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O resultado de nossa prematura social-democracia: recessão prolongada e contas públicas calamitosas
Foi um experimento nati-morto e não tinha como ser diferente

As notícias estão por todos os lados: o governo está sendo obrigado a fazer um "contingenciamento" em seus gastos. Na prática, ele deixará de gastar um montante que havia sido inicialmente projetado.

No momento, o bloqueio chega a R$ 30 bilhões, mas ainda irá aumentar.

O Ministério da Educação está literalmente sem dinheiro e, como consequência, os repasses para a educação estão sob "contingenciamento". R$ 5,8 bilhões foram bloqueados. Mais de 13 mil cargos em universidades e institutos federais foram cortados. Programas de iniciação científica, bolsas de mestrado e doutorado da CAPES — tudo entrou na tesoura.

As Forças Armadas, por sua vez, vivenciarão um inédito corte de 44% em seu orçamento. A Marinha será a mais atingida.

O Ministro da Economia também anunciou que irá "travar" a realização de concursos públicos no ano de 2020. Com efeito, um decreto presidencial dificultando a criação de concursos públicos já foi assinado.

Até mesmo o IBGE entrou na navalha. Inicialmente de 87%, o bloqueio caiu para 22%, pois, exatamente no ano que vem, haverá o censo que ocorre a cada 10 anos.

Tudo isso não só era totalmente previsível, como de fato foi previsto.

Social-democracia, em um país ainda pobre em termos per capita, não dura

A lógica é direta: se você tem um governo que quer prover de tudo, a tendência é que, com o passar do tempo, não irá sobrar recursos para nada.

Se você tem um estado cuidando de escolas, universidades, saúde, aposentadorias, pensões, esportes, cultura, lazer, filmes nacionais, teatro, subsídios tanto para pequenos agricultores quanto para megaempresários, benefícios assistencialistas de todos os tipos (Bolsa-Família, BPC (ou LOAS) etc.), estradas, portos, aeroportos, Correios, eletricidade e petróleo, e criando uma crescente oferta de empregos públicos pagando altos salários, esse arranjo só irá durar enquanto o número de pessoas produtivas — isto é, aptas a serem tributadas — for crescente.

Se a quantidade de pessoas produtivas — aptas a serem tributadas — começar a diminuir (ou simplesmente parar de crescer), o arranjo acima irá começar a se esfacelar.

De novo: um governo que quer prover vários bens e serviços tem de recorrer a altos e crescentes gastos. Estes gastos serão crescentes porque a quantidade de pessoas recorrendo a eles é cada vez maior (uma inevitabilidade quando se tem uma população envelhecendo). Para manter esses gastos crescentes, o governo tem de arrecadar cada vez mais impostos. E ele só irá conseguir aumentar sua arrecadação se a quantidade de pessoas sendo tributadas também for cada vez maior — ou então se a produtividade delas for alta e também crescente.

Trata-se do irrevogável fato de que vivemos em um mundo de escassez: o dinheiro para bancar todos os gastos estatais advém da tributação de bens e serviços produzidos pela economia privada. E estes, por definição, são escassos. Consequentemente, dado que a tributação incide sobre bens e serviços escassos, sua capacidade de arrecadação é, por definição, limitada. Se os gastos crescerem mais do que essa capacidade de arrecadação, o dinheiro irá literalmente acabar.

Sim, isso parece ser um "truísmo óbvio" (pleonasmo intencional), mas é necessário sempre repeti-lo, pois ainda há quem negue a incontestável realidade da escassez.

No Brasil atual, o dinheiro para bancar os crescentes gastos do governo literalmente acabou. E por dois motivos:

1) a quantidade de pessoas aptas a serem continuamente tributadas parou de crescer;

2) as que ainda estão aptas a ser tributadas são pouco produtivas. A produtividade de um brasileiro equivale a 25% da produtividade de um americano, o que significa que um brasileiro leva uma hora para produzir o mesmo bem ou serviço que um americano produz em 15 minutos. Quem produz menos por hora tem renda menor. Quem tem renda menor tem menos capacidade de ser crescentemente tributado.

Agora, vamos aos dados.

A situação é, no mínimo, assombrosa

O Brasil está em recessão desde 2014. A consequência direta? O número de pessoas trabalhando e produzindo formalmente — ou seja, aptas a pagarem impostos — caiu.

O gráfico a seguir, que começa em março de 2012, mostra a evolução do número de pessoas trabalhando no setor privado com carteira assinada:

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Gráfico 1: evolução do número de pessoas trabalhando no setor privado com carteira assinada. (Fonte e gráfico: Banco Central)

Observe que, a partir de 2014 (início da recessão), o número de trabalhadores com carteira assinada começa a cair. Hoje, há menos pessoas trabalhando com carteira assinada do que havia no início de 2012.

Para onde foram essas pessoas? Parte se tornou desocupada (ou seja, passou a receber benefícios assistenciais do governo), parte foi para a informalidade (que não paga impostos) e parte se tornou autônoma (normalmente, vendendo quentinhas, marmitas, frutas etc.).

Eis o gráfico que mostra a evolução do número de pessoas desocupadas, as quais recebem algum tipo de auxílio do governo. Quanto mais pessoas desocupadas, maiores os gastos do governo com assistência.

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Gráfico 2: a evolução do número de pessoas desocupadas. (Fonte e gráfico: Banco Central)

Já o próximo gráfico mostra a evolução do número de pessoas que foram para a informalidade. São pessoas que não pagam impostos federais e, muito provavelmente, também não pagam o INSS.

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Gráfico 3: evolução do número de pessoas na informalidade. (Fonte e gráfico: Banco Central)

Por fim, a evolução do número de pessoas trabalhando por conta própria (autônomos). Não há como saber se elas pagam ou não impostos, e se pagam ou não o INSS.

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Gráfico 4: evolução do número de pessoas trabalhando por conta própria (autônomos). (Fonte e gráfico: Banco Central)

E qual foi a consequência direta desta diminuição do número de pessoas pagando impostos e deste aumento no número de pessoas dependentes do estado? Óbvio: as receitas tributárias reduziram seu ritmo de crescimento e os gastos totais aumentaram seu ritmo de crescimento.

O gráfico a seguir mostra, na linha azul, a evolução das receitas tributárias líquidas do governo (deduzida das restituições e incentivos fiscais) e, na linha vermelha, a evolução das despesas. Detalhe: as despesas não incluem o pagamento do serviço da dívida (juros e amortizações).

Atenção: como se trata de uma média móvel de 12 meses, o valor na coluna da esquerda se refere a valores mensais. Na prática, um valor de R$ 100 bilhões significa que, em um período de 12 meses, este foi o valor médio arrecadado (ou despendido) pelo governo a cada mês. Para se ter uma ideia do valor anual, basta multiplicar o valor por 12 (meses).

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Gráfico 5: na linha azul, a evolução das receitas tributárias líquidas do governo; na linha vermelha, a evolução das despesas primárias (que exclui gastos com a dívida). Média móvel 12 meses. (Fonte e gráfico: Banco Central)

Perceba que, até 2014, havia um superávit primário. Ou seja, quando se desconsidera os gastos com o serviço da dívida, o governo arrecadava mais do que gastava. A partir do final de 2014, a realidade se inverte, e o governo passa a ter um até então inédito déficit primário, isto é, o governo passa a gastar mais do que arrecada, mesmo sem considerar os gastos com a dívida.

E qual foi outra — e agora onipresente — consequência de tudo isso? A explosão do déficit da previdência.

O gráfico a seguir, também em forma de média móvel, mostra a evolução das receitas e das despesas da previdência social (no caso, apenas o INSS; este gráfico não abrange o RPPS, que é a previdência do setor público, ainda mais deficitária; e também não abrange os militares; e nem o Fundo Constitucional do DF. Não é minha culpa. É o único gráfico disponibilizado pelo Banco Central). 

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Gráfico 6: na linha vermelha, as receitas da Previdência Social; na linha azul, os gastos com benefícios previdenciários. Média móvel 12 meses. (Fonte e gráfico: Banco Central)

Observe que sempre houve déficit, mas, a partir de 2015, com o aprofundamento da recessão (aumento do desemprego, redução no ritmo da arrecadação e aumento dos gastos previdenciários do governo), o déficit se acelera. A arrecadação desacelera (aumento do desemprego e da informalidade) e os gastos aumentam (mais auxílios para um número cada vez maior de pessoas).

Atualmente, o déficit do INSS é de aproximadamente R$ 18 bilhões por mês, o que equivale a aproximadamente R$ 210 bilhões por ano.

E, de novo, isso apenas para o INSS. Quando se junta tudo (funcionários públicos, militares, e fundo constitucional do DF), o rombo é de R$ 290 bilhões por ano. 

E isso apenas em nível federal. Se você acrescentar estados e municípios, a coisa chega facilmente a R$ 380 bilhões.

A Reforma da Previdência, portanto, deixou de ser opcional há muito tempo. Enquanto a "boca do jacaré" (extremidade direita do gráfico) continuar se abrindo, as contas do governo continuarão em descontrole. E, como será mostrado abaixo, isso gera consequências sobre toda a economia.

Sem impostos, dívida

Como não há mais de onde arrecadar, e dado que os gastos governamentais são constitucionalmente rígidos (ou seja, é legalmente proibido cortar), a única alternativa para o governo é se endividar: ele tem de recorrer ao mercado e pedir dinheiro emprestado, pois só assim ele pode cobrir seus déficits orçamentários.

Primeira consequência: a trajetória do endividamento do governo se tornou assombrosa.

O gráfico abaixo mostra a evolução da dívida bruta do governo federal desde julho de 1994. A dívida nada mais é do que um acumulado de déficits. Assim, o gráfico abaixo mostra o volume de dinheiro que foi absorvido pelo governo federal para financiar seus déficits — dinheiro este que, caso não houvesse déficits, poderia ter sido direcionado para o financiamento de investimentos produtivos:

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Gráfico 7: evolução da dívida total do governo federal (Fonte e gráfico: Banco Central)

Quem se endivida muito acaba tendo de gastar muito com juros. Eis a evolução dos gastos do governo com juros em um período de 12 meses:

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 Gráfico 8: evolução dos gastos do governo federal com juros da dívida (Fonte e gráfico: Banco Central)

As pessoas (à direita e à esquerda) reclamam que o governo gasta muito com juros, o que é verdade. Mas eis o fato: o governo só gasta muito com juros porque se endividou para poder manter seus gastos. A dívida não surgiu do nada. Ela é a simples e inevitável consequência dos gastos. Foi exatamente para gastar mais que o governo se endividou. 

E qual a consequência de o estado ter de se endividar continuamente para manter seus gastos? Sobra menos crédito disponível para empresas investirem e contratarem mão-de-obra. O governo se apropria de um dinheiro que poderia ser emprestado para empresas investirem ou para as famílias consumirem.

Não há mágica ou truques capazes de alterar essa realidade dominada pela escassez: quando o governo se endivida, isso significa que ele está tomando mais crédito junto ao setor privado. E dado que o governo está tomando mais crédito, sobrará menos crédito disponível para financiar empreendimentos produtivos. O governo, assim, está dificultando e encarecendo o acesso das famílias e das empresas ao crédito. 

E isso é fatal, sobretudo, para as micro, pequenas e médias empresas.

A mídia costuma fazer estardalhaço dizendo, corretamente, que o fato de a SELIC estar hoje nas mínimas históricas (caiu de 14,25% em 2016 para os 6,50% atuais) não se traduziu em grandes reduções nos juros cobrados pelos bancos às empresas e pessoas. Ora, e nem poderia. Como o governo segue se apropriando de grande parte do crédito disponível, é claro que não há como sobrar muito para o resto da economia. De novo: a realidade da escassez.

Eis o gráfico que mostra a evolução dos juros dos empréstimos bancários, excluindo o rotativo (que, por ser muito alto, distorce a média), para pessoas físicas e jurídicas:

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Gráfico 9: evolução dos juros cobrados pelos bancos para pessoas físicas (linha azul) e pessoas jurídicas (linha vermelha). (Fonte e gráfico: Banco Central)

Os juros atuais, mesmo com a SELIC nas mínimas históricas, são mais altos do que em 2012 e 2013.

