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Como o pré-sal gerou uma trágica re-estatização da produção de petróleo no Brasil

Foi
ainda em 2006 que uma exploração na Bacia de Campos descobriu o pré-sal, uma camada
geológica extremamente profunda contendo petróleo de alta qualidade.

A
descoberta foi anunciada com grande euforia. Políticos diziam que a descoberta lançaria
o país em uma nova era. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva descreveu
o pré-sal como um “bilhete
premiado
” para os brasileiros.

E
quando, em 2008, a Petrobras extraiu pela primeira vez petróleo do pré-sal, a
promessa era a de que todos os problemas do Brasil já estavam
solucionados.  Bastava apenas extrair o petróleo lá das profundezas, e
todos os
problemas da educação e da pobreza
seriam miraculosamente resolvidos com o
dinheiro que seria obtido com a exportação deste petróleo.

Hoje,
porém, dez anos após a descoberta, o Brasil se encontra em uma profunda crise econômica
e política. O desemprego alcançou
12 milhões de pessoas
. No setor petrolífero, decisões ruins tomadas pelo
governo transformaram os supostos benefícios do pré-sal em uma grande ficção.  Tem havido uma hemorragia nos investimentos
privados. As atividades de pesquisa e inovação nos parques tecnológicos minguaram.
Engenheiros formados nas melhores universidades do país já abandonaram sua área
de formação e, por falta de oportunidades, migraram
para outras áreas que pagam menos. Vários pensam
em sair do país
.

E
o pré-sal jamais chegou perto de entregar o prometido, se transformando em uma
grande decepção
.

Quem ofuscou o ouro negro?

A
jornada petrolífera brasileira, da euforia ao fracasso, pode ser mais bem
compreendida ao se analisar as transformações no quadro regulatório do setor nos
últimos vinte anos.

Até
meados da década de 1990, a Constituição Federal brasileira estipulava que a
exploração e produção de petróleo deveriam ser monopólios da União. E esse
monopólio seria exercido pela Petrobras. Com efeito, a Petrobras já exercia
esse monopólio desde sua criação, em 1954.

No
ano de 1995, foi aprovada uma emenda constitucional flexibilizando esse
monopólio, possibilitando
à União a contratação de empresas privadas
— nacionais e estrangeiras —
para a realização das atividades, em um ambiente competitivo.

Dois
anos depois, em 1997, o processo de abertura do setor de petróleo no Brasil
alcançou seu amadurecimento com a Lei nº 9.478/97,
instituindo o regime de concessão por licitação. A Wikipédia traz um bom
resumo:

A lei nº 9.478 extingue o monopólio
estatal do petróleo nas atividades relacionadas à exploração, produção, refino
e transporte do petróleo no Brasil, e passa a permitir que, além da Petrobrás,
outras empresas constituídas sob as leis brasileiras e com sede no Brasil
passem a atuar em todos os elos da cadeia do petróleo, ou seja, do poço ao
posto (em inglês, from well to wheel), em regime de concessão ou mediante
autorização do concedente — a União.

Até o advento desta lei, outras
empresas só podiam atuar no downstream, isto é, apenas na venda dos derivados
do petróleo. A Petrobras perdeu, assim, o monopólio da exploração e do refino
de petróleo no Brasil.

Ou
seja, este regime concedeu a empresas privadas o direito de explorar petróleo
no país, desde que pagassem o bônus da assinatura, royalties e participação
especial. 

O
bônus de assinatura é um valor pago pela empresa concessionária vencedora da
licitação para poder explorar determinado campo. O valor desse bônus é definido
em leilão.

Os
royalties são uma espécie de imposto pago sobre o faturamento total. Hoje,
todos os campos de exploração pagam em média 10% de royalties.


a participação especial (regulamentada pelo decreto n° 2.705
de 1998
) é cobrada somente em campos com alta produtividade. Vale ressaltar
que, com esse regime, aumentou-se a participação acionária de investidores
privados na Petrobras.

