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O que os economistas neoclássicos têm em comum com o marxismo e com os socialistas utópicos

Todas as doutrinas que tentaram descobrir alguma
tendência específica na sequência dos acontecimentos da história humana não conseguem
concordar entre si, ao se referirem ao passado, a respeito de fatos
estabelecidos historicamente. 

E, sempre que elas tentaram prever o futuro, os
eventos posteriores provaram-nas espetacularmente erradas.

A maioria destas doutrinas caracterizou-se pela
referência a um estado de perfeição nas questões humanas.  Elas colocaram este estado perfeito ou no
começo ou no fim da história, ou tanto em seu fim quanto em seu começo.

Consequentemente, para as doutrinas que diziam que o
estado de perfeição vigorou no início da história, todos os acontecimentos
posteriores eram uma manifestação de uma deterioração progressiva da
humanidade.  Já para aquelas doutrinas
que enfatizavam que o estado perfeito ocorrerá no fim da história, todos os
acontecimentos indicavam, a seu modo, uma melhoria progressiva da humanidade.  Já para as doutrinas que diziam que o estado
perfeito vigorou no início e vigorará no fim, todos os acontecimentos nada mais
são do que um período de deterioração progressiva seguido por um de melhoria
progressiva.

Em algumas destas doutrinas, a ideia de um estado
perfeito estava arraigada em dogmas e crenças religiosas. No entanto, não cabe
à ciência laica fazer uma análise dos aspectos teológicos desta questão.

O que deve ser ressaltado, por sua obviedade, é que,
em um estado perfeito das interações humanas, não pode existir história. A
história é o registro das mudanças. O próprio conceito de perfeição, no
entanto, implica a ausência de qualquer mudança, já que um estado perfeito só
pode ser transformado em um estado menos perfeito, isto é, só pode ser
prejudicado por qualquer alteração.

Quando alguém situa o estado de perfeição apenas
neste suposto início da história, está afirmando que a era da história foi
precedida por uma era na qual não havia história, e que, um dia, alguns
acontecimentos perturbaram a perfeição desta era original, inaugurando assim a
era da história. Por outro lado, ao se presumir que a história tende à
realização de um estado perfeito, se está afirmando que a história chegará, um
dia, ao seu fim.

É da natureza humana se esforçar incessantemente para
substituir condições menos satisfatórias por condições mais satisfatórias. Esta
motivação estimula as energias mentais e instiga o homem a agir. A vida em uma
estrutura perfeita reduziria o homem a uma existência meramente vegetativa.

A história não se iniciou com uma Era de Ouro. As
condições em que o homem primitivo vivia parecem bastante insatisfatórias para
os observadores de épocas posteriores. Ele estava cercado por inúmeros perigos,
que, para o homem civilizado, não mais representam uma ameaça — ou pelo menos
não na mesma escala. Comparado a gerações posteriores, ele era extremamente
pobre e bárbaro. Teria ficado exultante caso tivesse a oportunidade de
aproveitar qualquer uma das conquistas de nossos tempos, como, por exemplo, os
métodos farmacêuticos para tratar de ferimentos.

A humanidade tampouco poderá alcançar algum dia um
estado de perfeição. A ideia de que um estado de indiferença e de falta de propósitos
é, além de desejável, a condição mais feliz que a humanidade poderá alcançar é
um delírio que, não obstante, permeia a literatura utópica. Os autores destes
projetos descrevem uma sociedade na qual nenhuma alteração será necessária, pois
tudo já atingiu a melhor forma possível.

Na Utopia não haverá mais motivo para a busca por
melhorias, pois tudo já será perfeito. A partir deste ponto, todas as pessoas
serão inteiramente felizes.

Karl
Marx e os socialistas utópicos

Neste sentido, Karl Marx também deve ser descrito
como utópico.  Ele também tinha como meta
um arranjo social no qual a história teria seu curso interrompido.  No esquema de Marx, toda a história é a
história das lutas de classe. Uma vez que as classes e luta de classes fossem
abolidas, a história já não mais poderia existir.

É verdade que o Manifesto
Comunista 
apenas declara
que a história de toda a sociedade que existiu até então — ou, como Engels
acrescentou posteriormente, com maior precisão, a história após a dissolução da
era de ouro do comunismo primevo — é a história das lutas de classe e, logo,
não exclui a interpretação de que após o estabelecimento do milênio socialista
algum novo conteúdo histórico possa surgir.

