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Entenda por que é impossível acabar com a pobreza por meio da redistribuição de renda e riqueza
E por que desigualdade não é pobreza

Ninguém morre de desigualdade. Mas milhões morrem de pobreza.

Enquanto estes dois conceitos não forem corretamente entendidos, não há nenhuma chance de o problema da pobreza ser corretamente atacado.

Dentro do imaginário coletivo, os conceitos de "pobreza" e "desigualdade" se tornaram sinônimos: se há pobres é porque somos desiguais; se a desigualdade aumenta é porque aumentou a pobreza.

Esta mentalidade tende a ser reforçada durante períodos de recessão econômica: quando as rendas agregadas da sociedade (o PIB) entram em contração, a economia passa a ser vista como um jogo de soma zero, ou seja, se a renda de uma pessoa aumentou é porque a renda de outra inevitavelmente caiu.

Porém, as recessões econômicas não duram para sempre, e o fato é que a economia de mercado se mostrou capaz, ao longo dos últimos 200 anos, de aumentar a renda de todos os cidadãos. Segundo as estatísticas compiladas pelo economista britânico Angus Maddison, passamos de uma renda per capita mundial de 1.130 dólares por ano em 1820 para uma de 15.600 em 2015. E isso ao mesmo tempo em que a população global aumentou de 1 bilhão de pessoas para 7 bilhões. (Veja o estudo. Confira também este vídeo).

Igualmente, em 1820, aproximadamente 95% da população mundial vivia na pobreza, com uma estimativa de que 85% vivia na pobreza "abjeta". Em 2015, menos de 10% da humanidade continua a viver em tais circunstâncias.

Ou seja, não só o número de habitantes no mundo aumentou 7 vezes, como ainda cada habitante aumentou sua renda em 11 vezes. Isto é uma façanha extraordinária.

Este fato, por si só, mostra como estão errados aqueles que dizem que toda a riqueza do mundo já está dada e deve apenas ser "redistribuída justamente". Se toda a riqueza do mundo já estivesse dada, devendo apenas ser redistribuída, seria impossível que a renda per capita e a população mundial aumentassem simultaneamente.

O que ocorreria é que algumas pessoas aumentariam suas rendas à custa de todas as outras, e a renda per capita permaneceria constante — aliás, cairia, por causa do aumento do número de indivíduos.

Que tenhamos conseguido multiplicar por 11 a renda per capita do conjunto de habitantes do planeta (e por 20 em alguns países ocidentais, como os EUA) ilustra claramente que a economia não é um jogo de soma zero. E, principalmente, que desigualdade não é o mesmo que pobreza.

Confusões básicas

Uma sociedade pode ser muito igualitária e muito pobre. Ou bastante desigual e rica.

Albânia, Bielorrússia, Iraque, Cazaquistão, Kosovo, Moldávia, Tajiquistão e Ucrânia são sociedades que apresentam uma distribuição de renda muito mais igualitária que a da Espanha, mas são muito mais pobres. Por outro lado, Cingapura é uma sociedade muito mais desigual que a Espanha, mas apresenta uma renda per capita maior em todos os quintis da redistribuição de renda.

A Etiópia, cujo coeficiente de Gini — indicador que mensura a desigualdade; quanto mais próximo de 1, mais desigual é um país — é de 29,6 e o Paquistão (30) são mais igualitários que a maioria dos países desenvolvidos, como Austrália (35,2), Coréia do Sul (31,6) e Luxemburgo (30,8) e Canadá (32,6).

Tajiquistão (30,8), Iraque (30,9), Timor Leste (31,9), Bangladesh (32,1) e Nepal (32,8) são mais igualitários que Bélgica (33), Suíça (33,7), Polônia (34), França (35,2), Reino Unido (36), Portugal (38,5), Estados Unidos (40,8), Cingapura (42,5) e Hong Kong (43,4).

Já o Afeganistão (27,8) é uma das nações mais igualitárias do mundo.

Por isso, o objetivo primordial de qualquer pessoa preocupada com o bem-estar alheio deveria ser o de aumentar a renda total de cada indivíduo, e não reduzir as diferenças de renda entre cada indivíduo.

O bem-estar de um indivíduo está estritamente relacionado com seu nível de renda: quanto maior a renda, melhor sua alimentação, maior seu acesso a bens e serviços, maior seu acesso a bons serviços de saúde, maior seu acesso a uma boa educação, maior o seu tempo de lazer etc.

Uma pessoa é pobre porque ela é carente de bens materiais. Ela não possui um mínimo de suas necessidades materiais satisfeitas. Suas posses são escassas porque ela não tem renda para obter bens e serviços em um volume que satisfaça suas necessidades mínimas.

Isto, aliás, vale tanto para indivíduos quanto para países. Quanto mais bens e serviços disponíveis aos habitantes de um país, melhores serão suas condições de vida e menor será o nível de pobreza.

O padrão de vida — de um indivíduo e de um país — é determinado pela abundância de bens e serviços. Quanto maior a quantidade de bens e serviços ofertados, e quanto maior a diversidade dessa oferta, maior será o padrão de vida. Quanto maior a oferta de alimentos, quanto maior a variedade de restaurantes e de supermercados, de serviços de saúde e de educação, de bens como vestuário, imóveis, eletrodomésticos, materiais de construção, eletroeletrônicos e livros, de pontos comerciais, de shoppings, de cinemas etc., maior tenderá a ser a qualidade de vida da população. 

Por outro lado, como mostram as estatísticas, o bem-estar das pessoas não tem nenhuma relação com o grau de desigualdade da sociedade em que moram.

Mais ainda: nem sequer há evidências de que a desigualdade prejudica o crescimento econômico e, por conseguinte, o aumento da renda de todas as pessoas.

Logo, não faz sentido nem mesmo qualquer preocupação indireta para com a desigualdade. É claramente preferível uma sociedade com rendas elevadas, porém muito desiguais, a uma sociedade de rendas ínfimas, porém igualitárias.

Qualquer política econômica de bom senso deve visar ao crescimento econômico inclusivo (ou seja, um crescimento que beneficie a todos, ainda que em proporções desiguais), e não a uma redistribuição de renda.

Redistribuir renda e riqueza é redistribuir miséria

Para algumas pessoas, o crescimento econômico global não é desejável ou mesmo não é possível. Segundo elas, não podemos e não devemos seguir explorando um planeta com recursos limitados (sobre essa "exploração", vale ressaltar que tais pessoas não aceitam nem mesmo que haja um aproveitamento mais eficiente dos recursos disponíveis por meio do aumento da produtividade).

Para tais pessoas, o objetivo é frear o crescimento econômico e redistribuir a renda e a riqueza que já existem: nós não precisamos de mais, precisamos apenas distribuir melhor.

O problema é que apenas redistribuir a renda e a riqueza não tem nenhum efeito duradouro sobre a pobreza mundial.

E isso é fácil de ser demonstrado.

Hoje, a renda per capita global é de 15.600 dólares. Isso significa que, caso houvesse uma imediata distribuição igualitária de renda, conseguiríamos apenas fazer com que cada cidadão passe a ter 15.600 dólares.

À primeira vista, tal valor não parece pequeno. Uma família composta por dois adultos e um menor desfrutaria de 46.800 dólares, aparentemente mais do que a imensa maioria das famílias da Espanha, por exemplo. Mas o erro deste cálculo é não entender os conceitos que realmente integram a definição de renda per capita.

Em primeiro lugar, 15.600 dólares representam aproximadamente a renda per capita atual de países como Argélia, Bielorrússia, Botsuana, Brasil, China, Costa Rica, República Dominicana, Iraque, Líbano, Montenegro, Sérvia e Tailândia.

Ou seja, se redistribuíssemos perfeitamente a renda mundial, o padrão de vida de um europeu ou de um americano seria reduzido ao nível desses países [e nós brasileiros, como um todo, ficaríamos na mesma]. Trata-se de uma constatação nada esperançosa, ainda que, em uma análise superficial, os 15.600 dólares por cidadão pareçam bastante.

Mas isso ainda é o de menos. As coisas pioram. O que nos leva ao segundo ponto.

Nem toda a renda per capita disponível pode ser consumida: uma parte dela deve ser reinvestida de modo a garantir uma geração de renda no futuro. Isso é economia básica: se consumirmos toda a renda gerada por uma colheita, não será possível investir para gerar uma nova colheita no futuro.

Consequentemente, se uma pessoa ganhar 15.600 dólares hoje e gastar em bens de consumo, visando a aumentar seu bem-estar, rapidamente voltará a ser pobre. Terá algum luxo momentâneo, mas não terá renda futura.

Nas sociedades capitalistas, parte da renda reinvestida faz os capitalistas garantirem suas rendas futuras. No entanto, se esta renda for redistribuída entre todos, todos nós teremos de investir uma parte da nossa renda para manter a mesma capacidade produtiva da sociedade. Quanto deveríamos investir? O consenso é algo ao redor de 20% do PIB. Assim, da renda per capita de 15.600 dólares, somente 12.480 poderiam ser consumidos.

