Um homem gloriosamente barbeado, com um bigode bem aparado, está em um bar rústico sentado a uma mesa jogando baralho e rodeado por cowboys e prostitutas de faces surpreendentemente puras. Ele retira os olhos de suas cartas, olha para o homem defronte a ele e percebe que este está escondendo uma carta extra na manga. Enfurecido, o do bigode aponta a trapaça, chama o oponente de covarde e safado, e o desafia para um duelo do lado de fora da taverna.
Segundos depois, ambos já estão na praça da cidade, um de frente para o outro a uns 20 metros de distância. Há um longo momento de pausa e silêncio. Repentinamente, o trapaceiro leva sua mão até o seu coldre em sua cintura, mas não é rápido o bastante. Veloz como um raio, o bigodudo saca seu revólver e, com um só disparo certeiro, coloca uma bala entre os olhos do trapaceiro.
Os cowboys e as prostituas que assistiam ao espetáculo voltam para o bar e para seus drinques, totalmente acostumados a ver rotineiramente esse tipo de violência aleatória. O homem do bigode, indiferente a tudo, rodopia seu revólver com seu dedo indicador e diz: “Este foi seu último blefe”. E volta para o bar cheio de moral, e com várias prostitutas ainda mais ávidas por ele.
Cem anos de filmes de faroeste nos ensinaram que era assim que se vivia e se morria no Velho Oeste americano. Aquele que fosse mais rápido no gatilho vivia apenas para duelar novamente no dia seguinte. Era como se a vida fosse um contínuo torneio eliminatório de pedra, papel e tesoura, o qual só acabava quando você morria.
Porém, a realidade era outra. E muito diferente.
Quantos assassinatos você acha que ocorriam, em um ano, nessas típicas cidades do velho oeste? Pense na mais violenta cidade, a mais sangrenta, aquela típica cidade onde criadores de gado disputavam à bala a propriedade de seus terrenos e onde os cowboys marcavam de duelar ao meio-dia para resolver suas diferenças (não foi isso que o cinema ensinou?). Quantas mortes em um ano? Cem? Mais?
Que tal cinco? Este foi o maior número de homicídios que qualquer cidade do velho oeste já testemunhou durante um dado ano, ao longo de toda a história da colonização. Cinco homicídios em um ano. A maioria das cidades apresentava uma média de 1,5 homicídio por ano, e nem todos eram homicídios por tiros. Você tem muito mais chances de ser assassinado em uma cidade como Baltimore hoje do que tinha em Tombstone em 1881, ano do famoso duelo no Curral O.K. (contagem de corpos: três) e o ano mais violento de toda a história daquela cidade.
Quanto aos tradicionais duelos e tiroteios retratados nos filmes, a imperfeição das armas fabricadas naquela época faria com que qualquer habilidade na rapidez dos saques fosse irrelevante: era simplesmente improvável que você acertasse um cara no primeiro, no segundo ou no terceiro disparo, de modo que realmente não faria muita diferença qual cara sacou sua arma primeiro. O mais perto que a história do Velho Oeste já chegou de registrar genuínos confrontos ao meio-dia foi na forma de um simples duelo, no qual um sujeito simplesmente ficava de frente para o outro, a uma certa distância, cada um apontando e atirando repetidas vezes até o momento em que um deles tivesse sorte, acertasse o alvo e matasse o outro. Esqueça aquelas cenas do Clint Eastwood utilizando uma mão para disparar em sequência um revólver ao mesmo tempo em que utiliza a outra para bater seguidamente no cão, praticamente transformando o revólver em uma metralhadora. E sem errar um tiro. (Veja a hilária cena). Você teria sorte se conseguisse acertar um capanga em um duelo dentro de um armário.
Por que então se criou esse mito do Oeste Selvagem?
Porque pistoleiros famosos como Billy the Kid queriam que acreditassem nisso. Se você assistir ao filme Jovem Demais Para Morrer, verá que ele matava alguém a cada dez minutos!
