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Por que e como nos tornamos tão ricos? Aparentemente, ninguém sabe
Mas uma tentativa de resposta passa por holandeses, escoceses e judeus

Por que somos tão ricos?

Considero esta a mais importante pergunta histórica que pode, de maneira concebível, ser respondida por meio de um apelo a evidências que sejam aceitáveis para historiadores.

O mundo no qual vivemos hoje é irreconhecível quando comparado ao mundo de 1800.  Praticamente nada permaneceu igual. Esta evolução foi resultado de uma taxa de crescimento contínua de 2,5% ao ano, de 1800 a 1930, e de 2% ao ano desde 1950.  

Isso mostra o que pode ser alcançado quando, para utilizar uma linguagem matemática, atingimos uma "taxa de capitalização composta" de crescimento. Ninguém sabe ao certo como foi que conseguimos chegar a um arranjo que permite essa taxa de capitalização composta de crescimento. Exatamente por isso esta é uma pergunta tão crucial.

Uma resposta que já foi aventada, mas que ainda não foi comprovada, é a da professora Deirdre McCloskey, que sugeriu que houve uma mudança na atitude das pessoas em relação ao empreendedorismo e ao sucesso empresarial na Holanda do século XVII. O argumento soa plausível, mas enquanto o terceiro volume do livro da Dra. McCloskey sobre a cultura burguesa não for publicado (ver o primeiro e o segundo), este argumento será meramente uma sugestão.

Mas a história sempre se repete: dos holandeses aos judeus, passando pelos escoceses

Ao longo de toda a história humana, de tempos em tempos, um grupo que até então não usufruía nenhuma vantagem específica sobre nenhum outro grupo repentinamente dá um salto para a frente e passa a se sobressair em relação a todos os demais. Ninguém sabe por que isso acontece ou como isso acontece. Mas o fato é que acontece.

Peguemos o exemplo da Holanda. Era um país minúsculo que foi totalmente criado pela engenharia. Por se situarem abaixo do nível do mar, os holandeses criaram diques para barrar o Mar do Norte e manter suas terras secas. O país literalmente cresceu à custa do oceano. Não conheço nenhum outro país que tenha feito isso em toda a história humana.  

Em 1568, os protestantes se revoltaram contra o controle espanhol do país. Este conflito, a Guerra dos Oitenta Anos, durou mais de uma geração. Os líderes desta revolta eram majoritariamente calvinistas. O calvinismo se difundiu pela cultura holandesa no início do século XVII. Esta foi a grande mudança cultural que ocorreu durante todo este período. De acordo com McCloskey, houve uma mudança de atitude em relação ao empreendedorismo e à riqueza em geral.

Ao mesmo tempo, houve uma quase-revolução na pintura. Os pintores holandeses se tornaram famosos por toda a Europa. E então houve uma expansão do império marítimo holandês. Os holandeses se espalharam por todo o globo. Eles estabeleceram um enorme enclave na América do Norte, na região em que hoje está a cidade de Nova York. Naquela época, a cidade era chamada de Nova Amsterdã.  

O império holandês se espalhou também para a costa oeste da Índia e depois para a Indonésia. Os britânicos e os holandeses travaram uma guerra em meados do século XVII, quando ambas as nações eram lideradas por calvinistas. Foi uma guerra para delimitar impérios.

No final do século XVII, a Escócia era conhecida apenas pelos rigores de seu clima, por sua paisagem e por sua teologia calvinista. A produção de algodão vinha ocorrendo há séculos, mas a Escócia continuava sendo um país atrasado. E então, sem nenhum aviso, os escoceses começaram a dominar o pensamento europeu.  

Adam Smith chegou atrasado nesse processo. Antes dele houve Francis Hutcheson.  Houve Lord Kames na área do direito. Houve o poderoso intelecto de David Hume. Houve Adam Ferguson na teoria social. O pensamento social nas ilhas britânicas e na América do Norte passou ter uma orientação crescentemente escocesa.

E então, no século XIX, os escoceses começaram a dominar a indústria. Começou com James Watt e sua máquina a vapor. Isso foi expandido, nos anos 1820, para uma nova invenção: as ferrovias com locomotivas a vapor. E então vieram as estradas macadamizadas, assim chamadas em homenagem ao engenheiro escocês John Loudon McAdam.  Depois surgiram as ceifadeiras, criadas por Cyrus McCormick, e as siderúrgicas, criadas por Andrew Carnegie. Ambos eram escoceses que viviam nos EUA. Há um excelente livro sobre este processo, escrito por Arthur Herman: How the Scots Invented the Modern World: The True Story of How Western Europe's Poorest Nation Created Our World & Everything in It.

Mais tarde, no início do século XX, os escoceses foram substituídos pelos judeus. Estamos vivendo, como disse um livro recente, no século dos judeus. Nas áreas da ciência, da matemática, da teoria econômica, do entretenimento, do investimento e aparentemente de tudo o mais, exceto na agricultura, os judeus se tornaram dominantes. Sua influência é totalmente desproporcional à sua quantidade.

O problema é que parece não haver nenhuma explicação consistente para essas idas e vindas das pessoas. No caso dos holandeses e dos escoceses, havia de início uma forte dedicação ao calvinismo, mas isso só foi gerar efeitos econômicos muito tempo depois. No caso da Escócia, foram escoceses secularizados que fizeram as grandes contribuições, e não os calvinistas. Um fenômeno similar ocorreu entre os judeus. 

O processo de liberalização do judaísmo ocorreu no início do século XIX. Os judeus que fizeram grandes contribuições foram judeus seculares. Calvinistas ortodoxos e judeus ortodoxos parecem não possuir nenhuma vantagem específica sobre as outras culturas. Até hoje não encontrei nenhuma explicação para esta sequência: ortodoxia, secularização, sucesso. Mas ela claramente existe, e existe fortemente entre os holandeses, os escoceses, e os judeus.

Coreanos e chineses, o mesmo fenômeno

De certa forma, a Coréia do Sul é outro exemplo.  

O presbiterianismo tem sido muito forte na Coréia do Sul, tendo começado no início do século XX. Tal religião tem sido uma influência por lá, mas é difícil saber qual exatamente tem sido essa influência.  

Em 1950, a Coréia do Sul era uma nação extremamente pobre, quase tão pobre quanto uma colônia na África subsaariana. Hoje, a Coréia do Sul é uma das nações mais ricas do mundo.

Similarmente, a China também passou por esse tipo de transformação. Mao primeiro transformou os chineses em comunistas ortodoxos, e então tentou reestruturar toda a ordem social em termos do marxismo-leninismo. No entanto, quando Deng Xiaoping liberalizou a agricultura, em 1978, isso gerou uma completa transformação da economia chinesa. A China se tornou o país continental com o mais acelerado e duradouro crescimento da história do homem.  Ela era miserável sob a velha ideologia; quando a ideologia foi removida, a taxa de crescimento disparou.

Estes são apenas palpites daquilo que creio ser uma teoria de causalidade econômica. Creio que tem algo a ver com a autodisciplina e com uma orientação mais voltada para o longo prazo, características associadas a uma ideologia revolucionária. O calvinismo era uma ideologia assim. O comunismo também era uma ideologia assim. Ambas alteraram a visão das pessoas em relação a Deus, ao homem, às leis, às causalidades, e ao futuro. Foi assim com o calvinismo; foi assim com o comunismo.  

E então, quando a ideologia foi abandonada, a visão de mundo continuou a influenciar o comportamento das pessoas. A doutrina a respeito de Deus muda, mas a doutrina a respeito do homem ser um desbravador e a doutrina da orientação para o longo prazo permaneceram praticamente a mesma todo esse tempo. O otimismo associado ao triunfo do reino na história, seja o reino de Deus ou o reino do homem, era assumido pela geração que se seguia ao colapso da ideologia mais velha. O otimismo era conservado e o comprometimento para com a construção do reino era mantido, mas o objetivo final foi alterado: em vez de paraíso na terra, crescimento incessante a taxas compostas.  

Tal tipo de crescimento cria aquilo que teria sido considerado pelos fundadores das velhas ideologias como sendo o paraíso econômico na terra.

No final, tudo passa pela mentalidade

Os homens têm de acreditar que aquilo que eles fazem como indivíduos irá fazer alguma diferença no futuro. Eles têm de acreditar que deixarão algum legado. Eles têm de acreditar em alguma forma de crescimento a taxas compostas. Se eles não acreditarem nisso, então o incentivo para se construir um futuro melhor é mínimo. A filosofia passa a ser: coma, beba e seja feliz, pois amanhã estaremos mortos. Isso sempre leva à estagnação.

Se o Ocidente conseguirá manter seu alto crescimento econômico em face dos desafios impostos pela Ásia é uma das principais perguntas da atualidade. Na Europa Ocidental, parece ter havido uma perda de esperança no futuro. Esse pessimismo ainda não se difundiu pelos EUA, algo que permite ao país manter uma tremenda vantagem. Mas o otimismo é mais óbvio na China. Isso tem produzido níveis de comprometimento e entrega nunca antes vistos na história chinesa. Os cidadãos de lá realmente acreditam que podem enriquecer, e então passam a trabalhar visando a este fim. Isso gera um extraordinário incentivo para a poupança, para o empreendedorismo, para o trabalho duro, e para o desenvolvimento de novos produtos. A visão de mundo dos cidadãos chineses mais jovens não é a mesma da de seus pais quando estes tinham a mesma idade. Isso fez uma enorme diferença na China.

Não estou convencido de que o sistema educacional do Ocidente ainda mantém aquele velho otimismo que era tão comum décadas atrás. Creio que aquele otimismo está desaparecendo. Isso terá repercussões de longo prazo, majoritariamente negativas, na ordem social ocidental. Ainda há muito otimismo remanescente, mas ele tem de ser alimentado pela geração mais velha, de modo que a geração mais nova se sinta estimulada e impelida a se comprometer e a se entregar.

Se essa mentalidade definhar, o século do Ocidente irá finalmente chegar ao fim.



autor

Gary North
é Ph.D. em história, ex-membro adjunto do Mises Institute, e autor de vários livros sobre economia, ética, história e cristianismo. Visite seu website

  • amauri  24/01/2013 11:50
    Bom dia!
    Interessante esquema ortodoxia, secularização e sucesso. Vemos a religião politica atualmente dominando a mentalidade nas escolas. Será que o sucesso continuará?
    abs
  • HELLITON SOARES MESQUITA  05/11/2019 15:08
    A resposta é até fácil. Essas culturas "antecedentes" tem uma disciplina educacional bastante exigente. Ou seja eles estudam pra caramba, seja pra ler a Bíblia ou seja porque o governo pesa a mão se o cara não se educar.
    Normalmente entendemos a necessidade da educação porém só fica no pensamento mesmo.
    A questão de que o Judeu ortodoxo não tem vantagem é apenas suposição. Os filhos bem sucedidos tem seus pais judeus ortodoxos. Pra ganhar dinheiro necessita "secularizar" mas não significa que o cara faz isso na vida privada, apenas na publica.
  • Fred  24/01/2013 11:55
    Sobre o texto, vide "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" de Max Weber.
  • Max  24/01/2013 11:57
    Fred, essa teoria do Weber já foi abordada aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1026
  • Tory  24/01/2013 12:00
    Só não entendi o entusiasmo com a China. Os empreendedores lá são todos apontados por um partido e, até onde sei, não escolhem livremente no que empreender, e trabalham num estado com constantes econômicas bastante controladas. Gerar um crescimento constante nesse ambiente indicaria uma presciência tamanha do PC chinês, não?
  • Ricardo  24/01/2013 12:06
    Não se está falando de empreendedores, mas sim de disposição para o trabalho. E essa frase "Os empreendedores lá são todos apontados por um partido e, até onde sei, não escolhem livremente no que empreender" não é verdadeira, pois é extremamente generalizada. (Aliás, você acha que os grandes empresários do Brasil não investem sob ordens do governo?)