Em terceiro lugar, e este é o ponto crucial: após esta renda distribuída ter sido consumida, não haveria como ocorrer novas redistribuições.

Afinal, de onde viria a nova renda a ser redistribuída? Vale lembrar que não há mais ricos e pobres. Todos estão em igual situação. Consequentemente, não haverá mais de quem tirar.

Logo, e por definição, uma redistribuição de renda é algo que só pode ser feito uma única vez. E, após a redistribuição, os contemplados estarão em melhor situação apenas enquanto durar essa sua renda recebida. Tão logo ela seja consumida, tais pessoas voltarão ao estado de pobreza anterior.

E pior: com os empreendedores mais pobres, será muito mais difícil para tais pessoas melhorarem de vida.

Em quarto lugar, e complementando o terceiro item, em uma economia de mercado, a riqueza dos ricos não está na forma de dinheiro guardado na gaveta ou em contas bancárias. Também não está em amontoados de bens de consumo dentro de suas mansões. A riqueza dos ricos está majoritariamente na forma de meios de produção: instalações industriais, maquinários, ferramentas, edificações, estoques, ferramentas de produção, equipamentos de escritório de uma fábrica ou de uma empresa qualquer. 

Esses meios de produção, além de tornarem o trabalho humano mais eficiente e produtivo, produzem os bens e serviços que todas as pessoas consomem. Mais ainda: esses meios de produção demandam o emprego de mão-de-obra, e essa mão-de-obra é vendida pelas massas em troca de salários.

Quanto maior a riqueza de empreendedores e capitalistas, maior será a produção e a oferta de bens e serviços. Consequentemente, maior será a demanda por mão-de-obra.  E maior será o padrão de vida de todos.

Caso os ricos sejam espoliados destas posses (que são sua verdadeira riqueza), e caso estes bens de capital sejam "socializados" para todos, simplesmente não mais haverá a mesma alocação de recursos de antes.

Como explicou Mises, para um empreendedor ser bem-sucedido, não basta ele ter poupado e acumulado capital. É necessário que ele invista, contínua e repetidamente, naquelas linhas de produção que melhor atendam aos desejos dos consumidores. O empreendedor de sucesso é alguém que sabe estimar corretamente as futuras condições do mercado e está ávido para realizar empreendimentos que, caso se revelem corretos — isto é, que saibam antecipem corretamente as futuras demandas dos consumidores —, irão resultar em lucros. É isso o que distingue o empreendedor bem-sucedido das outras pessoas. Suas ações são dirigidas por uma estimativa do futuro que não é a mesma da maioria das pessoas.

Portanto, os capitalistas detentores destes meios de produção são bem-sucedidos exatamente porque sabem como alocar racionalmente estes meios de produção. Seu êxito decorre diretamente disso. Com os meios de produção socializados, esta superioridade empreendedorial — qualidade usufruída por muito poucos indivíduos — estará abolida.

Assim, com coletivização dos meios de produção [bizarrice defendida por proeminentes economistas brasileiros], o único resultado economicamente possível (comprovado na teoria e na prática) seria a universalização da miséria.

Na mais benéfica das hipóteses, todo o nosso bem-estar e toda a nossa capacidade de auferir receitas via trabalho assalariado estariam seriamente comprometidos.

Conclusão

Dizer que a pobreza mundial se resolve com redistribuição de renda e de riqueza, e sem crescimento econômico, é trapaça intelectual. A única coisa que teríamos seria a redistribuição da miséria.

O problema atual do mundo não é a desigualdade, mas a pobreza que ainda resta. Tanto nos países desenvolvidos, como nos países em desenvolvimento, existem muitas pessoas pobres (embora o número seja cada vez menor).

A nossa prioridade deve ser tirá-los da pobreza e não universalizar suas carências.

Desigualdade não é pobreza: combater a desigualdade não acaba com a pobreza e diminuir a pobreza não implica acabar com a desigualdade. É imprescindível separar esses dois conceitos para não sermos enganados pelos defensores do igualitarismo, os quais querem apenas redistribuir a pobreza.

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Leia também:

Para superar a pobreza, é crucial premiar a criação de riqueza, e não puni-la

Mesmo em uma sociedade com igual ponto de partida, haveria capitalistas, assalariados e desigualdade

É o crescimento econômico em uma sociedade livre, e não a igualdade forçada, o que salva os pobres

Em qualquer discussão sobre desigualdade, estas são as quatro perguntas que têm de ser feitas

"Sem o estado, quem cuidará dos pobres?"



autor

Juan Ramón Rallo
é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


  • Carlos  26/07/2019 17:34
    Esse Eduardo Moreira é inacreditável. Alguém tem alguma idéia do que se passou com ele?
  • Bernardo  26/07/2019 17:39
    Com certeza está almejando algum cargo público. Mas é certeza. Vai se filiar ao PDT (ele vem sendo cortejado abertamente por Ciro Gomes) e vai virar deputado. Tranquilamente.
  • Vladimir  26/07/2019 17:41
    É o capitalista que prosperou no capitalismo e agora, por motivos psicológicos, quer abolir o sistema. Mises explicou em detalhes esse fenômeno ainda na década de 1950 em seu livro "A Mentalidade Anticapitalista". Olavo de Carvalho também possui bons ensaios sobre o tema.
  • Fabrício  26/07/2019 18:15
  • Ciro Gomes  26/07/2019 18:30
    Mas o Moreira ta certo. Ele diz que é preciso defender a redistribuição dos meios de produção para acabar com a desigualdade. E isso realmente aconteceria, ué. Todos ficariam igualmente miseráveis, como em Cuba, Coreia do Norte e Venezuela. Objetivo alcançado. O homem sabe do que tá falando.
  • Juliano  26/07/2019 18:47
    Para ele, é melhor morar na Etiópia do que nos EUA (e no Brasil). Ele deveria demonstrar essa coerência.
  • Marcos  07/10/2019 21:33
    Simples meu caro.
    Primeiro ele "encantou cavalos" e agora ele "encanta muares".
  • anônimo  26/07/2019 17:37
    Igualdade é uma utopia.

    Capitalismo é um jogo... é preciso ensinar as pessoas a jogar esse jogo.


    O ser humano precisa do outro. Assim que nascemos ja precisamos do outro... diferente de um réptil que sai da casca e se vira.


    Ainda hoje tem pessoas no Brasil sem luz elétrica. O homem com olhos de cifrão não tem interesse nessas pessoas.

    Menos Mises, Mais Humanismo ao IMB.
  • Amante da Lógica  26/07/2019 17:43
    "O ser humano precisa do outro. Assim que nascemos ja precisamos do outro... diferente de um réptil que sai da casca e se vira."

    Exato. E o único arranjo que coloca uma pessoa para servir bem a outra -- pois servir bem a outra é do seu interesse próprio -- é o capitalismo.

    "Ainda hoje tem pessoas no Brasil sem luz elétrica. O homem com olhos de cifrão não tem interesse nessas pessoas."

    Ué, mas foi exatamente a busca por cifrões o que retirou bilhões de pessoas da miséria e melhorou a qualidade de vida de todos. E é exatamente a busca por cifrões o que gera oferta de energia ao redor do mundo.

    E é exatamente no Brasil -- onde o setor elétrico está majoritariamente sob controle do estado -- onde as pessoas ainda não têm energia elétrica. Apenas a busca por cifrões garantirá maior oferta de energia elétrica para essas pessoas.

    Aliás, qual o motivo do "homem com olho no cifrão" não levar a luz elétrica a quem não tem, e ainda lucrar com isso?

    Quem é que o impede de ter sua ganância transformada em benefícios aos necessitados?

    Tente adivinhar. Não é difícil.

    "Menos Mises, Mais Humanismo ao IMB"

    Menos vitimismo e mais inteligência para você.
  • Kaio  27/07/2019 16:30
    Boa pergunta. Pq eu investiria em algo que não vai me gerar lucro ? Vou fazer pq sou bonzinho? Claro que não...
  • Jorge  26/07/2019 18:27
    Em um ambiente de liberdade econômica, um indivíduo que produz duas vezes mais, ao mesmo tempo em que todos os outros continuam produzindo o mesmo, será capaz de usufruir duas vezes mais o fruto de seu trabalho, pois terá um rendimento duas vezes maior.

    Mas se essa duplicação da sua produção tiver de ser dividida com os mais de 7 bilhões de habitantes do planeta, esse indivíduo, em vez de receber duas vezes mais como resultado da duplicação de sua produção, irá receber apenas a sétima bilionésima parte do dobro de sua produção (0,0000000001428) — ou seja, em termos práticos, absolutamente nada.

    Sob a liberdade que permite a desigualdade econômica, um indivíduo é capaz de aprimorar o bem-estar econômico seu e de sua família dramaticamente. Porém, quando uma política estipula que, para ele aprimorar o seu próprio bem-estar, ele tem de ser obrigado a aprimorar o bem-estar de toda a população na mesma intensidade, então ele nada pode alcançar.

