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Apesar do que dizem os pessimistas, a riqueza nunca foi tão igualitária

Somos diariamente bombardeados por incessantes lamúrias
sobre a “crescente desigualdade”, além de clamores por aumentos draconianos de
impostos
para resolver este “problema”.

As reclamações ocorrem, religiosamente, há anos, não
obstante as altamente
suspeitas técnicas de mensuração dos dados
.

Para começar, não faz sentido dizer que uma
desigualdade crescente — ainda que esta de fato ocorresse — seja um problema,
simplesmente porque, em uma economia de mercado, em nada me subtrai o
fato de o cara do outro lado da rua ser um bilionário e eu não. As chances são
de que ele está criando empregos, doando para instituições de caridade, e
fazendo investimentos na estrutura produtiva da economia, o que beneficia a
todos nós. (Entenda todos
os detalhes aqui).

Uma sociedade igualitária afundada na pobreza é
fácil de ser criada: basta
dar força suficiente ao governo
.

Entretanto, examinemos esta alegação por um ângulo
diferente. O que exatamente está sendo mensurado? O coeficiente de Gini,
por exemplo, que é o indicador mais utilizado, mensura a renda de vários
segmentos da população, o que é bastante diferente de mensurar o consumo. Isso, por si só, já é uma falha grave, pois, em
uma economia em crescimento, uma mesma quantidade de renda compra cada vez mais bens e
serviços
.

Em termos práticos, os pobres de hoje vivem
melhor do que os reis de antigamente
. Se o objetivo é melhorar a situação
de todos, mensurações de igualdade de renda e de posses materiais apenas
desviam a atenção daquele que deveria ser o verdadeiro objetivo: a
universalização de vidas dignas.

O
material e o conhecimento

Analisemos agora mais profundamente a ideia de que a
riqueza material é o que deveria ser a mensuração da igualdade. Faz sentido?

Uma forma de riqueza intangível, porém extremamente
crucial, é a informação. Mais
especificamente, o acesso à informação, ao conhecimento.

De certa maneira, a informação — a oportunidade de
acessá-la e a capacidade de contribuir para o estoque utilizado pela humanidade
— é muito mais importante para nossas vidas do que posses materiais.

A informação é o pilar de uma cultura. Ela fornece o
caminho para o sucesso. Ela nos ajuda a viver vidas melhores. Ela, no mínimo,
facilita a multiplicação de riquezas: informação bem utilizada ajuda as pessoas
a investirem melhor e a fazerem bom uso do dinheiro que possuem.

E onde estamos no que diz respeito ao
compartilhamento de informações, ou seja, a distribuição da mercadoria mais
valiosa? Nunca o acesso foi tão simples e fácil. Acesso ao quê, exatamente? A
absolutamente tudo o que a humanidade já aprendeu e conhece.

Neste exato momento, estou sentado em uma cadeira em
um aeroporto. Várias pessoas estão esperando o momento de embarcar. Cada uma
delas está portando uma ferramenta que é um portal para toda a informação
conhecida pelo mundo. E várias destas pessoas provavelmente estão acrescentando
informações ao mundo neste exato momento. E isso está acontecendo apesar de disparidades de renda, de
gravidezes indesejadas e até mesmo do próprio nível de renda. Os pontos de
acesso e os custos deste acesso ao redor do mundo — gratuito na esmagadora
maioria dos estabelecimentos comerciais — caíram a um nível em que
praticamente ninguém mais é excluído. E irão continuar caindo, graças ao progresso tecnológico.

[N. do E.: no Brasil, 152 milhões de pessoas já têm acesso à internet, e há 109 milhões de usuários de smartphone. Por outro lado, a quantidade de
casas com esgoto, um monopólio estatal, chega apenas a 66%
das famílias
…].

Não se trata apenas de uma maravilha da tecnologia. Não
é apenas algo esplêndido de se observar e constatar. Trata-se também de algo
que trouxe mais igualdade à sociedade.

Considere o contraste com 30 anos atrás. Tudo o que
sabíamos era controlado por apenas um punhado de pessoas que tinham acesso
privilegiado. Eles eram os escritores de livros, os jornalistas que escreviam
para revistas, e as pessoas que trabalhavam nas poucas redes de televisão. E a
comunicação deles conosco era uma via de mão única. Nós não tínhamos como responder
ou mesmo rebater esta elite. Eles falavam e nós escutávamos. Nossa capacidade
de contribuir com informações para o debate era praticamente nula, e tudo o que
podíamos fazer era compartilhar as notícias com as pessoas fisicamente próximas
de nós. No máximo, podíamos enviar cartas às pessoas mais distantes, as quais
seriam entregues com semanas de atraso por algum funcionário do governo.