    O protecionismo e o "trabalho escravo" dos chineses
  • Cesar  24/01/2013 23:48
    Tory
    Fiz alguns negócios na China e conheço alguns chineses, mas não sou um entendido em China.

    (Os empreendedores lá são todos apontados por um partido e, até onde sei, não escolhem livremente no que empreender)
    Acho que não é 100% assim. Atualmente o partido só comanda o que é estratégico (banco, armas, tecnologia, aeroespacial, ..). O restante é privado. Compram, vendem, fundam, crecem e quebram empresas.
    Foram nesses setores livres que o país floresceu.
    O setor de cerâmica era um atraso só. Quando veio a liberdade de empreender no ramo as estatais faliram / fecharam e em 20 ou 30 anos a China tornou-se o maior produtor mundial no segmento; verticalmente, de matérias primas a máquinas sofisticadas para o setor.

    Por outro lado, muitos empreendedores bem sucedidos vendem a empresa na bolsa e emigram por receio, já que o humor do partido pode virar contra ele. Então como irão sustentar o crescimento no longo prazo perdendo empreendedores competentes? O partido sabe disso e estuda como fazer para ampliar a segurança e a liberdade sem perder o controle. Tarefa difícil! Concordo com você.

    Espero ter contribuído.
  • Tiago Moraes  24/01/2013 14:48
    Eu sou um pessimista convicto, o Ocidente se abraçou com força a uma ideologia que prega o trabalho como um sacrifício análogo a escravidão e que as pessoas não precisam dele para ter acesso ao necessário para sobreviverem, pois suas necessidades vitais seriam supostamente um direito inalienável e por tanto, de gratuidade a ser oferecida pelo Estado. Schumpeter acreditava que o Socialismo triunfaria frente ao capitalismo, porém, diferentemente dos socialistas, que viam isso como a redenção da humaninade, Schumpeter via esse triunfo como o prelúdio da destruição da humanidade.
  • anônimo  24/01/2013 15:11
    Se o seasteading não der certo vai ser isso mesmo.
  • Deilton  24/01/2013 20:42
    O que é "seasteading"?

    Já vi está palavra outras vezes aqui no mises. O que significa?
  • Paulinho   25/01/2013 13:20
    lmgtfy.com/?q=seasteading
  • anônimo  25/01/2013 15:30
    O problema é o inglês né
    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=47
  • Um Filósofo  24/01/2013 14:52
    Creio que o senhor Gary North nunca leu Caio Prado Jr, Antônio Cândido ou Milton Santos; por isso, serei gentil em minha refutação e peço que o enviem cópias das obras de tais grandes pensadores ao autor, pois receio que são leituras imprescindíveis. Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro uma coisa:

    "Não há riqueza de uns sem a exploração de outros."

    A razão pela qual ocorreu uma explosão de "crescimento" durante o fim do século XIX e o decorrer do 20 foi o acúmulo de capitais gerados pelo comércio de escravos durante toda a era do pré-capitalismo. Isso enriqueceu as burguesias holandesa e inglesa, permitindo que iniciassem sua industrialização após a mecanização do campo(Que expulsou os trabalhadores da agricultura e os forçou a trabalhar nas cidades).

    Começava, então, a superexploração do proletariado. Ela duraria até 1929 quando a primeira potência reconheceu o sofrimento dos trabalhadores e ofereceu um salário mínimo que os permitia consumir. Apesar de os pobres terem sido incluídos no mercado, o capitalismo perdeu força e passou a ser dependente da exploração dos moradores de países pobres na África e América do Sul.

    Entretanto, o grande trunfo do capitalismo moderno e o único motivo pelo qual "nós somos ricos hoje" foi a China. Atualmente, toda nossa "riqueza" é produto da superexploração dos trabalhadores chineses pela burguesia internacional. Entretanto, desnecessário dizer que tal exploração não mais será possível quando o governo chinês recuperar os valores revolucionários e erguer a bandeira do povo novamente.

    -------------------------------------------------------------------------------------
    Outro ponto que gostaria de discutir é a tal da riqueza tal exaltada pelo senhor North. Pergunto-vos: Qual a grande virtude em ir ao super mercado, olhar uma fileira com centenas de opções e escolher uma? Por mais que tal belo espetáculo de "liberdade de escolha" vos fascine, devo alertá-los que o excesso de opções apenas estressa o homem e o induz a agir de forma irresponsável.

    Não consigo sentir prazer ao consumir um produto quando sei que a esmagadora maioria dos consumidores brasileiros os fazem por serem alienados pela burguesia ao invés de serem consumidores racionais como eu sou. Eric Fromm já dizia que o homem não foi feito para ser livre e isso é um fato que até mesmo os senhores devem assumir. Se a liberdade é ter responsabilidade por seus atos(Sendo que quase todos os indivíduos são educados pela sociedade para serem consumistas irresponsáveis e a identificação das consequências de nossas ações é, quase sempre, impossível), pode-se dizer que ela é uma brutalidade.

    O homem que governa outro homem abusando de suas emoções e tentações é tão monstro quanto aquele que o escraviza diretamente. Essa "riqueza" que o senhor North exalta é a escravidão à qual foram submetidas as pessoas.
  • anônimo  24/01/2013 15:03
    Quanto à China, existe um fundo de verdade não é? Porque eles mesmos não ficam com toda a riqueza que criam
  • Camarada Friedman  24/01/2013 15:17
    HAHAHAHAHAH :)


    Os artigos do North são bons. O último artigo sobre o controle de armas do grande idiota Obama é um dos melhores.

    Obama é uma das melhores coisas que aconteceu para o libertarianismo.
  • Fernando  24/01/2013 15:27
    Desculpe, depois de ler a citação: "Não há riqueza de uns sem a exploração de outros." Eu fiquei maravilhado, perdi o folego e não consegui ler o resto.

    Meus parabéns.
  • Rafael Evangelista  24/01/2013 20:52
    Haha, comigo aconteceu a mesma coisa.
  • Renato  24/01/2013 15:29
    Cala boca burro! Seu comunista-uspiano!
    Você repete como um papagaio adestrado as "idéias" dos comunistas brasileiros das décadas de 50 e 60.
    Caio Prado Jr, Antônio Cândido ou Milton Santos são desprezíveis, o tempo se encarrega de joga-los na lata de lixo da história.
  • Renato Souza  26/01/2013 01:25
    É um bom exercício.

    Vamos derrubar a primeira alecação:
    "Não há riqueza de uns sem a exploração de outros."

    Afirmação desmentida facilmente pela aritimética e por um pouquinho de conhecimento da geografia humana. Houve um sensivel aumento da riqueza, na maior parte do mundo. Mas essa riqueza não aumentou de forma igual. Durante muitas décadas, grande parte do mundo era socialista, e grande parte seguia em regime de mercado semi-livre (capitalistas, digamos assim). E uma terceira parte (terceiro mundo), embora não fosse nem socialista nem capitalista, tinha relações com ambos os lados.

    O que vimos acontecer? Paises socialistas permaneceram pobres. Desafiavam os paises capitalistas militarmente (e mesmo isso revelou-se depois, em parte, um blef), mas economicamente eram um fracasso. Esse fracasso de décadas resultou na implosão do sistema. Os paises capitalistas produziam muito mais riquezas que os socialistas.

    Para justificar seu fracasso, os socialistas afirmavam que a riqueza dos países capitalistas provinha da "exploração dos países do terceiro mundo". Nada mais errado, e é fácil de provar:

    1. Muitos do paises do terceiro mundo tendiam mais para o lado dos socialistas que para o lado dos capitalistas.

    2. Alguns paises do terceiro mundo adotaram um forma mais "radical" de capitalismo, e enriqueceram tanto que se tornaram paises altamente desenvolvidos. Não tinham nenhum poder militar para poderem "roubar" os outros países do terceiro mundo.

    3. Esta mata a pau: Na média, paises capitalistas mais paises do terceiro mundo, cresciam muito mais que os paises socialistas. Se a explicação da maior produção de riqueza dos paises capitalistas fosse a "exploração" do terceiro mundo, os paises do terceiro mundo deveriam crescer muito que os paises socialistas, para que a média de capitalistas mais terceiro mundo fosse igual à produção de riqueza dos socialistas. Mas mesmo o terceiro mundo crescia mais que o bloco socialista, e a média dos dois blocos era muito superior à do bloco socialista.

    Conclusão: só quem não sabe nada de matemática pode ser um marxista "honesto".

    Segunda conclusão: Se mais paises do terceiro mundo tivessem adotado o capitalismo "radical", o também teriam se tornado países ricos.
  • Arthur M M  28/01/2013 17:45
    Um Filósofo,

    "Não há riqueza de uns sem a exploração de outros."

    Claro, o fato de eu procurar um galho no meio do mato com específicas propriedades, alguns cipós e procurar na terra algumas minhocas para pescar um peixe faz de mim um escravocrata, um ladrão, um burguês ávido por lucro !

    "A razão pela qual ocorreu uma explosão de "crescimento" durante o fim do século XIX e o decorrer do 20 foi o acúmulo de capitais gerados pelo comércio de escravos durante toda a era do pré-capitalismo. Isso enriqueceu as burguesias holandesa e inglesa, permitindo que iniciassem sua industrialização após a mecanização do campo(Que expulsou os trabalhadores da agricultura e os forçou a trabalhar nas cidades)."

    Mais uma vez a prova da necessidade da existência de uma instituição que legisle, execute e julgue cai por terra. Tanto a realeza britânica, holandesa e a prióri das realezas africanas, as quais já escravizavam os povos africanos, e os negociavam com os povos europeus nos mostram que instituições absolutas não são o melhor caminho. Estes povos europeus podem até ter enriquecido por meio de escravos (e aqui temos um ponto pacífico, pois também somos contra a escravidão), porém, isso não explica como outras nações se tornaram ricas e também se industrializaram, como os povos germânicos e escandinavos. E mais uma vez, como nosso outro colega, este também quer relegar os povos ao trabalho da coleta e da agricultura, estinguindo-se a divisão do trabalho. Cada um de nós vamos trabalhar/plantar para sobreviver.

    "Começava, então, a superexploração do proletariado. Ela duraria até 1929 quando a primeira potência reconheceu o sofrimento dos trabalhadores e ofereceu um salário mínimo que os permitia consumir. Apesar de os pobres terem sido incluídos no mercado, o capitalismo perdeu força e passou a ser dependente da exploração dos moradores de países pobres na África e América do Sul."

    Ufa, ainda bem que surgiu a URSS. Para nos mandar colher madeira na sibéria. Isso sim que era trabalho digno. Para ensinar aos ucranianos participantes da holodomor que a fome era um parasita incalcado em suas almas pelos temíveis burgueses. E mais, não precisava se preocupar com salários, já que a "Terra Mãe" dava tudo o que precisavam.
    Você já ouviu falar de mercantilismo ? Do governo, em coação com os grandes empresários, trabalhando em conluiu para que ouvesse o hoje conhecido superávit primário. Que para isso é necessário criar tarifas alfandegárias aos produtos importados, a qual por sua vez eleva os preços locais pela alta demanda e baixa oferta, e que isso torna os salários reais mais baixos, tolhendo do povo seu poder de compra, diminuindo dessa forma a riqueza geral do povo. Com certeza o capitalismo perdeu força, não vivemos nele há décadas. Hoje, como Mises nos explicou, vivemos na batuta do intervencionismo, da criação do salário mínimo ( o qual hoje em dia está jogando ao desemprego milhões de pessoas em Portugal, Espanha e Grécia ), das regulamentações ( a não ser que você tenha dinheiro suficiente para bancar as burocracias envolvidas, ou tenha conhecidos o suficiente no governo você não poderá participar das grandes licitações de telefonia, energia, petróleo, gás e etc; aqueles recursos que são fortemente demandados hoje e que estão nas mãos dos governos). Sobre os moradores de países pobres na África e América do Sul, bem, não estamos no capitalismo laissez-faire, portanto nem irei comentar.

