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As consequências ignoradas da Primeira Guerra Mundial

A Primeira Guerra Mundial representou um dos
maiores divisores de água da história moderna. Ao seu final, a transformação de todo o mundo
ocidental, que havia sido iniciada ainda na Revolução Francesa, foi
completada: governos monárquicos e
reis soberanos deixaram de existir e deram lugar a governos
republicano-democráticos.

Até
1914, existiam apenas três repúblicas na Europa: França, Suíça e, desde 1911,
Portugal. E, dentre todas as principais
monarquias europeias, apenas a do Reino Unido podia ser classificada como um
sistema parlamentar, isto é, um sistema em que o poder supremo estava investido
em um parlamento eleito. 

No entanto, quatro
anos depois, após os Estados Unidos terem entrado na guerra europeia e
decisivamente determinado o seu resultado, as monarquias praticamente
desapareceram, e a Europa, junto com o resto do mundo, adentrou a era do
republicanismo democrático.

Na
Europa, os Romanovs, Hohenzollerns e Habsburgos, militarmente derrotados,
tiveram de abdicar ou renunciar, e a Rússia, a Alemanha e a Áustria tornaram-se
repúblicas democráticas com sufrágio universal (masculino e feminino) e com
governos parlamentares. Igualmente, todos
os recém-criados estados — sendo a Iugoslávia a única exceção — adotaram
constituições republicano-democráticas.  

Na
Turquia e na Grécia, as monarquias foram destituídas. E até mesmo naquelas nações onde as monarquias
ainda existiam ao menos nominalmente, como na Grã-Bretanha, na Itália, na
Espanha, na Bélgica, na Holanda e nos países escandinavos, os monarcas não mais
exerciam qualquer poder governamental. O
sufrágio adulto universal foi introduzido, e todo o poder estatal foi investido
em parlamentos e funcionários “públicos”.

Essa
mudança histórica mundial — do ancien
régime
de reis e príncipes à nova era republicano-democrática de
governantes popularmente eleitos ou escolhidos — também pode ser caracterizada
como a mudança que representou a abolição da Áustria e “do jeito austríaco” e a
afirmação dos Estados Unidos e do “jeito americano”.  E assim é por várias razões.  

Em
primeiro lugar, a Áustria iniciou a guerra, e os EUA puseram-lhe um fim. A Áustria perdeu, e os EUA venceram. A Áustria era governada por um monarca — o imperador
Francisco
José
–, e os EUA, por um presidente democraticamente eleito — o professor
Woodrow Wilson. No entanto, ainda mais
importante é a constatação de que a Primeira Guerra Mundial não foi uma guerra
tradicional, em que se combatia por objetivos territorialmente limitados, mas
sim uma guerra ideológica; e a
Áustria e os EUA, respectivamente, eram os dois países que mais claramente
personificavam as ideias em conflito — e era assim que as demais partes
beligerantes os viam. [1]

A
Primeira Guerra Mundial começou como uma tradicional disputa territorial. No entanto, com o prematuro envolvimento e a
derradeira entrada oficial dos Estados Unidos em abril de 1917, a guerra tomou
uma nova dimensão ideológica. Os EUA
foram fundados como uma república, e o princípio democrático, inerente à ideia
de uma república, apenas recentemente tornara-se vitorioso — tal vitória
decorreu da violenta derrota e da violenta devastação da Confederação
secessionista pelo governo da União centralista
.  

Na época da Primeira Guerra Mundial, essa
triunfante ideologia de um republicanismo democrático expansionista encontrou a
sua perfeita personificação no então presidente dos EUA, Woodrow Wilson.

Sob
a administração de Wilson, a guerra europeia tornou-se uma missão ideológica:
fazer com que o mundo se transformasse em um lugar seguro para a democracia e livre
de governantes dinásticos. Quando, em
março de 1917, o czar Nicolau II, um aliado
americano, foi forçado a abdicar, sendo estabelecido um novo governo
republicano-democrático na Rússia sob Kerensky, Wilson exultou. Com o czar
abatido, a guerra finalmente havia se transformado em um conflito puramente
ideológico: o bem contra o mal.

Wilson
e os seus mais próximos conselheiros de política externa, o coronel House e George D. Herron, não
simpatizavam com a Alemanha do kaiser,
com a aristocracia e com a elite militar. Mas eles odiavam a Áustria. Erik von
Kuehnelt-Leddihn
assim caracterizou as visões de Wilson e da esquerda
americana:

A Áustria era mais demonizada do que a
Alemanha. Ela estava em total contradição
com o princípio mazziniano
de estado nacional, tendo herdado muitas tradições e muitos símbolos do Sacro
Império Romano (a águia de duas cabeças, as cores preta e dourada, entre
outros).  

A sua dinastia uma vez
governara a Espanha (outra bête noire [2]). Ela liderou a Contra-Reforma, encabeçou a Santa
Aliança, combateu o Risorgimento, suprimiu a rebelião húngara de
Kossuth (em cuja homenagem havia um monumento na cidade de Nova York) e apoiou
moral e filosoficamente o experimento monarquista no México. 

Habsburgo — este era exatamente o nome
que evocava memórias do Catolicismo Romano, da Armada, da Inquisição, de Metternich,
de Lafayette encarcerado em Olmütz e de Silvio Pellico confinado na fortaleza
de Spielberg, em Brünn. Tal estado tinha de ser
destruído; tal dinastia tinha de desaparecer.[3]

Sendo
um conflito cada vez mais ideologicamente motivado, a guerra rapidamente se
degenerou em uma guerra total. Em todas
as nações da Europa, a economia nacional inteira foi militarizada (socialismo
de guerra)[4], e a consagrada
e honrada distinção entre combatentes e não-combatentes, e entre vida civil e
vida militar,  foi abandonada. Por essa razão, a Primeira Guerra Mundial
resultou em muito mais baixas de civis — vítimas de inanição e de doença — do
que de soldados mortos em campos de batalha.

Ademais,
devido ao caráter ideológico da guerra, ao seu término somente eram possíveis a
total rendição, a humilhação e a punição do derrotado, e não acordos de paz. Como consequência, a Alemanha teve de desistir
da sua monarquia, e a Alsácia-Lorena foi devolvida à França tal como antes da
Guerra Franco-Prussiana de 1870-71. A
nova república alemã foi onerada com pesadas reparações de longo prazo. A Alemanha foi desmilitarizada, o Sarre alemão foi ocupado pelos
franceses, e, no leste, grandes territórios tiveram de ser cedidos à Polônia
(Prússia Ocidental e Silésia).

A
Alemanha, entretanto, não foi desmembrada e nem destruída. Wilson reservara esse destino para a Áustria. Com a deposição dos Habsburgos, todo o Império
Austro-Húngaro foi despedaçado. Para
coroar a política externa de Wilson, dois novos e artificiais estados,
Tchecoslováquia e Iugoslávia, foram extraídos do antigo Império. A Áustria, por séculos uma das grandes
potências europeias, foi maciçamente reduzida em tamanho, limitando-se agora ao
seu pequeno território central de língua alemã; e, como outro dos legados de
Wilson, a agora pequena Áustria foi obrigada a entregar sua província
inteiramente alemã do Tirol do Sul (Alto Ádige ou Bolzano) — estendendo-se até
o Passo do Brennero — à Itália.

Desde
1918, a Áustria desapareceu do mapa do poder político internacional. Em seu lugar, os Estados Unidos emergiram como
a potência líder do mundo. A era
americana — a pax Americana
começara. O princípio do republicanismo
democrático havia triunfado. E ele
triunfaria de novo ao final da Segunda Guerra Mundial. E uma vez mais — ou ao menos assim pareceu —
com o colapso do Império Soviético nos últimos anos da década de 1980 e no
início da década de 1990. Para alguns
observadores contemporâneos, o “Fim da História” havia chegado.  A ideia americana de democracia universal e
global finalmente estava totalmente implementada.[5]

Assim,
a Áustria dos Habsburgos e a prototípica experiência pré-democrática austríaca
se tornaram uma mera curiosidade histórica. Para ser exato, não é que a Áustria deixou de ter suas façanhas reconhecidas. Até
mesmo os intelectuais e artistas pró-democracia, de qualquer campo das
atividades intelectuais e artísticas, não podiam ignorar o enorme nível de
produtividade da cultura austro-húngara e, em particular, da cultura vienense. Com efeito, a lista de grandes nomes
associados à Viena do fim do século XIX e do início do século XX parece
infinita. 

A
lista inclui Ludwig Boltzmann, Franz Brentano, Rudolph Camap, Edmund Husserl,
Ernst Mach, Alexius Meinong, Karl Popper, Moritz Schlick e Ludwig Wittgenstein
entre os filósofos; Kurt Godel, Hans Hahn, Karl Menger e Richard von Mises
entre os matemáticos; Eugen von Böhm-Bawerk, Gottfried von Haberler, Friedrich
A. von Hayek, Carl Menger, Fritz Machlup, Ludwig von Mises, Oskar Morgenstern,
Joseph Schumpeter e Friedrich von Wieser entre os economistas; Rudolph von
Jhering, Hans Kelsen, Anton Menger e Lorenz von Stein entre os advogados e os
juristas; Alfred Adler, Joseph Breuer, Karl Bühler e Sigmund Freud entre os
psicologistas; Max Adler, Otto Bauer, Egon Friedell, Heinrich Friedjung, Paul
Lazarsfeld, Gustav Ratzenhofer e Alfred Schutz entre os historiadores e os
sociólogos; Hermann Broch, Franz Grillparzer, Hugo von Hofmannsthal, Karl
Kraus, Fritz Mauthner, Robert Musil, Arthur Schnitzler, Georg Trakl, Otto
Weininger e Stefan Zweig entre os escritores e os críticos literários; Gustav
Klimt, Oskar Kokoschka, Adolf Loos e Egon Schiele entre os artistas e os
arquitetos; e Alban Berg, Johannes Brahms, Anton Bruckner, Franz Lehar, Gustav
Mahler, Arnold Schonberg, Johann Strauss, Anton von Webern e Hugo Wolf entre os
compositores.