Essa
quebra do monopólio estatal e a subsequente abertura do setor — ainda que
tímida — a empresas privadas geraram resultados expressivos. A participação do
setor de petróleo e gás no PIB brasileiro evoluiu de 2,7% em 1997 para 10,5% em
2005. Enquanto a economia brasileira cresceu 14,22% entre 1998 e 2004, o setor
petrolífero, incluindo a indústria petroquímica, cresceu
318%
.

Isso
significou a expansão de empregos e oportunidades para os brasileiros nesta área.
Sob a pressão de uma maior concorrência, a Petrobras começou a produzir
tecnologia de ponta para atividades em águas profundas.

Foi
neste contexto que ocorreu a descoberta da camada do pré-sal em 2006. O
potencial de produção de petróleo e gás natural advindo desta descoberta se mostrava
muito superior a
qualquer outra já realizada no Brasil
.  Com efeito, o pré-sal da Bacia de Santos,
descoberto em 2007, era a maior
descoberta ocorrida no Ocidente em décadas
.

E
então houve o inevitável.  O governo Lula,
pressentindo uma inaudita oportunidade de ganhos políticos, tomou uma decisão fatídica:
decidiu mudar o marco legal do setor de petróleo do Brasil.

A política que selou o destino do
Brasil

No
dia 22 de dezembro de 2010, a Lei
nº 12.351
concretizou a mudança no marco legal petrolífero do país.  Um novo modelo de produção foi instituído: em
vez do regime de concessão até então em vigor, agora haveria o “regime de
partilha”.

O
regime de partilha era uma modalidade contratual caracterizada:

1)
pela partilha, entre o consórcio produtor e a União, de um percentual do óleo
produzido;

2)
pela obrigatoriedade da Petrobras de participar como operadora nos consórcios;
e

3)
pelo papel preponderante da Pré-Sal
Petróleo S.A. (PPSA)
, uma empresa estatal, nas decisões desses
consórcios.

O
objetivo claro era aumentar o controle do estado sobre a produção de petróleo,
especialmente na área do pré-sal.

Este
regime também previa a cobrança de royalties e de bônus de assinatura. Uma das
diferenças entre os dois regimes é que, na partilha, mesmo a empresa
concessionária tendo extraído petróleo, este ainda é de propriedade da União.

Estipulou-se,
adicionalmente, que a Petrobras seria a operadora obrigatória em toda e
qualquer atividade de extração. Ficou legalmente estabelecido que a estatal teria
participação mínima de 30% em todos os consórcios, o que significava que as
demais empresas poderiam atuar apenas como sócias da Petrobras.  Consequentemente, os leilões de licitação dos
campos do pré-sal seriam referentes apenas às parcelas de participação das
outras empresas, uma vez que a operadora, a Petrobras, já era definida por lei.

O
novo marco regulatório também regulava as decisões operacionais dos consórcios.
A PPSA, estatal que tinha a finalidade de representar a União nos contratos de
partilha, participaria das decisões do consórcio tendo 50% dos votos no órgão
deliberativo. Teria também o voto decisório (voto de minerva) e poder de veto
em toda e qualquer decisão.

Tais
mudanças limitaram severamente o papel do capital privado nos blocos do
pré-sal: não havia motivos para empresas privadas concorrerem por um contrato
de licitação sabendo que a Petrobras já possuía, por lei, a maior fatia.  Sob esse arranjo, as principais decisões do
consórcio nem sequer seriam tomadas pelo investidor.  Assim que o leilão fosse ganho, o(s) vencedor(es)
teria(m) de acertar com a estatal brasileira como ocorreria o cumprimento do
contrato de partilha celebrado.

Não
havia por que o capital privado demonstrar grande interesse por esse arranjo. E
o resultado do primeiro leilão, o de Libra, foi exatamente como o esperado pela
teoria econômica.

Propagandeado
como a maior reserva de petróleo do Brasil e a
maior área para exploração de petróleo no mundo
, cujo potencial poderia
se aproximar dos 12 bilhões de barris, o governo brasileiro esperava atrair
pelo menos 40 empresas para o leilão de Libra, no dia 21 de outubro de 2013. 

Mas
houve apenas com um único lance. Um único consórcio apresentou proposta, oferecendo
o lance mínimo estipulado no edital: 41,65% de óleo excedente para a União.