    "Entretanto, o grande trunfo do capitalismo moderno e o único motivo pelo qual "nós somos ricos hoje" foi a China. Atualmente, toda nossa "riqueza" é produto da superexploração dos trabalhadores chineses pela burguesia internacional. Entretanto, desnecessário dizer que tal exploração não mais será possível quando o governo chinês recuperar os valores revolucionários e erguer a bandeira do povo novamente."

    O cara defende que a China volte a levantar as bandeiras que um dia tornaram os comunistas conhecidos como "comedores de criancinhas." Época em que alguns chineses do campo foram obrigados, para continuarem a viver, trocar seus filhos pelos filhos dos outros e comê-los. Imagine o nível de riqueza (de produções, ciência, tecnologia, alimentos para ficar em alguns pontos) que teria a humanidade hoje se não fossem os governos totalitários. Os chineses só estão tendo que trabalhar/"serem explorados de forma voraz pelos mafiosos burgueses" para recuperar as riquezas um dia destruídas pelos que se acham donos da verdade, o governo chinês. E digo mais, para os Keynesianos essa deve ter sido a "obra prima" do desenvolvimento econômico mundial, quebra-se a janela para que adtivemos a econômia. Os chineses hoje trabalham como os coreanos trabalharam no século 20, e vemos a riqueza gerada por eles hoje. Até o Brasil, que continua um país agrário, ficou mais rico. Afinal, podemos comprar produtos tecnológicos (celulares, tablets e etc) ou não (sapatos, roupas e etc) de forma muito mais barata do que se fossemos produzir aqui (graças ao nosso "amiguissimo" governo, que nos protege de tal "exploração").

    "Outro ponto que gostaria de discutir é a tal da riqueza tal exaltada pelo senhor North. Pergunto-vos: Qual a grande virtude em ir ao super mercado, olhar uma fileira com centenas de opções e escolher uma? Por mais que tal belo espetáculo de "liberdade de escolha" vos fascine, devo alertá-los que o excesso de opções apenas estressa o homem e o induz a agir de forma irresponsável.

    Não consigo sentir prazer ao consumir um produto quando sei que a esmagadora maioria dos consumidores brasileiros os fazem por serem alienados pela burguesia ao invés de serem consumidores racionais como eu sou. Eric Fromm já dizia que o homem não foi feito para ser livre e isso é um fato que até mesmo os senhores devem assumir. Se a liberdade é ter responsabilidade por seus atos(Sendo que quase todos os indivíduos são educados pela sociedade para serem consumistas irresponsáveis e a identificação das consequências de nossas ações é, quase sempre, impossível), pode-se dizer que ela é uma brutalidade.

    O homem que governa outro homem abusando de suas emoções e tentações é tão monstro quanto aquele que o escraviza diretamente. Essa "riqueza" que o senhor North exalta é a escravidão à qual foram submetidas as pessoas."

    Aqui o nosso colega nos mostra o quanto está sendo sarcástico e satirico (chegando a ser sádico) em seus comentários. Um adendo a alienação ao consumismo e a irresponsabilidade gerada pelos burgueses à população (utilizando-se das emoções mais viz e pueriz) devo lembrar que nossas a grande maioria das crianças do Brasil passam 12 anos, 180 dias por ano, 4 horas por dia (no mínimo) de suas vidas em escolas do governo. Quais serão as alienações perpretadas pelo tal ?
  • EUGENIO  07/11/2019 09:48
    curiosidade:

    os negros escravos levados de sua terra natal, JAMAIS VOLTARAM PARA LÁ!NEM SEUS DECENDENTES!

    Hoje muitos são poderosos e ricos, até presidente da maior e mais poderosa nação do mundo...né?
  • Adriel Ramos  12/11/2018 19:10
    Desculpa, mas se a sua premissa é "Não há riqueza de uns sem a exploração de outros." é uma premissa falsa.
  • Um pensador de esquerda  24/01/2013 15:02
    "Por que nos tornamos tão ricos?"
    Pergunta cínica. A resposta é a ganância humana sem fim, que precisa ser domada por um Estado mais regulamentador. O perigo do capitalismo selvagem ronda nossa sociedade, como um tigre querendo devorar nossas crianças e mulheres na roda louca do culto ao dinheiro.

    Hoje milhões de crianças no mundo irão dormir nas ruas, e nenhuma cubana.
  • Arthur M M  24/01/2013 17:47
    O qual é pago com a ajuda financeira externa dos países capitalistas gananciosos. huahuuhauha.
  • anônimo  24/01/2013 15:10
    Qual a grande força da China? Indústria?
    Então a onda de impressoras 3d vai matar ela. Já tem gente imprimindo até células!
    www.wired.com/design/2013/01/diy-bio-printer/
  • Vinicius Costa  24/01/2013 17:00
    Essa é uma pergunta com infinitas respostas, sendo muitas delas verdadeiras. Uma delas que eu considero muito importante que o autor não citou no texto foi a distribuição natural dos meios de produção decorrente da Revolução Industrial.

    Antes dela, os proprietários de terras eram também donos de quase todos meios de produção, já que naquela época os produtos eram todos agrícolas e artesanais. Com a Revolução, novos meios de produção foram criados e como consequência novas pessoas tiverem acesso a elas.

    O que acho engraçado é que a verdadeira revolução que foi capaz de distribuir os meios de produção é justamente aquela geralmente culpada pelos autores de outras revoluções que buscavam esse objetivo.
  • Um pensador de esquerda  24/01/2013 18:12
    Esta questão sempre me vem à mente quando alguém compara o "Bolsa Família" com o "Pão e Circo". Mas explico já, já.
    (Não gosto de ser exibido nem de humilhar ninguém, mas às vezes tenho que me gambar de minha cultura histórico-social)
    ______________
    Respondendo:

    A tecnologia ou, melhor dizendo, o constante avanço tecnológico, de certa forma, aumenta drasticamente a desigualdade social, ainda mais nos países chamados subdesenvolvidos, como é o nosso caso.

    Negar isso é querer por em xeque uma das proposições mais polêmicas do Marx, aquela da chamada "queda tendencial da taxa de lucro".

    Mas, para responder melhor, vou voltar à Roma Antiga…

    Na Roma escravista a mão de obra responsável pela produção era a escrava. O sistema produtivo era fundamentado na díade proprietário-escravo. Quem não pertencia a nenhuma destas classes ficava de fora.

    A população de homens livres que não eram proprietários (e por isso estava fora do Sistema) não parava de crescer e as revoltas ficavam cada vez mais iminentes. A política do Pão e do Circo foi criada para estes que ficavam de "fora" do sistema.

    O "bolsa-família", pelo bem ou pelo mal, é completamente diferente. O constante desenvolvimento tecnológico (e aqui estamos chegando na questão de fato), ao mesmo tempo em que não deixa cair a taxa de lucro do patrão, "expulsa" o trabalhador do sistema. O dinheiro do Bolsa-Família vai para esse trabalhador – eventual pagador de impostos –, enquanto ele fica na "fila".

    Temos assim que enquanto no primeiro caso o "beneficiado" estava fora do sistema, no segundo caso o beneficiado foi expulso.

    Explico melhor a questão da tecnologia...

    É aquilo que se convencionou, a partir de Marx, chamar de "mais valia".

    A taxa de lucro do patrão tende a cair. Para que isso não aconteça, já que não se pode mexer muito nas horas de trabalho, ele melhora a tecnologia. Um exemplo.
    Uma fábrica de fios tinha 30 trabalhadores. Tais funcionários utilizavam uma máquina que produzia determinado produto em determinado tempo. Porém, o dono do negócio busca uma tecnologia melhor que produzirá quase o mesmo número de produto no mesmo número de tempo. Porém (e aqui temos a resposta que procuramos), ao invés de trinta funcionários, precisará apenas de três. E penso que isso pode sim ser chamado de "aumento drástico das desigualdades sociais".

    Estes três trabalhadores são aqueles que continuaram se especializando. Os outros 27, mesmo os que também procuraram se especializar, não tiveram a mesma sorte dos outros… Para eles, o "bolsa família" até que possam voltar para o matadouro, ops, para o "mercado".

    É por isso que nossos avós, só com a 4ª série, já conseguiam um trabalho e se aposentavam nele. E é por isso que daqui algum tempo nem os que tiverem diploma de doutor estarão garantidos.

    __________

    Com esta pequena aula de sociologia histórica, espero não ter dado um nó na cabecinha de vocês, e muitos aqui irão dormir chorando por ter encontrado um pensador de esquerda irrefutável.
  • Tiago Moraes  25/01/2013 18:42
    "A tecnologia ou, melhor dizendo, o constante avanço tecnológico, de certa forma, aumenta drasticamente a desigualdade social, ainda mais nos países chamados subdesenvolvidos, como é o nosso caso.

    Não existe nenhum dado estatístico que referende isso, não há correlação alguma entre tecnologia e desemprego, se caso houvesse, a humanidade já teria entrado em colapso, visto que na época da primeira revolução industrial, na media, 1/4 da PEA era desempregada na Europa, atualmente é preciso uma hecatombe econômica para que o desemprego em um país chegue a 10%. O que as estatísticas mostram, é que a tecnologia modifica o mercado de trabalho estruturalmente, promovendo deslocamentos da força de trabalho para outros setores ou para novos empregos criados pela própria expansão tecnológica.

    Negar isso é querer por em xeque uma das proposições mais polêmicas do Marx, aquela da chamada "queda tendencial da taxa de lucro".

    Eu não só nego como afirmo que a propensão de queda nas taxas de lucro é uma ridicularidade, uma distorção da tendência decrescente dos retornos de capital elaborada por David Ricardo. O lucro tende a cair em uma condição específica, quando a estrutura de capital permanece intacta e a concorrência em um mercado aumenta mantendo a primeira condição em ceteris paribus (condição essa que não existe no mundo real). Marx parece não ter entendido a afirmação de Ricardo e a tratou como se o mesmo supusesse que a participação do capital na produção fosse árida, sendo o lucro por tanto, o resultado do emprego de força de trabalho. As taxas de lucro entre diferentes firmas, seriam nessa proposição, determinadas pela diferença da participação de força de trabalho em razão do capital, na composição orgânica das firmas, porém o próprio Marx afirma que no mundo real as taxas de lucro variam de forma totalmente desconexa deste princípio que ele inventou e distorceu de Ricardo e o que ele faz? Recorre a uma ridicularidade, afirmando que sua teoria está certa, o mundo é que está errado, distorcendo essa regra por conta da concorrência capitalista, que tenderia a igualar as taxas de lucro a revelia das composições orgânicas de capital.

    Mas, para responder melhor, vou voltar à Roma Antiga…

    Na Roma escravista a mão de obra responsável pela produção era a escrava. O sistema produtivo era fundamentado na díade proprietário-escravo. Quem não pertencia a nenhuma destas classes ficava de fora.

    A população de homens livres que não eram proprietários (e por isso estava fora do Sistema) não parava de crescer e as revoltas ficavam cada vez mais iminentes. A política do Pão e do Circo foi criada para estes que ficavam de "fora" do sistema.