Exceto que, de acordo com fontes que não são Billy The Kid, sua contagem de corpos durante toda a sua vida chegou a apenas quatro. Criminosos gostam de exagerar suas estatísticas homicidas pelo mesmo motivo que homens gostam de exagerar suas experiências sexuais: isso os deixa bem perante os outros. Cidades como Deadwood gostavam de exagerar sua natureza violenta e sem lei a fim de atrair colonizadores aventureiros. Livros foram escritos sobre eles e, tão logo a câmera foi inventada, filmes foram feitos sobre a cidade; e ninguém que conhecia a realidade e sabia que era mentira tinha interesse em corrigir essa ideia errada. Por que iriam desconstruir um mito que os fazia parecer bravos e valentes? Um século e meio depois, ainda adoramos essa mentira.
E acreditamos nela porque atirar no coração de um cara sem nome é infinitamente mais gratificante do que apresentar uma queixa na polícia ou escrever uma carta desaforada para os jornais. Nada de sistema legal de freios e contrapesos, nada de pensar duas vezes. Apenas você e a arma.

Sim, havia casos isolados de violência, é claro, mas a verdadeira história do Oeste americano é uma história de cooperação, e não de conflito. A violência do Velho Oeste é um mito.
Meu colega Terry Anderson e eu estudamos a história do Oeste americano por quase 30 anos. E descobrimos que, sempre que os rancheiros se encontravam, eles normalmente acordavam maneiras de cooperar entre si, e não de brigarem entre si.
Comecemos com as minas de ouro de Sierra Nevada, na Califórnia. Após a descoberta de ouro em Sutter’s Mill, milhares de campos de exploração e mineração foram criados nessa região para que se pudesse garimpar ouro. Em três anos, mais de 200.000 pessoas migraram para a Califórnia, a maioria delas querendo enriquecer rapidamente. Se houver uma receita para se criar o caos, essa certamente seria uma: pessoas de várias etnias e origens, praticamente sem nada a perder, todas elas armadas e em busca de recursos valiosos.
Entretanto, a realidade é que os campos de exploração rapidamente, e voluntariamente, criaram e desenvolveram regras para arbitrar contendas envolvendo reivindicações de direito de posse. O fato de que cada indivíduo carregava consigo um revólver de seis balas significava que cada um estava investido de uma quantidade relativamente igual de poder. E isso minimizou a violência.
Viagens, tanto para os campos de exploração na Califórnia quanto para os novos povoados que iam se desenvolvendo no estado de Oregon, também eram atividades notavelmente pacíficas. De 1845 a 1860, praticamente 300.000 pessoas viajavam por terra em comboios de carroças, para os mais variados lugares do Oeste.
O preeminente historiador John Phillip Reed disse que o Velho Oeste era “um conto em que mais se compartilhava do que se discordava, uma época de adaptação e prestimosidade, e não de desavença”. Um motivo para isso: “Longe de advogados e tribunais, o conceito de propriedade concorrente e coexistente se tornou uma força legal e não um fracasso jurídico; promoveu a paz social e não a desarmonia interna”, diz ele. “A Trilha de Overland [uma trilha utilizada pelas diligências como rota alternativa entre Califórnia e Oregon] não era um lugar de conflitos.”
Vários outros grupos de colonizadores, assentadores e exploradores interagiam pacificamente entre si, superando problemas como condições meteorológicas adversas e territórios inexplorados e não mapeados. Várias centenas de caçadores se encontravam todos os anos em locais pré-escolhidos das Montanhas Rochosos para vender a pele dos animais que abatiam. Mesmo com eles portando essas mercadorias que valiam milhares de dólares, a quantidade de roubos era irrisória. Os vários torneios e competições que envolviam bebedeiras, brigas e tiros eram basicamente uma forma de entretenimento, e não consequências de roubos ou pobreza.
