha, você encontra ainda melhor na Suíça).

    Agora, em termos de beleza, nenhum país supera a Áustria. Ganha até da Suíça. Não sei se moraria lá, mas com um cenário daqueles, creio ser impossível ter uma vida ruim.
  • Felipe  03/09/2020 01:09
    Minha mãe já visitou Roma. Ela se encantou com a qualidade dos alimentos disponíveis ali, mesmo a comida pronta no supermercado. Ela nunca viu nada parecido no Brasil. Deve ser graças à moeda forte, à abertura comercial e ao fato de que o ato de comer na Itália é distinto do resto do mundo.
  • Paulo Henrique  04/09/2020 12:03
    Somos os responsáveis por onde estamos. Se todos os brasileiros fossem para um determinado país, esse novo país se transformaria no Brasil.

    Devemos mudar a nós mesmos.
  • Felipe  04/09/2020 14:21
    Eu não sou responsável coisa alguma por isso, isso é coletivismo. Eu não defendo CLT, moeda fraca e esse monte de burocracia que só prejudica o setor privado. Inclusive se dependesse de mim eu já teria adotado uma moeda forte e feito uma larga desburocratização. Mas o deep state brasileiro jamais deixaria isso acontecer.
  • Pobre Mineiro   08/09/2020 06:06
    Engraçado que todos só escolheram países ocidentais, o que pode ser um indicativo de ignorância a respeito do resto do mundo, talvez fruto do eurocentrismo que temos.

    Quando eu era mais jovem, tive a Alemanha e Áustria como os supra sumo do mundo.
    Tanto é que já estive 3 vezes na Alemanha, a mais longa estadia foi de 4 meses.

    Hoje eu já conheço a China e o Japão, e já ouvi falar da Coréia do Sul e também dos países do sudeste asiático.

    Pode ser pessimismo meu dizer isso, mas já acredito que em 20 anos, ou menos, morar na Ásia será infinitamente melhor do que em qualquer país ocidental, ou com grande influência ocidental.

    O ocidente já era, está carcomido pelo politicamente correto, vitimismo, islã religião da paz, militância ecológica, vegana, feminazis, mimimi, etc...

    Gostaria de estar errado por eu ser um ocidental, mas não estou muito animado quanto ao destino de países muito alinhados ideologicamente ao ocidente.
  • Antônio Carlos  08/09/2020 14:56
    Eu não discordo do que você disse. Só que, no meu caso, o problema é ignorância mesmo. Eu não conseguiria me adaptar a determinados aspectos cultura oriental. E muito menos ao idioma.
  • Vinicius.  08/09/2020 16:52
    Nos países orientais a diferença cultural é grande demais, além de terem idiomas que uma pessoa comum leva meia vida para aprender e lembre-se de que a comparação é com o Chiqueiril aqui.

    "O ocidente já era, está carcomido pelo politicamente correto, vitimismo, islã religião da paz, militância ecológica, vegana, feminazis, mimimi, etc..."

    O Chiqueiril tem tudo isso em grau moderado indo pro avançado e ainda tem que pagar 70% de impostos numa moeda que desvaloriza 40% a.a. numa infraestrutura totalmente patética, isso se tiver a sorte de situar-se nos extratos mais ricos do sistema de castas aqui. Se pertencer aos 75% mais pobres a situação é tão dantesca que nem terá tempo de se preocupar com esses "Rich people problem" vai é se preocupar em como pagar R$25 num pacote de arroz e R$80 num bujão de gás.
  • Revoltado  08/09/2020 19:31
    Vinícius,

    Se há um parágrafo escrito por ti há pouco com o qual posso concordar, é o último;

    Grande parte da população das classes C, D e E certamente acordam e dormem aflitas bem mais com seu poder de compra, sobretudo concernente ao básico para sua sobrevivência do que as preocupações progressistas, os "rich people problems" como bem expuseste.
    O grande senão, é que quem influi no modo de vida da sociedade (incluindo a economia) são os "problematizadores" destes mimimis imbecis.
    Aos tais, é mais relevante ogros do sexo feminino com cabelo pintado e sovaco mais peludo que as axilas dum homem comum e pesando quase 200kg bradando contra o patriarcado e a possibilidade de sofrerem "assédio"que o cidadão comum poder contar com uma moeda forte e poder de compra decente para sustentar a si próprio e aos seus.
  • Vinicius  08/09/2020 22:01
    Revoltado, é porque aí no andar de cima ficaram muito frouxos com tantos anos de abundancia, viagens ao exterior e compras no Aliexpress. Aqui no andar de baixo esse tipo de mulher apanha de outras mulheres para deixar de ser besta, professor aqui na periferia que venha com conversa de gênero apanha também, periferia a dominância do macho Alpha ainda é totalmente presente e não essa desordem que vemos nos bairros chiques.

