
Em 8 de agosto de 1957, Murray N. Rothbard escreveu para Richard C. Cornuelle, do Volker Fund, recomendando incisivamente as pesquisas de Emil Kauder sobre as bases aristotélicas da utilidade marginal e da teoria econômica austríaca (Ensaios de Rothbard). Em um memorando de fevereiro de 1957, “Catolicismo, protestantismo e capitalismo”, reproduzido abaixo, Rothbard apresenta algumas idéias sobre essas questões. O texto de Rothbard revela um precoce e aguçado interesse em relação à história do pensamento econômico. Os memorandos que ele escreveu para o Volker Fund, do início dos anos 1950 até 1962, presentes em uma grande variedade de livros e periódicos eruditos, mostram seu crescente conhecimento do assunto. Além disso, seu orientador de dissertação, o Professor Joseph Dorfman, era uma autoridade em história do pensamento econômico americano, e Rothbard estava muito interessado nas, dentre outras questões, contribuições americanas para os debates monetários no início do século XIX. Rothbard, que era tanto um historiador como um economista, estava bem posicionado, não só para avaliar livros para o Volker Fund, mas também para dominar e sintetizar as doutrinas econômicas de uma maneira lógica e com uma perspectiva histórica. Sua última grande obra publicada, History of Economic Thought (1995), em dois volumes, certamente serve como prova disso. ~ Joseph Stromberg
Nos últimos anos, um grupo de estudiosos (sendo que a maioria deles poderia ser chamada de “católicos de direita”) decidiu revisar a interpretação padrão sobre a ascensão da economia e do capitalismo. Essa interpretação padrão diz que tanto o pensamento econômico como as políticas econômicas laissez-faire, que estimularam o capitalismo, desenvolveram-se como fruto de uma rejeição aos grilhões do catolicismo medieval. O espírito moderno das pesquisas científicas derrotou o dogmatismo escolástico e permitiu o surgimento de um espírito largamente individualista e racional; a rejeição à autoridade da Igreja levou a um individualismo generalizado em todos os campos; a ética e o espírito calvinista, que enfatizava o valor positivo do trabalho árduo, da parcimônia, e da ação de ganhar dinheiro, levou ao florescimento do capitalismo, ao passo que os católicos reprovavam solenemente esta ação de ganhar dinheiro. E, por fim, a interpretação padrão diz ainda que a economia laissez-faire cresceu apenas na atmosfera protestante da Grã-Bretanha (Adam Smith, etc.)
Entretanto, há um outro lado da moeda, e interpretações divergentes, particularmente nas áreas da filosofia política (o direito natural, por exemplo) e do pensamento econômico, têm surgido nos últimos anos. Para fins de leitura sobre essa Nova Escola, eu sugeriria: Joseph A. Schumpeter, History of Economic Analysis (Nova York, 1954), especialmente as páginas 73-142; Marjorie Grice-Hutchinson, The School of Salamanca (Oxford, 1952); Emil Kauder, “Genesis of the Marginal Utility Theory,” Economic Journal (Setembro de 1953); Kauder, “Retarded Acceptance of the Marginal Utility Theory,” Quarterly Journal of Economics (Novembro de 1953), e “Comment” (Agosto de 1955); e Raymond de Roover, “Scholastic Economics: Survival and Lasting Influence from the 16th Century to Adam Smith,” Quarterly Journal of Economics (Maio de 1955).
Esses revisionistas pouco fizeram diretamente contra um dos alicerces da abordagem tradicional – A Ética Protestante, de Max Weber – mas fizeram muito por vias indiretas. Recomenda-se as críticas à Weber feitas por H. M. Robertson, Aspects of Economic Individualism (Londres, 1933). Robertson e outros mostraram, por exemplo, que o capitalismo realmente começou a prosperar, não na Grã-Bretanha, mas nas cidades italianas do século XIV, ou seja, em áreas decididamente católicas. De fato, o ponto principal da crítica revisionista, em todas as áreas, é a coesão das idéias – que o capitalismo, o liberalismo, o racionalismo, o pensamento econômico, etc. começaram bem antes de Smith et al., e sob auspícios católicos; e que os desenvolvimentos posteriores se baseavam em – e em alguns casos retrocediam de – posições católicas anteriores.