Mas os outros escritos de Marx, Engels e seus
discípulos não dão qualquer indicação de que um novo tipo de mudança histórica,
de natureza radicalmente diferente daqueles das eras anteriores de lutas de
classes, poderia vir a surgir. Quais outras mudanças podem ser esperadas, uma
vez que a fase mais elevada do comunismo, na qual todos conseguem tudo aquilo de
que precisam, foi atingida?

A distinção que Marx fez entre o seu próprio
socialismo “científico” e os projetos socialistas dos autores que o
antecederam, a quem ele chamou de utópicos, não se referia apenas à natureza e
à organização da comunidade socialista, mas também à maneira em que essa
comunidade deveria entrar em existência. Aqueles que Marx desacreditou como
utopistas construíram o projeto de um paraíso socialista, e tentaram convencer
as pessoas de que a sua realização é altamente desejável.

Marx rejeitou este procedimento. Ele alegou ter
descoberto a lei de evolução histórica segundo a qual a vinda do socialismo era
inevitável.  Ele viu as falhas e inconsistências
dos socialistas utópicos — seu caráter utopista — no fato de que esperavam
que o socialismo viria a partir da vontade do povo, isto é, de sua ação
consciente, ao passo que seu próprio socialismo científico afirmava que o
socialismo viria, independentemente da vontade dos homens, da evolução das
forças materiais produtivas.

Mas nunca ocorreu a estes autores que aqueles que
eles tanto queriam beneficiar por meio de revoluções pudessem ter opiniões
diferentes acerca do que lhes é desejável e o que não é.

A
utopia de hoje

Uma nova e sofisticada versão da imagem da sociedade
perfeita surgiu recentemente a partir de uma interpretação crassa do funcionamento
da economia de mercado. 

Para lidar com os efeitos gerados por mudanças
contínuas no “equilíbrio de mercado” — os esforços para ajustar a produção a
estas mudanças, e as alterações nos lucros e nos prejuízos –, o economista tradicional
cria um modelo econômico teórico em que há um estado de coisas hipotético,
totalmente inalcançável e impraticável, no qual a produção está sempre ajustada
aos desejos realizáveis dos consumidores e nenhuma outra mudança ocorre.

[N. do E.: Mises está se referindo à economia neoclássica
e aos seus modelos de equilíbrio estático
ou estado estacionário
, justamente aqueles ensinados hoje na esmagadora
maioria das universidades.

Neste modelo, as
informações do mercado são objetivas e conhecidas por todos (em termos
probabilísticos ou exatos).  Não há a
figura do empreendedor.  Não há um
investimento bom e um investimento ruim de capital; é tudo apenas capital e
tudo é homogêneo.

Ignora-se o fato de que cada ser humano possui uma
capacidade criativa ímpar e específica, a qual o permite continuamente perceber
e descobrir novas oportunidades de lucro.  Todas as informações são
conhecidas e nada se altera; tudo é estático.

O empreendedorismo consiste na capacidade
tipicamente humana de criar e descobrir novos meios e fins, e é a mais
importante característica da natureza humana. 
E isso é ignorado pela economia neoclássica.

E os economistas atuais se baseiam exatamente nesta versão
utópica para fazer suas políticas econômicas.]  

Neste mundo imaginário, o amanhã não é diferente do
hoje, nenhum desajuste pode surgir, e não há a necessidade de qualquer ação
empresarial. A conduta dos negócios não exige qualquer iniciativa; ela é um
processo automático executado inconscientemente por autômatos impelidos por instintos
misteriosos. Para economistas (e, também, para leigos discutindo questões
econômicas), não existe outra maneira de conceber o que está acontecendo no
mundo real, em constante alteração, do que contrastá-lo desta maneira com um
mundo fictício de estabilidade e ausência de mudanças.

Em uma metáfora emprestada da teoria da mecânica, os
economistas matemáticos chamam a economia uniformemente circular de estado
estático, rotulam as condições que nela predominam de equilíbrio, e classificam
qualquer desvio deste equilíbrio de desequilíbrio.

Esta forma de expressar sugere que há algo de
incorreto no próprio fato de que sempre há desequilíbrio na economia real, e
que o estado de equilíbrio nunca ocorre de fato. O estado hipotético meramente
imaginado do equilíbrio imperturbado é retratado como o estado mais desejável
da realidade.

Neste sentido, alguns autores chamam a concorrência,
tal como prevalece na economia mutável, de concorrência imperfeita [N. do E.:
sendo que a concorrência
perfeita é outro delírio neoclássico
].