Com isso, fica mais difícil para empresas investirem, se expandirem e contratarem trabalhadores. Consequentemente, a economia não cria riqueza e o desemprego não cai. Assim, não há criação de renda adicional.

Veja, por exemplo, a evolução da renda real dos trabalhadores do setor privado com carteira assinada.

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Gráfico 10: a evolução da renda real dos trabalhadores do setor privado com carteira assinada. (Fonte e gráfico: Banco Central)

Observe que ela está no mesmo nível do início de 2014, começo da recessão.

Sem aumento da renda, não há como haver aumento da tributação para bancar a social-democracia.

Assim, está estabelecido o ciclo vicioso:

a) a social-democracia, que se caracteriza por um estado que quer prover de tudo, gera aumentos constantes de gastos, os quais exigem arrecadações crescentes de impostos;

b) a arrecadação crescente de impostos, por sua vez, necessita de um número crescente de trabalhadores produtivos sendo tributados;

c) como o número de trabalhadores não cresce no ritmo adequado, e como eles são estatisticamente pouco produtivos (não adianta espernear; são dados), apenas impostos não bastam. Logo, o governo tem de recorrer ao endividamento crescente;

d) endividamento crescente leva a despesas crescentes com juros, o que requer mais endividamento para pagar essas despesas;

e) tudo isso faz com que os juros para o setor produtivo se tornem demasiadamente altos, o que afeta renda e emprego;

f) com renda e emprego estagnados, os gastos do governo com a seguridade social aumentam muito mais do que arrecadação tributária, o que faz crescer os déficits orçamentários, que exigem impostos e endividamento;

g) isso reinicia todo o ciclo vicioso.

Conclusão

A nossa social-democracia não mais consegue arrecadar o volume necessário para bancar seus gastos crescentes. Este é o dado empírico, o qual não permite tergiversações ideológicas.

O problema é econômico, demográfico e matemático. E, se insistirmos no atual arranjo, toda a economia irá entrar em colapso. Na melhor das hipóteses, tudo fica como está: ou seja, uma piora gradual e contínua dos indicadores.

Não se trata, portanto, de insensibilidade ou de "maldade neoliberal" clamar pela redução profunda do estado. É apenas uma questão de se reconhecer a realidade: sem reformas previdenciárias e tributárias e, acima de tudo, sem um profundo corte de despesas do estado — que no mínimo corrija seu tamanho para níveis condizentes com a renda per capita do brasileiro (que o sustenta) —, a implosão econômica é inevitável. E aí as consequências sociais são totalmente imprevisíveis.

Nosso experimento social-democrata chegou ao fim. Quanto mais rapidamente aceitarmos isso, quanto mais rapidamente agirmos como adultos — e não como adolescentes fazendo vitimismo —, menos dolorosa será a transição.

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Leia também:

A social-democracia no Brasil entrou em colapso - abandonemos os delírios e sejamos mais realistas

O que realmente permitiu o grande crescimento econômico brasileiro da última década

 


autor

Leandro Roque
é editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Breno  24/05/2019 18:13
    Outra ótima exposição. Só o gráfico 6 já bastava para liquidar o assunto. Como ainda tem pessoas que negam aquela realidade?
  • Vladimir  24/05/2019 19:08
    A boca do jacaré. Enquanto ela estiver se abrindo, o setor privado estará encolhendo.
  • Luiz Fernando  24/05/2019 18:33
    Apóiem as manifestações deste domingo, que são pelas reformas!

    Imagine só a seguinte manchete no Wall Street Journal na segunda feira:

    "Massive protests in Brazil in support of social security reform."

    Os investidores gringos virão correndo pra cá, o dólar vai desabar, os juros futuros chegarão às mínimas históricas, a bolsa vai disparar, a economia vai voltar a crescer rapidinho, e eí boa parte destes problemas estarão resolvidos (considerando, é claro, que a previdência será reformada).

    Dia 26 eu vou!
  • Observador  24/05/2019 18:40
    Ahaha, bom ponto. Confesso que não tinha visto por esse lado. Se as manifestações forem turbinar meus ganhos na bolsa (que estavam bons até janeiro, e que agora estão uma latrina) então eu também vou.
  • Andre  24/05/2019 18:41
    Esse é de longe o melhor argumento que vi para apoiar essas manifestações dia 26/05. Mas estou fora, esse comportamento tribal foi exatamente o que colocou o país nesta situação difícil.
  • Trader  24/05/2019 18:49
    Ah, mas se a consequência for positiva para a liberdade econômica, who cares?

    P.S.: discordo da crítica. O que colocou o país nesta situação foram as políticas econômica heterodoxas, e essa manifestação é contra elas.
  • Andre  25/05/2019 02:49
    Trader, vou complementar;

    O comportamento tribal dos pobres pedindo bolsas para se alimentarem, o comportamento tribal da classe média estatista pedindo vagas em universidades públicas e vagas de concurso e o comportamento tribal dos ricos pedindo licitações direcionadas e crédito subsidiado levaram a políticas econômica heterodoxas que resultaram nos dias difíceis que estes país passa.

  • Trader de verdade  25/05/2019 02:54
    Trader deveria estar operando vendido nas ações brasileiras e jogar boas fichas para ver a oposição obstruir a reforma da previdência quanto for possível até que o centrão a transforme uma economia 1,2 tri em 500bi e ver o Sr. Guedes pegando um avião para viver lá fora como ele mesmo disse. Tem muito mais dinheiro a ser feito apostando na derrocada do Brasil do que o oposto.
  • Júlio  25/05/2019 03:23
    Neste seu cenário aí, de nada adiantaria você ganhar dinheiro, pois não poderia fazer nada com ele (vide Venezuela).

    Aliás, num cenário de derrocada geral como você pode ter tanta certeza de que vai conseguir ganhar dinheiro com opções? E se o outro lado simplesmente der o calote? Acha que a B3 vai compensar?
  • Andre  25/05/2019 17:11
    Calma Júlio, um eventual fracasso na reforma da previdência não nos fará virar Venezuela, mas uma Argentina com certeza, e não é nada que este país já não tenha passado, crise econômica forte, inflação e um calote em parte da dívida, consequências absolutamente normais de um país pobre tentando sustentar um estado de bem estar social.
  • Demolidor  25/05/2019 22:46
    Neste seu cenário aí, de nada adiantaria você ganhar dinheiro, pois não poderia fazer nada com ele (vide Venezuela).

    Basta operar vendido em ETFs no exterior. Mesmo a Venezuela ainda tem uns poucos ETFs negociados nos EUA.

    De resto, vejo sim como bem provável uma queda da Bolsa, especialmente small e mid caps, se a reforma da Previdência não passar. Mas já pensou se passa, Brasil sai da recessão e começa a crescer? A meu ver tem mais espaço para cima do que para baixo ainda.
  • Trader de verdade  27/05/2019 00:22
    Demolidor, a reforma da previdência passa sim, mas qual? A reforma do Guedes ou a do centrão? E se a do Guedes passar ela corta exatamente ZERO reais em gastos atuais, ainda resta um pesado ajuste fiscal a ser feito para liberar capital para a iniciativa privada voltar a produzir e este será feito com qual capital político?
    NENHUM, o orçamento de 2020 publicado pelo próprio ministério da economia sequer menciona corte de gastos significativos ao já desastroso orçamento de 2019.
    Conforme diz o corrente artigo, a social democracia brasileira de esgotou por completo e será necessária uma completa transformação do estado brasileiro, nível Chile dos anos 70, Nova Zelândia dos 80 e Peru dos 90.
  • Demolidor  05/06/2019 05:46
    Trader de verdade, concordo. Mas reformas têm de começar por algum ponto.

    Espero que os resultados do Ibovespa e do dólar nos últimos dias deixem claro para onde o mercado "quer" ir.
  • Esron  28/05/2019 12:16
    Hj, 28 de maio, vc ainda acha q as manifestações foramtribais? Acorda rapaz, sem o povo mostrar oq quer, eles continuarão sugando o país
  • Andre  28/05/2019 13:13
    Esron, a medula óssea do Brasil já foi completamente sugada, não há mais nenhuma capacidade de geração de valor neste ambiente econômico orientado por uma constituição cópia da URSS, uma casta inatingível do funcionalismo com pensões e vencimentos de US$10.000 mensais ou mais, sustentados por desdentados desempregados trabalhando em um ambiente econômico mais hostil que a Rep. Islâmica do Irã. É abusar de inocência achar que uma centena de portarias do ministério da economia, duas dezenas de leis e meia dúzia de emendas à constituição consertem algo. Menino, se acredita que o Brasil tem jeito é melhor terminar os estudos e aprender as fazer as contas óbvias da inviabilidade do país.
  • Erick  24/05/2019 18:48
    Sold! Também vou!
  • Eudes  24/05/2019 21:09
    Gostei desse raciocínio. Não tinha pensado assim. Vou falar pros meus chegados irem também.
  • Paulo Henrique   25/05/2019 20:52
    Levem bandeiras liberais/libertários, algo que se refira ao Mises. A briga é no campo das idéias sempre. Mesmo que no curto prazo as pautas sejam outras
  • Almir  24/05/2019 18:35
    Resumindo, é muito malandro pra pouco mané, podes crer que é.
  • Ronaldo da Silva Alves  24/05/2019 18:37
    Elogiar os artigos do Leandro e chover no molhado. Já pensou em publicar um livro com uma coletânea dos mesmos ? Quais artigos sugere para que um leigo em Escola Austríaca possa adquirir um conhecimento gradual e seguro ? Última dúvida. Vendo a situação da Venezuela. Parte o coração !!! Infelizmente não vai acontecer. Quais as medidas as Escola Austríaca aplicaria para resolver a tragédia econômica que afundou o país ?
  • Economista  24/05/2019 19:44
    "Quais artigos sugere para que um leigo em Escola Austríaca possa adquirir um conhecimento gradual e seguro ?"

    Qualquer um deste site. Mas será um processo lento e trabalhoso. Leia pelo menos uns 5 artigos por dia. É claro que o ideal seria começar do início, mas você pode começar a partir de 2013 (antes, havia grande ênfase na teoria, que tende a ser menos atraente que a prática).

    "Vendo a situação da Venezuela. [...] Quais as medidas as Escola Austríaca aplicaria para resolver a tragédia econômica que afundou o país ?"

    Primeiro, é claro, o governo tem de cair. Em seguida, dolarização imediata (sem moeda forte, não há economia, pois não há cálculo de preços, custos e lucros e, logo, não há racionalidade econômica). Restabelecimento da propriedade privada. Devolução aos legítimos proprietários de todas as empresas estatizadas pelo governo. Abertura total às importações, pois não há nem comida lá.

    Essas são as medidas a serem adotadas já no primeiro dia. Sem elas, nada feito.
  • Leandro  24/05/2019 21:04
    Secundo tudo o que o Economista disse, apenas acrescentando que é necessário também trocar todo o judiciário, que foi completamente aparelhado. Eu só não vejo como isso seria feito rápida e tranquilamente.

    De resto, pode continuar chovendo, por favor.

    Obrigado pelas palavras, e grande abraço!
  • jansley dos santos felisberto  25/05/2019 17:14
    cara, me intrometendo aqui. Eu me entusiasmei com a escola austríaca por varias fontes.
    Youtube > Uma libertária: canal ideias radicais.

    livros >
    1 ) ação humana (Ludwig Von Mises) ;

    2) socialismo, calculo econômico e função empresarial (principalmente na parte de transmissão da informação - porque perde muito tempo derrubando socialismo, do meio do livro pra frente);

    3) governo e mercado, do Murray Rothbard (é uma visão do mises mais simplificada);

    4) educação livre e obrigatória, também do Murray Rothbard.