    Quer diminuir essa tragédia? Ajuda os conhecimentos de como melhorar de vida chegar na periferia.
  • Revoltado  08/09/2020 17:13
    Engraçado que todos só escolheram países ocidentais, o que pode ser um indicativo de ignorância a respeito do resto do mundo, talvez fruto do eurocentrismo que temos.

    ==== Um conhecido meu disse alguns anos atrás isto e concordei de imediato com ele: "Todo degenerado da face da Terra quer sempre viver nos países fundados pelo liberal-conservadorismo e com moral judaico-cristã". Mesmo dentro do Ocidente, percebe-se esse paradigma: para aonde há mais demanda de imigrantes? Para Portugal ou à Islândia, cujo feminismo local faz a Suécia parecer a América dos anos 50?


    Pode ser pessimismo meu dizer isso, mas já acredito que em 20 anos, ou menos, morar na Ásia será infinitamente melhor do que em qualquer país ocidental, ou com grande influência ocidental.

    O ocidente já era, está carcomido pelo politicamente correto, vitimismo, islã religião da paz, militância ecológica, vegana, feminazis, mimimi, etc...

    ===== E a tendência é sempre piorar quando progressistas assumem governos. Só perceberão o tiro no pé muito bem dado, quando o islamismo bater em suas portas trazendo a Jihad e não poder enviar mais jovens brancos, cristãos, heterossexuais, conservadores/liberais, cisgêneros aos frontes para a manutenção de seu modo de vida, pois o Islã não descansaria enquanto não convertesse o país em tela em "Dar-el-Islam" (casa do Islã).


    Gostaria de estar errado por eu ser um ocidental, mas não estou muito animado quanto ao destino de países muito alinhados ideologicamente ao ocidente.

    =====Tenho o mesmo desejo quando olho para o céu.
  • Imperion  12/09/2020 19:44
    Vieram para o mundo ocidental porque ele é bem mais rico que o resto do globo. Junta EUA e Europa e você tem dois terços da produção de riqueza mundial.

    Foi prato cheio para a social democracia, trazer imigrante e oferecer assistencialismo e conseguir votos. Foram lá pra sugar.

    Alguns países mais espertos só deixam entrar a trabalho. Mesmo assim os social democratas protegem os ilegais.

    Mesma coisa ocorreu no Brasil, que deu até bolsa pra quem imigrasse pra cá. Muitos imigrantes participaram dos quebra-quebras. O caso do cão que morde quem o alimenta.

    Agora a China desponta como a terceira área rica e os imigrantes vão querer ir pra lá.
  • Anônimo  12/09/2020 20:00
    Em grande parte do mundo, imigrar a trabalho é bastante difícil e mesmo assim pode ser temporário (visto de trabalho). Por visto de investidor é mais fácil mas o aporte inicial precisa ser bem mais alto. A residência permanente legal fora do casamento é bem mais difícil também.

    Em parte da Europa eles preferem optar pelo assistencialismo. Para mim mudar para os EUA legalmente, foi uma dor de cabeça danada e demorou anos. Para quem mais acesso à informação, assim como ao dinheiro, é menos difícil sair do país.
  • Marcos  09/09/2020 21:17
    Eu escolheria, com certeza a Albânia.
  • AMAURI JOSE JUNQUEIRA  10/09/2020 00:09
    Eu acho que nasci no lugar certo, não é por acaso. Mas se eu não tivesse a opção do Brasil, escolheria outro país latino americano, talvez Argentina, Chile, Colômbia ou mesmo alguma das Guianas ou talvez algum país da América Central ou na África. A Europa seria uma segunda opção, exceto os países muito frios. E os EUA, nunca.
  • Glauber  01/09/2020 19:53
    Muito bom o artigo. Essa abordagem é muito melhor do que aquela que se concentra apenas nos defeitos da equação. Aquela depende de conhecimentos contábeis. Já essa mostra o mundo real. É mais persuasiva.
  • Régis  01/09/2020 20:20
    Até concordo, mas dado que o que de fato governa as decisões políticas é a equação tradicional do PIB, então é importante demais apontar os problemas dela. Principalmente o fato de que os políticos irão querer aditivar o PIB estimulando C e G. É importante entender as consequências danosas disso.

