Meritocracia
é uma palavra bonita. Não. É uma palavra que remete a uma coisa bonita: que
cada um receba de acordo com seu mérito, que em geral é igual a esforço,
dedicação; às vezes se inclui a inteligência.
E
— é o que garantem alguns liberais — é isso que vigora no
mercado. Quem se esforça, chega lá.
É
questionável até que ponto esse tal mérito pessoal sequer exista. Hélio
Schwartsman, na Folha, apontou aquele fato que ninguém gosta de
lembrar: o esforço pessoal, o suor, a capacidade de trabalho, a inteligência;
todos dependem de variáveis que estão fora da escolha pessoal — do mérito, portanto
— do indivíduo. Essa esfera do que é só meu, do mérito próprio distinto das
circunstâncias do ambiente e da história, simplesmente não existe. Ao menos, não da forma simplória que se
vende.
E
existindo ou não, será verdade que o mercado premia justamente o mérito? Se
for, caro liberal, então você está obrigado a defender que Gugu Liberato e
Faustão têm mais mérito do que um professor realmente excelente e que realmente
ensine coisas úteis.
Nada
contra o Gugu e o Faustão, mas eles não são meu exemplo ideal de disciplina,
dedicação e trabalho duro. E, mesmo assim, o mercado os recompensa muito bem.
Do outro lado, milhões de trabalhadores labutam dia e noite, e outros milhões
de desempregados procuram o que fazer, e continuam pobres. Ainda falta esforço?
São preguiçosos, burros talvez?
Nada
disso.
O
que realmente determina a remuneração no mercado não é o
mérito, não é a virtude, não é o esforço ou a dedicação. É apenas
a criação de valor; o valor que
aquela pessoa consegue adicionar à vida dos demais.
Não
importa se é por esforço, inteligência, sorte, talento natural, herança; quanto
mais imprescindível ela for aos outros, mais os outros estarão dispostos a
servi-la.
O
esforço por si só não garante nada. É verdade que, tudo o mais constante, se a
pessoa encontra um campo em que ela gera valor, o esperado é que mais esforço
gere mais valor. Com o passar das gerações, a ascensão social se acumula: a
filha da retirante nordestina que trabalha de empregada tem computador, aula de
inglês e provavelmente não será doméstica quando crescer.
É
assim que as sociedades enriquecem. Não é de uma hora para outra, e não tem
nada a ver com a crença ingênua de que a renda é ou deveria ser proporcional ao
mérito.
Nada
é garantido. Às vezes o setor em que o sujeito trabalha fica obsoleto, e o
valor produzido pela dedicação de uma vida cai abruptamente. Havia gente muito
dedicada entre os técnicos de vitrola de meados dos anos 1990; e mesmo assim…
Meritocracia
é um conceito que se aplica ao interior de organizações. Promover membros com
base no mérito (em geral medido por algum indicador) pode ser melhor do que
fazê-lo por tempo de serviço, pela opinião subjetiva de um superior etc.
Meritocracia é um modelo de gestão. Até
mesmo o governo, por exemplo, poderia se beneficiar dela, reduzindo suas
ineficiências. Não é um modelo sem
falhas: a necessidade de mostrar resultados cria uma pressão interna muito
grande e pode minar a cooperação, a manipulação dos indicadores pode viciar o
sistema de avaliação.
Encontrar
o sistema mais adequado a cada contexto é uma questão de administração, de
funcionamento interno de organizações, que nada tem a ver com o mercado. Mercado é o processo (sim, memorizem isso: o mercado é um processo)
no qual algumas organizações existem e operam. Às vezes organizações nada
meritocráticas prosperam no mercado, e organizações meritocráticas podem
existir fora dele.
Satisfaça
as necessidades dos outros, e as suas serão satisfeitas. Não importa se é por
mérito, por sorte ou por talento. O cara mais esforçado e bem-intencionado do
mundo, se não criar valor, ficará de mãos vazias.
Achou
injusto? Então aqui vai um segredo: é você quem perpetua esse
sistema. Se sua geladeira quebra, você vai querer um técnico esforçado e que dê
tudo de si, ou vai querer um que faça um ótimo serviço, com pouco esforço e a
um baixo custo? Quer um restaurante ruim mas com funcionários esforçados ou
quer comer bem? O mundo reflete o seu código de valores e, veja só, ele não é
meritocrático.
A
vida não é e nem deve ser uma corrida que parte de condições iguais e na qual,
no fim do jogo, vencem os melhores. Na medida em que esse sonho meritocrático é
sequer possível (estamos
muito longe de corrigir desigualdades genéticas, por exemplo), ele exigiria
um investimento enorme só para produzi-lo; sacrificaríamos valor para criar
condições artificiais que se adequem a esse ideal abstrato. Todos ficariam mais
pobres para realizar esse sonho moral.
Mas
quem disse que a igualdade é moralmente superior à desigualdade? Se um
meteorito cai na minha casa e não na sua, isso é injusto? É imoral?
O
sistema de mercado não premia a virtude; ele premia, e portanto incentiva, o valor. É feio dizê-lo? Pode ser, mas ele
tem um lado bom: é o sistema que permite que a vida de todos melhore ao mesmo
tempo. Que todo mundo que quer subir tenha que ajudar os outros a subir também.
Ele não iguala o patamar de todo mundo, mas garante que a direção de mudança seja
para cima.
O
ideal da meritocracia tem o seu apelo, mas ele depende de meias-verdades: a
ideia do mérito que é só meu e de mais ninguém, a de que meu suor justifica o
que eu ganhei. Sem suor ou inteligência, o ganho é sujo, indevido. Mas o outro
lado dessa moeda é feio: implica dizer que quem não chegou lá não teve mérito;
que a pobreza é culpa do pobre.
A
lógica do mercado é outra: você criou valor, será recompensado. Sua riqueza não
diz nada sobre o seu mérito; ela não justifica e nem precisa ser justificada. O
resultado desse foco no valor é que mais valor é criado. Você recebe aquilo que
entrega e todos ganham.
[Nota
do IMB: por que Faustão, Gugu, jogadores de futebol e artistas globais ganham
mais de R$ 1 milhão por mês ao passo que um professor realmente bom ganha
apenas uns R$ 5 mil? Um bom professor
pode realmente gerar valor, mas ele gera valor para uma quantidade ínfima de pessoas ao
ano. Quantos alunos diferentes ele
tem? Provavelmente, não mais do que 200
(um número bem exagerado). Portanto, ele
cria valor para 200 pessoas por ano. É uma produtividade extremamente baixa. Já os indivíduos supracitados têm alcance nacional (alguns, mundial), milhões de pessoas consomem voluntariamente seus serviços, e eles geram retornos
— goste você ou não deles — para seus empregadores semanalmente, que estão
satisfeitos em lhes pagar salários milionários.
Se não gerassem valor, seria simplesmente impossível terem esses
salários.]
“Não importa se é por esforço, inteligência, sorte, talento natural, herança; quanto mais imprescindível ela for aos outros, mais os outros estarão dispostos a servi-la.”
Isto se aplica tambem na vida pessoal. Quanto mais voce adoçar o ego de alguem , mais ela vai querer voce por perto.
Estaria no caso refutando os ideais de Von Mises a respeito do mérito pessoal? Isso implica dizer que Faustão e Gugu (ou os pais deles) não “ralaram” e sofreram muito para poder chegar lá?
Esse cara é um ponto fora da curva. O problema dele não é o capitalismo. Deve ter outros motivos. Mas o solução do socialismo é deixar todo mundo igual ele. hehehehe.
Se não dermos valor as coisas, inclusive o esforço e especialização, daqui a pouco nada tem valor. Misery rules.
Olá,
Este artigo, na primeira vez que li, foi um tapa na minha cara…eu precisava disso. Mas, pensando bem, a meritocracia é, sim, o que rege o mercado.
É o mérito medido pela conveniência e pela quantidade de pessoas que se consideram beneficiadas!
Ainda sim, o artigo, ao meu ver, é válido, pois percebi que o termo meritocracia foi utilizado no sentido do famoso “senso comum”, que inclui virtudes necessárias (mas não suficientes) para o sucesso: muito trabalho, dedicação, inteligência etc.
Obrigado, senhor autor, e IMB.
A mim ficou claro que ele não desmereceu o mérito pessoal, mas considerou que ele não deve ser considerado único para o sucesso. Se alguém prospera em um mercado oferecendo valor sem possuir absoluto nenhum mérito, ou têm muita sorte ou muito talento natural. Em todos os casos, oferece valor. Mérito, sorte ou talento puro são componentes do contexto mercadológico que ele pretendeu expor, e o fez muito bem. Não creio que tenha desmerecido Mises, apenas abortou outras variantes.
Acho que a maior critica quanto a meritocracia e sobre o sistema de cotas.
Olá a todos!!
Primeiramente quero dizer que estou acompanhando este site a algum tempo, lendo vários artigos, são todos ótimos. Concordando ou não, nos levam a refletir sobre os temas.
Sobre o artigo em questão, discordo em partes do autor. Realmente está correto em dizer que o mercado premia, incentiva o valor.