    5) 'Bitcoin - a Moeda na Era Digital', do economista Fernando Ulrich - ótimo livro, te ensina a entender a moeda ;

    6) O Que Se Vê E O Que Não Se Vê - do Frédéric Bastiat..... vai te ajudar a entender qualquer artigo economico do instituto Mises Brasil.

    podcast - aqui é o pulo do gato, pois é uma fonte fora do mainstream que te mantem atualizado

    1) Ninguém se importa podcast
    2) guten morgen brasil
    3) Mises Brasil podcast
    4) Oliver Talk
    5) Chá com a gente

    e tem as várias fontes no twiter:
    1) olavo de carvalho @oporopriolavo
    2) Raphael Lima @Ideias_Radicais
    3) Vinicius Botti @stsbotti
    4) Helio Beltrao @heliobeltrao
    5) POLITZ @PolitzOficial <<<Bernardo P Kuster @bernardopkuster
  • FERNANDO LAZARINI  24/05/2019 18:39
    O Leandro fez mais por mim que meus professores de economia, embora eu seja formado em contabilidade.
    Inclusive rasguei livros de teoria econômica que comprei na faculdade, para ninguém mais ler.
  • Guilherme  24/05/2019 19:11
    "Inclusive rasguei livros de teoria econômica que comprei na faculdade, para ninguém mais ler."

    Já estive aí e também quase fiz isso. Mas como as porcarias tinham sido caras fiquei com dor no coração. Aí guardei tudo. Meu único medo é alguém da família desenterrar esses livros e absorver as coisas que estão ali.
  • Leandro  24/05/2019 21:02
    Não faça isso. Leia de tudo, pois é assim que se aprende a afiar seus argumentos tanto para defender suas ideias quanto para criticar as idéias alheias.

    No mais, muito obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Luiz Novi  27/05/2019 21:56
    Li A Tolice da Inteligência Brasileira do esquerdista Jesse Souza. Fiz uma ótima resenha crítica baseada em Rothbard. Entreguei-a a quem me presenteou com o livro.
  • Estado o Defensor do Povo  25/05/2019 01:49
    kkkkk Que bom man, lixo deve ser jogado no lixo mesmo.
  • Luiz Novi  27/05/2019 21:43
    Formei em contábeis e fiz EXATAMENTE a mesma coisa.
  • Eduardo dos santos rocha  24/05/2019 19:13
    Se os bancos possuem excedentes de dinheiro que o governo "compra" com títulos da dívida (operações compromissadas), e isso corresponde a mais ou menos 42 % do orçamento, então, não importa o que fizermos a dívida vai ser impagável e só tende a aumentar. Só sim com intervenção estatal e uma política econômica-monetária diferente da que temos atualmente.
    O Banco Central pega essa dívida e emite "título da dívida" que fica na mão do credor, na mão do banco. Este dinheiro fica um dinheiro que não pode ir para o mercado. Ele não investe. Mas o guarda. Para justamente não ter dinheiro no mercado porque o banco avisa que vai haver a inflação. O dinheiro morre ali. Fica um crédito para o banco e uma dívida para o Estado que se apresenta em dívida sobre juros que deve ser paga com a economia do Estado - o famoso enxugamento, reformas em Previdência, diminuição de cargos, "diminuição do Estado", privatizações, etc, que diga-se de passagem não ter efeito significativo na dívida em si. Se diminui o Estado porque há a crença que gastamos muito, mas se gastando muito já era deficiente, agora ele menor, o serviço ficará ainda mais deficiente. Parece que estamos em um impasse. Pagando a dívida corremos o risco de uma catástrofe inflacionária. Não pagando estamos no risco da catástrofe do eterno endividamento. Ou seja, a "sobra de caixa" dos bancos vira uma retroalimentação infinita. Todos questionam a dívida, mas ninguém se pergunta como ela surgiu. Quem criou esse mecanismo de se dar títulos como se o governo "comprasse excessos de acumulação em caixa"? Isso significa que se pagarmos a tal dívida será o fim de todos? A situação dos Estados Unidos é uma situação de tamanha dívida que só a quebra total, a bancarrota pode salvar a nação. Só com dívidas se pode caminhar e construir um futuro. Talvez o tal medo da inflação seja muito mais algo imagético. A taxa de inflação é uma questão de crença e confiabilidade. Se países como EUA, Japão põe dinheiro no mercado ("na praça") e acham que vai aparecer inflação, não é necessariamente verdade, estes países fazem este movimento e não tem inflação.
  • Fabrício  24/05/2019 19:39
    "Se os bancos possuem excedentes de dinheiro que o governo "compra" com títulos da dívida (operações compromissadas), e isso corresponde a mais ou menos 42 % do orçamento, então, não importa o que fizermos a dívida vai ser impagável e só tende a aumentar. Só sim com intervenção estatal e uma política econômica-monetária diferente da que temos atualmente."

    Dois erros.

    1) O excedente está no Banco Central e não nos bancos. Você inverteu. E os títulos que estão em posse do BC não são quitados, mas sim rolados.

    2) Isso, até onde sei, é resultado direto de uma "intervenção estatal". Afinal, o que é o BC senão um órgão do estado? E foi ele quem criou essa política de compromissadas. Tal política, por definição, não existiria em um arranjo sem estado.

    Você portanto está pedindo intervenção estatal para corrigir algo que foi criado exatamente por uma intervenção estatal. Nonsense total.

    "O Banco Central pega essa dívida e emite "título da dívida" que fica na mão do credor, na mão do banco."

    Tudo errado.

    1) Banco Central não paga dívida. Quem paga dívida é o Tesouro.

    2) Banco Central não emite título da dívida. Quem emite é o Tesouro.

    "Este dinheiro fica um dinheiro que não pode ir para o mercado. Ele não investe. Mas o guarda."

    Por determinação das políticas do Banco Central.

    "Para justamente não ter dinheiro no mercado porque o banco avisa que vai haver a inflação."

    Banco avisar que vai haver inflação? Nunca vi isso.

    "O dinheiro morre ali."

    Não, não morre. Compromissada é simplesmente um "acordo de recompra". Todos os BCs do mundo fazem isso. Chama-se "Repo", ou "Repurchase Agreement", o dinheiro que vai para o BC volta mais tarde para os bancos, e vice-versa.

    "Fica um crédito para o banco e uma dívida para o Estado que se apresenta em dívida sobre juros que deve ser paga com a economia do Estado"

    Os bancos detêm apenas 22% da dívida pública.

    1) Fundos de previdência detêm 25% (mais que os bancos)

    2) Fundos de investimento detêm 27%

    3) Estrangeiros, míseros 11%,

    4) Seguradoras, 4,2%

    5) E o próprio governo, via agências, prefeituras e governos estaduais, mais 4%.

    Tá tudo aqui, atualizado para janeiro de 2019, página 13. Estatísticas oficiais:

    www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/718953/Texto_RMD_Jan_19.pdf/71b39a25-ecb7-4bf7-9025-d3f507c5fcdf

    Não fique macaqueando discurso que você ouve de agitadores no YouTube.

    "Pagando a dívida corremos o risco de uma catástrofe inflacionária."

    Hein?!

    "Não pagando estamos no risco da catástrofe do eterno endividamento. Ou seja, a "sobra de caixa" dos bancos vira uma retroalimentação infinita."

    Sobra de caixa? Como mostrado 20% da dívida. Dizer que isso é a causa de tudo é ignorância (e eu, como anarcocapitalista, nem defendo tal política, pois sou a favor do fim do BC; mas sou intelectualmente honesto).

    "Todos questionam a dívida, mas ninguém se pergunta como ela surgiu. Quem criou esse mecanismo de se dar títulos como se o governo "comprasse excessos de acumulação em caixa"?"

    Acho que você tá meio pirado...

    Vá se informar um pouquinho melhor, em prol de sua própria saúde.
  • Socialista em convers%C3%83%C6%92%C3%82%C2%A3o  26/05/2019 14:36
    Porque o governo não baixa o juros. A dívida iria reduzir drasticamente. A inflação está baixa e há espaço para baixar
  • Ulysses  26/05/2019 14:44
    Os juros já foram cortados pela metade. E, como mostra o gráfico 8, nem fizeram cócegas.

    Óbvio: o problema não é o juro em si, mas o tamanho da dívida. De nada adianta juro baixo se a dívida segue explodindo (por causa dos déficits orçamentários) do governo.

    Juro de 10% sobre uma dívida de $1.000 gera menos despesas do que juros de 5% sobre uma dívida de $ 10.000.

    De resto, recomendo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2916
  • Imperion  24/05/2019 21:29
    A dívida é o déficit. Se o governo não gastasse o que não tem, não precisaria lançar títulos. Não tem que questionar a divida. Quem emprestou não tem culpa. Emprestou tem que pagar. Aqui se fala pro governo não gastar o que não tem, mas o sistema fisiologista keynesiano é que fala que o governo tem que gastar o que não tem. É isso que gerou a divida.

    Faça um auditamento da divida se quiser, o governo vai falar que seus gastos foram "pelo brasil" . Ninguém vai cobrir.
  • Reinaldo  24/05/2019 21:34
    De minha parte, sou inteiramente a favor de toda e qualquer auditoria da dívida brasileira. Quanto mais auditoria, melhor.

    Mas tem uma coisa que os seguidores dessa tese vivem gritando e eu nunca entendi: o que seria uma "dívida ilegal"?

    Estariam eles dizendo que alguém, que não o governo, emitiu dívida em nome do governo?

    Ou estariam eles dizendo que o governo emitiu dívidas para privilegiar nababos?

    Se for a segunda opção (como sei que é), digo apenas: Nossa, que espanto!

    Se for a primeira, por acaso eles conseguem comprovar que algum cidadão privado invadiu o Tesouro e emitiu títulos sem que nenhum burocrata, político ou regulador soubesse? Se é isso, estou interessado em saber.

    Se não é isso, então eles estão apenas chovendo no molhado: descobriram tardiamente que o estado é uma gangue de ladrões em larga escala que existe apenas para privilegiar quem está dentro da máquina e que vive à custa de quem está fora dela e é obrigado a bancar toda a esbórnia.

    E ainda há otários que defendem governo...

    E complemento:

    Até onde sei -- e gostaria que alguém me provasse errado --, quem emite títulos para financiar seus gastos é o governo (ou seja, políticos, burocratas e reguladores) e só. Ninguém mais tem acesso ao Tesouro para, fortuitamente, emitir títulos em benefício próprio.

    E, até onde sei, o governo se endivida exatamente porque gastou mais do que arrecadou. E ele gasta mais do que arrecada exatamente para saciar os exorbitantes salários dos políticos, burocratas e reguladores, além de privilegiar seus empresários favoritos com subsídios e empréstimos subsidiados pelo BNDES (com o nosso dinheiro de impostos).