O
consórcio era formado, além da Petrobras, por apenas
outras quatro empresas
: duas
estatais chinesas (CNPC e CNOOC), uma empresa francesa (Total) e a anglo-holandesa
Shell.  As quatro formaram um único consórcio, o que significa que não
houve nenhuma concorrência no leilão. Gigantes do setor, como Chevron,
Exxon Mobil, BHP Billiton, Statoil, BP e Repsol não se interessaram.

Com
os investimentos na área desabando, rapidamente ficou claro que a mudança do
quadro regulatório do setor, com a introdução do modelo de partilha, foi um dos
maiores fracassos estratégicos da história brasileira. No entanto, todo o
debate político a respeito dessa mudança foi interditado. Não havia
racionalidade, mas sim chavões e frases de efeito. Qualquer proposta visando a
corrigir as distorções do modelo de partilha eram prontamente rotuladas de
“entreguistas” e “neoliberais”, atacadas por políticos do PT, PCdoB e PSOL,
pelos intelectuais de internet a soldo destes partidos, e até mesmo pela Federação
Única dos Petroleiros, uma federação sindical
aparelhada por petistas.

Para
piorar, em paralelo a tudo isso, um mastodôntico esquema
de corrupção
 já ocorria na Petrobras, destruindo o capital da
empresa. O mesmo governo que introduziu as mudanças que deram errado
também se revelou uma máfia envolvida em gigantesco escândalo de corrupção que
engolfou a estatal, cujos dirigentes (indicados pelo PT) recebiam propinas de
empreiteiras e, em troca, contratavam essas mesmas empreiteiras para fazer
obras superfaturadas para estatal, destruindo seu capital.

Mas
não acabou por aí: ao mesmo tempo em que tudo isso ocorria, o governo também obrigou
a Petrobras a vender às distribuidoras gasolina
abaixo do preço
 pelo qual ela foi importada.  E a obrigou também
a produzir utilizando uma determinada
porcentagem de insumos fabricados no Brasil
. O capital da Petrobras,
portanto, sofre um triplo ataque.  E ela se torna a empresa mais
endividada do mundo
.

Mas
o monopólio da Petrobras sobre todas as operações do pré-sal mascarou a real situação
periclitante da estatal, ofuscando todas as urgentes necessidades de se
reformar a empresa. E a falta de concorrência nestes últimos anos a distanciou
da necessidade de investir em inovação tecnológica.

A
empresa se esfacelou.  Suas ações, que
chegaram a bater em R$ 51 em 2008, desabam para R$ 4 ao final de 2015,
aniquilando a poupança dos incautos que investiram na empresa confiando na
propaganda do governo.

petr.png

Conclusão

Recentemente,
o Congresso acabou
com essa obrigatoriedade da Petrobras de participar da extração de petróleo da
camada pré-sal.  O novo governo também anunciou
que irá revogar algumas restrições à participação de capital estrangeiro nos
empreendimentos da Petrobras, com o intuito de atrair os tão necessitados
investimentos.  Mas isso está sendo feito
após uma década de estragos auto-infligidos.

A
descoberta do pré-sal poderia ter representado para o Brasil o que a jazida Ekofisk — operada por várias empresas estrangeiras privadas — significou
para a Noruega: o início de um novo ciclo de desenvolvimento, trazendo
prosperidade para o país. Poderia ter significado oportunidades de sucesso e
realização profissional para os brasileiros que trabalhariam e empreenderiam na
rede de empresas que envolve toda a cadeia de produção e distribuição de
petróleo, indo desde a venda de marmitas até a sofisticada engenharia offshore.

As
mudanças que se sucederam à descoberta do pré-sal, e toda a corrupção estimulada
por ela, afugentaram investimentos, destruíram o capital da empresa, reduziram
empregos e estão por levar o país ao patamar exploratório da
década de 1970
. Um governo fracassado, que levou o país à bancarrota,
transformou o pré-sal em uma ficção.