Esta realidade ainda está fresca na memória da
maioria das pessoas vivas hoje.

Isidoro de Sevilha,
no século VI, se auto-incumbiu da tarefa de reunir todo o conhecimento do mundo
em um único livro. O resultado foi a enciclopédia Etymologiae. Foi o projeto de uma vida. A obra se tornou
o livro essencial para ser utilizado como aprendizado durante toda a Idade
Média. Mas apenas alguns pouquíssimos privilegiados tinham acesso. O uso
massificado de livros só começou a virar uma realidade no século XIX.

A era do conhecimento

Hoje, todos nós carregamos inúmeras versões
expandidas da Etymologiae em nossos bolsos. Esta mesma ferramenta
nos oferece o poder da televisão, não apenas como consumidores, mas como
transmissores, para todo o mundo. Podemos acessar absolutamente todos os cursos
do MIT. Os portais de informações são infindáveis e impressionantes. Podemos
jogar jogos e nos comunicar gratuitamente com qualquer outra pessoa que tenha
acesso à internet. Mesmo o simples ato de ligar a televisão nos fornece acesso
imediato a várias centenas de estações. A explosão da informação em nossas
vidas é tão vasta e profunda que é impossível de ser acuradamente descrita.

Mas eis o crucial: hoje, não mais é só para uma
elite; é para todos. E isso foi tornado possível por um mercado que está
incessantemente em busca de sua próxima base de consumidores.

Em termos de acesso à informação e de oportunidade
de aprender e compartilhar conhecimento, nunca fomos tão ricos e iguais.
Compartilhamos o que sabemos, aprendemos com terceiros, e somos inundados por
uma infindável corrente de dados cruciais para viver uma boa vida. Cabe
exclusivamente a cada um de nós saber tirar proveito de tudo isso.

Estamos constantemente bebendo daquela fonte que
F.A. Hayek rotulou de “fundo da experiência”: trata-se do meio pelo qual todo o
planeta e toda a história pode se beneficiar do sucesso de uma única empresa ou
de um único inovador, desde que haja 
meios através dos quais esse conhecimento possa ser compartilhado.

“A dádiva do conhecimento,” — escreveu ele em 1966
— “que tanto custou para ser conseguida por aqueles que estão na vanguarda,
permite aos seguidores alcançar o mesmo nível de conhecimento a um custo muito
menor”.

Hayek então fornece esta extremamente perspicaz
observação sobre o valor da informação:

A
expansão do conhecimento é de crucial importância porque, embora os recursos
materiais irão para sempre permanecer escassos e terão de ser reservados para propósitos
limitados, o uso de novos conhecimentos (em que não os tornamos artificialmente
escassos por meio de patentes que concedem monopólios) é irrestrito.

O
conhecimento, uma vez alcançado, se torna gratuitamente disponível para o
benefício de todos. É por meio desta dádiva gratuita do conhecimento adquirido
pelos experimentos de alguns membros da sociedade que o progresso generalizado
se torna possível; que as conquistas daqueles que estiveram na vanguarda
facilitam o avanço daqueles que vêm depois.

difusão da tecnologia e
dos aplicativos de
celular
 que transformam a todos em empreendedores, em conjunto com
Lei de Moore (que
diz que o poder de processamento da informática em geral dobra a cada 18 meses,
e com custos decrescentes), está acelerando a divisão do trabalho ao aumentar o
número de empreendedores, ao reduzir o custo da informação e, principalmente,
ao difundir o conhecimento a custo praticamente zero.

Estamos de volta àquela outra observação feita por
Hayek, ainda em 1945, em seu artigo O uso do conhecimento na
sociedade
. O conhecimento é descentralizado. O livre mercado cria
incentivos para que aquelas pessoas que possuem informação especializada possam
colocar esse conhecimento para usos lucrativos. E, ao fazerem isso, todo o
resto do mundo é gratuitamente beneficiado. A riqueza se espalha e se torna
mais igual.