Emil Kauder, de fato, joga a tese de Weber[1] contra seus próprios seguidores ao atacar Smith e Ricardo, acusando-os de terem sido influenciados pelo protestantismo ao desenvolverem a “teoria do valor-trabalho”. Schumpeter também se inclinava para essa direção. A força dessa nova e importante tese é a seguinte: ao invés de dizer que Hume e Smith desenvolveram a teoria econômica quase que partindo do zero, mostra-se que a ciência econômica começou a ser realmente desenvolvida, lenta porém seguramente, ao longo dos séculos, pelos escolásticos e por católicos italianos e franceses que foram influenciados pelos escolásticos; que a abordagem econômica feita por eles era, de maneira geral, metodologicamente individualista, e enfatizava a teoria da utilidade, a soberania do consumidor e as precificações via mercado, e que Smith acabou atrasando o pensamento econômico ao injetar a doutrina puramente britânica da teoria do valor-trabalho, jogando dessa forma a ciência econômica para fora dos trilhos por cem anos. Nesse ponto, posso acrescentar que a teoria do valor-trabalho gerou muitas conseqüências nefastas. Ela, é claro, pavimentou o caminho, de maneira lógica, para Marx. Além disso, sua ênfase na tese de que “custos determinam os preços” estimulou a idéia de que são os empresários ou os sindicatos que aumentam determinantemente os preços, e não a inflação da oferta monetária feita pelo governo. E, ademais, a ênfase em “valor objetivo e inerente” dos bens levou a tentativas “cientificistas” de se mensurar valores, estabilizá-los através de manipulações governamentais, etc.
A interessante tese de Kauder está dividida em duas partes: uma, que diz que o relato acima representa o curso histórico dos eventos no pensamento econômico; e a outra, que diz que a razão para o esquecimento da teoria da utilidade e sua conseqüente substituição por uma teoria de custo-trabalho foi influenciada pelo protestantismo, em oposição ao espírito católico.
Kauder afirma, primeiramente, que a teoria da utilidade foi desenvolvida em grande escala primeiro por Aristóteles, e depois pelos escolásticos, particularmente os negligenciados escolásticos espanhóis de fins do século XVI e começo do século XVII. A maioria dos historiadores tem ignorado esses escolásticos tardios e sua influência, ao menos até recentemente. A idéia dominante é a de que os escolásticos desapareceram junto com a Idade Média, e o intervalo de tempo entre esse período e o atual foi preenchido apenas pelos mercantilistas. Os mercantilistas, no entanto, eram estatistas panfletários sempre que julgavam conveniente, e contribuíram menos para a economia e para o liberalismo do que os escolásticos tardios. (Ver DeRoover)
A ênfase aos valores subjetivos dos indivíduos e da utilidade também foi continuada pelos grandes filósofos políticos protestantes (Hugo) Grócio e (Samuel) Pufendorf, que foram diretamente influenciados pelos escolásticos espanhóis (e também, como veremos abaixo, no campo do direito natural), e pelos economistas italianos de Volterra (meados do século XVI), Davanzatti (fins do século XVI), Montanari (Fins do século XVII), e principalmente Galiani (por volta de 1750). A teoria foi posteriormente desenvolvida por Turgot e Condillac, católicos franceses (meados do século XVIII). Na época destes três últimos, Kauder afirma que o “paradoxo do valor” (ouro vs. ferro) havia sido resolvido pela teoria da utilidade desenvolvida por eles. No entanto, a dupla Smith-Ricardo jogou fora a conclusão e restabeleceu o problema do paradoxo do valor. (Posso acrescentar que a resultante abordagem holística feita por Smith e Ricardo era sutilmente socialista, uma espécie de quarta via: ela estabeleceu o costume de se separar a Distribuição da Produção, e de se falar apenas em grupos de fatores, e não em fatores individuais – ou seja, trabalho ao invés de trabalhadores).