    É como ver um indivíduo com pernas fortes o bastante para caminhar, e então estipular que, se ele quiser caminhar, ele tem de ser obrigado a carregar o peso de toda a população do globo sobre suas pernas.
  • papi  14/08/2019 14:17
    Um exemplo de incentivo para distribuir riquezas:

    16 E eis que se aproximou dele um jovem, e lhe disse: Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna?
    17 Respondeu-lhe ele: Por que me perguntas sobre o que é bom? Um só é bom; mas se é que queres entrar na vida, guarda os mandamentos.
    18 Perguntou-lhe ele: Quais? Respondeu Jesus: Não matarás; não adulterarás; não furtarás; não dirás falso testemunho;
    19 honra a teu pai e a tua mãe; e amarás o teu próximo como a ti mesmo.
    20 Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado; que me falta ainda?
    21 Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me.
    22 Mas o jovem, ouvindo essa palavra, retirou-se triste; porque possuía muitos bens.
    23 Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus.
    24 E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.
    25 Quando os seus discípulos ouviram isso, ficaram grandemente maravilhados, e perguntaram: Quem pode, então, ser salvo?
    26 Jesus, fixando neles o olhar, respondeu: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível.

  • Raphael  14/08/2019 14:50
    Exato. Distribuição voluntária de riqueza. Nada contra. Exatamente como deve ser.

    Aliás, desafio qualquer um a mostra uma única passagem na Bíblia em que Jesus diga que o governo deve tomar a riqueza de uns e repassar a outros.
  • Simonetti  26/07/2019 18:27
    Na verdade, uma sociedade em que não existisse estado para impor a igualdade, pelo menos no Brasil, seria bem mais igualitária, uma vez que mais da metade da alta renda é constituída de funcionários públicos. Isso fora os corporativistas e grandes empresários que só estão onde estão por causa da ausência de concorrência gerada pelas regulações estatais.

    As pessoas simplesmente não entendem que impor coisas como redistribuição, além de imoral, é ineficaz, não funciona, não adianta. Isso só dá mais jus à expressão "o mundo é dos espertos", que, no caso, são os sanguessugas engravatados.
  • Alfredo  26/07/2019 18:36
    E no Brasil ainda tem aquela lenga-lenga esquerdista de "mesma-elite-de-500-anos". Ora, grandes fortunas do passado se perderam nas mãos de herdeiros perdulários ou relapsos, brigas de família, golpes e arrivismo; chegaram por aqui, de metade do sec. XIX em diante, levas de migrantes japoneses, alemães, italianos, libaneses, bem como novas ondas de portugueses que nada tinham a ver com os que por aqui já estavam. Em grande parte, especialmente no Centro-Sul do Brasil, é essa a elite do Brasil de hoje.

    Isso não quer dizer que o Brasil não tenha velhos vícios de natureza anti-liberal que condenam o lucro e o mérito, já que o senso comum por aqui é que todos podem viver sob as asas do Estado, desde os pobres com suas bolsas, quotas e pensões; passando pela classe média concurseira, até os ricos, beneficiados pelo protecionismo, cartorialismo, empréstimos de BNDES e regulações feitas sob encomenda
  • Hélio Schwartsman  26/07/2019 18:48
    O historiador Walter Scheidel (Stanford) decidiu olhar para o passado em busca daquilo que realmente faz com que a renda seja mais bem distribuída e concluiu que só grandes catástrofes sociais dão conta da missão –e mesmo assim apenas por tempo limitado.

    O resultado de suas pesquisas está em "The Great Leveler" (a grande niveladora). Ao longo de mais de 500 páginas, ele mostra com muita erudição histórica que a tendência geral das sociedades, desde a Idade da Pedra até hoje, é concentrar riqueza e que essa orientação só é revertida de forma um pouco mais perceptível em situações extremas das quais queremos manter total distância. Não é uma coincidência que o autor chame as forças niveladoras que identificou de quatro cavaleiros do apocalipse.

    www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2017/06/1891959-igualdade-ou-morte.shtml
  • Alfredo  26/07/2019 18:37
    Quem é espírita sabe sobre a impossibilidade e a falácia da igualdade. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, de 1864, lê-se:

    Desigualdade das riquezas

    A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual.

    A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar.

    É, aliás, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis.

    Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades.
  • Mais Mises...  29/07/2019 16:27
    Sou espírita e esse foi um dos primeiros grandes argumentos que me fez gostar e aderir ao que o texto disse. Comentei com meus pais que pensaram exatamente a mesma coisa. No espiritismo, tem-se muito forte o conceito de individualidade, de que somos responsáveis pelas nossas ações e suas consequências.
  • Guilherme - Quito Ecuador  26/07/2019 18:52
    Brasil não é um país desigual, é extremamente desigual e nada tem a ver com renda e sim com oferta, simplesmente não há serviços de nenhuma espécie para os mais pobres, restaurantes, transportes interestaduais, entradas de cinema, quase todos os tipos de lazer e eventos são caros demais para os pobres que ganham ao redor do salário mínimo.
  • Ivan  26/07/2019 19:10
    Correto. E uma maneira de garantir uma farta oferta de bens para a população é tendo uma moeda forte e liberando as importações. Sob este arranjo, as importações serão baratas e a oferta de bens sempre será farta. Não é à toa que os países que possuem a melhor qualidade de vida são aqueles que mais praticam o livre comércio.

    Outra maneira óbvia — e que deve sempre ser adotada em conjunto com a anterior — é facilitar a produção de bens e serviços domésticos.

    Daí a crucial importância do crescimento econômico para que uma população prospere. Se a economia cresce mais, isso significa que mais bens e serviços estão sendo produzidos. Consequentemente, maior será a qualidade de vida da população. Maior crescimento econômico também significa aumento da renda da população, o que por sua vez permite mais importações, reforçando assim todo o ciclo virtuoso.

    Logo, a solução para a pobreza está exatamente em facilitar ao máximo o crescimento econômico. E, para que isso ocorra, o óbvio tem de ser feito: desburocratizar, desregulamentar, reduzir impostos (o que implica reduzir gastos do governo), facilitar o empreendedorismo e ter uma moeda forte. O crescimento econômico é fácil e natural; depende apenas de o governo permitir.
  • Emerson  26/07/2019 18:59
    Mises já havia explicado tudo isso em seu livro Socialism:

    "A maioria das pessoas que exige a maior igualdade possível de rendas não percebe que o objetivo que elas desejam só pode ser alcançado pelo sacrifício de outros objetivos.

    Elas imaginam que a soma de todas as rendas permanecerá inalterada e que tudo o que elas precisam fazer é apenas distribuir a renda de maneira mais uniforme do que a distribuição feita pela ordem social baseada na propriedade privada.

    Os ricos abdicarão de toda a quantia auferida que estiver acima da renda média da sociedade, e os pobres receberão tanto quanto necessário para compensar a diferença e elevar sua renda até a média. Mas a renda média, imaginam eles, permanecerá inalterada.

    É preciso entender claramente que tal ideia baseia-se em um grave erro. Como demonstrado em capítulos anteriores, não importa qual seja a maneira que se conjeture a equalização da renda — tal medida levará, sempre e necessariamente, a uma redução extremamente considerável da renda nacional total e, consequentemente, da renda média.

    Quando se compreende isto, a questão assume uma complexidade bem distinta: agora temos de decidir se somos a favor de uma distribuição equânime de renda a uma renda média mais baixa, ou se somos a favor da desigualdade de renda a uma renda média mais alta.

    A decisão irá depender essencialmente, é claro, de quão alta será a redução estimada na renda média causada pela alteração na distribuição social da renda. Se concluirmos que a renda média será mais baixa do que aquela que é hoje recebida pelos mais pobres, nossa atitude provavelmente será bem distinta da atitude da maioria dos socialistas sentimentais.

    Se aceitarmos o que já foi demonstrado sobre o quão baixa tende a ser a produtividade sob o socialismo, e especialmente a alegação de que o cálculo econômico sob o socialismo é impossível, então este argumento do socialismo ético também desmorona."

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1224
  • Gusmão  26/07/2019 19:04
    Vamos considerar que a partir de hoje toda a riqueza mundial será distribuída igualitariamente para todos e que cada um passasse a ter os 15.600. Em pouco tempo toda a desigualdade retornaria. Nem todos são laboriosos, previdentes e responsáveis igualmente. Uns iriam poupar, outros iriam montar seu próprio negocio, que dependeria de sua dedicação para dar resultado, e outros iriam gastar de acordo com suas preferencias de consumo. No fim, os mais produtivos, assertivos e previdentes estariam sendo os detentores do maior quinhão e estariam multiplicando, novamente, seus ganhos. A desigualdade das riquezas não é uma sentença mas uma consequência da natureza humana.
  • Jorge  26/07/2019 19:14
    Sim, mas aí tão logo estes produtivos, assertivos e previdentes começassem a se destacar e avançar, novos clamores por igualdade de renda voltariam a ser feitos, o que desestimularia qualquer tentativa de progresso e de melhora de vida.

