Políticos
ao redor do mundo, praticamente sem exceção, vivem parolando sobre as supostas
glórias da “terceira via”, isto é, a adoção de um modelo econômico que não seja
nem capitalismo nem socialismo, mas sim uma mistura daquilo que “ambos os
sistemas têm de melhor”. A moda é
antiga, mas ganhou especial vigor na década de 1990 nos EUA, na Grã-Bretanha e
na Alemanha, com as respectivas eleições de Bill Clinton, Tony Blair e Gerhard
Schröder. Desde então, a defesa de tal
sistema só se revigora a cada ano, não obstante seus retumbantes fracassos.
O
principal objetivo da terceira via é combinar a eficiência econômica do
capitalismo com a “justiça social” do socialismo — o que significa a imposição
de maiores impostos, mais assistencialismo e regulamentações opressivas. Em suma, a terceira via é apenas um nome mais
pomposo e populista para a manutenção do status quo.
Ludwig
von Mises, ainda em 1921, já havia acabado com essa noção de que você pode combinar
o “melhor” do socialismo e do capitalismo.
Não existe isso de “o melhor” do socialismo, escreveu ele, pois mesmo a
menor quantidade de socialismo distorce o funcionamento de uma sociedade livre.
E,
de fato, nem é preciso fazer aqui uma explicação mais elaborada dessa tese para
que se entenda por que tal afirmação é verdadeira. Todas as coisas que nos enfurecem em nosso
dia a dia — utilizar os Correios, encontrar boas escolas públicas, trafegar
nas ruas estatais congestionadas, utilizar a saúde pública, ir a uma repartição
qualquer — são, em sua totalidade, operações governamentais. Já os setores da economia que estão, de um
modo geral, livres de amarras governamentais — a indústria tecnológica, o
comércio via internet e o setor de serviços (aqueles que não são pesadamente regulamentados
pelo governo) — funcionam como deveriam.
Economias
de mercado prósperas e capitalizadas conseguem aguentar o fardo imposto pelas
políticas da “terceira via” com bem mais vigor do que as economias menos
desenvolvidas. Por exemplo, a “terceira
via” adotada pelas antigas repúblicas socialistas do Leste Europeu destruiu uma
década de tentativas de reforma após 1989.
E, ainda hoje, a pesada regulação estatal continua aprisionando enormes
segmentos da população da América Latina, da África e do Oriente Médio na
pobreza.
Amartya
Sen, que ganhou o Prêmio Nobel de economia em 1998, é considerado o guru do
pensamento da “terceira via”. Diz-se que
ele colocou uma “face mais humana” na ciência econômica ao introduzir uma
“dimensão ética” e uma “preocupação com os pobres” em seus ensaios. Entretanto, a verdade é que essa “ética” e
essa “preocupação” nada têm a ver com o quanto ele pessoalmente contribui para
causas caritativas. Tais termos são
simplesmente códigos para sinalizar que ele defende a medicina socializada, o
agigantamento do assistencialismo e um grande papel do governo em planejar a
economia.
O
fato é que todos nós devemos ficar bastante atentos a propostas de “uma face
mais humana” para a economia. Por algum
motivo, essa face invariavelmente se traduz na munheca cerrada do estado. É por isso que Sen escreveu que a
prosperidade das nações ocidentais “não é o resultado de nenhuma garantia
fornecida pelo mercado ou pela busca por lucros, mas sim devido à assistência
social que o estado ofertou”. É
interessante, no entanto, constatar que os soviéticos nunca foram capazes de
gerar prosperidade por meio de sua ampla rede de proteção social. Isso, Amartya não explica.
Ao
ler toda a literatura defensora da “terceira via”, a impressão que se tem é a
de que o estado é formado por funcionários amorosos, cuidadosos e sábios,
sempre em prontidão para confortar os angustiados e fornecer seguridade para os
marginalizados. Com efeito, nenhum
estado com essas características jamais existiu e jamais irá existir, por uma
única razão: a característica única e inconfundível do estado é o seu uso da
violência, e não a sua oferta de amor. O
estado não possui recursos próprios; tudo o que ele adquire é por meio da
agressão contra as pessoas e suas respectivas propriedades.