    Aliás, quando não havia equação de PIB, nenhum governo pensava em aumentar gastos e incorrer em déficits para estimular a economia. Por isso as recuperações eram muito mais rápidas.

    www.mises.org.br/article/610/1920--a-ultima-depressao-na-qual-um-governo-nao-se-intrometeu-foi-tambem-a-mais-rapida

    www.mises.org.br/article/626/um-conto-de-duas-grandes-depressoes

    www.mises.org.br/article/2594/sobre-a-crise-de-1929-e-a-grande-depressao--esclarecendo-causa-e-consequencia
  • anônimo  01/09/2020 22:23
    De acordo com o PIB, se eu comprei um carro fabricado aqui, estamos mais ricos, mas se eu comprei o mesmo carro de outro país, estamos mais pobres. No final das contas eu tenho um carro, mas para o PIB estamos mais ricos ou pobres dependendo de que lado da linha imaginária ele foi fabricado.
  • Santiago  01/09/2020 22:33
    Outro crasso erro do PIB é valorar os gastos do governo (G) da mesma maneira que os gastos do setor privado (C e I). Só que o primeiro é resultado da coerção; logo, ele não reflete as verdadeiras preferências voluntariamente expressas pela população.

    Como sugeriu Rothbard, no mínimo os gastos do governo deveriam ser deduzidos do PIB.
  • Leandro  01/09/2020 22:54
    Detalhe: o que os economistas chamam de "crescimento econômico" mensurado pelo PIB de um ano para o outro nada mais é do que aumento do valor final (preço) das transações monetárias de um ano para o outro.

    Ou seja, crescimento do PIB é quando o valor monetário de todos os bens e serviços finais que foram comprados e vendidos dentro das fronteiras do Brasil em um dado ano aumenta.

    Esse resultado nominal é dividido por um questionável deflator de preços, para se obter o PIB real.

    Isso gera todos os problemas e todas as ocultações explicadas no artigo e nos seus comentários.


    Sem falar nas bizarrices que tal equação permite.

    Por exemplo: se os preços aumentam muito, mas o deflator utilizado é baixo, o PIB dispara. Se os preços aumentam pouco, mas o deflator utilizado é alto, o PIB desaba.

    Vale lembrar que o crescimento do PIB durante o governo Sarney foi maior do que o do governo FHC e do que o do governo Dilma. No entanto, não apenas ninguém sentiu esse "crescimento econômico", como, na verdade, sentiu uma brutal recessão. Tanto é que o cidadão saiu do governo com 6% de aprovação e tem altíssima rejeição até hoje. O PIB não explica isso.

    Ou seja, é perfeitamente possível um PIB positivo com toda a população empobrecendo, e um PIB estagnado com toda a população (ao menos a parte produtiva dela) enriquecendo.
  • ASH  02/09/2020 21:41
    "e um PIB estagnado com toda a população (ao menos a parte produtiva dela) enriquecendo."

    É o que ocorre no Japão, onde o país está estagnado a décadas, mas o padrão de vida continua melhorando?
  • Felipe  03/09/2020 01:06
    Ash, você diz aumento no padrão de vida em qual medição? Pelo menos em PIB per capita eles estão subindo lentamente. Não é provocação, eu quero saber mesmo, por curiosidade.

  • Imperion  03/09/2020 04:40
    No japao a moeda é valorizada cada ano e o japones compra cade vez mais com os precos caindo. Isso quer dizer que ele ta enriquecendo. Ja no brasil a moeda compra cada vez menos. Isso quer dizer que o brasileiro ta empobrecendo.
    Se a moeda ta valorizada, o japonês gasta menos pra comprar, no pib isso quer dizer que os gastos caíram. Pela metodologia o pib encolhe.
    Mas o povo japones ja mais rico. Esta.com mais fartura de bens de consumo a preços menores.
  • João  01/09/2020 19:57
    Na atual era da internet, há inúmeras coisas que são ofertadas gratuitamente aos consumidores. Todos os aplicativos que usamos gratuitamente hoje (eles auferem receitas via propagandas) teriam custado uma fortuna há algumas décadas — caso houvesse algum serviço equivalente.