No
entanto, e curiosamente, essa elevada produtividade intelectual e cultural
raramente foi correlacionada pelos estudiosos como decorrente da tradição
pré-democrática da monarquia dos Habsburgos. A incrível efervescência cultural e intelectual da Viena do final do
século XIX e início do século XX raramente é correlacionada com o ambiente
criado pela monarquia dos Habsburgos. Em
vez disso, nos raros casos em que não é considerada uma mera coincidência, a
produtividade da cultura austro-vienense é apresentada, de forma “politicamente
correta”, como sendo prova dos positivos efeitos sinergéticos do
multiculturalismo e de uma sociedade multiétnica.[6]

Por
outro lado, já desde o final do século XX, acumulam-se crescentes evidências de
que, em vez de assinalar o fim da história, o sistema político-democrático
imposto ao mundo pelos EUA está mergulhado em uma crise profunda. Desde o fim da década de 1960 e começo da
década de 1970, a renda salarial real nos Estados Unidos e na Europa Ocidental
estagnou-se e, em alguns casos, até mesmo caiu. No Oeste Europeu em particular, as taxas de
desemprego só fizeram aumentar. Os gastos governamentais e
a dívida pública dispararam em todos os países, alcançando patamares
astronômicos
, em muitos casos excedendo o próprio Produto Interno Bruto
(PIB) de um país. Similarmente, os sistemas de Previdência Social
(ou seguridade social) em todos os lugares estão à beira da falência.  

Ademais,
o colapso do Império Soviético não representou exatamente um triunfo da
democracia; apenas comprovou a impossibilidade prática do
socialismo
. Mais ainda: tal colapso
trouxe embutido em si um alerta contra o sistema ocidental de socialismo
democrático (em vez de socialismo ditatorial). 

Atualmente, em todo o hemisfério ocidental,
divisões e movimentos em prol de separatismos e secessões nacionais, étnicas e culturais estão
crescendo. As criações democráticas e multiculturais
de Wilson — a Iugoslávia e a Tchecoslováquia — já se fragmentaram. Em todo o Ocidente, em menos de um século de
democracia perfeitamente completa, os resultados são estes: degeneração moral,
desintegração social e familiar e decadência cultural na forma de taxas crescentes
de divórcio, de filhos bastardos, de aborto e de criminalidade. Em consequência de uma quantidade — ainda em
expansão — de leis e políticas antidiscriminatórias, multiculturais e
igualitaristas, todos os poros da sociedade ocidental foram afetados pela interferência
governamental e pela integração forçada. Consequentemente, as tensões e hostilidades raciais, étnicas e culturais
— bem como as inquietações sociais — têm crescido dramaticamente.

À
luz dessas decepcionantes experiências, ressurgiram dúvidas fundamentais sobre
as virtudes do sistema democrático preconizado pelos americanos.  

E se os EUA não houvessem entrado?

Mas
fica a pergunta: o que teria acontecido se, de acordo com suas próprias
promessas feitas durante sua campanha de reeleição, Woodrow Wilson tivesse
mantido os Estados Unidos fora da Primeira Guerra Mundial? Em virtude da sua natureza contrafatual, a
resposta a uma questão como esta jamais pode ser empiricamente confirmada ou
rejeitada. Todavia, isso não torna a
questão sem sentido ou a resposta arbitrária. Pelo contrário: baseando-se na compreensão dos
verdadeiros eventos e personagens históricos envolvidos, a questão acerca do
mais provável curso alternativo da história pode ser respondida em detalhes e
com considerável segurança.[7]

Se
os Estados Unidos tivessem seguido uma estrita política externa de não-intervencionismo,
o conflito dentro da Europa provavelmente teria acabado ao final de 1917 ou no
início de 1918, como resultado de várias iniciativas de paz, mais notadamente
empreendidas pelo imperador
austríaco Carlos I
. Ademais, a
guerra teria sido concluída por meio de acordos de paz mutuamente aceitáveis e
que mantivessem a dignidade das partes, e não com o decreto que de fato foi
imposto. Consequentemente, a Áustria-Hungria,
a Alemanha e a Rússia teriam permanecido com as tradicionais monarquias em vez
de serem transformadas em repúblicas democráticas de curta duração.

Com
um czar russo, um kaiser alemão e um kaiser austríaco, teria sido quase impossível para os bolcheviques
conquistar o poder na Rússia. Da mesma
forma, também teria sido quase impossível para os fascistas e os
nacional-socialistas (nazistas) — em reação à crescente ameaça comunista na
Europa Ocidental — fazerem a mesma coisa na Itália e na Alemanha.[8]

Os
milhões de vítimas do comunismo, do nacional-socialismo (nazismo) e da Segunda
Guerra Mundial teriam sido salvos. A
extensão da interferência e do controle governamentais sobre a economia privada
no mundo ocidental jamais teria alcançado o tamanho que hoje se vê. E, em vez de a região que abrange a Europa
Central e a Europa Oriental (e, em consequência, metade do globo) cair em mãos
comunistas e por mais de quarenta anos ser pilhada, devastada e coercivamente
excluída dos mercados ocidentais, a Europa inteira (e todo o globo) teria
permanecido economicamente integrada (tal como ocorrera no século XIX) por meio
de um sistema de divisão do trabalho e de cooperação social de âmbito global.  

O padrão de vida no mundo como um todo seria
hoje muito maior do que o atual.

LIVRO_Democracia.jpg

Diante
do pano de fundo desse exercício imaginativo e do verdadeiro curso dos eventos,
o sistema imposto ao mundo pelos EUA e a pax
Americana
parecem ser — ao contrário da história “oficial”, a qual é
sempre escrita pelos vencedores; mais especificamente, a partir da perspectiva
dos proponentes da democracia — um desastre colossal.  

Por conseguinte, a Áustria dos Habsburgos e a
era pré-democrática se tornam ainda mais atraentes. Ninguém menos do que George F. Kennan,
embaixador americano na URSS e a própria encarnação do establishment, escrevendo em 1951, chegou muito perto de admitir
isso:

Contudo, hoje, se fosse oferecida a
oportunidade de ter de volta a Alemanha de 1913 — uma Alemanha governada por
pessoas conservadoras, mas relativamente moderadas, sem nazistas e sem
comunistas, uma Alemanha vigorosa, unida e não-ocupada, cheia de energia e
confiança, capaz de fazer parte de uma frente que contrabalançaria o poder
russo na Europa — bem, haveria objeções a isso de muitos lugares, e isso não
faria todo mundo feliz; porém, de várias maneiras, e em comparação com os
nossos problemas de hoje, isso não seria tão ruim.  

Agora, pense no que isso significa.  Quando verificamos o saldo total das duas
guerras, nos termos dos seus objetivos declarados, há uma enorme a dificuldade
em perceber e discernir algum ganho. (George F. Kennan, American Diplomacy, 1900-1950
[Chicago: University of Chicago Press, 1951], pp. 55–56)

Certamente,
então, seria de grande valia realizar uma pesquisa sistemática sobre a
transformação histórica da monarquia para a democracia.  E é exatamente isso o que pretendi fazer em
meu livro Democracia, o deus que
falhou
.

___________________________________
O texto acima é a introdução do livro Democracia, o deus que falhou, o qual pode ser adquirido aqui.



[1] Para ver um brilhante resumo das causas e das
consequências da Primeira Guerra Mundial, ver Ralph Raico, “World War I: The
Turning Point”, em The Costs of War: America’s Pyrrhic Victories, editado por John V. Denson (New
Brunswick, N. J.: Transaction Publishers, 1999).

[2]
Expressão utilizada em língua inglesa, emprestada do francês, cuja tradução
literal seria “besta negra”. Significa um anátema; algo que é particularmente
detestado ou evitado; objeto de aversão, fonte de aborrecimento persistente ou
irritação. (Nota do Tradutor — N. do
T.)

[3] Erik von
Kuehnelt-Leddihn, Leftism
Revisited: From de Sade to Pol Pot
(Washington, D. C.: Regnery, 1990),
p. 210; sobre Wilson e o wilsonianismo, ver os seguintes escritos: Murray N.
Rothbard, “World War I as Fulfillment: Power and the Intellectuals”, em Journal
of Libertarian Studies
, 9,
n. 1 (1989); Paul Gottfried, “Wilsonianism: The Legacy that Won’t Die”, em Journal
of Libertarian Studies
, 9,
n. 2 (1990); idem, “On Liberal and Democratic Nationhood”, em Journal of Libertarian Studies, 10, n. 1 (1991); e Robert A.
Nisbet, The Present Age (New York: Harper and Row, 1988).

[4] Ver Murray N.
Rothbard, “War Collectivism in World War I”, em A New History of Leviathan, editado por Ronald Radosh e Murray N.
Rothbard (New York: E. P. Dutton, 1972); e Robert Higgs, Crisis and
Leviathan
: Critical Episodes in the
Growth of American Government
(New
York: Oxford University Press, 1987).

[5] Ver Francis Fukuyama, The End of
History and the Last Man
(New York: Avon Books, 1992).

[6] Ver Allan Janik e
Stephen Toulmin, Wittgenstein’s Vienna (New York: Simon and Schuster,
1973); William M. Johnston, The Austrian Mind: An Intellectual and Social
History,
18481938 (Berkeley: University of California Press, 1972); e
Carl E. Schorske, Fin-de-Siècle Vienna: Politics and
Culture
(New York: Random House, 1981).