    Isso aí você deve ter lido em algum livro de história do ensino médio escrito pelo Cláudio Vicentino. Essa tese que a base da mão-de-obra em Roma era escravocrata é uma interpretação genérica da atividade produtiva romana, até porque, o escravagismo seria incapaz de proporcionar as inovações produtivas e o engenho da civilização romana no desenvolvimento de sua economia, prova disso é a estagnação no desenvolvimento das monoculturas brasileiras, mesmo em pleno século XIX, por causa do escravagismo. O problema da cidade de Roma, que os Imperadores resolveram com o "pão-e-circo" é fácil de elucidar, imagine uma cidade de 1,2 milhão de habitantes na antiguidade, sem o saneamento e a organização urbana das cidades de hoje, se atualmente isso já é um caos popular em termos de instabilidades civis, imagine naquela época...

    O "bolsa-família", pelo bem ou pelo mal, é completamente diferente. O constante desenvolvimento tecnológico (e aqui estamos chegando na questão de fato), ao mesmo tempo em que não deixa cair a taxa de lucro do patrão, "expulsa" o trabalhador do sistema. O dinheiro do Bolsa-Família vai para esse trabalhador – eventual pagador de impostos –, enquanto ele fica na "fila".

    Agora você distorce o que Marx escreveu, ele nunca disse que a tecnologia aumenta as taxas de lucro da firma, pelo contrário, ela diminuiria essas taxas de lucro, por isso é que Marx afirmava que o capitalismo ruiria de seu próprio progresso e por isso ele foi viver na Inglaterra, berço da Revolução Industrial e onde ele acreditava que o comunismo eclodiria. Depositar menos de R$ 200 na conta de uma pessoa não irá introduzi-la no sistema, você sequer sabe como de fato esse dinheiro é gasto e isso faz muita diferença, do contrário, porque então o governo não deposita R$ 1 milhão na conta de cada um dos 190 milhões de brasileiros? 190 milhões é pouco mais de 11% do que a União arrecada, que tal? A função do Bolsa-Família é apenas comprar votos, quem disse isso foi o próprio Lula, quando era da oposição e quando o FHC lançou o Bolsa-Escola, em palavras dele; "o pobre pensa mais com a barriga do que com a cabeça, dar-lhes dinheiro é o mesmo que colocar um cabresto neles!"

    "Temos assim que enquanto no primeiro caso o "beneficiado" estava fora do sistema, no segundo caso o beneficiado foi expulso."

    Programas de transferência de renda não promovem inclusão, da mesma forma que um pai que paga mesada ao filho não o fará deixar de ser mimado. O cara não tem emprego, não tem qualificação profissional, a única coisa que ainda o impele ao menos a considerar a possibilidade de sair do buraco é justamente o fato dele enxergar o trabalho como única solução, o bolsa-família rompe este paradigma e sinaliza uma nova oportunidade ao pobre, foder a esposa dele, encher a casa de filhos e viver de pensão federal a vida inteira!

    Explico melhor a questão da tecnologia...

    É aquilo que se convencionou, a partir de Marx, chamar de "mais valia".


    Mais-valia é supostamente o resultado obtido pelo trabalho adicional dispendido em horas, após o dispêndio necessário para cobrir o salário do trabalhador, também em horas, essa é a sua definição em termos absolutos, a tecnologia somente explica o que ele chama de mais-valia relativa, onde se obteria mais mercadorias nas horas adicionais de trabalho dispendido.

    A taxa de lucro do patrão tende a cair. Para que isso não aconteça, já que não se pode mexer muito nas horas de trabalho, ele melhora a tecnologia. Um exemplo.
    Uma fábrica de fios tinha 30 trabalhadores. Tais funcionários utilizavam uma máquina que produzia determinado produto em determinado tempo. Porém, o dono do negócio busca uma tecnologia melhor que produzirá quase o mesmo número de produto no mesmo número de tempo. Porém (e aqui temos a resposta que procuramos), ao invés de trinta funcionários, precisará apenas de três. E penso que isso pode sim ser chamado de "aumento drástico das desigualdades sociais".


    Então porque em pouco mais de 150 anos, em três revoluções industriais, as taxas médias de desemprego apenas caíram? Tecnologia não promove desemprego e nem tão pouco desigualdade social seu pulha, pelo contrário, os países mais ricos do mundo são justamente àqueles cuja força de trabalho tem os mais altos índices de produtividade e produtividade se aumenta pela razão do capital acumulado por habitante, isso é um fato científico, corroborado por qualquer estatística. O teu erro é supor que a desenvolvimento tecnológico não altera o mercado de trabalho estruturalmente, apenas quantitativamente. Ao diminuir a quantidade de emprego de pessoas em uma função (que é o que a tecnologia de fato faz) cria-se uma margem para o aumento da divisão social do trabalho, o que da origem na novas profissões e especializações, a quantidade de bens e serviços, por tanto, aumentaria junto com a produtividade, não há desemprego, somente realocação da força de trabalho em função das mudanças dinâmicas no mercado de trabalho que a tecnologia proporciona.

    É por isso que nossos avós, só com a 4ª série, já conseguiam um trabalho e se aposentavam nele. E é por isso que daqui algum tempo nem os que tiverem diploma de doutor estarão garantidos.

    Nossos avós tinham padrão de vida inferior, mal conheceram os avós deles pois os mesmos morriam na casa dos 40/50 anos, hoje já é comum crianças conviverem com bisavós, uma comparação totalmente descabida, as taxas de desemprego eram muito maiores antigamente, o Brasil hoje tem níveis de desemprego muito mais baixos que a época dos nossos avós e isso se deve a atividade empreendedorial dos brasileiros. Além disso, no tempo dos nossos avós, empresas não pagavam tantos impostos quanto hoje, os problemas eram outros...

    __________

    Com esta pequena aula de sociologia histórica, espero não ter dado um nó na cabecinha de vocês, e muitos aqui irão dormir chorando por ter encontrado um pensador de esquerda irrefutável.

    Não, você só passou vergonha mesmo, relaxe...só mais um adendo, estude mais sobre o que você vai falar, porque meu amigo, nem de Marx você entende alguma coisa!
  • Renato Souza  28/01/2013 14:40
    Tiago
    Sua resposta foi muito boa, mas tenho de fazer um pequeno reparo:

    "Nossos avós tinham padrão de vida inferior, mal conheceram os avós deles pois os mesmos morriam na casa dos 40/50 anos, hoje já é comum crianças conviverem com bisavós, uma comparação totalmente descabida, as taxas de desemprego eram muito maiores antigamente, o Brasil hoje tem níveis de desemprego muito mais baixos que a época dos nossos avós e isso se deve a atividade empreendedorial dos brasileiros."

    Aparentemente você comenteu um erro que muitos cometem, confundindo espectativa média de vida com a idade de morte da maioria das pessoas. O tempo de vida médio é muito influenciado por elementos que estão muito fora da média. Mas são raros os elemntos que estão muito acima da média. Pessoas que vivem 120 anos são (e eram) raríssimas, e com 140 anos são virtualmente impossíveis de encontrar.

    Mas o que acontece no lado esquerdo da curva? Em tempos passados, a mortalidade infantil era imensa. Há ainda, mas era muito mais acentuado, um fenômeno de uma faixa de idade bem no início da vida, onde havia particularmente mais pessoas morrendo. Essa imensa mortalidade infantil tinha um peso estatístico muito grande, tanto pela sua proporção como pelo fato de estar muito longe da média. Esse é, de longe, o mais importante fator que fazia o tempo de vida médio, em tempos passados ser bastante inferior ao atual.

    É claro que a maior capacidade de tratamento de doentes e feridos adultos tem sua influência, mas a diminuição da mortalidade infantil é estatísticamente mais importante.

    A conclusão é que, tomada uma certa pessoa, a 80 anos atrás, que já havia passado da infância, a espectativa de vida dela era menor que a de uma pessoa atual da mesma idade, mas não imensamente menor.
  • frolstty  22/01/2016 23:18
    Só um detalhe:

    "porque então o governo não deposita R$ 1 milhão na conta de cada um dos 190 milhões de brasileiros? 190 milhões é pouco mais de 11% do que a União arrecada, que tal?"

    Esse "erro" foi o mesmo que a repórter (Band?) fez: 190 milhões x 1 milhão = 190 trilhões :)

  • Victor Quintao  04/11/2019 23:36
    Socialista, por que a categoria "igualdade" é desejável numa sociedade? Para quê se preocupar com a "igualdade"?..."...a categoria igualdade não poderia ser substituída por "santidade":"vamos propor políticas que promovam a santidade"....a categoria igualdade não poderia ser substituída por {insira qualquer ideal/valor aqui}...a categoria igualdade não poderia ser substituída por "liberdade"?: "vamos propor políticas que promovam a liberdade"
  • Arthur M M  05/11/2019 00:42
    "A tecnologia ou, melhor dizendo, o constante avanço tecnológico, de certa forma, aumenta drasticamente a desigualdade social, ainda mais nos países chamados subdesenvolvidos, como é o nosso caso."

    Claro, no passado os Ricos (nobres, reis, condes, burgueses e assim por diante) dispunham de cavalos e carroças para se locomover a grandes distâncias (a tecnologia da época), e os pobres miseráveis contavam com as próprias pernas. Hoje, com o advento dos automóveis, trens, aviões, navios e afins quase tudo mundo pode se locomover a grandes distâncias sem muito custo. A tecnologia tornou melhor a vida de ambos, diminuindo custos.

    "Negar isso é querer por em xeque uma das proposições mais polêmicas do Marx, aquela da chamada "queda tendencial da taxa de lucro"."

    Não sei o que é essa "queda tendencial da taxa de lucro", mas se alguém acha que tecnologia se colhe de árvores, ou pesca-se, com certeza este está muito enganado. Tecnologia se cria, é necessário recursos, financeiros, humanos e materiais. E precisa dar lucro (entenda-se como lucro estar melhor com a nova tecnologia do que antes).

    E nesse processo aquelas empresas que tiverem melhores tecnologias (pois pouparam, diminuindo ainda mais o lucro, restrigiram o consumo hoje e investiram para consumir no futuro ) sobreviverão, poderão vender a tecnologia para outras, e até mesmo mudar de ramo, deixando aquele ramo que dá menos lucro (diminuindo a concorrência) para vender somente a sua tecnologia (serviços) para suas antigas concorrentes.

    Empreendedores não se deixarão falir (assim como nós, pessoas, procuramos o melhor para nós), eles simplesmente vão para outro ramo. Ou alguém por acaso acha ruim a disputa da AMD e INTEL e a diminuição de preços dos computadores e afins ?

    "Na Roma escravista a mão de obra responsável pela produção era a escrava. O sistema produtivo era fundamentado na díade proprietário-escravo. Quem não pertencia a nenhuma destas classes ficava de fora. A população de homens livres que não eram proprietários (e por isso estava fora do Sistema) não parava de crescer e as revoltas ficavam cada vez mais iminentes. A política do Pão e do Circo foi criada para estes que ficavam de "fora" do sistema."

    Pois é justamente por esse motivo que muitos pensadores são a favor do anarcocapitalismo. Revoltas que aconteceram porque alguns grupos de pessoas estavam no poder, utilizando a máquina estatal para usufruto dos mesmos (qualquer semelhança com hoje é mera coincidência). Por isso que é necessária a manutenção da execução do mercado, pois dessa forma ninguém ficará em posição de criar regras e favorecer a si próprio, ou aos seus "amigos".

    ""O "bolsa-família", pelo bem ou pelo mal, é completamente diferente. O constante desenvolvimento tecnológico (e aqui estamos chegando na questão de fato), ao mesmo tempo em que não deixa cair a taxa de lucro do patrão, "expulsa" o trabalhador do sistema. O dinheiro do Bolsa-Família vai para esse trabalhador – eventual pagador de impostos –, enquanto ele fica na "fila". Temos assim que enquanto no primeiro caso o "beneficiado" estava fora do sistema, no segundo caso o beneficiado foi expulso."

