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O que realmente faz com que os preços subam continuamente? Eis a explicação para o Brasil

Nota do editor

O artigo abaixo foi originalmente publicado em março de 2017. À época, o país saía de dois anos seguidos de profunda recessão e alta inflação de preços: o IPCA fora de 10,67% em 2015 e de 6,29% em 2016. Como consequência deste arranjo “atípico” (recessão com inflação), teorias bizarras começaram a surgir, como “dominância fiscal” e “Selic alta é a causa da inflação” (ambas discutidas abaixo). Quase nove anos depois, o artigo ainda é extremamente pertinente para discussões atuais no Brasil sobre o custo de vida.


O leitor mais bem dotado de memória há de se lembrar como eram os preços das coisas
assim que o real surgiu, em julho de 1994. Os que não viveram a época podem facilmente recorrer à internet para pesquisar.

Pessoalmente, lembro-me de, ali por volta de 1995, almoçar em um restaurante self-service e pagar algo em torno de R$ 2,50. O preço do quilo era de R$ 6,50. Também àquela época, você podia ir a um restaurante, comer picanha importada para duas pessoas, tomar cinco cervejas, pedir sobremesa, e pagar uma conta final de não mais que R$ 15,90.

Eis algumas informações encontradas sobre os preços daquela época:

a) O arroz custava R$ 0,64 o quilo. O pão francês, R$ 0,09 a unidade. O filé mignon, R$ 6,80 o quilo.

b) Uma ida a uma churrascaria rodízio variava de R$ 13 a não mais que R$ 24.

c) Um filé à parmegiana para duas pessoas saía por R$ 8,90, e a caipirinha para acompanhar, R$ 0,55.

d) Fartos pratos de coração de frango a R$ 1,90, costela de porco a R$ 2,60, e filé com fritas a R$ 8,90 eram a regra.

e) Para os não-carnívoros, o filé de peixe custava R$ 9,45, o camarão ao molho saía por R$ 16,90, e a mais refinada lagosta não passava de R$ 19,70.

f) Uma dose de uísque 12 anos custava R$ 3,25 e uma caipiroska com vodka, R$ 0,70.

g) Para completar, biscoito cream cracker custava R$ 0,75 e o açúcar, R$ 0,39.

Deixemos de lado o setor gastronômico e vamos para o resto da economia:

h) Um bom amaciante custava R$ 0,69.

i) Um ingresso de cinema, R$ 5.

j) As tarifas de ônibus variavam de R$ 0,29 a R$ 0,54. Já a gasolina custava R$: 0,55 o litro.

k) Um carro Gol 1.0 custava R$: 7.243.

l) Um apartamento de três dormitórios? R$ 94 mil.

Ano 2000

Avancemos agora para o ano 2000. Naquele ano, uma cerveja Brahma, lata de 350 ml, custava R$ 0,57. A Kaiser Long Neck, 355 ml, R$ 0,45. Guaraná Antarctica, R$ 0,54. Picanha bovina, R$ 8,90 o quilo. Alcatra, R$ 5,90 o quilo. Pneu da marca Pirelli 175/13, R$ 56,90 a unidade

Investigando as causas

Desnecessário dizer que os preços de absolutamente todos esses produtos estão hoje muito maiores. Alguns produtos encareceram com mais intensidade (como os alimentos) e outros, com menos (como as roupas e os itens domésticos). Mas, em comum, todos encareceram.

Hoje, você não mais encontra nenhum restaurante self-service cujo preço do quilo seja R$ 6,50, como era em 1995. Tampouco consegue comer com apenas R$ 2,50 (meu prato hoje não sai por menos de R$ 30). E muito menos encontrará um carro zero a menos de R$ 8.000.

Igualmente, você não mais encontra — como encontrava no ano 2000 — sabonete de marca a R$ 0,32, escova de dente a R$ 1,65, toalha de rosto a R$ 1,90, creme de barbear a R$ 2,20, xampu a R$ 2,25, desodorante, camisa regata e toalha de banho a R$ 3,90, calça jeans a R$ 8,90, tênis a R$ 12,90, calça social a R$ 14,90

Segundo o IBGE, a inflação de preços (IPCA) acumulada de julho de 1994 a outubro de
2021 foi de 602%. Isso significa que os preços de todos os bens e serviços, na média, septuplicaram.

Igualmente, de janeiro de 2000 a outubro de 2021, o IPCA acumulado foi de 278%, o que significa que os preços mais do que triplicaram nesse período.

Mas agora vêm algumas constatações lógicas e cruciais:

1) Os preços de todos os bens e serviços aumentaram 7 vezes desde 1994; no entanto, tamanho encarecimento não gerou redução da demanda. Ao contrário, aliás: a demanda por bens e serviços é crescente desde 1994;

2) Os preços aumentaram mesmo tendo havido um grande aumento da oferta de bens e serviços; hoje, há muito mais restaurantes a quilo, e há muito mais variedade e quantidade de roupas, carros e de itens domésticos à venda. Em tese, tamanho aumento da oferta deveria para ter gerado redução de preços. No entanto, os preços subiram;

3) Se houve tamanho aumento de preços mesmo com um grande aumento da oferta, e se tal aumento de preços não reduziu a demanda (ao contrário, a demanda aumentou), então a única conclusão lógica possível é que a demanda da população aumentou ainda mais que o aumento dos preços.

4) Agora, então, a questão passa a ser: o que permitiu esse aumento da demanda das pessoas?

5) Se o aumento de preços não foi o suficiente para diminuir a demanda, então, por definição, o aumento de preços foi acompanhado de um aumento da renda. Mais ainda: a renda aumentou mais que o aumento dos preços.

Temos, então, a primeira resposta: o aumento da renda da população — que levou a um aumento da demanda — foi maior que o aumento dos preços.

Afinal, dado que o aumento dos preços não foi suficiente para reduzir a demanda, e dado que os preços aumentaram mesmo tendo havido um aumento da oferta, então a conclusão lógica é que a renda aumentou muito mais que o aumento dos preços.

E os preços só aumentaram menos que a renda porque houve aumento da oferta, o que restringiu um pouco o aumento dos preços.

Feito esse básico exercício de lógica, façamos então a pergunta suprema, cuja resposta a tudo irá solucionar: o que realmente gerou esse aumento da demanda/renda da população, que fez também aumentar os preços?

Aquela variável presente em todas as transações

Para responder a essa pergunta, é necessário analisar o que houve com aquela variável que está presente em toda e qualquer transação econômica: o dinheiro.

Para isso, façamos um silogismo.

Primeira premissa: o dinheiro está presente em todas as transações econômicas (inclusive nas compras a crédito, que também envolvem a promessa de pagar dinheiro em uma data futura).

Segunda premissa: quanto mais dinheiro há na economia, mais as pessoas podem demandar bens e serviços com este dinheiro.

Terceira premissa: dado que o dinheiro está presente em todas as transações econômicas, e dado que quanto mais dinheiro há na economia mais as pessoas podem demandar, então, por definição, qualquer aumento na quantidade de dinheiro irá inevitavelmente provocar alterações naquele número mágico que baliza todas as transações e que tende a equilibrar oferta e demanda: os preços.

Logo, a conclusão é que qualquer investigação que aborde a questão da variação dos preços tem obrigatoriamente de levar em conta a variável dinheiro.

E tal conclusão é perfeitamente lógica: os preços de todos os bens e serviços de uma economia só podem aumentar de maneira continuada, sem que isso afete o consumo, se a quantidade de dinheiro em posse das pessoas também aumentar de maneira continuada.

Se o preço de um prato de comida em um restaurante a quilo saltou de R$ 6,50 para R$ 30 ao longo de duas décadas, ou se o preço de uma ida ao supermercado saltou de R$ 80 para R$ 400 e ainda assim o consumo não declinou (ao contrário, aumentou), então tal fenômeno só foi possível porque a quantidade de dinheiro em posse das pessoas (consumidores) aumentou.

Apenas imagine se todas as pessoas do país tivessem hoje a mesma quantidade de dinheiro que tinham em julho de 1994. (Lembra-se de quão raras eram as cédulas de 50 reais? As de 100 reais, então, eram praticamente peças de ficção). Apenas imagine que a quantidade de dinheiro que existia em julho de 1994 houvesse sido congelada e mantida imutável até hoje (março de 2017). Pergunta: haveria como ter essa cavalgada de preços? Haveria como os preços subirem mais de 5 vezes?

Se os preços quintuplicassem, mas a quantidade de dinheiro em posse das pessoas não se alterasse, então, por definição lógica, não haveria como ter consumo em massa. As pessoas gastariam tudo comprando alimentos para sobreviver e só. Não sobraria dinheiro para mais nada. Ninguém venderia roupas, carros, toalhas, sabonetes, televisores, computadores, notebooks, smartphones etc.

Logo, não haveria como os preços de todos estes itens também subirem. Ao contrário, aliás: estes preços teriam de cair para ao menos conseguir atrair algum consumidor. Para cada aumento nos preços dos alimentos teria de haver uma redução nos preços de todos os outros itens de consumo.

Vale enfatizar: se a quantidade de dinheiro na economia fosse fixa e imutável, seriamimpossível haver aumentos de preços generalizados. Se um setor aumentasse os preços, os outros teriam de diminuir. Caso contrário, ficariam sem consumidores.

Ou seja, com a quantidade de dinheiro fixa, não há como haver aumentos contínuos e generalizados de preços.

Consequentemente, o fato de que todos os preços subiram por um fator de 7, e ainda assim o consumo se manteve crescente, permite apenas uma conclusão: a quantidade de dinheiro em posse das pessoas aumentou. E muito.

E os preços só subiram tanto porque essa quantidade de dinheiro em posse das pessoas (demanda) aumentou.

O aumento da oferta monetária

Tendo entendido a lógica por trás da teoria, passemos à empiria. Comecemos pela forma mais simples de dinheiro. O gráfico a seguir mostra a evolução da quantidade de cédulas de papel e de moedinhas metálicas na economia brasileira desde janeiro de 2002, com a criação do real. Todos os dados são do Banco Central.

Gráfico 1: Evolução da quantidade
de papel-moeda em poder de pessoas e empresas | Fonte: Banco Central

Observe que, em janeiro de 2002, havia R$ 30 bilhões em papel-moeda na economia. Em janeiro de 2026, havia R$ 310 bilhões. Isso representa um aumento de 93 vezes, o que dá, em termos percentuais, um aumento médio de mais de 38% ao ano.