[7] Para conhecer uma coleção contemporânea de exemplos
de “história contrafatual”, consultar Virtual History: Alternatives and
Counterfactuals
, editado
por Niall Ferguson (New York: Basic Books, 1999).

[8] Sobre a relação entre o comunismo e a ascensão do
fascismo e do nacional-socialismo (nazismo), ver Ralph Raico, “Mises
on Fascism, Democracy and Other Questions”
, em Journal of Libertarian
Studies
, 12, n. 1 (1996); e
Ernst Nolte, Der europäische Bürgerkrieg, 1917–1945. Nationalsozialismus
und Bolschewismus
(Berlim: Propyläen, 1987).

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117 comentários em “As consequências ignoradas da Primeira Guerra Mundial”

  1. Leonardo Faccioni

    O idealismo de Woodrow Wilson foi a perdição do ocidente, talvez em definitivo.

    Não obstante, embora seja tentador atribuir à desmesurada intervenção do progressismo americano as máximas dimensões do desastre que se seguiu, nosso exercício imaginativo não poderia desconsiderar a profunda “malaise” intelectual que, por conta própria, já deitava sombras sobre as potências centrais (a teor, por exemplo, do que observa Modris Eksteins em seu fascinante “Rites of Spring“). O espírito do tempo era definitivamente desfavorável à liberdade e aos valores perenes que a forjaram na alma europeia. Com ou sem o combustível wilsoniano, 1789 e 1848 quiçá seguissem a minar as instituições consuetudinárias das nações envolvidas, conduzindo de uma forma ou outra o continente aos descaminhos socialistas, sequer necessariamente pela via democrática. Sem a pretensão de soar fantasmagórico, diante de reações concatenadas como as que originaram o século XX, é como se tudo já estivesse escrito desde o Eterno. “Maktub”.

    Em tempo, se me permitem uma observação com vistas à – no mais – excelente e ditosa tradução, na citação de Erik von Kuehnelt-Leddihn, creio que a fórmula convencional seria “Santa Aliança”, e não, como consta, “Aliança Sagrada”.

  2. Uma guerra encerrando ao início de ’17 pouparia milhões dos períodos mais atrozes do conflito, tanto no front como em seus sustentáculos. A Aliança estava em excelente situação quando Carlos I da Áustria buscou a paz:

    http://www.historyofwar.org/Maps/ww1_h_end1916.gif

    Devido à estagnação no front francês, a surpresa da brutalidade obtida pelo conflito na área russa, é válido especular que a Áustria de Carlos I, com gente beligerante como Czernin, responsável pela diplomacia e que apenas aprovaria um acordo de paz para a aliança inteira; tentara de fato uma paz confidencialmente separada da Alemanha no início de 1917 (ou seja, apenas a Áustria sairia do conflito); o que da mesma forma encurtaria a guerra, mas poderia comprometer os alemães.

    Enfim, é inegável que a entrada (e expectativa dela) dos EUA alterou o curso do conflito para mais violência.

  3. Apenas gostaria de acrescentar, se estiver correto, entre os pensadores austriacos o nome de PETER DRUCKER. Assim a administracao de empresas, fica representada.

    grato, marcelo

  4. Putz, sempre que alguém tentou impor, militarmente, sua ideologia de “mundo melhor” o mundo passou a ser infinitamente pior e caminhando cada vez mais para a fossa, com cada vez mais gente tentando impor sua ideologia de “mundo melhor”; quanto mais fazem, mas necessários fazem parecer consertar o mundo.

  5. O texto é interessante por vários motivos.

    Em primeiro lugar, acaba colocando um contra ponto à visão comum em liberais de que as guerras não trouxeram prosperidade aos EUA (o Tom Woods sempre rebate isso), mas por razões diversas. O main-stream costuma creditar às guerras a recuperação econômica com as mesmas desculpas Keynesianas de sempre, fato que é normalmente rebatido por liberais, mas também existe esse cenário político descrito no artigo que favoreceu muito os EUA. Depois das guerras a Europa estava em ruínas e os EUA puderam assumir as rédeas da política global. Isso sem dúvida os colocou em uma posição privilegiada e gerou dividendos aos seus cidadãos.

    Além disso, achei o otimismo um pouco exagerado em relação aos destinos da Europa sem a intervenção americana e em relação aos regimes monárquicos. Como foi mencionado pelo Leonardo, o clima já era desfavorável à liberdade. Claro que uma guerra, ainda mais nessa proporção, tende a gerar ambientes mais radicais, mas, ainda assim, é complicado exagerar no otimismo ao considerar as alternativas. Quem sabe quais outros conflitos não teriam surgido? Por mais incômodo que seja, nossa história foi sempre recheada de violência e selvageria.

  6. Os liberais do séc. XIX tinham uma visão meio romântica da democracia. Eles julgavam que diluir o poder entre todos os indivíduos diminuiriam os possíveis danos causados por aqueles com más intenções, que eram máximos quando um desses coincidia de estar na posição de monarca (nas palavras do próprio Lord Acton: O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente, de modo que os grandes homens são quase sempre homens maus). E não precisa ir até Wilson pra entender isso, já que o PT nos lembra disso diariamente. Além disso, vale lembrar que foi Woodrow Wilson que ratificou a implementação do imposto de renda e deu vida ao Fed, ambos eu seu primeiro ano de governo.

    Apesar de concordar com as críticas do Hoppe em relação a democracia, ele vem insistindo em que há algo bom em monarquias. Enquanto não se fala em uma completa quebra do círculo vicioso do poder, não pode haver preferência quanto a melhor forma de ser espoliado e escravizado.

  7. Mas o Czar Russo caiu em 1917, antes de os EUA efetivamente ingressarem na guera, com a revolução em fevereiro. E vale lembrar que os bolcheviques só não se estabeleceram como líderes incontestes na Rússia, por causa da guerra civil, cujo lado “branco” recebeu apoio de várias potências europeias e dos EUA.

    A carnificina europeia já estava em curso 3 anos antes dos EUA entrarem e não havia muito sinal de arrefecer sem a vitória completa de um dos lados (que, depois do tratado de Brest-Litovsk, parecia pender pro lado Alemão). Só lembrar que as batalhas do Somme e de Verdun já tinham acontecido, sem qualquer participação direta dos EUA. Então é duro de acreditar que foi simplesmente o “Wilsonimo” o responsável por tudo.

    Por outro lado, o autor ignora a reviravolta da política externa alemã ocasionada com o início do reinado de Guilherme II e a saída de Bismarck da chancelaria. Durante o período de Bismarck como chanceler, a Alemanha se manteve com a tradicional “Realpolitik”, que, entre outros aspectos, tinha como características a busca de objetivos delimitados e palpáveis, com a consequente escolha dos meios – a princípio – corretos para se atingir tais objetivos. Guilherme II mudou isso. Ele instaurou a “Weltpolitik” – a ideia de que a Alemanha merecia um “Lugar ao Sol” junto as demais potências europeias. Nessa política, não havia espaço para se buscar objetivos definidos (a própria noção de Lugar ao Sol é completamente indefinida).

    Esse aspecto é extremamente importante. Se a guerra fosse conduzida por homens como Bismarck, Metternich (Austríaco), Tayllerand, sem dúvidas já no segundo dia da Batalha do Somme, a guerra terminaria com concessões mútuas – isso se a guerra começasse. Mas, tendo em vista a visão diplomática de Guilherme II, qualquer concessão significaria derrota.

    Outra questão interessante é a Áustria. Ela já estava decadente desde a morte de Metternich (na verdade, desde Austerlitz, a Áustria não era a mesma) e o século XIX e início do XX foi um período de enfraquecimento do império. Graças ao surgimento do nacionalismo, as nacionalidades locais do império (húngaros, sérvios, croatas, eslovacos, tchecos, poloneses, etc) já estavam contestando o poder imperial de dentro e parecia claro que era uma questão de tempo que ele caísse (como era o caso da Turquia). A própria existência da Diarquia era um sinal disso, posto que a diarquia foi uma concessão da casa de Hasburgo aos Húngaros frente à revolução de 1848 e necessária depois da derrota catastrófica da Áustria contra a Prússia em 1866. Então não me parece correto dizer que a Áustria era um império no seu auge que foi simplesmente destruído por Wilson.

    O fato é que a visão política de Wilson sobre como o mundo deveria ser organizado e o transplante dessa visão para o tratado de Versalhes influenciou os eventos nos anos seguintes. Mas me parece equivocado atribuir a ele – e apenas a ele – a carnificina da primeira guerra mundial, a queda dos impérios austríacos e russos (o alemão até vá lá, já que sem os EUA é provável que a Alemanha vencesse a guerra), a tomada de poder pelos comunistas na URSS e a Segunda Guerra Mundial.

  8. Emerson Luis, um Psicologo

    Em certo sentido, o século XX começou em 1914.

    Quando Fukuyama se referiu ao “fim da História”, ele NÃO quis dizer que não haveria mais conflitos e até retrocessos. Ele usou um termo filosófico para designar que a Humanidade havia desenvolvido o melhor sistema socioeconômico que o ser humano pode produzir: uma democracia liberal – “democracia” aqui no sentido de isonomia.

    O “Primeiro Homem” seria o ser humano primitivo, tribal, no início da História, milênios atrás. Após um longo processo de desenvolvimento, a Humanidade atingiria o seu melhor possível – o “Último Homem”, regido pelo liberalismo isonômico. Este seria o “fim da História”, assim como a entrada na vida adulta é o fim da infância.