As
regulamentações estatais são violentas, pois impedem — ao imporem condições
sob pena de processo — que indivíduos façam contratos voluntários entre
si. Os subsídios, na forma de dinheiro
dado diretamente a determinados grupos, são violentos, pois transferem riqueza de
um grupo para outro sem a permissão daqueles.
A inflação monetária é uma forma sutil e insidiosa de roubo, pois
subtrai poder de compra do dinheiro que o estado nos obriga a utilizar. E não irei mencionar aqui os impostos apenas
para não ferir a decência.
Mises
argumentava que a “terceira via” é instável porque as intervenções criam
efeitos nocivos e imprevistos, os quais acabam clamando por mais intervenções
apenas para serem corrigidos. O
resultado é uma inexorável marcha rumo à economia planejada, a menos que alguns
passos definitivos sejam dados com o intuito de retroceder o agigantamento do
estado. Uma maneira de contornar esse
problema, obviamente, é simplesmente assegurar aos cidadãos que os efeitos ruins
do intervencionismo (por exemplo, um menor nível de investimentos) são
compensados pelos supostos bons efeitos (toda uma classe de pessoas aliviadas
do fardo de ter de trabalhar, por exemplo).
Porém,
como podem os “custos sociais” e os “benefícios sociais” de várias políticas
serem comparados uns aos outros? Se
seguirmos a lógica ensinada pela Escola Austríaca de economia, isso é
impossível. O valor de algo é o produto
de cada mente humana individual. Os
planejadores sociais não têm acesso a essa informação subjetiva simplesmente
porque algo tão pessoal como ‘valores’ não pode ser colocado em equações e
sofrer manipulações. É impossível
existir algo como “custo social” ou “bem-estar social” em um sentido
matemático; tais coisas simplesmente não podem ser computadas.
Adicionar
e subtrair valores individuais, e com isso criar um índice de bem-estar geral,
é uma impossibilidade — se levarmos a lógica a sério. Porém, no mundo de Amartya Sen, não se pode
deixar que a lógica interfira na “face humana”.
Em suas teorias sobre custo social, ele defende a ideia de que as
“utilidades interpessoais” podem ser comparadas. Afinal, se é para termos um estado amoroso e
caridoso, temos então de ter alguns meios para compreender a vontade do povo.
Sen
é mais desavergonhado e direto que a maioria de seus colegas, porém é fato que o
vício de quase toda a ciência econômica moderna é essa presunção de que os
economistas sabem melhor do que as próprias pessoas o que é bom para elas
próprias e para toda a sociedade. Entretanto,
se realmente quisermos que a vontade do povo prevaleça, nenhum sistema tem
chances de gerar um resultado melhor do que a economia de mercado. Em um livre mercado, toda a produção, trabalho
e consumo refletem as escolhas voluntárias de indivíduos que querem melhorar
sua situação de vida. Em uma sociedade
puramente voluntária, ninguém é forçado a fazer nada que seja contrário a seus
objetivos finais individuais, desde que estes sejam buscados de forma pacífica.
Entender
genuinamente esse ponto seria, aí sim, começar a pôr uma autêntica face humana
na ciência econômica. É o estado quem
trata as pessoas como sendo menos do que humanas, como meros objetos a serem
manipulados de acordo com a visão que terceiros têm sobre como a sociedade deve
funcionar. A verdadeira dinâmica da
“terceira via” não é o préstimo ou a compaixão: trata-se, ao contrário, da
batalha cruel e selvagem pelo controle das alavancas do poder e da riqueza
propiciada por elas.
Não
é coincidência alguma que, tão logo os políticos de qualquer ideologia chegam
ao poder, a primeira coisa que eles fazem é falar que são favoráveis à terceira
via.