Passemos agora à segunda forma mais simples de dinheiro: os depósitos em conta-corrente, os quais podem ser sacados em dinheiro em caixas automáticos ou podem ser utilizados como meio de pagamento por meio de cheques e cartão de débito.

Gráfico 2:
Evolução dos depósitos em conta-corrente | Fonte: Banco Central

Observe que, em janeiro de 2002, havia aproximadamente R$ 50 bilhões em dinheiro depositado nas contas-correntes. Em janeiro de 2026, havia aproximadamente R$ 325 bilhões. Isso representa um aumento de 5,5 vezes, o que dá, em termos percentuais, um aumento médio de 23% ao ano. (Mais abaixo comentarei sobre aquela brutal queda ocorrida a partir de 2015).

Para não aborrecer o leitor, irei poupá-lo da repetição deste mesmo processo para os depósitos a prazo e para todos os depósitos em fundos DI, fundos de renda fixa, fundos multimercado, fundos cambiais, fundos de ações etc. O raciocínio é idêntico. A taxa de crescimento é semelhante.

O que é realmente importante aqui é notar como a quantidade de dinheiro na economia aumentou vigorosamente nestes quase 23 anos de real. Ao passo que os preços (IPCA) praticamente se multiplicaram por 7, a quantidade de dinheiro na economia foi multiplicada por 33 (depósitos em conta-corrente), 26 (depósitos em caderneta da poupança) e 56 (papel-moeda em poder das pessoas e das empresas).

Este vigoroso aumento da quantidade de dinheiro na economia explica não só todo o contínuo aumento de preços ocorrido, como também o fato de que o consumo seguiu crescente mesmo com todo este aumento de preços. Com as pessoas tendo cada vez mais dinheiro em sua posse, e com essa quantidade de dinheiro aumentando mais rapidamente do que os preços, a demanda não se retraiu em decorrência do aumento de preços.

E por que os preços aumentaram menos que o aumento da quantidade de dinheiro? Por causa da oferta crescente de bens e serviços. Felizmente houve crescimento econômico durante este período, o que significa que empreendedores investiram e produziram cada vez mais, e assim aumentaram a oferta de bens e serviços disponíveis.

Fazendo uma matemática meio grosseira, mas ainda assim válida, podemos dizer que, se não tivesse havido nenhum crescimento econômico — ou seja, se a economia de hoje fosse exatamente a mesma de 1994 –, mas a quantidade de dinheiro houvesse crescido exatamente como visto acima, então os preços hoje seriam muito maiores. Provavelmente, o IPCA teria aumentado entre 26 e 56 vezes.

Quem aumenta a quantidade de dinheiro na economia?

Está completamente fora do escopo deste artigo explicar em detalhes como o dinheiro é criado e jogado na economia. Este Instituto possui vários artigos específicos sobre isso (recomendo este, este e este).

Em nome da brevidade, podemos apenas dizer que todo o processo está sob o direto controle do Banco Central. É o Banco Central quem tem o monopólio de criar dinheiro, de repassar esse dinheiro ao sistema bancário, e de estimular os bancos a fazerem empréstimos para pessoas, empresas e governo.

Os bancos, por sua vez, literalmente multiplicam esse dinheiro recebido do Banco Central e o jogam na economia na forma de empréstimos para pessoas, empresas e governo. Mais especificamente, por meio de um processo complexo chamado de “reservas fracionadas“, o Banco Central possibilita que os bancos criem dinheiro eletrônico em cima do dinheiro (físico e eletrônico) que receberam do Banco Central e o emprestem para pessoas, empresas e governo. Os bancos, portanto, multiplicam o dinheiro recebido do Banco Central e jogam esse dinheiro na economia na forma de empréstimos.

Esse novo dinheiro criado pelo Banco Central e pelo sistema bancário será repassado a pessoas, empresas e governo na forma de empréstimos e, em seguida, será gasto por estas entidades, entrando permanentemente na corrente de gastos da economia, aumentando preços.

Assim, o Banco Central e o sistema bancário que ele controla acabam, na prática, “imprimindo” dinheiro e jogando esse dinheiro na economia na forma de empréstimos. É assim que o dinheiro entra na economia, e majoritariamente na forma de dígitos eletrônicos. São esses dígitos que estão nas nossas contas bancárias, seja na conta-corrente, seja na conta-poupança, seja nos depósitos a prazo ou nos fundos de investimento.

Todo o processo de expansão de crédito, portanto, nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de dinheiro na economia. Quando os bancos emprestam para pessoas, empresas ou governo, a quantidade de dinheiro na economia aumenta. Se a concessão de empréstimos ocorrer a um ritmo maior que a quitação destes empréstimos, a quantidade de dinheiro na economia aumentará continuamente. Caso as quitações sejam maiores que as concessões, a quantidade de dinheiro na economia irá diminuir.

Portanto, respondendo à pergunta do título desta seção, quem aumenta a quantidade de dinheiro na economia é o sistema bancário em conjunto com o Banco Central. Porém, e essa é a conclusão mais importante, quem dá toda a sustentação ao processo — quem literalmente cria dinheiro do nada e repassa esse dinheiro aos bancos, permitindo que eles então expandam o crédito continuamente — é o Banco Central.

Não houvesse um Banco Central com o poder de imprimir dinheiro infinitamente — e o Banco Central realmente pode imprimir dinheiro o quanto quiser –, os bancos não poderiam emprestar continuamente a pessoas, empresas e governo. Consequentemente, a quantidade de dinheiro na economia teria um crescimento extremamente limitado.

Para finalizar esta seção, eis o gráfico da evolução da base monetária, que representa todo o dinheiro criado pelo Banco Central e entregue ao sistema bancário. Trata-se de uma variável que está totalmente sob o controle do Banco Central. É sobre a base monetária que todo o sistema bancário, coordenado e protegido pelo Banco Central, irá criar mais dinheiro eletrônico (via expansão do crédito), expandindo a quantidade total de dinheiro na economia. É a criação da base monetária o que dá sustento a todo o aumento da quantidade de dinheiro na economia.

Gráfico 3: Evolução da base monetária | Fonte: Banco Central

Observe que, em julho de 1994, a base monetária era de aproximadamente R$ 10 bilhões. Em janeiro de 2026, a base monetária já estava em R$ 425 bilhões. Isso representa um aumento de 42 vezes, o que dá, em termos percentuais, um aumento médio de 133% ao ano. Eis aí, portanto, a verdadeira raiz de toda a inflação de preços.

A definição correta de inflação

A definição correta de inflação é “aumento da oferta monetária” ou “aumento da quantidade de dinheiro na economia”. O próprio termo ‘inflação’ denota que a quantidade de dinheiro na economia foi ‘inflada’. Quando a quantidade de dinheiro na economia aumenta, isso, por si só, já é uma ‘inflação’.

É essa inflação da oferta monetária o que pressiona os preços para cima. Quando a quantidade de dinheiro na economia aumenta, o valor de cada unidade monetária diminui. A moeda perde poder de compra. Se a moeda perde poder de compra, então, por definição, você precisará de mais moeda para comprar o mesmo tanto de antes.

Portanto, eis a conclusão crucial: o aumento de preços é uma consequência da inflação monetária. Inflação não é sinônimo de aumento de preços. O aumento de preços é uma consequência da inflação.

E isso não é uma mera pendenga semântica. É algo muito sério. Se você não define exatamente qual é o problema, você não tem a menor chance de resolvê-lo corretamente. Se inflação é “aumento de preços”, então a solução para este problema não tem nada a ver com a quantidade de dinheiro na economia, mas sim com coibir o comportamento “maldoso” de empresários, que insistem em elevar seus preços sem nenhum motivo, levados apenas pela ganância. Se inflação é “aumento de preços”, então a solução para este problema pode perfeitamente ser o congelamento de preços ou a imposição de um teto para os preços de qualquer bem.

Saber a diferença entre inflação e aumento de preços é tão importante quanto compreender corretamente as causas de uma doença. É a diferença entre saber o que causa todos os sintomas desta doença (e o que deve ser feito para eliminar a fonte dos sintomas) versus tentar atacar apenas os sintomas.

Definir inflação como aumento de preços é o mesmo que pensar que ‘doença’ significa um aumento da temperatura do corpo apontada pelo termômetro, o que implicaria que a solução seria simplesmente colocar o termômetro na geladeira.

O vácuo do debate

É apenas quando se entende tudo isso, que você finalmente percebe como são vazios e desnecessários alguns debates que, com frequência, invadem a mídia e o mundo acadêmico. Na ânsia de querer explicar um fenômeno pontual e passageiro, teses esquisitas — algumas bizarras — são criadas e propagadas aos montes.

No início de 2016, com a economia em recessão, juros altos e o IPCA em 10%, ganhou força uma tese de que o Brasil estaria vivenciando uma “dominância fiscal“. Segundo essa teoria, a carestia continuaria alta enquanto o governo continuasse apresentando déficits orçamentários e endividamento crescente. Enquanto os déficits não fossem zerados e a dívida não começasse a cair, o IPCA não só jamais cairia como subiria cada vez mais aceleradamente.

Pois bem. O tempo passou, os déficits e o endividamento do governo só pioraram e, no entanto, o IPCA caiu de 10,71% para 2,7% ao fim de 2017, o menor nível desde a adoção do câmbio flutuante, em 1999. Pela tese da “dominância fiscal”, isso jamais poderia ocorrer.

Atualmente (novembro de 2021), com a nova disparada do IPCA, esta tese ressurgiu das cinzas. Mas, ora, basta visualizar os gráficos 1, 2 e 3 para entender que a causa da disparada atual do IPCA é simplesmente o fato de a oferta monetária ter aumentado impressionantes 50% em um período de 12 meses — consequência do Orçamento de Guerra adotado em resposta à Covid-19). 

Essa explosão na oferta monetária pressionou os preços de todos os bens e serviços, inclusive e principalmente o câmbio (o dólar é um bem como qualquer outro).

Realmente, não há nada de atípico na atual carestia. É apenas a consequência da expansão monetária, como a teoria sempre explicitou.

Logo, como diria Paulo Francis, a tese da dominância fiscal é mais uma que “despontou para o anonimato”.

