Quando estava no meu primeiro ano da pós-graduação,
foi-me concedida a tarefa de ler a famosa monografia de George Akerlof, “O Mercado dos Limões“,
a qual havia sido publicada no The Quarterly
Journal of Economics em 1970, e desde então é tida como um trabalho
clássico.
O trabalho é bastante interessante e até mesmo
intelectualmente instigante. “Limões” é altamente lido, ao contrário
da maioria das coisas que são publicadas hoje nos “principais”
periódicos acadêmicos sobre economia. Ademais, o trabalho representou uma
bem-vinda ruptura com a tese da “informação perfeita”, a qual dominou
a economia neoclássica desde a época de Alfred Marshall.
O tema da “informação imperfeita”
defendida por economistas é o seguinte: os indivíduos que interagem no mercado
não dispõem de toda a “informação perfeita” que é necessária para
fazer com que os mercados funcionem de maneira adequada, como indicado pelo
ponto de equilíbrio demonstrado na famosa Interseção Marshalliana,
em que oferta e demanda sempre se igualam. Considerando-se, portanto, que
há essa “falha de mercado”, o que os indivíduos devem fazer para que
os mercados funcionem?
Ademais, os mercados também são flagelados
pela assimetria de informação, que é o que ocorre quando a
informação necessária para que compradores e vendedores cheguem ao
“equilíbrio” não está igualmente distribuída entre todos os
participantes de mercado. Akerlof fornece o exemplo do mercado de carros usados
— daí o “limões” do título de sua monografia; “limões” são
uma gíria para carros usados em mau estado, mas que apenas os donos sabem dessa
condição.
[Para o Brasil, o termo mais correto seria “abacaxi“, e este será o termo
usado no restante deste artigo].
De acordo com um ditado popular sobre o mercado de
carros usados, quando alguém compra um carro usado, ele “está comprando os
problemas de outra pessoa”. Os compradores de carros usados possuem muito
menos informação do que os vendedores sobre quais carros são
“abacaxis”. O que parece ser um bom carro no estacionamento da
revendedora pode perfeitamente acabar se revelando uma tremenda barca furada
tão logo o novo proprietário o estiver dirigindo no centro da
cidade.
A perspectiva de um carro usado acabar se revelando
um abacaxi pode gerar uma espiral catastrófica no mercado de carros usados. Por
causa dessa incerteza, compradores serão mais relutantes a pagar bem por um
determinado carro usado, sendo que, caso eles de fato soubessem com certeza que
o carro que estão comprando não é um abacaxi, estariam dispostos a pagar mais.
Em consequência dessa relutância em se pagar mais,
os vendedores retirarão seus melhores carros do mercado, dado que consideram
que os preços oferecidos são inadequados. Isso, por sua vez, induz os
compradores a oferecer preços ainda menores, já que, com os melhores carros
fora do mercado, as chances de se adquirir um abacaxi aumentam
substancialmente.
Essa espiral descendente ameaça destruir esse
mercado por completo.
Note que todo o problema se originou de um fato: os
compradores desconfiados decidem que não há como saber se o carro é bom ou
ruim, e os vendedores são incapazes de persuadi-los do contrário. Daí a teoria
da “informação assimétrica”: uma situação em que o vendedor ou o
comprador possui alguma informação importante que o outro lado não possui.
A solução apresentada pelos economistas seguidores
dessa teoria é que o governo imponha novas regulamentações ao mercado. A
regulamentação, argumentam eles, obriga todos os lados a fornecerem todas as
suas informações. Ademais, “leis anti-abacaxis” que obriguem os
vendedores a restituir os compradores caso o carro não corresponda ao esperado
irá impedir que o mercado entre em colapso.
O consumidor e o empreendedor
Essa análise econômica da informação imperfeita foi
criada com a intenção de abolir da ciência econômica os modelos irrealistas de
“concorrência
perfeita“, modelos estes nos quais não há “falhas de mercado”
e todos os lados obtêm todas as informações necessárias.
