Na
última declaração do Federal Reserve, publicada no dia 21 de setembro, o Banco
Central americano praticamente repete a mesma ideia errônea que havia aunciado
logo após a crise do crédito, em meados de 2009: ainda há muita ociosidade na
economia americana, portanto as taxas de juros terão de continuar em níveis
próximos de zero por um “período prolongado”, e o Fed continuará comprando
títulos do Tesouro.
Isso
confirma que uma nova e maciça rodada de desvalorização do dólar — artifício
pomposamente chamado de quantitative
easing (afrouxamento quantitativo), eufemismo para ‘imprimir dinheiro’ —
está pronta para começar.
Desde
uma emenda feita em 1977, o Fed tem um objetivo duplo: promover a “estabilidade
de preços” e o “emprego máximo”. Embora
ele frequentemente aja como se ambos os objetivos fossem faces complementares do
seu mandato, o fato é que esses dois objetivos sempre estiveram em conflito
durante todas as recessões ocorridas nos EUA desde a Grande Depressão.
Tudo
indica que, da noite para o dia, o Fed resolveu alterar seu mandato,
descartando o objetivo da “estabilidade de preços” em favor de uma “moderada
inflação de preços”. Embora ninguém
tenha a ilusão de que o Fed manteve os preços estáveis ao longo do último
século, o fato é que seus presidentes ao menos fingiam que estavam combatendo a
inflação. Uma inflação baixa costumava
ser o objetivo; hoje, tornou-se o inimigo.
Embora
a inflação atualmente criada pelo Fed ainda não esteja aparecendo de imediato
em setores como aluguel de imóveis ou preço de automóveis, ela inegavelmente
tem estimulado os preços de ativos em outras áreas. Muitos comentaristas econômicos celebraram o
“melhor setembro do Dow Jones e do S&P 500 em 71 anos”, ambos tendo subido
7,7% e 8,8%, respectivamente.
Bom,
sendo assim, também foi um setembro excelente para a soja (subiu 9,5%), para o
arroz (subiu 10%), para o petróleo (subiu 11%), para o milho (subiu 12,2%),
para o suco de laranja (subiu 13%), para o algodão (subiu 17,5%) e para o
açúcar (subiu 19,3%). Com efeito, todas
as commodities subiram em média 8,7%. Em
relação ao dólar, o franco suíço subiu 4,6%, o euro subiu 7%, o dólar
australiano subiu 9%. O ouro atingiu seu
valor recorde em termos nominais e a prata está em seu maior valor dos últimos
30 anos, assim como o cobre, que está em seu maior valor dos últimos 3 anos.
Em
outras palavras, o pacote de arroz na prateleira da minha cozinha teve um mês
melhor que o Dow Jones. O mesmo pode ser
dito da minha cueca samba canção dentro do meu armário. Ou do milho da minha pipoca. Não seria mais correto dizer que não é o Dow
que está subindo, mas sim o dólar que está caindo?
Os
membros do Fed disseram que pode levar “vários anos” até que a inflação retorne
a níveis consistentes com o mandato do Fed.
Exatamente quando o Fed estabeleceu um piso para a “inflação
aceitável”? Qual é esse piso: 2%? (O núcleo do índice PCE — gastos em consumo
pessoal — atualmente está em 1,4% no acumulado desde janeiro). Se os preços estiveram abaixo desse piso,
qual é o teto: 3%? 4%? Em 1971, o
presidente Nixon impôs controle de preços quando a inflação média estava em
4%. Essa taxa foi considerada tão alta,
que medidas de emergência foram implantadas.
Esse ainda é o caso hoje? Quanto
mais os custos das coisas terão de subir até que o Fed resolva tirar o pé do
acelerador?
Sem
uma melhor compreensão sobre como o Fed encara esses parâmetros, os mercados
estarão voando às cegas em meio a uma neblina impenetrável.
Se
o Fed levasse a sério sua obrigação de manter a estabilidade de preços no longo
prazo, ele teria de permitir que os preços caíssem após o estouro das bolhas
especulativas que ele próprio cria. Quando as bolhas estouram, há um período de
alto desemprego durante o qual os preços devem ter a liberdade de cair. Nesse período recessivo, o banco central deve
escolher entre estimular o emprego de curto prazo por meio da inflação
monetária, ou defender a estabilidade de preços permitindo que os ativos
retornem ao seu valor lógico de mercado. Como vimos nos EUA na década de 1980, quando o
Fed estava sob o comando de Paul Volcker, o desemprego se resolve sozinho
quando o sistema monetário é solido.
Porém, quando há um banco central embusteiro e inflacionário criando
incertezas, nenhuma empresa irá contratar, o que irá prolongar o desemprego.
A
notícia de que a economia americana perdeu 95.000 empregos em setembro confirma
aquilo que sempre foi previsível: doses maciças de estímulos fiscais são
incapazes de criar uma recuperação real.
A taxa de desemprego americana tem ficado acima de 9,5% durante 14 meses
consecutivos, o maior período desde que o histórico mensal começou a ser medido
em 1948. O que é ainda mais importante:
a taxa de desemprego real, que leva em conta as pessoas desestimuladas e os trabalhadores
subempregados, subiu de 16,7% para 17,1%.
Com
isso, o Fed se defronta com a mais difícil escolha de sua história: ou ele
redobra seus esforços e tenta a todo custa reinflar alguma bolha (arriscando
destruir o dólar) ou ele simplesmente para de criar dinheiro e permite que a
economia americana se deflacione até um nível autossustentável. Infelizmente, ambas as escolhas são garantia
de uma severa aflição econômica — porém, apenas uma delas oferece a possibilidade
de sucesso.
Mas
a tendência é que, de posse desse dado negativo sobre o desemprego, o Fed siga
em frente com seu plano de fazer mais uma rodada de quantitative easing. As
recentes declarações dos funcionários do alto escalão do Fed deixaram claro
esse sentimento. Aparentemente, eles sentem
que devem fazer alguma coisa, quando se sabe que a completa inação do Fed seria
muito melhor para a economia americana.
Eles repetirão tudo de novo, mesmo sabendo que todas as tentativas anteriores
fracassaram abismalmente.
Muitas
pessoas supõem que o “colapso” a que eu vinha me referindo desde 2006 ocorreu
em 2008. Quem realmente me acompanha e
leu meu livro Crash
Proof sabe que a história é outra. A
crise financeira resultante do estouro da bolha imobiliária, a qual eu acuradamente previ, não foi
o colapso em si, mas apenas o prelúdio de uma ópera econômica muito mais
trágica, cuja cortina apenas agora está se abrindo.