E Kauder vai em frente e mostra que os teóricos do valor e utilidade subjetivos eram católicos franco-italianos, enquanto que os teóricos do valor-trabalho – Petty, Locke e Smith – eram protestantes britânicos. Kauder atribui esse fato precisamente à ênfase calvinista na divindade do trabalho, em contraposição ao pensamento católico, que considerava o trabalho apenas como um meio de ganhar a vida. Os escolásticos, então, estavam livres para concluir que o “preço justo” era essencialmente o preço competitivo definido pelo mercado, ao passo que os britânicos, influenciados pelos protestantes, tinham a dizer apenas que o preço justo é o preço “natural” em que “a quantidade de trabalho trocada por cada bem é a mesma”. Já De Roover mostra que ambos os escolásticos tardios espanhóis Domingo de Soto e Luis de Molina denunciaram como falaciosa a máxima do beato (John) Duns Scot, que dizia que o preço justo é igual ao custo de produção mais um lucro razoável. É fato que Smith e Locke foram influenciados tanto pela corrente escolástica, que eles adquiriram através de seus treinamentos filosóficos, como pela ênfase calvinista na divindade do trabalho. Também é verdade que Smith acreditava que a livre concorrência eventualmente levaria os preços de mercado para perto do “preço justo”, mas é evidente que um perigo já havia sido introduzido – perigo esse que foi totalmente explorado por Marx (e que, de fato, ainda perdura nas teorias de concorrência imperfeita, que são similares à crença em algum mundo mais justo onde reinam os preços “naturais” e “ótimos”). Por outro lado, os discípulos de São Tomás de Aquino, os tomistas, sempre centraram seus estudos econômicos no consumidor, considerando-o a “causa final” aristotélica do sistema econômico, e que o objetivo final do consumidor é a “moderada busca pelo prazer”. Já no século XIX, diz Kauder, as influências religiosas sobre o pensamento econômico não eram importante. No entanto, ele aponta a importância das estritas raízes evangélicas de Alfred Marshall. O pai de Marshall era um evangélico rigoroso, e os evangélicos eram severos calvinistas-revivalistas. Talvez seja por isso que Marshall resistiu à teoria da utilidade, e insistiu em reter ao máximo a teoria ricardiana do custo, a qual perdura até hoje como resultado.
Contudo, gostaria de adicionar alguns comentários. Os mais “dogmáticos” adeptos do laissez-faire no século XIX não foram os economistas britânicos, mas sim os economistas (católicos) franceses. Bastiat, Molinari, etc. foram muito mais rigorosos do que os sempre pragmáticos liberais ingleses. Ademais, a fina-flor da teoria laissez-faire foi desenvolvida pelos católicos fisiocratas, que foram influenciados diretamente pelo conceito das leis e dos direitos naturais.