Mas para a pessoa ter valor ( o Gugu, Faustão, jogadores de futebol, etc.), até eles tem seu mérito. Se a pessoa não desenvolver seu talentos, sejam físicos(no caso do jogador praticar até jogar bem) sejam psicológicos ( no caso dos apresentadores trabalhar seu carisma), ou até mesmo buscar QI (quem indica), não vão ter valor. Até mesmo o politico que rouba tem seu mérito. Mérito sujo mas tem! Ele teve que ir comprar votos, trocar favores, alienar pessoas, etc… até o corrupto tem eu mérito, um esforço próprio.
Para fazer qualquer coisa temos que usar a inteligência. Na inteligência esta seu mérito. Sei que alguns vão dizer: O professor, o cientista, muita gente culta e inteligente não se deu bem na vida. É verdade! Mas cada um tem uma inteligência voltada para uma área, áreas educacionais, áreas artísticas, áreas humanas, outros tem inteligência para saber onde criar valor. Este sim pode se dar bem financeiramente, não quer dizer que seja mais inteligente que os outros, só que sabe aplicar sua inteligência na área de criação de valor, seja em si próprio ou em alguma marca, produto ou serviço.
No final das contas conta sim o mérito: O professor não tem o retorno financeiro esperado pois não cria tanto valor financeiro, mas tem reconhecimento pelos alunos e sociedade.
O cientista não ganhou milhões, mas se sente feliz em ter ajudado o mundo.
O artista tem suas obras que tocam as pessoas.
Todos criarão valor : Criação de valor Cultural
Existem pessoas que tem seu mérito reconhecido de outras formas e se sentem felizes por isso, se buscassem criação de valor somente monetário talvez tivessem tomado outro rumo na vida. O professor ao invés de dar aula teria aberto um cursinho ou uma escola para faturar mais.
O pobre é pobre porque muitas vezes se esforçou, mas se esforçou no campo errado, não no da criação de valor. As vezes terá mérito em ter ajudado pessoas, ajudado na cultura, mas nunca se esforçou em criar valor em seus serviços para que pudesse melhorar de vida.
Cada um utiliza sua inteligência voltada no que quer ou no tipo que possui. Dai, portanto, o resultado, seja financeiro ou não, é resultado do Mérito.
Não concordo com algumas colocações do magnânimo Professor e filósofo.
1. O valor das coisas é formada por opiniões, pessoas, que comandam o mercado, seja ele qual for.
Concordo com o Cristiano na sua citação:
“Se não dermos valor as coisas, inclusive o esforço e especialização, daqui a pouco nada tem valor. Misery rules.”
O resultado está ai. corruptos políticos que não precisaram estudar para assumir os cargos, uma vez que são indicados pelos partidos pelo sistema ” é dando que se recebe”.
Comparar com o professor ao dizer:
“Um bom professor pode realmente gerar valor, mas ele gera valor para uma quantidade ínfima de pessoas ao ano. Quantos alunos diferentes ele tem? Provavelmente, não mais do que 200 (um número bem exagerado). Portanto, ele cria valor para 200 pessoas por ano. É uma produtividade extremamente baixa.”
O saber não é uma mercadoria com vida útil breve, que se mede pela produtividade e sim pelo alcance, com o poder que se gera de mentes que adquirem o conhecimento e que são valorizadas pelo sistema vigente.
Parabenizo o Professor pela suas idéias mesmo sem concordar com algumas delas, reconheço a profundidade do tema e a abordagem feita.
Não é a qualidade que o mercado absorve mais a quantidade. Se ele pode pagar menos, mesmo sabendo que corre o risco de não ter um bom resultado, ele não vai consultar um especialista doutor porque não valoriza o saber do outro…nisso eu concordo.
O artigo é muito válido e reflete a realidade do mundo. Tão real que causa revolta em pessoas com virtudes como: moral, caráter, inteligência, cultura, etc.
Isto porque o quê do artigo, que ficou implícito é: Quanto mais valor você criar, através o seu mérito, claro, mais você será recompensado.
Desta forma, o valor que você deve criar deve satisfazer a massa, entretanto todos sabemos que o que satisfaz a massa, não tem valor pra que não pertence à massa.
Eu nunca fui atrás do conceito formal de meritocracia, mas, para mim, ele sempre teve essa forte relação com o valor gerado e não com o esforço – sempre conversei sobre o assunto dessa forma. Não adianta se esforçar muito, ser bem intencionado e esperar prosperar montando uma fábrica de sorvetes no Alasca.
O que eu acho mais engraçado no discurso dos a favor das cotas, é que eles, sem perceberem, advogam contra a necessidade de uma melhoria da educação pública (que eles tanto defendem). Eles não dizem que os cotistas (mesmo vindo de escolas públicas ruins), após ingressarem na faculdade, conseguem se igualar em matéria de nota ao não cotistas? Sendo assim, se o cara vem de uma péssima escola que não lhe deu base alguma, e mesmo assim consegue acompanhar os não cotistas, por que então devemos pensar em melhorar a educação pública? É só botar o cara dentro de uma sala de faculdade, que por mágica ele se iguala aos outros!
A esquerda é simplesmente patética.
“Se sua geladeira quebra, você vai querer um técnico esforçado e que dê tudo de si, ou vai querer um que faça um ótimo serviço, com pouco esforço e a um baixo custo?”
Esse exemplo foi usado para mostrar que optamos pela não meritocracia… Mas o mérito não quer dizer apenas o excesso de trabalho e o esforço burro para desempenhar uma tarefa… O técnico que fez um ótimo serviço, em pouco tempo e gastando poucos materiais tem maior mérito… O mérito da eficiência… Ou seja, se enquadra na meritocracia sim…
Se fosse assim, a tecnologia tornaria as pessoas cada vez mais sem mérito ao automatizar trabalhos árduos… E o trabalho braçal seria o único digno de mérito…
É como costumo dizer. Tem que ter o mérito de agradar aos outros.
Não acho que meritocracia é sobre esforço. Mérito não é algo seu, é algo dos outros. São os outros que irão dizer se você é bom, se você pode entrar numa faculdade, se você pode entrar num emprego. E se você não satisfazer essas pessoas, elas irão te ignorar e escolher outra pessoa que às atenda melhor.
Então, mérito não tem haver com esforço, tem haver com atender os outros da melhor maneira possível. Portanto, sim, o mercado funciona numa grande meritocracia.
Sensacional texto. Está já entre meus favoritos desde que cheguei aqui. Uma verdadeira aula. Aplaudo em pé.
Gostei do artigo.
Só não gostei da imagem, já que ela é utilizada por estatistas para defenderem a redistribuição de renda.
Autores do Mises, como leitor diário do site, gostaria de sugerir que fizessem um artigo sobre o pacote de medidas anti-corrupção federal anunciado hoje. Se o que li estiver correto, é de dar calafrios:
– Apreensão de bens em caso evidentes de incompatibilidade com a renda, mesmo que não haja condenação(!).
– Possibilidade de leilão de bens apreendidos mesmo antes de uma sentença definitiva da Justiça(!!). Se o réu for absolvido, poderá recuperar os valores obtidos com a venda(!!!).
Estou lendo demais aí, ou isto está abrindo precedentes para abusos?
O que é valor ?
Pois se dizia (corretamente) que homens de valor são grandes heróis de guerra, moral, inteligência.
Valor = dinheiro ?
Bem definido: a meritocracia é um modelo de gestão, e não uma regra moral. Não existe nenhuma lei natural que garanta recompensa máxima àquele que deu esforço máximo, pois isso depende de incontáveis fatores alheios à nossa vontade. É perfeitamente possível receber uma enorme recompensa sem se esforçar – por exemplo, ganhando na loteria – bem como se esforçar muito e não ganhar nada.
A meritocracia é justificada mediante aquilo que eu chamo o axioma do time titular: em uma equipe de futebol, todos obviamente querem ser titulares, mas se não puderem sê-lo, preferem que os titulares sejam os melhores entre eles, pois é melhor ser reserva de um time vencedor do que de um time perdedor. Na economia acontece a mesma coisa: se aqueles que desempenham as funções mais importantes são os mais capazes, o trabalho é melhor realizado e a corporação inteira se beneficia. Isso é um fato cabal: acontece independente dos critérios subjetivos de justiça que possam ser invocados para contestar porque certos indivíduos são menos capacitados do que outros. Os adversários da meritocracia procuram argumentar maliciosamente que a culpa por certos indivíduos serem menos capacitados cabe aos que são mais capacitados, e por este motivo eles devem uma reparação. Justo ou injusto, o resultado de abrir mão da meritocracia é um trabalho de pior qualidade, do qual todos saem perdendo.
UM PEQUENO ENSAIO:
Uai (rs), e o que é a “CRIAÇÃO DE VALORES” se não o que Nietzsche chama de VONTADE DE POTÊNCIA ?
Só um porém: O VALOR a ser buscado/criado/assimilado é INDIVIDUAL e INTRANSFERÍVEL (E SE CHAMA ANIQUILAÇÃO / TRANSCENDÊNCIA DE TODOS OS VALORES), O resto é SOMBRA (Valores em si mesmo – moda, cultura, etc…):
O conceito de Vontade de Potência foi criado por Nietzsche como base para o desenvolvimento de outras ideias. Trata-se de uma proposição cosmológica que sustenta toda sua teoria, inclusive sua genealogia da moral é retirada das relações entre a Vontade de Potência.