Argumentei
que o colapso do setor imobiliário americano iria ameaçar todo o sistema
financeiro, e que o governo americano iria reagir implementando vários pacotes
de estímulo e de resgate do sistema financeiro — tornando assim a situação
muito pior. Foi exatamente isso que
aconteceu. Naquela época, eu não
acreditava, e continuo não acreditando hoje, que o sistema entraria em colapso caso
o processo de liquidação das dívidas ruins tivesse sido permitido pelo governo. Por outro lado, eu continuo acreditando que a
economia americana irá sucumbir à “cura” fornecida pelos infinitos estímulos
aprovados por Washington.
Muitos
hoje alegam que os déficits do governo americano e o afrouxamento monetário
feito pelo Fed impediram uma repetição da Grande Depressão. Do meu ponto de vista, a calamidade não foi
evitada, mas apenas adiada. O preço do
adiamento será um declínio econômico muito mais severo, o qual hoje eu creio
que superará a Grande Depressão.
Em
meu livro, falei como a economia americana estava sofrendo de doenças mórbidas,
como bolhas de ativos, consumo e endividamento excessivos, e insuficientes
níveis de poupança, investimento e produção.
Essas condições não surgiram como resultado de forças de mercado, mas
sim de insensatas políticas monetárias, fiscais e regulatórias que distorceram
as forças de mercado. A cura adequada teria
sido a remoção de todas essas distorções, de modo que fosse permitido aos
mercados se corrigirem sozinhos.
Infelizmente,
como previ, ocorreu o oposto. Washington
não tinha a compreensão econômica e a vontade política para permitir que um
ajuste doloroso ocorresse. Assim, ao
invés de permitir o processo de liquidação, o governo acelerou as impressoras de
dinheiro e ministrou o equivalente a uma dose cavalar de heroína
econômica. As drogas tiveram o efeito de
postergar a dor, mas o efeito colateral foi a total piora dos fundamentos
econômicos. Quando o barato terminar,
uma ressaca ainda mais debilitante vai se manifestar.
Ao
optar pelo socorro ao setor financeiro, estimular os preços dos imóveis,
permitir que os gastos e o endividamento excessivo continuassem, manter
supérfluos empregos no setor público e não deixar que o setor de serviços encolhesse
em prol do setor industrial, o governo americano empurrou a economia para a
beirada de um precipício extremamente perigoso.
A
única escolha correta é admitir os erros passados e reverter a atual
trajetória. O Fed deve elevar os juros
agressivamente, encolher seu assustadoramente inchado balancete (o que
significa um enxugamento da base monetária) e permitir que a recessão
finalmente transcorra desobstruída. Será
muito mais doloroso agora do que teria sido em 2008, mas pelo menos dessa vez a
agonia irá terminar e uma recuperação real irá se consolidar. Uma política monetária austera e rigorosa, que
vai obrigar os governos federal e estaduais a cortar seus gastos, permitirá que
as forças de mercado reconstruam uma base sólida sobre a qual uma futura
prosperidade poderá ser construída.
A
escolha errada seria o Fed continuar seu afrouxamento quantitativo como
planejado, permitindo que o governo cresça em detrimento de toda a
economia. Isso irá ampliar os
desequilíbrios econômicos que estão na raiz de todos os atuais problemas da
economia americana. Como efeito
colateral, o dólar irá manter sua espiral descendente à medida que os credores
estrangeiros forem percebendo que o Fed não tem nenhum interesse em proteger
seus investimentos. Um dólar mais fraco
irá levar a uma inflação de preços mais alta e, consequentemente, a juros
maiores, o que tornará a tarefa do Fed muito mais difícil.
No
final, todas as bolhas da economia americana não irão apenas desinflar; irão
estourar. O dólar entrará em colapso, os
preços dos bens de consumo irão disparar, o crédito real irá evaporar-se por
completo, outros milhões de americanos irão perder seus empregos e a economia
irá se alterar de um modo tal que poucos hoje podem imaginar. O padrão de vida irá despencar e legiões de
americanos de classe média e alta ficarão empobrecidos.
Não
é um cenário bonito, mas infelizmente é o único cenário que o governo americano
está pintando. Desafortunadamente, o
tempo para se mudar os pintores está acabando.
Só existe duas e somente duas maneiras do governo não brincar com o valor da moeda.\r
\r
\r
Criar lastro por produto finito e raro como dolar ou diamante. \r
\r
\r
ou criar várias moedas competindo entre sí – como ações de empresas por exemplo\r
Prezados, eu vou fazer algumas perguntas a vocês, mas eu quero respostas bem claras, sem contradições.
1) Poderiam explicar como ocorreria o processo de transição do papel-moeda para o ouro? Segundo Von Mises, quem seria responsável pela conversão da moeda, seria uma Agência de Conversão. Mas quem administraria esta Agência de Conversão? O Estado? Mas o Estado pode fazer de um modo manipulável. Lembro que no Império Romano, não haviam máquinas de impressão, mas o governo inflacionava a moeda acrescentando cobre no ouro e na prata. Portanto, quem administrará esta Agência de Conversão?
2) Qual seria o peso do ouro? Mises sugeria que o peso do ouro seria ajustado de acordo com o mercado atual. Mas se isto fosse feito hoje, 1 dólar seria 1/1356 de uma onça de ouro, ou US$ 1356 para 1 onça de ouro (isto sem imprimir mais dinheiro, se imprimir mais dinheiro, o dólar se desvaloriza mais). Restaurar a paridade anterior pois resultaria em caos econômico e social deflacionário, como aconteceu na Inglaterra após as Guerras Napoleônicas e após a Primeira Guerra Mundial.
3) Como restaurar o padrão ouro sem que seus efeitos resultem em sérias privações econômicas, privações estas que chegariam a tal nível de a maioria do povo ficar com “saudades” do atual papel-moeda (isto se não acontecer coisas pioes como instabilidade social que ameaçariam o padrão ouro), já que o padrão de vida cairia drasticamente? Como evitar que isso aconteça? Ou será inevitável?