E isso me leva à segunda grande influência dos católicos escolásticos – a teoria das leis e dos direitos naturais. Certamente o direito natural era um grande obstáculo ao absolutismo estatal, e começou com o pensamento católico. Schumpeter mostrou que o direito divino dos reis era uma teoria protestante. A teoria das leis e dos direitos naturais também fluiu dos escolásticos até os filósofos morais franceses e britânicos. A conexão foi obscurecida pelo fato de que muitos dos racionalistas do século XVIII, sendo amargamente anti-catolicismo, se recusaram a reconhecer seu débito intelectual para com os pensadores católicos. Schumpeter, de fato, afirma que o individualismo começou com o pensamento católico. Assim: “a sociedade foi tratada (por Santo Tomás de Aquino) como uma questão completamente humana, e mais ainda, como uma mera aglomeração de indivíduos que ocorre por causa de suas necessidades mundanas… o poder do monarca derivava-se do povo… por delegação. O povo é soberano e um monarca indigno poderia ser deposto. Duns Scot chegou ainda mais perto de adotar uma teoria do contrato social do estado. Este… argumento é notavelmente individualista, utilitarista e racionalista …”[2] Schumpeter também enfatiza a defesa da propriedade privada feita por Tomás de Aquino e menciona em particular o espírito anti-estatizante do escolástico Juan de Mariana, 1599. Ainda sobre eles, Schumpeter também fala sobre a adoção do preço de mercado como sendo essencialmente o preço justo, a teoria da utilidade, o valor subjetivo, etc. Ele diz que, enquanto Aristóteles e Scot acreditavam que o preço normal de concorrência era o preço justo, os escolásticos tardios espanhóis identificavam os preços de mercado com qualquer preço concorrencial, como no caso de Luis de Molina. Eles também tinham uma teoria para o padrão-ouro, e se opunham ao enfraquecimento da moeda. Schumpeter ainda diz que de Lugo desenvolveu uma teoria sobre os riscos dos lucros empresariais, a qual, é claro, só foi completamente desenvolvida na virada do século XX e depois.[3]
Apesar de que a teoria dos direitos naturais, do século XVIII, era muito mais individualista e libertária do que a versão escolástica, há definitivamente uma continuidade. O mesmo vale para o Racionalismo, sendo a razão o principal artifício usado por Tomás de Aquino, e sendo essa mesma razão combatida pelos protestantes, que colocavam suas ideologias – e sua ética – em uma base mais emocional, encarando-a como sendo uma Revelação direta.
Podemos resumir o Argumento pelo Catolicismo da seguinte maneira: (1) o laissez-faire de Smith e as idéias do direito natural advêm dos escolásticos tardios e dos fisiocratas católicos; (2) os católicos desenvolveram a utilidade marginal, a economia do valor subjetivo e a idéia de que o preço justo era o preço de mercado, ao passo que os protestantes britânicos desenvolveram uma perigosa e altamente estatista teoria do valor-trabalho, influenciados pelo calvinismo; (3) alguns dos mais “dogmáticos” teóricos do laissez-faire foram católicos: desde os fisiocratas até Bastiat; (4) o capitalismo começou nas cidades italianas católicas do século XIV; (5) direitos naturais e outras visões racionalistas descenderam dos escolásticos.
Também recomendaria, como um exemplo um tanto assustador de como uma influência protestante-calvinista pode levar a uma filosofia de socialismo altruísta, a leitura do ensaio “T. H. Green and His Audience: Liberalism as a Surrogate Faith”, Review of Politics (Outubro, 1956), de Melvin Richter.
Conquanto seja algo tangente a este memorando em particular, também recomendaria fortemente Erik von Kuehnelt-Leddihn, Liberty or Equality (Caldwell, Id., 1952), sendo que o ponto principal do livro é a tese de que o catolicismo promove um espírito libertário (ainda que “anti-democrático”), ao passo que o protestantismo promove o socialismo, o totalitarismo e o espírito coletivista. Um exemplo é a afirmação de Kuehnelt-Leddihn de que a crença católica na razão e na verdade tende ao “extremismo” e ao “radicalismo”, enquanto a ênfase protestante na intuição leva a uma crença em concessões, em pesquisas de opinião, etc.
A opinião do Professor von Mises sobre a tese de Max Weber deve ser mencionada: Weber inverteu o verdadeiro padrão causal, isto é, que o capitalismo veio primeiro e que os calvinistas adaptaram seus ensinamentos à crescente influência da burguesia. Weber relatou que os fatos ocorreram em ordem contrária.
Não estou preparado para dizer que a causa protestante deve ser descartada completamente e que a visão católica deve ser adotada completamente. Mas parece evidente que a história é bem mais complexa do que a versão padrão nos faz crer. Certamente, os Revisionistas oferecem uma excelente corretiva[4]. Quanto às questões específicas sobre a teoria da utilidade e Adam Smith, posso fazer um endosso aos revisionistas. Por muito tempo tenho sentido que Adam Smith tem sido consideravelmente sobreestimado como sendo um inflexível adepto do laissez-faire.