A verdade é que a concorrência só pode existir em uma
economia mutável. Sua função é exatamente eliminar o desequilíbrio e gerar uma
tendência em direção à obtenção do equilíbrio. Não pode existir concorrência em
um estado de equilíbrio estático porque neste estado não existe um ponto no
qual um concorrente pode interferir de modo a executar algo que satisfaça mais
os consumidores do que o que já é feito.

A própria definição de equilíbrio implica que não
existe qualquer desajuste no sistema econômico, e, consequentemente, não há a
necessidade de se tomar qualquer atitude para acabar com estes desajustes, de
qualquer atividade empresarial, de lucros e prejuízos empresariais.

É precisamente esta ausência de lucros que faz com
que os economistas matemáticos considerem o estado do equilíbrio inalterado um
estado ideal, pois são influenciados pelo preconceito de que os empresários
seriam parasitas inúteis, e o lucro, um ganho injusto.

Neste estado de equilíbrio, o homem não é impelido a
qualquer ação, pois uma ação pressupõe a sensação de algum tipo de desconforto,
já que sua única meta é a remoção do desconforto.

A analogia com o estado de perfeição é óbvia. O
indivíduo plenamente satisfeito não tem propósito, não age, não tem incentivo
para pensar, passa seus dias gozando tranquilamente a vida. Se essa existência
digna de um conto de fadas é ou não algo desejável está ainda para ser
determinado. O que é certo é que os homens de carne e osso jamais podem obter
este estado de perfeição e equilíbrio.

E não é menos certo que, após sofrerem com as
agruras das imperfeições da vida real, as pessoas sonharão com esta realização
plena de todos os seus desejos. Isto explica as origens deste elogio emocional
ao equilíbrio e a condenação ao desequilíbrio.

O único serviço a que este constructo imaginário se
presta é provocar um grande alívio à busca incessante dos homens que vivem e
agem pela maior melhoria possível de suas condições. Para o observador
científico imparcial não há nada de questionável em sua descrição do
desequilíbrio. É apenas o zelo pró-socialista apaixonado dos pseudo-economistas
matemáticos que transforma uma ferramenta puramente analítica da economia
lógica em uma imagem utópica de um estado das coisas bom e desejável.

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Leia também:

O mercado é um processo
dinâmico, e não apresenta “equilíbrio”
 

Empreendedorismo,
eficiência dinâmica e ética 

As definições corretas de
monopólio e concorrência – e por que a concorrência perfeita é ilógica

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20 comentários em “O que os economistas neoclássicos têm em comum com o marxismo e com os socialistas utópicos”

  1. Passei parte da minha faculdade ouvindo sobre concorrência perfeita, lucro zero, informações simétricas e etc…

    Hoje percebo a importância dessas teorias, servem de espantalho para os estadistas atacarem o livre mercado.

  2. Em algumas destas doutrinas, a ideia de um estado perfeito estava arraigada em dogmas e crenças religiosas. No entanto, não cabe à ciência laica fazer uma análise dos aspectos teológicos desta questão.
    ———————–
    erro numero 1
    O Socialismo sempre foi algo próximo a razão e lógica. Não é de se admirar que hoje grande parte dos maiores cientistas do mundo, estejam mais ao lado do socialismo do que capitalismo.
    Quem era os capitalista? Crentes nojentos, que cresceram principalmente na idade média. Não se preocupe o futuro é o socialismo e ofim da igreja Católica.

    O próprio conceito de perfeição, no entanto, implica a ausência de qualquer mudança, já que um estado perfeito só pode ser transformado em um estado menos perfeito, isto é, só pode ser prejudicado por qualquer alteração.
    ————————————————–
    Erro numero 2
    A afirmação parte do principio falso que socialismo trata-se de intervir na interação humana, em busca de uma perfeição.
    Nunca se tratou disso, todo socialista inteligente sabe que o ser humano é desigual por natureza, o que ele somente busca é reduzir a desigualmente, não no âmbito humano, mas no ambito material.
    isso só se consegue acabando com o capitalismo, a história provará que a igreja católica irá cair tambem.(ainda bem).

    isso é um busca pela perfeição? Não, é apenas a evolução humana. aceite o socialismo você não tem escolha, é o futuro da sua raça. Você pede por isso involuntariamente.