    Mas Fukuyama apontou ameaças à democracia liberal, uma delas sendo o Estado de bem-estar social.

    Nada impede a Humanidade de sofrer um retrocesso e retornar tecnológica e culturalmente à Era do Bronze por mil anos, para só então começar a se recuperar, redescobrir a ciência, ter uma nova Revolução Industrial, etc. Mas a recuperação só seria possível com o método científico e com os princípios liberais.

    * * *

  9. Nesse final de semana visitei um lugar chamado Carrières de Lumières, no sul da França. E pude observar na prática a importância da Áustria no século XIX. Nesse lugar eles fazem apresentações luminosas de várias obras artísticas. Na saída havia uns painéis com as biografias dos artistas cujas obras eram mostradas. Praticamente todos tinham passado por Viena em algum momento da vida, a maioria morreu nessa cidade.

    Foi legal ter feito esse passeio após ter lido esse texto. Acho que eu não teria notado esse detalhe se a ordem tivesse sido invertida.

  10. Alerson Molotievschi

    Talvez não concorde com toda a ideologia de Hoppe e com sua defesa argumentativa. Estou desenvolvendo meu pensamento, mas por enquanto é dissonante. Jamais eu defenderia algo que fosse em direção oposta à busca da liberdade individual dos seres. O fato é que reconheço que o homem não é digno de TOTAL liberdade de ação, pois há no homem o mal intrínseco (diferentemente do que pensam os filósofos cristãos mais proeminentes como Tomás de Aquino). Creio nesse fato empírico. Acredito que o homem não nasce bom, mas que sua conduta será ditada pela cultura, meio ambiente e valores familiares (para não me alongar). Ainda, penso no caminho de um ‘ditador de regras’ acima dos homens: penso em um guia de regras saído das mãos de uma autoridade superior, que é do Criador somente, único a quem o homem deveria obedecer e que, sim, é a medida da Bondade e Justiça. O conjunto de regras deixado pelo Criador seria o único código a ditar e limitar as liberdades dos homens e, por isso, perante os próprios homens, os mesmos seriam livres. Não é possível para mim defender indiretamente monarcas absolutos como que voltando o caminho em guinada de cento e oitenta graus. O problema ainda é a real aversão a autoridades, principalmente uma autoridade que se fundamenta na Fé. Na minha visão o homem não é capaz de viver sem regras, mas regras Divinas e apenas esse argumento poderia embasar uma busca pelo racionalismo que a Fé contém, também na minha humilde opinião. Eu enxergo razão no plano da redenção do homem construído por um Deus. Jesus faz muito sentido para mim nesse busca filosófica. Estou aberto a maiores discussões. Um abraço a todos.

  11. Só para complementar a observação sobre a efervescência cultural austríaca muito bem lembrada pelo Hoppe, faço um pequeno adendo sobre a produção cultural alemã:

    De 1901 até 1918, ano do fim do Império Alemão, os alemães receberam mais prêmios Nobel do que Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia juntos.

  12. Sempre tive uma dúvida com relação ao desenvolvimento econômico da Alemanha durante o século XIX, visto que existem teorias que citam o denominado “método de industrialização prussiano”, que era baseado no protecionismo econômico, subsídios para as indústrias e formação de grandes cartéis empresariais. Conforme leituras anteriores, a Alemanha anterior à unificação enfrentou um período de liberdade econômica entre 1820-1870, sendo que no ano da reunificação (1871) o tamanho de sua economia ultrapassava a França e perdia apenas para o Reino Unido e os Estados Unidos da América. Contudo, a partir da ascensão do II Reich e do intervencionismo estatal promovido por Otto von Bismarck, a economia alemã foi perdendo as características liberais e a centralização indústrias em oligopólios e protecionismo passou a comandar a política econômica do Império Alemão. Além disso, muitos economistas “requentam” as teorias de Friedrich List para defender o suposto método de industrialização prussiano, que fora herdeiro do período de grande liberdade econômica anterior à centralização de Bismarck e Guilherme I. Eu estaria certo em afirmar que o crescimento econômico da Alemanha no século XIX se deve mais ao período liberal (1820-1870) do que ao período intervencionista (1871-1919) do II Reich e que a Alemanha teria crescido muito mais economicamente se não entrasse na aventura imperialista na África a partir de 1883, preservando as características liberais de outrora?

  13. FREDERICO HAUPT

    Comparando-se o Brasil e os EUA, verifica-se o contrário:

    XIX , O Século que Perdemos

    As disparidades entre Brasil e Estados Unidos só aumentariam ao longo do século XIX, que não foi um século qualquer, trata-se do momento de decolagem da segunda Revolução Industrial – a chamada revolução tecnocientífica -, quando o tempo tomou a velocidade da eletricidade, das máquinas a vapor, dos poços de petróleo e do trem.

    Os anos 1800 catapultariam algumas economias fora da Europa – Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, e mesmo a Argentina e o Uruguai -, enquanto o binômio escravismo-absolutismo amarrava a economia brasileira no atraso das plantações de cana-de-açúcar e café, na agricultura de subsistência e nas preguiçosas criações extensivas de gado.

    Como diz o historiador Evaldo Cabral de Mello, a independência foi uma manobra contra-revolucionária encabeçada por D.Pedro I, cuja intenção era imunizar o Brasil do contágio da onda liberal que estava tomando Portugal. Os pesquisadores Harber e Klein expõem seus pensamentos sobre porque a América Latina ficou para trás : A independência política claramente não produziu transformação estrutural no Brasil e crescimento auto-sustentado. O Brasil era uma colônia agrícola antes da independência e continuou sendo assim depois.

    No século anterior, Portugal se nutria do ouro brasileiro, que repassava em boa medida para a Inglaterra, como espécie de tributo pela proteção militar contra França e Espanha; do açúcar que recebia do Brasil e revendia para a Europa, como também do tráfico negreiro, que alimentava a próspera triangulação entre África, Europa, Brasil. Sessenta por cento da economia portuguesa vinha dos produtos brasileiros.

    A partir de 1808, a corte mudou de endereço, ficou abrigada nas águas da baía de Guanabara, bem longe dos exércitos de Napoleão, mas manteve o mesmo esquema de sugar as riquezas do país e repassá-los para a Inglaterra.

    O que aconteceu de fato foi que o Brasil se tornou independente de Portugal, que era um país ocupado. Por outro lado, o Brasil instalou dentro de suas fronteiras a elite de Portugal que o oprimia e sugava. A união entre a corte recém-chegada e a aristocracia brasileira escravista fortaleceria seus laços, agora no mesmo endereço, formando um grupo dominante que atravessaria a independência, a república e ainda influenciaria os dias de hoje.

    A permanência da corte portuguesa no Rio por 13 anos, de um lado, reforçou seus laços com a elite dominante local, fortalecendo seu projeto econômico escravista; de outro, sufocava pela proximidade as inspirações independentistas .

    A relação entre a corte lusitana e as elites escravistas brasileiras se tornou mais íntima logo depois do desembarque no Rio de Janeiro. Para sustentar seus gastos infindáveis, a corte abriu lista de doações para que os ricos locais abrissem seus bolsos. Logo na primeira dessas listas, das 38 maiores doações, a metade foi de traficantes de escravos. A retribuição era feita em forma de títulos de nobreza ou cargos no governo que davam direito a arrecadação de impostos. Os barões de Vassouras, Paty do Alferes, Ubá, Rio Bonito, Guaribu, Palmeiras, Ibiapaba, os Viscondes da Paraíba, entre tantos outros, eram de prósperas famílias de traficantes de mercadoria humana.

    A independência do Brasil veio pelas mãos de um príncipe português , que não estava muito entusiasmado com a idéia, mas foi forçado pelos brasileiros que o cercava. "O Brasil caiu sob o controle econômico da Inglaterra, de que comprava a maior parte dos bens manufaturados e para quem vendia apenas parcelas secundárias de sua exportação, uma situação que prevaleceu por mais de cem anos." (Emília Viotti). A monarquia dos Bragança continuaria aqui com seus poderes absolutos, enquanto em Portugal D.João jurava fidelidade a uma constituição liberal, coisa que o Brasil demoraria muito a conhecer.

    Foi uma independência conquistada no grito. Um grito meia-boca. Nada de sangue, nada de brigas, tudo se resolveu entre camaradas e conterrâneos, que era o que os portugueses de ambos os lados do oceano se consideravam.("No Nordeste houve lutas pela independência – Lorde Cochrane contratado por D.Pedro para expulsar os portugueses – porém nada comparável à guerra da independência americana").

    Já nos Estados Unidos correria sangue – e muito – para se conseguir a independência. No Sul escravista os proprietários de grandes plantações aderiram relutantemente à independência, quando não colaboravam com os ingleses, deixando clara uma divisão que fermentaria ao longo dos anos para explodir na Guerra de Secessão em 1861.

    Com o reconhecimento da vitória em 1783, os Estados Unidos da América cortavam definitivamente os laços de submissão com a metrópole e tinham a independência reconhecida pelos antigos colonizadores.

    Depois da independência americana, a ex-colônia passa a adotar imediatamente as tecnologias usadas na Revolução Industrial inglesa para acelerar com entusiasmo o modo de produção capitalista, em tudo adequado ao espírito de independência e individualismo adotado no novo país.

    Aléxis de Tocqueville, jovem de 26 anos e ambicioso juiz de direito na França visita os Estados Unidos em 1831. Jean Baptiste Debret, filho de tradicional família francesa, chega ao Brasil em 1816, com 48 anos, chefiando a missão francesa que fundaria a Escola de Belas Artes do Brasil. Aqui permaneceu até 1831. Os dois deixaram para a história imagens marcantes dos dois países.