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Leia também:

A maldição do petróleo continua a atormentar o Brasil

Por que é preciso privatizar as estatais – e por que é preciso desestatizar as empresas privadas

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62 comentários em “Como o pré-sal gerou uma trágica re-estatização da produção de petróleo no Brasil”

  1. Não adianta, nem se você desenhar a esquerda pára com o ”petróleo é nosso”.

    Alguém aqui acredita na Privatização da petrobras? Eu acho pouco provável; só em um futuro muito distante.

    Não acredito que o Temer privatizaria a empresa, do mesmo jeito não acredito que quem ganhar em 2018 irá privatizar. Acho que somente se o buraco for maior do que todo mundo pensava.

    Aproveitando a oportunidade, fiquei sabendo que a Carta Capital já deu chilique porque está no congresso uma proposta de acabar com as concessões das linhas telefônicas. A proposta trata de privatizar totalmente as linhas… Já seria um avanço. Aí só faltava fechar a ANATEL e acabou..

    http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/projeto-de-lei-privatiza-infraestrutura-de-acesso-a-rede-entenda

    E mais:

    Alguém sabe me dizer onde os caras tiraram esses números para argumentar que a carga tributaria brasileira não é grande?

    http://www.cartacapital.com.br/economia/impostos-angolanos-servicos-publicos-suecos

    Cara essa Carta Capital doi a cabeça só de ler, eu fico abismado com tanta mentira…Seria legal existir uma pagina só pra refutar cada artigo da carta capital e acabar com essa farsa de uma vez.

    Abraços

  2. Tem que dar tapa na cara o dia inteiro em quem quer administração estatal de empresas e recursos.

    Sou engenheiro e trabalhava no setor naval durante a bonança nos idos de 2011 quando na dissolução da sociedade de uma empresa um sócio não queria tirar dinheiro do bolso e me ofereceu uma propriedade no sul do país, aceitei a oferta e em alguns meses troquei completamente de área de atuação e vim para o agronegócio, mal sabia eu que isso salvaria meu patrimônio, meus amigos e colegas da antiga área dividem-se hoje entre desempregados, empregados de salários atrasados, jovens de carreiras promissores estagnados e empresários completamente falidos, o setor foi devastado, a quantidade de pessoas que mudaram completamente sua vida para se dedicar a profissão e foram completamente frustradas é imenso.

    Se você é jovem nunca, jamais trabalhe em um setor que possui reserva de mercado, fuja disso como o diabo foge da cruz.

  3. Além do esquema de corrupção e da obrigação de subsidiar os preços de combustíveis, acrescento os projetos com VPL negativo que a Petrobras teve que tocar por decisões políticas populistas (e por causa da propina envolvida), sob o pretexto de “levar desenvolvimento à região”: COMPERJ, RNEST, Premium I, Premium II, UFN III e UFN V. Felizmente alguns deles foram cancelados mais recentemente, mas geraram um prejuízo enorme à Petrobras.

    Faço uma correção sobre o último parágrafo do texto “…levaram o país ao patamar de produção da década de 1970”. O artigo do Globo menciona o número de poços exploratórios, e não a produção. O patamar de produção de petróleo hoje no Brasil é infinitamente superior ao da década de 70, quando se produzia, estimo eu, uns 150.000 barris por dia. Hoje a Petrobras produz 2,88 milhões de barris por dia. O artigo do Globo também não leva em conta que hoje um poço do pré-sal produz 30.000 barris por dia, quando um poço da década de 70 devia produzir uns 500 (sendo otimista).

    Acompanho o Instituto Mises diariamente. Parabéns pelo trabalho!

  4. Só um tolo não enxerga: A Petrobras tem na folha de pagamentos muito mais funcionários que Shell e BP juntas. Aí me pergunto: Pra quê tanta gente? Cabide de empregos e politicagem, marcas de governos populistas.

  5. E o pior é que a esquerda insiste em realmente acreditar naqueles discursos retóricos e totalmente dissociados da realidade do “o petróleo é nosso” e “não ao entreguismo” etc…

    Esses dias estava discutindo com uma figura dessas e o cara realmente acreditava que valia mais a pena impedir que empresas privadas entrassem no mercado para concorrer. Na prática para essas pessoas vale mais deixar o petróleo debaixo da terra sem gerar nada a população, do que permitir que empresas privadas os explorem e isso gere investimentos, emprego, renda e arrecadação.

