Com
a acentuada queda no prestígio dos políticos (antes tarde do que nunca!) e a
ascensão de líderes que tiveram uma passagem bem-sucedida pela iniciativa
privada, tornou-se um lugar-comum dizer que o eleitorado, cansado dos políticos
profissionais, agora está querendo
pessoas bem-sucedidas, de comprovada experiência administrativa, e capazes de
“impor eficiência à gestão do governo”.
A
ideia básica é a de que, ao se colocar um experiente administrador na condução
da máquina estatal, o governo poderá ser “mais bem gerenciado”.
Os
mais entusiastas da ideia chegam até mesmo a dizer que, sob o comando de um
experimentado empresário, o governo poderia ser gerido “como se fosse uma
empresa”.
Igualmente,
não é incomum ouvir vários políticos profissionais prometendo o mesmo: caso
sejam eleitos, irão gerenciar o governo “como se fosse uma empresa”.
Só
que isso atenta contra a mais básica lógica do funcionamento tanto do governo
quanto de empresas. Um governo não pode ser gerenciado “como se fosse uma
empresa” porque governos e empresas são intrinsecamente diferentes, para não
dizer opostos.
O funcionamento do governo
Um
governo é uma enorme organização com milhões de empregados e centenas de
divisões, como estatais, ministérios, secretarias, agências reguladoras,
autarquias, comissões etc. (No Brasil,
apenas o governo federal comanda 148
estatais, sem contar as outras 119
empresas que possuem participação do BNDES).
O
governo possui instalações e equipamentos a serem comprados e substituídos,
equipes a serem montadas e dirigidas, estratégias a ser formuladas e executadas,
e folhas de pagamento a serem cumpridas.
Sob
esse aspecto, ele realmente se assemelha a uma empresa. Mas as semelhanças
acabam aí. Todo o resto é completamente diferente.
Para
começar, o governo, por sua própria natureza, não opera com recursos próprios. O
governo é a única organização dentre todas as organizações que obtém suas
receitas não por meio da prestação de serviços voluntariamente adquiridos por
consumidores, mas sim por meio da tributação — isto é, por meio da coerção dos
cidadãos.
Mais:
ao contrário de empresas privadas, as receitas do governo independem da
qualidade dos serviços prestados.
Consequentemente,
o governo não está sujeito às demandas dos consumidores. Não há “soberania do
consumidor” no que diz respeito ao governo. Suas receitas são garantidas. Logo,
com receitas garantidas, o governo não está sujeito aos mecanismos de lucros e
prejuízos do mercado. O governo não tem de se preocupar com prejuízos ou risco
de falência; seus funcionários não precisam servir a ninguém senão a si próprios.
Por
não se guiar pelo mecanismo de lucros e prejuízos, e nem pelo sistema de
preços, tudo se torna um jogo de adivinhação dentro da burocracia do governo.
Por
exemplo, cada ministério, agência e secretaria possuem objetivos declarados.
Mas quão bem esses objetivos estão sendo cumpridos? O Ministério da Educação,
por exemplo, está satisfazendo seus “consumidores”? E o Ministério da Saúde? E
o Ministério da Justiça? E o Ministério da Fazenda? E o Ministério da Pesca? E
cada agência reguladora?
Os
burocratas responsáveis por cada um destes órgãos merecem elogios ou críticas?
O que constitui um “bom desempenho” em cada um destes órgãos?
Como
explicou Ludwig von Mises em seu livro Burocracia, estas perguntas são
fundamentalmente impossíveis de ser respondidas. Na melhor das hipóteses, podem
ser apenas estimadas segundo algum critério subjetivo, mas não podem apresentar
a mesma precisão das estimativas feitas em empresas privadas, pois as agências
do governo não vendem seus serviços no mercado concorrencial. O “consumidor”
dos serviços do governo não escolhe entre vários fornecedores, direcionando seu
dinheiro para aquela empresa que fornece os melhores produtos aos melhores
preços. Ao contrário: com o governo, o consumidor paga compulsoriamente por
tudo, goste ele ou não do serviço. Sendo assim, como avaliar o desempenho do
governo? Disse Mises:
Os objetivos da administração
pública não podem ser mensurados em termos monetários e não podem ser avaliados
por métodos contábeis. Na administração pública, não há conexão entre receitas
e despesas. Os serviços públicos estão apenas gastando dinheiro. As receitas
derivadas de tributos e taxas não são “produzidas” pelo aparato administrativo;
sua fonte é a lei e a atuação da Receita Federal, e não a qualidade dos
serviços prestados.