    E aí então o mundo estaria a salvo de qualquer um que tente fazer algo que o beneficie e que, por isso, o torne desigual em relação aos outros. E, quando chegarmos a esse ponto, o mundo irá desfrutar toda a prosperidade gerada pela total paralisia (morando dentro das cavernas, é claro).
  • Marcos Silva  26/07/2019 19:23
    Claro que há um jogo de interesse dos mais ricos controlarem os políticos para permanecerem estes dois grupos mais ricos, mas distribuir dinheiro para um ignorante é o mesmo que jogar pérolas as porcos, em uma semana o cara vai estar pedindo esmola e o cara que foi rico em uma semana estará ficando rico de novo.
  • Ninguém Apenas  26/07/2019 19:11
    Eu sei que não está diretamente relacionado com o artigo em questão, mas quando é que discutiremos de forma aberta a desestatização da água? O movimento libertário só cresce, os liberais ganharam grande representação no governo e nada do assunto ser minimamente discutido.

    Eu até entendo e inclusive concordo que não é algo muito factível no futuro próximo, mas se isso fosse empecilho para discutir o assunto, esse site não teria sentido em existir, seu sucesso é resultado da insistência de indivíduos que não desistiram de debater o assunto mesmo quando eram rejeitados por mais de 99% da população. Lembremos que 5 anos atrás privatizações eram a encarnação do inferno na Terra, hoje o noticiário fala da privatização como algo banal.

    Acredito que o maior dos problemas é a questão dos direitos de propriedade, onde a união acaba por ter propriedade exclusiva da terra a partir de uma certa profundidade. Quando comecei a discutir o assunto com algumas pessoas, elas de imediato se mostravam contra, mas as duas pessoas que conversei, após uns 30 minutos de conversa, aceitaram que a melhor solução para a seca do Nordeste era esta.

    A maior preocupação delas era a qualidade da água e o monopólio, coisas não muito difíceis de refutar. O mesmo se aplica ao padrão-ouro, quando as pessoas (principalmente os mais pobres) descobrem que a realidade de preços em queda é possível, se mostram completamente surpresos. Eles são tão acostumados com a perda contínua do poder de compra que para eles é algo próximo da utopia. Muitos ficam com um pé atrás inclusive, imaginam que isso seria bom demais para ser verdade.

    Com o nosso já bem conhecido governo paulista "privatizando" a Sabesp, seria um bom momento para discutir isso, não? Pelo menos republicar o artigo do monopólio natural e aquele do Leandro falando das privatizações (que tem parte 1 parte 2).



    Já aviso que se ninguém escrever sobre isso, eu mesmo vou escrever. Nem ligo se ficar ruim kkk
  • Guilherme  26/07/2019 19:20
    Mas a única maneira de haver desestatização da água é exatamente adotando aquele modelo descrito no artigo do Leandro. Qualquer outro arranjo envolveria ingerência estatal e aí não haveria desestatização.

    Igualmente, simplesmente privatizar uma rede de saneamento já existente seria ineficiente, pois a empresa ganhadora teria a certeza de que não haveria como surgir concorrentes, e ela continuaria desta maneira sendo protegida pelo estado.
  • Luã Souza  26/07/2019 20:58
    Sou espírita e certa feita um cidadão espírita veio me dizer que o socialismo é o melhor e mais viável meio para o fim da miséria no mundo. Como eu já estudei muito sobre espiritismo, fiz um compilado da doutrina e enviei para este individuo. Quem tiver interesse, leia.

    LIVRO DOS ESPÍRITOS.

    811. Será possível e já terá existido a igualdade absoluta das riquezas?
    "Não; nem é possível. A isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres."
    a) — Há, no entanto, homens que julgam ser esse o remédio aos males da sociedade. Que pensais a respeito?
    "São sistemáticos esses tais, ou ambiciosos cheios de inveja. Não compreendem que a igualdade com que sonham seria a curto prazo desfeita pela força das coisas. Combatei o egoísmo, que é a vossa chaga social, e não corrais atrás de quimeras."

    881 - O direito de viver dá ao homem o de acumular bens que lhe permitam repousar quando não mais possa trabalhar?
    "Dá, mas ele deve fazê-lo em família, como a abelha, por meio de um trabalho honesto, e não como egoísta. Há mesmo animais que lhe dão o exemplo de previdência."
    882. Tem o homem o direito de defender os bens que haja conseguido juntar pelo seu trabalho?
    "Não disse Deus: 'Não roubarás?' E Jesus não disse: 'Dai a César o que é de César?'
    O que, por meio do trabalho honesto, o homem junta constitui legítima propriedade sua, que ele tem o direito de defender, porque a propriedade que resulta do trabalho é um direito natural, tão sagrado quanto o de trabalhar e de viver.

    EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO.
    Capítulo XVI do Evangelho Segundo o Espiritismo, item 8: ''A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. É, aliás, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades.''

    PIETRO UBALDI - A GRANDE SINTESE.
    Diante destas minhas concepções, vereis que absurdo representam vossas utopias de nivelamentos econômicos. A distribuição dos bens na terra não é, como acreditais, efeito das leis, instituições, sistemas, mas é consequência de um fatoprimordial indestrutível: o tipo individual e a linha de seu destino. Os equilíbrios da vida são feitos de desigualdades que, em vista das naturezas diversas, correspondem à justiça, mesmo que as posições sejam diferentes. É absurdo um nivelamento de unidades substancialmente desiguais. Ainda que imposto à força, a natureza dos indivíduos o destruiria, em pouco tempo. Só existe um comunismo substancial: o que une todos os fenômenos, vincula todas as ações, vos irmana a todos e vos arrasta dentro da mesma lei, sem possibilidade de isolamento, na mesma correnteza. Comunidade substancial de deveres, de trabalho, de responsabilidades, apesar das inevitáveis diferenças de nível, que exprimem as diferenças de tipos e de valores. Liames férreos que vos encadeiam a todos, igualmente, ainda que por vontade vossa sejam de rivalidades e de ódio, em lugar de serem de bondade e de amor. Os princípios da vida são mais sábios que vossos sistemas mecânicos de nivelamento social; conseguem o equilíbrio por meio da desigualdade, porque não tendem à equiparação num tipo único, mas à diferenciação, para depois reorganizar os que se especializaram em organismos coletivos. A diferença de posições sociais é simplesmente divisão de trabalho para capacidades diferentes. Esta é tanto mais acentuada — portanto, as posições são mais divergentes — quanto mais complexo e evoluído for oorganismo social. Numa coletividade adiantada, cada indivíduo e cada classe permanece tranquilamente em seu lugar, sem coações, tal como as células e os órgãos num corpo animal. Essas irrequietudes são características das sociedades inferiores em formação.

    CHICO XAVIER - HUMBERTO DE CAMPOS - LIVRO: BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO PÁTRIA DO EVANGELHO.
    Nesta época de confusão e amargura, quando, com as mais justas razões, se tem, por toda parte, a triste organização do homem econômico da filosofia marxista, que vem destruir todo o patrimônio de tradições dos que lutaram e sofreram no pretérito da humanidade, as medidas de repressão e de segurança devem ser tomadas a bem das coletividades e das instituições, a fim de que uma onda inconsciente de destruição e morticínio não elimine o altar de esperanças da pátria. Que o capitalismo, visando à própria tranquilidade coletiva, seja chamado pelas administrações ao debate, a incentivar com os seus largos recursos a campanha do livro, do saneamento e do trabalho, em favor da concórdia universal.

    O CONSOLADOR - EMMANUEL - CAPÍTULO 1

    55 — A desigualdade verificada entre as classes sociais, no usufruto dos bens terrenos, perdurará nas épocas do porvir?
    — A desigualdade social é o mais elevado testemunho da verdade da reencarnação, mediante a qual cada espírito tem sua posição definida de regeneração e resgate. Nesse caso, consideramos que a pobreza, a miséria, a guerra, a ignorância, como outras calamidades coletivas, são enfermidades do organismo social, devido à situação de prova da quase generalidade dos seus membros. Cessada a causa patogênica com a iluminação espiritual de todos em Jesus-Cristo, a moléstia coletiva estará eliminada dos ambientes humanos.

    56 — Pode admitir-se, em Sociologia, o conceito de igualdade absoluta?
    — A concepção igualitária absoluta é um erro grave dos sociólogos, em qualquer departamento da vida. A tirania política poderá tentar uma imposição nesse sentido, mas não passará das espetaculosas uniformizações simbólicas para efeitos exteriores, porquanto o verdadeiro valor de um homem está no seu íntimo, onde cada Espírito tem sua posição definida pelo próprio esforço. Nessa questão existe uma igualdade absoluta de direitos dos homens perante Deus, que concede a todos seus filhos uma oportunidade igual nos tesouros inapreciáveis do tempo. Esses direitos são os da conquista da sabedoria e do amor, através da vida, pelo cumprimento do sagrado dever do trabalho e do esforço individual. Eis por que cada criatura terá o seu mapa de méritos nas sendas evolutivas, constituindo essa situação, nas lutas planetárias, uma grandiosa escala progressiva em matéria de raciocínios e sentimentos, em que se elevará naturalmente todo aquele que mobilizar as possibilidades concedidas à sua existência para o trabalho edificante da iluminação de si mesmo, nas sagradas expressões do esforço individual.