    Debret, com suas aquarelas, retratou o cotidiano escravista que vivenciou. Tocqueville, viajou nove meses pelos Estados Unidos, e escreveu A Democracia na América, obra de grande peso. Foi como se a mesma máquina fotográfica mostrasse no mesmo momento os dois países. O que Tocqueville e Debret observaram sobre os dois países salta aos olhos pelas disparidades sociais e econômicas que já existiam entre o Brasil – que nutria os velhos escravismo e absolutismo – e os Estados Unidos, que tinham trinta anos de independência, uma nascente república e um desenvolvimento impressionante no Nordeste do país.

    O Nordeste americano não amava mais os negros que o Sul, mas queria o fim do escravismo porque suas indústrias precisavam de consumidores. A lógica do início do capitalismo tanto na Inglaterra – que começou a combater o tráfico negreiro no início do século XIX – quanto no Nordeste dos Estados Unidos pedia assalariados , que se tornariam compradores. Além disso a mão de obra escrava favorecia a fabricação de produtos básicos mais baratos, numa concorrência desleal com trabalhadores livres do campo.

    As aquarelas de Debret – a senhora branca sentada à mesa com as escravas em volta, jogando migalhas para o negrinho que brincava no chão; o mercado de escravos; os negros de ganho pelas ruas – dizem quase tudo sobre a sociedade brasileira naquele momento , assim como a impressão de equalitarismo na formação do nordeste dos Estados Unidos foi o que mais impressionou Tocqueville. Segundo este : " Grande igualdade existe entre os emigrantes que se estabeleceram nas praias da Nova Inglaterra. Mesmo os germes da aristocracia nunca foram plantados naquela parte da União." Esse maior equalitarismo não existia nos estados escravistas do Sul dos Estados Unidos. Tocqueville fez poucas observações sobre o racismo e o escravismo, mas quando o fez mostrou bem o abismo que separava as regiões americanas que empregavam e as que não empregavam mão-de-obra escrava. Beaumont, companheiro de viagem de Tocqueville, escreveu em forma de romance sobre o racismo americano. Observou que o equalitarismo se limitava aos brancos.

    Tocqueville viu , a olhos nus, o escravismo levando um estado para o fracasso e a ausência do escravismo levando o outro ao desenvolvimento : "Operando continuamente há dois séculos, em sentidos opostos, as mesmas causas acabaram por criar uma diferença enorme entre a capacidade comercial do homem do Sul e do homem do Norte. Hoje somente o Norte possui navios, fábricas, estradas de ferro e canais."

    A próxima passagem de Tocqueville poderia ser uma descrição da elite que vivia no Rio de Janeiro machadiano no século XIX :

    "No Sul dos Estados Unidos, a raça inteira dos brancos formava um corpo aristocrático, a cuja frente ficava certo número de indivíduos privilegiados, cuja riqueza era permanente, os lazeres hereditários. Aqueles chefes da nobreza americana perpetuaram , no corpo do qual eram representantes, os preconceitos tradicionais da raça branca, e tinham por honrosa a ociosidade."

    Outra visitante francesa ao Brasil do século XIX, Adèlle Samson Toussaint, descreve de maneira semelhante os homens e mulheres que encontrou no Rio de Janeiro : "Não há brasileiro que aceite servir; todos querem ser senhores. Se o escravismo fosse abolido de repente, toda a cultura pararia; seria fome que iria grassar." Ela descreve a cena a que assistiu logo que chegou ao Brasil.

    "Negrinha", gritava sem parar uma senhora que jogava cartas : "Passe o leque! Negrinha, traga o rapé! Negrinha, vá buscar um copo d'água! Negrinha, pegue meu lenço!" O lenço foi jogado pela senhora umas vinte vezes ao chão, pelo simples prazer de ver uma negrinha de sete ou oito anos , que se aninhava entre suas pernas, buscá-lo.

    Se aguçarmos bem o ouvido, ainda escutaremos os mesmos gritos, chamando alguma Maria, por todos os cantos do Brasil.

    Debret não deixou de observar também a desigualdade que grassava na sociedade brasileira mesmo entre os brancos. Entre os obstáculos que emperravam a agricultura, segundo ele, estava " a desigualdade incrível existente entre duas classes de cultivadores da colônia, uma primeira completamente feudal, composta por ricos proprietários, senhores de engenho", e a segunda classe, constituída de pobres cultivadores arrendatários, sujeita à opressão dos senhores de engenho : " Desanimados com isso esses escravos brancos…vegetam em suas choças cercadas de bananeiras,…."

    Para o pintor, o mercantilismo monopolista, fechado aos estrangeiros, também tinha sua parcela de culpa no atraso do país. "Deve-se atribuir", diz ele, "o estado estacionário da indústria e do comércio brasileiro durante mais de três séculos unicamente à sujeição da rica colônia ao domínio português, pois este, até 1808, proibiu a entrada de estrangeiros." Depois da abertura dos portos, acreditava Debret, o progresso apareceria.

    Não foi assim. O "estado estacionário do comércio e da indústria" ainda se manteria até o final do século XIX.

    Foi na segunda metade do século XIX que os Estados Unidos deram o grande salto de industrialização , capitaneados pelo Norte. Entre 1870 e 1900 a população urbana americana passou de 10 milhões para 30 milhões.

    O Brasil só teve algo parecido com o Nordeste americano , com um capitalismo dinâmico, na virada do século XIX para o XX, com a chegada dos imigrantes europeus contaminados pelo espírito industrialista : São Paulo. Mas em proporções infinitamente menores. Assim mesmo, os primeiros impulsos industriais encontraram forte oposição do Rio de Janeiro, entre os interesses agrários organizados em torno da capital da nascente república brasileira.

    A monarquia, aliada ao escravismo generalizado, proporcionou ao Brasil um século perdido em matéria de avanço econômico. O gráfico da renda per capita dos brasileiros é uma linha que quase não oscila entre o ano 1800 e o 1900. O eletrocardiograma de uma economia moribunda. Nos Estados Unidos a variação foi de US$ 1.250 para US$ 4.000 . O Brasil só atingiria US$ 2.000 no final da década de 1950.

    Preso ao escravismo e à monocultura o país perdeu o bonde da Revolução Industrial, que transformava a Europa e os Estados Unidos.

    O Nordeste industrial e capitalista é que fez dos Estados Unidos um país tão mais desenvolvido do que o Brasil e que qualquer outro país no mundo no século XIX. E as bases estavam criadas e solidificadas para a hegemonia no século XX.

    A herança absolutista e a herança de uma sociedade de classes

    O escravismo negro é traço comum entre Brasil e Estados Unidos, porém as aparentes semelhanças levam a enganos. É verdade que, nos dois países, a escravidão negra deixou marcas profundas e ainda sensíveis. No entanto, nos Estados Unidos, os estados do Nordeste, que lideraram a industrialização, não eram escravistas. No Brasil, a escravidão durou muito mais e foi mais generalizada que nos Estados Unidos . Aqui permaneceu por 350 anos. Lá, por 221.

    De todo o tráfico de escravos da África para as Américas, calculado em cerca de 9 milhões e 500 mil pessoas, o Brasil ficou com 40%; os Estados Unidos, com 6%; a América espanhola permaneceu com 18% e o Caribe, com os restantes 34%. "A escravatura delineou o perfil histórico do Brasil e produziu a matriz de sua configuração social", como define o historiador Décio Freitas.

    Os estados do Sul americano, onde se plantavam algodão e fumo, com mão-de-obra escrava, eram parecidos com o Brasil. Para que não se negligencie a importância da herança escravista, até hoje estes são os estados mais pobres dos Estados Unidos, com os piores índices sociais, apesar de todo desenvolvimento, todas as políticas públicas e da grande migração interna.A marca do escravismo ainda perdura.

    Uma pesquisa da Unctad, publicada em 1994, que mediu o desenvolvimento humano das populações negra e branca dos Estados Unidos, mostrou que a população negra estaria na 34a colocação mundial em desenvolvimento humano, enquanto a população branca americana estaria em primeiro lugar.

    O panorama social do Sul dos Estados Unidos , que perdeu a Guerra de Secessão para o Norte, não escravista, perdurou no Brasil inteiro por mais vinte e três anos ("após o fim da escravidão nos Estados Unidos"). Se no Sul dos Estados Unidos , mais de 150 anos depois ainda perduram as marcas da escravidão, o que dizer do Brasil ¿

    Podemos imaginar uma situação hipotética em que o Sul dos Estados Unidos teria conseguido se separar do Norte. Certamente veríamos hoje um país ("esse Sul") muito parecido com o Brasil, no que diz respeito à desigualdade social ("e dificuldade de desenvolvimento").

    A prática da miscigenação racial durante a história brasileira explica porque a grande discriminação econômica contra os negros não levou a uma situação racial tão violenta no Brasil, quanto ocorreu nos Estados Unidos, onde a prática da miscigenação foi evitada e mesmo proibida.

    O resultado disso é um racismo "mais suave", "menos violento", no Brasil, segundo o sociólogo americano Edward Telles.

    Apesar da miscigenação, o racismo brasileiro mantém sua eficiência no que tange às relações econômicas. As grandes plantações de cana-de-açúcar, com seus engenhos, a organização da casa-grande, para os donos da terra e seus empregados de confiança, e a senzala para os escravos negros deixaram marcas profundas na formação do Brasil. O esquema do senhor com seus capatazes cruéis e os trabalhadores sem direitos se reproduziu quase sem mudanças nas plantações de café e só começou a mudar , sempre com bastante resistência por parte dos herdeiros dos senhores de engenho , com a chegada da migração européia do final do século XIX e início do século XX.