Dado que, dentro desta burocracia do governo tudo é um jogo de adivinhação, você
não sabe exatamente o quanto deve gastar em quê; você não sabe se há algum
objetivo racional naquilo que você está fazendo; você não sabe se este ou
aquele plano será bem-sucedido ou se irá fracassar completamente; você não sabe
onde cortar gastos caso tenha de fazê-lo; e você não sabe quais seções e quais
pessoas estão fazendo um bom trabalho e quais não estão.
O
setor público é um setor que, inevitavelmente, por pura lógica econômica,
sempre funciona às escuras, sem ter a mínima ideia do que faz, e sempre tendo
de fingir que está fazendo tudo certo.
Por
não operar de acordo com os sinais de preços emitidos pelo mercado, e por não
seguir a lógica do sistema de lucros e prejuízos, o governo simplesmente não
tem como avaliar e estimar o real valor econômico de qualquer coisa que faça. O
que a nação obtém em decorrência das despesas e dos serviços prestados pelo
governo não pode ser avaliado em termos monetários, por mais importante e valoroso
que tal “produto” seja. Essa avaliação dependerá exclusivamente dos critérios
estabelecidos pelo próprio governo — ou seja, das decisões pessoais e
arbitrárias de políticos e burocratas.
Por
tudo isso, os investimentos
do governo nunca poderão ser feitos da maneira correta, seus serviços nunca
serão prestados de maneira satisfatória, e sempre haverá desperdício de recursos
e gritante ineficiência.
Esta
é uma realidade inevitável. Não se trata de ideologia; é pura ciência
econômica.
Por
não ter esta racionalidade, as burocracias estatais sempre acabam seguindo os
caprichos do governo do momento, preocupadas exclusivamente em satisfazer as
demandas de políticos que visam apenas sua autopromoção e sua reeleição.
Consequentemente,
as burocracias estatais sempre estarão sob os auspícios de uma gente cujo
horizonte temporal é de no máximo quatro anos, e inevitavelmente se
transformarão em fábricas de desperdício, ineficiência, confusão e
ressentimento.
Por
isso, é impossível um governo brincar de
empresa. Empreender significa arriscar o próprio dinheiro em um
investimento. Significa auferir receitas de acordo com a qualidade dos serviços
prestados. Já burocratas e políticos não têm incentivos reais para desenvolver
habilidades empreendedoriais, para se ajustar de fato às demandas do consumidor. Eles
não arriscam a perda do próprio dinheiro no empreendimento.
De
resto, fora a questão dos incentivos, mesmo os mais ávidos administradores
estatais não poderiam operar como se fossem empreendedores
privados. Toda a operação estatal funciona com o dinheiro de impostos —
portanto, por meio da taxação coerciva. O governo, por sua natureza, já
nasceu com este grave defeito “enraizado” em seus órgãos vitais, e
nenhum empresário “bom gestor” pode mudá-lo. Ademais, o fato de que quaisquer
gastos futuros poderão ser feitos utilizando-se de receitas tributárias faz com
que as decisões dos administradores estejam sujeitas aos mesmos vícios. A
facilidade de se obter dinheiro irá inevitavelmente distorcer as operações.
O funcionamento de empresas
privadas
Já
empresas privadas que operam em ambiente concorrencial apresentam um
funcionamento completamente distinto.
Para
começar, a empresa só auferirá receitas e continuará existindo se convencer os
consumidores a voluntariamente lhe darem dinheiro de maneira contínua. E elas
só conseguirão fazer isso se oferecerem bens e serviços de qualidade a preços
considerados aceitáveis pelos consumidores. Ao contrário do governo, elas não
podem obrigar as pessoas a simplesmente lhe darem mais dinheiro caso estejam
necessitando.
Para
conseguir mais dinheiro, elas têm de satisfazer com ainda mais intensidade os
consumidores.
Adicionalmente,
no mundo do comércio, e ao contrário do mundo estatal, os sinais de preços
emitidos pelo mercado comandam as decisões. O sistema de lucros e prejuízos
mostra como os recursos escassos estão sendo empregados. Se corretamente, os
consumidores recompensam as empresas propiciando-lhes grandes lucros; se
erroneamente, os consumidores punem as empresas impondo-lhes prejuízos.