Akerlof nem de longe foi a primeira pessoa a
explorar esta área. Ludwig von Mises, F.A. Hayek, Murray N. Rothbard e
Israel Kirzner já escreviam sobre isso antes de Akerlof publicar seu ensaio. (O
artigo de Israel Kirzner de 1976, Knowing about Knowledge: A
Subjectivist View of the Role of Information, é um ensaio bastante superior
ao dos limões. Foi
publicado no livro Perception, Opportunity, and Profit:
Studies in the Theory of Entrepreneurship. Kirzner e os outros austríacos
sabem que a informação imperfeita é parte inerente ao processo de mercado, e
não um obstáculo ao funcionamento do mercado.)
Não apenas isso, como também a análise austríaca é
muito superior a tudo o que foi escrito pelo trio Nobel, pois os seguidores da
Escola Austríaca reconhecem o papel do empreendedor em lidar
com as realidades da informação imperfeita.
De acordo com Akerlof e outros, os participantes do
mercado, ao lidarem com as realidades da informação imperfeita, têm pouco ou
nenhum incentivo para adquirir mais informações para si próprios. Eles estão
“empacados” em um desequilíbrio que não pode ser corrigido — isto é,
não pode ser corrigido a menos que o governo venha ao socorro.
Porém, tanto a teoria quanto uma simples observação
prática mostram que Akerlof está errado.
Em primeiro lugar, o livre mercado possui meios para
fornecer informações para aqueles que delas precisam. Por exemplo, empresas
frequentemente oferecem todos os tipos de suporte aos seus produtos para
mostrar que elas creem que seus produtos são dignos de serem adquiridos. Elas
oferecem garantias e concedem reembolso para proteger os consumidores contra
eventuais defeitos e para garantir que eles fiquem satisfeitos.
Se os compradores de carros querem ter mais
informações sobre carros usados, por que eles não conseguiriam obtê-la? Há
várias maneiras de isso ser feito.
Tenho um conhecido que é especialista em assuntos
automotivos. Frequentemente ele é chamado por seus amigos, e por amigos de seus
amigos, para acompanhá-los até uma revendedora para analisar os carros lá
vendidos. Ele leva consigo algumas ferramentas para testar a qualidade do carro
e constatar a veracidade das informações fornecidas pelo vendedor. Dentre outras
coisas, ele leva um ímã, o qual ele desliza ao longo do carro para descobrir se
a lataria já foi danificada e se o vendedor utilizou alguma substância à base
de fibra de vidro para cobrir os amassados.
Especialistas como esse meu amigo podem ser livremente
contratados para ir às revendedoras e “equalizar” um pouco a
assimetria de informações.
Ademais, vale notar que o mercado de carros usados
nunca entrou em colapso em nenhum lugar do mundo (ao menos, não nas economias
razoavelmente desenvolvidas). Em vários locais, inclusive, ele é ainda mais
dinâmico do que o mercado de carros novos [como aconteceu no Brasil na
década de 1980, durante
o Plano Cruzado]. Outra pergunta que vale ser feita é: por que se
pressupõe que os vendedores dos melhores carros, ao estabelecerem seus preços,
não irão levar em conta a falta da informação dos compradores?
É quase impossível encontrar uma transação na qual
os indivíduos possuam exatamente as mesmas informações. Assimetrias de
informações estão presentes em todos os lugares, e nenhum critério aceitável já
foi proposto para separar as assimetrias “aceitáveis” das
“inaceitáveis”.
Ademais, suponhamos que um determinado mercado
realmente entre em colapso, exatamente da maneira como Akerlof descreveu. Tal
colapso teria ocorrido em consequência das ações voluntárias dos consumidores,
que se recusaram a continuar comprando aqueles produtos. Qual o problema disso?
Tal atitude não viola direitos de ninguém. Logo, não haveria nenhuma
justificativa para pedir a intervenção governamental em um processo cuja
ocorrência se deu justamente de acordo com os desejos do público consumidor —
isto é, do mercado.
A
internet reduziu acentuadamente o problema
No mais, a própria internet já praticamente
solucionou o problema da falta de informação.