Outra tese esdrúxula também surgiu recentemente [2017] e foi aventada por André Lara Resende, um dos criadores do real. Segundo ele, a inflação estaria alta porque a SELIC está muito alta. Apenas se a SELIC fosse diminuída para algo próximo de zero — sim, ele falou isso — é que o IPCA começaria a cair. 

Esta, sinceramente, dispensa comentários. Desde a publicação do artigo de Lara Resende (em janeiro de 2017), o IPCA alcançou sua menor taxa (2,7%) quando a  SELIC estava em 9,25%. Desde então, a SELIC caiu para 2% e o IPCA voltou a subir (na verdade, disparar).

Os gráficos abaixo desenham a relação direta entre SELIC e IPCA:

Gráfico 4: evolução mensal da SELIC | Fonte: Banco Central

Gráfico 5: evolução mensal do IPCA | Fonte: Banco Central

Sempre que a SELIC (primeiro gráfico) está subindo e alcança um ápice, o segundo gráfico (IPCA) passa a cair. E vice-versa. Dado que a SELIC afeta a quantidade de dinheiro na economia, então é óbvio que alterações na SELIC irão alterar o comportamento do IPCA.

Por fim, quem também surpreendentemente entrou no clima foi a competente dupla Marcos Lisboa e Samuel Pessoa. Em artigo para o Valor, a dupla comprou a tese de que empresários podem gerar aumentos contínuos de preços: basta que suas expectativas sejam a de que a inflação de preços irá se acelerar no futuro. Ato contínuo, os empresários saem remarcando preços e, voilà!, a economia entra em uma espiral de aumento acelerado de preços e nada mais segura.

Qual o erro em comum destas três teorias? Elas aparentemente foram criadas ad hoc para tentar explicar um fenômeno — preços em forte ascensão em um cenário de juros altos e de forte recessão — que era pontual, passageiro e de causas bem definidas.

Para entender por que todos esses economistas estão errados e onde erraram, basta voltar ao gráfico 2:

Gráfico 2:
Evolução dos depósitos em conta-corrente | Fonte: Banco Central

O gráfico mostra a evolução da quantidade de dinheiro nas contas-correntes dos bancos. Essa modalidade é importante porque mostra a quantidade de dinheiro prontamente disponível para empresas e pessoas consumirem e investirem. Como se trata de uma aplicação que não paga juros, o dinheiro em conta-corrente representa aquele dinheiro que está sendo continuamente transacionado na economia. 

Quando essa quantidade de dinheiro está crescendo, isso significa que as empresas estão com mais capital de giro e com mais dinheiro disponível para investir e ampliar sua capacidade produtiva, e as pessoas estão com mais dinheiro pronto para ser gasto em consumo. Já quando a quantidade de dinheiro está diminuindo, isso significa que as pessoas e empresas estão retirando dinheiro da conta-corrente e aplicando em outras modalidades, como CDB, LCI, LCA, fundos de investimento e títulos do Tesouro, para se aproveitar dos juros. Ou seja, as empresas não estão dispostas a investir na economia e as pessoas não estão dispostas a gastar.

Repare que, quando a SELIC aumenta (2003, 2005, 2008, 2011, 2014 e 2015), a quantidade de dinheiro em conta-corrente pára de crescer. Isso porque as pessoas e empresas retiram o dinheiro dali e aplicam em papéis que rendem juros. E também porque empréstimos passam a ser quitados a um volume maior do que concedidos. E quando a SELIC cai (2004, 2006, 2007, 2009, 2012 e de 2017 a 2020) as empresas e pessoas voltam a pedir empréstimos e a consumir.

Repare também que, em 2014, a quantidade de dinheiro em conta-corrente pára de crescer e, em 2015, entra em queda livre. Em 2016, a queda continuou. Como a SELIC estava subindo desde abril de 2013, deixar dinheiro na conta-corrente representava um crescente custo de oportunidade. Igualmente, pedir empréstimos a juros crescentes também não era sensato. Essa combinação gerou uma forte contração monetária. A magnitude desta contração foi inédita na história do real. 

E é ela quem explica a forte desaceleração do IPCA em 2017 e em 2018

Ou seja, no fim, é a oferta monetária quem comanda. Coisas como “dominância fiscal” (Monica de Bolle), “SELIC a 1%” (André Lara Resende), “expectativas inflacionárias que aumentam preços continuamente” (Marcos Lisboa e Samuel Pessoa) simplesmente perdem qualquer relevância quando a economia vivencia uma contração monetária

Havendo contração monetária, não há como preços subirem aceleradamente e indefinidamente. Se empresários continuamente aumentarem preços em um cenário de contração monetária — como o atual — simplesmente não haverá ninguém com dinheiro para consumir seus produtos (daí as seguidas quedas nas vendas no varejo).

Sim, é verdade que pode haver remarcações de preços durante uma contração monetária (e foi isso o que ocorreu no Brasil em 2015 e 2016). Mas o ponto é que tal prática simplesmente não tem como perdurar caso a contração monetária se mantenha. E foi por ignorar isso que os economistas supracitados cometeram os erros, criando teorias ad hoc.

Meu colega de trabalho Fernando Ulrich foi quem resumiu perfeitamente a sequência: as expectativas de inflação sobem por causa da dominância fiscal; empresários aumentam seus preços; mas está havendo contração monetária. Consequentemente, empresários não conseguem vender; os estoques se avolumam; eles são obrigados a baixar os preços (ou a parar de aumentá-los). Os índices de preços entram em queda (ou ficam estáveis). Fim do processo de aumento acelerado de preços.

De novo: não há expectativa de inflação e não há dominância fiscal que perdurem caso a oferta monetária não esteja crescendo (e menos ainda se ela estiver se contraindo).

Conclusão (e uma previsão)

Preços aumentam continuamente porque a oferta monetária aumenta. Ponto.

A intensidade do aumento dos preços varia de ano para ano. Há anos em que eles sobem com mais intensidade e há anos que eles sobem pouco. Isso vai depender de condições pontuais, como câmbio e gastos do governo. No longo prazo, porém, preços (inclusive salários) são determinados pela evolução da quantidade de dinheiro na economia.

Uma das causas do prolongamento da atual recessão [2015-2016] é que está havendo uma combinação entre menos dinheiro na economia e um forte aumento de preços (inclusive do salário mínimo) ocorrido entre 2014 e 2016, majoritariamente causado pela liberação dos preços que estavam represados pelo governo e pela desvalorização cambial daquele período. Isso gerou, além da explosão do desemprego, toda essa queda na renda real que a população está sentindo. 

Em termos práticos, há hoje [março de 2017] nas contas-correntes a mesma quantidade de dinheiro que havia no início de 2010. Só que todos os preços estão muito maiores. Daí a sensação (real) de queda na qualidade de vida das pessoas, principalmente dos mais pobres (que são os que mais guardam dinheiro em espécie em casa ou deixam parado na conta-corrente). Há menos dinheiro tendo de lidar com preços mais altos.

Mas a atual [2017] contração monetária garante que, no curto prazo [2017 e 2018], não há espaço para surtos de carestia — a menos, é claro, que mais dinheiro volte a ser bombeado para a economia.

[Acréscimo em 2021: com a queda da Selic a partir de 2017, a quantidade de dinheiro voltou a subir. A com a intensificação da queda da Selic a partir de 2020, a quantidade de dinheiro disparou, levando à atual carestia. De novo: não se trata de “dominância fiscal” ou demais heterodoxias. É simplesmente a oferta monetária. Se houver uma contração da quantidade de dinheiro em 2022, que é o que o gráfico aponta, a tendência seria de arrefecimento do IPCA. Entretanto, considerando que a quantidade de dinheiro subiu muito e em pouco tempo, ainda há espaço para o IPCA seguir crescendo].

Para finalizar: volte àqueles preços de 1994 e compare com os de hoje. O que causou todo este aumento: dominância fiscal? SELIC alta? Expectativas? Ou um aumento de 6.000% na oferta monetária? Sim, é a inflação monetária o que gera um aumento prolongado de preços. Sempre. 

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350 comentários em “O que realmente faz com que os preços subam continuamente? Eis a explicação para o Brasil”

  1. Leandro Roque, faltou um ponto nessa matéria: carga tributária.

    Onde o absurdo aumento de impostos e taxas se encaixaria nisso tudo ?

  2. Engenheiro Falido

    Obrigado Leandro,

    Excelente explanação, nada de divagações, tem-se fatos, porém, se na avaliação de economia da faculdade, na primeira questão, O que é inflação? Aumento generalizado e contínuo dos preços .

    Era 0 se respondesse oferta monetária excessiva, contudo, nem sempre o que nos ensinam é verdadeiro.

  3. Excelente, me lembro de ser adolescente em meados dos 90s meu pai era um operário qualificado em uma multinacional, ganhava R$1600,00, vivíamos muito bem, pessoal gosta de argumentar do salário mínimo de R$100,00 e do desemprego, mas meus amigos e eu conseguimos empregos aos 16 anos que pagavam de R$300 a R$500 só por saber informática e inglês. Agora vejam como vive um típico operário qualificado, e pior ainda os jovens de 16 anos.

  4. Reservas Internacionais

    queria lembrar q todo ano o BC emite dinheiro e credita na conta do tesouro por conta da desvalorização das reservas internacionais

  5. Então é essa expansão monetária e de crédito que explica o porque que qualquer casa mal-feita perto de favela custa meio milhão de reais???

    O problema é que o salário e a renda não sobem junto com essa expansão.

  6. Bom dia a todos

    No caso do Brasil não haveria uma inflação estrutural de 3 a 4% ao ano? Digo isso pois mesmo com o Bacen sendo liderado por economistas ortodoxos como Gustavo Franco e Armínio Fraga, a inflação nunca é menor que isso ou até bem maior.

    Abraços.

  7. Minha única critica é que o texto dá a entender que, ao passo que a elevação da base monetária gera inflação (que é ruim) ela aumenta ainda mais a renda das famílias (que é bom). Logo, a elevação da base monetária é sempre bom.

  8. Parabéns pelo texto bem fundamentado Leandro, mas tem umas coisas básicas que eu não entendo. Por exemplo, por que no gráfico 1 – o que expressa a quantidade de dinheiro físico na economia – a curva de crescimento apresenta uma série de picos e quedas ao longo dela?