“…Ao ler toda a literatura defensora da “terceira via”, a impressão que se tem é a de que o estado é formado por funcionários amorosos, cuidadosos e sábios, sempre em prontidão para confortar os angustiados e fornecer seguridade para os marginalizados. Com efeito, nenhum estado com essas características jamais existiu e jamais irá existir, por uma única razão: a característica única e inconfundível do estado é o seu uso da violência, e não a sua oferta de amor. O estado não possui recursos próprios; tudo o que ele adquire é por meio da agressão contra as pessoas e suas respectivas propriedades…”
Essa me fez lembrar do comentário da Natália Castro no artigo de ontem sobre o INSS:
“…Isso é um equívoco enorme pq o que código penal, em seu artigo 337-A intenciona é a proteção ao empregado, que não poderá deixar de rebecer seu benefício pq a empresa sonegou ou se apropriou indébitamente de suas contribuições…”
A terceira via é uma das melhores invenções da polica pública desonesta (e existe outro tipo ?) dos últimos anos.
Maquiavel ficaria orgulhoso. Aliás, a palvara pragmatismo hoje em dia é vista como algo bom em vários paises, até aqui no Brasil. E essa tal terceira via é o pragmatismo aplicado na prática: os políticos sempre consguem falar o q as pessoas querem ouvir.
A noção de uma terceira via sempre me remeteu aos textos “economicos” do nacional-socialismo.
Se eu posso ser o melhor do socialismo, com a gestão matemática da moeda (na terceira via), por que vou aceitar o custo social que advém de dinheiro físico?
E como você explica o ordoliberalismo adotado com sucesso pela Alemanha Ocidental após a guerra? Eles são agora o maior PIB da Europa, e um dos países com melhor IDH (10º).
Olá, vejo que temos anarco-capitalistas aqui.
Gostaria que os senhores me ajudassem a entender por meio de suas palavras, ou artigos ou livros o que uma sociedade pode fazer para se defender de perturbações do meio ambiente originárias das consequências da atividade empresarial, como inutilização de rios, alteração da qualidade do ar.
Muito Obrigado!
O amigo, dormiu muito tarde. Cuide-se também.
Deus te ama.
Olá,
Tive uma dúvida em “A inflação monetária é uma forma sutil e insidiosa de roubo, pois subtrai poder de compra do dinheiro que o estado nos obriga a utilizar.”
Ora, a inflação não seria necessária? Afinal, qual o problema dela?
Sobre a frase:
‘É impossível existir algo como “custo social” ou “bem-estar social” em um sentido matemático; tais coisas simplesmente não podem ser computadas’
Acredito que esse foi precisamente o objeto de estudo de Kenneth Arrow em seu teorema da impossibilidade, no sentido de que _ainda que_ fosse possível estabelecer uma forma de medir o bem-estar social, não seria possível prever se as escolhas realizadas pela sociedade levariam à maximização dessa medida.
De fato, a 3º via é um engodo burguês para alienar o proletariado da luta de classes. Acepta-se o capitalismo libertário imediato como defendido pelos anarco-neoliberais desta comunidade: Visando meramente a maximização dos lucros e indiferente ao ser humano. Não mais a vanguarda deverá aguardar pelas esmolas da sua classe, apenas o sofrimento, o rancor e a dor dos pobres nos levará à revolução como previsto pela sempre precisa dialética marxista.
O assistencialismo não leva à revolução do proletariado. No máximo, cria a dependência sobre a qual o autor frisou ser perfeitamente atendida por cada reprodução capitalista(Mudança após cada ciclo econômico da mais-valia). Seguindo Marx à risca, que sejam proibidos e punidos violentamente os sindicatos, que os trabalhadores recebam horas de trabalho máximas e salários de fome(Pois ambos são determinados apenas pela “generosidade” da burguesia), que todos os serviços públicos sejam abolidos imediatamente e que qualquer mecânica de controle de preços estatal jogue todos esses para cima.
Não há revolução de burocratas. A classe dominante será apenas eliminada pelo ódio vicioso e o desejo sanguinário dos revolucionários.