Empreendedores já criaram vários websites em que
consumidores fornecem suas opiniões sobre vários produtos e serviços,
atribuindo notas aos vendedores destes produtos e serviços. Os mais bem
conceituados prosperam e enriquecem. Os piores são expulsos, pois ninguém se
arrisca a fazer negócio com eles.
Há também vários websites em que vendedores e
potenciais compradores se “encontram” e fazem ofertas, expandindo
desta forma a concorrência e abrindo novos mercados para todos que quiserem
participar.
Com a difusão da tecnologia e dos smartphones, as
pessoas estão tendo acesso a inúmeras informações a custos cada vez menores.
As liberdades do consumidor são fundamentalmente
definidas pelo número de escolhas que ele tem disponíveis para si e pela
qualidade das informações sobre os produtos. Em ambos os quesitos, o oferta só
faz aumentar. Consequentemente, não só a facilidade de se conseguir serviços
bons é cada vez maior, como também as informações sobre cada um deles são cada
vez mais completas e acuradas.
Hoje, pela internet, podemos comparar preços e
produtos sem sair de casa.
Acesse o site da Amazon, do E-Bay [ou do Mercado
Livre] e de qualquer revendedora de carros usados e você poderá ler,
gratuitamente, milhares de opiniões sobre milhões de produtos e vendedores.
Dificilmente você fará um negócio às escuras. Você saberá exatamente com quem
está lidando. O custo da informação está caindo, e a informação é o bem mais
crucial de uma sociedade livre.
Se há algo que está aumentando em quantidade, e que
também está diminuindo de preço, esse algo é a informação correta.
Essa é a característica precípua de uma sociedade livre. E está sendo permitida
pela tecnologia. Simplesmente não há como burocratas do governo fazerem um serviço
melhor do que este.
O fato é que está ficando cada vez mais barato para
pessoas espertas e inteligentes terem acesso a informações confiáveis e gratuitas.
A internet e seus serviços que permitem classificar a qualidade dos serviços
reduziram acentuadamente o problema da assimetria de informação.
Em outras palavras, as pessoas sabem criar maneiras
de lidar com a questão da imperfeição das informações, as quais são, por si
sós, uma mercadoria escassa e valiosa. Negar tal fato é se negar a
examinar as transações que ocorrem no mundo real.
A
crença na infalibilidade de burocratas
A crença de que regulamentações governamentais podem
“solucionar” o “problema da informação” é risível, para não
dizer completamente fora da realidade do mundo.
No mínimo, o governo cria problemas
de informação, pois várias regulamentações proíbem as pessoas envolvidas em
transações de descobrir — ou agir de acordo com — fatos relevantes.
Um bom exemplo aconteceu há alguns anos, em
Washington, D.C. A câmara municipal promulgou uma lei que proibia os
planos de saúde de discriminar potenciais clientes com base em doenças já
adquiridas. Isto é, se um indivíduo já doente quisesse fazer um
seguro-saúde para ter menos gastos, ele não poderia ser rejeitado (que é
exatamente a mesma coisa de um indivíduo querer fazer um seguro anti-incêndio
enquanto sua casa está sendo destruída pelo fogo). Com efeito, pela lei,
as seguradoras nem sequer poderiam fazer perguntas às pessoas sobre questões
relativas à saúde. Algum tempo depois, os vereadores disseram estar
“estupefatos e furiosos” com o fato de os planos de saúde terem
ameaçado não mais emitir apólices para absolutamente nenhum habitante
da cidade.
Em
um recente artigo escrito por Robert Shiller — que escreveu, junto com
Akerlof o livro pró-regulação estatal Phishing for Phools — escreve que:
Embora confirmemos a importância dos
mercados livres, chegamos à conclusão de que a regulamentação do mercado tem
sido crucial, e acreditamos que isso continuará sendo verdade no futuro.[A teoria econômica convencional]
frequentemente ignora o fato de que, dada a natural debilidade do ser humano,
uma economia competitiva e desregulada irá inevitavelmente gerar uma imensa
quantidade de manipulação e engano.