    E isso não é capturado nas estatísticas econômicas.

    Os serviços ofertados pela Google ou mesmo pelo Facebook, Twitter e Instagram trazem enormes benefícios para nós consumidores. Temos acesso gratuito e instantâneo a informações cruciais, algo que simplesmente não existia há uma década. E informação é algo essencial para nossas vidas.

    Mas esse fato não aparece nos cálculos do PIB.

    E tem a questão da comunicação. Quanto custava uma ligação telefônica para uma pessoa na Austrália ou na Índia há uma década? Hoje, podemos conversar via Skype, WhatsApp, Zoom, Meet etc. com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo gratuitamente, e sem aqueles atrasos que eram comuns nas ligações telefônicas — a pessoa demorava uns 5 segundos para receber sua voz, o que tornava toda a conversa uma bagunça.

    Podemos também mandar mensagens (voz, vídeo e texto) gratuitas e instantâneas via WhatsApp. Hoje, familiares, amigos e parceiros comerciais dialogam rotineiramente via WhatsApp a custo zero. Uma atividade que antes dependia de telefonemas e mensagens de texto pagas, hoje se tornou gratuita e corriqueira. A comunicação entre as pessoas cresceu explosivamente em decorrência disso.

    Tal realidade era inimaginável há meros dez anos.

    Todos esses benefícios não são computados por nenhuma estatística. Mensurar o impacto econômico de todas as maneiras como isso mudou a vida das pessoas é impossível exatamente porque grande parte dos serviços oferecidos não possui preço. Logo, o PIN não pega.

    Sendo assim, não há nenhum mensurador de bem-estar que mostre como esses fenômenos impactaram positivamente nosso bem-estar.
  • Bernardo  01/09/2020 20:02
    Um fenômeno que eu sempre visualizei é que o custo de comunicação das empresas com seus funcionários e com seus fornecedores caiu a zero com o WhatsApp.

    Antes, você tinha de telefonar ou mandar email para funcionários e fornecedores. Isso tomava tempo e custava dinheiro. Hoje, com uma simples mensagem você se comunica instantaneamente. A preço zero.

    O corte de custos que isso propiciou, em conjunto com a liberação de mais tempo produtivo, com certeza absoluta ajuda a explicar a baixa da inflação mundial nos últimos anos. Se as empresas agora têm custo zero para se comunicar com fornecedores e funcionários, e o fazem de forma muito mais rápida e eficiente, então é óbvio que isso se traduz em preços mais baixos do que seriam caso não existisse essa comodidade.
  • Humberto  01/09/2020 20:10
    Faz bastante sentido. Você conhece algum paper ou mesmo vídeo sobre isso?
  • Bernardo  01/09/2020 20:14
    Não. É por isso que aproveitei a oportunidade para falar sobre isso aqui. Se alguém souber de qualquer coisa que aborde isso, por favor, me avise.
  • Vítor  01/09/2020 20:21
    Frédéric Bastiat em seu livro Harmonias Econômicas já tinha explicado como o livre mercado e a livre concorrência "transformam utilidades onerosas em utilidades gratuitas".

    A transmutação dos bens da natureza em "coisas gratuitas" é exatamente o que políticos vivem prometendo, mas que, na prática, o livre mercado entrega.
  • Espantado  01/09/2020 20:40
    Achei que fosse fake, mas é verdade: o Rogério Marinho simplesmente regulamentou o ato de elogiar os gloriosos servidores públicos.

    Leiam a portaria. É uma delícia.

    sei.mi.gov.br/sei/publicacoes/controlador_publicacoes.php?acao=publicacao_visualizar&id_documento=2758199&id_orgao_publicacao=0

    Trechos:

    "Regulamenta a concessão de elogios aos servidores em efetivo exercício no âmbito do Ministério do Desenvolvimento Regional, pela prática de ato excepcional, de relevância profissional, humanitária e de interesse do bem comum."

    "Art. 2º Os elogios devem ser propostos e fundamentados pela chefia imediata ou autoridade superior, ou se for o caso, pelo presidente de colegiado que originou o referido elogio."

    "Art. 3º As referências elogiosas poderão ser concedidas aos servidores que, durante a execução de seu trabalho, venham a praticar algum ato digno de registro, por mérito profissional, intelectual ou comportamento social."