    Mais uma vez o problema é a tecnologia. Na verdade os socialistas querem que todos voltemos a plantar, pescar e caçar; ao invés, nem isso, pois para plantar, pescar e caçar é necessário conhecimento e técnicas, enfim, de tecnologia. Na verdade devemos todos voltar a viver da coleta. Daí sim, seremos felizes, iguais e inclusos.

    Nosso colega se esquece de dizer que máquina precisa de manutenção (e quanto mais avançada a máquina, mais manutenção, ver carros e aviões), e para manutenção ser feita é necessário conhecimento (que precisa ser produzido e repassado), recursos materiais (peças sobressalentes) e recursos humanos, as quais não aparecem do nada.

    Logo percebe-se que quanto mais necessidade de maquinário, mais necessidade de insumos para a produção, e de mais trabalhadores que produzirão esses insumos. No final, os salários nominais tornar-se-ão menores, porém, os salários reais aumentar-se-ão, pela maior oferta de bens possibilitados pela utilização de maquinários (ou alguém ainda tece fio de algodão com a roca ?).

    "A taxa de lucro do patrão tende a cair. Para que isso não aconteça, já que não se pode mexer muito nas horas de trabalho, ele melhora a tecnologia. Um exemplo. Uma fábrica de fios tinha 30 trabalhadores. Tais funcionários utilizavam uma máquina que produzia determinado produto em determinado tempo. Porém, o dono do negócio busca uma tecnologia melhor que produzirá quase o mesmo número de produto no mesmo número de tempo. Porém (e aqui temos a resposta que procuramos), ao invés de trinta funcionários, precisará apenas de três. E penso que isso pode sim ser chamado de "aumento drástico das desigualdades sociais". Estes três trabalhadores são aqueles que continuaram se especializando. Os outros 27, mesmo os que também procuraram se especializar, não tiveram a mesma sorte dos outros… Para eles, o "bolsa família" até que possam voltar para o matadouro, ops, para o "mercado"."

    Outra vez, o colega se esquece que nada surge do nada. Da onde veio essa tecnologia e a produção dos insumos ? Porém, muitos irão dizer o seguinte. Se colocarmos máquinas nas empresas que produzem insumos, daí sim, teremos desempregados. Mas o que vale para a fábrica dos 30 trabalhadores também vale para a fábrica dos insumos. Por fim, podemos deduzir que a mecanização da produção acarreta em mais bens no mercado e/ou preços mais baixos (a médio/longo prazo), todos saem ganhando. Pois os produtos finais ficarão realmente mais baratos.

    "É por isso que nossos avós, só com a 4ª série, já conseguiam um trabalho e se aposentavam nele. E é por isso que daqui algum tempo nem os que tiverem diploma de doutor estarão garantidos."

    Exatamente caro socialista. Nossos avós eram obrigados a trabalhar já na quarta série, pois os salários reais eram baixos pois a produtividade era baixa, e isso impossibilita os operários a pouparem, ou investirem nos filhos (na nossa realidade, a expoliação do governo era/é tanta que não os permitia isso, além do fato do governo não oferecer aquilo que propunha, a escola, a saúde e a segurança). Mas na medida em que foi-se desenvolvendo a tecnologia, aumentou-se a produtividade e os salários reais.
  • Kleiton  24/01/2013 18:33
    Prezado "pensador de esquerda":

    Tem um erro básico na tua análise quando tu dizes "ao invés de trinta funcionários, precisará apenas de três. E penso que isso pode sim ser chamado de'aumento drástico das desigualdades sociais' (...) os outros 27, mesmo os que também procuraram se especializar, não tiveram a mesma sorte dos outros".

    - Em primeiro lugar, o mercado tende a escolher menos por "sorte" e mais por talento, ao contrário do que acontece na grande maioria dos órgãos estatais. Assim, a tendência é que os 3 restantes sejam os mais COMPETENTES, e não os mais SORTUDOS;

    - Em segundo lugar, recorro a Bastiat: quando tu olhas só pro que tu VÊS, tu ignora (conscientemente ou não) aquilo que tu NÃO VÊS. Esses 27, embora tenham ficado sem emprego no momento T, se tornam mão de obra potencial para OUTRAS ATIVIDADES no momento T+1. Ou seja: a indústria de fios não perde produção, ao mesmo tempo em que outras indústrias poderão contratar nova mão de obra para produzir mais. No fim, temos mais produtos disponíveis, o que tende a puxar os preços para baixo, o que é bom - veja só - inclusive para os trabalhadores cujo salário é mais baixo.

    Mas de um "pensador" de esquerda, é natural que só venham pensamentos (pré-concebidos) também de esquerda. Uma pena.
  • Gustavo  28/01/2013 10:38
    "...se tornam mão de obra potencial para OUTRAS ATIVIDADES no momento T+1."
    Muito cuidado, em algumas sociedades, acima dos 40 anos, a pessoa não consegue emprego.
  • Andre Cavalcante  28/01/2013 13:11
    Por quê?
  • Kleiton  24/01/2013 18:43
    Olhando melhor os comentários do "filósofo" e do "pensador", concluo que é praticamente impossível manter uma discussão racional. O "pensador" se diz "irrefutável" com um argumento que só faz sentido dentro da ótica de esquerda batida e rebatida nas faculdades de humanas país afora. Sob um ponto de vista racional, não faz nenhum sentido.

    Essa história de riqueza de uns x exploração de outros é um negócio tão antiquado quanto errôneo.

    Chega a dar um desânimo.

  • Lucas Silva  25/01/2013 12:00
    Eles são trolls, fica de boa que é puro sarcasmo.
  • Renato Souza  25/01/2013 13:24
    Particularmente o "típico filósofo" parece ser um cara bastante inteligente. Ele mimetiza extremamente bem os loucos cacoetes mentais dos "melhores" professores universitários marxistas. Às vezes penso que esse cara é do famoso blog cômico "Vanguarda Popular", de estilo um pouco mais escrachado, mas igualmente inteligente.

    Já me ocorreu que outros personagens fakes que comentam aqui sejam escritos pelo mesmo cara, mimetizando personalidades e cacoetes um pouco diferentes. Mas se for isso, o cara é gênio.
  • anônimo  25/01/2013 16:18
    O pior é que por mais absurdo que ele chegue, os esquerdistas reais são piores
    Lembro do tempo do terremoto no Haiti, teve gente que disse que foi culpa dos EUA com o HAARP.
    Um MOVIMENTO NAS PLACAS TECTÔNICAS foi culpa dos EUA.
    (facepalm)
  • Gustavo  28/01/2013 10:49
    Kleiton,
    Sim, é difícil manter uma discussão.
    As raposas não administram bem os galinheiros sob a ótica dos hervíboros.
    Porque sempre aparecem interesses pessoais.
  • J. Rodrigues  24/01/2013 19:41
    Filósofo, estou impressionado. Cara, tu és d+! Tu além da lucidez e inteligência dedicas um amor à humanidade como ninguém neste mundo cruel. Se tu te candidatares a Rei do Mundo eu serei teu apóstolo. Largo tudo e te sigo fazendo campanha dia e noite para ti. Conta comigo, cara!
  • B_Diniz  24/01/2013 22:27
    Off topic:

    Esse cara tem COJONES:

    www.youtube.com/watch?v=8cFAlD1DERg

    Em relação ao crescimento da China (PIBs astronomicos durante muito tempo) eu já vi algo disso estar sendo forjado durante, muitos aqui já viram o probelam da bolha imobiliária lá, não?

    www.youtube.com/watch?v=rW2wZYkhWYA

    Será que não houve alguma relação com a idústria?

    Já fui cliente de forncedores chineses (telecom) e eles estão muito aquém de produtos de qualidade americanos ou europeus e pra dizer que esses também não são lá essas coisas, os produtos chineses ao meu ver servem pra dar uma boa maquiada em um projeto político por exemplo. Você até compra um celular xing-ling por causa de dinheiro mas depois enjoa daquele produto e no primeiro dinheiro que entra vc compra algo descente, é mais ou menos isso que acontece. E nunca mais quer saber de xing-lings.




  • Neto  28/01/2013 11:14
    Cojones nada, foi só um mal entendido, duvido que ele tivesse coragem de atacar o feminismo de verdade.
    Fora que isso daí é um funça, coisa mais fácil do mundo viver do roubo do dinheiro dos outros.
  • Marcos  25/01/2013 00:35
    Olá, não sei muito sobre a escola austríaca, mas o pouco que sei ja é o suficiente para apoiá-lá, no entanto, isso tem causado muitas discussões com alguns amigos meus marxistas ou keynesianos, e eu gostaria que vocês, especialistas no liberalismo, me ajudassem dizendo argumentos irrefutáveis contra o socialismo para que eu posso quem sabe provar para eles a terrível verdade deste sistema de preguiçosos estadistas. Também gostaria que alguem simplificasse para mim o livro "O calculo econômico do socialismo", de Mises, pois o li mas não compreendi totalmente suas idéias. Grato por tudo.
  • Gustavo BNG  25/01/2013 05:11
    Se quiser algo resumido (~20 minutos de leitura), sugiro que mostre aos seus amigos este artigo, A Escola Austríaca e a Refutação Cabal do Socialismo: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1386
  • Leandro  25/01/2013 05:44
    Prezado Marcos, eis um resumo do argumento da impossibilidade econômica do socialismo:

    "A propriedade comunal dos meios de produção (por exemplo, das fábricas) impede a existência de mercados para bens de capital (por exemplo, máquinas). Se não há propriedade privada dos meios de produção, não há um genuíno mercado entre eles. Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços legítimos. Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de preços. E sem esse cálculo de preços, é impossível haver qualquer racionalidade econômica -- o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.

    Sem preços, não há cálculo de lucros e prejuízos, e consequentemente não há como direcionar o uso de bens da capital para atender às mais urgentes demandas dos consumidores da maneira menos dispendiosa possível.

    Em contraste, a propriedade privada sobre o capital e a liberdade de trocas resultam na formação de preços (bem como salários e juros), os quais refletem as preferências dos consumidores e permitem que o capital seja direcionado para as aplicações mais urgentes, ao mesmo tempo em que o julgamento empreendedorial tem de lidar constantemente com as contínuas mudanças nos desejos dos consumidores.

    O socialismo, um sistema que na prática requer um estado totalitário, não é uma opção viável ao capitalismo. Qualquer passo rumo ao socialismo é um passo rumo à irracionalidade econômica."


    Caso queira um argumento complementar, que diz que é impossível um comitê central (que é o que todo socialista defende) coletar todas as informações necessárias para gerir uma economia, recomendo este excelente artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1430

    Abraço!
  • anônimo  25/01/2013 07:53
    Alguém poderia responder qual a diferença entre Presbiterianismo e Puritanismo?
  • Renato Souza  25/01/2013 11:54
    Presbiterionismo se refere a uma denominação cristã, com uma estrutura interna, que tem uma forma de governo específica. Os fiéis de cada igreja escolhem representantes, os quais escolhem seus ministros, dentre um quadro de aprovados teologicamente previamente por um conselho das igrejas da região. O conselho interno de cada igreja, eleito pelos fiéis, tem poder para indicar e destituir tanto os ministros quanto os administradores leigos (tesoureiro, secretários, professores). Alguns cargos são votados diretamente pela congregação (todos os fiéis), inclusive a comissão de exame de contas. Não lembro se todos os detalhes são assim, mas é mais ou menos isso (tenho um amigo pessoal que é ministro presbiteriano, e já estive visitando a igreja dele umas quatro ou cinco vezes). A iIgreja Presbiteriana é calvinista em sua constituição, sua doutrina oficial é calvinista, embora muitos presbiterianos atuais não sejam exatamente calvinistas.