  9. Nobre Leandro, parabéns por mais um excelente artigo.

    Você não tem ideia de como me sinto bem ao ter descoberto os ensinamentos da Escola Austríaca, principalmente sobre a causa da inflação de preços.

    Somos doutrinados a acreditar que a inflação de preços é causada pelos empresários, pela Selic, pelas expectativas, pela dominância fiscal, pela correção monetária (inercial), etc, quando o motivo é tão simples: aumento da oferta monetária.

    Infelizmente, as sociedades Brasil à fora ainda acreditam no bla bla bla keynesiano. Porém, me conforta ao menos eu saber a verdade e assim ter chances de me proteger.

    Aproveito, mais uma vez, para deixar meu agradecimento ao Instituto Mises Brasil e às tantas outras think tanks que divulgam as ideias do Liberalismo e da Escola Austríaca. E como forma dessa gratidão, sempre que posso faço doações para o IMB e essas outras instituições.

    Um fraterno abraço,

    Igor

  10. André Lara Resenha pegou carona no sucesso do Gustavo Franco e do Edmar Bacha. Sua contribuição ao Plano Real deve ter sido apenas mostrar aos bons economistas citados o que não fazer, já que Lara também esteve no Plano Cruzado, Plano Collor, “Privatização” da Telebrás com reserva de mercado (agências reguladoras) e por aí vai. Fiquei um pouco decepcionado com o Marcos Lisboa e o Samuel Pessoa, erraram feio nessa também. Impressionante como a maioria dos ditos economistas brasileiros ainda não sabem o que é inflação.

  11. Leandro

    eu estava lendo o artigo recomendado no artigo sobre o funcionamento da taxa Selic, mas surgiu uma duvida

    O BC pode comprar qq titulo anteriormente emitido pelo do Tesouro no open Market ou só os de sua carteira ?

    Att, Alerj

  12. Leandro, um argumento comum de petistas é que a inflação pode ter aumentado trocentos porcento, mas o salário mínimo também aumentou mais do que os trocentos porcento anterior.

    Lógico que isso é um argumento ignorante já que a maioria da população ganha mais do que um salário mínimo.

    Por isso, para saber se nosso poder de compra aumentou, é necessário saber o aumento da renda per capita ou do salário médio e compará-la com o aumento da inflação, correto?

  13. O artigo me lembrou de um desenho do Tio Patinhas onde as moedas começaram a se multiplicar sozinhas.

    Enquanto todos comemoravam, o velho Patinhas tentava explicar que dinheiro é como batatas: quando há demais, seu valor cai, e logo ninguém compraria mais nada com qualquer montante que possuísse.

    Em poucos dias uma passagem de ônibus custava milhares de pratas.

    Em resumo, o desenho ensinou mais de economia em poucos minutos, do que muitos anos de faculdade

  14. Vocês conseguem enxergar a importância desse artigo?

    Não tenho dúvida que esse pode ser o artigo que coloque a Escola Austríaca no noticiário nacional. Nós, leitores do IMB, temos a responsabilidade e o dever de compartilhar esse artigo nas redes sociais, e, principalmente, nos canais de comentários e mídias sociais dos economistas do Mainstream.

    Da mesma forma que o artigo do André Lara Rezende “viralizou” no meio econômico, esse artigo veio para ser o antídoto. Cabe a nós, leitores do IMB divulgá-lo.

    Imaginem esse artigo chegue na mão de um Alexandre Schwartsman ou Ricardo Amorim, e decidam fazer um artigo sobre ele?

    Já passou da hora de vermos economistas como Leandro Roque, Ubiratan Jorge Iorio, Fábio Barbieri, Fernando Ulrich entre outros nos principais meios de comunicação. Será que estou sonhando alto demais?

    Leitores do IMB, mãos a obra!

  15. E o salário mínimo ?

    Amigos do IMB, me expliquem o efeito do salário mínimo nisso tudo.

    Eu venho percebendo que o salário mínimo daqui a algum tempo vai passar dos mil reais, ta só aumentando a cada ano…em 2030 o salário mínimo vai ser o quê ? 2000/3000 reais ?? Quais as consequências disso na visão austríaca ?

  16. Leandro

    a taxa de juros real atualmente é de 5 % a.a. para obtermos uma inflação de 4,5% a.a.

    sabemos q o judiciário brasileiro continuara favorecendo o devedor e q o governo continuara a ser gastao

    pois bem, diante dessas constantes, a inflação continuara a ser 4,5% nos anos seguintes com essa taxa de juros de 5%, ou e possível q ela diminua ainda mais (sendo possível inclusive baixar mais ainda a taxa real) a longo prazo ?

  17. Caro Leandro,

    Acho que restou por explicar as razões que levam o BC a expandir a base monetária. Se eles sabem que isso vaia provocar aumentos de preços por que então o fazem?

  18. PArabéns pelo texto que é fácil de ser compreendido até por mim que sou leigo em economia. O que o banco central deveria fazer pra diminuir a inflação?

  19. O fato do aumento acumulado da inflação ser muito menor que o aumento acumulado da base monetária é explicado pelo fato de ter havido, de fato, um aumento na oferta de bens e produtos?

  20. Por que o Banco Central não dá esse dinheiro diretamente para as pessoas, ao invés de passar por um intermediário? Isso não seria só uma forma de subsidiar os Bancos?

  21. Leandro, uma dúvida:

    Você já tinha dito que a carestia havia sido contida por causa do fortalecimento do real. No presente artigo (excelente), afirma que os preços se contiveram em face a contração monetária. Qual seria então o principal motivo do controle da inflação?

  22. Olá,

    esse artigo é muito interessante, uma aula. Entretanto, eu, que não sou da área, fiquei com a seguinte dúvida:

    essa expansão monetária não favorece o crescimento econômico também? Se não houvesse o crédito criado, como haveria a criação de novos negócios e expansão dos já existentes?

    O principal trecho do artigo que me levou a essa dúvida foi:

    “Não houvesse um Banco Central com o poder de imprimir dinheiro infinitamente — e o Banco Central realmente pode imprimir dinheiro o quanto quiser —, os bancos não poderiam emprestar continuamente a pessoas, empresas e governo. Consequentemente, a quantidade de dinheiro na economia teria um crescimento extremamente limitado.”

    Isso não limitaria o crescimento econômico também?

    Poderiam esclarecer?

  23. Pessoal, o que vocês acham sobre a Recuperação Judicial?

    Algum artigo sobre isso? Ando com uns pensamentos meio contra esse dispositivo legal.

    Abraços

  24. Outro excelente artigo.

    Aliás, os elogios, justos, estão ficando repetitivos.

    Eis um exemplo de extrema didática e lucidez do Fernando Ulrich:

    “Meu colega de trabalho Fernando Ulrich foi quem resumiu perfeitamente a sequência: as expectativas de inflação sobem por causa da dominância fiscal; empresários aumentam seus preços; mas está havendo contração monetária. Consequentemente, empresários não conseguem vender; os estoques se avolumam; eles são obrigados a baixar os preços (ou a parar de aumentá-los). Os índices de preços entram em queda (ou ficam estáveis). Fim do processo de aumento acelerado de preços“.

    Parabéns Leandro e Fernando!

  25. Existem países que passam por expansão monetária intensa sem inflação. As expectativas dos empresários e consumidores, a confiança em relação ao futuro, também influenciam os preços. Flutuações na oferta e demanda por produtos e crédito são acompanhadas de contração ou expansão monetária como epifenômeno, quando não existe intervenção do banco central. Não da para generalizar a expansão monetária como única causa de inflação. É como tentar resolver uma equação de várias variáveis conhecendo-se apenas uma delas.

  26. Leandro,

    Seria possível, por exemplo, caso o dólar se fortificasse brutalmente, fazendo com que as demais moedas no mundo desabassem e mesmo com o Real em contração monetária, a inflação de preços no Brasil poderia ficar persistidamente elevada em médio e longo prazo ?

  27. Eu aprendi tudo isso aos 9 anos, assitindo um desenho do Tio Patinhas… Impressionante como os acadêmicos não aprenderam essa simples lição que era ensinada em um desenho animado…

  28. Leandro, entendo que aumento de quantidade de dinheiro na economia causa inflação devido da desvalorização(e também, todos os efeitos disso, como os ciclos econômicos, bolhas, etc..) , mas qual o peso da confiança sobre aquela moeda, o banco central, etc, pode causar na inflação ? Por exemplo, imagine o governo do Brasil com frequentes deficits e mesmo assim a expansão monetária reduzindo de velocidade. Tal medida não levaria a uma incerteza sobre o Brasil, e consequentemente, uma desvalorização do Real ? Se sim, o que causaria isso?

    Vejo algo semelhante nos EUA, menor desvalorização do dolar devido a menor expansão de dinheiro, mas também não sei se uma explosão no deficit poderia reverter esse efeito

  29. Parabéns Leandro. O mundo gira tão rápido que eu já estava sentindo falta de seus brilhantes artigos. Você se supera sempre. Minha compreensão econômica é antes e depois de Leandro Roque. Estou ficando um craque. Que as forças celestiais continuem te iluminando. Novamente parabéns.

  30. Leandro Roque, por favor, confira meu raciocínio e, caso encontre algum erro, me diga qual e por que.

    Em linha com a segunda premissa que é "quanto mais dinheiro há na economia, mais as pessoas podem demandar bens e serviços com este dinheiro", faltou considerar outra premissa que é "quanto mais dinheiro há na economia, mais as pessoas podem ofertar bens e serviços com este dinheiro". Quanto mais dinheiro há na economia, menor é o seu preço e, quanto menor é o preço do dinheiro, menos atrativo é ofertar dinheiro em comparação com ofertar bens e serviços. Estou falando do custo de oportunidade. Juros mais altos tornam mais atrativo ofertar (aplicar) uma parcela do dinheiro do que utilizá-lo para ofertar bens e serviços. O preço do bem e/ou serviço precisa proporcionar uma rentabilidade no mínimo igual à rentabilidade de se ofertar dinheiro. Então, quando os juros sobem, a oferta de bens e serviços reduz até a quantidade em que o preço resultante proporcione uma rentabilidade no mínimo igual à rentabilidade proporcionada pelo novo preço do dinheiro. Então, quanto mais dinheiro há na economia, maior é a demanda e a oferta. A única oferta que não cresce com o aumento da quantidade de dinheiro é a oferta de divisas. Então o único e exclusivo motivo pelo qual a variação dos juros afeta a inflação é através da variação cambial que ela causa. Quando aumenta a quantidade de dinheiro na economia, os preços das divisas aumentam.