    57 — Poderão os homens resolver sem atritos as chamadas questões proletárias?
    — Sim, quando se decidirem a aceitar e aplicar os princípios sagrados do Evangelho. Os regulamentos apaixonados, as greves, os decretos unilaterais, as ideologias revolucionárias, são cataplasmas inexpressivas, complicando a chaga da coletividade. O socialismo é uma bela expressão de cultura humana, enquanto não resvala para os pólos do extremismo. Todos os absurdos das teorias sociais decorrem da ignorância dos homens relativamente à necessidade de sua cristianização. Conhecemos daqui os maus dirigentes e os maus dirigidos, não como homens ricos e pobres, mas como a avarentos e a revoltados. Nessas duas expressões, as criaturas operaram o desequilíbrio de todos os mecanismos do trabalho natural. A verdade é que todos os homens são proletários da evolução e nenhum esforço de boa realização na Terra é indigno do espírito encarnado. Cada máquina exige uma direção especial, e o mecanismo do mundo requer o infinito de aptidões e de conhecimentos. Sem a harmonia de cada peça na posição em que se encontra, toda produção é contraproducente e toda boa tarefa impossível. Todos os homens são ricos pelas bênçãos de Deus e cada qual deve aproveitar, com êxito, os "talentos" recebidos, porquanto, sem exceção de um só, prestarão um dia, além-túmulo, contas de seus esforços. Que os trabalhadores da direção saibam amar, e que os da realização nunca odeiem. Essa é a verdade pela qual compreendemos que todos os problemas do trabalho, na Terra, representam uma equação de Evangelho.
    REVISTA ESPÍRITA 1861.

    O PAUPERISMO
    (Enviada pelo Sr. Sabò, de Bordeaux)
    Em vão os filantropos da Terra sonham com coisas que jamais verão realizar-se. Lembrai-vos destas palavras do Cristo: "Sempre tereis pobres entre vós", pois sabeis que estas são palavras de verdade. Meu amigo, agora que conheceis o Espiritismo, nãoachais justa e eqüitativa, essa desigualdade das condições, que fazia levantar vossos corações, cheios de murmúrio contra esse Deus que não havia feito todos os homens igualmente ricos e ditosos? Pois bem! Agora que sabeis que Deus agiu com sabedoria em tudo quanto fez e que a pobreza é um castigo ou uma prova, buscai amenizá-la, mas não lanceis mão de utopias para fazer os infelizes sonharem com uma igualdade impossível. Certamente, por uma sábia organização social, é possível aliviar muitos sofrimentos; é isto que se deve visar. Mas pretender que todos venham a desaparecer da face da Terra é uma idéia quimérica. Sendo a Terra um lugar de expiação, sempre haverá pobres que expiam nessa prova o abuso dos bens de que Deus os fizera dispensadores, e que jamais experimentaram a satisfação de fazer o bem aos seus irmãos; que entesouraram moeda por moeda para acumular riquezas inúteis a si mesmos e aos outros; que espoliaram as viúvas e os órfãos para enriquecer. Oh! esses são muito culpados e seu egoísmo se voltará contra eles! Guardai-vos, entretanto, de ver em todos os pobres culpados em punição. Se, para alguns, a pobreza é uma expiação severa, para outros é uma provação que lhes deve abrir mais rapidamente o santuário dos eleitos. Sim, sempre haverá pobres e ricos, a fim de que uns tenham o mérito da resignação, e outros o da caridade e do devotamento. Quer sejais ricos ou pobres, transitais sobre um terreno escorregadio, que vos pode precipitar no abismo, na descida do qual só as vossas virtudes vos podem reter. Quando digo que haverá sempre pobres na Terra, quero dizer que enquanto houver vícios, que dela façam um lugar de expiação para os Espíritos perversos, Deus os enviará para nela se encarnarem, para seu próprio castigo e dos vivos. Merecei, por vossas virtudes, que a vós Deus não envie senão Espíritos bons, e de um inferno fareis um paraíso terrestre.

    Adolfo, bispo de Argel.
  • Mais Mises...  29/07/2019 16:42
    Sen-sa-ci-o-nal!!!!!!!!!!!!!!!! Postarei partes desse texto dia após dia em meus perfis em redes sociais para que muitos dos meus amigos espíritas e canhotos (confundem necessidade da caridade com a necessidade de igualdade) vejam o absurdo da utopia que desejam!
  • Sergio.Santos  29/07/2019 17:43
    Luã, que postagem bárbara!!! Adorei, muito elucidativa quanto ao posicionamento da espiritualidade maior acerca desse tema tão delicado. Ótimo para "esfregar" na cara de muito espírita (?) "esquerdista" que confunde as coisas, sem contar aqueles que desejam enquadrar o Espiritismo nos preceitos comunistas, como o faz a vermelhíssima Dora Incontri, que é espírita (?) favorável ao "aborto" (pasmem!!!). Valeu! Forte abraço a todos!
  • julian woiski  26/07/2019 21:05
    Eduardo Moreira é patético. Fala esse monte de besteiras para platéias de esquerdobobos que ficam babando em sua utopia fétida, mas ao mesmo tempo vende cursos online sobre como (segundo ele) ganhar dinheiro no mercado financeiro. Bem a cara do Ciro Gomes esse sujeito; um hipócrita mal caráter.
  • Magna  26/07/2019 21:09
    Ou seja, tem método. Otária é a esquerda que acredita na sinceridade da conversão do bacana.
  • Lucas  26/07/2019 21:13
    E o mais impressionante é quão rápida foi a guinada do sujeito. Dois anos atrás, ele estava escrevendo coisas assim:

    exame.abril.com.br/blog/eduardo-moreira/2016-um-ano-necessario/
  • Aprendiz  27/07/2019 23:12
    Olhar para este texto e para o que o cara vem falando agora! Valha-nos Deus! Só ha oportunistas nestas bandas.

    Mudando de assunto, Governo autoriza saques do FGTS para 2019. R$ 500,00. Valor pouco, é certo. Mas, a minha questão é: isso não é estímulo ao consumo como pretexto para crescimento econômico? Não é, em certa medida, a mesma ideia dos anos vermelhos (no caso foi crédito e salários mínimos). Já fala-se que o governo criou o 14º salario para o povo! Realmente ninguém olha para o lado da oferta?

    Esta analise está correta ou eu perdi algo?
  • Alfredo  28/07/2019 01:02
    Trata-se de um dinheiro que é do trabalhador, e que o governo confiscou e deixou o poder de compra ser destruído pela inflação.

    Devolver o esbulho não tem nada a ver com "reativar a economia". É simplesmente uma questão de moral e ética.

    Aliás, tinha que devolver tudo e não apenas essa palhaçada de 500 reais.
  • Cristiano   28/07/2019 01:06
    FGTS é simplesmente um crime. Limitaram os saques a 500 reais porque sabem que se liberassem todo mundo iria sacar tudo. Ninguém é otário de deixar seu dinheiro sendo gerido pelo governo.

    E não precisa de FGTS pra construção civil. O sucesso dos fundos imobiliários já deixou isso bem claro.
  • Dane-se o estado  28/07/2019 01:43
    Limitaram o saque, porque o dinheiro todo não existe! Os bancos operam com reserva fracionária, a previdência é um esquema de pirâmide, se fossem liberar todo o dinheiro para cada indivíduo roubado considerando os anos de correção de inflação e contribuição, esse dinheiro não existiria. Eles precisam acalmar o gado e dar uma migalha para ir empurrando com a barriga o problema para frente até estourar em algum futuro governo e esse futuro governo ter que pegar a bomba.
  • Tulio  26/07/2019 21:16
    O melhor foi quando ele se meteu a falar contra a reforma da Previdência. Saiu cada merda homérica, que o Pedro Nery teve de refutar uma por uma.

    Resultado: o Dudu tomou um sabugo que até perdeu o rumo.