4) Como os juros estão manipulados pelas atuais políticas monetárias, segundo vocês, com a implantação do padrão ouro, os juros de ajustariam à realidade. Como os agentes econômicos estão viciados com a manipulação monetária, quando tudo for ajustado à realidade, muitas empresas quebrarão, o que resultaria em uma nova crise. O que farão para restaurar a confiança dos agentes econômicos e dos consumidores? Como convencer o povo de que o novo padrão monetário não é responsável pela crise – é óbvio que se isso for feito, acontecerá uma crise, e ocorrerá sérias privações econômicas? Pior: como farão para que a crise não sirva de pretexto para os inflacionistas restaurar o Banco Central? Afinal, já pensaram os inflacionistas dizendo ao público: “tão vendo? Este novo padrão é tão insustentável que mal foi implantado, e já ocorreu uma crise que está ameaçando a estabilidade do sistema.” Seria um pretexto e tanto para restaurar as máquinas de impressão. A pergunta fica: como farão para evitar isso?
“perguntas”, emitirei a minha opinião da maneira mais direta e objetiva possível.\r
\r
1) Huerta de Soto sugere todo um plano de como poderia ser feita a conversão ao padrão-ouro. Sugiro consultar a obra. No entanto, na minha opinião, simplesmente acabando com leis de curso forçado e deixando o livre mercado atuar. Por mais que tentemos planejar tudo perfeita e meticulosamente, haverá situações imprevisíveis que terão que ser tratadas no seu momento. Inerraddicable uncertainty.\r
\r
2) Não tem que ser um padrão-ouro. Será ouro e pronto. O peso do ouro será o peso do ouro. 1kg = 1000g = 1kg. Acredito que provavelmente usaríamos muito bilhetes de bancos (substitutos monetários) que deveriam ser resgatáveis ao seu valor de face. Obviamente, 100% de reservas deveria ser exigido. Talvez, usássemos muito mais dinheiro eletronicamente (com lastro em ouro). Seguindo o raciocínio acima, deixemos que o livre mercado se preocupe com todas as minúcias. \r
\r
3) O padrão de vida não caíria por utilizar-se um dinheiro material livremente estabelecido pelo mercado, no qual o ouro prevaleceu nos últimos séculos. Essas falácias já foram expostas por inúmeros autores. Para estudá-las comd detalhe sugiro a obra de Huerta de Soto novamente (Dinheiro, crédito bancário e ciclos econômicos).\r
\r
4)O mundo todo quer evitar a contração creditícia inerente e inevitável a expansão creditícia. Tal expansão e a consequente contração geram boom, crises e recessões, levando empresas a bancarrota. Um padrão ouro com 100% de reservas evitaria expansões monetárias, logo não haveriam contrações monetárias. No atual sistema, as empresas já estão insolventes, a diferença é que o monopólio da emissão de moeda do banco central permite que as mantenha “vivas” socializando as perdas. O Banco Central pode “brincar” com o poder de compra de todos os agentes do sistema econômico, decidindo quem deve sobreviver e quem deve falir.
Gostei das perguntas acima, alguém pode se dignar em responder?
1) Soto é contraditório. Primeiro ele fála em revogar as leis que obrigam pela coacção a todos os cidadãos a aceitar uma unidade monetária, mas depois ele diz que não pode ser trocado por outra unidade monetária que não seja o ouro. Isso não é coacção? Por que tem que ser o ouro? Não poderia ser prata, bronze, ou até pedras preciosas raras como diamante, rubí? Seria obrigado ser o ouro?
2) Como assim, “não tem que ser um padrão ouro”, “será ouro e pronto”? Até o que eu sei, aqui propõe-se o padrão ouro. Eu pedi resposta bem clara mas você vem com uma afirmação vazia. Será moeda de ouro? Mas se assim for, o efeito deflacionário será ainda maior. Explique-se.
3 e 4 No processo de transição, haveria contração de crédito e deflação, e o padrão de vida cairia drasticamente, haveria uma crise de deflação, desemprego em massa, subconsumo (os salários terão de cair, quanto a isso não há dúvidas), falta de confiança dos consumidores e dos investidores, quanto a isso não há dúvidas. Tem que dar-se por satisfeito se não houver até revolta.
Quanto dizer que não haverá expansão monetário, eu tenho minhas dúvidas. Você afirma: “Um padrão ouro com 100% de reservas”. Refere-se a que? Ao ouro ou à poupança? Se for ao ouro, poderá sim haver reservas fracionárias, e eu te explico. Imagine, por exemplo, o Bradesco é um dos acionistas da Vale, imagine num padrão ouro puro, com 100% de reservas, ele usar o poder que ele tem sobre a Vale para explorar novas minas de ouro. e ele usa este ouro explorado nas suas operações bancárias, usa para emprestar dinheiro. Agora me responda: num caso como este, haveria reserva fracionária? Então, se não quiser reservas fracionárias, terá de ser 100% em POUPANÇA, não poderia vir de nenhuma outra fonte. Explorar minas de ouro seria crime, pois estaria aumentando a circulação de dinheiro e provocando ciclos econômicos.
“perguntas”
“Crise deflacionaria”? Se existe deflação é porque mais bens foram produzidos/importados, sendo assim como pode estar diminuindo o padrão de vida? Riqueza é sinal de pobreza?
Desvalorizar moeda é que está destruindo as riquezas do mundo.