Uma
expansão ou um corte nos investimentos é algo que será guiado pelo balancete
das empresas. Não interessa se a empresa é grande ou micro: ela estará sempre
em busca da lucratividade. E a lucratividade sempre será, em última instância,
determinada pela decisão voluntária dos consumidores.
Empresas
privadas, ao contrário do governo, existem visando a apenas um objetivo
supremo: auferir lucros. A participação de empregados, fornecedores,
investidores e consumidores neste arranjo é estritamente voluntária. O capital
da empresa é propriedade privada. Lucros são obtidos e prejuízos são evitados
ao se produzir bens e serviços que os consumidores querem e estão dispostos a
comprar. Sob a concorrência, é possível mensurar o sucesso ou o fracasso de uma
empresa em termos monetários: basta olhar seu resultado contábil e o valor de
mercado de seus ativos, de suas ações e de seu patrimônio líquido. Tudo isso é
feito “automaticamente” pelo sistema de preços.
Um
bom administrador gera lucros para os proprietários da empresa; um mau gera
prejuízos. Os detalhes para cada caso específicos são diferentes e fascinantes,
mas o modelo geral é claro, direto e consistente.
As diferenças operacionais
Em
uma grande empresa, a busca pelo lucro gera uma combinação entre regras e
liberdade de ação. Os executivos fornecem as direções gerais, estabelecem
sistemas e procedimentos, recrutam gerentes e empregados, resolvem pendengas e
divergências, e se concentram na estratégia. Enquanto isso, delegam uma grande
medida das atividades diárias aos seus subordinados e às suas sucursais, os
quais têm mais liberdade de ação.
Já
no governo, toda esta estrutura é burocratizada e sem metas objetivamente
mensuráveis. As ações administrativas efetuadas por burocratas não têm valor
monetário no mercado. Não há um preço livremente estabelecido para elas. Seu
valor não pode ser mensurado por meio de uma transação de mercado.
Consequentemente, as medidas administrativas do governo não podem ser expressas
em termos de dinheiro.
O
gerenciamento objetivando o lucro e o gerenciamento burocrático requerem
habilidades completamente distintas e utilizam princípios de gerenciamento
completamente opostos. Por exemplo, sob um gerenciamento burocrático, os
processos de tomada de decisão devem ser estritamente hierárquicos, com muito
pouca liberdade de ação para os subordinados. E tem de ser assim, pois como
você saberia se as ações de seus subordinados irão contribuir para o desempenho
geral se você não tem um resultado financeiro para lhe guiar?
Sobre
isso, Mises afirmou que, na
burocracia estatal, “o vínculo entre superior e subordinado é pessoal. O
subordinado depende do juízo que o superior fará de sua personalidade, e não do
seu trabalho.” E fez a seguinte análise sobre a diferença operacional entre
sucursais privadas e agências estatais:
Não
é por causa da meticulosidade que as regulamentações administrativas determinam
quanto pode ser gasto por cada agência ou aparato estatal em coisas como
limpeza, reparo de móveis e equipamentos, iluminação e sistema de ar
condicionado.Em
uma grande empresa privada, tais coisas podem ser deixadas, sem hesitação, aos
critérios do administrador local. Ele não irá gastar mais do que o
necessário porque ele está utilizando, de certo modo, seu próprio
dinheiro. Se ele desperdiçar o dinheiro da empresa, ele colocará em risco
os lucros daquela sucursal e estará assim indiretamente prejudicando seus
próprios interesses.Por
outro lado, a situação é diferente para o chefe de uma agência estatal. Ao
gastar mais dinheiro, ele poderá aprimorar os resultados de seu
departamento. A parcimônia terá de ser imposta a ele por controle
governamental. E
isso quase nunca funciona.
Conclusão
Estudiosos
da administração pública já estão bem cientes do problema de se mensurar o
desempenho do setor público. Já há centenas
de monografias acadêmicas e livros sobre o assunto, o qual continua sendo
matéria de acalorados debates entre especialistas.
Porém,
quaisquer que sejam os métodos sofisticados que os pesquisadores inventem para
mensurar o desempenho do setor público — pesquisas de opinião, indicadores
secundários, estudos
randomizados controlados, simulações de computador etc. –, o fato é que
nenhum método pode contornar aquele problema fundamental: o governo e seus órgãos
não vendem seus serviços no mercado concorrencial para consumidores que
voluntariamente optam por comprá-los, não se direcionam pelo sistema de lucros
e prejuízos, e suas receitas não são auferidas de acordo com a qualidade dos
seus serviços.