Infelizmente,
nunca há como ganhar

Mas, por acaso vemos os defensores da igualdade
celebrando esta notável conquista? De minha parte, nunca vi nenhum. Ao
contrário: o fiel da balança foi brutalmente deslocado, e os termos do debate
foram inteiramente direcionados para um enfoque exclusivo, obsessivo e maníaco
na renda como a única fonte possível de riqueza.

Só que tudo é ainda pior. Nunca tivemos tanto acesso
a outras formas de pensamento e de vida, e a novas culturas, idiomas e
experiências humanos. A oportunidade de descobrir e adotar nunca foi tão
volumosa. E, em meio a este extraordinário fluxo de informações que vêm de fora
da nossa estreita experiência, a esquerda progressista afirma que é errado — e
até mesmo profundamente imoral — se “apropriar” das experiências de outras
pessoas e aprender com elas de uma forma que seja proveitosa para nós. Afinal,
fazer isso é considerado uma “apropriação cultural“,
como se fosse uma forma de roubo.

Trata-se de uma acusação inacreditável, além de ser
profundamente anti-intelectual. Você não tem como roubar uma cultura. Cultura
não é um bem escasso. Está ali disponível para todos se “apropriarem” dela.
Atacar nossa liberdade de aprender e de ser influenciado, e rotular de
“antiético” descobrir algo diferente e vivenciar aquela experiência significa
aniquilar todas as chances de progresso. Trata-se de um ataque fundamental à
maior fonte de riqueza que hoje usufruímos como sociedade.

Com isso, é possível entender que, da maneira como a
esquerda manipulou o jogo, simplesmente não há como a liberdade vencer o debate
a respeito da igualdade. Se você mostra que a informação é o bem mais valioso
que existe e que nunca houve uma oferta tão grande, a esquerda diz que isso não
importa. Se você mostra que a cultura geral nunca esteve tão acessível, a
esquerda diz que é errado consumir e ser influenciado pela cultura alheia, pois
isso configura roubo.

Os críticos da economia de mercado que invocam a
igualdade como um ideal não irão sossegar enquanto não conseguirem aniquilar
toda e qualquer oportunidade de as pessoas viverem uma boa vida.

Aqui estamos nós, em um era de inaudita abundância
do bem mais valioso que existe, o qual está disponível para todos,
independentemente da classe social, e, em vez de celebração e apreciação, vemos
o exato oposto: reclamações infindáveis sobre mesquinhas preocupações
materialistas, as quais têm uma relevância totalmente efêmera para a qualidade
de vida que todas as pessoas esperam usufruir.

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49 comentários em “Apesar do que dizem os pessimistas, a riqueza nunca foi tão igualitária”

  1. A esquerda não liga, porque não dá pra tomar conhecimento. Mas o conhecimento livre traz liberdade aos desvalidos, e se isso se espalha, não tem como o populacho ser manipulado.

  2. O melhor de tudo é a total incoerência da esquerda: de um lado, defendem que todos tenham as mesmas posses materiais e o mesmo padrão de vida dos bilionários; de outro, reclamam que o crescimento econômico, a riqueza e o consumismo está acabando com o planeta.

    Ou seja, defendem que todos vivam como bilionários e afirmam que os bilionários estão causando a extinção da terra.

    E simplesmente não percebem o total paradoxo dessas duas posições!

    Mas mais espantoso ainda é levaram essa gente a sério.

  3. Se a riqueza hoje é mais igual do que jamais foi é algo totalmente irrelevante. O que realmente interessa é que a média da riqueza individual está crescendo, e a riqueza dos mais pobre é maior do que jamais foi.

    Adolescentes cheios de opiniões nas redes sociais são muito novinhos para se lembrar de como eram comuns as inanições no passado. Hoje, obesidade e diabetes, ou seja, excesso de calorias diárias, já sem tornaram um grande problema de saúde não só nos países ricos, mas também na África sub-saariana, na América Latina e no sudeste asiático.

  4. Amante da Lógica

    "em uma economia de mercado, em nada me subtrai o fato de o cara do outro lado da rua ser um bilionário e eu não"

    Os invejosos não querem tomar as suas coisas para eles. Eles apenas querem que você não mais tenha as suas coisas.

    A guerra da esquerda contra a "desigualdade" e a "riqueza" não é e nem nunca foi para melhorar a vida dos pobres. Nada do que seria eventualmente confiscado dos ricos iria para os pobres. O que a esquerda quer é simplesmente empobrecer os ricos e tornar todos igualmente pobres, pois assim irá "salvar o planeta" e, de quebra, ampliar seu domínio político via expansão do assistencialismo.