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[1]. Consulte Randall Collins, um sociólogo weberiano, que também inverteu a tese de Weber ao mesmo tempo em que usava os métodos de reconstrução histórica do prórpio Max Weber; ver Weberian Sociological Theory (Cambridge, UK: Cambridge University Press, 1986), onde Collins escreve: “A cristandade foi a principal revolução weberiana, que criou as formas institucionais pelas quais o capitalismo pôde surgir. A reforma Protestante representou apenas uma crise particular ao fim de um ciclo de longo prazo; ela deu início a um segundo movimento, que nós erroneamente vemos como sendo o primeiro.” (pág. 76)
[2]. Joseph A. Schumpeter, History of Economic Analysis (Nova York: Oxford University Press, 1954) pp. 91-92.
[3]. Ver principalmente, Alejandro A. Chafuen, Faith and Liberty: The Economic Thought of the Late Scholastics (Lanham, MD: Lexington Books, 2003).
[4]. Rothbard mais tarde desenvolveu essa linha de ataque em grandes detalhes; ver Murray N. Rothbard, Economic Thought Before Adam Smith: An Austrian Perspective on the History of Economic Thought, I (Cheltenham, UK: Edward Elgar, 1995), p. 31-175.
Artigo magnífico. Corrobora a constatação de que o ensino de História sofre manipulação protestante para esconder os prodígios da catolicidade. Idade Média, idade das trevas? Bem pelo contrário. Bom domingo a todos!
Carissimo Gustavo,\n\nNenhum protestante serio e tradicional nega os feitos da Igreja Romana. Os que comecaram com isso foram justamente os humanistas do Renascimento (destaque para o catolico Erasmo de Roterda) e ganhou forca com o Iluminismo e posteriormente o Marxismo.\n\nGostaria que o nobre colega soubesse disso da boca desse protestante que, embora nutra discordancias teologicas com a Igreja de Roma, estuda economia com honestidade e, como todos os protestantes de confissoes historicas, respeitam o seu legado cultural.\n\nAbraco fraterno,
Meu amigo, estudo teologia por conta própria há quase 4 anos e, desde então, venho tendo debates com protestantes de várias das milhares de “estirpes” que a Reforma de Lutero originou. Apesar de os oriundos dos ramos tradicionais terem um nível intelectual incomparavelmente maior que os neopentecostais (sem dúvida!), ainda assim a ignorância sobre história (de história da Igreja a hagiografias), teologia, moral e dialética é gritante. O protestante tupiniquim típico mal conhece a própria Bíblia. (Repito, digo tudo isso como se houvesse apenas “um” e não milhares de doutrinas protestantes, cada uma mais “exótica” que a outra.) Ah, e também estudo economia com honestidade mas somente desde setembro de 2009, quando conheci este site magnífico e que recomendo a muitos dos meus amigos universitários. Cordialmente.
Sou católico de família tradiocional e tenho um tio padre que diz que, tanto Aquino quanto Agostinho eram mais protestantes do que católicos e que isso explica porque eles os consideram ‘pais da Reforma’ e usam os seus textos até mesmo para defenderem sua fé!
Sou protestante de Igreja Tradicional, mas conheço o movimento Pentecostal. Também sou formado em Economia e ainda não tinha lido nada como li nesse seu texto. O que sempre tive em mente é que, os católicos da Idade Média pagavam seus dízimos e suas indulgencias para construção da catedral de São Pedro com a colaboração do Papa e o dinheiro era centralizado pelo Estado, ao que foi contrário a Martinho Lutero que implantou a salvação não pelo dinheiro e sim pela fé. Na Inglaterra o Puritanismo após o rompimento com a Igreja católica acabou sendo levado à America onde foram fundadas as trezes colonias. Segundo Viana Moog a avareza católica seria uma das causas dos católicos serem contra a participação dos protestantes na Reforma. Os católicos pela ética católica eram a favor da usura enquanto que os protestantes eram mais dado a participarem, o que levou os EUA a serem um país mais próspero pela liberalidade dos seus conquistadores. Enfim, se o capitalismo e o liberalismo ascendeu foi pelos protestantes e não pelos católicos.