    Acho que foi depois dessa sapatada que ele viu que não entendia mesmo bosta nenhuma e resolveu venezuelizar de vez:

    www.gazetadopovo.com.br/vozes/pedro-fernando-nery/44-equivocos-de-eduardo-moreira-sobre-a-previdencia/

    www.gazetadopovo.com.br/vozes/pedro-fernando-nery/final-44-equivocos-eduardo-moreira-sobre-previdencia/
  • Felipe Lange  28/07/2019 21:03
    O que vocês acham sobre esse tweet recente sobre a redução dos impostos sobre os jogos, no qual fala que também os jogos no Brasil "têm quase preço de EUA"?
  • Andre  29/07/2019 14:33
    Não há espaço fiscal para redução de impostos de nenhum tipo, seria crime de responsabilidade.
  • método freiriano  28/07/2019 23:19
    Vejam como um comunista manipula as massas ignorantes. Vejam o que Paulo Freire dizia aos camponeses em suas "aulas":

    Antes do golpe militar, lá no Nordeste, Freire foi conversar com um grupo de camponeses. Em poucos minutos eles se calaram e houve um grande silêncio. Até que um deles falou:
    — O senhor me desculpe, mas é o senhor que deve falar, e não nós.
    — Por quê? Perguntei eu.
    — Porque o senhor é o que sabe, e nós não sabemos.
    — Aceito. Eu sei e vocês não sabem! Mas por que é que eu sei e vocês não sabem?
    — O senhor sabe porque foi à escola, e nós não.
    — Aceito. Fui à escola e vocês não foram. Mas por que é que eu fui à escola e vocês não foram?
    — Ah, foi porque seus pais puderam, e os nossos não.
    — Concordo. Mas porque seus pais tinham condição, bom trabalho, bom emprego, e os nossos não.
    — Tá certo. Mas, por que os meus tinham e os de vocês não?
    — Porque os nossos eram camponeses. Meu avô era camponês, meu pai era camponês, eu sou camponês, meu filho é camponês, meu neto vai ser camponês.
    (Aí, a concepção fatalista da história)
    — O que é ser camponês?
    — Ah, é não ter nada, é ser explorado.
    — Mas, o que é que explica isso tudo?
    — Ah, é Deus! Deus quis que o senhor tivesse e nós não.
    — Tá certo, concordo. Deus é um cara bacana, um sujeito poderoso! Agora, eu queria fazer uma pergunta: quem aqui é pai? Todo mundo era. Olhei para um e disse:
    — Você tem quantos filhos?
    — Tenho seis, disse ele.
    — Você seria capaz de botar cinco filhos aqui no trabalho forçado e mandar um pra capital com comida, hotel, pra ele estudar e ser doutor, e os outros cinco morrendo no porrete e no sol?
    — Não, não fazia isso não!
    — Então você acha que Deus é poderoso, que é pai, ia tirar essa oportunidade de vocês? Será que pode? Houve um silêncio e por fim um falou:
    — É não, não é Deus nada! É o patrão!

    Seria idiotice minha se eu dissesse que era o patrão imperialista yankee. O cabra ia dizer o quê, onde mora esse hôme? A transformação social se faz com ciência, com consciência, bom senso, humildade, criatividade e coragem. É trabalhoso, não se faz na marra. O voluntarismo nunca fez revolução, em canto nenhum, nem o espontaneísmo. Transformação social implica em convivência com as massas populares e não a distância delas.


    Se um leitor ou membro do IMB estivesse lá, como refutaria ele?
  • Luiz Fernando  29/07/2019 01:20
    Refutar o quê? Para algo ser refutado, ele tem de ao menos ter um mínimo de lógica.

    Esse derrame cerebral que você escreveu aí é tão tosco e desprovido de sentido, que não pertence nem à categoria do certo e errado, mas sim ao ramo da viagem lisérgica.
  • thiago  29/07/2019 12:05
    tem fonte?
  • Guilherme  30/07/2019 10:30
    Não tem. Pesquisei e a única coisa que encontrei foi essa mesma postagem em um perfil anônimo de Facebook.

    Ou seja, pura cascata. Invencionice. Fanfic total.

    É apenas mais uma versão daquele meme "É verdade esse bilete".

    Pedir pra refutar fanfic é o auge do desespero argumentativo.
  • Estudante da lógica  29/07/2019 03:09
    Eu penso que nada lhe foi tomado já que a origem do homem é a miséria absoluta. Agora um patrão apenas lhe oferece um meio de subsistência, se a pessoa se conforma com esse meio e não enxerga outros meios de melhorar a vida então não é culpa do patrão. O sistema capitalista ao menos é o único que permite liberdade para qualquer um adquirir meios de produção e se "libertar", mas isso requer algo que nem todos possuem, disposição a risco e iniciativa, é mais facil se acomodar com um salário fixo e delegar seu sucesso a terceiros. Agora detalhe ao campones que tem 6 filhos, nesse caso não há sistema econômico que fará milagre se a pessoa não tem um mínimo de planejamento familiar.
  • Dane-se o estado  02/08/2019 18:39
    A esquizofrenia do sujeito se constata nessa parte


    "É trabalhoso, não se faz na marra. O voluntarismo nunca fez revolução, em canto nenhum, nem o espontaneísmo. Transformação social implica em convivência com as massas populares e não a distância delas."
  • Luís Ramón de Oliveira   28/07/2019 23:47
    O imposto não é roubo, uma vez que ao viver um uma sociedade vc aceita tacitamente um contrato onde vc abre mão de certa parte da sua liberdade (seja ela qual for) em troca da segurança jurídica e da garantia da propriedade. Leviatã e Contrato Social já são teorias pacificadas.

    Em resumo, viver em uma sociedade sem estado seria estar suscetível a que um grupo armado tomasse o poder e se apropriasse de tudo, estabelecendo um governo tirânico. Portanto o estado de natureza que está implícito noq vc defende, não duraria muito tempo (não seria difícil alguém preferir aprender a atirar ou a usar espadas do que arar a terra, e ganhar a vida usurpando o que outros trabalharam para construir).
  • Marcos  29/07/2019 01:12
    É mesmo? Engraçado, nunca assinei contrato nenhum, e nem sequer concordo com ele. Aliás, essa merda desse contrato nunca nem sequer me foi apresentada. Teria como você, por gentileza, me mostrar uma cópia dele?
  • Edson Alves  29/07/2019 04:34
    Boa madrugada!
    Amigo, quando você nasceu, ninguém auxiliou a sua mãe durante o parto? Você mesmo que se educou ou você frequentou uma escola? Você mesmo construiu a casa onde mora? Você produz a própria energia elétrica que consome? Planta ou produz os alimentos que consome? Tomou todas as vacinas? Você dirige sem CNH? Não possui conta em algum banco? Não tem CPF ou CNPJ? Não faz declaração de IRPF ou IRPJ? Quando está dirigindo e vê que a luz vermelha do semáforo está acesa, você para ou continua? Você não está sujeito à legislação?

    Quando você compra uma bala, você pede cópia do contrato de compra e venda?

    Você quer uma cópia do contrato social para quê?
  • Marcos  29/07/2019 14:18
    "Amigo, quando você nasceu, ninguém auxiliou a sua mãe durante o parto?"

    Sim, um médico fez o parto, em troca de dinheiro, o qual ele utilizou para sustentar sua família.

    "Você mesmo que se educou ou você frequentou uma escola?"

    Ambos. Mas freqüentei escola privada, na qual professores trabalhavam em troca de dinheiro, o qual eles utilizaram para sustentar suas famílias.

    "Você mesmo construiu a casa onde mora?"

    Não, uma incorporadora fez isso em troca de dinheiro, o qual os engenheiros e os peões utilizaram para sustentar suas famílias.

    "Você produz a própria energia elétrica que consome?"

    Não, uma empresa faz isso em troca de dinheiro, o qual seus funcionários utilizam para sustentar sua família.

    "Planta ou produz os alimentos que consome?"

    Não, o agronegócio faz isso em troca de dinheiro, o qual seus trabalhadores utilizam para sustentar sua família.

    "Tomou todas as vacinas?"

    Crio que sim, e todas elas feitas por laboratórios farmacêuticos em troca de dinheiro, o qual seus cientistas utilizam para sustentar sua família.

    "Você dirige sem CNH?"

    Embora hoje eu tenha carteira, dirigi sem boa parte da vida. Nunca me envolvi em nenhum acidente.

    "Não possui conta em algum banco?"

    Possuo, sim. (Dúvida sincera: essas suas perguntas levam a algum lugar? Estou curioso).

    "Não tem CPF ou CNPJ?"

    Tenho CPF pois burocratas do estado me obrigam a ter. Eu não teria (e nem ninguém teria) não fosse a ameaça de prisão emitida por burocratas do estado.

    "Não faz declaração de IRPF ou IRPJ?"

    Faço pois não quero ir para a cadeia. Para não ir para a cadeia, sou obrigado a pagar esse arrego para a máfia (em troca de nada; é como se fosse uma doação compulsória). Ninguém pagaria IR se não fosse compulsório. (E isso não é chute meu, não. Tentaram isso na Noruega. Na Noruega! Ninguém contribuiu)

    "Quando está dirigindo e vê que a luz vermelha do semáforo está acesa, você para ou continua?"

    Paro de dia. De madrugada, apenas reduzo.

    "Você não está sujeito à legislação?"

    Estou sim, pois, se discordar delas, serei enviado a uma penitenciária.

    "Quando você compra uma bala, você pede cópia do contrato de compra e venda?"