Nietzsche toma inicialmente este conceito de Schopenhauer. A vontade é cega e insaciável, uma força que estaria para além dos nossos sentidos. Una, ela representa tudo que vemos, é o substrato que constitui a existência. Mas para Nietzsche, a Vontade não está fora do mundo, ela se dá na relação, ou seja, é múltipla e se mostra como efetivação real. Sendo assim, o mundo seria esta luta constante, sem equilíbrio possível, apenas tensão que se prova pelo movimento, às vezes delicado, outras vezes violento.
A vida é Vontade de Potência, mas não se pode restringi-la apenas à vida orgânica; ela está presente em tudo, desde reações químicas simples até à complexidade da psiquê humana. É aquela que procura expandir-se, superar-se, juntar-se a outras e se tornar maior. Tudo no mundo é Vontade de Potência porque todas as forças procuram a sua própria expansão. A vontade de dominar, fazer-se mais forte, constranger outras forças mais fracas e assimilá-las. A onda sonora que se expande, o imã que atrai, a célula que se divide formando o tecido orgânico, o animal que subjuga o outro são exemplos desta Vontade que não encontra um ponto de repouso, mas procura sempre conquistar mais.
Se, em física, potência é a capacidade de realizar trabalho; na filosofia, Vontade de Potência é a capacidade que a Vontade tem de efetivar-se. Contra uma interpretação rasa de Darwin, Nietzsche argumenta que o homem não pode e não quer apenas conservar-se ou adaptar-se para sobreviver, só um homem doente desejaria isso; ele quer expandir-se, dominar, criar valores, dar sentidos próprios. Isto significa ser ativo no mundo, criar suas próprias condições de potência. É um efetivar-se no encontro com outras forças.
Por isso não daremos a representação que os escravos dão de potência. Esta não pode ser representada como um lugar a se chegar ou algo a se fazer, não é uma representação, um signo. A Vontade de Potência não é a vontade querendo potência, não significa que a vontade deseja uma potência que não tem. A potência não é algo que possa ser representado. Isso é julgar através dos valores já estabelecidos. Para Nietzsche é exatamente o contrário: a Potência é aquilo que quer na Vontade. E o que é a potência? É um eterno dizer-sim. A potência se afirma na vontade quando diz "Sim" ao devir. É a afirmação pura de sua própria efetivação, a alegria provém da afirmação. E o sentido é o resultado destas forças.
Vontade – eis o nome do libertador e mensageiro da alegria: assim vos ensinei eu, meus amigos" – Nietzsche, Assim Falou Zaratustra, Da Redenção
E apenas através de Nietzsche, sendo completa e plena de si, a Vontade de Potência pode ser aquilo que dá sentido e cria valores. Ela cresce e se ultrapassa. Não há falta a ser preenchida, é excesso que transborda. Ela não busca, ela dá; não procura, cria; não aspira, compõe; não exige, inventa; não demanda, fabrica. E este é o dever e direito do filósofo: criar valores (veja aqui).
Querer liberta: eis a verdadeira doutrina da vontade e da liberdade – assim Zaratustra ensina a vós […] Para longe de Deus e dos deuses me atraiu essa vontade; que haveria para criar, se houvesse – deuses! Mas para o ser humano sempre me impele minha fervorosa vontade de criar" – Nietzsche, Assim falou Zaratustra
Desta forma, se estabelece uma hierarquia onde algumas forças são capazes de mandar e outras levadas a obedecer, a saúde do corpo depende disso. É com esta concepção de forças ativas e passivas que Nietzsche cria seu método genealógico e tenciona realizar a transvaloração de todos os valores. Sua filosofia assume que é necessário ao homem moderno reapropriar-se de sua Vontade de Potência para poder voltar a criar valores. Fazer experimentações, estabelecer novas hierarquias, ultrapassar os valores de seu tempo. Só assim poderá superar a si mesmo e livrar-se da camisa de força que a sociedade colocou em si há séculos. Só a Vontade de Potência permite uma análise imanente capaz de entender o mundo sem ceder para explicações metafísicas e capaz de dar novos sentidos, superando os atuais.
E sabeis… o que é pra mim o mundo"?… Este mundo: uma monstruosidade de força, sem princípio, sem fim, uma firme, brônzea grandeza de força… uma economia sem despesas e perdas, mas também sem acréscimos, ou rendimento,… mas antes como força ao mesmo tempo um e múltiplo,… eternamente mudando, eternamente recorrentes… partindo do mais simples ao mais múltiplo, do quieto, mais rígido, mais frio, ao mais ardente, mais selvagem, mais contraditório consigo mesmo, e depois outra vez… esse meu mundo dionisíaco do eternamente-criar-a-si-próprio, do eternamente-destruir-a-si-próprio, sem alvo, sem vontade… Esse mundo é a vontade de potência — e nada além disso! E também vós próprios sois essa vontade de potência — e nada além disso!" – Nietzsche, Fragmento Póstumo.
Políticos são uma classe alienígena. Eles não produzem valor e também não trabalham duro, nem se esforçam e não são muito inteligentes(duvido que a maioria deles sequer chegue a média de QI nacional).
leandro, sei que foge um pouco do assunto, mas gostaria de entender melhor a relação entre Valor, preço e custo.
1)Está correto em dizer que preço é diferente de valor, sendo Valor formado pela utilidade atribuída por alguém a uma unidade de um bem ou serviço, e Preço é formado pela interação entre demandantes e ofertantes?
2)A escola austríaca fala que são os preços determinam os custos? se sim como enxergar a influência de um aumento do preço do ferro ou da gasolina nos preços finais de vários produtos? E como enxergar a influência de um custo artificial (como a burocracia)?
Obrigado.
O mendigo (Si mesmo) está muito à frente ainda, há de se passar por ele… (Em busca da Vontade de Potência – Essência do VALOR / ESPÍRITO)…
AS ANDANÇAS DO HOMEM SUPERIOR:
“O primeiro tipo simbólico do homem superior são os dois reis34, acompanhados por um asno, para os quais Zaratustra fala sobre a plebe, o papel do poder e sobre a paz como um sentido para a guerra. Os dois reis representam a moral dos "bons costumes" que constituem a boa sociedade, ou seja, os homens livres, mesmo que seja por meios violentos. Assim, depois da morte de Deus, a moralidade dos bons costumes degenera, e acaba por se colocar a serviço da plebe (o escravo). Para Nietzsche — desde os escritos de juventude—, as idéias modernas de "dignidade humana" e "dignidade do trabalho", são bons exemplos da degeneração dos bons costumes e da vitória da plebe, pois foram criadas como dois conceitos que servem como consolo para amenizarem a crueldade da escravidão. Dessa forma, o trabalho é visto pelos modernos — de forma contrária aos gregos, que viam o trabalho como um ultraje — como algo que dignifica e liberta o homem da escravidão.
Efetiva-se assim, então, a vitória da plebe na moral. O segundo encontro ocorre com o consciencioso de espírito, representante do saber científico, que satiriza a especialidade na ciência, pois é um profundo mestre e conhecedor de uma única coisa que estuda profundamente, o cérebro da sanguessuga. Ele quis substituir, com o conhecimento, os valores religiosos e morais. O conhecimento deve ser científico, ou seja, exato e preciso, pois deverá substituir a fé dos vagos valores religiosos e metafísicos. Mas o que o homem da sanguessuga não sabe é que o conhecimento é a própria sanguessuga, que aprisiona a vida a si. Depois do encontro com o consciencioso de espírito, seguem-se outros encontros: com o feiticeiro, o velho trêmulo que lamenta e sofre do mau conhecimento e da má-consciência. A má-consciência que o feiticeiro representa é essencialmente exibicionista. Ela desempenha todos os papéis, mesmo o do ateu, do poeta etc. Porém, mente e recrimina sempre. Ao assumir o erro, quer sempre suscitar a compaixão, inspirar a própria culpa àqueles que são fortes, envergonhar tudo o que é vivo, propagar o seu veneno. "A tua queixa contém armadilha". O personagem seguinte é o velho papa, que perdeu o seu ofício após a morte de Deus, mas não se libertou e vive preso às lembranças passadas. Ele acredita que Deus morreu de asfixia, asfixiou-se de compaixão, por não suportar o seu amor pelos homens. O mais bizarro dos homens superiores é "o mais feio dos homens", que foi encontrado num assombroso terreno e assume o assassinato de Deus. Matou Deus por não suportar o seu piedoso espreitar, que todas as coisas testemunha e julga. "O mais feio dos homens", ainda adverte Zaratustra contra o seu último pecado, a compaixão.