Eu sempre desconfiei dessas mstirosas histórias que os meus professores marxistas descaradamente me passavem.
É imprecionante como os meus professores marxistas falavem a mesma coisa que muitos protestantes falam!
“O Brasil é pobre por ser católico, se fossemos de maioria protestante seriamos muito mais ricos.”
Acreditem, muitos dos meus professores marxistam falavam isso.
Aliás, os reformadores protestantes também não poderiam ser acusados de roubo?
Seguidores de Lutero, Calvino, Henrique VIII,… não tomaram para si muitas instituições (escolas, universidades, orfanatos,…) que pertenciam a Igreja Católica?
Qual é a diferença desse ato para o que faz os pervertidos do MST?
Desculpem pelo erro de português. É que eu estava escrevendo quase no escuro.
É no mínimo uma falta de racionalidade comparar a influência católica com a influência protestante. Estamos falando de pelo menos 1000 anos a menos de filosofia e história católica e a liberdade religiosa e pessoa está muito atrelada ao protestantismo do que ao catolicismo, antigamente todos tinham que se definir como alguma religião, dessa forma todos os trabalhos europeus antes do século XV são considerados católicos? Um absurdo essa comparação, até em dia vemos claramente a distinção entre uma pessoa que se diz protestante, realmente segue a religião e um católico é meramente a cultura local, mas nunca pratica o que a igreja de roma diz, em termos gerais a maioria das ligações protestantes quando começou a ficar como a católica simplesmente desapareceu, como é o caso da europa hoje.
Apesar da discussão de idéias ser bastante interessante, o que os protestantes diziam e dizem é o foco na bíblia. Não se pode avaliar teorias protestantes sem avaliar o que a bíblia diz delas, se não está na bíblia é ideia de homens e passível de erro.
Em relação ao comentário anterior das críticas a Lutero e Calvino, não posso comentar pois foi fruto de grande desconhecimento da própria história católica. Sim pode ter havido perseguições, mas na época a ideia de religião oficial era comum, basta então ver que religião quebrou mais rapidamente essas correntes de perseguição.
Brilhante artigo do Rothbard! Sintetiza muito bem uma luta que venho travando há muito tempo para mostrar que os valores básicos da Escola Austríaca e, em geral, da economia de mercado, da propriedade privada, etc., são heranças do pensamento católico.
Slayer na abertura, hahaha!
É necessário simplificar as normas gramaticais da língua portuguesa no Brasil para facilitar a utilização em todos os setores da sociedade com reforma sem os purismos inúteis.
Prezado Professor Sr. Ubiratan Iorio.
Desculpe-me acrescentar, os valores básicos da Escola Austríaca são heranças não só do Catolicismo mas em geral do Cristianismo, pois este também abrange o Protestantismo.
abraço.
“A opinião do Professor von Mises sobre a tese de Max Weber deve ser mencionada: Weber inverteu o verdadeiro padrão causal, isto é, que o capitalismo veio primeiro e que os calvinistas adaptaram seus ensinamentos à crescente influência da burguesia. Weber relatou que os fatos ocorreram em ordem contrária.”
Mas então Mises foi de acordo com Marx? Pois esta uma das bases do pensamento marxista que a economia e meios de produção como motores, e a cultura seria adaptativa.
O trabalho do Instituto Mises é louvável.
Até concordo que para teoria econômica o catolicismo fez grandes contribuições. Porém para prática econômica os fatos mudam. Os grandes bastiões do capitalismo Inglaterra e EUA eram protestantes. Até hoje nos EUA os protestantes votam mais nos republicanos, enquantos os católicos votam mais nos democratas. Hoje nos EUA têm aumentado a popularidade de políticas sociais-democratas, ao mesmo tempo que aumenta a emigração de latino-americanos e diminui a população declarada de protestante tradicional. Coincidência?