  31. Leandro, uma moeda se desvaloriza com relação a outras, aumentando o preço de produtos importados, também não é uma causa para inflação, mesmo que não haja aumento na oferta monetária?

  32. Bom artigo, mas ainda faltou enfatizar corretamente o déficit público. Dado que todos são obrigados a aceitar reais, o déficit público continuado determinará uma expansão da base monetária…se a base estava em 250bi e o déficit está na ordem de 100 ou 150bi fica fácil notar a grande relevância da questão. Discorda Helio Beltrão?

  33. O autor afirma que o Samuel Pessoa é competente. Eu gostaria de saber com base exatamente no que é feita a afirmação? Ser amigo do Marcos Lisboa? Ter sido demitido da EPGE ? Qual o trabalho excelente que esse senhor já fez? Vc já leu os artigos dele na fsp sobre pedágio urbano, regulação do uber e um mais recente sobre queda do salário real/menos desemprego (erros crassos e absurdos em todos, só para citar alguns…)?

    Alguém aqui é amigo pessoal dele?

  34. Interessante as “refutações” que vemos por aí:

    “A explicação não está correta. A demanda por liquidez é efeito da expansão de preços e não o inverso como o texto sugere. Mesmo porque em todo este período mencionado os juros foram e ainda são os mais altos do mundo. A expansão de preços referida se deve basicamente às deficiências e deformidades do regime fiscal brasileiro. Precisam estudar mais!”

  35. Parabéns ao Leandro pelos belos artigos. Mas parece que há algo faltando nesse contexto.

    Em um artigo em PT, encontro esta definição simples:

    “O Banco Central não controla diretamente a quantidade de moeda em circulação na economia. O que ele controla é a chamada base monetária, composta pelo papel-moeda em poder do público e pelas reservas (compulsórias e voluntárias) que os bancos mantêm junto ao Banco Central.”

    Em um interessante artigo em Inglês com o título: “Why the Federal Reserve is Irrelevant”, a seguinte citação pode ser encontrada:

    “A principal função do Federal Reserve é determinar o mix de passivos governamentais detidos pelo público.” By John P. Hussman, Ph.D. 2001.

    Em ambos os artigos parece claro que o real agente propulsor do aumento da quantidade de dinheiro (sob diversas formas) na economia são os Bancos.

    “Quando o Banco Central deseja realizar uma política monetária expansionista (ou seja, aumentar a quantidade de moeda na economia), ele compra títulos dos bancos comerciais. Em troca desses títulos, os bancos recebem moeda, elevando assim a quantidade de moeda da economia. Analogamente, quando o Banco Central deseja fazer uma política monetária contracionista (diminuir a quantidade de moeda), ele vende títulos públicos para os bancos, retirando moeda de circulação.”

    Não me parece que o governo teria condições de promover essa festança de dinheiro à rodo na economia não fossem os grandes bancos brasileiros.

    Não é assim Leandro?

  36. Ainda, em tempo, queria fazer uma pergunta: Qual é pior, a inflação ou criatividade do marqueteiro que bolou essa frase: “Preços abaixo do nível do mar” ?


  37. “Leandro 31/03/2017 20:12

    Com essa métrica específica eu desconheço. Mas há vários estudos sobre o impacto de uma dívida alta (que exige contínuos e volumosos refinanciamentos) no crescimento econômico. Aliás, não só Japão como toda a Europa chegou a esse ponto.”

    E como e porque esses países não “implodem” ?? Isso que eu não entendo…. Ou é uma questão de tempo?

  38. Aumento de preços é, de fato, afetado por inflação monetária, e o artigo é brilhante em explicar essa parte.

    E foi excelente a inclusão da parte de comportamento humano (Ação Humana) após a repetição do Gráfico 2. Digo isso, pois acho importante que os leitores percebam que não basta haver expansão monetária por parte do governo, mas também é necessário que as pessoas movimentem essa moeda (dinheiro, na realidade), alterando a velocidade dela no mercado.

    Ademais, Leandro, você ainda faz palestras?

  39. Se tem um cara que deveria escrever todos os dias aqui no IMB, esse cara é o Leandro. Parabéns por mais um artigo fantástico!

    Leandro, imagine o seguinte cenário: O Brasil teve um fenômeno deflacionário parecido com o que ocorreu na Islândia. Essa contração monetária ( deflação ) de forma abrupta poderia fazer com que os preços dos produtos voltassem a um patamar próximo do que já foi em 1994?

    Nesse caso, o que aconteceria com o preço de ativos como ouro, prata ,moeda estrangeira e imóveis?

    Grande abraço!

  40. Leandro,

    Graças aos seus textos e aos demais artigos publicados no IMB entendo rezoavelmente como funciona a inflação. Mas tem algo que sempre tenho dúvida.

    Como encaixar os recursos estrangeiros que entram e saem do Brasil continuamente.

    Vamos supor que num passe de mágica o Banco Central pare de expandir a base monetária. Entretanto, se houver uma entrada volumosa de recursos estrangeiros, esses recursos inflariam a base monetária e geraria inflação. Meu raciocínio está correto?

  41. Leandro, nos comentários de qual artigo está aquela sua explicação de que os melhores cafés vão pra fora do país por causa da nossa moeda historicamente fraca?

  42. Bruno Feliciano

    Minha linha de raciocínio esta correta? Veja:

    ”Como ensina a teoria econômica, se o preço de algo for decretado a um valor acima do de mercado, haverá muita oferta e pouca demanda. Inversamente, se o preço de algo for estipulado a um valor abaixo do de mercado, haverá um excesso de demanda, mas pouca oferta. ”

    Somente o mercado consegue balancear a demanda e a oferta. Se algo da muito dinheiro porque tem muita demanda, logo todos vão querer ofertar esse bem ou serviço, isso ira reduzir os preços com o tempo, mas no futuro quando a demanda e o lucro dos ”ofertantes” diminuir, consequentemente ira reduzir o numero de ofertantes balanceando com a demanda adequada.. Desculpa pela falta de expressão, curso direito e não economia. Portanto, sem a intervenção estatal criando demanda artificial(agregada), não existe investimento errôneo, justamente porque existe uma demanda real por aquilo e não artificial, toda a oferta criada ira atender uma real demanda, ao invés de criar uma demanda falsa que não se sustenta no longo-prazo.

    No livre mercado, oferta e demanda ficão balanceados, quando se intervêm você acaba desbalanceando isso e investimentos errôneos e crises.

    Portanto, por isso em um LIVRE mercado, é extremamente improvável estabelecer cartéis ou monopólios, já que a demanda esta diretamente ligada a oferta, caso algo de pouco dinheiro devida a pouca demanda, terá pouca oferta, assim nunca irão ocorrer investimentos erroneos e consequentemente crises. A oferta e a demanda em um livre mercado, ficão reais e completamente diretos e conectados, algo claro e visível. Se o governo mete a mão, ele desequilibra e acaba deturpando as reais referencias para investimentos.

    Igual faculdade de direito, a maioria cursa isso pra ser funça, isso é um claro investimento errôneo, o estado criou o incentivo perverso da parasitagem, consequentemente as pessoas querem mais fazer concurso pra mamar, criou-se ai uma DEMANDA, consequentemente terá oferta ai, prova disso é que o Brasil é um dos países que mais se tem faculdade de direito. O problema ai é que, essas pessoas não demandaram realmente fazer direito por desejo próprio, o estado criou um incentivo falso. Pra piorar, essas pessoas não vão criar riqueza, somente inchar o estado mamando na teta alheia.

    O que vai acontecer: No futuro, vai ter dezenas de faculdades de Direito indo a falência, porque o incentivo para se fazer concurso sera destruído, logo vai cair a demanda por faculdade de direito. É como uma bolha, essa oferta foi criado por uma demanda falsa.

    Sobre os imoveis no Brasil, esse incentivo concedendo crédito pra financiar imóvel, aumentou os preços.

    Porque os preços aumentaram se havia maior demanda, logo haveria mais oferta e os preços baixariam pela concorrência mais forte. Certo?

    Quando o estado cria uma demanda artificial, concedendo crédito farto, temos investimentos errôneos.

    Porque o empresário não vai ofertar de acordo com a demanda e sim com a facilidade de se obter empréstimos.

    Se obter empréstimos esta mais fácil, logo vai ter um aumento no empreendedorismo e no consumo. O problema é que, esse aumento não foi por conta da real demanda, onde pessoas voluntariamente compram algo por vontade própria e por sua renda ter aumentado, e sim por um sinal falso de que as pessoas estão consumindo e não poupando, devido a baixa dos juros e facilidade de se obter empréstimo.

    Imagine que o governo de alguma forma, incentive o empreendedorismo no setor de computadores.

    Haverá muita oferta nesse setor, mas não compatível com a demanda real. O que acontece ai é que, todo o recurso escasso de uma economia vai ser direcionado pra esse área que não foi demando pelas pessoas.

    Os preços mais baixos, irão no curto-prazo causar uma certa demanda por esse setor, mas isso não se sustenta, porque a demanda é insuficiente pra suprir toda essa oferta, no longo-prazo, as pessoas sentirão que não obtiveram um aumento de renda o suficiente pra consumir tanto esse setor da economia, e ai começa a quebradeira porque, a queda da demanda no longo-prazo será fatal.

    Preciso fortalecer esse raciocínio, se alguém poder dar uma ajuda, agradeço

    Abraços

  43. Recentemente, eu estava lendo esta publicação do Federal Reserve de St. Louis:[link=research.stlouisfed.org/publications/page1-econ/2015/01/01/would-a-gold-standard-brighten-economic-outcomes/[/link]

    Apesar de crítica ao Padrão-ouro ser extremamente fraca, e a defesa da moeda fiduciária também ser fraca, achei interessante que eles usam o Mises Institute americano como uma das fontes.

  44. Muito boa análise.

    Embora hoje eu já esteja familiarizado com a teoria austríaca, as vezes é difícil enxergar a relação da prática com a teoria – eu estava me perguntando “como diabos a inflação está tão baixa, ser o governo não fez nada concreto?”