    "Parágrafo único. Os elogios oriundos da conclusão do exercício profissional em determinado setor, com ou sem desligamento da Instituição, ou mesmo mudança de setor de lotação, poderão ser registrados nos assentos funcionais do servidor, contudo, não surtirão efeitos financeiros ou progressão."
  • Matheus  01/09/2020 23:39
    Confesso que achei gozado. Aliás, justiça seja feita, é uma regulação que se aplica só a funças e não onera em nada os pagadores de impostos.

    Então, eu digo: deixe que gemam.
  • Estado o Defensor do Povo  02/09/2020 00:19
    meh
  • F.L.  01/09/2020 23:40
    Quando eu era criança, as televisões mais sofisticadas eram caríssimas. Nem existia ainda essas TVs com telas de LED. Tínhamos uma velha conhecida, uma televisão Sony indestrutível (parecida com essa). Tivemos depois uma com tela plana (acho que era a de 21" desse anúncio) e em 2011 compramos uma melhor, da Samsung, LCD e com entrada HDMI, e que está com a gente até hoje.

    Quando fui recentemente ao Carrefour, fiquei impressionado com os preços baixos dessas televisões chiques, as tais das Smarts TV. Hoje o sujeito tem um celular relativamente barato (apesar de terem ficado mais acessíveis, os ladrões brasileiros continuam gostando de roubar e furtar celulares), assina a Netflix e assiste a algo que preste em uma televisão grande com o tal do Chromecast.

    Olhem o quanto custavam algumas televisões em 2008. Tinha TV por preço de um Uno usado em bom estado. Em contraste, no mesmo ano se comprava, por até R$ 80 mil, por uma perua média bem-equipada à época. E hoje, se houvesse um Corolla Fielder, seria uns R$ 130 mil?

    Essa deflação de preços nominal e real nas televisões é um fenômeno muito interessante. Por exemplo, nos carros vendidos no Brasil, nunca, mas nunca houve uma deflação de preços, ao menos nominal (é possível que uma deflação real tenha ocorrido). Quase todo mês, um aumento de preços em um carro, tira opcional, tira item de série. O que explicaria essa distinção? De fato o setor automotivo, além de ter recebido fartos subsídios com crédito farto, sofre de protecionismo (na verdade quem sofre somos nós, as fabricantes se abençoam com protecionismo) e com a carga tributária soviética. Mas e com os televisores e outros eletrodomésticos e eletroeletrônicos?
  • Guilherme  01/09/2020 23:49
    Pelo PIB, a compra de televisores irá gerar uma recessão econômica (eles ficaram mais baratos). Já a compra de carros irá gerar um boom econômico (eles ficaram mais caros).

    O maior bem-estar trazido por produtos melhores e mais baratos não é computado pelo PIB. Se você comprar uma máquina de escrever cara (relíquia), você irá aditivar mais o PIB do que se comprar um laptop que realmente lhe traga maior produtividade e eficiência.
  • Imperion  02/09/2020 02:16
    A deflação no setor automotivo também ocorre, os componentes ficam mais baratos com o passar do tempo, mas isso é anulado pelo protecionismo, moeda fraca, subsídio.

    Parte substancial do preço do carro é o custo Brasil embutido. Vc pode pagar tanto, então a empresa pelo custo te enfia um produto de qualidade inferior.

    Eles não podem te vender o melhor carro. Com o custo Brasil, ele custa 4 vezes mais aqui. Um fusca antigo novo custaria tanto quanto um carro moderno se voltasse a ser fabricado. Houve deflação sim nos preços. Na época do lançamento era um carro caro.
  • Supply-Sider  02/09/2020 02:27
    "O que explicaria essa distinção?"

    Porque o setor tecnológico é (ainda) um dos menos regulados pelo governo.

    Automóveis são maciçamente regulados (veja, por exemplo, os constantes decretos sobre emissões e as seguidas legislações que obrigam o uso de componentes nacionais).

    Já equipamentos eletroeletrônicos escapam disso.
  • Felipe  02/09/2020 12:15
    Poxa, que curioso. Copiaram o meu comentário falando da TV (obrigado pela divulgação!). Outra coisa que eu me lembrei agora é que a Zona Franca de Manaus tem várias isenções de impostos, o que pode reduzir os custos de produção.
  • Imperion  02/09/2020 15:58
    Todos os empresários pagam imposto elevado, o que atrapalha a produção. Já a zona franca paga bem menos. Isso é um subsídio pra que se desloque a indústria pra lá.