Os rancheiros no norte das Grandes Planícies [vasta região localizada a leste das Montanhas Rochosas entre EUA e Canadá] enfrentaram alguns problemas singulares. Eles não puderam estabelecer ranchos de grande escala porque a Lei da Propriedade Rural limitou severamente o tamanho das terras que poderia se tornar propriedade privada. E então esses rancheiros tiveram de colocar seu gado para pastar em campos abertos e desapropriados, longe de suas propriedades.
A “tragédia dos comuns” é um fenômeno que pode ocorrer quando não há limitações à entrada e à exploração de um bem comum. Os rancheiros evitaram esse problema implementando excursões semestrais com o gado, nas quais eles levavam o gado para pastar nessas outras regiões desabitadas. Como as viagens eram longas, passavam por terrenos muito acidentados e por condições meteorológicas extremas, os rancheiros cooperavam entre si, ajudando-se uns aos outros. Embora eles não pudessem impedir que outras pessoas também utilizassem esses campos abertos, eles podiam impedir que elas pusessem seu gado para pastar junto aos seus. Sem poderem participar, essas pessoas teriam de ir procurar outros campos, o que fazia com que o pasto não fosse utilizado excessivamente até se tornar imprestável.

Os criadores de gado e os fazendeiros também adotaram um novo sistema de direitos de propriedade sobre a água, os mesmos que haviam sido adotados e desenvolvidos nos campos de exploração e mineração. Esses direitos foram batizados de ‘doutrina da apropriação original’ — ou “o primeiro a chegar, o primeiro a se apropriar”.
Basicamente, se um indivíduo desviasse um curso d’água para a irrigação de sua propriedade, ele teria o direito perpétuo àquela quantidade de água. Isso significa que os direitos sobre um recurso valioso, a água, eram claramente definidos e defendidos em qualquer tribunal de justiça. E isso também significava que, à medida que outras pessoas fossem se instalando nas vizinhanças, formando municipalidades, elas poderiam comprar esses direitos sobre o uso da água caso valorassem a água mais do que os então proprietários dela — traduzindo, caso oferecessem um preço de compra que os fazendeiros locais considerassem satisfatório.
Havia, é claro, algumas exceções a essa história de relações harmoniosas. Após a Guerra Civil, os EUA possuíam um exército efetivo que não tinha muito o que fazer. Assim, os colonizadores se tornaram mais propensos a recorrer à cavalaria para tomar as terras dos índios do que em incorrer em práticas comerciais com as tribos nativas, como vinham fazendo até então.
Havia também trocas de socos em confusões de bar. Quando um grande grupo de homens sem laços familiares com ninguém da região ficava desocupado, a violência podia irromper.
Entretanto, mesmo em uma cidade rancheira como Abilene, Kansas, a taxa de homicídios era muito mais baixa do que na maioria das atuais cidades americanas. Larry Schweikart, historiador da Universidade de Dayton, estima que, durante todo o período de 1859 a 1900, houve provavelmente menos do que uma dúzia de assaltos a bancos em todo o Oeste durante a colonização. Schweikart resume: “O histórico é surpreendentemente claro: Há mais assaltos a bancos na atual Dayton (Ohio) em um ano do que houve em todo o Velho Oeste em uma década, ou talvez durante todo o período da colonização!”
Uma interessante conclusão do nosso estudo sobre o Velho Oeste é que o atual Novo Oeste é muito mais repleto de conflitos do que era o Velho Oeste. Agências governamentais como a United States Forest Service [departamento que administra as florestas americanas], o National Park Service [departamento que administra os parques americanos] e o Bureau of Land Management [departamento que controla o uso das terras públicas] hoje controlam praticamente um terço da terra nos EUA, a maioria delas na costa oeste.
Os benefícios do uso dessas terras são alocados por meio de processos políticos e burocráticos que suprimem qualquer incentivo à cooperação harmoniosa entre as pessoas. Os atuais conflitos sobre o uso de recursos excedem em muito qualquer pendenga já vista no Velho Oeste do século XIX.