  5. Sim, o progresso tecnológico permitirá que populações pobres adquiram maior conhecimento, informação e autonomia.

    Porém, a questão mais importante é se haverá ampliação da liberdade econômica e da aplicação de outros princípios liberais e conservadores. Os Estados sempre recusam-se a diminuir e sempre tendem a crescer, obstruindo o desenvolvimento e causando empobrecimento.

    Como já disseram aqui mesmo neste site, quanto mais o keynesianismo [e o marxismo] fracassam, mais eles ressurgem.

  6. A nova mão invisível é uma farsa

    Vivemos numa época em que tudo, absolutamente tudo, está sendo substituído pela administração, impessoal, das coisas. Desde o nosso tratamento a família até a relação para com o governo, em praticamente tudo, há uma "nova mão invisível", sempre racional, guiada unicamente pelo avanço das ciências e da técnica. Engana-se quem pensa que esta nova mão invisível é aquela apresentada nos termos de Adam Smith. Segundo a nova teoria da mão invisível, a independência de uma unidade coordenadora deixou de ser válida somente à economia de mercado.

    O progresso técnico-científico, inválida a política e a torna supérflua, dispensável, perante a universalização das razão enquanto ocorrem as relações próprias da tecnologia e da ciência. O homem moderno foi diretamente afetado pelo progresso e isso mudou sua relação com o mundo.

    Nesta nova teoria, está contida a fé dos neoliberais modernos, onde a natureza humana perderia sua substância natural em benefício da força racional promovida pela ciência e técnica. Os interesses pessoais, os conflitos de valores e visões de mundo, seriam gradualmente anulados pelas consequências sociais das trocas voluntárias. Esta nova mão invisível estaria influenciando as convicções e valores. Mas engana-se quem pensa que isso irá terminar bem.

    Quando a ciência deixa de cumprir seu papel

    A impessoalidade da técnica sempre estará submetida a pessoalidade da condição humana. O próprio ato de querer impor tal impessoalidade, vide neoliberais e sua grande narrativa da experiência histórica racional, revela uma condição de valor e uma busca por uma pedra de toque em um mundo inconstante e instável. No fundo, neoliberais fazem de tudo para esconder sua natureza tribal – vide objetivistas. Ninguém quer ser macumbeiro ou fanático religioso, todos querem uma capa da Science para chamar de sua.

    Mas será que o método científico está livre do tribalismo?

    Antigamente, quando alguém afirmava crer no método científico, significava acreditar fielmente, que o universo é regido por leis naturais que podem ser descobertas pela observação e lógica. Muitas vezes, fazer tal afirmação tinha como consequência perseguição política e social.

    Hoje em dia, a ciência conquistou tal prestígio, que o imaginário popular pegou a impessoalidade cultural da nova mão invisível e criou uma ciência sob demanda. Tal ciência funciona como sinalizador social. Atualmente, "eu creio na ciência" é apenas uma forma educada de afirmar "veja como minha pauta é boa, a ciência está provando". Eu posso ser um jumento que não sabe nada de matemática, física ou química, mas certamente sei dizer que "creio na ciência". São pouquíssimas pessoas que têm paciência para ciência real. O mundo moderno, com seus usuários de Iphone, prefere uma ciência imaginária à mais prosaica realidade. A ciência é nova Netflix.

    E isto é muito triste porque uma pessoa só pode alcançar a idade adulta, quando consegue discernir, por seus próprios meios, entre aquilo que é verdadeiro e o que é falso, formando um juízo pessoal sobre a realidade objectiva das coisas. A verdadeira ciência é uma observação individual feita por fatos, evidências, teorias e experimentos; crer não faz parte do processo científico.

    A ciência atual é mais um indício que a independência de unidade coordenadora deixou de ser válida somente à economia. As pessoas estão contestando (algo bom), e até mesmo modelando a ciência para caber em suas ideologias e visões de mundo (algo ruim). A certeza do mundo moderno faz de tudo para esconder o tribalismo que há na natureza humana. Perceba: a ciência influencia a nova mão invisível, que por sua vez influencia a ciência; é um ciclo onde o subjetivismo humano ganha e a ciência perde.