Ele reconhece que pior do que a compaixão divina é a compaixão da plebe, que é ainda mais insuportável. O encontro seguinte acontece com "o mendigo voluntário", que fala com as vacas sobre a felicidade na terra, a ruminação e a libertação do homem da grande aflição, que é a náusea. Nesse encontro, Zaratustra se autoproclama o superador da grande náusea e identifica o mendigo voluntário como aquele que, um dia, lançou para longe de si uma grande riqueza; pois se envergonhou dela e dos ricos e foi para junto dos pobres, a fim de doar-lhes a sua abundância, mas esses não o aceitaram. Em conseqüência disso, o mendigo declara a Zaratustra que é chegada a hora da grande, pérfida, longa e lenta rebelião da plebe e dos
escravos. O mendigo voluntário ainda declara só ter visto ganância e inveja na plebe, que desaprendeu a diferença entre rico e pobre, e por isso, ele fugiu para junto das vacas para buscar a felicidade, a fim de aprender a ruminar. O ruminar é uma virtude importante para o aprendizado da superação, pois ele desenvolve a paciência necessária para se chegar a ser o que se é. O último encontro de Zaratustra é com a sua própria sombra, que lhe confessa estar fatigada de seguí-lo por toda parte. Na busca do sinal, que indica como se tornar o que se é, o encontro com a sombra representa um falso encontro de Zaratustra consigo mesmo, pois ela, inclusive, o abandona nas duas horas mais silenciosas e solitárias, necessárias para a superação, o meio-dia e a meia-noite.
Após insólitos encontros com os homens superiores e a sua sombra, encontrava-se Zaratustra, em pleno meio-dia, deitado debaixo de uma parreira, envolvido na mais íntima solidão com sua alma singular, como se estivesse
integrado, dissolvido completamente na natureza, de tal modo que indaga a si mesmo: "não acaba o mundo de atingir a perfeição?"
Vamos ser sensatos: a pobreza é o maior álibi de sustentação do Estado. O que seria do Estado sem a pobreza?
Fiquei com a sensação de que o texto cria uma falsa questão. Ninguém duvida que existem inúmeras variantes que podem impedir uma pessoa de ascender socialmente por mais mérito pessoal que tenha. Há de fato muitas variantes a considerar. Sem falar que competência e desempenho não necessariamente vêm juntos em todas as situações. Por isso, aliás, fala-se na busca por um mínimo de igualdade de largada, algo que soa como heresia para muitos liberais.
No entanto, opor mérito e criação de valor (o quanto uma pessoa se torna imprescindível aos demais) me parece contraditório. De qualquer forma é preciso algum mérito para se tornar imprescindível aos demais. E aí as variantes da inteligência, sorte, talento natural, herança, se bem administradas, o que também exige certo mérito, serão partes inerentes da capacidade de alguém se tornar imprescindível aos demais. Ou será possível alguém se tornar imprescindível aos demais sem fazer nada?
Também considero discutível, em termos qualitativos, o que oferece Faustão e Gugu ao público em oposição ao que oferece um bom professor aos seus alunos, mas não há qualquer esforço pessoal da parte deles (dos apresentadores) para justificar seus ganhos? A riqueza não diz nada sobre o mérito dos indivíduos? Certamente a maioria dos nossos políticos ficou rica sem mérito algum, apenas roubando os cofres públicos, mas a fortuna de Bill Gates não reflete seu mérito? Nem a do Neymar?
E como é possível conseguir alguém que faça um ótimo serviço sem ser um técnico esforçado, competente? O velho ditado de que o barato custa caro tem sentido. E como você pode comer bem num restaurante ruim, mesmo se os funcionários do mesmo sejam esforçados? Você até atura funcionários não muito gentis, se a comida do local compensar, mas o contrário não rola, né mesmo?
Enfim, me pareceu que o texto opõe coisas que não são necessariamente distintas.
Lembrando que o valor no texto é sempre o valor econômico.
Acho que passou batido no texto o fato que ás vezes existe coisas que exigem muito e geram alto valor mas há muita concorrência e a oferta e demanda acaba por desvaloriza-lo.
O erro desse artigo é igualar “mérito” a “esforço”, enquanto na verdade não são palavras sinônimas.
Mas na verdade ele simplesmente repete o erro da maioria das pessoas quando falam desse assunto: tratar “mérito” como sinônimo de “esforço”. Como se suar por si só fosse um mérito.
Daí vemos por que é tão difícil discutir, as pessoas não têm NENHUMA clareza conceitual.
Bom, sempre tive em mente que meritocracia é: “dar-se ao autor segundo sua obra”. Pois bem,o problema é que hoje vivemos em uma sociedade totalmente diferente, onde algumas obras não são reconhecidas porque o empobrecimento intelectual é progressivo. Veja o Brasil como um exemplo, não adianta você criar, porque se você não tem pessoas com inteligência suficiente, então aquilo que se criou, não tem valor, esse é o maior problema que temos hoje.
Outro exemplo é de Michael Faraday, teve uma infância pobre, mas se esforçou e buscou superar as dificuldades, teve uma escolaridade baixa, porém superou. Ele criou algo, criou valores no campo da fisíca, mas naquela época ele criou suas obras para um seguimento, então podemos supor que ele não criou valores para a maioria.
Mas posteriormente todo o mundo o reconheceu, entendemos que é o tempo que nos diz o valor do criador.
Um exemplo real é o que a Escola Austríca vive: Mises escreveu suas obras na economia, só para dar um exemplo. Porém, hoje, na universidade o reconhecido é Keynes, então entendemos que Mises não criou valor algum. Está errado! Como disse antes, estamos vivemos um empobrecimento intelectual.
O que o autor do artigo se esqueceu em colocar é: Não adianta nada você criar valores num ambiente em que a maioria não sabe valorar a criação. Me lembra Pink Floyd Lost for Words “You know,you just can’t win”.
Sensacional esse texto, irretocável!
A meritocracia ainda vale, desde que seja medida pelo resultado e não pelo esforço.
Há dez dias publiquei um texto com a mesma observação, de uma abordagem diferente aqui neste blog:
https://paradigmaquebrado.wordpress.com/2015/03/08/como-confundir-esforco-e-resultado-criou-paradigmas-sociais-falhos-2/
Enfim, não adianta correr se não está indo para o lugar certo. E mesmo que corra para o lugar certo, o resultado não é garantido
Certamente há embasamento na lógica..mas como explicar por que enfermeiros(as), bombeiros(as), policiais não estão então no topo da lista salarial?
“É apenas a criação de valor; o valor que aquela pessoa consegue adicionar à vida dos demais”. Se esta premissa é válida, e podemos supor que o maior valor que uma pessoa pode dar é à própria vida, e também que o benefício direto é mais valorizado do que o benefício indireto por pura percepção imediata, então como explicar o fato de um trader ganhar dezenas de vezes mais do que um bombeiro, mesmo em economias desenvolvidas?
Ótimo artigo
Mas será que podemos realmente abolir a meritocracia deste estudo?
Não há duvidas que os exemplos utilizados no artigo são reais (Gugu, Faustão, Jogadores de Futebol, etc), mas acredito que dentro de uma mesma classe, dentro de uma mesma profissão, você consiga diferenciar o bom empregado do excelente empregado, e assim oferecer a este uma promoção pela sua dedicação.
O que você acha?
àqueles que escreveram ou concordaram com a frase “O estado é o legítimo dono das faculdades públicas”, sugiro reflexão: o dinheiro e os recursos que o estado usou para construir e administrar as faculdades públicas (e todos os outros “bens do estado”) foram inicialmente obtidos através de impostos e inflação, que são, trocando em miúdos, formas de roubo. Assim, todos os “bens do estado” são frutos de roubo. Assim, nem de perto são propriedade legítima do estado.
Quer dizer que Faustão e Gugu não trabalham duro, não tem disciplina e nem dedicação?
Parei de ler ai!
Parabéns Joel!!! Excelente artigo, já enviei para os meus amigos que ficam falando bem e mal da meritocracia!!
Sugiro uma “foto-resposta” a esta que encabeça o artigo.
Duas pessoas sentadas pedindo esmola sem nenhum braço estendido para oferecer e as frases:
Segundo a abolição da meritocracia que os “revoluças” tanto defendem, este é o fim da desigualdade…
Pergunta : que valor Gugu, Faustão, etc, oferecem ao telespectador?
Eles geram valor aos anunciantes, confere?
A primeira parte do artigo contradiz a conclusão (e a nota do IMB não afasta essa contradição).
Se fosse realmente uma questão de valor, então a herança seria uma remuneração pelo valor gerado pelo herdeiro. E uma Madre Teresa de Calcutá, que gera valor pra tanta gente necessitada, deveria ser rica, não? Ou o músico que passe a vida tocando na estação de metrô, talvez alegrando a vida de tantos, deveria estar bem de vida.
A falha desse raciocínio é que não define o que é valor. Valor, no sentido econômico, não tem nada a ver com valor realmente experienciado pelas pessoas. Pra dar mais um exemplo, se o raciocínio estivesse certo, o médico que faz uma cirurgia num hospital do SUS, salvando uma vida, teria gerado menos valor do que se estivesse feita essa cirurgia num hospital privado, onde recebe mais.
Esse ideia de “criação de valor” é exatamente a mesma ideia da tal meritocracia, meramente usando outras palavras. É uma questão de semântica pura e simplesmente, a falácia é a mesma.
O texto está correto e reflete o que é o sistema de livre inciativa. Porém, infelizmente, isso não existe no Brasil e em nenhuma parte do mundo, pois o tamanho do “estado” distorce tudo e confunde a todos. O Capitalismo Puro(governos inexistentes no Globo e trocas voluntárias) é o sistema econômico ideal e final da humanidade, mas o ser humano ainda não chegou nesse nível ideal, pagando CARO por sua teimosia.