Se alguém quiser ver o verdadeiro “Oeste Selvagem”, basta comparecer a qualquer sessão do Congresso: manifestações políticas e discussões ambientalistas agressivas sobre como deve ser o uso, quem pode utilizar e de que maneira se pode utilizar as terras florestais.
Os processos de tomada de decisão não mais se dão de acordo com as necessidades e demandas locais, como ocorria no século XIX. O estado entrou em cena, assumiu o controle e hoje as atuais políticas premiam a rudeza, a aspereza e linha dura político-ambientalista.
Portanto, não procure pelo Oeste Selvagem em contos sobre cowboys justiceiros e vigilantes, tampouco em histórias sobre tiroteios no Curral O.K.. O verdadeiro Oeste Selvagem existe hoje, exatamente quando o estado está no controle de tudo.
Para relatos detalhados sobre o Velho Oeste, você pode ler este livro online.
*Este artigo foi originalmente publicado em 28 de junho de 2011.
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Nota: as visões expressas no artigo não são necessariamente aquelas do Instituto Mises Brasil.
Sempre me surpreendo com a qualidade dos textos do site, mas este é realmente top. Muito bom!
Muito Bom! Também serve como argumento contra a regulamentação de armas.
Menos um mito na minha cabeça (e na do meu pai q é um grande fã dos western film genre) hahaha!
Obrigado, IMB.
Interessante abordagem da “anarquia selvagem” do Oeste americano, o texto trás luz a uma questão já muito mitificada, apesar do problema da “verdadeira história” (ainda sim o texto é muito bom).
Obrigado Leandro Roque(IMB)!
O título deve ser mudado de :
O anárquico Velho Oeste não era nada selvagem
para:
O anárquico Velho Oeste não era nada selvagem nem anárquico
Simplesmente porque existia lei, ordem e religião. Se todos não se baseassem em um algo comum seria anárquico, mas não vemos isso.
Ok, entendi que não era tão violento como mostra nos filmes. Mas apenas falar a quantidade de homicídios não vale muito, já q a população da época era muito pequena nas cidades. Poderiam ter colocado uma taxa de homicídio por 1000 habitantes, ou 100.
Bom, pelo que tinha lido na wikipedia(ehehe) e falava q houve uma boa participação de alguns ramos do governo federal na expansão pro oeste, mesmo sendo vários presidentes a favor de um governo pequeno.
Gostei do texto. Muito interessante.
Uma idéia para o site: seria bom se o Mises tivesse uma página onde as pessoas pudessem fazer perguntas para retirar dúvidas sobre temas em geral ou simplesmente para conseguir referências de autores e suas respectivas obras para se aprofundar em um assunto específico.
Penso em algo semelhante ao que o LIBER já faz via o http://www.formspring.me/
Como eles contavam os fatos sociais àquela época? Se as armas eram obsoletas tudo o mais era. A comunicação, por exemplo. Precisamos avaliar o conteúdo desse artigo do ponto de vista dos nossos irmãos norte americanos. \r
“Os fatos, eis o verdadeiro critério dos nossos juízos, o argumento sem réplica. O primeiro indício da falta de bom-senso está em crer alguém infalível em seu juízo.”\r
Hippolyte L.D.Rivail.
“Quando todas as armas forem propriedade do governo e dos bandidos, estes decidirão de quem serão as outras propriedades.” Benjamin Franklin
O texto é interessante, mas alguém chegou a conferir os números?
Três mortes num ano certamente é um baixo valor absoluto, mas pode ter representatividade quando considerado proporcionalmente. Não parece honesto comparar a quantidade absoluta de mortes numa cidade pequena do século XIX com as de Baltimore no século XXI.
Os números que encontrei mostram informações opostas às apresentadas no texto:
Tombstone (1881)
População: 7.000
Homicídios: 3 (conforme o texto)
Taxa: 0,043%
Fonte: http://www.desertusa.com/Cities/az/tomb.html
Baltimore (2009)
População: 307.006.550
Homicídios: 238
Taxa: 0,000078%
Fonte: en.wikipedia.org/wiki/Baltimore#Crime
Ao que parece, Baltimore contemporânea seria 552 vezes mais segura que a Tombstone “selvagem”. Não entendo como o autor chegou às conclusões apresentadas, já que não menciona dados primários ou fontes gratuitas. Seria preciso ver as estatísticas para as outras cidades mencionadas.