    O homem moderno é uma bomba

    Ora, se a ciência pode ser modelada, por que sistema técnico-científico não? A internet é uma maneira de prever a realidade social baseada unicamente no sistema técnico-científico. Embora seja desejo dos neoliberais, a liberdade em um sistema de trocas voluntárias, de forma alguma trouxe o pragmatismo supra-ideológico, caracterizado por um desinteresse a motivação humana; pelo contrário, embates, violência física e psicológica tornaram-se uma realidade constante. As paixões humanas não foram dispensadas com o avanço do livre mercado de ideias. Os grupos extremistas, e suas ideias, não abandonaram seu extremismo por haver uma nova ferramenta no mercado, pelo contrário, intensificaram.

    Os mais atentos perceberam o problema logo no início do artigo: costumes e tradições mudam o contexto das relações mútuas. De fato, o homem moderno poderia viver numa sociedade racional, e até mesmo libertária, mas sempre haveria a liberdade mútua de ensinar os próprios filhos, e isso inclui ensinar que podem ter 72 virgens no paraíso se obedecerem direitinho os mandamentos de Alá; se, eventualmente, houver um ataque a sinagogas, é mera coincidência que a nova mão invisível não irá computar. Este mesmo homem poderá arranjar casamentos para suas filhas de 9 anos; afinal, tudo irá fluir naturalmente, voluntariamente, igual os usuários de Bitcoin diante da Receita Federal. Por um lado, a nova mão invisível promete o paraíso racional das trocas voluntárias sem assumir seus custos. Por outro, os homens, sempre eles, quebram e corrompem os códigos universais de conduta.

    Conclusão

    Não é o poder, ou até mesmo o domínio tecnológico e científico, que faz um homem ser pacífico e agir de determinada maneira. Mas aquilo que ele respeita; e isso vale tanto para ciência como para tradição. Atualmente, ambas são formas distintas de tribalismo. Estamos aprendendo que, em política, no sentido social das relações humanas, ter razão não basta. O capitalismo e sua preferência temporal pela razão está sujeita a condição humana, que sempre irá triunfar. A nova mão invisível é uma farsa.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.

  7. O problema é a desigualdade. O Brasil até hoje não tem conseguido incluir a maior parte da sua população nas benesses do mundo moderno. Obviamente esse é o grande ponto.

    A escravidão ainda persiste no Brasil. Ela persiste de novas formas. Ela persiste no sentido de que tem aqui uma multidão — mais de 50% da população brasileira — exercendo atividade semiqualificada. É trabalho manual, é trabalho sem grande incorporação de conhecimento, exatamente como o trabalho escravo. Essas classes populares são odiadas e desprezadas, como os escravos eram. A polícia mata os pobres e negros na favela e ninguém se comove porque os pobres e negros são percebidos de modo desumanizado, como os escravos eram. A escravidão perpassa o núcleo da sociedade brasileira. E boa parte da classe média tem preconceitos de senhor de escravo e da elite com relação a esse povo. O que eu tento mostrar é como essa escravidão se torna a base e o centro de tudo que a gente está vivendo hoje. Nós somos filhos da escravidão, isso nunca foi percebido. É como se fosse uma coisa que aconteceu há muito tempo e não tenha mais nada a ver hoje. É o contrário. A escravidão continua. Para mim, essa desigualdade doente de hoje vem da escravidão.

    Há uma grande mentira aí: a que diz que a grande questão que impede que o Brasil seja uma nação desenvolvida e rica, como as nações europeias ou a norte-americana, é a corrupção do Estado. Essa é a principal mentira. Isso foi construído por ideias, por intelectuais em São Paulo, desde a década de 1930, quando a elite local ficou sem o poder político. Essa elite já era a mais forte, era proprietária das indústrias, das fazendas de café — a semente do que hoje é o agronegócio. Sem poder político, essa elite precisava criminalizar e estigmatizar o Estado, sobre o qual havia perdido o controle.

    A corrupção no Estado nunca foi o nosso problema principal. É claro que existe, é claro que se rouba no Estado. Mas se você compara a merreca que a Lava-Jato diz ter recuperado para os cofres públicos com o que realmente se rouba no mercado, é ridículo. Seis anos passando um scanner na corrupção da Petrobras e se recupera menos do que a empresa pagou de multa para os americanos. As isenções fiscais para latifundiários somam dezenas de bilhões todos os anos. Para os bancos ainda mais. Sem contar a dívida pública, Selic etc. A corrupção feita pela elite de proprietários, pelo agronegócio e pelos bancos e grandes empresas é um milhão de vezes maior do que o roubo do aviãozinho do tráfico, que é como eu chamo o roubo do político.