Mesmo
com um excelente CEO no comando, nenhum governo pode ser gerenciado como fosse
uma empresa. E, sinceramente, nem mesmo deveríamos querer isso. Imagine um
governo extremamente eficiente em coletar impostos e impingir regulamentações draconianas?
Por
outro lado, não seria nada mau ter como presidente um CEO especializado em
vendas de ativos, alienação de participação societária, demissões,
liquidações e dissoluções.
Meu pai tem uma pequena empresa com 9 funcionários. Acreditem se quiser, mas ele precisa pagar um contador pra saber o quanto deve pagar para os imundos do estado. A coisa é braba demais.
Excelente texto, como sempre.
Estou me graduando este ano em Economia e gostaria de alguma sugestão de assunto para o TCC, que aliás será apresentado em uma universidade cheia de burocratas, um verdadeiro inferno. Todos os dias sou obrigado a escutar um monte de baboseiras que, se não fosse por Mises e grandes outros nomes, estaria aceitando aquelas idéias absurdas como algo natural.
Meus agradecimento a toda equipe do IMB.
Um dos sinais mais claros da diferença de empresas públicas e privadas fica estampada logo na entrada.
Enquanto empresas privadas mostram cartazes agradecendo o cliente, pedindo que volte sempre, as públicas mostram ameaças de prisão pra quem desrespeitar funcionários públicos. Não podia ser mais explícito!
Muito bom!
Sobre isso, no Brasil, multinacionais possuem até dificuldades em se adaptar a tanta burocracia e ineficiência. Geralmente têm que contratar um especialista local no assunto.
Bom dia pessoal,
Alguém tem um bom livro de historia econômica geral pra indicar? ([email protected])
O governo funciona como uma empresa(monopólio)…
Problema é que ela tem tempo, coisa que empresas privadas não tem.
Ela tem um intervalo de tempo muito grande pra receber as consequências do seus atos.
Agora imagine se esse tempo que os governos tem fosse reduzido. Imagine se num vacilo o governante fosse substituído imediatamente.
Quanto menor esse tempo, a busca e manutenção pelo poder(lucro) forçaria os governantes a se tornarem mais eficientes.
O lucro dos governantes é o poder… ninguém quer perdê-lo.
Na realidade a gente não precisa do Legislativo. Hoje com a Tecnologia da Informação o próprio povo poderia desempenhar um papel melhor do que o Legislativo.
Antes da TI seria até plausível você eleger “representantes do povo”, mas hoje o próprio povo com seus celulares poderia votar e decidir sobre questões que o Legislativo se propõe a discutir(e que acaba virando um jogo de interesses).
A nossa democracia poderia ter sua “arquitetura” redesenhada.
Acho que o IMB poderia trabalhar nesse sentido…porque só criticar o governo e propor sua extinção não vai chegar a lugar algum.
Bom texto, deixo somente uma observação: não confunda LUCRO com OBJETIVO, isso é RESULTADO! O OBJETIVO de uma empresa e a forma de como ele nos é apresentado é que vai definir o seu futuro – seja lucro, caso nos agrade, ou prejuízo, caso não!
“Por outro lado, não seria nada mau ter como presidente um CEO especializado em vendas de ativos, alienação de participação societária, demissões, liquidações e dissoluções.”
Aquele personagem do George Clooney em “Up in the Air” seria o ideal.
Em uma palavra, o governo não tem aquilo que empresas possuem: métrica.
Parece que vocês adivinharam o que ocorreu comigo. Explico: Certa hora, estávamos discutindo sobre o programa “Luz para Todos” (que na minha opinião é um belo presente de grego as distribuidoras). Defendi a ideia que é o tipo de investimento que nunca se pagará e que a população que ficará com o prejuízo, pois além do consumo nos povoados serem menores (portanto não pagando o investimento), ainda há os subsídios. Só faltaram me engolir! Tentei argumentar que se os mesmos abririam uma empresa para não terem lucro e veio aquele blablablá de social, até que um soltou: O governo (ou seja, nós) tem a OBRIGAÇÃO de fornecer energia!