    Agora, se alguém sabe de algo mais, é bom compartilhar.
  • Leandro C  27/05/2019 12:46
    Eduardo dos santos rocha 24/05/2019 19:13
    [i]"Pagando a dívida corremos o risco de uma catástrofe inflacionária. Não pagando estamos no risco da catástrofe do eterno endividamento. (...) Isso significa que se pagarmos a tal dívida será o fim de todos?"[i/]

    De início, sob o aspecto mencionado, não vejo problema prático na questão, já que, aparentemente, o governo não pretende mesmo quitar sua dívida, ainda mais completamente, pois, mesmo se quisesse, não teria como conseguir tal proeza, ainda mais a curto prazo; aliás, como regra geral, acho que governo quase que nenhum no mundo conseguiria isso.
    ...
    Pois bem, mesmo que o governo quisesse quitar sua dívida, acredito que as condições financeiras só possibilitariam que isso pudesse ser feito a longo prazo (muito longo), portanto, nunca geraria o efeito que você mencionou (isto no caso de sua teoria estar correta), pois o dinheiro voltaria muito lentamente à circulação, o que possivelmente acabaria sendo absorvido pelo mercado.
    ...
    Entretanto, tenho comigo que o pagar dívidas faz com que o tomador de empréstimo acabe melhorando o seu nome na praça, isto é, acabe tendo mais crédito, por assim dizer, com o mercado; a moeda, conforme percebo, pertence ao governo e, portanto, tendo tal governo completo descrédito, é natural que sua moeda venha a valer cada vez menos, efeito o qual costumamos chamar de inflação; acaso o governo volte a ter confiança, o seu produto, por assim dizer, volta a ter algum valor, razão pela qual o fato do governo pagar suas dívidas e readquirir a confiança faz com que a inflação seja estancada.
    ...
    Agora, percebo a possibilidade do governo pagar suas dívidas justamente pelo aumento da carga tributária via imposto inflacionário, ou seja, puxa o cobertor para cobrir a cabeça enquanto descobre os pés, isto é, tira de uma ponta para entregar a outra ponta, apenas faz uma redistribuição de credores (transfere o pagamento da dívida que possui junto aos banqueiros, para os quais houve promessa de pagamento, para toda a população, via diminuição do poder de compra da moeda que está em poder dela, o que confessadamente nunca pretenderá pagar, ou seja, a inflação já é o calote); pois bem, acaso ele decida pagar suas dívidas imprimindo mais dinheiro do que deveria então obviamente haverá inflação; mas a inflação não será decorrente do pagamento da dívida, mas sim decorrente da impressão extra de dinheiro.
    ...
    A catástrofe, conforme entendo, é justamente o governo estar super endividado; pois deveria gastar apenas o que arrecada, mas então talvez nem estivéssemos falando de governo.

    O eterno endividamento, conforme percebo, é a realidade desde há muito tempo, no mundo como um todo; mas, não vejo isto como uma catástrofe em si, apenas percebo que é um adiantamento de consumo; o maior problema é o montante, ou seja, quantas gerações serão ainda necessárias para pagar os que as gerações anteriores já consumiram? sendo a mesma geração a pagar, então nem haveria problema, seria apenas uma questão de escolha (partindo da premissa de que participamos da decisão, o que também não é verdade)... o maior problema, portanto, é que, de certa forma, o montante da dívida é tão elevado que, sob certo aspecto, já vendemos a geração seguinte, que não tem culpa de nada... a condenamos a pagar os gastos horríveis que fizemos (ou permitimos que fizessem).
  • anônimo  24/05/2019 19:14
    Atualmente, o déficit do INSS é de aproximadamente R$ 18 bilhões por mês, o que equivale a aproximadamente R$ 210 milhões por ano.

    Acho que o correto é 210 bilhões por ano, não?

    De todo modo, obrigado pelo excelente texto!

  • Leandro  24/05/2019 20:59
    Corrigido. Obrigado!
  • André Lara Resende me enganou  24/05/2019 20:14
    O Nerso da Capitinga vulgo Leandro Roque ta endossando o discurso dos esquerdistas com esse artigo... Eles estão justamente dizendo que o problema é que a arrecadação caiu.
    Vejam a coluna da economista Laura Carvalho na Foice de SP.

    Eles dizem: Tem que tributar mais o ricos, aumentar a arrecadação, o Estado precisa gastar mais pra trazer investimentos.
    Os recursos são escassos mas tem gente com 1000 e outros com 0.

    Para os esquerdistas seria um problema DISTRIBUTIVO.

    "A produtividade de um brasileiro equivale a 25% da produtividade de um americano, o que significa que um brasileiro leva uma hora para produzir o mesmo bem ou serviço que um americano produz em 15 minutos."

    O brasileiro ta deixando os venezuelanos entrarem de carrada. Mas o americano tem políticas protecionistas. O Trump taxou os produtos da China, proibiu entrada de mexicanos, ta querendo criar muros.

    Como disse o professor Chang : ""A defasagem salarial entre os países ricos e pobres não existe principalmente por causa de diferenças na produtividade individual e sim devido ao controle da imigração. Se a imigração fosse livre, a maioria dos trabalhadores nos países ricos poderia ser, e efetivamente seria, substituída por trabalhadores dos países pobres. Em outras palavras, os salários são determinados politicamente.""


    Disseram que a reforma trabalhista criaria mais empregos... cadê ?
    g1.globo.com/economia/noticia/nova-lei-trabalhista-vai-gerar-mais-de-6-milhoes-de-empregos-diz-meirelles.ghtml

    Eu só vi aumentando o número de ciclistas de Uber Eats... era isso mesmo ?







  • Leandro  24/05/2019 20:55
    "Eles estão justamente dizendo que o problema é que a arrecadação caiu."

    O que é um brutal erro factual, pois, como mostra o gráfico 5, linha azul, ela continua subindo. Só que ela passou a subir bem menos que as despesas.

    De resto, em momento algum o artigo fala em queda na arrecadação. Aliás, está bem claro lá no parágrafo imediatamente depois do gráfico 4:

    "E qual foi a consequência direta desta diminuição do número de pessoas pagando impostos e deste aumento no número de pessoas dependentes do estado? Óbvio: as receitas tributárias reduziram seu ritmo de crescimento e os gastos totais aumentaram seu ritmo de crescimento."

    Aparentemente, seu problema é com o domínio do português. Sobre isso, nada posso fazer.

    "Eles dizem: Tem que tributar mais o ricos,"

    Boa sorte para quem recorrer a esta argumentação.

    Se a arrecadação desacelerou e os gastos aumentaram por todos os motivos elencados no artigo, terá de ter muito boa lábia quem tentar argumentar que tudo se resolve tributando meia dúzia de bilionários.

    Gostaria muito de ver um argumento dizendo que "tributar rico" fará com que a linha vermelha do gráfico 6 se torne maior que a linha azul.

    De resto, é factualmente impossível estimular a economia tributando os ricos. Teoria e empiria.

    Quatro consequências inesperadas de se aumentar os impostos sobre os mais ricos

    " [Eles dizem: Tem que] aumentar a arrecadação,"

    Como mostrado no artigo, é impossível. Ao menos sob a atual situação.

    "o Estado precisa gastar mais pra trazer investimentos."

    E de onde virá a arrecadação para os gastos em investimentos? O artigo inteiro fala sobre essa impossibilidade.

    Mais ainda: e se os investimentos estatais forem ruins, como, aliás, é norma?

    Tudo só irá piorar.

    "Os recursos são escassos mas tem gente com 1000 e outros com 0."

    Nem a esquerda chega ao ponto de falar tamanha estultícia.

    "Para os esquerdistas seria um problema DISTRIBUTIVO."

    E o artigo está aí exatamente para mostrar que não. O problema é econômico, demográfico e matemático.

    "O brasileiro ta deixando os venezuelanos entrarem de carrada. Mas o americano tem políticas protecionistas. O Trump taxou os produtos da China, proibiu entrada de mexicanos, ta querendo criar muros."

    Essa foi interessante. Você está dizendo que os salários no Brasil são menores que os dos EUA porque aqui temos mais imigrantes que nos EUA?! É isso mesmo?

    E estaria você dizendo também que os historicamente altos salários dos americanos se devem a uma medida que ainda nem sequer foi implantada (as tarifas foram adiadas, não há muro e os mexicanos seguem entrando nos EUA)? A coisa é retroativa assim? Uma medida imaginada em 2018 explica as coisas que acontecem desde o início do século XX? Interessante.

    De resto, se você, ao recorrer ao Há-Joon Chang, quer argumentar que o que define salário alto é restrição à imigração, e não produtividade, tenho apenas esta dicotomia: de um lado, EUA e Europa; de outro, América Latina e África. Quem recebe mais imigrante? Quem é mais produtivo? Quem tem maiores salários? Pois é.

    "Disseram que a reforma trabalhista criaria mais empregos... cadê ?"

    E, de fato, o número total de empregos (que inclui todos os tipos, formais e informais, autônomos e empregadores) começou a aumentar logo após a reforma. Pode conferir aqui:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/brazil-employed-persons.png?s=brazilempper&v=201905041002a1&d1=20140101&d2=20191231

    Só que ainda a um ritmo bem pequeno. E ainda assim foi uma façanha, pois o governo elevou impostos (duplicou o PIS/COFINS dos combustíveis) e ainda deixou a moeda derreter, o que é fatal para qualquer economia. Mas a tendência de queda foi totalmente revertida.

    "O Nerso da Capitinga vulgo Leandro Roque ta endossando o discurso dos esquerdistas com esse artigo"

    Interessante. Eis o que diz a conclusão do artigo:

    "Não se trata, portanto, de insensibilidade ou de "maldade neoliberal" clamar pela redução profunda do estado. É apenas uma questão de se reconhecer a realidade: sem reformas previdenciárias e tributárias e, acima de tudo, sem um profundo corte de despesas do estado— que no mínimo corrija seu tamanho para níveis condizentes com a renda per capita do brasileiro (que o sustenta) —, a implosão econômica é inevitável. E aí as consequências sociais são totalmente imprevisíveis."

    Se o discurso da esquerda endossa "redução profunda do estado", "reformas previdenciárias e tributárias", e um "um profundo corte de despesas do estado", então essa esquerda é maravilhosa. Quero uma para mim.

    Saudações.

    P.S.: quanto ao Pedro Bismarck, sou fã.
  • Adrimar  24/05/2019 20:56
    Acho que no gráfico 5 o texto está trocado em relação a despesas e receitas. Receitas são a linha azul e despesas, a vermelha. Só assim explica que o déficit começou em 2014. Estou enganado?
  • Leandro  24/05/2019 21:01
    Foi distração, mas vou dar a desculpa que a culpa é do algoritmo do BC, que vive alternando as cores para receitas e despesas (veja que no gráfico logo abaixo dele, gráfico 6, as cores são exatamente inversas).

    Obrigado pelo aviso.

    Grande abraço!
  • JwE  24/05/2019 21:18
    Bendita, estas cores ! Elas te perseguem desde sempre.
  • Eduardo  24/05/2019 21:04
    A situação, sob minha percepção, é irreversível. É comprar o máximo possível de ouro físico e bitcoin enquanto a bomba não estoura.
  • Trader  24/05/2019 21:09
    Isso é complexo. Nos EUA e Europa, recessões tendem a valorizar a moeda, o que significa que ouro e bitcoin tendem a se desvalorizar.

    Aqui, normalmente ocorria o contrário: o real se desvalorizava e os juros de longo prazo disparavam.

    Atualmente, a coisa tá mais nebulosa: os juros de longo prazo desabaram, mas o real se desvalorizou (dólar encareceu). Isso nunca aconteceu antes. As duas variáveis sempre andavam juntas. Logo, uma das duas está fora do lugar: ou o real está muito valorizado ou os juros de longo prazo estão muito baixos.

    Eu aposto na primeira. Se eu estiver certo, o ouro vai cair em relação ao real. Nada sei sobre bitcoin.
  • Ninguem Apenas  25/05/2019 02:11
    Caramba Trader, eu apostaria na segunda opção. Você acredita que o real está valorizado mesmo com dólar acima de 4 reais?
  • Trader  25/05/2019 02:34
    Opa, escrevi errado! O real está desvalorizado. Logo, acho que sua tendência é de valorização.

    O preço do dólar em reais (de acordo com a paridade do poder de compra) seria algo entre R$ 3,45 e R$ 3,60.
  • Ninguem Apenas  25/05/2019 02:20
    Agora que percebi um problema, se o real está sobrevalorizado, a tendência natural é uma desvalorização futura, não? Nesse caso o ouro subiria ao invés de descer, não?
  • Enio  26/05/2019 13:10
    "Isso é complexo. Nos EUA e Europa, recessões tendem a valorizar a moeda, o que significa que ouro e bitcoin tendem a se desvalorizar. "
    Uma dúvida de leigo: isso acontece porque a economia dos eua e europa eh forte e investidores apostam em uma ascensão econômica futura e compram dolar fazendo com que valorize?
  • Vinicius N. Ribeiro  24/05/2019 21:30
    Sensacional analise. Que esclarecimento. E como bem pontuou isso não é questão de opinião isso é um fato. Parabéns, forte abraço.
  • Paulo Henrique   24/05/2019 21:48
    Uma reforma trabalhista, que coloque grande parte da nossa força de trabalho na economia formal, não traria um impacto maior para a previdência do que o governo atualmente preve?