    Puritanismo não é uma estrutura eclesiástica, mas um movimento, uma forma de pensamento teológico, de sentimento religioso e de prática religiosa, que foi bastante prevalencente entre muitos cristãos presbiterianos ingleses na época da formação das colônias americanas, particularmente os presbitarianos. Por isso pode-se dizer, A GROSSO MODO, que as colônias foram formadas por pessoas que eram calvinistas, presbiterianas e puritanas. Há uma grande quantidade de livros escritos pelos puritanos, que podem mostrar a quem quiser conhecer, as principais ênfases de seu pensamento, principalmente em inglês (imagino que alguns titulos tenham sido traduzidos para o português). Não vou entrar na descrição do pensamento puritano porque eu não o conheço, visto que nunca li nenhum livro escrito por eles. De qualquer forma, é uma forma de pensamento bastante ampla, com um enorme número autores diferentes, de diferentes lugares e durante um período longo, não é de forma alguma uma escola de pensamento monolítica. "Puritanos" é um apelido dado a eles por pessoas fora do movimento. Suponho que tenham sido os anglicanos que os apelidaram assim.

    Talvez a mais visível contribuição cultural dos puritanos tenha sido a a fundação de todas as mais antigas e tradicionais universidades americanas.

    Em tempos mais antigos, de um modo geral, a distribuição do povo entre as denominações protestantes correspondia mais ou menos à distribuição social. Freqüentemente, presbiterianos e anglicanos eram os mais cultos e também eram os mais prósperos. Metodistas eram a maioria da população. E batistas costumavam ser os mais pobres e ignorantes. Isso a grosso modo. Você poderia encontrar batistas que eram ricos e cultos e presbiterianos que eram ignorantes e miseráveis.
  • anônimo  25/01/2013 15:08
    Renato Souza, esta é a pura verdade sobre o presbiterianismo. Eu sou presbiteriano e calvinista. Existe uma inverdade em alguns estudiosos de fora do calvinismo que diz que o sucesso econômico é um sinal da predestinação. Uma grande mentira. Deus escolhe a ricos e pobres. Agora é interessante ver que os melhores países para se viver são de origem calvinista. Acho que Gary North deveria ter falado também sobre a Genebra calvinista.
    Para quem quiser saber mais sobre Joao Calvino e economia eu recomendo:
    O pensamento econômico e social de Calvino www.editoraculturacrista.com.br/produtos.asp?codigo=250

    e os seguintes artigos do site swissinfo.ch
    www.swissinfo.ch/por/arquivo/Genebra_ignora_a_atualidade_de_Calvino.html?cid=867160

    www.swissinfo.ch/por/cultura/O_impacto_de_Calvino_em_Genebra_e_alem.html?cid=867252.
  • Renato Souza  25/01/2013 16:56
    Prezado anônimo

    Nao sou calvinista, mas realmente noto certa coincidência entre a cultura calvinista e prosperidade, ananlisando diversos países.

    No caso americano, até seria possivel explicar essa diferenciação dentro da sociedade, por outros mecanismos. A legislação e a cultura americana original enfatizavam o trabalho duro e a moderação. Sendo os presbiterianos e anglicanos os primeiros a chegar (e os metodistas nem existiam nessa época), houve um natural enriquecimento pelo lento acúmulo de capital da famílias (construção de casas, infraestrutura, fábricas, crescimento das lojas, melhoria de terras). Creio que a riqueza relativa desso grupo talvez posse se explicar por esse fator. Também sendo eles as famílias mais tradicionais, ricas e antigas do país, eram zelosos pela cultura, consideravam-se o esteio da educação e do conhecimento. Digamos assim, agiam como irmãos mais velhos em relação a imigrantes mais recentes e pessoas desencaminhadas. Eles eram os tutores, deveriam levar o país à excelência. Suas universidades, que se tornaram famosas mundialmente, eram também seminários, e as pessoas que não mostravam cultura e conhecimento suficientes para serem adimitos em teologia, talvez fossem adimitidas em medicina, menos dificil, embora muito longe de ser fácil.

    O metodistas, por causa da própria ênfase de seu fundador, ao mesmo tempo que visavam evangelizar as pessoas mais pobres e marginalizadas, focavam muito no estudo. Os pregadores de Wesley eram ao mesmo tempo gente simples e gente que estava aprendendo cada vez mais. Nenhum deles havia passado por uma faculdade ou seminário, mas Wesley fez questão de traduzir clássicos do latim e grego para o inglês, para que eles pudessem ter alguma educação. Com o tempo, esse ímpeto de buscar os mais pobres para encaminha-los desapareceu do metodismo. Se tornou uma igreja das classes médias.

    Depois dos metodistas, foram os batistas que tomaram para sí a misssão de buscar os mais pobres, mas sua mensagem era menos completa. Também tiveram algum cuidado com a educação, construíndo escolas, mas certamente não com a enfase dos outros dois grupos. Certamente tiveram alguma responsabilidade pela melhoria da cultura dos escravos recém libertados, mas essa melhoria foi mais lenta do que seria desejável.

    Depois vieram os pentecostais, focados também nos mais pobres, e no início, sem foco nenhum na educação.

    Então vieram os esquerdistas, também focados nos mais pobres, mas sempre dizendo: Fiquem assim mesmo seus idiotas, não se esforcem, nem melhorem sua cultura, porque isso nos dá poder. Acreditem que tudo de mal que lhes acontecer é culpa de outras pessoas, pratiquem o auto-vitimismo, e vocês serão nosso ariete para destruir a sociedade e criar outra segundo a nossa vontade.

    Finalmente vieram os neo-pentencostais, também focados nos mais pobres, dizendo: Não são só as pessoas que devem tudo a vocês, Deus também é devedor de vocês.

    Quanto ao católicismo, inicialmente era só uma peculiaridade de miseráveis imigrantes irlandeses, italianos e latino-americanos, muitos deles na marginalidade. Mas esses imigrantes se adaptaram, se desenvolveram, enriqueceram, contribuiram. Seus padres construiram escolas e hospitais, educaram as pessoas. Eventualmente, quando as igrejas protestantes ficaram tão carcomidas pelo marxismo, pelo marxismo-cultural, pela egolatria, e pela nova-era, que se tornaram em grande parte disfuncionais, o catolicismo (que também estava tomado de todos esse males, mas talvez um pouco menos) acabou servindo como esteio para atrasar um pouco a transformação do país numa ditadura socialista. Mas já é a vigésima tercerira hora...

    PS: Se dentro dos EUA os batistas tiveram menos valor na promoção da melhoria social, em muitos outros países seus missionários fizeram grande diferença na implantação de escolas e hospitais, coisas que aquelas populações nunca tinham visto.
  • Sérgio  26/01/2013 04:25
    Os homens têm de acreditar que aquilo que eles fazem como indivíduos irá fazer alguma diferença no futuro. Eles têm de acreditar que deixarão algum legado. Eles têm de acreditar em alguma forma de crescimento a taxas compostas. Se eles não acreditarem nisso, então o incentivo para se construir um futuro melhor é mínimo. A filosofia passa a ser: coma, beba e seja feliz, pois amanhã estaremos mortos. Isso sempre leva à estagnação.

    Eis a importância de famílias estruturadas. Infelizmente, a geração moderna segue a filosofia do "coma, beba e seja feliz". Pois hoje em dia, não há incentivos para formar uma base social sólida, ou seja, não há incentivos para o homem formar família e construir um patrimônio que será ampliado pelos herdeiros. Por que o cara vai casar e formar família, ter uma visão de futuro e deixar um legado para seus descendentes continuarem e ampliarem, se pode muito bem ganhar o suficiente para passar a vida na libertinagem? É o que ocorre hoje.
  • Renato Souza  26/01/2013 13:06
    Um dos motivos pelo qual os homens, principalemente na Europa e EUA, tem fugido de constituir família, é o fato de que, cada vez mais, seus direitos não são reconhecidos em caso de separação. Um homem pode se tornar extremamente pobre através de casamento + divórcio. É claro que é do interesse dos engenheiros sociais criar o máximo de atrito de desentendimento entre as famílias, porque a família é considerada um concorrente para o poder do estado. O estado se torna o "marido" das mulheres separadas e o "pai" de seus filhos, cabendo ao ex-marido apenas o dever de pagar dinheiro mensalmente à sua ex-mulher, pelo resto da vida.
  • anônimo  26/01/2013 23:35
    Só pra esclarecer uma dúvida. Dizem que para um país enriquecer, é preciso haver liberdade econômica. A Irlândia Medieval dos Brehon e a Islândia Medieval foram semi-libertárias. O que torna possível concluir que tinham mais liberdade econômica. Então, por que estes aíses não ficaram ricos? Pois os Reinos mais ricos daquele período foram o Império Bizantino e o Reino Franco (Paris era considerada a Nova Atenas), ou seja, tinham muito mais intervenção estatal do que a Irlanda e a Islândia. Como se explica isso?
  • Renato Souza  27/01/2013 13:27
    O Império Bizantino era muito mais antigo que todos os países europeus. E a França era um dos mais antigos países europeus. Islândia e Irlanda eram relativamente recentes nessa época. Islândia havia sido povoada recentemente, e Irlanda, durante muito tempo, havia um país distante (portanto com menos comércio e menos intercâmbio de informações) e com métodos de produção antiquados.

    Adam Smith faz uma clara distinção entre os tipos de sociedade, e a gradação na produção de riquezas:

    1. Sociedades de caçadores (e coletores). Produzem pouquíssimos recursos por área e por pessoa. Portanto, são "países" pouco habitados, com pouca produção total de riqueza, e baixa produtividade. Todo o trabalho é feito apenas para produzir os bens mais básicos;

    2. Sociedades de pecuaristas (no sentido antigo, de criação extensiva, geralmente acompanhadas de pequenas roças de subsistência). Maior produção de alimentos por área, o que resulta em poder se alimentar muit mais gente. Além disso, nem toda a população tem de se dedicar à produção de bens básicos, porque a produção por pessoa é maior (maior produtividade). Logo, parte da população de dedicará à produção de novos bens e serviços, o que tornará a sociedade mais rica;

    3. Sociedades com produção de alimentos por meio da agrícultura (eu acrescentaria, com criação de gado intensiva ou semi-intensiva). Grande produção de alimentos por area e por trabalhador. Grande parte da população se dedica à produção de outros bens e serviços. Grande potencial de riqueza.

    Além dessa gradação, existe a gradação na melhoria dos métodos, melhoramento das terras, melhoramento das indústrias, melhoria da infra-estrutura, melhoria da educação. Note-se que em tempos antigos, essa gradação exigia, às vezes, séculos. Sociedades que saíram mais cedo dos métodos menos produtivos, são potencialmente mais ricas. É claro que outros fatores podem prejudicar o enriquecimento: revoluções, guerras, catástrofes naturais, governantes altamente prejudiciais. Vemos aqui na América Latina, dois países que estavam entre os mais desenvolvidos do mundo, no início do século XX, e hoje são paísinhos de terceiro mundo: Cuba e Argentina. Tivessem continuado seu desenvolvimento normal, hoje seriam mais ricos que a Suiça ou a Coréia do Sul (que era um país muito pobre há algumas décadas, mas enriqueceu rapidamente importando métodos e capitais, cobrando impostos relativamente baixos, não adotando uma burocracia asfixiante, e permitindo o amplo comércio).
  • Daniel  27/01/2013 12:01
    Tiago Moraes, poderia me explicar como você fez essa conta? Pois se eu dividir um trilhão de impostos por duzentos milhões de habitantes(arredondando) terei cinco mil reais para cada pessoa e não um milhão como dissera. Abraço!
  • Dúvida  04/11/2019 20:47
    Off

    Aos que possuem o domínio da TACE:

    Deparei-me com está notícia recentemente:

    epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2019/11/epoca-negocios-lancamento-e-venda-de-imoveis-batem-recorde-em-sao-paulo.html

    Decidi comparar os gráficos da Taxa de Juro e do M2 por mera curiosidade:

    pt.tradingeconomics.com/brazil/interest-rate

    pt.tradingeconomics.com/brazil/money-supply-m2

    Resumindo: a Selic caiu e a oferta monetária vem subindo consideravelmente.