    Grande parte dos escravos negros libertos em 1888 no Brasil teve de competir , na economia capitalista que se instalava, com descendentes de europeus – alguns já tendo capital e instrução – numa sociedade dominada por brancos, em que os brancos europeus e seus descendentes tinham o poder de decisão e de dar asas a seus preconceitos, mesmo sem amparo legal.

    "O escravo negro tinha que se poupar no trabalho, senão morria logo. Sua política era economizar o corpo….Enquanto o imigrante branco ("que tinha parte de seu trabalho, poupado para si") vinha com a consciência que precisava poupar dinheiro e não trabalho, já que isso o libertaria. Daí a implicância dos imigrantes europeus com os negros da terra, que chamavam de preguiçosos. Trabalhar muito para o negro era a morte, para o europeu a libertação."

    ("Essa estrutura sócio-econômica, modernizada aos dias de hoje, e o ranço sócio-cultural que dela provém, pode ser observada ainda hoje na nossa sociedade. Quem já não ouviu alguém dizendo que não adianta investir nos empregados porque eles são "preguiçosos" e não querem progredir ¿").

    No Brasil , os escravos recém libertos foram basicamente abandonados à própria sorte. Nos estados mais atrasados do Nordeste do Brasil, como Alagoas, ainda se vê a persistência de esquemas que diferem pouco do sistema escravista. É onde se encontram os maiores índices de analfabetismo , pobreza, exploração sexual de menores, inexistência de proteção trabalhista, controle de prefeituras por donos de engenho.

    O Relatório de Desenvolvimento Humano Brasil 2005, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, mostra que, se os negros brasileiros formassem um país, este ocuparia a 105a posição no ranking que mede o desenvolvimento social no mundo, enquanto o Brasil "branco" seria o 44o . Os negros de Alagoas ficariam em 122o lugar no IDH , junto com a Namíbia.

    São esses números que reforçavam a observação nada lisonjeira do historiador inglês Eric Hobsbawn, em seu livro Era dos Extremos, sobre nosso país : " O Brasil, um monumento à negligência social."

    "Qualquer pai de família, com 21 anos ou mais, pode ocupar uma parcela de terra pública de 64,8 hectares de terra. E se provar que morou na terra e a cultivou por cinco anos, ganhará o título de propriedade da terra." Essa é a ´síntese da medida que foi tomada em 1862, por Lincoln. Não por acaso a medida coincide com a conquista do Oeste, momento de expansão do nordeste capitalista. O Homestead Act sozinho foi responsável pela ocupação de 10% da superfície dos Estados Unidos. Entre 1870 e 1900 foram cultivadas mais terras do que toda extensão ocupada desde o início da colonização.

    No Brasil, a terra até 1850 era considerada dádiva. O imperador distribuía sesmarias e glebas conforme seu agrado a seus protegidos. Não requeria que as cultivassem. Depois de 1850, quando foi proibido o tráfico de escravos, por pressão da Inglaterra, qualquer interessado tinha de negociar terras com o governo. E o governo de então preferia estabelecer um preço razoavelmente alto para as terras, para que os trabalhadores livres não pudessem comprá-las, forçando-os assim a trabalharem para os fazendeiros já estabelecidos.

    "Essa herança chega até hoje na nossa estrutura sócio-econômica." No Brasil, do século XXI, os problemas de terra ainda persistem.

    A diferença da estratégia brasileira e da americana é visível na expansão econômica que se seguiu. Por volta de 1870, nos estados Unidos havia 353.863 manufaturas, enquanto no Brasil não passavam de 200. As ferrovias já se estendiam por 50 mil kilômetros , enquanto por aqui Mauá lutava para estender os primeiros trilhos.

    Entre 1822 e 1889 os Estados Unidos tiveram nada menos que 18 presidentes. Mesmo com suas imperfeições ("sendo a principal a ligada ao racismo") a república americana ficava a muitos anos-luz de distância de qualquer outra democracia à época. E a Constituição da União , com apenas 7 artigos, que nasceu da necessidade de limitar os poderes dos estados e de organizar as finanças do novo país, resiste até os dias de hoje, com 27 emendas em quase 220 anos de existência.

    E aqui no Brasil, como nasceu nossa primeira Constituição ¿ A idéia inicial defendida pelos liberais brasileiros que participaram do movimento pela independência era de que D.Pedro obedecesse uma constituição e que não tivesse direito de veto ou pelo menos tivesse o direito de veto limitado. Mas o imperador, não satisfeito, mandou dissolver a Assembléia Constituinte e exilar os liberais mais radicais, em Novembro de 1823.

    Em 1824, D.Pedro imporia ao país e aprovaria em nome de toda a nação uma Constituição, em que prometia :"guardar a Constituição , se fosse digna do Brasil e dele". Além disso , estabelecia em seu art. 99 : " A Pessoa so Imperador é inviolável e Sagrada: Ele não está sujeito a responsabilidade alguma." Foi esse o arremedo de Constituição que vigorou até a partida de D.Pedro II, em 1889, quando o século quase se findava. Foi com esse semi-absolutismo, auto-intitulado "constitucionalista" , que o Brasil conviveu até quase a virada do século XIX, quando ele já tinha sido exterminado em quase toda a Europa mais de meio século antes.

    Eram atribuições do rei , ainda, nomear e promover os altos funcionários da burocracia civil, militar e eclesiástica. Dar a última palavra sobre a distribuição de recursos entre os diversos ramos da administração, poder suspender, adiar ou dissolver a Câmara. No nascente Estado brasileiro independente , o empreguismo já se torna um mecanismo fundamental para manutenção do poder. A doação de títulos e empregos funciona para amolecer as oposições. É com uma classe burocrática e improdutiva que o império vai governar e se manter até quase o final do século.

    Em termos de contas públicas , vamos ver que a república americana chega a 1889 saudável, com superávit de quase 100 milhões de dólares, enquanto a monarquia brasileira chegava ao final de seus dias pendurada num déficit de quase um milhão de reais. Aqui o poder central arrecadava cerca de 80% dos impostos, deixando menos de 5% para os municípios arrecadarem. Enquanto nos Estados Unidos o poder federal arrecadava 37% e os municípios cobravam e ficavam com a maior parte, 52%. Quem está mais próximo do cidadão arrecada e gasta melhor. "Essa é outra herança que até os dias de hoje atrapalha o desenvolvimento brasileiro".Segundo os dados da Confederação Nacional dos Municípios, as prefeituras ficam hoje com cerca de 15% do bolo dos tributos. E a parte do "leão" continua com o governo federal.

    A república no Brasil começa com mais de cem anos de atraso em relação aos Estados Unidos. Mas ainda guardando sinais do velho regime. Muitos dos homens que assumem os ministérios do início da república haviam servido à monarquia e carregavam muitos dos seus ranços.

    A proclamação da república no Brasil foi um movimento militar. Quer dizer, nada de movimentos populares, como os sans culotte franceses ou os dos fazendeiros dos Estados Unidos. A Constituição republicana , que foi bandeira em outros países, demorou aqui dois anos para ser aprovada, para logo em seguida ser suspensa por um estado de sítio. Por aqui, as leis que deveriam moldar a nação republicana sob uma nova forma (mais aberta, esperava-se) custaram para mudar e quando o fizeram , não foram significativas. E mantiveram os privilégios das oligarquias rurais que mandavam e continuaram mandando no país. Os militares e civis mais avançados que ajudaram a proclamar a república foram logo presos, exilados, afastados, deixados no ostracismo ou, mais tristemente, cooptados, para que o governo pudesse continuar servindo a quem sempre serviu, a oligarquia rural.

    A industrialização do Brasil para valer começa no final do século e em São Paulo.

    A política do governo brasileiro de subsidiar a imigração geraria um fenômeno benéfico aos cafeicultores : a abundância de mão-de-obra barata. Aos imigrantes se juntavam milhões de nordestinos, expulsos pela seca e pelo fracasso das plantações de algodão, que enfrentaram a retomada da produção americana.

    "Também a imigração européia que à primeira vista pode parecer um fenômeno que aconteceu de modo similar no Brasil e nos Estados Unidos, guarda diferenças importantes entre os dois países".

    Como o governo brasileiro custeava a viagem, vieram para o Brasil, principalmente, os europeus dos países mais pobres e menos letrados, geralmente do sul da Europa, que não podiam pagar a viagem para os Estados Unidos.

    "Os números da migração não escrava para o Brasil e para os Estados Unidos são absolutamente diferentes. Entre 1820 e 1998 entraram no Brasil 4,5 milhões de migrantes, enquanto no mesmo período foram para os Estados Unidos 53,1 milhões".

    Por falta de consistência e outros apoios, os militares que proclamaram a república acabaram se aliando às elites agrárias de São Paulo e Minas, que governaram o país até 1930, quando Getúlio Vargas rompeu o pacto do café-com-leite e tentou novamente impulsionar mudanças industriais.

    Com o golpe de estado de Getúlio Vargas, os industriais de São Paulo acharam que subiriam ao poder , mas sofreram grande decepção com o realinhamento do poder em torno dos interesses rurais, agro-exportadores. Já em 1932 organizariam a Revolução Constitucionalista, sufocada rapidamente. Os poderes da economia agrária exportadora eram mais fortes do que Vargas poderia suspeitar.

    Durante toda a primeira metade do século XX os interesses industrialistas , mais voltados para o mercado interno, chocaram-se com os tradicionais esquemas agro-exportadores, mais interessados no mercado externo e na valorização das moedas dos compradores de seus produtos. Os industrialistas queriam a ampliação do mercado interno. Para o setor agro-exportador isso não interessava. O que valia era exportar. "Essa herança nos chegou até os anos 1970, no lema dos governos militares, de que o que valia era exportar . Naquele momento até justificadamente em função da necessidade do país fazer frente à dívida externa que se agigantava. O que levou à paralisação da economia nos anos 80."