Por que é impossível o governo ser gerenciado "como se fosse uma empresa"
Pelo simples fato de que se um parasita for detectado numa empresa privada ele é imediatamente posto para fora.
E é este também o motivo pelo qual existe Estado: é lá que os parasitas sobrevivem.
Mises já foi refutado alguma vez? E Marx?
O “problema” é mais embaixo.
Senhores, qual é a opinião de vocês sobre quem conbateria o terrorismo em uma “nação” anarcocapitalista? Como vocês imaginam que seria o combate ao terrorismo ou ao tráfico de pessoas, por exemplo.
Recado para partido NOVO e afins.
Realmente administrar um pais com dimensões continentais e fazer que quase tudo dê certo, é algo além de qualquer expectativa.
Isso que dá acreditar na administração feita pelo governo:
g1.globo.com/google/amp/g1.globo.com/economia/seu-dinheiro/noticia/caderneta-de-poupanca-passa-a-render-menos-a-partir-de-7-de-setembro.ghtml
Aliás, eu estou surpreso que isso não aconteceu bem antes.
“as medidas administrativas do governo não podem ser expressas em termos de dinheiro.”
Mas podem ser mensuradas subjetivamente: existe a hipótese do povo aprovar os serviços.
Como provar, nesse caso, que são ineficientes ?
Meus cumprimentos a todos.
Gostaria de saber a posição da Escola Austríaca quando se depara com o seguinte argumento: os países hoje desenvolvidos pregam o livre comércio mas, em suas origens, a proteção à indústria nascente através de tarifas foi o grande responsável pela industrialização e, quando afirmam que os países em desenvolvimento hoje devem ser livres estão apenas garantindo que estes não se tornarão maiores.
Desde já agradeço.
Existe uma possibilidade de gestão empresarial: Quando um governo trabalha com recursos próprios em situação concorrencial. Em verdade, são parcos exemplos contemporâneos: Liechtenstein (com o Banco Nacional); Mônaco (com o Cassino Monte Carlo); os Estados do Golfo (ARAMCO, Mubadala, ICD, ADNOC). Uma gestão adequada, não direcionada a produzir “bem-estar social”, e sim lucros que possam ser revertidos ao estado, tem uma chance de ser eficiente. Nada disso funciona, naturalmente, se a empresa governamental obtiver privilégios específicos – inclusive, mas não apenas, a possibilidade de não falir, ou um monopólio legal.
Quais seriam os passos que vocês recomendariam para um país, por exemplo, a Libéria, alcance o estado do desenvolvimento ?
Pegando o gancho do economista,por favor,alguém poderia me explicar a questão do PIB?(sabendo que não é um indicador ideal para medir riqueza e tal).O colega falou o que geraria um crescimento robusto seria o investimento estrangeiro,mas o que vemos são os economistas falarem que o carro chefe é o consumo das famílias,representando 60 a 65% do PIB,governo 20% é FBCF 15% e Exp x Imp seria insignificante?O que até tem relação com outra divisão?O agro 5%,Indústria 15% é o restante serviço.Ja adianto que sou leigo.Estou aprendendo aqui no IMB com seus excelentes artigos e nos comentários dos amigos!
Também aceito recomendações [email protected]
O pessoal da IMB pretende traduzir o “Bureaucracy” do Mises?
É de partir a rir o mises apresentar as empresas estatais como cabides de emprego, como se as privadas não rstuvessem também cheias de penduras que não fazem nafa e vivem á custa dos trabalhadores e dos clientes.
Imagine se você só pudesse trocar de supermercado a cada quatro anos. Como seriam os preços, a qualidade e variedade dos produtos e o atendimento?
Pior, imagine se somente a cada quatro anos você pudesse trocar, não de supermercado, mas apenas a administração do supermercado.
Pior, se a escolha tivesse que ser entre um conjunto de equipes administrativas na sua maioria semelhantes e algumas até compostas por criminosos psicopatas.
Pior, se essa escolha dependesse de uma votação e a maioria escolhesse acreditando em promessas furadas e por critérios insanos (“vote nela porque ela é mulher”).
Essa é a diferença entre o Estado e o livre mercado.
Por outro lado, na iniciativa privada existe a terceirização; o paralelo da iniciativa pública seria a privatização. Seria ótimo um presidente que privatizasse tudo que pudesse e minimizasse o Estado tanto quanto possível.
* * *
É como colocar um piloto campeão de fórmula 1 pilotando um fusca e pedir para ganhar a corrida!