Caso alguém os tenha disponíveis, gostaria de acesso para análise.
no paraguay, td mundo q passa pela ponte da amizade, rumo a comprar barato, se depara c/ uma coisa curiosa, quase bizarra: armas d fogo vendidas como se fosse bugigangas nas ruas, parecido como tem no viaduto sta efigenia, e arredores da pçs da sé, em sp…s´oq ñ pára por ae: eles vendem armas e munições, e ñ é por isso q o povo la vai sair e atirando em td mundo, mente diferente do brasileiro, q, na primeira oportunidade d possuir um revolver, vai praticar a agressão so proximo…ñ sou a favor, nem contra, mas sei q se td mundo tivesse uma arma, esse faroeste imaginario se tornaria real…
Isso é FATO!
Nós hoje é que vivemos um velho oeste selvagem,brasil tem 50mil homicidios por dia,100 pessoas mortas por dia..
Velho oeste sim era vida de qualidade,pouca tecnologia mais uma vida digna.
Todo filme que eu vejo dessa época tem um xerife que teoricamente bota ordem no lugar.Não sei se historicamente era assim mesmo, mas se fosse, isso seria considerado uma anarquia pra vcs?
Estes filmes contam a Historia da colonização do Oeste Selvagem que eram habitadas pelos Indios Apaches os verdadeiros donos destas planicies pois eram nativos que herdaram a terra dos seus Ancestrais,os colonizadres chegaram reividicando o direito de propriedade,foi por isto que houve estas violências contadas em livros e filmes,depois de muitas batalhas o Governo dos EUA demarcou de fato as Reservas Indigenas,mas o Velho Oeste existiu de Verdade houve Violência,mas depois de muitas Turbulências Tratados e Conferências os EUA conseguiram se firmar como Nação de Fato e Direito.
Tal como no velho Oeste americano, nos garimpos do Brasil nos anos 80 era mais seguro do que em São Paulo.
Palavras de um paulistano em Rondonia e Mato Grosso.
Bons tempos aqueles em que as pessoas se respeitavam pois que tornados iguais por obra de Samuel Colt (que propagandeava no Velho Oeste: Deus fez os homens desiguais, Sam Colt tornou-os iguais).
ótimo texto,obrigado por essa informação.
Olá para todos
toda este debate e também o texto gira basicamente, em um estreitamento de obra ou pensamento, que seria o equilíbrio de força traz paz, e isso faz muito sentido e comprovadamente em qualquer pais da atualidade, vide qual o pais onde a população é a mais bem armada? e verifique qual a taxa de mortalidade por arma de fogo, dica Suíça, outra coisa é que não se trata da facilidade de se ter uma arma a mão, pois se você pensar uma pessoa que quer matar, mesmo que não tenha uma arma a mão, ela quando quer não desiste e passar a planejar melhor ou usa de recursos que tiver , o que quero dizer é que ter uma arma a mão não te facilita a matar, o que te facilita a matar e a fragilidade da formação de sua personalidade,ou o pouco temor do que podem te tirar, isso sim facilita a matar e ainda mais leva a planejar e arquitetar os crimes, o que novamente me leva ao inicio do meu comentário, se o agressor pensasse por 1 minuto que sua vitima pudesse repelir com força a sua investida sob pena de morte por legitima defesa isso sim iria frear a vontade do agressor.
pelo menos assim eu penso.
abraços a todos
Muito bom o artigo, e eu que imaginava que a vida no velho oeste americano era o que o cinema mostrava: tiroteio, prostitutas sedutoras, assaltos a bancos e toda a sorte de crimes. Parece que uma mentira contada muitas vezes, realmente se torna uma verdade. Por isso, precisamos estar sempre atentos e questionar a “realidade” que nos é mostrada.