    Os produzidos em Manaus são bem mais baratos. Lá se produz com menos impostos e se importa matéria-prima com menos.

    Se vc causa um distorção, os outros não prosperam e os que conseguiram lugar na zona (contato com o governo), sim.
    O certo é todos terem a mesma carga tributária e baixa, de modo a estimular a indústria nas localidades. Do jeito que é, Manaus é uma ilha privilegiada. Mas mesmo assim é pequena.

    Os políticos falam que zona franca é prejuízo. Lógico, eles querem impostos. Na minha opinião, toda cidade deveria ter sua zona franca, de modo a gerarem emprego nas periferias. Isso frearia o processo de "favelização".
  • Imperion  02/09/2020 16:01
    Carros também são substancialmente (95 por cento) mecânicos, essas coisas têm pouca evolução se comparado com um eletrônico.

    São peças mecânicas. O que se pode evoluir num carro são os processos de fabricação de toda uma cadeia produtiva dos metais (principalmente aço).

    Ao melhorar o processo do aço, se obtém um produto mais barato e peças derivadas dele mais baratas. Isso ocorre em grande escala na eletrônica, pois eles atingiram o ápice da tecnologia. Na automotiva, isso significaria substituir o aço por outros materiais. Substituir componentes inteiros.

    Asim sendo o peso das políticas inflacionárias estatais pesa muito mais no preço final dos autos dada a demora da tecnologia automotiva em se reinventar. 
  • Felipe  03/09/2020 01:13
    É verdade, os carros evoluem de maneira mais lenta. Injeção eletrônica multiponto ainda existe até os dias de hoje, apesar de ter surgido no mundo desenvolvido na década de 80. Suspensão por eixo de torção também ainda é popular, assim como o arranjo dianteiro McPherson.
  • Imperion  02/09/2020 02:14
    Pela lógica do PIB, se a Rússia jogar uma bomba atômica no centro de São Paulo e se gastarem um trilhão com a recuperação em um ano, se contabiliza que o PIB cresceu um trilhão pelo método de cálculo.

    Todo prejuízo é descartado, só olham o gasto.

    Assim sendo, todo o prejuízo da Covid vão contar como crescimento, ignorar as perdas de quem vai pagar e ainda falar que o seissentao tirou da pobreza.

    Pela lógica dele, se o governo tomar 100 por cento de toda produção dos brasileiros (se conseguisse) e gastasse, o PIB dobraria.

    Então quando o governo corta gastos, os políticos adoram falar que o PIB encolheu.
  • Lucas  02/09/2020 17:06
    Pela lógica do PIB, se a Rússia jogar uma bomba atômica no centro de São Paulo e se gastarem um trilhão com a recuperação em um ano, se contabiliza que o PIB cresceu um trilhão pelo método de cálculo.

    Exatamente!

    "Desastres naturais são bons para a economia!" - gritam os keynesianos e intervencionistas
  • Imperion  02/09/2020 02:17
    Interessante notar também que se o governo toma a renda da população e depois cria subsídio ao setor produtivo exportador, estes ficam mais ricos e a população mais pobre. Desprovida da sua renda, não pode comprar a produção nacional que foi subsidiada com seu dinheiro, mas isso é contabilizado como crescimento do PIB.
  • Judeu  02/09/2020 12:21
    É bizarro pensar que uma criação para verificar como estava a produção de armas pra guerra virou um mensurador de prosperidade. Só o Estado mesmo pra fazer uma palhaçada desta.
  • Kaio Ken  02/09/2020 16:01
    Isso porque não falam do sacrossanto IDH.

    Foi uma criação de paquistaneses e indianos para fazer propaganda do estado de bem-estar social que estava em alta na região da Caxemira. É perfeitamente possível o país ser miserável e burlar tudo nesse índice.