Sou formado na área de TI, nada a ver com economia, mas tenho um prazer imenso em ler Mises, Friedman, Hayek, os artigos deste site, etc. Inacreditável que toda essa base de conhecimento econômico ficou inacessível no Brasil nos últimos 40 anos.
Pois é;
um Trump da vida pode, nas suas empresas, demitir funcionários incompetentes.
Quero ver ele fazer isso no estado…
“Estudiosos da administração pública já estão bem cientes do problema de se mensurar o desempenho do setor público. Já há centenas de monografias acadêmicas e livros sobre o assunto, o qual continua sendo matéria de acalorados debates entre especialistas.”
Graças a Jesus tem especialistas! Refutando aquela tese de que o meio acadêmico só tem esquerdista.
“Mesmo com um excelente CEO no comando, nenhum governo pode ser gerenciado como fosse uma empresa. E, sinceramente, nem mesmo deveríamos querer isso. Imagine um governo extremamente eficiente em coletar impostos e impingir regulamentações draconianas?
Por outro lado, não seria nada mau ter como presidente um CEO especializado em vendas de ativos, alienação de participação societária, demissões, liquidações e dissoluções.”
Tô rindo, engraçadinhos
Vejam aos 1:30 o pica pau ilustrando o funcionamento do governo: youtu.be/w2wdQ_S9_C0
Mas apesar de tudo é melhor um bom gestor no governo do que um político demagogo. Há diferenças, mas há semelhanças também. E as receitas do governo flutuam de acordo com a atividade econômica, sendo possível ser mais ou menos bem sucedido em gerar receitas e em realizar gastos, correntes e de investimentos. Aí veem os parlamentares e impõem gastos sem noção… aí não ter bom gestor que aguente.
O texto está certo.
Uma empresa privada visa o lucro.
O estado não visa o lucro, visa atender às necessidades da população.
Ora, destruído o mecanismo de preço, vai para o espaço qualquer possibilidade de cálculo valorativo de um determinado bem/serviço. A taxa tributária é o "preço" pago "involuntariamente" pela funcionalidade do estado e suas contrapartidas. Pagamos por toda a máquina em troca de serviços – geralmente – básicos, em seus mínimos, ou geralmente inexistentes. O artigo lembra-nos que, mesmo que escolhêssemos uma direção liberal/libertária para o país, a existência do estado per si, ainda seria um peso tremendo para a sociedade.
Mais do que provada a ineficiência do estado enquanto gestor. Todos sabemos disso.
Somente uma coisa permanece e não se pode esquecer que o estado DEVE existir como garantidor da vida, da propriedade e da liberdade. Não é possível sequer imaginar o mundo atual sem a presença das forças armadas, das polícias e do judiciário.
Estamos no início da caminhada liberal e nossas lideranças precisam entender isso. Não se esqueçam, mas no mundo real temos uma China ativa, movimentos de esquerda revolucionários extremamente ativos, bandidos armados de toda a sorte prontos para usurpar a sua propriedade privada e um mundo Islâmico que não reconhece liberdades individuais como a entendemos.
Somente um tolo poderia levar a abolição completa do estado no atual estágio em que nos encontramos.
Bom dia. Sei que o assunto a princípio parece não ter correlação com o artigo mas gostaria que voces comentassem a notícia abaixo ou até mesmo que o Mises Brasil fizesse um artigo analisando o assunto. Deixo com vocês, abaixo:
g1.globo.com/educacao/noticia/grupo-de-doutores-quer-mudar-regra-que-obriga-bolsista-do-governo-a-voltar-ao-brasil-nao-e-fuga-de-cerebros.ghtml
Eu trabalho numa empresa pública que opera num mercado competitivo (“não tem” clientes compulsoriamente cativos)
Temos rígido controle interno de gastos e indicadores (não conseguimos comprar um parafuso sem 3 orçamentos; ganhamos prêmios de competitividade e elogios de alguns consumidores)
Contabilmente, lucramos (às vezes até emprestamos pro governo do estado)
Nosso quadro de funcionários é “enxuto”
Considerando esses fatores, pergunto: Por que o desempenho dessa empresa não pode se igualar à de uma privada ?
Volto a frisar: não recebemos aporte do governo, e
expulsamos com fulgor funcionários incompetentes.
Por que deveríamos privatizar essa empresa ?