    D em nenhum momento me ocorrera a questão dos depósitos em conta corrente.

    Mas analisando os números no começo do artigo, me ocorreu uma outra questão:

    Houve inflação, mesmo com aumento da população e da produtividade em geral, devido ao aumento da base monetária. Agora, considerando as diferenças – inflação de preços de aprox. 5x e aumento da base monetária de 36x (ou de 15 a 12 vezes, dependendo da análise feita), seria possível estimar o quanto os preços deveriam ter diminuído?

  45. Boa noite, Leandro. Em relação à conclusão nº 3 do início do texto (demanda da população aumentou ainda mais que o aumento dos preços), pode-se afirmar que o aumento numérico da população (questão demográfica mesmo) teria causado o aumento da demanda superior ao aumento dos preços? Não tenho os dados aqui, mas ainda que no caso específico do Brasil a população não tenha aumentado, faz sentido afirmar que a quantidade de moeda de um determinado país é uma variável diretamente proporcional à variável número de habitantes desse país? Nunca vi um estudo que associasse política monetária e comportamento da moeda a demografia, embora me pareçam ciências muito afins.

  46. Conversando com alguns keynesianos-desenvolvimentistas, ouvi recentemente que o quantitative easing recentemente adotado pelos EUA não teria gerado inflação, o que, segundo eles, teria derrubado a ideia de que o aumento da oferta monetária gera inflação. Procede? Seria legal ver um artigo aqui sobre isso. Abraços, e muito obrigado pelos seus textos!!

  47. Resistência Capitalista

    Parabéns pelo artigo.

    Enquanto não aumentar a concorrência com importados e facilidade para empreender, o povo vai sofrer com a inflação, greves, desvalorização salarial, produtos de menor qualidade, etc.

    Os mais pobres e aposentados são os mais beneficiados com as importações. Se os que mais precisam serão beneficiados, fica claro que é bom para todos.

    O Brasil é uma republiqueta de protecionistas. Os supermercados brasileiros parecem um supermercado de nacionalistas. Só tem produto nacional e debaixa qualidade.

    Temos que comer carne podre, porque o governo mandou.

  48. Porque o minha casa minha vida inflacionou o preço dos imóveis?

    Porque o crédito farto e fácil, aumentou os preços?

    Porque veja bem, se aumentou a oferta por imóveis, não era pros preços subirem, tem mais concorrência e o preço assim vai baixar. Não é isso que vocês pregam?

    Algo começa ter muita oferta, o preço baixa e fica melhor pros consumidores.

    Porque com o MCMV o preço os imóveis subiu tanto se havia mais oferta?

    Não entendo isso

  49. A definição de inflação apresentada no texto conflita com as definições presentes em alguns livros de economia.

    Segundo os livros “A inflação pode ser definida como o processo persistente de aumento do nível geral de preços, resultando na perda de poder aquisitivo da moeda, de tal modo que sua função de reserva de valor fique prejudicada”

    O conceito apresentado no texto se define de acordo com o livro como um dos tipos possíveis de inflação dentre 4 tipos diferentes possíveis: A inflação monetária, que é de fato a forma mais comum de inflação, entretanto não a única.

    “A inflação monetária nada mais é que um tipo de inflação de demanda, e é causada pelo aumento na oferta da moeda. Quando se aumenta a oferta de moeda na economia, deslocamos a curva DA para a direita, fazendo aumentar o nível geral de preços.”

  50. Alguma boa alma poderia me explicar o porquê de Maurícia ser tão bem colocada no índice de liberdade econômica mas não ser desenvolvida?

  51. Ulisses, Fernando e Octaviano, obrigado. Octaviano, onde posso encontrar os textos de liberais, libertários e do Campos sobre o assunto?

  52. [Corrigindo local da pergunta] Por que a inflação monetária pode simular o ouro (ou ser lastreada nele) mas a regra do Friedman de k-percent é ruim para os austrians? Pelo que vi esse k-percent varia entre 2-4%, 3-5%, 2-5%, dependendo da fonte, seria esse o problema?

  53. Thiago q. landi

    Com relação a deflação monetária, acredito que com o Banco Central cortando juros de forma agressiva (a expectativa do mercado é de um corte de 100 pontos base na prox. reunião), e com o defict fiscal do governo nesses patamares, tende a por fim e até reverter esse quadro de deflação.

    Porém o outro fator importante para essa queda na inflação foi a taxa de câmbio. O dólar chegou ao redor de 4.20 e caiu para o patamar de 3.10, ao mesmo tempo a taxa de inflação oficial caiu.

    Com a queda da ex-presidente e a entrada do presidente Michel Temer e sua equipe econômica, as expectativas foram ancoradas, havia no mercado um medo de inflação e recessão e isso se reverteu para até mesmo um otimismo com as reformas e a tão sonhada e falada recuperação.

    Porém a recuperação nunca chegou, e a recessão continua firme, e inúmeros outros problemas piorando e explodindo na economia. (acredito que os economistas aqui do instituto não anteciparam a profundidade e magnitude da situação atual)

    O que vai acontecer a seguir:

    A realidade de um déficit fiscal explosivo, recessão impávida, desemprego explosivo, quebra dos estados entre outros, irá se impor ao mercado.

    As expectativas vão se acelerar novamente, a preferência temporal pelo dinheiro irá diminuir com a quebra da confiança, tudo isso fará com que o real volte a se desvalorizar, talvez fortemente, perante o dólar, forçando a inflação a subir, ao mesmo tempo, como dito, o BC em meio a uma campanha de afrouxamento monetário agressiva, fazendo o real cair ainda mais e a inflação subir.

    Desta forma, ao contrário do que sugere o artigo, o inflação no Brasil vai voltar a subir fortemente.

    E a economia continuará se deteriorando.

  54. Thiago q. landi

    obs: Estamos nos encaminhando para fazer 3 anos de recessão.

    obs 2: A velocidade com que a economia se deteriorou/está se deteriorando, realmente impressionante.

    obs 3: pode estar havendo deflação em um agregado monetário, porém nos outros agregados existe inflação, considerável. Que irá se manifestar.

  55. Douglas Rodrigues

    Fazia um tempo que não acessava o site do Mises, e quando volto, me deparo com este MONUMENTAL artigo escrito pelo melhor economista do Brasil. Parabéns Leandro. Continue assim. É um grande alívio a minha pessoa, visto que curso Economia.

    “Outra tese esdrúxula surgiu recentemente e foi aventada por André Lara Resende, um dos criadores do real. Segundo ele, a inflação estaria alta porque a SELIC está muito alta. Apenas se a SELIC fosse diminuída para algo próximo de zero — sim, ele falou isso — é que o IPCA começaria a cair. No entanto, desde a publicação de seu artigo (em janeiro), a SELIC caiu apenas 1,50 ponto percentual (de 13,75% para 12,25%) e o IPCA, em acentuada desaceleração, se encaminha para abaixo do centro da meta (que é de 4,50% ao ano).”

    Eu acompanhei essa discussão, estava com algumas dúvidas, mas já consegui as respostas por este artigo.

    Abraços Leandro.

  56. Bruno Feliciano

    Se uma moeda desvaloriza, isso afeta o juros?

    No meu pensamento, se uma moeda perde valor, logo os eu preço pra se emprestar também muda.

    Uma moeda que tem maior valor, custa mais pra ser emprestada.

    A que tem menos valor, custa menos pra ser emprestada. O preço pra se emprestar o dinheiro esta ligado ao valor em si da moeda…

    Certo ou errado?

  57. Ronaldo da Silva Alves

    Prezado Leandro,

    Bom dia !

    Parabéns pelos artigos. Tenho uma dúvida. No artigo de 31/03/017 sexta feira passada, você explicou que o excesso de oferta monetária que é causa da inflação. Excelente texto. Vamos para a prática. Como resolver este problema ? Quais as ferramentas econômicas iniciais são indicadas ? Teremos “efeitos colaterais” quando estas medidas forem implementadas ? Faço estas perguntas porque alguns críticos da EAE falam que suas idéias são impraticáveis.

  58. Boa tarde a todos!

    Desculpem-me se a pergunta, sou bastante leigo no assunto, gostaria de entender por qual motivo os preços sobem quando há excesso de oferta monetária, seria pelo fato de encarecer a produção o exagerado aumento da demanda? Quero dizer, como as empresas “sentem” que há necessidade de corrigir os preços? Obrigado a todos desde já.

  59. Leandro, no documentario da BBC sobre o Hayek, aparece o Paul Krugman falando que no Séc. XIX os EUA tinham um sistema de livre concorrencia de moedas desregulamentado e ele era instável e tendia a crises.

    Isso é verdade?

  60. Caros amigos do IMB,

    Li um artigo de vocês de 2011, explicando a correlação entre a inflação e a expansão dos monetária.

    Nesse artigo, especificamente do Leandro, é informado que a principal maneira para se acompanhar a efetiva expansão monetária é o acompanhamento dos meios fiduciários, que seria:

    “Meios fiduciários = (a) papel-moeda em poder do público + (b) depósitos em conta-corrente – (c) papel-moeda total – (d) reservas bancárias.”

    No meio do artigo, consta que vocês tem um gráfico que acompanha esse indicador desde que esse texto foi escrito, vocês ainda mantem esse gráfico atualizado? Em caso afirmativo, poderia nos disponibilizar?

    Obrigado desde já!!

  61. Inflação de preços desaba e tem a taxa mais baixa para o mês de abril desde a criação do real. No acumulado de 12 meses, está em 4,08%. Abaixo da meta de 4,50%.

    Em Curitiba, o acumulado em 12 meses está em 2,48%. Em Goiânia, incríveis 2,30%. Valor de primeiro mundo.

    saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=3427

    A explicação para isso está no artigo acima.

    Já os defensores de teorias exóticas como “dominância fiscal” (os déficits orçamentários do governo federal seguem batendo recordes), “juros altos geram inflação”, e “juros baixos reduzem inflação” continuam perdidos.

  62. Leonardo Augusto

    Excelente texto, como sempre!

    Uma pergunta: há como estipular quanto do aumento da oferta monetária ocorreu por crédito subsidiado?