    A variável que parece ter feito toda a diferença entre o desenvolvimento americano e o brasileiro foi a do crescimento do mercado interno.

    Enquanto nos Estados Unidos um mercado interno forte cresceu junto com as exportações, aqui os lucros do mercado externo eram apropriados por uma pequena parcela da população, desde os tempos do ouro de Minas Gerais, até os tempos do boom do café. E mercado interno era uma variável sem a menor importância para uma economia agro-exportadora ("de estrutura retrógrada").

    A grande defasagem entre Brasil e Estados Unidos está em que, na América do Norte , a república independente formou-se há mais de 200 anos, por uma população livre, de grandes e pequenos proprietários e trabalhadores. Desde o início, os Estados Unidos herdaram as sementes da industrialização, da livre concorrência, o que transformou o país no motor da Segunda Revolução industrial. Desde a independência, formou-se um alicerce político razoavelmente democrático, igualitário e duradouro no país, com uma estrutura estatal não intervencionista, o que favoreceu o crescimento do capitalismo.

    "O escravismo – "com toda sua herança formadora de uma sociedade de classes" – lá, nos Estados Unidos, foi limitado, ficou isolado, sendo derrubado militarmente há 150 anos, pelo Norte capitalista. No Brasil foi generalizado geograficamente em todo o território nacional, começou muito antes e terminou depois, e impediu a formação de um mercado interno consumidor, influenciando de um modo muito mais profundo, a estrutura econômica e a mentalidade formadora da cultura brasileira. Como conseqüência temos no Brasil de hoje a presença muito mais marcante de uma sociedade de classes sociais e de renda, do que o que existe nos Estados Unidos."

    Podemos dizer que as bases democráticas no Brasil foram firmadas bem mais recentemente, depois de duas ditaduras. Enquanto, nos Estados Unidos a democracia, o igualitarismo perante a lei e a limitação dos poderes do Estado fizeram parte da própria formação do país. Já o que tivemos durante séculos aqui foi uma elite colonial e seus prolongamentos antidemocráticos. Só na metade do século XX começamos a ensaiar democracias e só depois do final da ditadura militar , há vinte anos, pudemos começar a consolidá-la.

    O balanço histórico entre Brasil e Estados Unidos é amplamente desfavorável ao nosso país. E é isso que nos deixa tão na retaguarda.

    Mas esse passado negativo não deve servir para nos deprimir. Já que não podemos cancelar a História é importante entendê-la e conhecê-la, para melhor enxergar e remover suas heranças daninhas.

  14. DEMOCRATISMO – no sentido da prática política definida pelo excesso de discussões e pelo atraso na tomada de decisões;

    +

    FASCISMO – modelo econômico;

    +

    SOCIALISMO – todo o resto;

    =

    BRASIL

  15. “Por outro lado, já desde o final do século XX, acumulam-se crescentes evidências de que, em vez de assinalar o fim da história, o sistema político-democrático imposto ao mundo pelos EUA está mergulhado em uma crise profunda. Desde o fim da década de 1960 e começo da década de 1970, a renda salarial real nos Estados Unidos e na Europa Ocidental estagnou-se e, em alguns casos, até mesmo caiu. No Oeste Europeu em particular, as taxas de desemprego só fizeram aumentar.”

    Pois é. Mas nunca os europeus e americanos tiveram tanta expectativa de vida, acesso a lazer, saúde e educação, tudo universalizado e disponivel a todos. Nunca os indices de violencia foram tao baixos (mesmo com ataques terroristas!) e os continentes ficaram sem guerra por tanto tempo…

    O grande filósofo de Madureira talvez tenha razão: “O Sol brilha para todos, mas é bom não se afastar muito da sombra”

  16. A culpa de tudo isso é a república, um regime de psicopatas, ladrões etc. Esse regime maléfico derrubou as monarquias no século 20 e criou guerras em nome da democracia. Que no Brasil esse regime maléfico caia e que volte a monarquia pois ela defende: propriedade privada, livre iniciativa e estado mínimo!

  17. Não custa destacar que o Brasil foi governado por um autêntico Habsburgo, o Imperador Pedro II, filho de Maria Leopoldina da Áustria (Carolina Leopoldina de Habsburgo-Lorena). Pedro II governou o Brasil por mais de 47 anos, na única monarquia das Américas, consolidando nosso território continental. Durante todo seu reinado, funcionou um ativo Parlamento, com ampla liberdade de imprensa. Pedro II possuía profunda erudição, falava vários idiomas, e foi benemérito e membro de várias sociedades científicas na Europa e Estados Unidos.

    Com a proclamação da República, o Brasil mergulhou em crises políticas sucessivas, com períodos democráticos entremeadas pela ditadura do Estado Novo e o Regime Militar de 1964.

  18. interessado sincero

    estou pensando seriamente em comprar, parece excelente, mas a frase: “Com um czar russo, um kaiser alemão e um kaiser austríaco, teria sido quase impossível para os bolcheviques conquistar o poder na Rússia.” me soa estranha. A alemanha do kaiser ajudou lenin a chegar na Rússia para se livrar da guerra de front duplo.

  19. Henrique Zucatelli

    Hoppe deu uma vacilada temporal sobre a Rússia. Falo com propriedade de quem ainda é fascinado pelo movimento revolucionário que culminou no outubro vermelho de 17. O czarismo já vinha em queda há muito tempo, principalmente devido a miopia de Nicolau, que preferiu enfrentar na pedrada os discípulos judeus de Marx que vinham arregimentando fileiras anos antes da tomada de poder.

    Do lado cultural, Lenin conspirava junto a artistas, jornalistas, professores e toda sorte de intelectuais e burgueses anti monarquistas, respaldada por seus irmãos alemães.

    Do lado prático, Sverdlov reuniu os camponeses e os trabalhadores das fábricas, organizando greves e motins contra a burguesia aristocrática. Abrindo um parênteses, muito dentro do meio comunista atual dão mais aso aos feitos de Sverdlov que ao próprio Lenin, pois este chegou a acumular mais de 30 funções dentro do partido, sendo de fato o primeiro (e único) presidente da Rússia Socialista, antes da virada de mesa de Stalin.

    Em que pese a tese de que o movimento bolchevique não recebeu de fato ajuda oficial do Kaiser alemão, por outro lado os líderes socialistas tinham livre trânsito em todo país, além de uma espécie de exílio ante as ordens de prisão emitidas pelo Czar, ou até mesmo para os fugitivos, como foi o caso de Sverdlov.

    Paralelamente, há muitas teses que afirmam que o sionismo teve papel fundamental na escalada da social democracia no mundo, sendo que o próprio movimento bolchevique além de ser liderado em quase sua integridade por judeus, teve amparo financeiro e cultural de judeus alemães (a Alemanha Pré Hitler possuía uma das maiores colônias judaicas do mundo) E americanos.

    E permeando esta linha de pensamento, tais judeus americanos tiveram também muita influência na entrada dos EUA na primeira guerra, ao contrário da campanha de Wilson. E corroborando esta tese, uma opinião ácida de Henry Ford em “O Judeu internacional” influenciaria Hitler a retaliar o sionismo após a acensão do nacionalismo alemão.

    Por isto, a queda do Czarismo na Rússia PRECEDE a entrada dos EUA, fazendo pouca diferença no desenrolar dos fatos para aquele contexto.

  20. 1) Democracia = violência (uns mandarem em outros, seja por qual critério for, é uma forma de violência)

    2) Democracia ilimitada = violência ilimitada

    3) Democracia ilimitada + líder forte = fascismo (o fascismo pressupõe que o líder forte apoiado pelo povo tudo pode)

    4) Democracia ilimitada + líder forte + xenofobia = nazismo (ou algo muito semelhante ao nazismo)

    Infelizmente, a maioria das pessoas hoje defende:

    a) a democracia ilimitada (não reconhecem direitos naturais)

    b) um líder forte (vamos eleger o presidente certo, que vai resolver todos os nossos problemas)

    c) a xenofobia: discriminação dos estrangeiros, através de:

    – ideologia mercantilista: os produtos produzidos por estrangeiros devem ser preteridos em favor dos produzidos por nacionais

    – controle de pessoas: como maioria podemos impedir estrangeiros de passearem, morarem e trabalharem no país

    – controle de capitais: a maioria tem o direito de criar um monte de empecilhos a investimentos em projetos estrangeiros (fora do país)

    Assim, infelizmente, a ideologia dominante hoje é o nazismo – ou algum lixo muito parecido com isso.

    []s

  21. Leandro,

    Um dos maiores argumentos a favor do socialismo foi que a condição de vida dos soviéticos, ainda que ruim, melhorou após o fim do Império Russo quando se formou a URSS. Dizem que o Império Russo vivia sobre uma espécie de feudalismo e escravismo total, e que a URSS ainda que com seus problemas melhorou o padrão de vida no geral.

    Essa “desculpa” me soa bem parecida com a forma com que os cubanos veem o período anterior ao golpe de estado, onde realmente sabemos que a condição apenas piorou. Existe algo de verdadeiro nisso? houve alguma melhoria de padrão de vida, mesmo no período da NEP e do governo provisório ou é só mais uma falácia?

  22. Mas o Império Russo e o Império Austro-Húngaro tinham estabilidade e condições políticas para se manterem como império? Supondo que a Primeira Guerra Mundial terminassem em uma série de acordos políticos entre as potências, com uma trégua e uma paz negociada, a Áustria e a Rússia conseguiram manter-se como potências regionais, ou mesmo de pé? As famílias imperiais resistiriam a ação do tempo?, haja vista, que o Império Austríaco teve que resistir há várias revoltas nacionais, e o Império Russo foi derrotado pelo Japão, que na época era uma potência em ascensão, mas ainda pequena diante da grande Rússia. E além do mais, os monarcas conseguiriam frear a onda comunista e fascista sobre a Europa?