    Há alguma relação disso com esse recente "boom imobiliário" em São Paulo?

    Estamos presenciando o início de um novo ciclo econômico?
  • Ninguém Apenas  04/11/2019 22:59
    Eu não sei se o M2 é um bom indicador para analisar isso. O M2 continuou a crescer mesmo em uma época de intensa crise e inédita deflação monetária. Ele crescer de forma um pouco mais intensa agora que a deflação terminou não realmente significa uma expansão do crédito. Seria necessário dissecá-lo.

    Este indicador aqui "Loans to private sector" segue em contração e está no mesmo nível de 2012, e provavelmente cairá ainda mais.

    tradingeconomics.com/brazil/loans-to-private-sector

    Ao mesmo tempo, esse indicador aqui "Private Sector Credit" voltou a crescer em 2018 e segue na mesma taxa:

    tradingeconomics.com/brazil/private-sector-credit


    Agora, será que o Leandro poderia nos dizer porque essa diferença entre eles? kk

    Eu utilizo o "Loans to Private Sector" como parâmetro, mas esse outro indicador não sei a diferença, nem qual é o mais indicado para saber se está ou não ocorrendo uma expansão de crédito.

    Ajuda nós aí Leandro, pf kkk
  • Fan do IMB e Aprendiz  04/11/2019 23:42
    Tenho essa dúvida também, no aguardo....

    Acho que o Leandro disse a outro leitor (posso estar enganado) que não se trata de um novo ciclo.
  • Leandro  05/11/2019 01:02
    Este é o gráfico que vocês têm de olhar.

    ibb.co/Kzz2xX2

    Observem que há uma inflexão a partir de 2018. Até então, o crédito imobiliário vinha desacelerando. Aí, a partir de janeiro de 2018, ele volta a acelerar. No momento, ele aparenta estar crescendo a uma velocidade constante. Ainda não se nota uma aceleração (o que deixaria a curva com um crescimento exponencial). Mas ainda é cedo para vaticínios.

    Há, sim, perspectivas de crescimento exponencial, principalmente com a nova política da Caixa de conceder financiamentos corrigidos pelo IPCA, que tende a ser baixo (em termos de Brasil) no futuro.
  • Ninguém Apenas  05/11/2019 14:55
    Leandro, e se eu quiser ver a expansão geral do crédito, não só o habitacional?

    Qual seria o gráfico?
  • Leandro  05/11/2019 16:33
  • Fan do IMB e Aprendiz  05/11/2019 17:55
    Leandro, então essa aceleração no setor de construção através de crédito etc é um crescimento sustentável e não um boom and bust?

    Porque o crédito privado já ultrapassou o público, as poupanças e conta corrente estão mais cheias....
    Estamos vendo um movimento de mercado mesmo?

  • Dúvida sanada  05/11/2019 21:31
    Valeu.
  • Sérgio  04/11/2019 22:16
    Este foi um dos piores textos que eu lí aqui. Enaltecendo a Deforma Protestante, principalmente a perpetrada pelos calvinistas. A verdade é a seguinte:

    1) Segundo Max Weber, para o calvinismo a riqueza é uma bem-aventurança e um sinal de predestinação. Essa crença teria levado os calvinistas a procurarem o sucesso comercial e influenciado a gênese do capitalismo. Embora seja uma posição tremendamente simplista, há algo de verdadeiro nisso. Ainda que se admitisse ser essa tese totalmente verdadeira, ela mostra apenas como para o calvinista a caridade é inútil, pois os pobres, além da miséria desta vida, já são predestinados ao inferno. Isso está bem de acordo com a mentalidade capitalista bruta, de só valorizar o lucro comercial.

    2) Quanto ao resultado histórico desse processo, o argumento é grosseiramente falso: o Brasil no período colonial era muito mais rico que os EUA. A França era a nação mais rica do mundo. Os países de forte influência colonial católica são todos hoje, senão ricos, pelo menos culturalmente avançados (Brasil, Chile, Uruguai) enquanto muitos países de colonização protestante continuam na semi-barbárie (como a Nigéria, Botswana, Ruanda, etc.). Tome-se como exemplo a comparação entre o Equador e a Guiana Holandesa.

    3) Em alguns dos países protestantes que se tornaram ricos, é preciso não desconsiderar um fato importante: a grande riqueza desses países pode ser explicada também pelo fato de que os grandes banqueiros do mundo nos séculos XVI e XVII eram judeus, e seus bancos se situavam em Londres e Amsterdam. Nesses casos, a riqueza dos protestantes não é propriamente protestante, e sim judaica.

    4) De qualquer forma, ainda que se admitisse que o argumento protestante fosse verdadeiro, o que ele provaria? Que o protestantismo é uma forma melhor de produzir dinheiro que o Catolicismo. Mas e daí? É esse o objetivo da religião? Esse espírito está de acordo com o Evangelho? Se bem que eu me esquecí que estou num site que só se preocupa com dinheiro, não se preocupa com outras questões.

    Para terminar, indico o livro do Pe. Leonel Franca, "A Igreja, a Reforma e a Civilização", no capítulo "A grandeza econômica e política das nações", que trata largamente do assunto, dando bons argumentos.
  • Mallandro  05/11/2019 00:41
    Já esse foi o "melhor" comentário que eu li: "melhor" no sentido pejorativo, pois você quis refutar algo, mas, nas entrelinhas, acabou simplesmente confirmando ainda mais tudo o que foi dito no artigo.

    Basta ver o seu próprio item 4, que simplesmente refuta tudo o que você próprio disse, e acaba confirmando o ponto do artigo – o qual, aliás, nada tem a ver com religião, mas sim com economia.


    Dica 1: a religião dominante na Nigéria é o islamismo. Em Ruanda, a maioria é católica. Já em Botsuana, de fato, a maioria é protestante. E adivinhe só? Trata-se do país que mais prosperou naquele continente.

    Dica 2: se formos realmente levar a sério a sua afirmação de que o Brasil era mais rico que os EUA no período colonial, a pergunta se torna inevitável: por que ele deixou de ser? E por que a França apanhou para o Reino Unido? Aliás, qual foi a grande invenção dos franceses, que elevou o padrão de vida da população mundial?

    Dica 3: é sério que você realmente acredita que Holanda e Reino Unido enriqueceram apenas porque havia "banqueiros judeus"? Israel, então, deveria ser uma potência mundial. Aliás, será que Hong Kong e Cingapura, favelas até a década de 1960 e hoje com renda per capita maior que EUA e Reino Unido, também enriqueceram por causa de "banqueiros judeus"? Por fim, já que o segredo para um país virar uma potencia é ter "banqueiros judeus", então parece que todos os problemas do Brasil já estão resolvidos, não? Vamos liberar a abertura de bancos para os judeus e, em 10 anos, superamos a suíça.


    É cada coitado que despenca por aqui...
  • Sérgio  05/11/2019 21:28
    1) Tenho que admitir que errei. Mas com um porém: a Nigéria, o norte é muçulmano e o Sul é "cristão", mas a grande maioria dos "cristãos" do sul da Nigéria é protestante. Em Ruanda, 43,7% da população é católica e 3,7% é protestante. Uganda tem uma ligeira maioria católica. Mas de qualquer maneira, outros países que foram colonizados por protestantes (e ainda são protestantes) hj ainda são muito pobres: Zâmbia, África do Sul e a citada Botswana.

    2) Aonde a França "apanhou" para o Reino Unido? A França possui um IDH melhor do que o Reino Unido, PIB per capta quase igual. Além disso, na Revolução Industrial, antes de James Watt, a França foi um dos primeiros a inventar veículos movidos a vapor (google por Joseph Cugnot).

    3) E sim, a Holanda e a Inglaterra enriqueceram por causa dos banqueiros judeus. E outra coisa que eu não mencionei, enriqueceram também porque praticaram pirataria (os ingleses saqueavam os galeões espanhóis que transportavam ouro, prata, pesquise sobre um tal Francis Drake que é considerado um "herói" dos ingleses, pesquise tb sobre a derrota da Invencível Armada Espanhola pelos ingleses. Sim, tudo isso favoreceu o Império Britânico).
  • Luciano  05/11/2019 23:06
    Entenderam? A Inglaterra é o que é porque teve "banqueiros judeus" e "piratas"...

    Ah, e a França é muito mais rica que a Inglaterra. (O fato de a França ser majoritariamente ateia e muçulmana é algo que fará o cidadão acima ter uma eclâmpsia quando descobrir isso).

    As insanidades que uma pessoa se vê obrigada a afirmar apenas para tentar sustentar um furado ponto de vista ideológico/religioso são um fértil material de estudo para a futura ciência da "vergonha alheia".
  • Sérgio  07/11/2019 22:49
    Aprenda a interpretar um texto Eu nunca disse que a França era "muito mais rica que a Inglaterra". O que eu disse é que são do mesmo nível. Ambos são países desenvolvido. De qualquer maneira, a própria Áustria onde Mises nasceu, e é um país rico, tb é católica. Portanto, não venha com esse papo de que "os protestantes são melhores geradores de riqueza que os católicos", que comigo não cola não.
  • Estado o Defensor do Povo  05/11/2019 02:09
    Na LibertyCom teve umas palestras ridículas, não teve um que teve como tema o "ataque do bolsonarismo contra a democracia"? Que merda hein, a régua pra liberdade esse ano foi baixa pelo visto.
  • Marcos  05/11/2019 13:43
    Ué, quer dizer então que atacar a democracia significa atacar a liberdade? Você é um defensor da democracia? Se sim, meu amigo, você está no site errado. Terá um enfarte fulminante caso descubra o que este site pensa sobre democracia. (Não leia caso seja fraco).
  • Estado o Defensor do Povo  05/11/2019 14:34
    kkkkkkk vcs não conseguem interpretar texto mesmo, a minha crítica é justamente essa, o tal maluco que fez essa palestra foi o Andreazza, e disse que o "ataque à democracia" é algo ruim, e não algo bom, vcs não sabem nem do que tão falando, o certo é defender a propriedade privada, e não pombas de democracia, kkkkkk.
  • Régis  05/11/2019 13:46
    Bolsonaro ataca a democracia? Então isso já faz dele o presidente mais libertário da história recente. Se começar a defender a monarquia, ou a secessão, ou as elites naturais, aí realmente o homem é um visionário.

    P.S.: nêgo vir aqui bater pezinho porque um evento libertário (o qual eu nem conheço) não defendeu a democracia mostra duas coisas: eles estão no caminho certo, e tem leitor aqui que tá perdidinzinho.
  • Gustavo A.  05/11/2019 14:57
    Você não viu a palestra do Andreazza? Foi basicamente isso. Fora essa, teve Elena Landau, Pérsio Árida e Joel Pinheiro, foi protestar pelo meio ambiente com os malucos no MASP e não assistiu as palestras?
  • Milton Friedman Cover's  05/11/2019 06:24
    Interessante, o texto. Mas riqueza e religião não tem ligação intrínseca. A Alemanha pré Lutero já era rica, próspera ( lembrando que eram duques se rebelando contra o rei Carlos Magno, daí o apoio da nobreza a Reforma Protestante, já que Carlos Magno era católico). Suíça ( dados de 2012), tem 38,2% da população de fé católica e 26,9% população de fé protestante. lembrando que tem 21,4% sem religião. Parece claro que a riqueza da Suíça não tem ligação com tipos de religião.