É inevitável constatar a contradição central dessa
análise. De um lado, supõe-se que os mercados falham por causa da
“natural debilidade do ser humano”. De outro lado, assume-se que
a regulamentação, a qual tem necessariamente de ser implantada por
seres humanos com igual ou maior debilidade, irá de alguma maneira resolver
o problema.
Akerlof e Shiller simultaneamente demonizam os seres
humanos que operam no setor privado e idealizam os seres humanos que operam no
setor público.
Conclusão
O governo não tem como trazer mais certeza às
transações; na verdade, ele apenas piora tudo (como bem mostra o episódio da Carne Fraca).
A noção de que autoridades centrais podem corrigir
imperfeições de mercado pressupõe que essas autoridades sabem exatamente quais
medidas funcionarão melhor mesmo elas estando fora da experiência do
mundo real. É só a experiência de mercado, com o sistema de lucros e
prejuízos, que pode revelar dados sobre condições econômicas obscuras. E é
só assim que podemos saber como melhor lidar com estes problemas.
Em vez de indicar a necessidade de intervenções
governamentais, assimetrias de informação fazem com que o livre funcionamento
do mercado seja algo ainda mais importante. Tendo como guia a busca por
lucros e a aversão a prejuízos, empreendedores irão determinar os métodos menos
custosos para lidar com os problemas de informação.
Decretos governamentais podem até fazer com que
alguns se sintam melhores, na crença de que os problemas foram resolvidos. Mas
a ausência de cálculos de lucro e prejuízo nas decisões governamentais — para
não falar também da pressão de lobistas e grupos de interesse que pedem por regulamentações
(pois estas prejudicam
seus concorrentes) — faz com que a possibilidade de haver resultados
economicamente mais eficientes em decorrência das regulamentações esteja apenas
no campo das superstições.
Quando os indivíduos que atuam no mercado —
consumidores e vendedores — têm incentivos para transacionar, eles também têm
incentivos para criar mecanismos institucionais para facilitar essas transações
e torná-las mais confiáveis e seguras. A incapacidade de reconhecer e apreciar
estes mecanismos privados capazes de superar as assimetrias de informação é
exatamente o que leva a infundados clamores por mais regulações governamentais.
A vida é incerta, não importa como ela seja
vivida. A ideia de que o processo político, que é uma das coisas mais
volúveis da face da terra, pode fornecer as bases para a certeza e para a
estabilidade é uma ideia que só pode ser defendida por quem vive em alguma
espécie de dimensão paralela.
Esse artigo é excelente. Não apenas o tema e seu consequente desenvolvimento sob uma perspectiva laissez-faire estão muito bem feitas, mas a linguagem e a metodologia estão muito boas.
Excelente artigo.
Todo estudante de economia deve andar com ele a tira-colo pois enfrentará essa falácia nas salas de aula em algum monento.
Gostei do artigo.
Pode-se aplicar essa história do limão a quase tudo.
Quando duas pessoas se casam pode-se dizer que as duas partes não sabem tudo sobre o outro, quando passam a morar juntos vão descobrindo os “defeitos” em alguns casos isso invibializa a negócio (relação).
Muito bom, parabéns!
A morte e o pagamento dos impostos hehe…
Artigo fenomenal. Esse merece maior relevância. É importantíssimo para todo aquele que estuda a economia na universidade. Desmorona toda a argumentação desses caras…
Poxa… Já estou pensando no tema de minha monografia e gostei deste tema, meu problema é que certamente não terei um orientador a altura 🙁
Recentemente, a B2W, que comanda os site de vendas ‘Lojas Americanas’, ‘Submarino’ e Shoptime teve suas atividades suspensas no prazo de 72h, por não cumprir com os prazos de entrega dos produtos ou não ter nem ao menos entregue, podendo também sofrer multa de mais de 1 milhão. O fato é que esses casos aumentaram em quase 250% desde o ano passado.
A pergunta é: como o livre mercado resolveria esse impasse? Obviamente os consumidores que solicitaram os produtos no prazo não sabiam sobre esse elevado descumprimento dos prazos de entrega. Como os consumidores prejudicados resolveriam essa situação, sem o auxílio do estado?