Tome mais terceira via…
Governo admite elevar impostos para poupar até R$ 20 bi. O Palácio do Planalto e a equipe econômica bateram o martelo de que é preciso “cortar na carne” e promover um novo bloqueio, da ordem de R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões, nas despesas previstas para este ano. Mas, diante da enorme dificuldade dos técnicos de encontrar gordura no Orçamento, a presidente Dilma Rousseff decidiu que será necessário aumentar impostos.
exame.abril.com.br/mercados/noticias/10-noticias-para-lidar-com-os-mercados-nesta-quarta-feira–120?page=2
O que os austríacos não conseguem entender é que as pessoas, embora sejam diferentes e valorem as coisa de forma diferente, elas são quase iguais, isto é, as semelhanças são muito maiores que as diferenças. Existem grupos de pessoas que preferem rock a pagode, carros grandes a carros pequenos, etc. Mas não tem gente que gosta de comer merda, por exemplo. Saber o que tem (ou gera) valor não é impossível, pelo contrário, é até simples.
A teoria do valor trabalho é muito melhor que a do valor subjetivo. O que ela precisaria seria incorporar esse aspecto subjetivo, mas não uma outra teoria que a invalidasse completamente.
A saúde, por exemplo, é uma coisa que todo mundo quer. Alguém prefere a doença ? Portanto, um sistema de vouchers, bancado por impostos, seria uma situação mais eficiente e justa do que deixar alguns sem nenhum tratamento. O deslocamento de recursos garantidos para saúde, provocaria uma aumento na oferta do serviço.
Ninguém vai querer ser médico se o salário for um lixo. Logo, é preciso garantir que sempre seja uma boa a área médica, para que não ocorra falta desse serviço para ninguém.
Eu prefiro renda mínima, o que dá mais ou menos na mesma de sistemas de voucher.
“Govern a country with upright integrity
Deploy the military with surprise tactics
Take the world with non-interference
How do I know this is so?
With the following:
When there are many restrictions in the world
The people become more impoverished
When people have many sharp weapons
The country becomes more chaotic
When people have many clever tricks
More strange things occur
The more laws are posted
The more robbers and thieves there are
Therefore the sage says:
I take unattached action, and the people transform themselves
I prefer quiet, and the people right themselves
I do not interfere, and the people enrich themselves
I have no desires, and the people simplify themselves”
Tao Te Ching, capítulo 57
E, de fato, nem é preciso fazer aqui uma explicação mais elaborada dessa tese para que se entenda por que tal afirmação é verdadeira. Todas as coisas que nos enfurecem em nosso dia a dia — utilizar os Correios, encontrar boas escolas públicas, trafegar nas ruas estatais congestionadas, utilizar a saúde pública, ir a uma repartição qualquer — são, em sua totalidade, operações governamentais. Já os setores da economia que estão, de um modo geral, livres de amarras governamentais — a indústria tecnológica, o comércio via internet e o setor de serviços (aqueles que não são pesadamente regulamentados pelo governo) — funcionam como deveriam.
Todos os Estados, seja o brasileiro ou o canedense?
Leandro
Poderia dizer que o sistema americano de saude se assemelha as montadoras aqui no Brasil ?
Olá Eduardo Maal,
eu li todo o comentário. Apenas direcionei o meu para o item 1 si seu. Tanto que eu selecionei fragmento do seu texto e o selecionei entre aspas.
De qualquer forma, seguem abaixo novos decotes para a formulação desta nova resposta.
(…)”como eu detalho no ponto 2. do meu argumento, que você parece não ter lido, o que será mais economico?
Eis o item 2 de seu comentário:
2. Quando você reprime um grupo, eles farão de tudo para te derrubar. Será mais barato criar um exército de repressão aos pobres? Especialmente considerando que um dia você pode fazer uma má decisão e acabar junto com eles? Ou será mais barato ajudar os poucos que realmente não conseguem sair do buraco?” (…)
Proteção Ambiental, Saúde, Justiça, Infra-Estrutura, Transporte em Massa são produtos e serviços, assim como Cuidar dos Pobres.
Repita-se, estes fragmentos de seu comentário não foram objeto de meu comentário anterior.