Olá, seu texto está ao meu ver um pouco fora da realidade do que é a meritocracia. Vou dar um exemplo: Vc como presidente do Brasil iria colocar somente gente do seu partido nos cargos mais importantes mesmo que esses não tenham merito? Meritocracia podemos definir em vários aspectos. Os meus são: Honestidade, etica, conhecimento do assunto ao qual irá labutar, etc.
Vc está se referindo ao Brasil que é extramente corrupto que o povo não tem educação de qualidade e que realmente tem que assistir Faustão e Big Brother. O gari que é honesto, educado, trabalhador não poderia um dia ser os chefes dos garis?? Não importa qual nivel de trabalho vc faz. O importante é que o País melhore as condições de vida para que os mais probres se aproximem mais dos bem de vida e não o que são mais bem de vida se aproxima aos pobres que é a mentalidade do socialismo atual.
Sim, nada nesse planeta feita pelo homem é perfeito, porém, para ser perfeito vamos começar por nós mesmos, sendo honestos, respeitar os outros, estudar, trabalhar e gerar valores sim para a sociedade, se eu gero valor eu ganho com isso.
Você acertou em apontar o erro das pessoas ao pensar em “meritocracia”, mas errou considerar que “mérito” é sinônimo de “esforço”. “Mérito” é um conceito que deve ser definido dentro de um contexto, e no caso da sociedade, ele significa justamente a “capacidade de gerar valor” hehe
Conforme debatido, as definições adequadas de “mérito” e “valor” são muito importantes para se compreender corretamente o assunto. Os valores que a pessoa recebe são proporcionais aos valores que produz para outros: o produto ou serviço que Fulano oferece a Sicrano por um preço $X é mais importante para Sicrano do que outras alternativas do que poderia fazer com $X. E isso independe da quantidade de tempo, energia e virtudes que Fulano aplicou para produzir esse produto ou serviço.
Também não podemos confundir “meritocracia” com “triunfalismo”, a crença de que basta “atitude positiva” (seja o que queiram dizer com isso) e esforço para produzir grandes resultados, independentemente dos fatores intrínsecos da pessoa e do seu contexto ambiental.
De qualquer forma, os países com alta liberdade econômica são aqueles em que todos usufruem de melhor qualidade de vida, embora com níveis econômicos diferentes.
* * *
“Quem disse que a igualdade é moralmente superior à desigualdade?”
Como a moralidade é uma construção humana, quem diz isso são os cidadãos: que elegem, que são eleitos e que legislam no sentido de institucionalizar essa moralidade, transformando-a em política de Estado.
A pergunta crítica deveria ser: “Quem disse que a igualdade é A PRIORI moralmente superior à desigualdade?”
Para essa pergunta não há resposta, mas devolvo a pergunta: “E quem disse que o livre mercado é A PRIORI moralmente superior ao mercado distorcido?”
O que realmente determina a remuneração no mercado não é o mérito, não é a virtude, não é o esforço ou a dedicação. É apenas a criação de valor; o valor que aquela pessoa consegue adicionar à vida dos demais. (Retirado do texto, 7º parágrafo)
Seguindo o raciocínio gari tinha que ganhar salário de deputado e deputado ganhar 5 mil no máximo, (pq o trabalho deles é realmente chato)
Há alguns anos li um artigo do Delfim Neto no jornal Valor Econômico que e foi muito esclarecedor. Infelizmente não guardei o artigo e também não consegui encontrá-lo online, mas falava sobre a diferença entre justiça social e justiça econômica e o desafio do Estado brasileiro em equilibrar esses dois pontos.
O artigo explica muito bem a justiça econômica que rege o capitalismo. Você é o que você produz, o valor que você devolve à sociedade será reconhecido e recompensado. O esforço que você emprega na geração deste valor, não. Se você trabalha 44 horas por semana e gera o meso valor que outra pessoa que trabalha apenas 8 horas, aquela pessoa vai ser mais recompensada do que você. E isso torna o capitalismo o mais justo modo de produção inventado até hoje pelo homem, pelo ponto de vista econômico.
O problema são as bases em que a nossa sociedade capitalista foi criada e está continuamente se desenvolvendo. Se tem algumas pessoas que nascem “em berço de ouro” e já têm todas as condições desde o nascimento de gerar maior valor para a sociedade do que outras é porque suas famílias geraram mais valor do que a família dos outros e elas por direito hereditário recebem esta condição. Mas se buscarmos na História de onde veio este valor hereditário, veremos que muitos que não o têm são descendentes de pessoas que foram propositalmente impedidas de gerar valor a fim de perpetuar a posição da classe dominante.
Então como podemos falar em um sistema justo, que premia as pessoas pelo valor gerado, se não falarmos que essas pessoas partiram de condições injustas para buscar essa geração de valor? Aí que entramos na questão da justiça social que deve corrigir essas diferenças históricas, criando condições para que todos possam buscar a geração de valor. O desafio é encontrar o equilíbrio, não distorcendo o mérito daqueles que geram pouco ou nenhum valor, nem perpetuando a barreira que grande parte da sociedade tem par aprimorar sua produtividade e geração de valor.
Concordo totalmente com a visão do autor do texto embora, para mim, ainda caiba o uso do termo “meritocracia”. A questão é que o mérito deve ser é medido não pelo trabalho e sim pelo valor gerado.
Penso que a ideia mais purista de “meritocracia”, segundo a qual o mérito deve ser medido pelo trabalho, é fruto de uma contaminação pelo valor-trabalho marxista. Nós temos que jogar fora essa ideia de que o trabalho em si tem valor e passar a entender que o valor do trabalho depende da quantidade de riqueza que ele é capaz de gerar.
Esse é o motivo pelo qual, por exemplo, o trabalho braçal de um pedreiro, por mais árduo que seja, não pode valer tanto quanto o trabalho basicamente mental de um executivo.
Escrevi sobre isso em meu blog, no endereço:
eucoxinha.com/meritocracia-for-dummies/
O que o texto fala pode ser comparado com as provas, vestibulares: tem gente que passa 8 horas por dia estudando durante meses, mas não o faz de forma eficiente e consequentemente acaba absorvendo pouca coisa; enquanto isso tem gente que estuda 3 horas por dia durante o mesmo período, folgando nos finais de semana e consegue absorver grande parte do conteúdo, por estudar de forma eficiente. E aí? Quem vai passar: aquele que estudou por mais tempo ou aquele que dominou mais conteúdos? Aquele que estudou por menos tempo é realmente desmerecedor da vaga na universidade? Com certeza, quanto maior o esforço, maiores serão as chances de conseguir a recompensa; mas o esforço sem eficiência e sem visão empreendedora não ajuda muita coisa pois, não abrange a maior parte do todo e por não abranger a maior parte, não se obtém a maior parte da recompensa.
Uma dúvida que um amigo meu levantou e que eu não pude responder foi a seguinte: muitos dos fatores que levam uma pessoa a agregar mais valor que outra depende de uma melhor educação recebida. Assim, uma criança que pertence a uma família mais rica terá logicamente uma maior chance de gerar valor quando crescer do que uma criança vinda de uma família miserável. Como é possível resolver isso?
Obrigado, Theodore. Sua resposta foi a melhor até agora.
Se entendi bem, valor se equivale no texto como “o resultado”. O esforço empregado e os recursos utilizados no fim ficam em segundo plano.
Não importa se você nasceu com mais dedos e isso possibilita ser um melhor pianista, o que importa é a música final que você entregou como resultado. O pianista que toca bem (não de forma excelente) com apenas um dedo vai também gerar um valor final, entretanto por tempo limitado. Por natureza valorizamos esse esforço, mas queremos sempre o melhor, não apenas o esforçado.
Minha visão final (pessoal) é que com dedos a mais ou apenas um dedo todos esperam o melhor resultado, se sustentar apenas no fato de ser limitado (fisicamente, socialmente ou culturalmente) geram valores, entretanto o seu reconhecimento e permanência da sua valorização será temporária.
Valor é diferente de esforço. Não adianta o esforço se o esforço não produzir trabalho nenhum.
Legal como a fórmula para calcular o trabalho de uma força (esforço) na física, também é valida aqui:
W = F x d x cos(f)
onde F é o seu esforço (Força), d é o valor que você cria (distância que você anda) e f é o ângulo entre a “direção certa” e a “direção que você faz o seu esforço”.
Resumindo: É como um estudante de letras, se especializar em latim, ser professor e querer ficar rico dando aulas de latim nos dias de hoje. Se esforçou, foi o melhor da turma, porérm, o produto de seu esforço e investimento não interessa a muitas pessoas = pouco valor.
Essa nota é uma ofensa aos professores. Os senhores deveriam se envergonhar por comparar o lixo que é o “serviço” que esses “supracitados” prestam à sociedade com a nobilíssima missão dos educadores! Produtividade extremamente baixa?!?! Como assim??? Meu Deus, seria a ignorância ou o mau caráter que levaria alguém a comparar os lucros da propaganda com aqueles que uma boa educação proporciona aos seres humanos?!?! Lamentável, para não dizer ODIOSO!