A História é mais complexa do que supomos e diferentes pensadores católicos e protestantes tiveram um papel decisivo tanto na formação do pensamento liberal quanto do socialista. Todos precisamos de humildade e sobriedade para compreender isso.
Antes da Reforma, a grande maioria dos europeus era de católicos devotos. O clero defender os “direitos naturais” e a “soberania popular” era uma forma de fazer com que a lealdade dos povos priorizasse a hierarquia católica em detrimento dos reis.
O lema “Creio porque é absurdo” (e não meramente “Creio apesar de ser absurdo”) é um lema católico.
Os pentecostais e semelhantes (como grupo) de fato tendem a basear suas convicções e ética mais nas emoções e intuições do que na razão. Mas esta atitude foi uma reação extrema à racionalidade do protestantismo tradicional. E a maioria dos cristãos não-católicos também são não-pentecostais (exceto na América Latina).
Dentre os não-católicos, os pentecostais &CIA são os mais parecidos com o catolicismo: dizem que um pentecostal é um católico que trocou o papa global por um papa local, resgatando o misticismo da Idade Média.
Os protestantes tradicionais buscaram se aproximar mais do que acreditavam ser o modelo bíblico de Igreja. E neste processo se assemelharam culturalmente (ou já eram e ficaram mais) aos judeus. Não é coincidência que os judeus estão entre os povos mais prósperos e instruídos, pois o desenvolvimento intelectual e profissional é prioridade para eles, diferente da visão mística antirracional de outros povos.
De qualquer forma, o artigo é muito bom, o liberalismo teve a contribuição de diferentes tipos de pessoas e o mais importante é a propagação e implementação destes princípios e nossa vida pessoal e social.
* * *
Belo artigo!
Diletos amigos,
Depois de ler o texto em tela e as discussões geradas pelo mesmo. Indico-lhes para estudo e reflexão as obras de autores como
Gary North, Rousas J. Rushdoony. Outro autor interessante é Eric Voegelin, seus quatro volumes sobre a “História das Ideias Políticas” são memoráveis!
Abraços!
Mais uma prova que o que gente aprende é simplesmente inútil. Belo artigo
Rothbard foi um gênio.
Acho que o amiguinho não chegou a ler os arquivos da “santa igreja”, catolicismo -> comunismo.
Bom, parece que o xis da questão é a originalidade da ciência econômica. Seguindo essa “lógica”, deveríamos exaltar a arquitetura egípcia, a arte grega (e outros) como superiores ao catolicismo romano e ao cristianismo.
Ademais, é fruto de estupidez acachapante de quem se dedica a economia e a meia dúzia de tolices que Rothbard escreveu acreditar que o desenvolvimento do capitalismo é fruto do “catolicismo” tomado de forma genérica. Por várias razões.
1. O catolicismo romano, a despeito do que a propaganda papista diz, não foi um bloco monolítico. Ainda que tenham existido os escolásticos tardios de que os católicos romanos conservadores e ignorantes tanto se orgulhem, o catolicismo romano também degenerou em formas pró-comunismo. O caso mais emblemático é o dos franciscanos radicais, que, segundo o “anti-protestante” Eric Voegelin inauguraram a discussão sobre comunismo na igreja primitiva. Nesse caso, o romanismo influenciou ambos. Contudo, os escolásticos tardios NÃO INFLUENCIARAM a cúria e a Doutrina Social do catolicismo romano é CONTRÁRIA ao livre mercado. Isso mostra que todos os católicos romanos citados como heróis e mesmo os que aqui deleitam-se em endossar mais essa fraude propagandística possivelmente não conhecem a própria DS ou fingem não conhecer. Andam, pois, contra o Magistério.
2. É evidente para qualquer um que leve o termo ‘ciência’ a sério que a simples realidade dos países protestantes nesse quesito induz à conclusão de que algo nos países protestantes favoreceu esse desenvolvimento. Negar que a ética protestante influenciou e favoreceu o comércio é ridículo, ainda que tenha se adaptado a formas que surgiram espontaneamente. “divino trabalho” é um termo tão ridículo que só serve pra mostrar o amadorismo do autor quanto à teologia reformada. O contrário disso é vigarice apologética.