    Nunca peço nem nota fiscal, pois não quero dar dinheiro para a máfia. O trabalhador que vende a bala tem todo o direito de ficar com a integralidade do meu dinheiro.

    "Você quer uma cópia do contrato social para quê?"

    Porque você disse que eu o assinei e que concordo com ele -- duas coisas que eu jamais efetuei.

    Se alguém diz que você comprou um imóvel sem você saber, e que agora você possui várias obrigações (inclusive dívidas em seu nome), o mínimo que você faria seria pedir para ver o contrato que você supostamente assinou, não?

    Se a sua resposta é negativa, por favor, me mande seus dados. Quero ter você de laranja.

    P.S.: agora que respondi a todas as suas perguntas, você poderia, por obséquio, voltar ao assunto original (não entendi nada deste seu devaneio acima) e me mostrar uma cópia, com minha assinatura, deste tal "contrato social" mostrando minha anuência para com ele?

    Muito agradecido.
  • Luís Ramón de Oliveira  29/07/2019 13:14
    Meu caro, vos apresento a Carta Magna: www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016.pdf

    Mas se achar que ela não é válida para regular as relações sociais no seu país, te sugiro um feito: na próxima vez que for à padaria comprar pão, tente não levar dinheiro. Aos invés disso, leve um punhado de sal ou farinha e tente trocar, afinal de contas a unidade monetária também faz parte desse contrato.
  • Marcos  29/07/2019 14:34
    "Meu caro, vos apresento a Carta Magna

    Um mero pedaço de papel redigido e aprovado inteiramente por políticos visando a beneficiar a eles próprios e aos funcionários públicos.

    Jamais aquiesci com esta porcaria. Querer me obrigar a aceitar algo do qual não participei e que jamais chancelei é o ápice do autoritarismo.

    P.S.: aprenda o português básico: "vos" é um pronome pessoal da segunda pessoa do plural. Se você se dirige a apenas uma pessoa (eu), você não pode usar "vos".

    "Na próxima vez que for à padaria comprar pão, tente não levar dinheiro."

    Ué, e por que eu faria isso? Eu jamais parti do princípio de que o dono da padaria tem a obrigação de me fornecer coisas gratuitas.

    Aliás, os únicos idiotas que acreditam em coisas gratuitas, e que acham que têm o direito de viver à custa dos outros, são exatamente os adoradores da constituição.

    "Aos invés disso, leve um punhado de sal ou farinha e tente trocar, afinal de contas a unidade monetária também faz parte desse contrato."

    Opa, obrigado pela informação! Quer dizer então que só existem transações monetárias por causa da constituição de 1988? Quer dizer que sem a constituição nunca teria havido dinheiro no mundo? Quer dizer então que tudo aquilo que foi usado como dinheiro por séculos (como o ouro) só o foi porque já se sabia, àquela época, que seria promulgada uma constituição no Brasil em 1988 estipulando que haveria dinheiro?

    Você é otário assim naturalmente, ou se esforça?
  • AGB  29/07/2019 14:56
    Creio que esse Luís Ramón veio da Argentina onde o pronome "VOS" é usado como o nosso VOCÊ. Mas VÓS, embora corresponda a 2ª pessoa do plural no português, também pode ser empregado para dirigir-se a outra pessoa, principalmente se desejamos mostrar reverência.
  • Dane-se o estado  01/08/2019 19:54
    Mais um positivista gado que repete direitinho como papagaio o discurso decorado na escolinha do mec.

    A existência de ordem não necessita de um monopólio da força coercitivo;

    Seres humanos naturalmente demandam ordem, pois sabem que recursos são escassos e necessitam trabalhar e desejam preservar o fruto do seu trabalho, logo qualquer matuto ou analfabeto sabe e demanda uma vida com ordem;

    Se algo é naturalmente demandável não há qualquer necessidade de ser imposto de forma exclusiva pelo estado ou por qualquer grupo ideológico que você acha que deve ser, não existe qualquer justificativa lógica, racional, ou objetiva que prove que ordem social necessita de poder concentrado monopolísta armado. Não há nada que justifique que empresas privadas de segurança não possam ofertar ordem. Estado é somente um monopólio da força coercitivo e ilegítimo, pois esse contrato social nunca existiu.

    O argumento do contrato social implícito é uma pura falácia, pois nenhum contrato pode ter cláusula implícita, pois isso é nada mais que fraude e estelionato.

    O estado não assinou historicamente contrato com ninguém, ele apenas usou da coerção armada e da força, e se mantém através apenas da ameaça de coerção. Ninguém assinou essa porcaria que não existe.

    O preço da civilização é o respeito da propriedade alheia, não é o financiamento de um agente monopolista.

    Não há absolutamente nada que justifique democracia ou monopólio do estado, apenas a ignorância milenar da cultura humana.

    Nem mesmo o argumento utilitarista é capaz de defender a utilidade do estado, pois o estado é ineficiente e incompetente sempre. Falso utilitarismo, e mesmo que formos discutir utilitarismo eu posso usar o próprio utilitarismo para refutar coisas como: social democracia, ou subsídios, afinal, se o argumento é manter a civilização e assumirmos que um estado é necessário para isso por que devemos nos preocupar utilitariamente com uma minoria mais pobre e menos favorecida? a civilização não vai ruir se eles morrerem de fome, a maior parte da população é produtiva, por tanto, porque roubar recursos dos mesmos? utilitariamente e pela lógica fria, criar distorções econômicas gerando inflação e bolhas destrutivas para milhões e pessoas, desemprego, etc... é algo tão desproporcional e irracional que não valeria a pena se os utilitaristas tivessem honestidade intelectual naquilo que defendem; e pior, empiricamente nunca deu certo.


  • Andre  29/07/2019 14:38
    Uffa, tem umas palavras escritas num pedaço de papel lá em brasília, nossos direitos estão garantidos...
  • ed  29/07/2019 15:29
    Hahaha. Esse argumento do "você aceitou viver em sociade" já é mais surrado que pano de chão.

    Por falar nisso, dia desses vi um vídeo do "filósofo" Luiz Felipe Pondé com o título "Imposto é roubo?". Nele o "filósofo" argumenta que imposto não é roubo pois é legal.

    Ou seja se o ladrão escrever em um papel que a sua atividade não é roubo então está tudo certo.

  • carlos  29/07/2019 15:57
    Mas o número de pobres não tá aumentando? Sem aposentadoria, envelhecidos?
  • Daniel  29/07/2019 16:20
    Está? Mostra aí a fonte (de confiança), por favor.

    Todos os outros indicadores mostram exatamente o contrário. Ao redor do mundo, entre 1990 e 2015, ela caiu pela metade.

    www.un.org/millenniumgoals/pdf/Goal_1_fs.pdf

  • Felipe Lange  29/07/2019 16:30
    O que vocês acham dessa notícia do ano passado?

    "O país em que os millennials contrariam a tendência e estão ficando mais ricos que os pais"

    A questão do petróleo é um péssimo motivo, porque se fosse assim era para a Venezuela estar rica até os dias de hoje, mesmo porque a gasolina é muito mais cara para eles do que por exemplo para os americanos aqui, sem contar de que é controlada pela Statoil.
  • Vladimir  29/07/2019 17:13
    Pronto, esqueceram Suécia, Dinamarca e Finlândia, e agora foram para a Noruega.

    Curiosamente, a Noruega é o país mais fácil de ser "refutado". Além de tarifas de importação baixíssimas (o que garante uma renda real alta), de um IRPJ de 22% (34% no Brasil), de uma alíquota máxima de 8% de INSS, e de um governo que nunca teve um déficit nominal no orçamento (ao contrário, o superávit nominal já chegou perto de impressionantes 20%, eis o que diz o trecho crucial da matéria, o qual supostamente explica tudo:

    "A Noruega oferece amplos benefícios sociais e uma saúde altamente subsidiada pelo Estado."

    O Brasil também. Aliás, o Brasil vai muito além: ao passo que na Noruega as pessoas têm de pagar um plano de saúde (pois isso é compulsório), no Brasil não há nada disso. Aqui, a saúde é realmente "gratuita", no sentido de que você não tem de pagar nenhuma taxa específica e nenhum plano para usá-la.

    "O seguro-desemprego é generoso: quem está sem trabalho pode ganhar do governo até 60% do último salário por dois anos enquanto busca recolocação."

    No Brasil também sempre foi assim. Apenas há uns dois anos é que isso começou a ser um pouco mais enrijecido.

    "Além disso, assim como ocorre no restante da Escandinávia, as mulheres têm uma elevada participação no mercado de trabalho."

    Não Brasil também.

    "A educação gratuita na maioria das escolas e universidades públicas"

    No Brasil, quem quer faz do maternal ao pós-doutorado gratuitamente.

    "e o fácil acesso a empréstimos (em que os tomadores não pagam juros enquanto estudam)"

    FIES e Pro-Uni fazem o mesmo.