  63. Leandro, eu entendi perfeitamente o que causa o aumento dos preços continuamente, totalmente o oposto do que os economistas mainstream dizem ser algo normal em uma economia, mas esse artigo me gerou dúvidas. Isto

    Por exemplo, dado em um cenário onde não há o aumento da oferta monetária, a produtividade crescente faria os preços diminuírem – o que significa que houve aumento do salário real -; mas faria os salários aumentarem em valores monetários? Exemplo o salário mínimo era de R$64,00 em 1994 segundo uma matéria que foi postada no artigo, mas imaginando num cenário posteriormente como em 2017, o valor do salário mínimo seria os mesmos R$64,00 ou com a produtividade crescendo até chegar em 2017, os preços estariam diminuindo e os salários aumentando para dar como exemplo um valor de R$400?

    Obs: De 1994 a 2017 nesse cenário houve apenas crescimento econômico(4%a.a) para deixar variáveis de pouca importância de lado.

  64. Bruno Feliciano

    Pessoal, o que vocês acharam do Filme Plano Real?

    O Gustavo Franco virou o que hoje? Pode ser considerado um Liberal?

    Porque eles deixaram a taxa de Juros la em cima? Não foi um erro?

    Porque teve crises no governo FHC durante a austeridade e o depois da implementação do plano real?

    E o real, só conseguiu ter confiança porque era atrelado ao dolar, ou seja, a quantidade de reais existentes correspondia a quantidade de dolar existente no Banco Central certo?

    Enfim, sobre o filme, queria saber o parecer de vocês…

    Abraços..

  65. Inflação de preços continua desabando. O acumulado do ano é de 1,42%, o menor acumulado até maio desde o ano 2000 (1,41%).

    No acumulado de 12 meses, está em 3,60%. Abaixo da meta de 4,50%.

    Em Curitiba, o acumulado em 12 meses está em 2,27%. Em Goiânia, incríveis 2,18%. Valor de primeiro mundo.

    agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/10182-ipca-fica-em-0-31-em-maio.html

    A explicação para isso está no artigo acima.

    Já os defensores de teorias exóticas como “dominância fiscal” (os déficits orçamentários do governo federal seguem batendo recordes), “juros altos geram inflação”, e “juros baixos reduzem inflação” continuam perdidos.

  66. Recessão gera inflação né?

    Porque, se você tem uma queda na quantidade bens e uma economia e ao mesmo tempo você tem pelo menos a mesma quantidade de dinheiro na economia, logo a relação BENS X DINHEIRO na economia mudou, se tem menos bens e mais dinheiro na economia.

    Já um crescimento economico é deflacionário, porque aumenta a quantidade de bens na economia sob a quantidade de dinheiro, mas isso só se o Banco Central não imprimir em uma quantidade e aceleração maior do que a de bens e serviços.

    E porque vocês acham que tivemos uma queda na inflação hoje? Que motivo esta fazendo a quantidade de dinheiro na economia se reduzir? Se ainda estamos em recessão…..

    E alguém me explica porque keynesiano acha relação entre baixa inflação e alto desemprego, não consigo enxergar isso.

  67. Só vi uma coisa no artigo citado com os preços de 1994 que não condiz com a realidade: naquela época, apesar do poder de compra do salário-mínimo ser evidentemente menor do que hoje, a realidade é que o S.M. subiu mas os salários não acompanharam na mesma proporção.

  68. Alexandre Fetter

    Para quem não é economista, como eu, o artigo é didático e esclarecedor. Acabou a minha convicção de que inflação é aumento de preços.

  69. Leandro, se o parâmetro de aumento da oferta monetária é o crescimento PIB, o Governo poderia “imprimir” dinheiro diretamente sem gerar hiperinflação, limitado a este crescimento. Ou não?

    Por que não fazer isso?

    Ao menos não diminuiria a necessidade endividamento do Estado?

    Obs.: replico esta pergunta que fiz no post anterior, pois aqui parece mais adequado.

    Obrigado.

  70. O jeito que esquerdistas e, principalmente, petistas comparam as situações da década de 90 com agora são trágicas. E hilárias.

    O raciocínio de pessoas que acham que o governo promove, ou deve promover, desenvolvimento é bem simples: o governo aumenta seus gastos destinando a empresas consideradas estratégicas, expande o crédito subsidiado para empresas consideradas estratégicas, aumenta continuamente o salário mínimo e os sindicatos se encarregam de fazerem reajustes nos salários das profissões.

    Pronto, os dados estão perfeitos para serem coletados e os jornais noticiarem que o país está próspero graças aos nossos iluminados políticos.

    Mas não existe almoço grátis. Um dos custos dessas canetadas será a constante desvalorização da moeda. Além, claro, do desemprego, do endividamento das famílias, do aumento dos custos para produção, crescimento da taxa de juros, etc.

  71. Com liberdade econômica (ou seja, sem o intervencionismo estatal), a tendência natural é de queda dos preços, aumento de oferta e de qualidade e melhoria da qualidade de vida.

    * * *

  72. Pergunta ao mestre Leandro,

    A base monetaria (M2) do Euro por exemplo, em 10 anos expandiu 1,59233513913 vezes (aumento de aprox. 60%):

    fred.stlouisfed.org/graph/?g=eMcy

    A base monetaria (M2) do Real, em 10 anos, expandiu 3,57442856028 vezes (aumento de aprox. 257%).

    fred.stlouisfed.org/graph/?g=eMcC

    A base monetaria (M2) do Dolar, em 10 anos, expandiu 1,86451427319 vezes (aumento de aprox. 86%).

    fred.stlouisfed.org/graph/?g=eMde

    O preço do Euro, em Reais há 10 anos atrás era de R$2,74

    O preço do Dolar, em Reais há 10 anos atrás era de R$2,03

    Se dividirmos a expansão da base monetária do Real pela expansão monetário do Euro, temos 2,24477151351

    Se dividirmos a expansão da base monetária do Real pela expansão monetário do Dolar, temos 1,91708296991

    Se multiplicarmos o valor do Euro ha 10 anos atraz por esta razão de expansão (2,74 * 2,24477151351) teriamos 1 EUR = 6,15 BRL

    Se multiplicarmos o valor do Dolar ha 10 anos atraz por esta razão de expansão (2,03 * 1,91708296991) teriamos 1 USD = 3,89 BRL

    Dado estas informações,

    Por que o valor do Euro hoje não estaria 6,15 BRL e o Dolar 3,89 BRL? Esta pergunta faz sentido? Seria por Especulação cambial? Perspectivas futuras de mercado?

  73. Meu colega de trabalho Fernando Ulrich foi quem resumiu perfeitamente a sequência: as expectativas de inflação sobem por causa da dominância fiscal; empresários aumentam seus preços; mas está havendo contração monetária. Consequentemente, empresários não conseguem vender; os estoques se avolumam; eles são obrigados a baixar os preços (ou a parar de aumentá-los). Os índices de preços entram em queda (ou ficam estáveis). Fim do processo de aumento acelerado de preços.

    Leandro, você disse em 2017 que um dos motivos das pessoas continuarem aumentando os preços apesar da contração monetária era a falta de confiança na equipe econômica (em 2015 e parte de 2016). Isso continuaria acontecendo se não tivessem trocado a equipe econômica? E também depende do setor essa questão de reajustar preços em relação a expansão monetária.

    Por exemplo no começo desse ano minha psicóloga aumentou um pouco o preço da consulta, por volta de 7,14%, pouco acima do IPCA eu suponho (base monetária não achei). Pode ser por vários motivos além da expansão monetária, tem a questão também de ser um setor altamente regulado pelo estado através do CFP e CRP. Estou correto?

  74. Bom dia e parabéns pelo artigo! Li com muito interesse mas não sou da área. Aprendi bastante e achei lógica em muitas das explicações. Gostaria de saber se o aumento da população e o aumento de contas correntes é levado em consideração nesse estudo da quantidade de dinheiro no mercado. Creio que influencie também apesar do crescimento vegetativo do Brasil já não ser tão grande como outrora na necessidade de se imprimir mais dinheiro, bancos criarem esse volume novo, etc. Mesmo sem muitos postos novos na economia a renda dos aposentados que vão morrendo e dos trabalhadores que estão na ativa e se aposentam e passam a ganhar menos, é equilibrado pelos novos salários ou novas participações das pessoas que vão ingressando no mercado? Isso está contemplado no estudo? Pois a população em 1994 eram 159.400.000 de habitantes e em 2018 somos 213 678 245. São 54 milhões a mais de pessoas com dinheiro em seu poder…então creio que o aumento de contas correntes tenha sido grande e volume de dinheiro também.

    Obrigado pelo esclarecimento.

  75. Matheus Tomaschewski

    É possível que os preços retornem ao patamar de 1994, mantendo a quantidade de dinheiro que temos hoje? Por exemplo, como se os preços nunca tivessem subido mas o poder de compra tenha aumentado na mesma proporção que a inflação monetária que tivemos;

  76. “Todo o processo de expansão de crédito, portanto, nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de dinheiro na economia.”

    Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa…..agora estou lembrando das frases que os Políticos: “Nós vamos aumentar/facilitar/expandir o crédito”, “crédito barato a juros baixos” “aumentar o consumo das famílias”.

  77. E a responsabilidade do governo com sua máquina pesada e cara, sustentada pelos altos impostos, não tem influência na economia como um todo, sobretudo na inflação e perda de poder de compra, ou estou escrevendo besteira?

  78. “Estoque da dívida pública deve subir R$ 300 bilhões com Selic a 11 %”

    E como os austríacos nunca erram em suas previsões, as previsões feitas pelo mercado e pelo BCB sobre o fim de 2021 estavam todas equivocadas.

    Levando-se em conta de que apenas uma pequena parcela dos títulos (em setembro/21) está atrelada à SELIC, então não é necessariamente que um aumento da SELIC vai aumentar a dívida. O problema é que isso pode levar à mesma encrenca do ano passado: Paulo Guedes interferindo no BCB para fazer política fiscal. Banco Central não tem que se meter com problemas fiscais. O problema fiscal é problema do Ministério da Economia, do Ministério do Desenvolvimento Regional e de todos os demais ministérios, afinal são eles que irão gerenciar os gastos governamentais.

    Com a brincadeira keynesiana dos juros negativos, agora terão que elevar os juros com ainda mais intensidade do que se eles tivessem simplesmente aumentassem os juros durante 2020. Ou simplesmente não mexer na SELIC para aquele ano.