  23. A elite do Império Austro-Húngaro era avessa a mudanças, principalmente as democráticas e no que tange a descentralização de poder, o que fatalmente ocasionou no esfacelamento do Império e a sua ruína. Além disso, o Império danubiano era uma amálgama de povos que queriam maior poder e liberdade. A Áustria detinha poucos centros urbanos, e sua população era essencialmente agrícola. No desenvolvimento econômico, já era uma potência de segunda grandeza no universo das nações. Por outro lado, o Império Russo também era avesso a reformas profundas em sua gestão. Nicolau II convocava e dissolvia o Parlamento inúmeras vezes, quando lhe convinha. Além disso, os russos já não tinham forças nem para se manterem, existia apenas poucas cidades industriais na Rússia europeia e o resto era um deserto de gelo, cortado pela ferrovia transiberiana. Também já era um império fraco de mais, com costumes e hábitos ultrapassados, com uma economia débil a beira do colapso diante de uma vergonhosa derrota diante dos Impérios do Japão e da Alemanha

  24. Sempre defendi a monarquia parlamentarista, é bom frisar que de todos os países que tiveram o sistema presidencialista no mundo, somente os yankees não tomaram golpes de estado. A monarquia é mais barata que o sistema republicano, é provado isso nas contas nacionais da Suécia, Dinamarca, Grã-Bretanha juntas são mais baratas que os gatos do governo brasileiro, diferença em dezenas de milhões. O período de monarquia no Brasil foi áureo, na verdade nosso dinheiro o Réis, era muito forte, se não me engano equivalia a 0,9… o grama ouro. O sistema republicano só funcionou bem nos EUA porque eles nasceram república, tudo foi construído pra isso, diferentemente de países como o Brasil e republiquetas da África. Outra questão nos EUA em relação aos demais é que a religião influencia muito no desenvolvimento da nação. Por ser um país protestante, acolheu muito bem Luteranos, presbiterianos (calvinistas). Os presbiterianos tem como lema valoração do trabalho, já li artigos sobre isso, dizendo que vários países da Europa protestantes se desenvolveram mais do que os católicos, vide Suiça, Alemanha, Suecia, Inglaterra, até uma parte da frança Huguenotes em relação à Espanha, Itália, Portugal, entre outras nações católicas. No Brasil implantar a república (através de um golpe, diga-se de passagem), foi o mesmo que tentar transformar assassinos de primeira categoria em anjos celestiais.

  25. Os desastres das guerras mundiais foram muito maiores do que entendidos e refletem até hoje no mundo, instituições bancárias foram alteradas, os bancos centrais se espalharam pelo mundo, exércitos permanentes se tornaram rotineiros e deficis fiscais se tornaram mais comuns. A necessidade de financiar a maquina de guerra falou mais alto, mas as instituições não retornaram ao seu estágio anterior. Ficou de herança a capacidade de inflação e os gastos governamentais.

  26. Cristiane de Lira Silva

    “Em todo o Ocidente, em menos de um século de democracia perfeitamente completa, os resultados são estes: degeneração moral, desintegração social e familiar e decadência cultural na forma de taxas crescentes de divórcio, de filhos bastardos, de aborto e de criminalidade. Em consequência de uma quantidade — ainda em expansão — de leis e políticas antidiscriminatórias, multiculturais e igualitaristas, todos os poros da sociedade ocidental foram afetados pela interferência governamental e pela integração forçada. Consequentemente, as tensões e hostilidades raciais, étnicas e culturais — bem como as inquietações sociais — têm crescido dramaticamente.”

    Li o texto e outra vez fui investigar a idade do escritor pensando que se tratava de um velho e… Acertei outra vez. Também acertei quando disse que libertário quando fica velho vira um velho chato e cafona interessado em controlar os c** alheios.

    Gente, todo meu respeito pelo império austríaco, mas Breur, Freud, Adler criaram psicologias para o seu próprio tempo. Cientificamente não são tão verdadeiras e clinicamente não são muito eficazes. Claro que no tempo deles existiam as histéricas, doentes de repressão sexual. Sim, insatisfação sexual adoece. Vejam o Hopper: agora que tá velho virou um neurótico obsessivo e Freud explica isso muito bem, mas a psicanálise tem limitações sérias. A psicologia avançou e há terapias mais rápidas, eficientes e muito melhores que a psicanálise. No entanto se quiser passar muito tempo em terapia e seu problema for profundamente sexual, procure Freud!

    Pelo menos o Hopper é velho o que explica o conservadorismo moral dele, pior os que são jovens e sãos iguais e ele. Freud também explica. Mas temos um nome moderno para eles: incels. Na melhor das hipóteses reprimidos.

    Como tudo depende do ponto de vista para mim o que ficou bem claro é que a democracia triunfou. O progresso do império autro- húngaro acontecia APESAR da monarquia. Talvez porque apesar da instituição da monarquia, os monarcas da Áustria não eram completos incompetentes autoritários. Se o fossem teriam sido derrubados, como o czar da Rússia foi derrubado porque o povo o odiava, ou como o rei da França foi decapitado porque todos os odiavam. Só se manteriam no poder usando a violência, caso fossem incompetentes autoritários.

    Ah, Hans Hermman Hopper está muito enganado se pensa que a Áustria não tinha “degeneração moral”. Tinha sim. Tinha aborto, protituiçao, filho bastardo fruto de traição. Freud mesmo teve um caso com a cunhada e ela ter um aborto. O filho era dele, haha. As história do pupilo dele, Jung, são parecidas. Gente, esse mundo cor-de-rosa sem “degeneração moral” , sem crime, sem aborto, se prostituição, sem gaia,só existe na cabecinha de vocês. A esquerda não inventou nada disso. A esquerda apenas não é hipócrita e aceita o que não pode ser mudado. Normalmente as pessoas que se incomodam com isso são os Evanjegues que, ou são incompetentes para pecar de vez em quando, ou não cedem ao desejo com medo de ir pro inferno daí ficam furiosos com quem não liga pro julgamento dos outros. Ah, e ficam com inveja também.

    O império austro-hungaro era próspero, mas não tinha santidade nenhuma, exceto a repressão sexual imposta a alguma mulheres de classe alta. Mesmo assim elas sabiam burlar isso. É sério que vocês acreditam nesse mundo puro, imaculado, cor-de-rosa, santo, sem pecado que a esquerda destruiu? Pessoas, isso é crença de evanjegue cheio de ansiedade e medo em relação a sexualidade e liberdade.

  27. Cristiane de Lira Silva

    E pessoas, quero falar uma coisa: conservadorismo de velhice não tem cura. Já a cura pra histeria é o feminismo. A histérica de Freud, Berta, depois que se curou da histeria virou feminista. E depois os detratores do feminismo ainda dizem que feminismo é histeria… Na verdade, feminismo é sinal de cura da doença da histeria. Já conservadorismo de juventude, vulgo incelzismo, também tem cura: a cura é deixar de ser incel. Com sorte eles conseguem. Tomara que seja antes de sairem atirando em todo mundo com o porte de armas que Bozo vai liberar. Esse povo cheio de problemas sexuais precisa é de camisa de força.

    Cyudaod

  28. Fico imaginando… sem essa postura intervencionista e a tentativa de ditar os rumos do mundo, a famigerada crise de 29 teria toda a repercussão e intensidade que teve?

  29. O intervencionismo do esquerdista Woodrow Wilson criou as condições para que a Rússia se tranformasse na URSS.

    Não é de hoje que as esquerdas americana e russa se ajudam em detrimento de suas respectivas populações e do resto do mundo.

    * * *

  30. Olá meus caros, uma dúvida. Imaginem dois países hipotéticos, U e R, e digamos que os dois são libertários. Determinado dia o país U resolveu aderir a uma aliança militar que o país R não tem muita simpatia e depois U resolveu instalar na fronteiro com R uma série de lançadores de mísseis, mas que juram ser apenas para defesa. Na visão libertária mais pura, qual deveria ser a atitude a ser tomada pelo país R?

  31. Não sei se é a melhor forma de expressar, mas, então, o bitcoin (e por tabela alguma outra cripto confiável) já se incorporou definitivamente aos cânones da teoria libertaria? Há alguma crítica ética ao bitcoin que não seja apenas embasada no aspecto técnico? Este e outros artigos são excelentes fontes, pergunto mesmo por curiosidade.

  32. O artigo aborda corretamente a Primeira Guerra Mundial como a principal causa do fim das monarquias europeias. Contudo, a substituição das velhas monarquias pela República e pela “democracia” não significou, necessariamente, em maior liberdade para o indivíduo. Infelizmente, a promessa da democracia foi apenas isso mesmo, uma promessa…

  33. Esse parágrafo sintetiza a ruína do Ocidente: A Primeira Guerra Mundial representou um dos maiores divisores de água da história moderna. Ao seu final, a transformação de todo o mundo ocidental, que havia sido iniciada ainda na Revolução Francesa, foi completada: governos monárquicos e reis soberanos deixaram de existir e deram lugar a governos republicano-democráticos.

  34. Esse parágrafo sintetiza a ruína do Ocidente: A Primeira Guerra Mundial representou um dos maiores divisores de água da história moderna. Ao seu final, a transformação de todo o mundo ocidental, que havia sido iniciada ainda na Revolução Francesa, foi completada: governos monárquicos e reis soberanos deixaram de existir e deram lugar a governos republicano-democráticos.

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