O atraso via monopólio e incompetência dos correios realmente deve ser levado em conta.
“E como, exatamente, o estado fechar as operações destas empresas vai ajudar a acelerar o processo de entregas?”
R: Nesse caso, imagino que como os sites não terão pedidos no prazo de 72h, utilizarão esse período para efetuar as entregar em atraso, tentanto resolver o mais rápido possivel a situação penosa, buscando também não repetir esse problemas, por conhecer as penas.
Pode até parecer bem intencionada a pretensa ideia de que os governos podem controlar e melhorar as chamadas falhas de mercado, mas não é isso que o bom senso e a realidade tem nos mostrado. O artigo é muito bom e como diria o historiador David S.Landes “prefiro a verdade ao pensamento bem intencionado”.
Prezados Alexandre e Daniel, vocês sanaram minha dúvida! Valeu! A explicação teórica de Alexrandre e o exemplo prático do Daniel foram esclarecedores.
Bom texto!
Excelente artigo, lembrou-me que é na dimensao paralela que vivem nossos políticos e economistas.
Eu tenho uma dúvida sobre essa questão do livre mercado.
É natural que as pessoas deixem de comprar na B2W à medida que seus itens passarem a não ser entregues.
Porém, o mau atendimento de um hospital não geraria entregas atrasadas… geraria cadáveres. Ou seja, antes mesmo do mercado ter tempo para avaliar os serviços do hospital, pessoas teriam morrido. Poderiam ser 10, 100 ou 1000 pessoas. Quem sabe?
Sendo um governante, como lidar com isso?
Meses atrás fui “assediado” por duas operadoras de TV a cabo. Como já era e ainda sou cliente de uma delas ficava repassando informações custo-benefício até decidir pela melhor oferta. Uma informava as falhas da oferta da outra, por exemplo.
Estive num intercambio de informações assimétricas?
Seria a informação assimétrica mais uma lei universal a somar com as já estabelecidas leis de oferta e procura e da utilidade marginal decrescente além de outras?
Valeu Mises.
Gostaria de expor uma teoria que acabei de criar aqui (o uso da palavra criar pode ser indevido, mas considerem que foi pelo menos um desenvolvimento autônomo, ie, se eu não criei, pelo menos não copiei de ninguém) e gostaria de um feedback de meus amigos da escola austríaca.
Considerem a instituição cristã do Casamento. O período imediatamente anterior ao casamento é uma das formas mais antigas que a humanidade tem de lidar com a assimetria de informações antes de uma grande decisão na vida de um casal. O casamento em si é a consagração da união, mas o período anterior ao casamento é o período em que as partes se conhecem mais, em que avaliam se possuem projetos de vida compatíveis, formas de compreensão da visão que comunguem, etc. É essencialmente um período de compreensão do outro e a análise da viabilidade da vida conjugal. No catolicismo, por exemplo, defende-se a ausência de sexo antes do casamento. Do ponto de vista econômico, isso certamente foi (ao menos antes dos métodos anticoncepcionais) uma medida acertada para os casais, uma vez que o processo de conhecimento do outro poderia revelar uma união que não vingaria por presenças de incompatibilidades irresolúveis (imediatamente me vem a cabeça a imagem de um austríaco e uma comunista, a chance de não virar boa coisa é explosivamente grande), e essa fase de aprendizado mútuo evitaria uma união entre incompatíveis como seria o caso de uma criança nascida dessa união posterior entendida como indesejada.
A teoria em si então é: não só 1)a abstenção de consumo é salutar por possibilitar consumo futuro como também 2)a abstenção de fruição de coisas boas não monetizáveis pode possibilitar a fruição de coisas ainda melhores (ou a desistência de fruição de vivências piores) em decorrência de um ganho, no primeiro caso de poder aquisitivo futuro, e no segundo caso de informação relevante para decisões futuras. Evidentemente isso não derroga risco nem nada que já conheçamos.
Essa teoria parece ser, além de banal, um corolário quase que imediato da cataláxia. O que vocês acham?