“Perguntas”:\r
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1) De Soto não é contraditório. O que ele propõe no seu plano de restabelecer um sistema monetário solvente e não fraudulento é o seguinte, em uma primeira instância, voltar ao padrão-ouro. Ou seja, voltar ao padrão que foi escolhido pelo livre mercado. Assim remove-se a interferência estatal no processo evolutivo da instituição chamada “dinheiro”. Em uma etapa posterior, o padrão-ouro seria “liberado” para que o mercado pudesse livremente escolher a moeda com que quisesse transacionar. Na sua “opinião”, mesmo após esta medida, o ouro prevaleceria como moeda escolhida pelo mercado. Favor reler o último capítulo de seu livro mencionado acima. Mais precisamente o gráfico da página 613 da versão espanhola. “Libertad de elección de moneda”.\r
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Segundo Huerta: “Ello exigiría la sustitución del actual dinero fiduciario emitido con carácter monopolista por el banco central por un dinero privado que, en virtud de la imposibilidad de dar un salto en el vacío estableciendo un patrón monetario artificial que no haya surgido de manera evolutiva, habría de estar constituido por lo que la Humanidad ha venido considerando históricamente que es el dinero por antonomasia: el oro”.\r
\r
E logo o seguinte passo: “En todo caso, el proceso evolutivo de experimentación en el campo monetario y financiero continuaría y no es posible predecir si el oro seguiría siendo indefinidamente la moneda elegida por el mercado como medio de intercambio, o si en el futuro la variación de las circunstancias y condiciones de la sociedad daría lugar de forma espontánea y evolutiva a la aparición de algún otro patrón alternativo (bimetálico o no).”\r
\r
2) Se me expressei mal, perdoe-me. O que quero dizer é que não deve ser “instituído” por nenhuma autoridade qual será o padrão monetário. Se o mercado acabar decidindo por cascalho, que usem cascalho. O que não deve haver é algum tipo de intervenção estatal determinando qual a moeda a ser utilizada. Como eu disse, não podemos prever o que vai acontecer. Se vai ser moeda de ouro, ou barras, ou argolas, ou pingentes, não sou eu quem vai determinar, mas a demanda do mercado. Não entendo o seu raciocínio de deflação. Explique-se.\r
\r
3) e 4) Não estou afirmando que o processo de restauração de um sistema monetário solvente seria fácil e sem nenhuma conseqüência social. Entretanto, o que está implícito no seu argumento tampouco é verdadeiro. Isto é, que mantendo-se o atual sistema não haveria contração de crédito, não cairia o padrão de vida e que não haveria revolta. Basta ver o noticiário para comprovar empiricamente que tal afirmação é falsa. Um sistema monetário baseado em ouro, ou um “padrão-ouro” onde o papel moeda é lastreado em ouro, não necessariamente causaria uma contração de crédito. O que não haveria seria crédito sem poupança alguma, criado do nada. No processo de transição, muito provavelmente haveria uma incerteza e insegurança inicial, mas que logo retomaria a confiança dos mercados (pois não haveriam aumentos e diminuições abruptas da massa monetária) e o crescimento da economia se daria de forma sustentável. Deflação é uma contração na oferta monetária. Isto não aconteceria se um padrão-ouro fosse restaurado. A oferta de ouro não “diminuiria” por tal medida. Preços em queda não causam desemprego em massa. O que causa desemprego em massa é inflação (expansão monetária) e eventual deflação (contração monetária). Uma economia pode crescer com preços em queda. \r
\r
Com relação a reserva de 10% significa que no negócio bancário, os bancos só poderiam emprestar o que fosse depositado à prazo e jamais depósitos à vista. Desta forma a massa monetária não é aumentada através da criação de depósitos do nada.\r
O negócio de extração de ouro seria (como já é) como qualquer outro, se fosse rentável arcar com os investimentos e custos de extração visando uma atender uma demanda pelo metal, as empresas se lançariam a essa empreitada. Historicamente a oferta mundial de ouro tem sido ao redor de 2% ao ano (como sabemos, a oferta monetária de moeda fiduciária é bem superior a isto). Portanto, ela não pode ser aumentada significativamente em um passe de mágica. Pelo menos não com a tecnologia que atual. Se algum dia descobrirmos maneiras de aumentar a produção de ouro drasticamente em um curto espaço de tempo, o metal provavelmente perderá suas qualidades para servir como dinheiro.\r
\r
1- Não precisa de Agência Conversão. E muito menos controlada pelo Estado, pois não mudaria em nada. \r
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Hoje com o banco central, o governo controla a moeda como que cuida com um cão em uma coleira no pescoço.\r
Tendo uma agência de Conversão o governo cuidaria do cachorro com a coleira amarrada pelo rabo…\r
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2\r
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Não temos que reinventar a roda…\r
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Quando eu era criança aprendi que metro era: A décima milionésima parte do comprimento de um quarto do meridiano terrestre. Sabendo que o raio da Terra é 6.37.106 m\r
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Hoje a ciência evolui (rsrsrsr) um pouco e diz que o metro é o comprimento da trajetória percorrida no vácuo pela luz durante um tempo de 1/299 792 458 do segundo.\r
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O mercado vai criar uma medida e pronto\r
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Se isso vai se chamar quilo, onça ,etc não importa, temos Sistema Internacional de Medida para justamente isso \r
4\r
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Não confunda aumento e queda de preço com inflação.\r
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Vamos criar um país que tenha 1000 dinheiros e ninguém crie mais nada de dinheiro.\r
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Eu compro um carro com 1 dinheiro no ano 1, os anos passam e a economia gira , lá pelo ano 10 vou trocar de carro. Só que a economia deste país cresceu nestes primeiros 10 anos e não foi criado nenhum dinheiro.\r
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E o carro novo que irei comprar com muito mais tecnologia custará ½ dinheiro isto é comprarei mais produtos com menos dinheiro pois a moeda desse país esta valorizada \r
\r
TENSO!
Incrivel como lendo as respostas referidas as “Perguntas”, aumento desticamente minha convicção em que algum dia, num futuro não tão distante, poderemos ter um mercado livre e em paz.
Apenas uma correção. Quando falei sobre a oferta de ouro, queria dizer que “O aumento da oferta de ouro é em torno de 2% ao ano.” \r
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Ou seja, de todo o estoque mundial de ouro, a cada ano, ele aumenta em torno de 2%.\r
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1) Soto não se contradiz? É exatamente na parte que você cita ele se contradiz. Primeiramente, ele diz: “derogar las disposiciones de curso legal que obligan por la fuerza a todos los ciudadanos a aceptar, incluso en contra de su voluntad, como medio liberatorio de todos los pagos, la unidad monetaria emitida por el Estado. La derogación de las leyes de curso legal o forzoso es, por tanto, un elemento imprescindible en todo proceso de liberalización del mercado financiero.” E depois, mais adiante, segue: “Con esta segunda propuesta queremos indicar que es preciso derogar la legislación bancaria y eliminar los bancos centrales y, en general, cualesquiera organismos gubernamentales dedicados a controlar e intervenir el mercado financiero o bancario. Las empresas bancarias han de poder establecerse con completa libertad”. No entanto, tem uma passagem na qual ele afirma: “No puede, por tanto, interpretarse nuestra propuesta de libertad de elección de moneda en el sentido de que, en el proceso de transición hacia la misma que más adelante analizaremos, se privatice el dinero actualmente existente de una manera que no sea sustituyéndolo por aquel dinero que a lo largo de la historia y de forma evolutiva, generación tras generación, ha venido preponderando: el oro.” – Ou seja, primeiro, ele propõe uma completa liberdade, depois ele diz que tem de ser em ouro, não pode ser outro. Como lhe disse, o diamante e o rubí são muito raros, poderia-se adotar o padrão-diamante, se assim as pessoas preferir. Mas é contra o livre mercado impor um padrão monetário. Isso é uma contradição do Sr. Huerta de Soto.