Nota do IMB: por que Faustão, Gugu, jogadores de futebol e artistas globais ganham mais de R$ 1 milhão por mês ao passo que um professor realmente bom ganha apenas uns R$ 5 mil? Um bom professor pode realmente gerar valor, mas ele gera valor para uma quantidade ínfima de pessoas ao ano. Quantos alunos diferentes ele tem? Provavelmente, não mais do que 200 (um número bem exagerado). Portanto, ele cria valor para 200 pessoas por ano. É uma produtividade extremamente baixa. Já os indivíduos supracitados têm alcance nacional (alguns, mundial), milhões de pessoas consomem voluntariamente seus serviços, e eles geram retornos — goste você ou não deles — para seus empregadores semanalmente, que estão satisfeitos em lhes pagar salários milionários. Se não gerassem valor, seria simplesmente impossível terem esses salários.]
O texto ignora um fator ainda mais importante, a oferta e demanda.
Um barbeiro produz o mesmo valor que produzia a 30 anos atrás, e provavelmente ganha mais hoje do que antes, isso porque as pessoas ficando mais produtivas passaram a pagar mais pelo serviço.
Outro exemplo, uma diarista nos EUA fazendo o mesmo serviço que no Brasil ganha mais. Como essa teoria explicaria isso? basta ela pisar nos EUA que o valor que ela gera muda?
O conceito de meritocracia não se refere ao fato de que basta querer e se esforçar que qualquer um pode virar um bilionário. Apenas os tolos tem essa visão.
O conceito simplesmente diz que, em meio a uma série de variáveis que podem definir o seu futuro (capacitação, saúde, empenho pessoal, cenário do mercado, conjuntura política ou mesmo a própria sorte), não há sentido em se focar nas que você não pode mudar e sim nas que você pode. Nesse sentido, é notável que quem se esforça mais acaba tendo um resultado mais favorável do que quem simplesmente se entrega as variáveis imutáveis. Dai a importância de defender a meritocracia como valor.
Em última instância, se formos apelar ao primitivismo, quem não caçar a própria comida e ficar sentado pensando na morte da bezerra morre de fome. Por outro lado, quem se dedica a caça pode até assumir o risco de morrer mais rápido pois está gastando energia durante a caça, mas caso consiga uma presa ganha algumas semanas a mais, ou seja, tem um resultado melhor no quesito “continuar vivo”.
“È o valor que se cria”
È engraçado porque hoje mesmo apareceu está vaga de emprego no site curriculum.
Vaga: Balconista de lanchonete
Salario: 750
Descrição: È necessario ensino superior completo em admnistração, inglês fluente, exp de no minimo 1 ano.
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È o valor que se cria não é mesmo?
Haaa mas é culpa do estado malvadão, MENTIRA!
Eu prefiro ler e aprender de empreendedores e executivos e contadores ou pessoas que fizeram muito sucesso com seu trabalho ou idéia sobre a meritocracia do que por uma pessoa ingajada politicamente ou que tem muito fanatismo sobre esse assunto. O capitalismo e o mérito não devia causar tanto ódio ou nojo a aqueles não atingiu seu potencial, mas sim inspiração, criatividade e motivação e amor pelo que faz.
O principal erro de muitos indivíduos ao discutir sobre isso é crer que necessariamente o sistema meritocrático só funciona se TODOS os exemplos possíveis estiverem dentro da lógica do esforço/inteligência/trabalho etc.
Não, uma sociedade baseada no mérito é aquela onde seus cidadãos possuem suas liberdades individuais respeitadas e são livres para decidirem de que maneira vão agir para conquistar seus objetivos. Isso, de maneira nenhuma, quer dizer que todos irão partir do mesmo ponto ou que irão ter as mesmas sortes. Seria ridículo pensar ou defender isso.
Logicamente alguns receberão ajuda substancial dos pais ou herança, e não há nada de errado com a sorte. Até mesmo ela precisa ser totalmente respeitada.
Portanto eu diria que uma sociedade livre e meritocrática se baseia em respeitar as escolhas individuais, os caminhos traçados por cada um, a sorte de cada um, a inteligência adquirida no nascimento que cada um possa ter etc.
A meritocracia se baseia em delegar ao indivíduo o poder de escolha. Ela é amoral. Não interessa se você lucra cinco milhões vendendo produtos de baixíssimo custo para pobres ou se lucra o dobro apresentando um programa de domingo.
E, já pontuando novamente, em relação ao sortudo que acordou milionário por conta de uma herança, sem ter mexido um dedo, é simples: esse montante não foi roubado, a sorte sempre fez parte da vida.
Em suma, o sistema foca em libertar os agentes da subjetividade das decisões políticas. Nada supera a liberdade. Foca em te deixar livre para tomar as próprias decisões e se responsabilizar por isso. Isso é meritocrático, todo o resto é irrelevante.
Não entendi o propósito desse artigo. Geração de valor e mérito são coisas que devem existir em conjunto numa sociedade. Conseguir gerar valor, já pode é ser considerado um mérito do indivíduo ou organização. Mas o que deveria estar em discussão é qual o valor os apresentadores de televisão e jogadores de futebol por exemplo, passam para as pessoas.
Este artigo foi um dos vários tapas na cara que levei pra acordar, quando o li no início do ano. Sempre que alguém vem com papo de meritocracia pra cima de mim, me inspiro nesse texto, e explico que o mérito vem da geração de valor, e não do esforço.
Infelizmente o QI (Quem Indica) derruba muitas vezes no mundo corporativo. E nem sempre os melhores são os mais valorizados.
Mais de 80% das vagas ficam com o amiguinho do “chefe” o sujeito baba-ovo que é sempre agradável aos olhos da chefia.
O trabalhador eficiente que faz todo o serviço corretamente, aquele que “veste a camisa da empresa”, nunca é promovido.
É mais fácil uma mulher bonita conseguir uma promoção… Tem chefes que pensam com a cabeça de baixo…
Concordo ! Trocas voluntárias não dependem de mérito. Elas dependem dos interesses de cada um.
O maior problema da política é querer transformar liberais em comunistas e comunistas em liberais. Isso nunca irá acontecer com uso de força ou manipulação.
As sociedades seriam melhores se cada cidadão declarasse o seu interesse político. Os anarquistas não pagariam nenhum imposto, os liberais pagararim 5% de imposto, os conservadores 15%, os sociais democratas 40%, os socialistas 75% e os comunistas 100% de imposto. Isso resolveria o problema da política, pois agora todos são atendidos como querem.
Se o povo ficar nessa luta política que viola os interesses de cada um, nós nunca teremos um ambiente que seja bom para todos. A liberdade também não deve proibir quem deseja um ser governado.
Claro que os socialistas do governo são ladrões, mas se todos tivessem boas intenções, os direitos de cada um seria respeitado.
Enfim, não existe um modelo político igual para pessoas diferentes. Isso não respeita as liberdades.
Concluindo, todos devem informar ao governo qual é a sua posição política e pagar ou não pagar por ela. Já encheu o saco esses comunistas disfarsados.
O grande problema é que são poucas as pessoas que têm condição pra ter filho no mundo. Mas como evidentemente uma minoria enxerga isso, o que se tem são pessoas tendo filhos sem a mínima possibilidade, e isso vai gerando ciclos de pobreza e exclusão sendo passados de um pra outro.
Como o mundo é cada vez mais competitivo, isso forma uma bola de neve e a tendência é só piorar. Alguém acha que aqueles refugiados na Europa deveriam ter filhos? E no entanto olha a quantidade de crianças. Alguém acha que esses bolsa esmola poderiam ter filho? Óbvio que não. Mas como a esquerda distorce tudo, não existe a responsabilidade individual de cada um pelos seus atos, todos são “vítimas da sociedade”, quando na verdade são vítimas da irresponsabilidade dos pais.
Ninguém vai falar nada sobre Angus Deaton, o faz tudo? O cara é climatologista, conselheiro familiar, especialista em peso e medidas dos humanos (com ele baixinho não tem chance), guru- nutrólogo, realista econômico, ele sabe o que você deve fazer com o seu dinheiro (faça um curso com ele, e mude as suas preferências!), quase superou Thomas Piketty na vendagem de livro, descobriu "cientificamente" que quem ganha pouco sente dores emocionais, como manipular a demanda num livre mercado? (exagerei?). Bem, ele merece ou não merece um novo prêmio Nobel do politicamente correto? Anon, SSXXI
Excelente, esse é aquele tipo de texto em que você ao ler imagina como poderia ter sido sua vida se já tivesse sido criado tendo esse tipo de informação, isso não se resume apenas ao capitalismo, se resume a absolutamente tudo na vida, no social e até no campo “amoroso”.
Isso responde àquela pergunta: “pq o Neymar ganha mais que um médico?”
Gerar Valor = Satisfazer desejos das pessoas (em latência ou efetivos). Nada mais.
Se tomarmos por meritocracia o cumprimento de um conjunto objetivo de quesitos, o Partido Comunista da URSS era o mais meritocrático que havia. Era só puxar o saco do secretário geral, bater as metas para busca de financiamento junto a ricos com cabeça de vento, cumprir as cotas de homicídios, manter a propaganda e o sistema de desinformação funcionando, que os altos postos do partido eram destinados para você. As regras eram bem claras.
Olá, gostaria de saber qual é o posicionamento do IMB sobre doações de empresas a políticos?
Dei uma olhada nos artigos e não achei nada falando do tema.