    Durante a história o que se percebe é uma busca involuntária pelo socialismo, porque a sociedade se organizou? porque existiram os reis, porque existiu a democracia na Grécia?
    Tudo isso se trata do ser humano buscando o socialismo, faz parte do corpo humano essa busca. isso não significa de qualquer forma que chegaremos a perfeição, quando o mundo for socialista qual o outro passo? Eu não sei o socialismo é uma eterna busca, que está dentro do homem. Inclusive dentro de você neoliberal.

    Mises e os libertário fanáticos.

    Neste sentido, Karl Marx também deve ser descrito como utópico.  Ele também tinha como meta um arranjo social no qual a história teria seu curso interrompido.  No esquema de Marx, toda a história é a história das lutas de classe. Uma vez que as classes e luta de classes fossem abolidas, a história já não mais poderia existir.
    Neste tempo já está presente a desonestidade intelectual do jovem mises. Ele distorce algo que sempre existiu na história da humanidade e sempre vai existir. Luta de classes nada mais é que buscar por uma sociedade mais justa, e isso não é algo que tem começo meio e ou fim. O ambito material é apenas um atomo perto do universo de lutas.

    Uma vez um jovem neoliberal chamado Heliu, fez uma afirmação: "O que acontece depois de que chegarmos no anarco capitalismo?" Ele respondeu, eu não sei, a interação humana não sou eu que faço.

    Agora este mesmo neoliberal chamado mises, faz essa pergunta para mim:O que acontece depois de que chegarmos no socialismo? Eu não sei, a interação humana não sou eu que faço.

    Socialismo é uma conversa sobre liberdade, guarde isso na sua cabeça neoliberal.

  3. Henrique Zucatelli

    Hmmm agora encontrei calcanhar de Mises no plano metafísico da filosofia libertária, mesmo perante aqueles que estão na iniciativa privada por opção: a esperança.

    Os seres humanos avançam por sonhos, desejos e por um futuro melhor. Não raro há empreendedores que trabalham e enriquecem somente por dinheiro e outros sobrevivem somente pelo instinto básico comum a todas as espécies, mas o verdadeiro indutor da prosperidade e da evolução é o desejo utópico de encontrar um estado de perfeição.

    Óbvio que do mais pobre até o mais rico, todos sabemos que esse estado é aparentemente impossível, posto que nem chegamos perto de ter a certeza de que conseguimos prolongar a vida do ser humano em um dia a mais sequer – aliás até hoje nenhum medicamento tem 100% de eficácia. Repito, nenhum. Porém ter ciência de nossa pobreza e incapacidade atual não é motivo para acreditar que nunca vamos chegar lá. E esse “lá” é o combustível que move as pessoas além do dinheiro.

    O socialismo não surgiu do nada, e ele é mais propício a ser aceito por uma principal razão:

    Família: ela é uma instituição defendida por liberais ferrenhamente, porém é formada sem o propósito de gerar lucros. É na maior parte dos casos uma proto representação do socialismo, onde performance e mérito não existem. Quem sustenta a mulher e tem mais de um filho sabe do que estou falando. Mesmo um sendo mais inteligente que o outro, tenha um caráter mais refinado ou seja mais hábil, os pais não fazem distinção, e na maior parte das vezes até mesmo preferem cuidar mais do mais fraco que do mais forte? Claro que há espaço para argumentação sobre isso, onde uma família é um ambiente privado e isso não pode ser chamado de socialismo. Bem, aí cabe a interpretação de cada consciência.

    Uma família é formada com o desejo de um futuro, de felicidade, um sonho.

    Eu parto desse pressuposto para formar a tese de que o socialismo não surgiu sem precedentes, sem eventos que lhe dessem base.

    Também não estou em nenhum momento fazendo qualquer apologia ao modelo familiar em voga, pois este protege o fraco em detrimento do forte. Só estou investigando as razões da fraca exposição do liberalismo perante o Socialismo.

    O sonho maior do socialismo para aqueles que acreditam nele é uma grande família, onde todos são tratados igualmente, e regidos por um pai, ou seja, o Estado.

    Já o liberalismo de Mises promove o abandono total dos seres a si mesmos. Coloca cada um no seu devido lugar, promove a propriedade privada e a troca voluntária como fatores primordiais para a existência de uma sociedade. Tudo isso está corretíssimo.

    Porém chego no ponto X da questão: pessoas vivem de passado (família), no presente (sociedade) e no futuro (sonhos). Temos de juntar essas três coisas para conseguirmos algo.