Se o SUS fosse privado o “mercado” já teria fechado suas portas. Imagine um hospital privado “matando” tantas pessoas quanto o SUS, o que vc acha que aconteceria com ele ? muito provavelmente ninguem compraria seus serviços e passaria a usar do concorrente. Mas como o SUS é do estado e dinheiro publico não é de ninguem, ele pode continuar matando pq o pobre não tem escolha mesmo e para piorar mais ainda os burocratas brasileiros idealizam o SUS como um NHS.
Estive conversando com algumas pessoas, sobre esta questão das regulações em um contexto em que precisava comprar um medicamento oftalmológico a base de antibióticos.
Surgiu a questão das superbactérias, que a venda livre de antibióticos fez com que proliferassem. Sabemos que as doenças são muito democráticas, elas não respeitam o Direito Natural e infelizmente, por mais que um indivíduo seja sábio no uso de tais medicamentos, ele será afetado pelo comportamento da maioria que vem fazendo históricamente um uso abusivo.
O que vocês pensam a respeito desse assunto? Confesso que para mim é um caso bastante desafiador.
Superproteção ou Paternalismo: proteger alguém de tal forma que o impeça de desenvolver sua capacidade de proteger a si mesmo, neutralizando sua autonomia.
* * *
O tremendo sucesso de sites como o Mercado Livre já confirma que é besteira pedir regulação estatal no caso de informações imperfeitas.
Olá Boa Noite
Parabéns! Muito interessante seu artigo, fiquei curiosa sobre o tema. Mas tenho uma dúvida, você acredita ser desnecessária ou irrelevante a regulação de grandes empreendimentos que dizem respeito a uma parcela realmente grande da população, digo, gostaria que fosse falado sobre os limões da ANEEL por exemplo ou da ANATEL. Como você enxerga isso, quando o Governo representa parte da população na negociação de um serviço. Obrigada
A sua análise só é verdadeira em um mundo em que os jogos de poder são disputados por indivíduos com mesmas condições de força e influência. No mundo real, em que os jogos de poder são disputados por indivíduos com condições diferentes de força e influência, os indivíduos com maior poder o utilizam para manejar as “instituições” a seu bel-prazer (hoje, mais do que nunca, para concentrar informação). O fato de as informações serem concentradas dá tanto poder de barganha a uma das partes das relações econômicas que as soluções alcançadas nunca são eficientes. Diante desse contexto, há duas visões: os mercados são ineficientes, mas a atuação do governo os torna ainda mais ineficientes; os mercados são ineficientes e o governo deve atuar para restabelecer o equilíbrio informacional entre as partes. Todas as sociedades que deram certo estabeleceram parcerias duradouras entre o setor privado e o setor público: o setor privado era financiado pelo governo e levava as fronteiras de conhecimento a novos patamares; o governo "clusterizava" o conhecimento gerado pelo setor privado, o que possibilitava sua difusão a outros agentes econômicos, que poderiam levar, por conta própria ou com o apoio do governo, a nova fronteira de conhecimento a novos patamares. A soluções, na minha visão, não é difundir conhecimento à força, mediante pesadas regulações relativizadoras do direito de propriedade, mas criar meios (arranjos institucionais) pelos quais a difusão de conhecimento se integre à lógica de mercado. Só o governo consegue fazer isso.
O governo pode financiar mercados direta ou indiretamente: diretamente, via transferência de recursos. Indiretamente, via políticas econômicas protecionistas, que dificultam a entrada de produtos de competidores estrangeiros (criando, dessa maneira, um imposto social: há outros países que são mais eficientes na fabricação de determinado bem, mas as externalidades positivas geradas pelo processo de fabricação deste bem são tão grandes que vale a pena a sociedade sacrificar o seu consumo atual – afinal de contas, no D0, comprar de fora é mais barato que produzir aqui dentro – pelo investimento em conhecimento e potencial de inovação futuro que o “investimento” me trará).
As externalidades positivas geradas por esses investimentos são tão grandes que não há métrica que consiga quantificá-las: um exemplo disso é conseguir reter um gênio da eletrônica em solo brasileiro, por ser capaz de dar, a ele, um emprego digno aqui (o que não é o caso atualmente, já que ele não tem campo de trabalho no Brasil).