Então o velho oeste era anarco-capitalista? E os xerifes eram o que? Wyatt Earp era o que? Um pistoleiro? Era um lawman…
Excelente artigo, um dos melhores.
Pena que este livro não tem tradução.
Isso que dá pensar que aprendeu História com filmes, seriados, novelas e desenhos!
Tá. E os mais de 20 milhões de índios norte-americanos que foram mortos (especialmente durante o século XIX) pelo Estado Norte-americano? Pra esse o Velho Oeste foi bem mais que selvagem…
Agora, que li sobre a missão de vocês, nenhuma.
Presumo, então, que considerem a selvageria do Estado ainda como selvageria, ou não?
Ordem é que não é, pelo menos para os milhões de índios expulsos de suas terras (propriedades) e mortos pelo governo dos EUA.
Não, cara. Foi um mal-entendido.
Sou contra o imperialismo norte-americano e a favor da autogestão e pelo fim dos pelíticos sanguessugas.
Atirei onde achei que vi e acertei no meu pé kkk. Abs!
P.s: gostei do site, agora que entendi. Dãhn!
O texto é interessante mas traz uma impropriedade tanto técnica quanto histórica quando fala sobre a falta de precisão das armas daquela época, que exigiriam grande quantidade de tiros para que o alvo fosse acertado. Este trecho merece crítica especial: ” Esqueça aquelas cenas do Clint Eastwood utilizando uma mão para disparar em sequência um revólver ao mesmo tempo em que utiliza a outra para bater seguidamente no cão, praticamente transformando o revólver em uma metralhadora. E sem errar um tiro. (Veja a hilária cena). Você teria sorte se conseguisse acertar um capanga em um duelo dentro de um armário.”. Para quem se intitula especialista no período, faltou buscar melhor informação. Primeiro, porque naquela época os revólveres eram todos de ação simples, ou seja, só disparavam se previamente engatilhados. Portanto, era necessário, para obter rapidez nos disparos, que um mão fosse utilizada para empunhar a arma e puxar o gatilho, enquanto a outra engatilhava a arma. No mais, os melhores atiradores sabidamente faziam o chamado “fanning”, ou seja, deixavam o gatilho totalmente pressionado enquanto engatilhavam a arma repetidas vezes. Como o gatilho já estava totalmente acionado, o cão jamais ficava travado na posição armada, disparando a arma cada vez que a mão soltava o mesmo. Atiradores de exibição ganhavam a vida mostrando tal habilidade. Quanto à alegada imprecisão das armas, é algo que só existe na imaginação do articulista. As armas daquela época eram formidavelmente precisas, tanto revólveres quanto rifles, tão precisas que durante a guerra civil americana já havia snipers. Faltou muita, muita pesquisa por parte do articulista.
“Quantos assassinatos você acha que ocorriam, em um ano, nessas típicas cidades do velho oeste? Pense na mais violenta cidade, a mais sangrenta, aquela típica cidade onde criadores de gado disputavam à bala a propriedade de seus terrenos e onde os cowboys marcavam de duelar ao meio-dia para resolver suas diferenças (não foi isso que o cinema ensinou?). Quantas mortes em um ano? Cem? Mais?
Que tal cinco? Este foi o maior número de homicídios que qualquer cidade do velho oeste já testemunhou durante um dado ano, ao longo de toda a história da colonização. Cinco homicídios em um ano. A maioria das cidades apresentava uma média de 1,5 homicídio por ano, e nem todos eram homicídios por tiros.”
No Condado de Lincoln, no Estado do Novo México, ocorreram 23 mortes de 18 de fevereiro a 19 julho de 1878…
Guerra do Condado de Johnson Estado americano de Wyoming entre 1889 e 1893
Excelente artigo. Mas uma coisa me deixou um tanto intrigado quanto à afirmação que o autor faz a respeito da “imperfeição” das armas da época. Não é bem assim.