    Ou o calculo da reforma é feito considerando que essa força de trabalho vai contribuir daqui alguns anos?
  • Bruno Diniz  24/05/2019 22:12
    Não muito. Como faz para a linha vermelha superar a azul no gráfico 6? Não é só com arrecadação. E nem é desejável que seja, pois a arrecadação necessária para isso emperraria todo o setor produtivo.

    O que tem de ser feito é trazer a linha azul para baixo. Ou então tirar benefícios de funças e repassando para essas pessoas contempladas pela linha azul.
  • Felipe Lange  24/05/2019 22:01
    Acho que com esse artigo o Pirula agora entende, de que a culpa por esse contingenciamento não é "do olavismo", e sim do fato de que o Brasil quis ser social-democrata sendo um inferno socialista para pessoas honestas gerarem riqueza.
  • Renato  24/05/2019 23:22
    Leandro, parabéns pelo texto genial.

    Agora, certamente, as reformas que refere na conclusão não poderiam ser as estatolaras de guedes e moro - que aumentam Estado, aumentam corrupção e reduzem brutalmente renda e poupanças privadas.

    A capitalização em ambiente de juro real negativo é realmente obscena - ideia em que Dilma foi a pioneira e que vai resultar na mesma roubalheira da Petros, PREVI e Postalis, se não for um FGTS gigante.

    Só uma questão: a solução viável, política e consensual para o déficit do Estado não estaria na liquidação dos ativos públicos?

    A UNIÃO tem mais market cap de empresas do que a parte privada da B3, quase 47% da área do país pertence ao Estado - sem falar nas concessões de rádio/TV e dezenas de outorgas gratuitas que podem ser revogadas e leiloadas sem ônus para o Erário.

    Não acredita que os ativos públicos poderiam satisfazer MUITAS VEZES o passivo atuarial e ainda servir de financiamento para programas futuros de renda mínima ou fundo soberano com qq outra finalidade?

    Não acredita que se o controle privado sobre empresas e terras DOBRASSE a produtividade no país não daria um salto equivalente?



  • Yuri  24/05/2019 23:52
    Prezado Renato, não há juro real negativo. Não se você souber investir no básico. De resto, vender ativos é sempre ótimo, mas não resolve o problema estrutural do aumento dos gastos com funcionalismo e previdência.

    Como o próprio Leandro colocou neste artigo:

    "É a velha questão da diferença entre estoque e fluxo: usar receitas de privatizações para abater dívida ajuda apenas em um problema de estoque (a dívida), mas não ataca o problema do fluxo, que é a necessidade de receitas crescentes para bancar gastos crescentes. O aumento dos gastos é um problema de fluxo, e necessita de receitas cada vez maiores para bancar esse aumento de gastos. Apenas privatizar estatais (ou vender terras) não irá resolver, no longo prazo, o problema do descontrole dos gastos."
  • Wesley  24/05/2019 23:45
    Parabéns, pelo artigo. Só faltou acrescentar que o fato do Brasil seguir políticas econômicas fracassadas e a ausência de reformas econômicas nos últimos 20 anos também ajudou a chegar a essa situação. Se o Brasil tivesse seguido uma política econômica bem ortodoxa e feito as reformas, em que situação estaríamos agora?
  • Leitor Antigo  24/05/2019 23:56
    Os outros 90 artigos dele falando sobre exatamente isso (que até eu achei que eram excessivos) não bastam?

    ;)
  • Matheus  25/05/2019 00:32
    De verdade: eu sou o único que acha que "já era"?


    Sério mesmo, até eu que "sou de humanas" sei que estamos na beira do precipício e mesmo assim não vejo um clamor popular pela reforma da previdência (ou qualquer outra), justo oposto, vejo as fileiras dos que defendem o "direito adquirido" engrossarem cada vez mais...

    Só espero que a bomba não exploda por pelo menos 2 anos, pois creio que seja o tempo necessário para estabilizar meu escritório de advocacia e começar a investir e viver de renda (afinal, incrivelmente o "trabalho não rende" aqui no BR) para poder garantir uma vida estável pra mim e meus pais ao menos ''/
  • Andre  25/05/2019 02:33
    Matheus, sim, Brasil já era e não há santo que tire esse país do caminho do abismo, segue dedução matemática:

    Ajuste fiscal necessário para estabilizar crescimento da dívida pública = ((Juro real x dívida PIB) + déficit primário) .: ((4% x 80%) + 2%) = 5,2%

    Para o Brasil apenas fazer parar de subir a dívida pública o governo deve fazer um corte de 5,2% dos gastos em relação PIB, uns 360 bilhões de reais POR ANO, e isso após a reforma da previdência pois esta não corta de fato nenhum gasto presente e sim previsão de gasto futuro.

    Infelizmente, dificilmente o Brasil não explodirá em 2020 o que atrapalhará seus planos, recomendo estudar como investir em opções, derivativos de ações que lhe permitem ganhar dinheiro durante o caos financeiro, apesar do alto risco são super baratas para comprar e servem de seguro contra políticos incompetentes e populações indulgentes.

    Plus: um quase certo fracasso econômico do governo Bolsonaro deixará o cenário político muito favorável a esquerda para 2022, que com mais uma rodada de incompetência econômica jogará o país em hiperinflação, não deixe de considerar aprender em como auferir sua renda em moeda forte.
    Abraços e muita sorte nesse jornada.
  • Everton  27/05/2019 00:10
    Pelo amor de Deus, alguém refute esse cara aí, não é possível que estas contas estejam corretas e a reforma da previdência não conserte as contas do governo.
  • Refutador  27/05/2019 12:44
    Acho que ele se esqueceu de considerar que com o aumento do PIB, caso a economia volte a crescer, basta não aumentar os gastos públicos para eliminar o défict.
  • Carlos Alberto  27/05/2019 13:45
    Em tese, sim. De fato, se o PIB passa a crescer, a arrecadação aumenta por gravidade. E se os gastos ficarem congelados, o déficit cai (podendo até zerar).

    Só que há três problemas:

    1) Isso nunca ocorreu antes. Sempre que o governo aumenta sua arrecadação, ele aumenta seus gastos. Sempre.

    2) O próprio governo reconhece que, na mais benevolente das hipóteses, o déficit só irá se estabilizar em 2022.

    Mas isso ainda é o de menos. Agora é que vem a encrenca.

    3) Como que a economia vai voltar a crescer?
  • Ciro Gomes  28/05/2019 12:18
    "3) Como que a economia vai voltar a crescer?"

    Isso é muito fácil meu caro, com política econômica expansionista adequada, baixar o spread bancario e estimular o investimento em infra estrutura nossa gente voltará a ter emprego e com a roda da economia girando o governo voltará a capacidade para arrumar suas contas e cuidar do povo como ele merece ser cuidado.
    Essa política econômica criminosa perpetrada pelo governo Temer e seus banqueiros e reforçada pelo atual governo não conseguiram recuperar as contas publicas, só estão piorando e vão pagar nas urnas.

    Em 2022 Ciro Gomes estará com o povo e as pessoas de bem trabalhadoras poderão eleger um governo competente e humano para fazer nosso Brasil voltar a crescer.
  • Intruso  25/05/2019 01:23
    Esse artigo é tão esclarecedor que deveria ser publicado em jornais de grande circulação como Estadão, Folha e o Globo. Deveria também ser apresentado em sessões da Câmara e do Senado. Talvez com essa dose de realidade os congressistas aprovem as necessárias e urgentes reformas.
  • Luiz Novi  28/05/2019 00:19
    Apresentado em seções da Câmara e do senado. O Estado SEMPRE irá lutar para mais Estado. E quando um entra para arrumar a casa a oposição ataca com argumentos de que o Estado tem que atuar mais. Com os movimentos libertários acho que aos poucos a cultura do brasileiro vai mudando gradativamente.
  • Luiz Novi  28/05/2019 00:50
    Apresentado em seções da Câmara e do senado. O Estado SEMPRE irá lutar para mais Estado. E quando um entra para arrumar a casa a oposição ataca com argumentos de que o Estado tem que atuar mais. Com os movimentos libertários acho que aos poucos a cultura do brasileiro vai mudando gradativamente.
  • Ninguem Apenas  25/05/2019 02:06
    Leandro, tenha certeza total que está fazendo um excelente trabalho apesar de toda a crítica, nesse mar de porcaria sendo espalhada por aí, só os seus artigos salvam!


    Há pouco tempo atrás estava conversando com um colega justamente sobre a questão do atual nível de desemprego no Brasil. Os salários subiram enormemente durante os anos de boom, durante os anos de crash eles precisam cair (o próprio Mises chegou a dizer que uma queda nominal pura não é suficiente, a queda precisa ser real).


    Mas este artigo me fez perceber algumas coisas:

    1 - Em 2015 e 2016 o dinheiro em conta corrente caiu cerca de 18%, com uma queda salarial média menor que isso o desemprego no mínimo ficaria situado acima do padrão dos anos anteriores.

    2 - De 2014 ao início de 2017 a renda ficou estagnada, (detalhe para estagnada) ela não realmente caiu de forma permanente. (exceto no fim do mandato da Dilma, mas foi temporário)

    3 - A partir daí, ela começou a subir (provavelmente por causa da valorização cambial, queda dos juros e da reforma trabalhista).

    4 - Em 2018, finalmente os salários começaram a cair, e seguem em queda. Esse ponto meu colega tinha chamado a atenção, que a inflação dos bens de consumo estava reduzindo os salários reais sem que houvesse uma verdadeira queda nominal. Se observarmos o gráfico 1, foi exatamente aí que o número de pessoas trabalhando no setor privado com carteira assinada parou de cair e está com uma tendência de baixíssimo aumento (quase uma estagnação)


    Não sei se cometi algum erro na análise, mas por qual motivo os salários não caem? realmente a lei é tão rígida que torna mais fácil a demissão que a redução? parando para pensar, a queda do poder dos sindicatos pode ser a resposta que procuro.


    Não que eu defenda que o já sofrido trabalhador brasileiro ganhe ainda menos, mas a economia é implacável.


    No mais, muito obrigado por mais um artigo magnífico Leandro!
  • Leandro  25/05/2019 03:17
    "Em 2015 e 2016 o dinheiro em conta corrente caiu cerca de 18%"

    Correto.

    "com uma queda salarial média menor que isso o desemprego no mínimo ficaria situado acima do padrão dos anos anteriores."

    E chegou ao ápice em março de 2017. Vide o gráfico 2. Ou então aqui, para ver a taxa de desemprego. Chegou a quase 14%.

    "De 2014 ao início de 2017 a renda ficou estagnada, (detalhe para estagnada) ela não realmente caiu de forma permanente. (exceto no fim do mandato da Dilma, mas foi temporário)"

    Correto.

    "A partir daí, ela começou a subir (provavelmente por causa da valorização cambial, queda dos juros e da reforma trabalhista)."

    Isso mesmo. O ano de 2017 foi quando o IPCA desacelerou forte e o real se fortaleceu bastante em relação ao dólar. Duas coisas excelentes para o salário do trabalhador.

    "Em 2018, finalmente os salários começaram a cair, e seguem em queda."

    Sim. Vale lembrar que estamos falando do salário real, ou seja, descontada a inflação. E o salário real caiu exatamente porque a inflação voltou a subir em 2018, por causa da desvalorização cambial (greve dos caminhoneiros e incerteza eleitoral).

    "Esse ponto meu colega tinha chamado a atenção, que a inflação dos bens de consumo estava reduzindo os salários reais sem que houvesse uma verdadeira queda nominal."

    Exato.

    "Se observarmos o gráfico 1, foi exatamente aí que o número de pessoas trabalhando no setor privado com carteira assinada parou de cair e está com uma tendência de baixíssimo aumento (quase uma estagnação)"

    Correto.