    O intervencionismo não causa apenas danos direitos na economia, mas distorce até mesmo os parâmetros pra saber como está a economia.
  • Helliton  02/09/2020 16:09
    Capacidade de produção é de antes do Toyotismo. Antes uma empresa ser capaz de produzir muito, era interessante. Porém com o desenvolvimento de técnicas para aumentar a capacidade de fabricação, hoje já não importa mais. O problema para uma empresa é a questão contábil e de qualidade, se eu comprar 10 toneladas de aço em um dia eu produzo vários carros em um dia, o problema é que se não vender, não vou ter mais dinheiro para comprar mais materiais e as margens de lucro são espremidas, produzir é o de menos. Se a qualidade do carro for ruim, vou ter mais gastos com troca, perder clientes, receber criticas. Então para uma empresa é bom controlar e limitar produção. O PIB calcula a capacidade produtiva, mas isso não importa mais.
  • Diego Antunes  03/09/2020 15:19
    Gostei do que li e digamos que concordo. Mas não não vi qual seria a solução. Tem alguma?
  • Leitor Atento  03/09/2020 15:26
    Dada no próprio artigo: substituir o PIB pelo Produto Integral. Este já é calculado nos EUA. Só que não é tido como o indicador principal — até porque os EUA são o único país a fazer isso; todos os países do mundo (pelo menos os mais sérios) teriam de fazer o mesmo para se ter uma base comparativa.

    Ou seja, ao contrário do que você disse, a solução já existe e foi dada.
  • Felipe  03/09/2020 17:59
    Então, no caso do Brasil, basta pegar o PIB total e subtrair o PIB do setor estatal? No Trading Economics existe o "GDP from Public Administration".
  • Supply-Sider  03/09/2020 18:41
    O Skousen, embora tenha elogiado a adoção da sua metodologia pelo Departamento do Comércio, criticou o fato de eles terem deixado de fora as vendas brutas no atacado e no varejo.

    Mais detalhes sobre o Gross Output:

    www.cato.org/events/go-beyond-gdp-what-really-drives-economy

    grossoutput.com/

    en.wikipedia.org/wiki/Gross_output

    mskousen.com/category/gross-output/
  • Estado o Defensor do Povo  04/09/2020 13:06
    Não é garantia né? nada é 100% mas faz um bem danado nascer pobre num país rico, vai ter esgoto, educação que permita aprender um ofício, conseguir um emprego simples sem precisar de ajuda de um político ou amigo poderoso, receber o ordenado em moeda que não desvaloriza muito, andar nas ruas com menos chance de tomar um tiro e quem sabe até ter um carro.
    Verdade rapaz, mas parte do que você fala tem um pouco tendenciosidade, se você nascesse num país mais rico, você provavelmente teria esses serviços de qualidade, beleza, mas por ter nascido lá, não vai notá-los como algo muito importante em sua vida, você teria se acostumado com tal situação desde a infância e não ligaria muito, e começaria a olhar para as coisas que você não teria em tal país e se autodeclarar infeliz por causa disso, só veja as reclamações que as pessoas mais pobres fazem nesses países mais ricos, nunca nada vai ser suficiente pra agradar o ser humano:
    money.cnn.com/2018/04/19/technology/amazon-employee-salary/index.html
    Nesse site os caras tão reclamando que o salário mediano na amazon é de 12000 reais por mês, se você nascesse num país rico provavelmente concordaria, e tentaria ao máximo evitar os empregos que oferecem "só" 12000 reais por mês, mas como você nasceu no Brasil, não pensa dessa forma.

    Agora compare você, no Brasil, com pessoas de outros países que estão em muito pior situação, como nas sociedades tribalistas africanas, ou em lugares com constante guerra como o Oriente Médio, há também a Coreia do Norte, regiões mais pobres da Índia, ou até com todas as pessoas que existiram até hoje, durante todos os milênios da existência humana a fome sempre atingia mais de 90% da população, só agora que isso se inverteu, por que você não se compara com uma pessoa dessas? Por esse ponto de vista, nascer no Brasil não parece mais ser tão ruim, mesmo que você seja um favelado, você provavelmente está entre os top 20% de pessoas que tiveram sorte ao nascer no lugar onde nasceram, no tempo onde nasceram, por enquanto, vejamos até onde a humanidade consegue chegar nos próximos séculos até podermos começar a nos considerar azarados por não termos nascido nesse futuro(ou não vejamos né, já que até lá todos nós vamos estar a sete palmos do chão).
  • Estado o Defensor do Povo  04/09/2020 13:43
    Eu tinha respondido o Vinicius lá em cima, não sei porque o comentário apareceu aqui.
  • Vinicius  04/09/2020 16:47
    "se você nascesse num país mais rico, você provavelmente teria esses serviços de qualidade, beleza, mas por ter nascido lá, não vai notá-los como algo muito importante em sua vida."