    Somente seres realmente capazes e intelectualmente brilhantes conseguem viver do liberalismo puro, pois são naturalmente independentes, produtores natos. Já a maioria das pessoas precisa de uma muleta, mesmo que fictícia, para sobreviver e ter força para prosseguir.

    E é essa força imaginária que induz as pessoas a acreditar que o socialismo é melhor. Que o capitalista rico é um psicopata egoísta, e que uma sociedade igualitária é sinônimo de uma grande família. A noção deles é que o capitalismo afasta, já o socialismo une. Sabemos bem que é mentira, mas precisamos encontrar formas mais didáticas de passar isso a eles, pelo próprio bem da humanidade. E Mises falhou miseravelmente nesse aspecto, talvez pelo excesso de frieza, talvez pelo nojo dos resultados do socialismo. Mas como sucessores espirituais desse movimento, cabe a cada um de nós propagar o liberalismo de forma tríplice, com passado, presente e futuro.

    Para concluir: não sou liberal por gosto, mas por falta de opção. Oxalá o ser humano fosse dotado de caráter para viver em comunidade compartilhada como uma grande família, onde todos pudessem evoluir em conjunto, mas sabemos que não é assim. Então menos pior seguir pelo caminho do individualismo, mesmo com pesar.

  4. Qual fórmula poderia ser descoberta para mandar de vez esses modelos obsoletos para o esquecimento? É claro que todas as teorias da Escola Austríaca são muito boas e bem fundamentadas, mas falta algo a mais para que não haja espaço para a crítica de outras escolas e para que o pensamento da Escola Austríaca seja inegável.

  5. Você disse que a família “ É na maior parte dos casos uma proto representação do socialismo, onde performance e mérito não existem.

    Absolutamente não. Muito pelo contrário. A família é a privatização da sociedade. Leia
    A origem da propriedade privada e da família, do Hoppe.

    E sim, a família visa o lucro. Só que não é o lucro financeiro, contábil, e sim a maximização das chances de sobrevivência da raça.

  6. Vale lembrar que o discurso neoclássico (e, logo, de intervenção no mercado) também domina o “Law and Economics” (incluindo, notadamente, a Escola de Chicago).

    De fato, o “Law and Economics” é dominado pela abordagem neoclássica (basta lembrar o mais famoso, Richard Posner), e essa abordagem, como vista no artigo, chancela intervenções estatais, além de aniquilar a essência do direito de propriedade, conforme Hoppe já demonstrou várias vezes.

    A respeito, vale lembrar texto do Robert Murphy:

    Análise econômica do direito

    Finalmente, a maioria dos atuais membros das escolas Austríaca e de Chicago possui ideias vastamente diferentes no que concerne à área conhecida como “Análise econômica do direito”. Seja baseando-se nos direitos naturais ou na herança tradicional do direito consuetudinário, os austríacos tendem a crer que as pessoas objetivamente possuem direitos de propriedade, ponto final; e que, só uma vez especificados esses direitos, a análise econômica pode ser feita. Em contraposição, algumas das mais extremas aplicações daquilo que pode ser chamado de “a abordagem de Chicago” diriam que os direitos de propriedade deveriam ser designados de acordo com a eficiência econômica. (Na reductio ad absurdum feita por Walter Block, um juiz pode decidir se um homem roubou ou não a bolsa de uma mulher perguntando quanto cada um dos envolvidos estaria disposto a pagar pela bolsa.)

    Trata-se de uma área particularmente sutil, a qual eu não posso sintetizar adequadamente neste artigo. É suficiente dizer que austríacos e chicaguistas podem, similarmente, apreciar as surpreendentes ideias — e desafios à crítica pigoviana convencional ao mercado — contidas no famoso artigo de Ronald Coase. No entanto, a Escola de Chicago reconhecidamente utilizou a obra de Coase para chegar a conclusões que os austríacos modernos consideram repelentes.

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1024

    Vale, também, recordar aquele texto comparativo das escolas econômicas:

    A posição das escolas austríaca, de Chicago, keynesiana e marxista em 17 questões econômicas:

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1349

  7. Em algumas destas doutrinas, a ideia de um estado perfeito estava arraigada em dogmas e crenças religiosas. No entanto, não cabe à ciência laica fazer uma análise dos aspectos teológicos desta questão.

    Socialistas desprezam as religiões tradicionais porque não aceitam concorrência,

    visto que o socialismo é uma verdadeira religião secular.

    * * *

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