    Não existe no Código de Direito Canônico ( a "Constituição" católica), nenhum item que proíba ou condene a riqueza das pessoas. Como a Igreja Católica segue as Sagradas Escrituras ( Bíblia) na íntegra; e tanto no Antigo Testamento, extraído da Torá judaica ( onde é claro que não se cobiçará o que não lhe pertence), como no Novo Testamento ( Evangelho de Jesus Cristo e Apocalipse), e lembrando também que nos dois Testamentos não há uma única proibição à riqueza das pessoas, ao contrário; é estimulado o trabalho, poupança, investimento, etc., e também a caridade, algo voluntário, pois Deus dá às pessoas o livre arbítrio; Já que a Igreja Católica segue desde o início a Bíblia que foi compilada por monges em monastérios por toda a Europa, é de se entender que o catolicismo, tal qual o protestantismo, defende a produção e estímulo da riqueza dos povos (pessoas) desde sempre.

    Aliás, quando aqui chegaram as naus portuguesas cheias de cristãos católicos, vieram buscar e produzir riquezas para a Metrópole na Europa, claro, de uma forma bem arcaica, dada as peculiaridades da época, dentro de uma mentalidade capitalista/liberal.

    Afirmar taxativamente que a riqueza surgiu por obra do Protestantismo é um grande exagero.

    É evidente também que Jesus Cristo nunca foi socialista, comunista, como dizem as esquerdas ateias, mas que defendem a Teologia da Libertação, grupo esquerdista, que contamina a Igreja Católica na atualidade ( mas não é correto afirmar que a Igreja Católica defende o socialismo e sim, que existe um grupo de esquerda e esse grupo é criticado, condenado pela grande maioria dos fieis católicos).

    Nações enriqueceram e seguem prosperando livres de Estado opressor, independentemente do ramo religioso que seguem ou tem população majoritariamente ateia. Salvo, é claro, grupos islâmicos, que não cabem em uma discussão sobre livre mercado.

    Não foi uma crença em único Deus, seja crença Protestante ou Católica, que levou o homem a crescer e prosperar. A busca pessoal por uma vida digna e uma sociedade/economia livre e constantemente próspera, é realmente o mais importante aqui. E isso não tem relação com a religião pessoal, mas com a natureza humana.

    Lembrando que o Judaísmo não é "apenas" religião, mas uma etnia. Não é certo relacionar prosperidade do povo judeu se fixando apenas na sua religião.

    Abraços.
  • Deirdre's fan  05/11/2019 13:42
    Noto que até mesmo entre alguns leitores deste site - que, em minha opinião, reúne o que há de melhor (na medida do possível) em termos de intelectualismo na internet – há severas dificuldades de interpretação de texto. Ou seria um mero preconceito da parte deles?

    O artigo não é sobre religião. Você não encontra um mísero trecho sobre doutrinas, evangelhos, cânones etc. O artigo é única e exclusivamente sobre mudanças de mentalidade e como isso exerceu enorme influência sobre alterações na economia.

    Isso, aliás, é algo bastante lógico e sensato. Diria até mesmo que é totalmente dedutivo. Mudanças de mentalidade geram mudanças de atitude, as quais, por sua vez, têm profundos impactos sobre poupança, investimento, produção e consumo. É ação humana pura. É preferência temporal.

    Por fim, a criadora desta tese, Deirdre McCloskey, nada tem de religiosa (pesquise sobre a vida dela e surpreenda-se).
  • Heron  05/11/2019 12:34
    china como exemplo , nao
  • anônimo  05/11/2019 13:42
    A bola tá com a china. Os europeus passaram ela. Agora eles não vão mais ser a vanguarda. Um ou dois países europeus vão continuar na vanguarda, mas nao todos
    A prosperidade vem quando todos trabalham, a decadência vem quando o parasitismo se instala. Quando um número da população muito alto se torna parasita, o setor produtivo sangra. E a prosperidade vai embora. Os produtores geram riqueza. Já os que só queem receber, sem dar nada em troca da sociedade somente sugam.
    O capitalismo chinês atual e composto Deum bilhão de pessoas empreendendo. E com o numero de paraitas caindo, a relação produtividade cresce. É a receita da prosperidade.
    O Brasil com encolhimento do setor produtivo e aumento da social democracia, está na direção oposta.
  • Pobre Mineiro  05/11/2019 15:33
    Na China não existe previdência, logo eles não terão esse grande fantasma que assombra todos os países ocidentais.
    Nem tem sindicatos, de profissão nenhuma, outra entidade do mal.
    Universidades chinesas não possuem DCE, Une, etc...
    Lá não tem eleições, outro desperdício de tempo e de dinheiro, além de jogar uns contra outros.
    Lá não tem politicamente correto, militâncias, movimentos de ações afirmativas, e outras bobagens que só servem para fragmentar ainda mais a sociedade.

    A China é comunista só no nome, e capitalista até a alma.
    Não há nada atualmente que possa parar a China, nem uma quebradeira geral no sistema bancário e estouros de bolhas, isso no máximo atrasaria a ascensão da China. Uma quebradeira no sistema bancário chinês levaria o povo a usar maciçamente as cripto moedas, e isso seria ótimo.

    Me atrevo a dizer que o primeiro país no mundo a alcançar o ancapistão será a China, pois os chineses no geral não confiam no seu governo, muitos não acreditam mais em governos, e isso é ótimo !!.
    Agora tente explicar para um europeu, americano, japonês, suíço, etc... que governos não prestam... kkk boa sorte, eu já tentei e fiquei surpreso de como eles são gados.
  • Guilherme Pupo  05/11/2019 18:16
    Não pude deixar de lembrar de Hans Hermann Hoppe, em Democracia o Deus que Falhou, ao demonstrar o quanto as Democracias alteram as preferências temporais das pessoas, especialmente quando refletem um crescimento do estatismo.

    A criação e acumulação de riquezas estão intimamente relacionadas ao quanto às pessoas estão dispostas a se sacrificar em favor de um projeto pessoal ou coletivo que, em regra, se concretizará em um longo prazo.

    Ao que parece, para suportar a espera pela realização de projetos que levem à prosperidade, é necessária uma crença, especialmente quando se trata de uma comunidade.
  • Milton Friedman Cover's  05/11/2019 19:36
    Boa tarde.

    Em nenhum momento eu afirmo taxativamente que o texto associa o Capitalismo ao Protestantismo. Em verdade eu respondi de uma forma genérica a todos aqui, pois já vi muitos liberais afirmarem que os países Católicos são pobres por causa do Catolicismo. Inventaram uma "história" que o Catolicismo afirma que nós devemos apenas nos preocupar com a alma e jamais com a sobrevivência e manutenção do corpo, isso é uma grande falácia. O Catolicismo diz que o mais importante é a alma, pois essa é eterna e será julgada por Deus. O corpo que nos foi dado por Deus deve ser preservado sempre e só podemos preservar o corpo ao máximo, se buscarmos meios materiais para isso, já que o Pai não nos dá alimento material. E a forma correta de buscar a manutenção e sobrevivência do corpo é trabalhando, produzindo, economizando, investindo, etc., e não ficar tirando do Estado a nossa sobrevivência como se fôssemos eternos bebês.

    Eu sei interpretar textos, não é preconceito ou ser anti Capitalista da minha parte ( se o fosse, não usaria o pseudônimo que uso e nem viria a este site ler e comentar. Sou anti esquerda e nunca visito sites esquerdistas, isso seria no mínimo uma grande burrice ou masoquismo. Sou liberal na economia ao máximo possível, por isso venho beber dessa fonte aqui).

    Sim, mudança de mentalidade é excelente e necessário para não apenas sobreviver, mas crescer e contribuir para uma sociedade mais liberal economicamente. Quem muda de mentalidade descobre que o comunismo/socialismo é um grande mal que deve ser combatido com rigor, claro, dentro de um debate racional, jamais pela força ( a força só deve ser usada como único recurso, como já aconteceu em países ameaçados pelo comunismo/socialismo). O que afirmo é que essa mudança de mentalidade não está associada à religião da pessoa, pois religião é para cuidar da alma, não do corpo, como bem afirmou o Papa Leão XIII.

    Se a autora da tese é religiosa ou ateia, isso é totalmente irrelevante, caro/cara missivista. Não é isso que eu questionei no meu texto, mas sim que Capitalismo/Liberalismo estão acima de questões religiosas. Realmente, mudança de mentalidade é do interesse comum e da condição humana, como você descreveu aqui e isso é o mais importante.

    Repito que o meu texto foi uma resposta geral àqueles que associam Liberdade, Capitalismo com a condição de ser Protestante e não Católico, como vi em algumas opiniões aqui e vejo em outros sites, estudos e debates intermináveis sobre essa associação, Capitalismo/Liberalismo/Protestantismo/Catolicismo.

    E claro, não são os Cânones que determinam isso, mas é importante citar, lembrar que os Cânones Católicos, assim como os escritos Protestantes, a Torá judaica, defendem a liberdade de criar, construir, poupar, investir, produzir, empregar, exportar, importar, etc.

    É interessante ter na mente que a Ideia Liberal, Capitalista está apoiada nas Sagradas Escrituras, até para responder aos comunistas/socialistas que afirmam o contrário.

    Sim, ser Liberal/Capitalista não está condicionado a ter ou não uma religião e sim, pensar na nossa sobrevivência e de toda a raça humana.

    Foi o que tentei passar em meu texto aqui. Se não ficou claro esse pensamento, peço desculpas ao/a missivista e demais leitores desse excelente site.

    Abraços.
  • Anderson  07/11/2019 11:32
    De certa forma, religião influencia, sim, no resultado. Veja o caso dos anabatistas; estes são povos que têm uma visão muito forte da igreja primitiva descrita em Atos dos Apóstolos, pelo menos na parte que se refere à vida comunitária. Os anabatistas, consequentemente, acabam por ter uma economia "autossuficiente", isto é, vivem de maneira simples, mas sustentável - este último termo no sentido de conseguir se manter.

    Mas, além dos anabatistas, de certo outro tipo de influência causado pela novidade em se viver uma nova realidade aconteceu. Os protestantes ajudaram a trazer certa mudança de mentalidade devido à ruptura com a igreja católica. A fim de se diferenciarem dos outros - geralmente é o que ocorre com grupos separatistas -, novos posturas foram adotadas, como a diminuição de rituais e celebrações e uma vida mais regrada - é o caso do pietismo e puritanismo; tais mudanças ajudaram a ter um povo com mais potência econômica, mas que ainda assim não foi completamente determinante para a futura revolução industrial do século final do século XVIII e começo do século XIX.

    Enfim, posteriormente, essas rupturas e novos costumes foram até mesmo associados não apenas pelos católicos como, também, a povos de outras culturas distantes.
  • Yuri  06/11/2019 03:13
    Pergunta off topic:

    A França atualmente é um a social democracia com altíssima carga tributária, ambientalismo radical, deficit fiscal elevado, etc... ..hoje a economia da França está estagnada.

    Mas o que permitiu a França chegar ser um país rico/desenvolvido? O país teve um passado de maior liberdade econômica durante algum tempo e enriqueceu durante esse período ? (mais ou menos igual aos países escandinavos)
  • Wesley  06/11/2019 13:58
    Alguém poderia me ajudar? Estou em dúvida entre os cursos de adm e gestão empresarial
  • Guilherme  06/11/2019 14:04
    Em ambos você não irá aprender nada de efetivo. Isso você só conseguirá na prática. Cole em algum conhecido que seja um bom administrador e absorva ao máximo o que ele tem pra ensinar. E aí então faça qualquer um dos dois cursos. O diferencial não está na sala de aula, mas sim no conhecimento prático.
  • Wesley  06/11/2019 14:17
    Obrigado.


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