    Eles são uma piada completa, todo e qualquer coisa é resolvida com base na ideologia, pouco se importando com as implicações reais das medidas a serem adotadas. Talvez por isso sejam tão apaixonados pela utopia socialista.

  6. A Total também não é uma estala? E outra coisa, no caso da Noruega citado ao fim do artigo, lá a exploração do petróleo não é feita pelo Estado?

  7. Não tinha como dar certo… e não acho que tenha recuperação.

    Desculpem a mudança de assunto, mas vai sair algum artigo comentando o pífio corte de juros? Haverá alguma consequência boa ou saudável?

  8. Leandro ou algum econômista, uma pergunta que não tem nada ha ver com o artigo.

    O Emprestimo interbancario(OVERNIGHT) pode ser feito a juros maiores ou menores a taxa selic ou por lei e obrigatorio ser feito a taxa selic?

  9. Felipe Gonçalves da Silva

    Acho que atrelar desempenho da Petrobrás e da economia brasileira à política desenvolvida no setor é errada. Até porque com essa mesma política a Petrobrás chegou a ter lucros exorbitantes. O que atinge diretamente o resultado da companhia e do setor é o preço do Barril que despencou enormemente nos últimos anos.

    Outro ponto a salientar é que não há outra empresa petrolífera que opere melhor em águas profundas, que a Petrobrás, até por isso, para eles também é interessante fazer parcerias com a empresa estatal. Alias, a única empresa que decidiu lançar vôos mais altos foi a OGX, e olha no que deu. Nem estou levando em consideração outros aspectos tais como Seguranca e meio ambiente, em que a Petrobrás segue rigorosamente a legislação vigente enquanto algumas empresas estrangeiras arrumam subterfúgios pra burlar isso e aumentar lucro. No cenário atual, com o preço do petroleo baixo e o custo alto de se explorar na camada pré sal, acho difícil alguma empresa estrangeira se interessar em explorar ou mesmo produzir algo no país. Só se o governo resolver “dar” a empresa… Aí sim quem sabe. Mas acho interessante qualquer Post sobre petróleo ou indústria, chamar alguém do ramo pra ajudar no debate do assunto, porque observar simplesmente pela “política” ou mesmo legislação é se ater apenas a superfície da questão.

  10. Companheiro Camarada

    Mas a obrigatoriedade da Petrobras de participar da exploração de petróleo na camada pré-sal ainda não acabou. O projeto foi apenas aprovado em uma Comissão Especial, e a essas alturas deve estar ou na Câmara ou no Senado.

    Por outro lado, como o projeto também não deve ter muita dificuldade para ser aprovado, consideremos o artigo atualizado para o futuro.

  11. O Brasileiro é um povo exótico. Para ele, pagar por uma gasolina cara e batizada com etanol é algo bom, pois o mais importante é que “o petróleo é nosso”. Além de ser obrigado a sustentar uma estatal ineficiente que é aparelhada por funcionários públicos que ganham muito e produzem pouco, políticos inescrupulosos e sindicalistas pelegos, ainda por cima é obrigado a sustentar os barões da indústria do etanol – já que a gasolina é obrigada por lei a ter etanol na composição.

    E há bizarrices nesse país que são verdadeiras jabuticabas. O brasileiro aceita pagar um preço absurdo em tudo que é vendido aqui. O baronato da ANFAVEA vende as carroças deles que outros países não aceitariam comprar por 50K e as pessoas aceitam pagar e não boicotam. Produtos importados são vendidos com uma margem de lucro de mais de 200% e as pessoas ainda assim pagam.

    O Brasil é um país que parece estar isolado do resto do planeta, pois essas bizarrices só ocorrem aqui. Entre os brasileiro explorados há dois grupos: os idiotas que aceitam serem explorados por patriotismo ou ideologismo. E os malandros que aceitam essas coisas porque querem algo em troca, ou estar roubando também ou qualquer outra coisa.