    Ou seja, tudo aquilo que supostamente explica o sucesso da Noruega já existe e está plenamente operante no Brasil.

    No dia em que os ideólogos finalmente entenderem que o que gera enriquecimento é moeda forte, ausência de inflação, liberdade empreendedorial, divisão do trabalho, poupança, acumulação de capital, capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), liberdade aos investimentos estrangeiros, respeito à propriedade privada, baixa tributação sobre empreendedores, segurança institucional, desregulamentação econômica, facilidade de empreender, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente etc.

    Países que seguem isso enriquecem (não há exceções). Países que desobedecem isso empobrecem (não há exceções).
  • Emerson Luis  29/07/2019 17:47

    O que você prefere:

    (1) Todo mundo igualmente mal*

    (2) Todo mundo bem, alguns melhor do que outros

    Se você defende a primeira alternativa, o caminho é a "redistribuição de renda" (nome bonitinho para roubar de uns para dar a outros ficando com a maior parte).

    Se você defende a segunda, é a geração de riqueza e a liberdade econômica.

    * Nunca são todos realmente iguais: em países "igualitários" a elite do Partido vive bem às custas da maioria mantida na pobreza.

    * * *
  • Intruso  29/07/2019 18:45
    Quem puder veja o artigo de hoje da folha/Uol sobre desigualdade nos EUA e Europa. A classe média está espremida e estão votando em políticos populistas.
  • Humberto  29/07/2019 19:35
    Nas sociais-democracias européias isso até pode ser verdade. Já nos EUA não há absolutamente nenhuma evidência disso. E nem faria sentido, dado que os indicadores econômicos de lá nunca estiveram tão bons.

    The Myth of American Middle-Class Stagnation


    P.S.: em tese, quando se está em situação financeira delicada, vota-se na esquerda. Mas não é isso o que se vê na Europa, o que significa que o que está guiando o voto é muito mais a aversão a imigrantes muçulmanos e à agenda cultural progressista.
  • Andre  29/07/2019 19:54
    Nos EUA a frustração da classe média é que agora não é mais possível atingir os 10% do topo da pirâmide de renda, uns US$120,000 anuais com empregos normais da economia real.
  • Gordon  29/07/2019 22:48
    Mas o pior é que é sim possível. Só que demanda esforço. E isso ninguém quer.

    Com empregos normais, poupança, frugalidade e investimentos persistentes na renda variável, é sim perfeitamente possível chegar aos 10%. É claro que não será um piquenique, e tampouco acontecerá rapidamente. Levará décadas. E ninguém disse que é fácil e indolor enriquecer.

    Agora, o que a atual classe média quer (tanto nos EUA quanto no Brasil) é ter carro do ano, casa própria (pagando hipoteca por 30 anos), viajar frequente e prolongadamente para lugares chiques, sair toda noite para jantar em restaurantes finos, colocar os filhos nas melhores escolas, usar roupas de grife e tudo isso antes dos 40 anos.

    Ninguém quer poupança e sacrifício. Ninguém quer morar de aluguel (consideram isso humilhante). Ninguém quer gastar tempo e energia estudando investimentos.

    Aí, meu filho, é claro que não vai dar. Ser milionário jovem é extremamente difícil. Dinheiro se acumula ao longo do tempo. Ele vem com a idade. Querer estar nos 10% mais ricos antes do 40 anos, com três filhos, com um emprego normal, e mantendo todo o estilo de vida acima é delírio.
  • Felipe Lange  30/07/2019 12:31
    Estou morando nos EUA, queria eu ter esse problema. Vou pedir para eles morarem no Brasil e viverem como empregados na CLT. Poxa, para um americano é infinitamente mais fácil chegar a esse patamar. Pretendo investir (agora estou tentando empreender) porque eu sei que a Previdência daqui também tem data para quebrar, e que eu não sou um funcionário de alto escalão do governo. Não quero cometer o mesmo erro do meu pai, que mora aqui também. Devo supor de que até um Uber ganhe bem por aqui. Conheço um cara que em São Francisco, por semana, ganha o suficiente para já pagar aluguel e um monte de coisa, e lá é uma cidade cara se comparar com outras regiões daqui.

    Meu avô nos últimos anos de vida ganhava uma migalha de aposentadoria e mesmo assim conseguia manter a casa (acho que eles construíram por conta própria, na época que os preços dos imóveis não estavam tão distorcidos, numa cidade quase que no meio da roça, no interior de SP), depois deixou uma pequena herança quando faleceu. Os últimos anos de vida deles foram os melhores, não passavam necessidade e viviam bem.

    Salário de U$100 mil por aqui se acha na pequena cidade de Palm Beach, onde só mora gente rica, e lá tem até praia particular.

    Essa questão de renda estagnada nos EUA é muito controversa, porque há fontes que dizem uma coisa (o Ideias Radicais disse que ficou estagnada) e fontes que dizem outra (por exemplo o artigo do Ryan McMaken sobre a indústria aqui nos EUA).
  • Milton Friedman Cover's  30/07/2019 10:46
    Redistribuição de renda só fará todos pobres igualitariamente, algo que não faz nenhum sentido. As esquerdas adoram falar que o problema do País é a mal distribuição de renda, falam isso principalmente em época de eleições. Tolos os que acreditam nesta baboseira.

    „A essência da filosofia liberal é a crença na dignidade do indivíduo, em sua liberdade de usar ao máximo suas capacidades e oportunidades de acordo com suas próprias escolhas, sujeito somente à obrigação de não interferir com a liberdade de outros indivíduos fazerem o mesmo."

    — Milton Friedman.
    Abs.
  • joão  07/10/2019 02:10
    Ao meu ver o Eduardo Moreira está certo, ele não está falando em distribuir renda tirando do rico para dar para o pobre, mas sim, dando condições para que o pobre possa empreender comprando meios de produção (máquinas).
    Todos aqui sabem que os juros bancários no Brasil são um crime, existem várias formas de distribuir renda, dar condições para o empreendimento é uma delas. Muitas empresas estão fechando ou fugindo do Brasil...não conheço de economia como os leitores deste site, por isso gostaria de deixar uma pergunta : Como o pensamento dos estudiosos de Misses reflete esse problema do juros dos bancos e a dificuldade para empreender no Brasil ? Obrigado. um abraço
  • Lucas  07/10/2019 14:51
    "ele não está falando em distribuir renda tirando do rico para dar para o pobre"

    Pelo visto, você nada sabe sobre o cidadão. Tomar dos "ricos" (ou seja, qualquer pessoa com renda acima de 3 mil por mês) é o cerne do pensamento dele. Ele só fala sobre isso. Ele é mais fanático com esse assunto do que qualquer deputadinho do Piçol. Ele até escreveu um livro (plagiado, pois não há absolutamente nenhuma fonte bibliográfica ou nota de rodapé) inteiro sobre isso.

    "mas sim, dando condições para que o pobre possa empreender comprando meios de produção (máquinas)."

    Pobre comprar máquinas é delírio. Isso não acontece em nenhum país do mundo. Mesmo eu que sou relativamente abastado não compro máquinas para produzir. Só dois tipos de pessoas compram máquinas: aqueles que já têm capital acumulado (os muito ricos) e aquelas que se arriscam pedindo empréstimos (todos os demais empreendedores). Não tem isso de "ajudar o pobre a comprar máquinas". Nenhum país do mundo adotou esse delírio. Felizmente, pois, se tivessem feito, a miséria seria plena (como bem explica o artigo acima).

    Recomendo também:

    Se você defende os trabalhadores, então você tem de defender os ricos

    "Todos aqui sabem que os juros bancários no Brasil são um crime, existem várias formas de distribuir renda, dar condições para o empreendimento é uma delas."

    Dar condições ao empreendimento envolve desburocratizar, abolir os impostos sobre lucros e ganhos de capital, manter uma moeda estável, acabar com todas as regulações que legalmente proíbem empreender em determinadas áreas da economia.

    É assim que você dá condições de empreendimento para os mais pobres.

    Reduzir juros, embora desejável, não tem como, por si só, trazer "condições de empreendimento", pois juros menores servem apenas para estimular o endividamento, algo não muito aconselhável para quem é pobre.

    Não me entenda mal: sou totalmente a favor de juros baixos (definidos pelo mercado, e não pelo governo), mas não sou otário de acreditar que juros baixos são a panacéia para o empreendimento. Fosse assim, a Europa com seus juros negativos seria uma potência empreendedorial. E não é.

    "Muitas empresas estão fechando ou fugindo do Brasil..."

    Não é por causa dos juros (que estão nos menores níveis da história). Mas sim por causa do ambiente econômico e político instável. Sem estabilidade não há empreendedorismo saudável.

    "não conheço de economia como os leitores deste site, por isso gostaria de deixar uma pergunta : Como o pensamento dos estudiosos de Misses reflete esse problema do juros dos bancos e a dificuldade para empreender no Brasil ? Obrigado. um abraço"

    Cinco motivos de os juros serem altos no Brasil



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