    "Não sei se cometi algum erro na análise, mas por qual motivo os salários não caem? realmente a lei é tão rígida que torna mais fácil a demissão que a redução? parando para pensar, a queda do poder dos sindicatos pode ser a resposta que procuro."

    De um lado, sim, a redução salarial é proibida por lei, só podendo ocorrer caso os sindicatos da categoria aprovem, e mesmo assim obedecendo a vários critérios (como um limite mínino para o novo salário).

    De outro, qualquer empreendedor irá lhe dar a mesma reposta: reduzir salário de funcionário é um péssimo negócio. Ele se torna desmotivado, sua produtividade (já baixa) tende a cair ainda mais, e, pior ainda, ele pode descontar suas frustrações nos clientes, o que seria ainda mais trágico para seu empreendimento. Ademais, há vários empregados bons que realmente não merecem redução salarial. E o empreendedor sabe disso, e tem medo de perdê-lo.

    Sendo assim, em um ambiente de forte recessão, o que ocorre é que, em vez de reduzir salários, os empreendedores simplesmente engolem os custos, mantêm os empregados bons e deixam de contratar outros. Poderiam contratar se reduzissem o salário daqueles que já estão contratados, mas, como não reduzem, ficam sem margem para contratar mais um.

    E aí o desemprego sobe (ou não cai) -- que, aliás, é exatamente o que mostra o gráfico 1. A consequência de se manter os salários relativamente estáveis em meio à recessão é não contratar mais mão-de-obra, o que afeta o emprego.

    Não há mágica na economia. E nem é possível revogar a realidade da escassez. Se uma variável está fora do lugar, alguém está arcando com isso.

    "Não que eu defenda que o já sofrido trabalhador brasileiro ganhe ainda menos, mas a economia é implacável."

    Perfeito.

    "No mais, muito obrigado por mais um artigo magnífico Leandro!"

    Sou eu quem agradece o prestígio, as palavras e a deferência.

    Grande abraço!
  • 4lex5andro  25/07/2019 18:54
    Um comentário breve, sobre um ponto da resposta concernente a redução (ou não) dos salários.

    É esperado que empregados aceitem colegas demitidos e seu próprio salário estável.

    Por outro lado, é esperado também que não admitam em nenhuma hipótese, redução salarial, mesmo viabilizando a manutenção de todos os colegas na equipe, sem demissões.

    Comunismo no livro, na teoria, é fácil.

    No entanto, na prática, a teoria é (muito) diferente.
  • Milton Friedman's Return  25/05/2019 08:43
    Excelente artigo, Leandro. Lembrando, como está no texto, que nos contingenciamentos, até as Forças Armadas, que apoiam o governo, foram afetadas. Não entendo a reclamação das pessoas sobre contingenciamentos na Educação que afetam basicamente as Universidades Federais ( aguardando que o mesmo ocorra nas Estaduais...), até pq a grande maioria estudou ou estuda em universidades privadas, logo, nada teria a perder. Creio fortemente que meu prestigioso aluno, Paulo Guedes, consiga convencer o Congresso da necessidade destes e outros contingenciamentos ( não "cortes", como a mídia esquerdopata adora afirmar para doutrinar incautos....), além da reforma da Previdência. Ou se faz isto ou veremos ainda mais motociclistas e ciclistas fazendo entregas sem contribuírem para a Previdência Social, como citou um leitor acima. Ou as reformas são feitas "ontem" ou será o caos pior que aquele ocorrido na Grécia. Excelente artigo, repito, Leandro! Se a social democracia já é complicada em países que acumularam riquezas, quanto mais em países pobres como o nosso. E ainda fomos prejudicados pela esquerda ainda mais desonesta dos dois últimos governos. Cansa ouvir a imprensa repetir à exaustão que " a extrema direita avança no mundo...". Agora, ser conservador, liberal, "de direita", já se é taxado de fascista, extremista, etc. Como religioso que sou, confio em Deus, que ao contrário do que muitos pensam e repetem por aí, não era socialista! Abraços.
  • Sérgio  25/05/2019 17:25
    Corte mais. Não quero ver meu dinheiro sendo aplicado em oficina de siririca (lembram do video do Arthur do Val?), seminário de pegação de lésbicas, TCC sobre o hábito de fumar maconha, dentre outras indecências que professores e estudantes praticam nas universidades. Então, tem mais é que fechar certas universidades:



    Este cara é um gênio. Pena que ele é censurado (censuraram de novo a conta dele no Twitter)...
  • cmr  25/05/2019 21:00
    Paulo Kogos é maneiro.
    Ele defende até o programa nuclear da Coréia do Norte e do Irã, o fim da hegemonia americana, a ascensão da China, a queda da social democracia na Europa, etc...

    Tudo que eu também quero ver...
  • Paulo Samuel  25/05/2019 21:15
    Bobagem essa ideia de que social-democracia não dura. O problema foi a Dilma. Antes dela, estávamos há mais de uma década com seguidos superávits. Se não fosse o desastre da nova matriz, tudo estaria bem.
  • Estado o Defensor do Povo  26/05/2019 14:30
    Beleza, então você acredita no mundo em que tudo é grátis e ninguém faz absolutamente nada para ter as coisas? Só pode pra acreditar que a social-democracia pode durar indefinidamente.
  • 5 minutos de ira!!!  28/05/2019 11:56
    E o que levou a Dilma a conceber a Nova Matriz Econômica? Por acaso não foi a impossibilidade de continuar sustentando os aumentos dos gastos públicos (inerentes à social democracia) nos pilares da ortodoxia?

    aff....
  • Estado o Defensor do Povo  26/05/2019 00:05
    Alguém aqui já ouviu falar do canal saia da matrix? No youtube.
  • Esquerdista convencional ou MBL ???  26/05/2019 00:24
    Quem for as manifestações no Domingo não passam de golpistas bolso-olavistas que querem a destruição da república federativa do Brasil.
    Já as manifestações dos estudantes e dos líderes de movimentos em dias úteis é um direito de liberdade de expressão e pode ser usado pois vivemos em uma democracia.
  • Sociólogo intelectual  26/05/2019 01:18
    O desemprego é uma construção social. Podemos ter todos os desempregados ocupados imediatamente.

    Os desocupados devem lutar pela redução de horário de trabalho. Não existe nenhuma outra solução para o desemprego. O trabalho deve ser redistribuído como deve ser a riqueza. Não é possível que no Brasil existam ricos e pessoas que morram de fome. Não é possível que no mundo existam 8 pessoas que tenham a riqueza da metade da humanidade. Uma disparidade que nunca existiu no mundo, um homem só que tem a riqueza de 10 estados. Warren Buffett tem sozinho a riqueza do Canadá. Lutem pela distribuição de trabalho, que dela também vem também a distribuição da riqueza. Reduzam o horário de trabalho, porque isso aumenta a produtividade. Empregados, aceitem a redução de horário de trabalho. Primeiro porque isso não reduzirá o salário. Segundo, porque aumentará o tempo livre. Terceiro, aumentando o tempo livre, aumentará a felicidade.

    alias.estadao.com.br/noticias/geral,o-desemprego-e-uma-construcao-social-afirma-o-domenico-de-masi,70002841231
  • damazio  01/07/2019 20:53
    que tal fechar o legislativo, o STF e a propria presidencia? Além de não terem serventia alguma, comprovadamente esses poderes trazem um ónus insuportável à nação ... dolariza-se a economia e vende-se o Brasil para quem puder pagar ... instaura-se a escola sem partido, investe-se maciçamente na educação básica e decreta-se o fim da vida politica para os próximos 30 anos ...
  • Lucas Timm Lima  26/05/2019 01:30
    Excelente. Leandro rocks!
  • Goku   26/05/2019 13:45
    Sobre a previdência, alguém pode me explicar essa da DRU que os opositores tanto falam?
  • Raphael  26/05/2019 14:37
    A DRU (Desvinculação de Receitas da União) é um mecanismo que permite ao governo federal usar livremente um percentual de todos os tributos federais vinculados por lei a determinado órgão, fundo ou despesa. Esse percentual foi de 20% até 2015, e o governo propôs elevá-lo para 30% até 2023.

    Mais de 80% da receita do governo é vinculada, o que engessa a execução do Orçamento. Muitas vezes falta dinheiro para uma área e sobram recursos que o governo não consegue aplicar em outras. A DRU permite que o governo aplique os recursos em qualquer despesa considerada prioritária. Também pode usar o dinheiro para fazer superavit primário e conter o aumento da dívida pública.

    Existe desde 1994. Ignore aqueles que fazem sensacionalismo com o assunto (como os que dizem que sem DRU não haveria déficit da previdência).
  • Goku  26/05/2019 15:44
    E a respeito das grandes empresas e os bancos?
  • Lopez  26/05/2019 20:00
    Do que você está falando? Seja mais específica, por gentileza.
  • Goku  26/05/2019 20:07
    Quando não falam da DRU eles falam sobre uma suposta dívida que as grandes empresas e bancos devem a previdência. Afinal esse dinheiro existe ou é tudo balela?

    Agradeço desde já a explicação.
  • Marcelo  26/05/2019 21:13
    A maioria é de empresas que já faliram e sumiram, como Varig, Vasp, Transbrasil, Teka e Dedini. Outras são estatais, como Caixa, prefeitura de Guarulhos, estatal de saneamento do Piauí etc. E o restante são empresas protegidas pelo governo, como JBS, Marfrig.

    E, juntando tudo, não cobre três meses de déficit. O problema é de fluxo, e não de estoque.

    www.gazetadopovo.com.br/politica/republica/jbs-e-a-empresa-que-mais-deve-para-a-previdencia-veja-os-500-maiores-devedores-22wmik37dli6hsucikyp1kcz1/amp/
  • Estado o Defensor do Povo  26/05/2019 16:00
    Você é o Raphael do ideias radicais?
  • Gustavo Arthuzo  27/05/2019 20:37
    Apenas para complementar, as receitas vinculadas à Previdência não podem ser utilizadas de outro modo, seria inconstitucional, vejamos:

    Art. 167, XI da Constituição:

    Art. 167. São vedados:
    [...]
    XI - a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II , para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)


    Agora veja o artigo 195, I, a e II:

    Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:

    I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

    a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
    [...]

    II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)


    Ademais, recomendo este artigo sobre a DRU . Resumindo: a DRU foi criada para a União poder arrecadar mais dinheiro sem aumentar ou criar impostos (contribuições são modalidades de tributo diferente de impostos) e para não ter de repassar aos estados e municípios; assim, aumenta-se as contribuições sociais (como PIS e COFINS) e desvincula-se, utilizando para outros fins que não a seguridade social.
  • Curioso  26/05/2019 23:35
    O que seria a auditoria da dívida?
  • Gustavo A.  28/05/2019 19:22
    Calote.
  • Primo  27/05/2019 00:01
    As pessoas estão engordando (www.google.com/amp/s/veja.abril.com.br/saude/epidemia-de-obesidade-no-brasil-cresce-60-em-12-anos/amp/) , comprando mais do que necessitam (www.moneyreport.com.br/economia/numero-de-celulares-diminui-mas-ainda-supera-quantidade-de-pessoas-no-brasil/ ) e como o próprio texto afirma trabalhando menos que antes. Crise não é fome, escassez e trabalho árduo sem retorno? Compare o preço da carne de boi aqui e na Europa, levante o preço para se fazer uma feijoada aqui e nos Estados Unidos, compare o tratamento de dentário dos chineses com os brasileiros. Nossa moeda tem maior poder de compra do que se é divulgado, o PIB cai por uma questão de distorção de cálculo.
  • Leandro C  27/05/2019 13:14
    Primo 27/05/2019 00:01

    ... sabe, por muitas vezes já me peguei indagando a mesma coisa... tanta gente desempregada crônica que sequer busca algum trabalho... aliás, tantas e tantas coisas a nossa volta tão erradas... não que eu, ou qualquer pessoa, deseje isto, mas, aparentemente, as coisas eram para estar ainda piores... enfim, não tenho respostas... apenas acho que o avanço tecnológico vem conseguindo suprir certa carência estrutural... ou apenas estou mais desinformado do que achava que estivesse.
  • Insurgente  28/05/2019 19:53
    O fato das pessoas estarem engordando está ligado a maior oferta de alimentos de baixo valor nutricional e barato. Na cidade onde moro é possível comprar 03 peças de salgados por R$2,00. Sim, 02 reais. rudimento de um livre mercado. As pessoas não tem dinheiro pra comprar insumos básicos e bons alimentos e se pegam alimentando-se dessa forma. o resultado é esse.