2) Deflação (isto de Soto explica) é quando a utilidade marginal de uma unidade monetária aumenta, seja em decorrência de aumento da procura por uma unidade monetária ou diminuição de sua oferta. No processo de transição do papel-moeda para o ouro, a oferta de dinheiro vai cair, o que causará deflação. Após a Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha restaurou o padrão ouro e deu no que deu (este caso é citado tanto por Mises, como por Hayek, como por Soto). E você vem dizer que não haverá desemprego em massa? E olha que a Grã-Bretanha não implantou o padrão ouro sugerido aqui, foi apenas um ouro-câmbio (ou seja, um pseudo padrão ouro), restaurando a paridade anterior à Guerra. Aliás, para evitar deflação, em casos em que parece “politicamente” impossível liberalizar o mercado de trabalho e a economia (como a França, onde qualquer reforma provoca revoltas e greves gerais), Soto (como Hayek) sugere um programa de obras públicas, empregando funcionários públicos com salários baixos.
3) Se no atual sistema, o padrão de vida está ameaçado, poderá haver contração de credito, imagine um padrão deflacionário. Nem você que no início haverá duras privações econômicas.
4) No padrão ouro não poderá haver expansão de créditos e ciclos econômicos? Isso é um debate entre os austríacos. No século XIX ocorreram crises em 1825, 1847, 1857, 1874, 1884, 1893-96, 1907? Segundo ‘Bob’ Murphy, um mineirador ou um garimpeiro, pode explorar novas minas de ouro e poupar, colocando o dinheiro na poupança (não na conta-corrente), emprestando dinheiro ao banco, e o banco jogar este ouro no mercado de crédito, essa nova oferta de ouro derrubaria as taxas de juros de mercado, manipulando o cálculo empresarial, estimulando os empresários a investir em projetos de longo prazo que não eram lucrativos antes da nova oferta de ouro.
“Dúvidas”:\r
\r
1) Vou repetir. A proposta de Huerta para restabelecer um sistema monetário solvente é:\r
a) Voltar ao padrão-ouro. Ou seja, restabelecer o padrão monetário que era utilizado justamente quando os governos intervieram e bloquearam o seu processo evolutivo.\r
b) Uma vez concluída esta etapa, “liberar” o padrão ouro para que o mercado escolha livremente a moeda.\r
Isso não é uma contradição no seu conceito de que a moeda deva ser escolhida livremente no mercado. É apenas uma proposta de transição do atual sistema que o Estado interveio por completo à um sistema de livre mercado. Portanto, NÃO, o Huerta não é contra o livre mercado. Vc está entendendo o que quer, e não o que está escrito.\r
\r
2) O estoque de ouro no momento anterior a transição de restabelecimento do padrão-ouro e no momento logo após a medida, não será alterado. Portanto, não há deflação. \r
Aproveito para citar da fonte, segundo Huerta:\r
“Aquí es importante distinguir de nuevo dos conceptos distintos del término «deflación» (e «inflación») que se confunden en la discusión y en el análisis teórico. Por deflación puede entenderse, bien una disminución o contracción absoluta en la oferta monetaria, bien la consecuencia que con carácter general (pero no siempre) tiende a producir tal contracción, es decir, un aumento en el poder adquisitivo de la unidad monetaria o, si se prefiere, una disminución en el «nivel» general de los precios. Lo que es evidente es que el sistema propuesto de patrón-oro puro con un coeficiente de reservas del 100 por cien es completamente inelástico a la contracción y, por tanto, impide en su totalidad la aparición de la deflación entendida como disminución de la oferta monetaria, cosa que el sistema actual no ES capaz de garantizar, como se demuestra de manera recurrente en cada crisis econômica.”(pg.601).\r
\r
O que a Inglaterra fez foi um grande erro. Houve uma enorme expansão monetária durante a Primeira-Guerra Mundial, depreciando o câmbio libra-ouro e o Bank of England decidiu voltar a paridade libra-ouro anterior a expansão monetária, ou seja, decidiram “deflacionar” (contrair) a massa monetária propositalmente. Foi um Quantitative Easing ao contrário. Obviamente, isto trouxe um custo enorme pois fez com que toda a economia se reajustasse a uma nova oferta monetária. O seu argumento seria válido SE, e somente SE, tentássemos, por exemplo, restaurar um padrão-ouro utilizando-se uma moeda (digamos o dólar) como o meio de troca a ser usado E decidíssemos que para restaurar o padrão-ouro voltássemos à paridade do ano 2000 (ou 1971 ou 1933, qualquer paridade muito diferente da atual). Ou seja, teríamos que contrair a massa monetária para chegar a este câmbio. Neste caso, haveria uma deflação. No entanto não é o desejado. O correto, para evitar problemas como esse, seria fazer a transição para um padrão-ouro a partir da paridade atual. Não vou detalhar todo o processo aqui, sugiro novamente a obra de Huerta. Mas antes, colo aqui uma parte da nota de pé de página n° 43 da página 483:\r
“Y es que el error fatal que supuso el intento británico de restaurar, después de la Primera Guerra Mundial, el valor de la libra a la paridad con el oro que tênia antes de que, como consecuencia de la inflación bélica, se redujera significativamente su valor, ya había sido puesto de manifiesto en una situación muy similar (tras las guerras\r
napoleónicas) por David Ricardo cien años antes, cuando había afirmado que él mismo «never should advise a government to restore a currency which had been depreciated\r
30 percent to par; I should recommend, as you propose, but not in the same manner,\r
that the currency should be fixed at the depreciated value by lowering the standard, and that no farther deviations should take place.» David Ricardo, carta ya citada a John\r
Wheatley del 18 de septiembre de 1821, incluida en The Works and Correspondence of David Ricardo, P. Sraffa (ed.), Cambridge, University Press, Cambridge 1952, vol. IX, p. 73. Recuérdese además lo dicho en la n. 46 del capítulo VI.\r
\r
Quanto a sua afirmação de obras públicas, gostaria que me indicasse onde posso encontrar tal referência. De qualquer maneira, como vc mesmo afirma, se tal proposta foi dada por estes autores se deve ao fato de que a legislação laboral é tão rígida, pode ser necessário um gasto público, ainda que não seja o ideal.\r
\r
3) Como expliquei acima. Não há deflação.\r