    A Lava Jato é um embuste total. Ela serve exatamente para esse tipo de coisa, para denunciar esse roubo dos políticos e reforçar esta mentira, para tornar invisível o grande assalto do mercado e dos bancos. A corrupção sistêmica esta no mercado financeiro. Isso explica que os bancos tenham os maiores lucros de sua história, com um juro de 6,5% ao ano e o país na maior miséria.

    Jessé Souza é Doutor em sociologia pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e professor da UFABC .

  8. Sobre os livros: estão cada vez mais baratos e mais acessíveis. A Estante Virtual, por exemplo, reúne livreiros de todo o Brasil que podem vender livros novos e usados a preços baixíssimos sem mais a limitação geográfica; obras em outros idiomas, coisa da elite até poucos anos, podem ser comprados por algumas dezenas de reais.

    O livre-mercado vai além: a "internet" disponibiliza milhões — sim, milhões — de livros gratuitos em diversas línguas e você consegue aprender outros idiomas com aplicativos que não lhe custam um centavo e vivem de propaganda pouco intrusiva após cada lição — Duolingo faz isso!

    Se eu tivesse nascido em 1976, vinte anos antes, teria que comprar um curso d’O Globo de inglês e torcer para achar um livrinho em inglês em uma biblioteca municipal. Hoje? Tenho o recém-lançado livro do Shapiro no meu celular e custou mais barato que alguns livros em português.

    Graças ao livre-mercado e à tecnologia meus filhos serão quase todos poliglotas — e os seus também — ler vários livros em vários idiomas serão tão naturais amanhã como ter livros em casa é natural hoje…

  9. De que me adianta os mercados estarem bem abastecidos se me falta emprego e recursos monetários para satisfazer as minhas necessidades mais básicas? Na democracia capitalista o ser humano desempregado possui uma única liberdade: a de passar fome.

  10. Estado o Defensor do Povo

    Caraca às vezes eu me pergunto porque as abordagens sobre como um país enriquece diferem tanto de autor para autor, não sei se muitas vezes autores que fazem sucesso escrevem seus livros com a intenção de enganar mesmo, ou se são só frutos de erros humanos, estou lendo o “chutando a escada” de Ha-Joon Chang e percebo muito no livro dele que ele faz muita correlação sem provar o ponto dele, sem dizer o porquê daquilo, assim já li 1/3 do livro e até agora o livro é só isso, basicamente o que ele defende é que quanto mais protecionista um país é na sua indústria nascente, mais próspero ele se torna, quanto mais o Estado intervém, melhor, e lança o exemplo de inúmeros países europeus, Tigres Asiáticos e EUA, que eram protecionistas e tinham pesadas cargas tributárias no século XVII, XVIII e XIX, e que como eles enriqueceram, logo um causou o outro, mas não explica em termos econômicos como isso pode ser possível, e é fácil perceber no livro dele que ele peca muito nisso, omite muitas informações, não sei como tem tanta gente que leva aquilo tão a sério, eu sinceramente fico meio desconfortável de teorias completamente opostas coexistirem no campo da economia, desvaloriza muito ela como um campo de estudo, e fica muito mais difícil convencer as pessoas, porque é como se cada escola de economia fosse apenas um emaranhado de opiniões e que não existe certo e errado, aí esses caras que defendem protecionismo e Estado grande conseguem escrever qualquer livrinho que não tem uma forte base lógica e convencer muitos num passe de mágica, e é incrível como eles são muito mais eficientes nisso, enfim, só descontando minha frustração aqui no IMB.

  11. As pessoas comuns que acreditam nas narrativas da esquerda em geral são desinformadas, confusas, imaturas. As médias e altas lideranças da esquerda sabem que essas narrativas são apenas pretexto para abocanhar cada vez mais poder. É por isso que não importa quantas e quais melhorias ocorram, eles sempre reclamam cada vez mais.

    * * *

  12. Salvem o Ocidente

    O Brasil é um país Ocidental? E a America Latina?

    Segundo os gringos – ou melhor, o livro de 1996 chamado ” O choque de civilizações” a America Latina não é ocidental pois possuem valores,princípios e identidade própria. Alem de serem um mar de ditaduras e hiperinflação.

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