    Da mesma forma é o fator consumo de supérfluos e aparelhos celulares ou qualquer coisa tecnológica na moda: Endividamento generalizado, cartões pipocados, juros e pobreza.

  • Bernardo  28/05/2019 22:24
    Primeiro diziam que o capitalismo causava fome, pois vendia alimentos caros. Agora dizem que o capitalismo gera obesidade, pois vende alimentos baratos.

    Seria muito pedir um mínimo de consenso?
  • Insurgente  30/05/2019 13:41
    Quem colocou a culpa no capitalismo foi você. Foi você quem deduziu, erroneamente, que o que foi falado está associado ao capitalismo. Muito pelo contrário. Por falta de um capitalismo forte, onde há divisão de tarefas, trocas voluntárias e alto poder de compra é que é possível se verificar eventos como esse. Não que seja a regra, mas essa situação é muito comum e vista diariamente nos hábitos das pessoas com baixo poder de compra.

    Se uma pessoa não tem dinheiro para comprar alimentos saudáveis mas precisa se alimentar, uma alternativa é comer alimentos super calóricos. Se uma pessoa deseja ter certos produtos tecnológicos, mas não tem recursos, o ele busca soluções (cheque especial, cartão de crédito, crediário...) para satisfazer-se.



  • Felipe Lange  27/05/2019 01:31
    Espero que os protestos desse domingo tenham surtido algum efeito com direção às reformas (pelo menos na reforma ministerial os caras foram correndo votar, antes do protesto começar).

    Falando agora do dólar, a moeda está se apreciando pelo fato de estar havendo uma contração na base monetária, esta sendo causada pela alta na taxa de juros dos títulos americanos, e também pelo fato de ter aumentado a demanda mundial por esses títulos do governo americano? Essa taxa de juros afeta somente os títulos do governo? Evidentemente uma moeda mais forte beneficia a grande massa da população. Agora, visto que emprestar dinheiro para o governo é um esquema controverso, quais seriam as suas externalidades?

    Bom, sobre esse artigo, preciso nem falar que o Leandro é uma lenda viva, um economista de verdade. Tomara que ano que vem eu consiga ir à Conferência e conhecê-lo pessoalmente.
  • Pobre Paulista  27/05/2019 12:25
    E porque surtiria? Os deputados já estão eleitos e garantidos por alguns anos no poder. Nenhuma manifestação de rua irá tirá-los de lá.

    Aliás, algum efeito deve surtir sim: Eles devem ficar bem mais "parcimoniosos", por assim dizer, para cortar seus próprios tetos de aposentadoria.

    O "povo Brasileiro" não para de não me surpreender.
  • thiago  27/05/2019 12:16
    Excelente artigo!
  • Douglas Savi  27/05/2019 14:25
    Pessoal, todos sabemos das dividas publicas exuberantes, e sabemos que emitir créditos suplementares para pagar dividas correntes não seria a solução, mas talvez um remédio para as dores da barriga.
    Precisamos sim cortar gastos e fazer com que o País volte a crescer.
    Mas gostaria de pedir encarecidamente que vissem este vídeo da Maria Lucia Fattorelli ---> www.youtube.com/watch?v=HDaNZcFGtPI&feature=youtu.be

    e me explicassem o que seria essa reserva de dinheiros que ela menciona, Tesouro = 1,27$ Trilhão, BC = 1,13 Trilhão, U$375 Bilhões Reservas internacionais.

    1- Se realmente esse dinheiro existe.

    2- Como seria esse método que ela gostaria de usar em retirar esse dinheiro das reservas e pagar as dividas.


    Ela simplesmente esta com esta oratória, dizendo que não há crise no Brasil causado pelos déficits... mas sim pela politica monetária pelo BC (tenho que concordar com ela em algumas partes) para que não reformem a previdência.
    Mas não entendo como seria isso de retirar dinheiro de uma reserva tão gigantesca dessa... Se realmente fosse tão fácil, com tanto dinheiro em reserva assim, não precisaríamos estar passando esse perereco de crise ou dividas.

  • Fabrício  28/05/2019 13:02
    1) Os US$ 375 bilhões de reservas internacionais não podem ser usadas para bancar gastos correntes, pois é constitucionalmente proibido. O BC teria de vender dólares em troca de reais (até aí, tudo certo), mas em seguida teria de repassar estes reais ao Tesouro. Isso é proibido, pois representa um financiamento direto do BC ao Tesouro. A Lei de Responsabilidade Fiscal e a Constituição proíbem isso.

    2) O R$ 1,13 trilhão em posse do BC não está realmente em posse do BC. São apenas operações compromissadas. Esse dinheiro pertence ao mercado financeiro, mas o BC os recolhe (com o compromisso de devolver em uma data futura; por isso é "operação compromissada", pois há o compromisso de devolução) para fazer política monetária.

    3) Já o R$ 1,27 trilhão do Tesouro está errado. O valor não é esse. É bem menor. É algo em torno de R$ 600 bilhões. Trata-se de um colchão de reservas que o Tesouro tem para bancar dívidas e demais catástrofes naturais imprevisíveis. Se ele queimar essas reservas com gastos correntes, aí sim você pode esperar os juros lá nos cornos da lua, pois ninguém vai querer emprestar para um governo que efetivamente agora não tem capacidade de quitar seus empréstimos.

    Dica: jamais se deixe levar por encantadores que juram ter soluções fáceis, simples e indolores para problemas profundos e complexos. Na internet (principalmente no YouTube) isso é o que mais tem.
  • Douglas Savi  28/05/2019 13:47
    Muito obrigado Fábricio!!

    sabia que estava fácil demais, eu sou um cara cético até demais, só trouxe a questão aqui para o meu aprofundamento intelectual, agradeço muito que gastou seu tempo em responder.

    Algumas pessoas mal intencionadas distorcem os fatos para poderem convencer as pessoas, é uma triste realidade.
  • Allan Duarte  27/05/2019 15:27
    Parabéns, Leandro. Mais um artigo excelente.
  • Revoltado  27/05/2019 15:50
    Excelente artigo!

    Um único gráfico "per se" deveria encerrar o debate sobre a necessidade de reduzir-se o Estado e reformar a Previdência e acalmar o Leão que engorda ano após ano com os tributos.

    Confesso que fiquei deprimido ao ler o artigo em tela. Sobretudo ao lembrar-me dos vídeos do YouTube em que o representante do MBL do RJ (aquele Gabriel, que é policial militar) tenta conversar a respeito com militantes vermelhos e, ou manifestam ignorância total, sem saber ao certo pelo quê lutam, ou brigam, xingando-o ou tentando agredí-lo fisicamente.

    Temo pelos anos vindouros, pois sem a reforma teremos um campo aberto à esquerda explorar as consequências duras possíveis e assim retomando o poder em 2023. Deus nos salve enquanto tempo há.
  • Luiz  27/05/2019 18:48
    Esse assunto chega ser cansativo, eu fico em dúvida se é má fé, ignorância ou Crença ideológica. Não é possível, os princípios básicos nos levam para um sentido diferente do que os ortodoxos teimam a ir. Políticos seja de direita ou esquerda, dificilmente abrem mão de privilégios, então para a questão mudar por aqui, só a partir de plebiscitos.
  • 5 minutos de ira!!!  28/05/2019 12:00
    Um plebiscito recusaria a reforma da previdência, soltaria Lula, o elegeria, fecharia o congresso e o STF, Passaria uma renda universal de 2 mil reais, fecharia a fronteira para produtos importados que concorressem com produtos nacionais, estatizaria empresas privadas como a Vale, enforcaria banqueiros....................
  • 5 minutos de ira!!!  28/05/2019 17:41
    Um plebiscito recusaria a reforma da previdência, soltaria Lula, o elegeria, fecharia o congresso e o STF, Passaria uma renda universal de 2 mil reais, fecharia a fronteira para produtos importados que concorressem com produtos nacionais, estatizaria empresas privadas como a Vale, enforcaria banqueiros....................
  • ed  27/05/2019 19:57
    Pergunta que não quer calar: A Conf. de escola Austríaca 2019 vai ficar disponível no Youtube?
  • Andre  28/05/2019 13:45
    Procure por Fernando Ulrich no Youtube, tem uma parte disponível em seu canal.
  • Maria Fernanda Monzo Luporini  27/05/2019 20:02
    Hoje a Petrobrás paga impostos ao caixa do Tesouro, mas também dividendos, já que a União é a maior acionista da empresa. Pq motivo o Estado venderia uma empresa já montada e lucrativa e deixaria de receber dividendos para receber apenas impostos? Não consigo entender. A Petrobrás está montada e fax parceria com várias outras empresas. Já estão posicionando a empresa em seu core business. Então, de novo, pq ao invés de melhorar a governança da empresa para evitar corrupção política, e conrinuar a receber impostos e também DIVIDENDOS, pq o Estado optaria por receber APENAS impostos???
  • Marcelo  27/05/2019 20:30
    Pra começar, a Petrobras ficou de 2014 a 2018 sem pagar dividendos.

    Em segundo lugar, dar dinheiro para o governo não deve ser a função precípua de nenhuma empresa (estatal ou particular), mas sim servir aos consumidores.

    Em terceiro lugar, por tudo isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2862
  • Curioso  28/05/2019 18:37
    Auditoria da dívida é a solução pra previdência?
  • Gustavo Arthuzo  29/05/2019 18:04
    Só se destruir a economia do Brasil for a solução.
  • Reinaldo  29/05/2019 19:00
  • Lee Bertharian  31/05/2019 12:09
    É só ver quem está propondo...
    Cazzo, por que não LÊEM o precioso acervo de artigos do IMB antes de acreditarem em soluções mágicas estatistas?
  • Dedé  29/05/2019 17:08
    A cada semana a previsão de crescimento decepciona os "analistas" de mercado.

    Eu posso estar errado, mas o que acho que está ocorrendo é que nós temos uma baixa taxa de poupança e que a pouca poupança disponível está sendo direcionada para cobrir o déficit público.

    Soma-se a isso as incertezas políticas, simplesmente não está havendo investimento. E com a alta de desemprego e endividamento da população, não como esperar que o consumo puxe o crescimento.
  • Criança Orgulhosa da Era de Ouro do Lulo-petismo 00's  31/05/2019 01:58
    Que poupança é essa que vocês austríacos tanto falam? O governo acrescenta, o governo nada subtrai. É tão óbvio isso que eu fico assustado ao ver como alguém pode acreditar nesta ladainha austríaca de que o mercado é o Deus do mundo. Vou explicar: quando o governo apresenta déficits, ele recorre ao Tesouro Direto para ter esse déficit quitado, afinal ele tem o poder da palavra. Se o governo diz que vai pagar, ele paga. Se o Tesouro Direto fosse algo ruim as pessoas fugiriam dele mas todos nós sabemos que este é um dos INVESTIMENTOS mais bem vistos. Vou desenhar:

    Eu tenho R$100,00 e compro R$100 em títulos PUBLICOS(qualquer um, inclusive você, pode comprar).

    O governo usa esse dinheiro para pagar o que tem que pagar.

    ESSE DINHEIRO GERA RENDIMENTOS.. A cada dia que passa eu fico mais rico por ter emprestado ao governo... Se eu esperar 1 ano eu resgatarei por exemplo R$120,00 e estarei com mais R$20,00 em poder de compra do que estava antes. QUE POUPANÇA É ESSA QUE VOCÊS AUSTRÍACOS TANTO FALAM? O que gera crescimento é o consumo agregado e não a poupança.