  79. Consumidor de Kinder Ovo

    Aproveitando a piada do Mises Br na imagem do artigo, alguém aqui saberia explicar o fato do Kinder Ovo ser tão caro no Brasil? Esse é um produto que sempre foi caro nesse glorioso país da América do Sul, na época que custava 1 real isso era relativamente muito dinheiro, dava até para comprar um saco de arroz com 1 real também.

  80. Já havia lido o artigo original postado em 2017. Enxertado com novos dados ficou ainda mais brilhante e fácil mensurá-lo. Para uma próxima reedição acho válido considerar a gama de produtos que entraram no mercado desde 1994, sobretudo nos últimos 15 anos como no subsetores automotivos, informática, telefonia, TI, etc. Concordo que o que impulsiona preços é a quantidade de dinheiro colocado em circulação. Tanto que os bancos estão restringindo os empréstimos automáticos, aquele valor colocado à disposição do rentista consumidor para “emergências”.

  81. Tudo começou cair quando PT assumiu em 2002 e o governo atual está todo perdido com ministro da economia que não é economista e sim especulador financeiro o resultado é caos!

  82. Liberal sem faculdade

    Quero agradecer a todos que fazem parte do Instituto Mises Brasil. O nível de conhecimento adquirido depois que comecei a ler os artigos do site com frequência é surpreendente. Expandiram muito minha cosmovisão em diversas áreas do conhecimento. Agradeço aos autores, tradutores, organizadores e mantenedores do Instituto. O preço do serviço que vocês têm prestado para livrar muitos de falácias econômicas é inestimável.

    Parabéns.

  83. Senhores, sou bastante leigo no quesito economia. Mas como cidadão brasileiro do “dia-a-dia”, afinal o deveria ser realmente feito para que este País melhore e se estabilize? Sou adepto da geração de valores através do desenvolvimento interno, ou seja, desenvolvermos nossos carros, nossos liquidificadores, nossas bicicletas e por ai vai! E não ficarmos dependente da instalação de empresas multinacionais onde o verdadeiro lucro vão para suas matrizes!

    Obrigado!

  84. “Estrangeiros voltam à dívida pública brasileira depois de saída na pandemia”

    Em termos práticos, o que muda na economia brasileira? No ano de 2015, eram 18,8 % de estrangeiros. Depois essa cifra caiu bastante, chegando 9,2 % em 2020 (o que foi influenciado pela perda de grau de investimento do Brasil). Agora voltou para 10,5 % (outubro desse mês de 2021). Alguém pode falar que isso reduz a necessidade de algum brasileiro financiar o governo comprando títulos, mas o que faria um rentista sair dos títulos governamentais e abrir um negócio no Brasil?

    De curiosidade, analisando o mesmo relatório, só que em dezembro de 2000, a maior parte dos títulos era atrelada à SELIC (52,14 %). Nessa época (fim de dezembro), a SELIC era de 15,75 % (até que o crescimento do PIB foi bom nessa época, apesar da alta inflação).

  85. Carl José Westhoff

    Muito bem quanto ao diagnóstico: a inflação é causada pelo aumento da base monetária.

    Mas, e qual é a causa do aumento da base monetária?

    A quem interessa?

    É uma das maneiras de um governo deficitário financiar suas despesas?

  86. Evolução do preço do BigMac no Brasil, de 2000 a 2021.

    2000: R$2,95

    2001: R$3,6

    2002: R$3,6

    2003: R$4,55

    2004: R$5,4

    2005: R$5,9

    2006: R$6,4

    2007: R$6,9

    2008: R$7,5

    2009: R$8

    2010: R$8,7

    2011: R$9,5

    2012: R$10

    2013: R$12

    2014: R$13

    2015: R$13,5

    2016: R$15,5

    2017: R$16,5

    2018: R$16,9

    2019: R$17,5

    2020: R$19,9

    2021: R$21,9

    twitter.com/qrcapital/status/1472673093487374343

    A pergunta é: é o BigMac que está mais escasso no Brasil ou é o dinheiro que está mais abundante?

  87. O que explica essa desconeção entre o M2 americano e o Indice de preços deles nos ultimos 25 anos?

    A força deflacionaria da china aumentando a oferta de bens e serviços nos eua?

    pbs.twimg.com/media/FHpi7qTWUAoVN-I?format=png&name=small

    (perdão a falta de formatação do link, não estou conseguindo)

  88. Carlos

    nao vi contradição nenhuma, eis oq escrevi:

    paragrafo 1 – as coisas sao mais affordable em paises ricos

    paragrafo 2 – populações mais produtivas tem maiores rendas

    paragrago 3 – pq essa alta produção reduzem MAIS os precos em paises pobres do que nos paises ricos?

    quanto ao seu ”desenho”:

    1- nao estou querendo ”vencer no cansaço”, venho aqui perguntar pq de fato quero entender… nao se pode nem questionar algo, que o cara ja leva pro pessoal e acha que estou tacando suas ideias, de novo Eu Quero Entender Esse Fenômeno. pare de ser neurótico

    2- Nao, vc nao esta descrevendo oq ”eu quero”, isso é má fé sua, eu nao estou falando de skol e cerveja artesanal em zurich. estou falando de produtos iguais ou similares.

    Estou falando de ir ao mercado nos EUA e pagar mto mais do que o dobro por uma heineken do que eu pagaria no Brasil.

    3- ” As coisas são caras na Suíça porque a demanda é alta. E a demanda é alta porque a renda é alta” e a renda é alta pq a população é produtiva. então, vou repetir mais uma vez a pergunta se a população produz mais/melhor porque isso não reduz mais os preços em países pobres do que em ricos? . consegue responder isso?

  89. Acabou de sair na impressa que o BC disse que a inflação era culpa da pandemia. Ora desde 2019 vinha deixando os juros baixos na canetada até o ano passado favorecendo expansão do crédito, o dollar encareceu devido os investidores estrangeiros aplicarem nos EUA e com essa política ganhou os exportadores e o ministro da economia com investimentos no exterior. Desde a redemocratização é o pior governo eleito, quando deixar a presidência (não será reeleito) o próximo que assumir pegará terra arrasada.

  90. Ontem ou anteontem saiu o índice oficial de inflação de 2021 do BC em mais de 10%. Ocorre que quem consome percebe facilmente que o aumento real no caixa foi muito maior que estes 10% – em todos os segmentos da economia vislumbramos aumentos que margeiam os 20, 30, 50%. Automóveis, insumos de construção e exportáveis principalmente. Concordo que conceitualmente aumento de preços diverge de inflação, contudo, o que explicaria esta diferença absurda entre o índice anunciado e sensação/constatação no momento da compra? Seria a queda na produção mediante a crise causada pelo “fecha tudo” ?

  91. Galerinha do meu S2, tenho uma dúvida fora do tópico deste artigo:

    Sobre o Bitcoin e os mineradores, pois bem, digamos que governos mundiais partam pra ignorância e emplaquem uma esforço global para bani-lo, e para isso passem à perseguir os mineradores. Como hoje a mineração do ouro digital requer o uso de hardware especializado (que é difícil de esconder) e grandes quantidades de energia para ser minimamente rentável, em tese os grandes mineradores são relativamente fáceis de rastrear e não estariam à salvo na situação proposta.

    Pois bem, digamos que o crackdown atinja o objetivo e todos os grandes mineradores sejam tirados da jogada, vejam se a minha visão faz sentido ou se entendi algo errado:

    Sem os grandes o hashrate da rede cairia muito, causando um enorme afundamento da capacidade de processamento de transações da mesma. Porém a sumiço dos grandes (e a consequente menor concorrência) tornaria a mineração mais barata, no sentido de exigir menos hardware e energia do que antes, o que tornaria novamente viável minerar com um PC doméstico bem equipado e com gasto que não lavante tantas suspeitas. Isso causaria uma descentralização ainda maior da moeda, nós menos potentes porém muito mais numerosos e difíceis de rastrear, com isso os burocratas estariam conseguindo o exato oposto daquilo que pretendem.

    Isso faz sentido? Eu entendi corretamente o funcionamento da tecnologia?

  92. “Pacote de figurinhas da Copa do Mundo foi de R$ 0,50 a R$ 4 em 20 anos; relembre”

    Lembro quando o pacotinho de figurinhas custava R$ 0,6.

    Interessante notar o padrão dos aumentos nos pacotes de figurinhas, que foi se acentuando ao longo do tempo.

    Em média dos dias úteis do mês, se eu estiver calculando corretamente (agosto a agosto):

    – De 2002 a 2006, o M1 cresceu 61,26 %.

    – De 2006 a 2010, o M1 cresceu 75,26 %.

    – De 2010 a 2014, o M1 cresceu 29,36 %.

    – De 2014 a 2018, o M1 cresceu 14,52 %.

    – De 2018 a abril de 2022 (dia 27), o M1 cresceu 64,55 %.

    Imaginem se as figurinhas seguissem a variação do M1. Ou melhor, todo o mercado. Nossa vida seria uma catástrofe.

  93. Interessante que na sétima imagem, é mostrada uma lâmpada de 20 W por R$ 16,9 da Philips.

    Hoje em dia, por menos de R$ 16,9, você compra uma lâmpada LED, mais econômica e durável do que essa lâmpada de 20 W da Philips.

    Seria legal se fossem compilados anúncios de 1994 e 2001 mostrando televisões e equipamentos de informática.

  94. O Brasil sempre será um país inflacionista. Afinal tem o agronegocio que só quer mais credito e subsidios,os “empresarios” são um bando de oligarcas,alem disso tem 12 milhoes de servidores e 766 militares que ganha 70% a mais que o salario minimo.

    Vale lembrar do historico de mudanças de moedas,o real é a nosssa 9 moeda e já está morta. Por que o SOCIALISTA do Bolsonaro desvalorizou e imprimiu muito dinheiro.

  95. Leandro Roque vive! Como faz falta esse economista formidável.

    Entretanto, parece que alguns links no artigo ainda estão quebrados, como os dos hyperlinks indicados.

  96. O interessante é que o crédito concedido pelo setor privado continua subindo a taxas altas, mais até do que o crédito estatal. Como explicar isso, apesar da alta nas taxas de juros SELIC?

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