  12. aproveitando a discussão: Há algum tempo atrás, nós tinhamos postos Texaco, Esso, Forza, Agip, e hoje em dia não existe nenhum desses mais. Pelo menos aqui no Rio de Janeiro.

    Alguém sabe o motivo?

  13. Prezado Pedro Saad

    Achei muito bom seu artigo. Atacou diretamente o problema de uma forma clara e precisa.

    Quando vi seu currículo, ainda de estudante, fiquei feliz em ver que nem tudo está perdido.

    Falo isto porque tenho 60 anos, trabalhei 31 na Petrobras e a sete anos trabalho para a iniciativa privada, tendo inclusive trabalhado para uma multinacional europeia aqui no Brasil. Hoje trabalho como consultor para uma empresa brasileira de produção de petróleo, sem vínculo empregatício. E nunca fui a favor do monopólio. Entre outras coisas porque após você entrar na Petrobras, fazer cursos duríssimos em engenharia ou geologia de Petróleo você se tornava u m profissional de empresa única.

    A mudança da lei do petróleo foi muito ruim para todos, conforme você bem descreveu, mas também para a Petrobras. Afinal, quem gosta de ser obrigado a entrar em todos os negócios?

    Afinal, não esqueçamos, a Petrobras é uma empresa de economia mista, com o seguinte perfil:

    Capital total:

    União 39%

    Pessoas jurídicas e físicas: 61%

    divididas nas bolsas de New York, São Paulo e Buenos Aires.

    Exatamente, hoje tem mais americanos que brasileiros acionistas da Petrobras. É só entrar no site de Wall Street e pesquisar.

    É claro que apesar da União só ter 39% das ações, ela tem 51% das ações com direito a voto.

    Assim sendo, os acionistas donos de 61% da Petrobras não gostaram.

    A multinacional europeia que trabalhei é sócia da Petrobras em diversos projetos. Nas reuniões que tínhamos lá, percebíamos que a maioria do corpo técnico era contra. Afinal, de repente você é obrigado a entrar em todos os projetos, mesmo que o corpo técnico considere o projeto de baixa atratividade.

    Agora, mesmo concordando em grande parte com seu artigo, se você me permite, tenho algumas observações:

    – Em relação ao pré-sal não ter entregado o prometido, o mesmo já produz, segundo o Boletim de Produção Mensal da ANP (pode ser verificado no site), mais de um milhão de barris por dia. Se você comparar da primeira descoberta ao primeiro milhão por dia, o pré-sal bateu o record da Bacia de Campos pós-sal, Golfo do México americano e Mar do Norte.

    A mudança da lei vai afetar a produção a mais longo prazo.

    – Em relação à Petrobras ter tido maior pressão após a quebra do monopólio, concordo e afirmo que foi muito bom.

    Mas aPetrobras já tinha muito sucesso anterior:

    Foi lider mundial em exploração de petróleo em águas cada vez mais profundas, desde 1977 até os anos 2000.

    Descobriu campos de petróleo gigantes como Albacora, Albacora Leste, Marlim, Marlim Sul, Barracuda, Roncado e Jubarte, todos no pós-sal da Bacia de Campos.

    Como dizia Roberto Campos ” se a Petrobras é incompetente, não merece o monopólio. Se é competente, não precisa. ”

    A história mostrou que após a quebra do monopólio, em 1997, a Petrobras teve o maior sucesso da vida dela, encontrando campos super-gigantes no pré-sal.

    OBS: Campo gigante: tem mais de 500 milhões de barris recuperáveis; campos super-gigantes: tem mais de cinco bilhões de barris recuperáveis.

    Em igualdade de condições com empresas do mundo inteiro, a Petrobras encontrou dezenas de campos de todos os tamanhos enquanto que as concorrentes não encontraram quase nada. De alguma relevância, A Statoil descobriu Peregrino, a Devon encontrou Polvo. As descobertas da Shell, Ostra, Nautilus e outroe dois foi num bloco exploratório que a Petrobras era dona e repassou à Shell, ficando sócia minoritária.

    Em relação ao que você descreva como inevitável, a mudança do marco do petróleo, vale descrever como algo fantástico, se mal usado pode se tornar fatídico..