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4) As crises de auge e recessão que ocorreram nestes anos e em qualquer outro que viveu sob um sistema de padrão-ouro se deram devido ao sistema de reservas fracionárias e não ao padrão-ouro em si. Mesmo depois da Lei de Peel de 1844, que obrigou que todos os bilhetes de banco fossem emitidos somente com um lastro em ouro depositado, houve crises de auge e recessão, pois tal lei justamente esqueceu de identificar que os depósitos bancários criados contra empréstimo (utilizando-se de um talão de cheques) fazia parte da massa monetária. Ou seja, a lei foi inútil e mesmo com um padrão-ouro o sistema de reservas fracionárias seguiu imperando e gerando ciclos econômicos. A diferença é que reservas fracionárias com padrão-ouro impõem uma certa restrição a capacidade de expansão monetária. Em um sistema de moeda fiduciária com reservas fracionárias, esse limite é a hiperinflação.\r
Para maiores esclarecimentos. Nota 46 da página 351.\r
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“Los ejemplos más típicos de deflación deliberadamente iniciada por los gobiernos son los que se llevaron a cabo en el Reino Unido, primero después de las guerras napoleónicas, y después, como ya hemos citado, bajo los auspicios de Winston Churchill en 1925, cuando, a pesar de la tremenda inflación de libras esterlinas en papel moneda que se había efectuado durante la Primera Guerra Mundial, se decidió volver a la paridad libra-oro que existía antes del inicio del conflicto. Churchill, en suma, ignoró flagrantemente el consejo dado por Ricardo cuando 100 años antes se produjo una situación muy semejante tras las guerras napoleónicas: «I should never advise a government to restore a currency which had been depreciated 30 per cent to par.» Carta de David Ricardo a John Wheatley, fechada el 18 de septiembre de 1821, The Works of David Ricardo, Piero Sraffa (ed.), Cambridge University Press, Cambridge 1952, vol. IX, p. 73. Ludwig Von Mises, comentando estos dos casos históricos, dice lo siguiente: «The outstanding examples were provided by Great Britain’s return, both after the wartime inflation of the Napoleonic wars and after that of the first World War, to the prewar gold parity of the sterling. In each case Parliament and Cabinet adopted the deflationist policy without having weighed the pros and cons of the two methods open for a return to the gold standard. In the second decade of the nineteenth century they could be exonerated, as at that time monetary theory had not yet clarified the problems involved. More than a hundred years later it was simply a display of inexcusable ignorance of economics as well as of monetary history.» Ludwig von Mises, Human Action, ob. cit., pp. 567-568 y también la p. 784. F.A. Hayek, por su parte, se refiere al grave error que supuso volver a la paridad que existía previamente a la Primera Guerra Mundial entre el oro y la libra, y también al hecho de que tal política se llevara a cabo de una manera lenta y gradual, en vez de mediante un shock rápido, como se efectuó en Estados Unidos de 1920 a 1921, concluyendo que: «Though the clear determination of the government to restore the gold standard made it possible to do so as early as 1925, internal prices and wages were then still far from being adapted to the international level. To maintain this parity, a slow and highly painful process of deflation was initiated, bringing lasting and extensive unemployment, to be abandoned only when it became intolerable when intensified by the world crisis of 1931 – but, I am still inclined to believe, just at the time when the aim of that painful struggle had been nearly achieved.» F.A. Hayek, 1980s Unemployment and the Unions: The Distortion of Relative Prices by Monopoly in the Labour Markets, The Institute of Economic Affairs, 2.ª edición, Londres 1984, p. 15. Existe una traducción al castellano de este artículo publicada en mis Lecturas de Economía Política, vol. II, Unión Editorial, 2.ª edición, Madrid 2008, pp. 54-88.”\r
1) O que está escrito é que Soto sugere um padrão ouro puro, com moeda emitada por bancos privados. Eu não estou lendo apenas o que quero, mas o que está escrito.
2) O que caracteriza uma deflação é o aumento da utilidade marginal de uma unidade monetária. O estoque de ouro não será alterado, mas a demanda por este metal aumentará. Por isso haverá um aumento do poder aquisitivo da unidade monetária.
Mas se o padrão ouro for ajustado ao mercado atual, 1 dólar será 1/1370 de uma onça de ouro, ou US$ 1370 para adquirir uma onça de ouro, e isto sem imprimir mais dólares.
3) Tanto você, como Huerta De Soto argumentam que no padrão proposto por vocês, não haveria deflação, a oferta monetária não diminuiria, o estoque de ouro não seria alterado. Como assim? As reservas são infinitas? Nunca haverá uma escassez de ouro? Você afirma que não haverá “boom” e “contração”. Imagine a seguinte situação: num padrão ouro puro, com 100% de reservas, há uma era de boom, de exploração de novas minas de ouro, de aumento da oferta de ouro, o que derruba as taxas de juros e o valor do ouro. Mas dez anos depois de muita exploração de novas minas, de boom, as reservas de ouro começam a se esgotar e o valor do ouro que estava caindo, a oferta de ouro diminui, há contração de créditos e as taxas juros sobem. Me responda: não há nesta situação uma fase de “boom” e outra de contração? Não gerou um “ciclo econômico”? Ou vocês pensam que as reservas de ouro são infinitas, nunca se esgotam?
4) Não foi exatamente o que lhe falei? Padrão ouro NÃO evita as reservas fracionárias. Como Bob Murphy explicou, um garimpeiro pode explorar novas minas de ouro e em vez de gastar em consumo, deposita este ouro (dinheiro) em poupança (não em conta corrente), dinheiro este que vai para o mercado de crédito, manipula as taxas de juros e gera ciclos econômicos. Segundo Fetter (também foi um economista da Escola Austríaca), foi exatamente o que aconteceu em 1857. Então, segundo a Teoria Austríaca, no padrão ouro puro, inclusive a atividade de mineiração e garimpo deveria ser crime, ou haver regras, como por exemplo, o garimpeiro deveria ser proibido de poupar seu novo ouro explorado. Mas aí isso constituiria uma ameaça à liberdade individual.