Abraços.
É.
No site do LvMI, foi publicado um excelente texto sobre o tema:
mises.org/blog/labor-theory-value-refuted-nobody-cares-how-hard-you-work
Não faz sentido algum colocar um senhor sem teto e compara-lo ao sistema atual, o sistema é falho por conta dos homens que cada vez mais tornam o conhecimento exclusivo e que poucos tem acesso, o verdadeiro conhecimento, tudo se baseia nisso, não há homem que possa derrotar o conhecimento, socialismo cada vez se mostrando sem argumentos como a causa que defende, trabalhe e procure conhecimento, não existe sorte, existe na verdade o encontro da capacidade com a oportunidade.
Tenho percebido nos comentários que sempre vem alguém com a conversa de não ser justo duas pessoas iniciarem suas vidas em condições diferentes e de que é necessária a intervenção constante do Estado para reduzir estas diferenças, enquanto que os frequentadores assíduos deste site tentam em vão explicar a impraticabilidade deste discurso e os primeiros fingem não enxergar isto ao utilizarem os costumeiros apelos emocionais.
Tenho uma pergunta a fazer para os marxistas ou adeptos da esquerda: qual o incentivo para um indíviduo ser trabalhador, produzir riquezas e poupar se o Estado impedí-lo de tentar legar aos seus descendentes uma maior chance de sobrevivência e sucesso que os outros? Se tudo o que ele acumular não puder ser passado a quem ele deseja, qual o incentivo para que ele mantenha seus bens quando estiver mais velho?
E mais: como pode haver justiça para um homem que foi produtivo e responsável ao ter que ver seus filhos terem as mesmas oportunidades que os filhos de um homem que foi irresponsável e preguiçoso? Cada a justiça social?
Espero as respostas. Vocês proclamaram uma injustiça e eu outra. Como resolvemos isso?
Pode ser resumido em uma frase que ficou famosa por conta do filme Tropa de Elite:
“Quem quer rir tem que fazer rir.”
Ótimo artigo, mostra que o MBL do kataguiri, usa o mérito de forma totalmente errada, parabéns!
Mas e quanto a riqueza obtida por meios como especulação financeira, roubo, corrupção, etc. A pessoa enriqueceu sem gerar riqueza, como vocês explicam isso?
Vou discordar do Joel, mas concordando.
Concordo integralmente com o texto: o importante é o valor que se cria. Não há o que discutir aqui.
A grande questão é desconsiderar que, quando uma pessoa usa seu capital (aqui num sentido amplo, capital financeiro, produtivo, intelectual, etc.) para criar valor às outras pessoas, ela tem um mérito nisso.
O Messi poderia muito bem ter seguido o caminho de diversos jogadores por aí, indo de balada em balada, de porre em porre, conduzindo sua carreira para o fracasso e ficando pobre. Mas não, ele treina duro todos os dias para ser quem é. Esse é o seu mérito: saber usar seu talento (sobre)natural de forma a criar um espetáculo pelo qual bilhões(!) de pessoas ao redor do mundo estão dispostas a pagar.
No limite, ele poderia jamais ter se interessado pela bola e ser um péssimo, sei lá, garçom em Rosário. Certamente, estaria mais pobre.
Então, se definirmos mérito como “a capacidade de saber utilizar suas vantagens competitivas individuais para gerar valor àqueles que o cercam”, o mercado é sim meritocrático.
Não importa se as suas vantagens competitivas individuais advêm do esforço pessoal, de um talento natural ou de uma herança (fator sorte), o que importa é como você usa aquilo para gerar valor às pessoas.
Muito bom, Joel!
“Não. Ele é pobre porque não conseguiu gerar valor para ninguém.”
ele eh pobre pq nao conseguiu gerar valor para ALGUEM.
se ele gerar valor para ninguem, continua na mesma, pq sera para ninguem.
A meritocracia é o método em consonância com a natureza – os mais dedicados, fortes e preparados “sobrevivem”, é a teoria da evolução das espécies, irrefutável;
A diferença fundamental é que, quando aplicada a humanidade, a meritocracia deve sempre estar intrinsecamente associada à solidariedade e a magnanimidade – atributos estes, unicamente humanos; Assim se permite que os mais destacados tenham sim por direito seus frutos colhidos porém, tenham como ônus (bônus, aqui em nosso ponto de vista) a obrigação moral de assistir aos mais desfavorecidos, corroborando para sua subsistência, evolução, aprendizado, e amparo…Produzir dentre os “perdedores” mais “vencedores” (abnegando-se obviamente de qualquer intenção alheia à este objetivo), e sempre, independente de qualquer causa, partido ou preferência, amparar os menos favorecidos…
Não há outra forma da humanidade evoluir…Em todos os âmbitos fundamentais – moral, material e espiritual…
Tem uma história que ilustra bem esse artigo.
Em uma empresa, uma funcionária ficou revoltado após saber que o jogador Cristiano Ronaldo tinha um salário em torno de 50 milhões de reais. Ela não se conformava como ela que tinha diploma e trabalhava de segunda a sábado não ganhava mais do que 3 mil reais, e alguém sem o menor estudo ganhava 50 milhões para jogar bola.
Após alguns minutos, o seu chefe que tinha ouvido tudo, mostrou para ela uma notícia que achou na internet, era o valor que o jogador tinha gerado no ano em publicidade e quanto o clube arrecadava daquilo, algo em torno de 150 milhões de reais. E logo ele falou, o Ronaldo gera para sua empresa pelo menos 150 milhões de reais, tendo um custo de "apenas 50 milhões". Agora me diz, você com todo seu estudo não deve ser capaz de gerar nem meio por cento do que ele gera para empresa, porque então você mereceria ganhar mais do que ele? A moça então, sem responder, abaixou a cabeça e voltou a trabalhar.
Ver a foto de um homem mendigando parece piegas. Explico: Muita gente sabe ou já ouviu falar de pessoas que eram pobres e ficaram ricas e que pessoas ricas ficaram pobres. Certo? ok! A grande conclusão que chego é que: O que elas fizeram diante da fortuna ou da pobreza resultaram no que cada um pode chamar de condição social… é bem verdade que uns tem mais capacidades que outros, mais estudo, mais sorte, e por aí vai… mas conta muito (ou até mais que tudo)que o esforço pessoal e a capacidade criadora do ser humano (intrínsecos ao Ser)é determinante para a mudança de postura da pessoa humana diante da sua condição… A pergunta que me vem é: O que esse homem fez para estar nessa condição? ou o que deixou de fazer para isso? Será que se eu lhe desse condições mínimas de habitação, saúde e educação, esse mesmo homem seria capaz de mudar a sua realidade? Se a resposta for sim, a meritocracia é fundamental para que esse homem saia desta condição, pois ele necessitaria de esforço próprio para alcançar níveis cognitivos capazes de alavancar a sua vida; Se a resposta for não, então o que ele precisa? Será que tudo quanto for feito para este homem será capaz de tirá-lo desta condição? Então a condição de miséria seria inerente a ele e estaria condenado a viver assim. Quem já leu o livro “meu pé direito” (e tantos e tantos outros exemplos) é capaz de dizer que o ser humano pode realizar qualquer coisa.
Uma forma de entender também a meritocracia é entender que ela permite a mobilidade social, ou seja, que alguém mude de situação. Basta comparar com o que se tinha antes, nas monarquias principalmente antes da revolução industrial. Bastava nascer de sangue nobre, e todas as portas se abriam: voce iria estudar em boas escolas, iria ter propriedade de terras, servos, ter acesso a cargos públicos. Com a revolução francesa e Napoleão (ao menos antes dele virar Imperador e restaurar a monarquia) isso acabou. Pense no absurdo e na injustiça de ser beneficiado apenas pelo nascimento. E não estou falando só de heranças e dinheiro, estou falando de prestígio e posição social. Jamais quem não nasceu nobre poderia um dia ser, mesmo que fosse rico, milionário. Tínhamos uma sociedade de castas, como ainda é hoje na Índia e em alguns países do oriente. É essa a diferença: mobilidade social.
‘Não é meritocracia, é o valor que se cria’
Mas o mérito está em criar algo de valor pros outros, ora.
Esse título é meio redundante.
A idéia de “Criar valor” para as pessoas é muito interessante e serviria como uma boa forma de balizar a sociedade. Como dito, na verdade já ocorre, mas isso acontece em todos os campos. Se um profissional entrega mais valor para seu cliente, usualmente será mais bem remunerado. Independente se ele ficou 1, 2 ou 100 horas para produzir um bem ou serviço. E esse valor, quem mede é o “cliente” através de satisfação.
Assim, o jogador de futebol que faz passes maravilhosos e marca gol, entrega satisfação a milhões de expectadores, ele será melhor remunerado. O mérito está no fato de que, com raras excessões, uma parte grande desse valor foi alcançada com esforço pessoal bem direcionados.
?…?
??Oração ao deus Estado
Deus Estado ( Executivo, Legislativo e Judiciário ) que estás aqui, ali e em todos os lugares, endeusado ?seja? o teu nome e que venha? a nós o vosso reinado? e toda a corte?.
Seja feita a vossa vontade, hoje e sempre? com mais Tributos, Taxas e Impostos?.