Você parece partir do princípio de que um ser humano individual, pode “reprimir” um grupo de seres humanos individuais. E este grupo, conforme se extrai do seu texto seria o grupo dos “pobres”. Assim, se você reprime “pobres” estes “farão de tudo para te derrubar”.
Derrubar de onde? O que são pobres? E o que é o contrário de pobre?
Porque v. se dirige a um “ente” que “a priori”, não é pobre e estaria sugerindo para que este “ente” não os reprima?
Como se pretende provar que o mercado “livre” é verdade, então, necessariamente, não pode existir repressão, quer seja do “governo” ( coerção) de um “ente”, qualquer quer seja o “indivíduo”. Principalmente, contra um Grupo de indivíduos, aqui adjetivados como “pobres”.
Esta expressão qualitativa “pobre” foi , na minha opinião infeliz. Isto porque ela carrega significados múltiplos, ideologias diversas, afastando-se assim, do ser humano individual, dotado de racionalidade.
De outro modo, somente há liberdade se, e somente se, não houver repressão.
De outra forma, liberdade (L), ——->(~R) será verdade se “L” e “~R” forem verdadeiras. Ou ambas forem falsas, ou se a primeira apenas for falsa.
Sendo verdadeira a primeira proposição, isto é, a liberdade, então o resultado “verdade” só é possível se a proposição, NÃO REPRESSÃO, for verdade.
Ora, se alguém pode reprimir pobres, então necessariamente NÃO HÁ liberdade. Neste caso, teríamos “F” e “F”, logo o resultado seria verdadeiro, isto é, não repressão=Falso e liberdade = falso, então será verdade.
Assim, L—–~R = V se, L=falso e ~R= falso, necessariamente.
Logo, se há livre iniciativa, então , necessariamente, não pode existir repressão(em momento algum e de qualquer forma) sob pena de propagar a falsidade.
Nesse sentido, não propagar a falsidade talvez seja a melhor maneira de esclarecer, fazer compreender, elucidar, trazer a tona, enfim, alertar a todos o que ” É ” a “livre iniciativa”.
Eu não queria nascer deficiente físico nesse céu capitalista de vocês.
OK, vamos começar do zero.
1. De onde vem a riqueza? Bom, a riqueza é criada quando 2 pessoas fazem uma troca voluntária. Por exemplo, temos o João e o Zé. O João tem um pedaço de terra, onde ele pode produzir ou 1.000 laranjas ao ano, ou 1.000 uvas (ele tem um método bom de produzir laranjas). O Zé pode produzir em suas terras ou 200 laranjas, ou 1.500 uvas (ele se especializa em uvas). Se eles decidem não fazer troca, o João poderia produzir em metade de sua terra 500 laranjas e na outra metade 500 uvas. O Zé poderia produzir em metade de sua terra 100 laranjas, e na outra metade 750 uvas. Entretanto, se cada um se especializa no que faz melhor, e depois trocam metade da produção de um, pela metade da produção do outro, o João iria produzir 1.000 laranjas, ficando com as mesmas 500 que ele ia ficar anteriormente. Entretanto, como o Zé produziu 1.500 uvas, ele agora terá 750 uvas, ao invés de 500. O mesmo ocorre com o Zé, que ao invés de apenas 100 laranjas, agora receberá 500, e terá as mesmas 750 uvas. Então, por meio da troca, ambos ficaram mais ricos. E continuarão a ficar mais ricos quanto mais eficientes e mais inovadores sejam com seus métodos de produção.