5) Sim, Soto sugeria que em caso de deflação, a um programa de obras públicas: “Supongamos, además, que es políticamente imposible tomar cualquier medida adecuada y que la situación amenaza con desembocar incluso en una revolución, ¿qué tipo de expansión monetaria sería la menos perturbadora desde el punto de vista económico? En este caso, la menos negativa de las políticas, aunque sin duda alguna no dejaría de tener efectos muy perjudiciales sobre el sistema económico, sería el establecimiento de un programa de obras públicas que diera trabajo a los parados a unos salarios relativamente reducidos, de tal manera que los trabajadores pudieran después trasladarse rápidamente a otras actividades más lucrativas y cómodas tan pronto como las circunstancias mejorasen”.
“esclarecido”:\r
1) Se está escrito isso não há problema algum, mas não é o que vc havi argumentado antes. Entretanto, ele sugere padrão ouro instituído por lei em uma primeira instância. Depois o mercado definiria livremente. Como já disse algumas vezes.\r
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2) O aumento do poder aquisitivo não se dá porque as pessoas demandam mais, se dá pelo aumento de produtividade e uma oferta monetária que expande (ou não) em menor intensidade que o aumento de produtividade. \r
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3) Responderei em um outro momento.\r
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4) Nada a adicionar.\r
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5) Pois é, como eu imaginava, ainda que prejudicial, em circunstancias excepcionais poderia ser uma forma.
Prezado Fernando. Você está confundindo deflação com queda de preços. Inflação e deflação são FENÔMENOS MONETÁRIOS. Deflação é o aumento da utilidade marginal da unidade monetária. Como corretamente foi definida por DE SOTO: “La deflación consiste en una disminución de la oferta monetaria o en un aumento en la demanda de dinero y tiende a producir, en igualdad de circunstancias, un incremento en el poder adquisitivo de la unidad monetaria”. Ou seja, o incremento do poder aquisitivo da unidade monetária em decorrência do aumento da procura pela unidade monetária ou de uma queda da oferta da mesma.
Mas se os preços caem em decorrência do aumento de produtividade, isso não constitui uma “deflação”. Como disse George Reisman em um texto publicado aqui no IMB: “há duas causas distintas para uma queda generalizada nos preços. Uma é o aumento na produção e na oferta, algo que nunca, de modo algum, deve ser confundido com deflação”.
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=752
Para debater sobre economia, primeiramente você precisa compreender conceitos básicos como Inflação e Deflação.
Prezado Anônimo, pelo visto é você quem não compreende conceitos básicos. Deflação não é “o aumento da utilidade marginal da unidade monetária”. Isso é uma consequência da deflação. O engraçado é que você postou uma citação do de Soto falando exatamente isso. Aparentemente, você se atrapalhou todo com o espanhol.
Acontece.
Abraços e siga estudando.
Prezado Leandro. Primeiramente devemos entender o que é utilidade marginal e o que é deflação. Voltemos aos escritos de Carl Menger e Böhm-Bawerk: Utilidade Marginal é a quantidade de necessidades que são satisfeitas quando se incrementa em uma unidade o consumo de determinada. Quando a demanda por dinheiro cresce ou a oferta de dinheiro cai, sua utilidade marginal (nível de necessidade) não incrementa? Por isso eu disse que deflação é o aumento da utilidade marginal da unidade monetária.
Eu entendo de espanhol (até porque espanhl é semelhante ao português na escrita), e pelo que entendí, Soto disse exatamente isso: deflação consiste no aumento do valor objetivo do dinheiro (segundo a teoria de valor austríaca, o valor objetivo não está ligado à utilidade marginal?) provocado pela diminuição da oferta monetária ou pelo aumento da demanda de dinheiro.
Errou de novo, “economista”. Essa sua definição de utilidade marginal está errada. Utilidade marginal não é “a quantidade de necessidades que são satisfeitas quando se incrementa em uma unidade o consumo de determinada”. Isso é a lei da saciação, algo que Mises teve muito cuidado em não confundir.
Eis um exemplo que vai ajudar a entender a definição de utilidade marginal:
Se um indivíduo possui 5 carros idênticos, os quais satisfazem completamente todos os seus desejos, então o valor de cada carro será determinado pela importância que esse indivíduo atribui ao quinto carro que ele possui (no sentido de que há um ranking de preferências pelos carros, e supondo que o quinto carro é o menos importante para ele). Assim, se ele por exemplo perder esse quinto carro, o valor de um carro aumentaria de acordo com a satisfação que ele agora tira do quarto carro no seu ranking de importância.
Caso ele perdesse 4 carros, ficando com apenas um, o valor desse único carro restante aumentaria enormemente, e o indivíduo agora passaria a valorizá-lo de acordo com a importância que esse único carro tem para ele na satisfação de todos os seus afazeres diários.
Por outro lado, caso ele ganhasse num sorteio 100 carros iguais — um número que excede em muito a hipótese inicial de que 5 carros o satisfazem completamente –, então a utilidade marginal e o valor de cada carro agora seria de zero, pois a satisfação de todos os seus desejos automobilísticos não dependeria da posse de um centésimo carro — aliás, não dependeria nem mesmo de um sexto carro.
Portanto, o valor que um indivíduo atribui a uma unidade de uma determinada quantidade de bens é igual à importância que ele dá à satisfação da necessidade menos importante propiciada por essa unidade.
Se você está com fome e tem várias cédulas de 5 reais, perder uma cédula não lhe fará diferença alguma. Por outro lado, se você, estando com a mesma fome de antes, porém tendo agora apenas uma cédula de 5 reais, perder essa cédula, isso pode significar a diferença entre comer e morrer de fome. Logo, sua utilidade marginal para a cédula de 5 reais é nula no primeiro caso e, no segundo caso, possui o valor de sua vida.
Por fim, você continua confundindo deflação com o efeito da deflação. É igual confundir inflação (que o aumento da oferta monetária) com aumento de preços (que é a consequência da inflação).
Quem está confundindo deflação com seus efeitos é o Fernando, não eu. Ele que confunde deflação com queda nos preços. Inclusive chega a denominar de deflação queda de preços provocada pelo aumento de produtividade. nem toda a queda de preços representa deflação, assim como nem toda a alta de preços representa inflação. Inflação e deflação são fenômenos monetários. Vou repetir: deflação é o aumento do poder de compra da moeda provocado pela diminuição da oferta monetária ou por um aumento de demanda de dinheiro. Soto é bem claro quanto a isso. Como explicou Reisman, queda de preços provocada pelo aumento de produtividade não pode ser confundida com deflação.