O famoso COLT Single Action Army, .45, lançado em 1873 – e ainda fabricados até hoje com as mesma características técnicas – do qual sou um aficionado – é o revólver que fez a história do Oeste e se transformou numa lenda.
Conforme pode se ver neste vídeo, com relíquias originais da época, essa tal “imperfeição” não condiz com a realidade. Talvez, então, a única coisa que pudesse se imperfeita na época era a munição e não a arma.
https://www.facebook.com/yurivs/videos/10155080474698800/
ERRATA: Postei esse comentário no tópico errado.
Artigo parcialmente correto, exceto pelo fato de ser tendencioso anti-estatista.
Por que [/b]omitiram informações como estado tinha controle muito mais rigoroso sobre armas de fogo no Velho Oeste que hoje em dia?[/b]
abalaweb.wordpress.com/2014/05/27/o-verdadeiro-velho-oeste-2
(…)
Até a metade do século 19, as únicas terras ocupadas pelos americanos ficavam na costa leste do país, espremidas entre o litoral e o rio Mississipi – uma faixa equivalente a menos de um quarto do território atual dos EUA. As áreas onde hoje ficam Califórnia, Nevada, Utah, Texas, Arizona e Novo México pertenciam ao México. O primeiro impulso para além do Mississipi veio com a descoberta de ouro na Califórnia, em 1848. Anos depois, em 1862, Abraham Lincoln baixou o Homestead Act, uma lei que dava terras no oeste a quem se dispusesse a ocupá-las por pelo menos cinco anos. Foi aí que o oeste americano começou a ser povoado para valer.
No começo, as cidades não tinham tribunais, exército, delegacias de polícia nem qualquer sinal de segurança oficial. É daí que brotam as histórias de atiradores rápidos e baderna generalizada. "Ter fama de bom pistoleiro era uma maneira de ser respeitado e conquistar autoridade", diz Arthur Avila, historiador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). __ HAVIA CONTROLE DO ESTADO __ Mas é errado pensar no oeste como uma terra sem lei. Os assentamentos eram rigidamente controlados pelo governo. Quando se estabeleciam, os pioneiros tinham de enviar documentos ao Congresso pleiteando o reconhecimento de seus domínios. Feito isso, criava-se um conjunto de regras locais e se institucionalizavam os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
(…)
E as armas? Em muitas cidades do velho oeste, o controle delas era mais rigoroso do que é nos EUA de hoje. Tombstone, Deadwood e Dodge City eram as mais restritivas. Em 1870, quem chegava a Wichita, no Kansas, via placas com avisos do tipo "Deixe seu revólver na delegacia e faça um registro" ou "Você é bem-vindo, suas armas não".
Há [b]imagens que mostram a entrada de Dodge City, em 1879,com um outdoor onde se lê: "O porte de armas de fogo é estritamente proibido". Compare isso com a situação atual, em que 49 dos 50 Estados americanos permitem que os cidadãos tenham armas e andem com elas na rua. Surpreendentemente, o velho oeste era mais responsável com as armas de fogo.
Por isso, os homicídios eram raros. Em média, as cidades da fronteira registravam menos de dois por ano. Mesmo nas cidades grandes, a violência não era corriqueira. As cinco maiores cattle towns, vilas formadas em torno da criação de gado, contabilizaram apenas 45 homicídios entre 1870 e 1885. Em Abilene, uma das mais violentas, ninguém foi morto entre 1869 e 1870. Ellsworth e Dodge City foram as únicas a superar cinco homicídios por ano.
Como pode então haver pessoas como John Wesley Hardin?
pt.wikipedia.org/wiki/John_Wesley_Hardin
Senti falta de uma explicação concreta de como os conflitos e disputas eram resolvidos, ou seja, se houvesse uma briga, um conflito sobre demarcação de terras, roubo de gado, como exatamente se resolvia isso ? Quem era o juiz e quem garantia a decisão? Não sei se no livro completo tem esse tipo de detalhe.