    Meu questionamento não foi esse, você não entendeu, esse trecho que selecionou foi uma resposta exclusiva ao questionamento do vastolorde sobre a falta de garantias de melhor qualidade de vida ao nascer em país rico.

    Meu questionamento motivador do comentário do vastolorde é este:

    "Ser neguinho, nerd, filho de mãe solteira sem estudo na periferia é pesado demais, *muita dependência das estruturas estatais disfuncionais e de uma sociedade com poucos conhecimentos disseminados para lhe compartilhar.*"

    Dentro desse sistema de castas que os brasileiros chamam de sociedade costumeiramente a informação para a melhora de condição de vida não é compartilhada, pelo contrário é sonegada, o país é tão sem oportunidade, tão sem esperança no futuro e habitado por gente que apesar de sua imensa bondade para aspectos alimentares é ao mesmo tempo mesquinha para ensinar aos jovens dados importantes para progredir na vida e entendimento do lugar em que estão vivendo.
    E isso se reflete em vários aspectos, principalmente no discurso típico de "o exterior não é muito melhor que aqui, confie no seu país", outro bastante latente é o excesso de delicadeza com que é tratada a escolha de profissões: "estude o que você gosta, faça o que te dê prazer e o dinheiro virá até você" colocando no mesmo balaio profissões totalmente fracassadas como direito e engenharia junto com profissões promissoras como TI,e por fim um totalmente mensurável, o custo de um bom curso de idiomas no Brasil é quase proibitivo, em torno de R$400/mês, poucas horas por semana com aulas ministradas por brasileiros de pouca vivência real no exterior.

    Como é a transferência de informações relevantes num país pobre normal:

    Trabalhei e morei no México, no Peru, Argentina e Ecuador, tudo porcaria igual aqui, mas nesses aos 15 anos o rapaz e a menina são informados em casa, na escola, na TV, no rádio e numa conversa informal de que vivem em um país que apesar de bonito é praticamente inviável para progredir na vida e devem considerar "marchar-se hacia el extranjero".

    As profissões de relativo sucesso são bem definidas desde cedo e se o jovem se mete a fazer outra coisa será constantemente avisado de que se trata de uma escolha pouco prática e que deve ser levada adiante apenas por motivos pessoais e se sua família tem estrutura para permitir.

    E por fim ensino de idiomas, Nos países andinos por R$200 ao mês até antes do Ciro Guedes destruir o real era possível conseguir ensino de inglês 4x por semana, no México é um pouco mais caro que isso, tudo ministrado por estrangeiros selecionados precisamente para passar conhecimentos práticos úteis de seu bom país de origem.

    Adicionalmente coloco aí os links de curso de alemão, um idioma que realmente arreganha as portas, no mesmo instituto Goethe em diferentes países:

    www.goethe.de/ins/pe/es/spr/kur/gia/tup.cfm

    Peru: um módulo de extensivo uns 150 dólares

    www.goethe.de/ins/br/pt/sta/sap/dku/dat.cfm

    Brasil: um módulo de extensivo uns 560 dólares

    www.goethe.de/ins/cl/es/spr/kur/gia/tup.cfm

    Chile: um módulo de extensivo uns 350 dólares

    www.goethe.de/ins/co/es/spr/kur/gia/tup.cfm?f=%7B%22PACE%22%3A1%2C%22COURSETYPE%22%3A12%7D

    Colômbia: extensivo 200 dólares

    www.goethe.de/ins/uy/es/spr/kur/gia/tup.cfm

    Uruguay: extensivo 210 dólares

    Só exemplo, praticamente qualquer ensinamento decente aqui é muito mais caro que em países de renda per capita semelhante.
  • Aloísio  04/09/2020 17:33
    Com 410 euros o módulo podes estudar alemão intensivo na cidade do Porto em Portugal, preço de boa educação no Brasil é surreal, apenas para magnatas.
  • Pobre Mineiro  21/09/2020 06:27
    Todas as escolas brasileiras são obrigadas a seguir a cartilha do MEC, logo não faz muita diferença.
    Hoje todas as escolas brasileiras são lixo, vide os resultados nos exames internacionais.
    Paulo Freire acabou com a educação brasileira.


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