Quanto à utilidade marginal, houve uma confusão, mas mesmo assim não invalida o meu argumento. Eu explico: o ouro realmente é imutável, mais a demanda não. E se a demanda de ouro aumenta, aumenta da importância (o valor, a utilidade marginal) do ouro. As reservas se esgotam, ouro não é infinito, ouro é escasso. Como explicado no exemplo dos 5 reais, podemos substituir 5 reais por onça de ouro. Lembra do exemplo do poço de água citado por Carl Menger no seu livro “Princípios de Economia”? No livro, ele cita o exemplo do Robinson Crosué que encontra um poço de água, e conforme vai diminuindo a água do poço, vai aumentando sua importância para Crosué. Pois é, é exatamente o que aconteceria com o valor do ouro com o esgotamento de suas reservas. E como explicado acima, poderia haver situações de contração seguido de um periodo de boom.
“Esclarecido”:\r
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Apenas para terminar a resposta que não pude concluir ontem.\r
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A reservas de ouro, no sentido de jazidas existentes e/ou não descobertas, sim são finitas. Exatamente quando elas acabarão e todo o ouro será extraído não lembro exatamente. Mas com certeza pelo menos mais 50 anos ainda temos.\r
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A diferença é que a oferta de ouro não diminui, pois quando ele é extraído ele não é “consumido” como outros minerais. O minério de ferro, é consumido e transformado em aço, por exemplo.\r
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Já o ouro, é extraído e transformado em moedas, barras, colares, etc. A sua essência permanece a mesma e pode ser moldado em diferentes formas por muito tempo. Portanto, o ouro não desaperece como ocorre com outros minerais em processos produtivos. \r
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Ele é extraído e a só vem a adicionar ao estoque já em circulação.\r
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O seu consumo industrial é irrelevante. Pelo menos no mundo atual.\r
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E por fim, a proposta não é instituir um padrão-ouro e nunca mais permitir alteração. A idéia é voltar ao padrão-ouro em um primeiro momento e logo permitir que o mercado escolha livremente. Será que o ouro prevalecerá? Por mais 10 anos? Por 50 anos? Por 100? É irrelevante querer prever, a única certeza é que o dinheiro deve ser escolhido pelo mercado. Ponto final.\r
A questão fundamental da moeda não é comprar carros e sim explicar como ela reproduz um único valor da referencia para criar bens (carro, bicicleta, patinete etc).\r
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O que pode criar valor para ser unidade com a moeda? o valor do trabalho. Porque a moeda não pode trabalhar. \r
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Portanto, só o trabalho pode fazer um carro, que tem um valor, o mercado financeiro não. \r
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O valor que o trabalho concebe as mercadorias serve de exemplo para emitir a mais valia moderna (referencia) ao valor da moeda, a inversão do ouro não. A moeda e o ouro tem um valor abstrato em si mesmos, e não podem criar valor em algo se não os trás a existência; e pela razão só o trabalho pode criar valores reais em unidade com a totalidade das coisas.\r
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A unica forma justificavel para lastrear o valor do trabalho é constituir uma unidade (valor-trabalho = moeda) pela aferição do crescimento do PIB.
Meus 2 centavos:
Com 100% de reservas bancárias não acho que seria possível um ciclo “Austríaco”… Ouro e prata tem usos industriais e ornamentais, aumentos na oferta desses metais reduziriam o custo de usa-los para propósitos não monetários… É claro que seria possível usar essas novas reservas de metal para consumir e/ou investir… Só que a maior rentabilidade na produção de metais representaria de fato uma alta na taxa de juros do sistema como um todo – recursos seriam retirados de outros setores para investir nas minas. Essa alta na taxa de juros do sistema tenderia a brecar a tendência de alta nos preços…
No mais qualquer defensor de sound money deve ter em mente que propostas como a liquidação do BC, moedas concorrentes, aumento das reservas bancárias irão necessariamente gerar uma crise inicial, uma vez que a oferta monetária terá seu crescimento abruptamente parado. A teoria Austríaca dos ciclos mostra que o boom só continua com uma expansão do crédito sempre crescente (tudo mais constante). Brecar o ritmo do crescimento da oferta monetária vai revelar os mal-investimentos correntes…
Por fim a proposta do de Soto tem um problema – ele propõe imprimir dinheiro para cobrir as reservas fracionárias… Ele acha que isso não é inflacionário nem pró-cíclico, mas eu acho que ele está errado… Se o BC fosse liquidado sem imprimir dinheiro adicional o credit-crunch seria maior, e liquidaria todos os mal-investimentos proporcionados pelas reservas fracionárias… Imprimindo dinheiro você temporariamente “valida” esses investimentos, até a próxima crise…
Eu só vou fazer mais uma pergunta, prezados teachers, e prometo-lhes que paro por aqui.
Foi citado e criticado, o padrão adotada na Inglaterra após a Primeira Guerra Mundial. Sabe-se que a Áustria passou por problema de hiperinflação no período e adotou o mesmo padrão britânico (ouro-câmbio) para resolver o problema. O que eu quero saber é se o padrão adotado na Áustria apresentava a mesma formatação do padrão britânico (padrão monetário, restauração de paridade). Alguém pode me explicar isso?
Boa tarde senhores,
Gostei muito do site e dos artigos. Apesar de não ser economista simpatizei com a escola austriaca. Gostaria de fazer uma pergunta. Voces acham prudente ainda comprar ouro já que subiu tanto nos ultimos anos? Se o sistema monetario mudar e for lastreado em ouro o governo poderá confiscar o ouro adquirido pelas pessoas?
att,
Flávio
Flavio,\r
Infelizmente temos que desconfiar de governos e se em algum momento vier uma crise forte com certeza usarão de medidas extraordinárias e num cenário assim não podemos descartar a possibilidade de confisco, como ocorreu nos EUA em 1933.\r
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Levando cenários assim em consideração, acho necessário diversificar a compra de ouro.\r
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As opções seriam: ouro físico, depositando em casa ou em banco (num cenário acima, seria mais arriscado), ações de mineradoras, certificados de compra de ouro (Perth Mint Program na Austrália é um exemplo, onde o ouro fica depositado lá mesmo), Goldmoney.com. Essas são as mais conhecidas formas de estar comprado no metal.
Os EUA estão se tornando cada vez mais um país de economia planejada.
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