Os benefícios?, regalias e privilégios de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as nossas ??vontades à meritocracia?, a produtividade e ao livre mercado?, assim como nós perdoamos a quem a?s? defende.
Não nos deixeis cair na tentação da? eficácia e da? eficiência, e livrai-nos dos males da boa gestão.
Amém?!
… … …?
Achei o artigo interessante, embora ambíguo por proposta, poderia ter sido mais esclarecedor, mas só que não, apenas preferiu ir surfando no óbvio!
O mundo da governança global e em especial o mundo empresarial brasileiro sobrevive de imposições do MEDO, MANIPULAÇÕES E INVERSÕES DE VALORES QUE TÊM COMO VALOR NIVELAR A TANTOS QUANTO POSSÍVEL POR BAIXO, E CADA VEZ MAIS BAIXO (a ideia é massificar a paquidermização de forma piramidal!), e foi apenas isto que o artigo, a meu ver, demonstrou! Mas, o modelo de governança global como podemos ver, esta absoluta e irremediavelmente falida, e por este motivo o extremismo esta cada vez mais extremo no mundo, guerras explodem, milhares de pessoas são mortas por zumbis paquidermizados que acham que vão ter direito a sei lá quantas virgens no além túmulo (!), o socialismo já a muito falecido tenta a ressurreição, graças a verdadeiros imbecis com fisiologias psíquicas despóticas e tirânicas.
Entendo que enquanto o mundo não fazer difundir e se utilizar de outro modelo econômico financeiro, o mundo mergulhará cada vez mais fundo no pior da miséria humana que é a barbárie e a insanidade das desigualdades. Observo com atenção as propostas do Capitalismo Consciente!
Mas retornando ao ponto que interessa, a meu ver, a meritocracia depende de algum modelo de governança que desdobre absolutamente todos os números possíveis, visíveis ou não, tangíveis ou intangíveis (na verdade, principalmente os invisíveis e intangíveis), de tal forma que cada individuo agente da FORÇA INTELIGENTE DE TRABALHO de forma absolutamente linear e não vertical ou curvo, sem importar quem é e aos inclusivos os donos, executivos e demais altos gestores, possam ser vistos e suas ações traduzidas micro-metricamente em números desdobrados ao máximo, a fim de que tudo, todos e todas as ações ou inações possam ser vistas de forma absolutamente transparente e para vista de todos (de todos para todos e por todos em absoluto. Óbvio que não me refiro a números sigilosos ou estratégicos), de tal forma que possam ser mesurados e traduzidos conforme a necessidade estratégica projetada e planejada. Para oferecer tal possibilidade, minha limitação só conhece a governança corporativa.
Em minhas experiências em trabalhos em altas performances, nas duas maiores empresas que trabalhei, tive a oportunidade de vivenciar duas maneiras de se aplicar e vivenciar a governança corporativa: Uma mais transparente, justa e mais inclusiva com feedbacks mais honestos; outra onde o modelo de governança era manipulado e escrotamente usado para favorecer somente a alguns poucos de competências extremamente duvidosas, a esta chamo de governança terrorista. A primeira ainda não era boa, mas até nenhuma nunca será até porque a governança corporativa reflete a cultura aplicada, difundida e vivenciada por todos deste organismo vivo que são as empresas. A segunda dispensa comentários.
Não vejo como ser possível aplicar a meritocracia sem a governança corporativa justa, com a aplicação de gestões singulares (desta forma abarcando a todos da equipe, deixando claro que absolutamente todos são relevantes, importantes mesmo!), com feedback edificantes, sistêmicos a todo tempo e oportunidades, além de sistêmicos em considerar absolutamente todas as diferenças possíveis e inimagináveis, de tal forma que o objetivo dos gestores dos mais variados níveis seja de estar dispostos a ouvir sem descriminações ou pré conceitos para entender e compreender os contrapontos, críticas e sugestões, que estejam sempre dispostos ao desapego a paradigmas (sem abandonar princípios fundamentais de: moral, ética e caráter) para desconstruírem-se e reconstruirem a cada oportunidade de assimilação de novas e melhores praticas e ideias. Havendo algo bom que se proponha, promova e ajude aos que propuseram a realização de projetos livres e conforme aquilo que pensam e como pensam, se bom proponha e de liberdade para que sugiram o planejamento para seus próprios projetos. Garanto que sempre mesmo que o todo não seja o suficiente bom ou exequível, ou possível, pelo menos terão a oportunidade de captar e pôr em pratica o possível que melhores as boas praticas, além de premiar a liberdade, responsabilidade, criatividade e o todo da equipe estará sendo engajada!
É fundamental que se promova a inteligência cognitiva, a inteligência é merece ser reconhecida e não meros canudos de acadêmicos que muitas vezes sequer conseguem formar pensamentos próprios e relevantes sobre o que quer que seja!
Perdoe a prolixidade, mas o tema é controverso e polêmico (ainda), pouco difundido e discutido, de múltiplos entendimentos e ainda utilizado meramente como retórica vazia e com interesses egoicamente falsos e manipuladores!
Saudações fraternas e como sempre meus respeitos e considerações aos esforços e trabalho da família Mimi,
Ola Joel, tudo bem?
Nunca vi um artigo que fizesse refletir tanto igual esse.
Concordo plenamente com o que disse. Antes de ler este texto eu tinha a visão que a sociedade sempre trabalho com os conceitos da Meritrocacia, onde as pessoas são reconhecidas pelo merecimento. Porém após o texto sou obrigado a concordar plenamente contigo, pois o valor que as pessoas agregam é o que faz elas se diferenciarem.
Parabéns pelo artigo, incrível!
Entendo como meritocracia, aquilo que é produzido com qualidade inqu
estionável, para atingir o objetivo proposto!!!
Olá, caro bloguista …
O que está a ser proposto – como mérito e valor – na minha humilde opinião, é bastante ambíguo e controverso e pode não ter nada a ver com ética e moral; considero que se relaciona muito mais, com astúcia e eficácia.
Desde que surgiu o famigerado crime organizado, que se tem um evidente exemplo dessa delicada questão que é produzir valor: dinheiro em quantidades multimilionárias, que movimentam indústrias e fazem prosperar grupos financeiros !!!
Casinos, drogas, armas, vigarice e corrupção política, em larga escala internacional …
Especulativamente – artur
Assisti um vídeo no YouTube do canal Ideias Radicais e resolvi pesquisar sobre esse assunto, e depois de ler esse artigo fica claro que a meritocracia não existe no Mercado Capitalista.
O que enriquece os indivíduos é o valor de seu trabalho, não o quanto a pessoa se esforçou para trabalhar em qualquer área, seja ela qual for!
Duas sugestões:
1 – Colocar o Disqus para comentários.
2 – Sugestão para outro post: Não concordo com “igualdade é moralmente superior à desigualdade? Se um meteorito cai na minha casa e não na sua, isso é injusto? É imoral?” . Acredito sim que a igualdade é moralmente superior à desigualdade. O mundo é feito de caos, mas não é por isso que o ser humano deseja viver no caos. Muito pelo contrário, o desejo do ser humano é de ordem em contraposição ao caos do mundo. Não se pode justificar que a injustiça do mundo seja também desejada pelos seres humanos simplesmente porque ela já existe anteriormente. Nós somos capazes de criar a nossa própria sociedade e ela pode, sim, ser moralmente superior com o princípio da igualdade.
Um dos melhores artigos aqui do IBM.
O artigo coloca as duas coias como excludentes, mas não vejo assim. Realmente há de se criar valor para ter sucesso, mas para tal houve mérito da pessoa para sua realização. Senão qualquer um seria um gugu ou faustão, usando-se os exemplos do texto.
Há alguma obra que discuta esse conceito de meritocracia? Gostaria da referencia, para poder citar.
Sensacional o trecho: “Mas quem disse que a igualdade é moralmente superior à desigualdade?”.
Quando você cria valor para sua própria carreira, para a empresa que trabalha, para seu empreendimento e seus clientes, o sucesso acontece e o dinheiro é uma tradução tangível do valor criado para chefes, clientes, acionistas, sociedade como um todo na satisfação de necessidades, simples.
Se nasceu pobre, acorde mais cedo e não reclame. Se mora na periferia, estude e se esforce para ter um emprego em NYC, se este é o seu sonho. Ao invés de nascer pobre, você poderia ter nascido sem as pernas, ou cego, seria mais difícil ainda.
Diferente disso, é papo acadêmico ou filosófico, importante também.
Abraço, Marcelo Samogin
“Mérito” é algo subjetivo., assim como “valor”.
Já ví professor experiente dar palestra sem errar o roteiro e não ganhar um obrigado, pois não passou empatia (não gerou um tipo de valor, além da informação) ao público.
Na outra mão, já ví professor iniciante ganhar parabéns após passar conteúdo raso, apenas porque criou empatia com os alunos.
Em ambos os casos, o mérito está naquilo que se valoriza no momento.
Agora, se nivelarmos o mérito – ou valor – ao $ captado no fim do mês, temos de esquecer as pessoas que fazem trabalho voluntário, doações e outras ações sociais relevantes como o nosso SUS, p.ex.
Eu acho que o SUS tem um mérito próprio, igual ao da bolsa de valores, cada qual no seu espaço.