2. O Governo é capaz de muita coisa – porém, apenas coisas negativas. Pois o método do Governo é o roubo. E a mentira. No Governo, os incentivos estão invertidos. O Governo, quando faz uma iniciativa improdutiva, não se quebra como acontece com uma empresa, ele simplesmente manda mais recursos para cubrir o buraco. Ou seja, o que é improdutivo no Governo, cresce. O que é produtivo, diminui. Então para mim, pelo menos, que não sou novato no uso da lógica, não é surpreendente que os políticos roubam. Qual é a estratégia ganhadora de um político? É exatamente ignorar o que não é visto. O político aprova uma Lei de Salário Mínimo, e aperta a mão do indivíduo que passa a recebê-lo, por exemplo, o caixa na loja de comida do cinema, ou o frentista. Mas não aperta a mão dos outros, que perderam o emprego para que este indivíduo tivesse que receber um pouco mais. Ele não vai apertar a mão do empresário que agora decide não fazer um negócio, porque os encargos trabalhistas e os impostos são muito altos, e portanto vale mais a pena deixar o dinheiro rendendo no Banco. É o clássico caso da falácia da janela quebrada, junto com o inverso da história do empresário (que ao invés de dar um peixe ao pobre, lhe ensina a pescar). Tudo que o Governo faz é ineficaz, portanto cada emprego que o Governo cria, gera desemprego no setor produtivo. Cada tostão que o Governo ineficientemente gasta por um lado, é um tostão menos que o setor produtivo usaria do outro. Então o que é o Bolsa Família? Simplesmente é o Governo, gastando dinheiro – e gerando desemprego no setor produtivo – para que alguma pessoa pobre possa consumir mais. O que acontece quando o Governo faz uma expansão do crédito? Simplesmente está subsidiando crédito, e forçando os bancos a dar crédito para as pessoas (que contraem dívidas que apenas crescem), para que elas saiam e consumam bens que se depreciam (casas, carros, eletrodomésticos, etc.).
Bom, acho que podemos deixar bem claro que o Governo não cria riqueza, apenas a destrói. E faz isso roubando o dinheiro das pessoas. Talvez você, voluntariamente, entrega 70% do seu poder aquisitivo ao Governo, mas eu não. Eu não assinei esse Contrato Social. Ninguém me perguntou o que eu achava. E nenhum candidato até agora oferece isso. Claro, como poderia oferecer? Você acha que a Dilma, ou que algum ministro, congressista, deputado, eles ficam no seu gabinete olhando para a parede, pensando “Como vou ajudar o Brasil hoje?” Claro que não. Eles têm lobistas nas suas portas o dia inteiro – bom, quando aparecem pelo escritório. Oferecendo qualquer quantidade de dinheiro, para que as Leis sejam passadas para favorecê-los. A estratégia ganhadora para o político é passar essas Leis, encontrar uma boa desculpa para explicar para a população porque essa Lei vai beneficiar a eles, e usar o dinheiro para se re-eleger. Ou você acha que é barato ser eleito? E quanto mais ignorante e despistada a população, mais fácil é enganá-los a acreditar que tudo que é feito é pelo seu próprio bem.
Tudo que o Governo pode fazer, o Livre Mercado pode também. Tudo é produtos e serviços. Você acha importante ajudar aos pobres se educarem? A ter uma vida digna? A terem sua própria moradia? Eu também acho. Mas eu quero dar a eles o emprego, para que eles mesmo comprem sua moradia. Eu quero que eles o façam através da troca voluntária, não por meio de esmola. E como conseguiremos isso? Através de uma economia eficaz. Através de oportunidades. Mas se um político passa legislações que eliminam essas oportunidades de existir, como podemos ir adiante? Um emprego não é importante por ser um emprego. As pessoas devem trabalhar para produzir bens que outras pessoas demandam! Mas como comprar uma casa, pagando metade pro produtor da casa, e metade pro Governo? Como comprar comida, se metade vai para o produtor, e metade vai para o Governo? Para que eles roubem uma parte do dinheiro, e a outra usem de maneira ineficaz?