Gostei muito do artigo mas achei que após a segunda parte ele é muito carregado de opinião.
Dizendo que um artigo é superior a outro sem dizer o motivo, por exemplo.
Acredito que poderíamos ser mais receptivos a novos leitores apenas mostrando o caminho mas deixando o leitor chegar a conclusões por conta própria. Evitando conflitos ideológicos com afirmações subjetivas.
Em suma: aumentar a objetividade e deixar que a subjetividade do leitor preencha as lacunas.
É sempre bom ser consumidor da informação de vocês, espero que minha demanda não seja absurda. 😛
Abraço!
Não apenas Akerlof e Shiller endeusaram o estado e demonizaram o mercado. Jessé Souza em sua obra “A TOLICE DA INTELIGÊNCIA BRASILEIRA Ou como o país se deixa manipular pela elite” expõe a mesma linha de raciocínio. Um Mercado que corrompe, que cria monopólios e um governo que é vital para impulsionar os investimentos na economia.
Para ele é totalmente equivocada a ideia de endeusar o mercado e demonizar o governo.
Alguém que conhece a obra gostaria de acrescentar alguma coisa?
Abraço a todos
Luiz Novi
A solução: comprem carros novos da Ford, Chevrolet e outras marcas americanas.
Olhem que tragicômico: politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/oab-repudia-a-mao-pesada-do-estado/. Uma reserva de mercado garantida pelo estado e inserida bizarramente na própria constituição reclamando da mão pesada. haha
Acabo de ler no portal msn noticias, de fonte da exame.com, que uma advogada capixaba com passagem pelo governo e atualmente em um escritório paulista foi eleita a melhor advogada do mundo por uma organizaçãozinha das zoropa…
ah, pelo simples fato dela ter feito um cursinho em HARVARD…oque será que ela aprendeu lá? direito constitucional brasileiro? ou direito canônico?…gagaga
é inacreditável o mimimi…sem falar no nosso deliciosos complexo de vira-lata brasileiro
Conheço diversos juristas brasileiros que não precisaram sair do brasil pra serem brilhantes, já tendo escrito ótimos livros, com um nível de clareza e reflexão absurda, muito melhor que esse poveco aí que acha que só é bom se fizer cursinho de extensão nos EUA ou na zoropa…
Eu como operador do direito, cada dia mais me sinto convencido que o melhor modelo de governo é a Monarquia, com um pequeno e enxuto parlamento, e sem CADES, MPFS, TCU´S pra sugarem o dinheiro do pobre coitado brasileirinho que tem que acordar as 5 da manhã pra levar esses bando de come-e-dorme burocratas que não servem pra nada e ficam o dia inteiro dentro de prédios espelhando discutindo o sexo dos anjos…
Vivemos hoje no brasil e mais asquerosa e nojenta forma de Cleocracia…e ter que aturar as malas sem alças dos funcionários da globo, na globo News, falando o dia todo oque vai ou não acontecer é um saco…
Como diria o grande jurista gaúcho Lenio Streck, aturar o Gerson Camarroti e a Renata Loprete com seu ar de donos da verdade é de doer.
Ainda bem que a Internet ainda não está sob controle do governo.
Muito bom o texto, só senti falta da explicação da falha de mercado quanto às externalidades, principalmente externalidades negativas. Como o livre mercado agiria em casos assim? Como uma empresa teria autoridade para punir outra que polui o meio ambiente por exemplo? Como existiria concorrência entre essas empresas punitivas? Existindo concorrência, o que garantiria autoridade para todas? Existem outras soluções? Essas perguntas não são críticas, apenas dúvidas. Obrigado
Quero ver como entra no modelo de ‘informação perfeita’ e ‘concorrência perfeita’ a seguinte situação: comprador compra um carro; o carro se apresenta imprestável; vendedor não conserta de maneira satisfatória; comprador ameaça processar vendedor; vendedor diz que vai encher comprador de aço. E ai, onde entra isto na teoria austríaca?