    Vou tentar desenhar novamente para evitar ser mal compreendido porque aqui isso acontece muito.

    Eu emprestei R$100 para o governo. O governo vai usar esse dinheiro e eu vou deixar um tempo com ele. Neste caso o governo usou o dinheiro e eu vou poder usar também. Todos nós usamos o mesmo dinheiro, e eu mais do que o governo. O que ocorre é que emprestar para o governo gera uma poupança extra e não uma redução na poupança, então obviamente se não há crescimento econômico é devido à falta de demanda agregada.

    Antes eu tinha R$100 e podia gastar R$100, agora eu tenho R$120 e posso gastar R$120, eu saio com mais poder aquisitivo do que entrei porque R$120 hoje valem mais do que R$100 um ano atrás, relativamente... Acho que agora vão recorrer à aquela teoria absurda da preferência temporal em que afirmam não ser possível comparar R$120 hoje com R$100 de um ano atrás porque os produtos disponíveis no mercado nestes dois tempos distintos não são exatamente os mesmos.
  • Vladimir  31/05/2019 11:19
    Cidadão, e de onde vem o dinheiro que o governo usa para pagar os seus rendimentos? Exato, foi tributado de um pobre coitado, que agora, por consequência, teve o seu poder de compra reduzido.

    Para que você ganhasse dinheiro com a dívida pública, outro infeliz teve de perder dinheiro. A sua poupança adveio da despoupança de um infeliz.

    É fascinante a incapacidade do brasileiro de fazer o mais básico exercício de causa e consequência. Ele vê o dinheiro pingando na sua conta no Tesouro Direto e dali ele conclui que o governo é uma máquina mágica de prosperidade, que cria riqueza do nada. O governo cria riqueza para todos sem subtrair de ninguém. Uma alquimia.

    Com um povo com essa mentalidade, chega a ser um milagre que o país ainda continue existindo.
  • Marcelo  31/05/2019 11:25
    Calma, o cara acima estava claramente sendo irônico e zoando o discurso da esquerda celerada.
  • Estado o Defensor do Povo  31/05/2019 17:00
    hahaha calma Vladimir, olha o nick do cara.
  • FABRICIO SALGADO DE SOUZA  03/06/2019 05:49
    Agora que li. Mas nunca é tarde...nem mesmo para a revisão econômica, demográfica e matemática.
  • Felipe Lange  03/06/2019 16:34
    Pessoal, o que vocês acham dessa notícia, onde fala que Brasil e EUA lideram em "retrocessos ambientais"?

    Quando ainda estava no Brasil (agora estou na Flórida), meus colegas no curso de Biologia achavam de que o Bolsonaro (devem achar ainda) vai sabotar simplesmente todo o meio ambiente. Se o Ricardo Salles de fato conceder os parques à iniciativa privada, vai ser benéfico (porque não tinha como ficar pior do que o modelo totalmente soviético), embora o ideal seja a desestatização completa. Eu realmente não sei o motivo dele ser tão criticado, não vi nada de errado em todas as entrevistas que ele cedeu, a não ser no fato de que ele ainda não defende a retirada completa do estado no setor, o que eu acho improvável.

    E olhe que a legislação ambiental americana é severa, pelo menos se tratando de fazer carros (isso explica provavelmente a disponibilidade menor de carros europeus). Pelo menos aqui ao redor eu vi mais áreas ambientais preservadas do que no Brasil, embora seja uma percepção um tanto rasa.

    É muito chato isso, a pessoa de Biológicas precisa sempre ficar apoiando o intervencionismo estatal no setor, senão viveremos todos sobre o Mar de Aral.
  • Felipe Lange  04/06/2019 19:14
    Leandro, você acha que um dia o dólar deixará de ser a moeda internacional de troca? Se sim, por que deixaria?
  • Leandro  04/06/2019 19:21
    Não. Não nesta geração.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1673
  • Andrius Priebbnow  11/07/2019 02:01
    Tenho dúvidas quanto a isso...
    www.aier.org/article/currency-upheaval-coming

    By the way, obrigado pelo excelente trabalho Leandro. :)
  • Erick  24/06/2019 10:59
    Ola,

    Brilhante artigo, cheio de fatos e numeros. Excelente didatica. Muito obrigado mesmo por trazer esse conhecimento para nos.

    Fiquei com algumas duvidas no entanto:
    1. "a social-democracia, que se caracteriza por um estado que quer prover de tudo, gera aumentos constantes de gastos", por que desse aumento constante? Nao eh possivel que eles mantenham o orcamento? Especialmente quando se fala de teto de gastos?

    2. Quando se fala da produtividade do trabalhador, um funcionario do McDonalds por exemplo me parece altamente produtivo (com rapidez e cheio de equipamentos) mas por que ele ganha tao pouco?

    Obrigado!
  • Carlos  24/06/2019 15:18
    "por que desse aumento constante?"

    Explicado no artigo.

    Os gastos são crescentes porque a quantidade de pessoas recorrendo a eles é cada vez maior (uma inevitabilidade quando se tem uma população envelhecendo). A busca por seguridade social, serviços estatais de saúde, remédios subsidiados, cultura, lazer e educação superior crescem anualmente por um simples motivo demográfico.

    "Nao eh possivel que eles mantenham o orcamento? Especialmente quando se fala de teto de gastos?"

    Possível é. Mas aí alguma área terá de sofrer cortes. E isso ninguém quer.

    "Quando se fala da produtividade do trabalhador, um funcionario do McDonalds por exemplo me parece altamente produtivo (com rapidez e cheio de equipamentos) mas por que ele ganha tao pouco?"

    Por este motivo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2515

    Spoiler: ele é perfeitamente substituível por qualquer outro (o que significa que ele não possui qualidades raras), e ele atende a relativamente poucas pessoas (o estabelecimento para o qual trabalha gera valor para uma fatia ínfima da população).
  • Armando Costa  01/07/2019 18:25
    Os gráficos indicam que a coisa estava mais ou menos bem encaminhada até 2008. A partir daí que foi tudo para o brejo. O que será que aconteceu em 2008?
  • Carlos  01/07/2019 18:30
  • Emerson Luis  28/07/2019 16:54

    Um país subdesenvolvido tentar imitar o o "Estado de bem-estar social" de países desenvolvidos é como um sujeito que tenta acompanhar os gastos excessivos de um parente ou colega em melhor situação financeira, acreditando erroneamente que essa situação financeira existe por causa desses gastos e não apesar deles.

    * * *
  • anônimo  09/08/2019 15:08
    Ótimo texto, parabéns ao autor.
  • Minarquista  15/08/2019 15:58
    Leandro: podemos estar às portas de uma grave crise no Brasil e no mundo?
    Quando você nos brindará com novas análises da situação econômica?

    []s
  • Leandro  15/08/2019 16:36
    Ao contrário da mídia e dos analistas, não estou tão pessimista com os EUA. Ao contrário da década de 2000, lá não houve bolhas explosivas desde 2009. Não há indícios de crise bancária e os juros (ainda) não apresentam anormalidade. À exceção deste Instituto, ninguém mais fala que, lá, a base monetária não sobe desde 2014. Com a base monetária parada (aliás, está até em contração), não há por que estranhar juros baixos. Aliás, é o que ensina a teoria econômica.

    Haverá, sim, uma recessão, mas não será catastrófica.

    Agora, na Europa, a coisa é pior. O problema lá são os bancos. Impossível qualquer previsão. Entretanto, não havendo crise bancária, e não havendo uma súbita perda de demanda pelo euro, haverá pasmaceira, mas não catástrofe.

    Quanto ao Brasil, eu estava animado até dia 31 de julho. Naquele dia, até imediatamente antes da decisão do Fed, a moeda estava forte (em relação à coroa sueca, por exemplo, que está na cesta das sete principais moedas do mundo, a cotação havia voltado ao valor de agosto de 2017). Isso era sinal de que a economia estava em recuperação. Minha previsão é de que os meses de junho e, principalmente, de julho foram bons.

    Mas aí, desde o início deste mês, depois do acirramento da briga do Trump com a China, e depois da calamidade argentina, a moeda degringolou. Resta saber quão impactada será a economia por este recentemente enfraquecimento do real.

    No momento, a moeda é (aliás, voltou a ser) minha principal preocupação. No atual nível, não haver uma retração econômica já será um grande avanço.
  • Alaor  15/08/2019 17:33
    Porque o dólar a R$3,95 - 4,00 prejudica tanto a recuperação econômica brasileira? Não me parece ser muito diferente dos 3,70 -75 que atingiu na semana da aprovação da reforma da previdência.
  • Leandro  15/08/2019 18:23
    No atual momento, não é propriamente a cotação, mas sim a tendência de acentuada desvalorização. Isso significa que a demanda pela moeda caiu muito e rapidamente. E isso, por sua vez, significa menos propensão a empreendimentos e investimentos.

    Mas, de novo, ainda está em tempo de reverter. Vamos aguardar.


    Dito isso, vale recordar o círculo vicioso que ocorre em uma desvalorização:

    1) A moeda desvalorizada encarece insumos.

    2) Consequentemente, aumenta o custo de produção de qualquer empresa ou indústria que lida com maquinários e peças de reposição importados. Isso vale tanto para grandes fábricas quanto para pequenos escritórios que utilizam computadores importados. Com efeito, até restaurantes e lanchonetes também sofrem, pois moeda desvalorizada incentiva agricultores a exportar (preferem moeda forte estrangeira à moeda fraca nacional).

    3) Porém, dado que os preços dos bens de consumo que essas empresas produzem não podem ser elevados (pois a economia ainda está fraca e o povo ainda está com a renda deprimida), estes empreendedores terão de arcar com maiores custos de produção sem maiores receitas.

    4) Logo, a margem de lucro cai. (Custos maiores, receitas estagnadas).

    5) Com margem de lucro menor, não há espaço para conceder aumentos salariais e nem muito menos para contratações adicionais.

    6) Assim, o desemprego continua alto e a renda continua estagnada. E isso se espalha por toda a economia.

    Sim, a atual desvalorização ainda está pequena. Já houve no passado desvalorizações muito maiores: outubro-dezembro de 2008, agosto e setembro de 2011, julho-agosto de 2013, e todo o ano de 2015. Nenhuma foi inócua. Todas tiveram consequências negativas. Em todas, a economia se enfraqueceu.

    A atual, de novo, ainda parece contida e, de fato, é um fenômeno mundial que está afetando a todos os emergentes.

    Vamos aguardar o desenrolar da atual.
  • Sebastião Buck Tocalino  08/09/2019 08:17
    Excelente artigo! IMPERDÍVEL! Explicou e ilustrou mais aquilo que eu abordava há 5 anos atrás em meus textos:
    Um Alerta ao Brasil
    e
    Uma Simples Aritmética
    Parabéns!
  • Skeptic  20/11/2019 18:08
    Saudades dos grandes artigos do Leandro!

    Gostaria de ver uma avaliação do Banco Central nesse primeiro ano do Roberto Campos Neto.
  • Skeptic  20/11/2019 18:17
    "Existe um estigma no sistema financeiro de que banco que pega dinheiro do BC está com problema. Queremos fazer um sistema no qual podemos usar dívida privada para melhorar a eficiência e a liquidez do setor. Aí poderemos reduzir bastante o volume de compulsórios"
    Roberto Campos Neto em 19/11/2019

    Tradução: Inflacionismo à vista?
  • Trader  20/11/2019 21:45
    Não necessariamente. Só entra dinheiro na economia se empresas e pessoas quiserem se endividar junto aos bancos. Para haver uma grande inflação monetária é necessário haver um grande número de pessoas e empresas se endividando aos bilhões.
  • Skeptic  22/11/2019 21:56
    Sim, mas isso é tudo que o Bacen pode fazer para gerar inflação. Com a economia se recuperando, talvez exista espaço para mais um voo de galinha baseado em crédito barato.


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