Num Livre Mercado, por um lado, todo o dinheiro é usado de maneira produtiva. OK, não será perfeito. Mas pelo menos é tudo voluntário. Se eu compro um produto de você, é porque para mim o produto vale mais do que o preço que você está me cobrando. Se você me vende o produto, é porque para você o dinheiro é mais importante do que o produto. Ambos ganhamos. Mas se o transporte é monopolizado pelo Estado e seus amigos, eu não tenho alternativa senão usar esse produto oferecido por essa única empresa! Num Livre Mercado, se alguém está “abusando”, haverá outro que abusará um pouco menos, para ganhar o mercado. O outro que abusará menos. Até que, por meio da concorrência, haverá alguém que chegue ao “preço justo”, e a concorrência se torne de quem consegue ser mais eficaz. Você tem a opção de não comprar o produto de um, para comprar o do outro. E nessa opção como consumidor, você coloca seus valores. “Ah, eu compro produtos de tal fabricante, porque é feito aqui no Brasil, e emprega Brasileiros.”, ou “Ah, eu compro produtos de tal fabricante, porque ele faz as coisas respeitando o meio ambiente. E pago um pouco mais caro por isso.”, ou até “Por que ninguém cobra R$ 1 a mais por este produto, e doa isso para caridade? Eu acho que há mercado para isso, e vou fazer.”
Você entende que tudo que você quer fazer para ajudar as pessoas, não precisa de um Governo roubando seu dinheiro para fazer? E muito disso já é feito, é só uma questão de ver as campanhas de marketing de muitas empresas. De artistas. Você achas que a Malu Mader realmente está pouco se lixando para uns Índios? Talvez ela até está, mas ela também quer ganhar popularidade junto com a Juliana Paes por ser uma pessoa preocupada. Ela também quer promover a sua carreira. Quero ver a Juliana Paes se misturando com os índios, lá na oca deles. Quero ver eles abrirem mão do cachê. Mas isso não é ruim, é bom. As coisas boas também se podem atingir pelo Livre Mercado. Os consumidores votam todos os dias, por meio dos produtos que consomem. Para um político, você vota a cada 4 anos, para um pacote de medidas que muda pouco político a político, e você tem zero transparência do que eles realmente fazem. Olha tudo que está aparecendo no jornal.
Sua lógica menor parece irrefutável e corretíssima.
Todavia, a sua lógica MAIOR, é falsa. Nesse sentido, é uma falácia.( com o devido respeito)
Você NAO começou do zero.
É fácil perceber que este território, por razoes diversas ( talvez, mercantilistas) deixou sua antropologia de lado e passou a conviver com algo que não foi igual a ZERO, a não ser que , por convenção ,assim estabeleça.
Mas ai, já não estaríamos tratando de ZERO , matemático, com pretende-se
E talvez, o nosso problema esteja exatamente ai, isto é, neste “zero inicial”
Eis um questão que julgo importante trazer a baila , a fim de retirar o sofisma de seu silogismo.
Saudadoes
Excelentes conclusões, Eduardo Maal. Acredito que suas premissas estejam corretas, pois é verdade (como o ovo e a galhinha) que quem surgiu primeiro foram os indivíduos juntamente com a propriedade privada, só depois surge a draga estatal. Quanto a questão da pobreza, aventada nas questões anteriores, não teria como dar outra explicação, realmente nenhum dos lados sabe o que fazer com ela, tanto é que está aí nua e crua, nota-se a miserabilidade ao se andar pelas ruas. Não podemos reduzir nossa mente e aceitar que pobres está onde está por pura preguiça, pois nem todos tiveram as mesmas oportunidades. E também não podemos sustentar um sistema que garanta todos os direitos fundamentais a todos irrestritamente (só em sonho). Questão difícil… mas não devemos abaixar a cabeça e aceitar as condições como imposição, pois não somos formigas, onde cada um nasce com um propósito, ou seja, a sociedade no formigueiro é a que só poderia ser (instintivamente)! Somos seres racionais, não vivemos no instinto, escolhemos tudo, desde a roupa que vestimos à sociedade que queremos… Abs
Muito bom esse artigo.
Sempre pareceu-me que juntar o melhor do Capitalismo e do Socialismo seria o caminho óbvio a ser seguido, seríamos como uma sociedade retratada em algumas séries de ficção, como a Star Trek, por exemplo, lá não há pobreza mas não há busca pela riqueza, só pessoas lutando por algum bem comum, trabalhando e se aperfeiçoando para subirem nos postos oferecidos, mas depois desse artigo notei que essa idéia é coisa antiga, tem até nome e é difícil de implementar dada as características humanas.