    Na industria do petróleo mundial existem três situações: alto, médio e baixo risco.

    Alto risco seria o pós sal do Brasil, o Golfo do México e o Mar do Norte, por exemplo. Neste caso, normalmente se usa o regime de concessão, onde os riscos e prêmios são do concencionário, via pagamento de royalties.

    Baixo risco é o Oriente Médio. Neste caso, em geral o regime é de prestação de serviços. A empresa recebe por serviços realizados e o petróleo é todo do contratante. É ruim? Nenhuma petroleira europeia ou americana se nega a trabalhar para os árabes.

    Finalmente, o caso intermediário é o de partilha.

    Ou seja, os três casos existem no mundo e nos três casos há empresas interessadas.

    Quando a Petrobras descobriu oito acumulações de petróleo em oito poços perfurados (índice de sucesso de 100%), os olhos brilharam. Muitos falaram: “É um novo oriente-médio”. E este que foi o problema, não somos um oriente-médio. Aí criaram este monstrengo obrigando a Petrobras a ser operadora única e criando a PPSA, mais uma estatal e, neste caso, 100% estatal.

    O leilão de Libra não tinha como dar certo pois como a Petrobras era obrigada a ser operadora, houve reuniões prévias de todas as interessadas com a Petrobras. Ou seja, o leilão foi prévio. Na hora do leilão oficial não tinha como ter mais de um consórcio.

    Isto não quer dizer que o resultado foi de todo ruim. A Shell é a segunda maior empresa de capital aberto do mundo. A Total é a quarta. Libra vai trazer muito resultado para o Brasil. Os investimentos serão elevados, até por força de contrato.

    Oproblema não é o contrato de Libra em sí mas o resultado no “congelamento” de novas rodadas que atrofiaram a área do petróleo no Brasil.

    E por azar d os azares, a at ividade do petróleo foi reduzida extremamente em todo o mundo, fruto da queda da cnotaão, de 110 para menos de 50 dolares por barril

  14. O Governo Dilma pede nos leilões 40% de lucro no óleo, países exportadores pedem 80% e o congresso nacional pede 60%.

    O Brasil dá Petróleo de graça para os estrangeiros e vende caríssimo para os trouxas brasileiros.

  15. A Noruega é uma exceção. Para a maioria dos países com grandes reservas, possuir muito petróleo foi uma maldição disfarçada de bênção.

    O socialismo dura enquanto durar o dinheiro dos outros. Mas riquezas naturais podem dar um longo fôlego extra para governos autoritários.

    * * *

  16. Andrea Mallmann Lessa

    A exploração do petróleo abaixo da camada de sal é uma inovação no mundo! Nenhuma empresa no mundo inteiro tem tecnologia para fazer

    No princípio não sabíamos se o petróleo que seria encontrado seria mais ou menos denso do o que existia ja nos poços explorados em águas profundas

    Nossas bacias de petróleo no Brasil possuem um diferencial negativo quando comparamos ao produto bruto extraído em outros países como Arábia… Emirados.. e até a Venezuela. Nosso petróleo é pesado e depende de refinarias específicas para este tipo de oleo .

    Ja o petróleo que foi encontrado abaixo da camada de sal é leve.

    Possui um valor comercial maior

    E mais que isso… somos pioneiros nesta tecnologia.

    Qual foi o investimento em conhecimento em pesquisa e em tecnologia necessario para extrair este petróleo?

    Qual outra empresa no mundo INTEIRO tem este no hall?

    Quanto de petróleo no mundo existe abaixo da camada de sal??

    A que preço negociariamos está competência??

    É facil sucatear o esforço alheio!! #LulaLivre!! ??????

  17. Qual seria a vantagem pro país de permitir que empresas extraiam petróleo sem partilha, sem concessão, sem nada, só pagando imposto ?

    E caso a empresa extratora decida levar, nessas condições, todo o óleo bruto pra fora ?

    Outra pergunta:

    Qual seria a vantagem de se privatizar a petrobrás, que, queiramos ou não, extrai e refina com preço baixo ?

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