3. A riqueza italiana dos dois séculos anteriores à Reforma NÃO SÃO INFLUÊNCIA pura e simples da teologia católica, mas também do Renascimento. Esses foram também os séculos mais decadentes do romanismo na Itália, diga-se de passagem. O engraçado é ver um monte de ignorantes tentando extrair ouro de retórica empolada.
4. O protestantismo é muito mais próximo do libertarianismo do que o catolicismo romano, pois só com o Sola Scriptura é possível defender limites para o estado. Os EUA são fruto disso, chorem os haters ou não.
5. A visão que libertários católicos e/ou conservadores têm da crítica contra a razão humana é simplesmente infantil. Não apenas em relação à ciência econômica, mas toda a ciência foi promovida pelo protestantismo. Calvino, inclusive, a tinha como benção de Deus seguindo o mandato de Deus à humanidade para ‘domínio’ do mundo. Isso inclui possivelmente a opinião de Erik von Kuehnelt-Leddihn, que em outro livro admite que o protestantismo foi o verdadeiro continuador de boa parte da tradição medieval e que o futuro será definido nos termos de Calvino ou de Rousseau. Ele, com desgosto, admite que ficará do lado de Calvino.
6. Que o protestantismo é uma “segunda onda do cristianismo” e que veio num período de crise é tão óbvio que apelar pra uma autoridade intelectual sobre o assunto é sinal de desconhecimento completo de causa. Por isso o nome é “Reforma”. Você só reforma algo que já existe.
Longe de menosprezar a contribuição da Igreja de Roma porém, é inegável que o protestantismo da Reforma avançou alguns países a outro patamar de desenvolvimento.
Não por acaso os países mais economicamente desenvolvidos e liberais, com as exceções de Japão e Israel, são de tradição protestante.
Li o comentário que Calvino foi “um grande assassino, sanguinário e totalitário”. Simplesmente, me parece, desconhecer as ‘Institutas’, a cidade ‘Genebra’ e a influencia calvinista no mundo. Ah! se tivéssemos, hoje, homens como aquele no Brasil! Talvez, seríamos parecidos com a Suíça. Peço a Deus.
Osmar
Bom artigo,
mas, para além das polêmicas, peço, encarecidamente, a alguém do site que traduza este artigo recente do Mises.org:
https://mises.org/wire/reformation-austrian-economics
Duas visões sobre um mesmo assunto creio que seja bom para todos.
Ótimo artigo. por séculos, os protestantes (também os iluministas) detinham uma poderosa arma: a propaganda enganosa.
É triste ler os comentários desse artigo e constatar o tanto de ódio que algumas pessoas declaradas Cristãs tem no coração. Que espécie de Cristianismo é esse?
Voltem-se para Cristo, irmãos. Fujam de doutrinas seculares e totalitaristas que tem objetivos apenas políticos, e atentem-se exclusivamente à palavra do Senhor, esta sim, A palavra que o Criador reservou para nós, suas criaturas.
O único intermediário entre Deus e nós é Cristo, que nos comprou com seu sangue. Tudo que fugir disso vem do maligno.
“Amai a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo“. Mas não poderemos amar a Deus se não compreendermos sua palavra.
A Austrália e Canadá são de tradição protestante.
Não existe conexão alguma entre crença religiosa e a realidade. O capitalismo e a sociedade dependem unicamente da razão. Em 1990, a astrônoma Margaret Geller assim se pronunciou: ” O universo é apenas um sistema físico.”
Resumo do Artigo: a parcialidade do Autor que tenta fazer uma contraposição de ideias, mas que acaba por sua preferencia aderindo a pensamentos horrendos de que a contribuição (misera para ele) protestante nada mais é que vinda da católica, e que a protestante em si não leva a liberdade mas o seu oposto sendo autoritária e coletivista (sem argumentos fundados e elaborados para isso), e só a Igreja católica defende preceitos da liberdade (econômica no caso), me deu até asco de ler.