Me parece que hoje aqui no Brasil essa terceira via tem se tornado nada mais que uma eficiente propraganda politica usada para eleicoes, para se elegerem ao poder. O que realmente fazem sobre isso depois de chegar ao poder nao e nada mais que pura tentativa de obter consolidacao de ”salvadores da patria” diante do povo (Vide a forma avantajadamente obscena do bolsa familia que e a distribuicao ineficiente, sem regras e parametros).
Como profundo admirador do modelo nórdico e canadense, achei bem vago esse trecho:
“ […] É interessante, no entanto, constatar que os soviéticos nunca foram capazes de gerar prosperidade por meio de sua ampla rede de proteção social. Isso, Amartya não explica.“
Será que é por que… não havia liberdade econômica?
Embora o artigo não identifique o autor do texto, mas, a proposta literária com base no titulo do artigo é interessante: a “terceira via” é escravidão disfarçada!
Isto me faz pensar sobre; se há na realidade uma dinâmica na existência humanidade, cuja está sofrendo uma mudança no contexto passado, alteração está que interrompendo o conceito literal da dinâmica da antiga construção da sociedade para uma nova experiência de mundo; que advém deste presente contexto para um formatar um futuro distinto na história do surgimento do homem; portanto, se a mudança é um fato, a dinâmica não é não única e invariável, visto que ela toma proporções distintas com base na sua própria adversidade; variando conforme o fator tempo-espaço vai sendo alterado e transformado pelo próprio ser humano!
Se adotarmos como prospecto o termo que por sua vez vem do grego pragmatikos, que quer dizer, versado em negócios; que tem raiz nos termos pragma – negócios – feitos – ou atos civis e prassein – fazer" – agir – ou realizar; podemos criar um conceito associando os termos: pragmatikos e prassein e formar um novo: especialista em executar.
Bem, este especialista imaginário é um exímio executor de política: político; podia também ser um musico; literato e outros, mas, neste caso é político. Ele tem a sua própria cultura, que é conjunto de idéias, conceitos, princípios e valores; e então ele decide empregar tudo isto no exercício do seu oficio.
A sua personalidade é imbuída de autoridade e união e a sua filosofia política é nacionalista, imperialista, antiliberal e antidemocrática. Este é o perfil deste político. Não obstante a isto, também é um idealista que prevê a superação do capitalismo por meio da luta de classes, o fim da propriedade privada dos meios de produção, a instauração de um regime de partido único e, num último estágio, a supressão do Estado e o estabelecimento de uma sociedade sem classes e este político visa chegar à presidência do País para implantar um regime de governo presidencialista cujo sistema seja socialista.
A sua idéia é a de que depois de estar no controle do País, ele instigar o surgimento de uma onda crescente de divulgação de idéias ligadas à necessidade de se libertar de valores tradicionais; cristãos e católicos que são predominantes, para falar a verdade; através de uma nova política, cujas teorias pretendem justificar a necessidade de formar uma nova sociedade e alternativa por conta das suas influencias pessoais serem ocultistas.
E o resultado final desta nova metamorfose é alterar natural, e este é o plano da New Age.
Isto é a terceira via na pratica, ou seja, é a escravidão disfarçada de liberdade.
Para isto é preciso desconstruir conceito natural de família e destruí La.
Todos os valores morais, sociais e religiosos são desconstruídos e substituídos pelo liberalismo total.
Tudo isto visa à implantação do Ecumenismo Religioso e da Globalização Política, que será definida por Nova Ordem Mundial. Antes parecia utopia.
Hoje a ONU está com este projeto quase em fase e no futuro o mundo será apenas um País, com Sistema Político único; de Religião única, e governada apenas por um Líder Mundial único.
Esta é a formatação da futura Terceira Via; a escravidão disfarçada de liberdade.
Isto ainda é uma teoria da conspiração, mas, será fato, quando consumada.