As pessoas adoram o elemento competitivo das eleições, assim como gostamos
da competição no esporte e na economia.
Porém, há uma diferença importante na substância e no resultado da competição
política: em vez de aprimorar a
performance e estimular as equipes a uma constante melhoria, a competição política parece
gerar o resultado oposto. Os partidos
recorrem ao mais sórdido denominador comum entre eles, e parecem dispostos a
reproduzir as piores peculiaridades de cada oponente. Em vez de excelência, ficamos com
mediocridade — e com um agravante: a tendência é sempre declinante.
O
espetáculo dos debates é uma desgraça.
Fossem os candidatos apenas ligeiramente mais honestos, eles diriam:
meus oponentes são tão oportunistas quanto eu, e, caso fossem eles no poder,
seriam tão igualmente cúmplices da corrupção e do populismo quanto o atual governo.
O
mesmo parâmetro se repete para as outras questões mais específicas. O candidato A, cujo partido busca a
reeleição, foi pavorosamente protecionista.
Os candidatos B e C, embora utilizem palavras aparentemente críticas, prometem ser iguais, só que de uma maneira mais “eficiente” e mais condizente com o “interesse do povo”.
O candidato A aumentou os gastos de forma ultrajante; B e C não prometem nenhum corte de gastos; dizem apenas que A gastou mal. A expandiu o
assistencialismo de forma catastrófica;
B e C dizem que “dá pra fazer melhor”. A regulou a economia ao máximo; B e C dizem que é possível regular de uma maneira mais “dinâmica”.
Trata-se de uma forma bastante atípica de
competição: uma disputa para ver como um pode superar o outro em termos de
ideias ruins e de comportamento estupidificante. Sob uma concorrência genuína, todos esses partidos
já estariam exalando odores mefíticos e com urubus rodeando suas carniças.
A
mídia, por sua vez, deixa implícito que nós não podemos acusar um político de
algo do qual seu oponente também é tão culpado quanto. Consequentemente, todos ganham um salvo-conduto, e na prática se tornam intocáveis.
Já
a competição no mercado é de um tipo diferente.
Ela gera contínuos e inexoráveis aprimoramentos na qualidade. A empresa que executa seu trabalho com
excelência em relação aos concorrentes — que prometem bens e serviços
similares — prospera e se expande. O
mercado, quando funcionando sem amarras governamentais, está sempre aberto a
novos entrantes que podem mostrar aos atuais produtores como fazer a mesma
coisa de maneira melhor e mais eficientemente — ou, no extremo, como fazer
algo inteiramente novo. O preço dos bens
e serviços está sempre caindo em termos reais, não obstante a inflação da
oferta monetária praticada pelo governo (pense em todos os produtos tecnológicos, como celulares, tablets, televisores e computadores).
Linhas e métodos de produção obsoletos são forçosamente abandonados. Os consumidores premiam os empreendedores
perspicazes e punem os tolos e banais, de modo que apenas os melhores podem
crescer. Existe prestação de contas,
qualquer erro gera uma chamada à responsabilidade e há punições para
comportamentos indolentes e fraudulentos.
Na
política, as pressões competitivas geram resultados exatamente opostos. A qualidade está sempre em constante
declínio. As únicas melhorias ocorrem
nos procedimentos que envolvem más ações: mentir, fraudar, iludir, manipular,
trapacear, roubar e até matar. Os preços
dos serviços políticos estão constantemente aumentando, seja nos impostos que
pagamos ou nas propinas dadas em troca de proteção (também conhecidas como ‘contribuições
de campanha’). Não há obsolescência,
planejada ou espontânea. E, como Hayek
famosamente argumentou, na política, os piores sempre chegam ao topo. E, o que é pior, não há prestação de contas e
nem imputabilidade: quanto mais alto o cargo, maior a transgressão criminosa da
qual o sujeito pode se safar.
O que faz a diferença entre esses dois arranjos é a instituição da
propriedade privada, pré-requisito estrutural para qualquer competição
produtiva.
Sob o socialismo, a competição leva a
constantes declínios na qualidade, na moralidade e no desempenho. No final de tudo, essa tendência destrói a
própria civilização. Já sob o
capitalismo, a competição leva a aprimoramentos na qualidade, na moralidade e
no desempenho. É a base absoluta da
civilização moderna.
As
eleições para cargos públicos reproduzem todos os piores aspectos do
socialismo. Os candidatos tornam-se
livres e desimpedidos para mentir abertamente ao público, com o propósito de
adquirir poder sobre uma instituição da qual eles não são os proprietários, mas
que irão gerenciar por quatro anos, tempo durante o qual a quadrilha vencedora
irá implementar medidas econômicas destrutivas que irão beneficiar apenas a si
própria e a seus auxiliares (públicos e privados) nesse esquema de
extorsão.
Eles não arriscam virtualmente
nada que seja deles nesse jogo. A pior
consequência que podem vir a encarar é não serem reeleitos daqui a quatro anos,
sendo que sairão de seus mandatos espantosamente enriquecidos pelo dinheiro
doado por grupos de interesse que eles financiaram durante o mandato com o dinheiro que você pagou de impostos.
Na
iniciativa privada, cada decisão de gerência é testada pelo mercado, a cada
minuto de cada dia de trabalho. Os
proprietários dos negócios estão constantemente vigilantes e os consumidores
determinam o rumo de toda a produção. As
pessoas no topo têm poder apenas no sentido mais superficial do termo: esse
poder pode ser retirado imediatamente pelos consumidores, sendo que, para tal,
basta que estes se recusem a continuar consumindo seus produtos. No livre mercado, são os consumidores que
voluntariamente determinam a quem conceder o poder.
Enquanto
o mercado garante a liberdade, o governo é a negação da liberdade. Nenhum governo, em nenhum lugar, pode ser
creditado pela existência da liberdade.
Como disse Mises,
um governo liberal é uma contradicto in adjecto:
duas ideias que não podem se combinar, um oximoro, uma frase impensável.
Há uma tendência inerente a todo
poder governamental em não reconhecer nenhuma restrição às suas operações e a
ampliar a esfera de seu domínio o máximo possível. Controlar tudo, não deixar nenhum espaço para
que nada aconteça livremente fora da interferência das autoridades — esse é o
objetivo que todo governante secretamente se esforça em alcançar.
Mises
está chamando a atenção para algo em que as pessoas raramente prestam
atenção. Todos os governos, em todos os
lugares, querem ser totalitários. Só não
conseguem atingir tal meta devido à própria incapacidade do estado em fazer as
coisas corretamente, ou mesmo por causa da relutância das pessoas em aceitar
tal descalabro.
Para entender melhor
esse fenômeno, pense em uma organização criminosa. Ela sem dúvida gostaria de usufruir o livre
direito de saquear, extorquir, matar e acumular poder. Por outro lado, ela também sabe que está se
arriscando mais a cada crime cometido.
Se suas atividades enfurecerem muitos, ela corre o risco de perder o poder
que já possui. O mesmo ocorre com os
governos: eles desejam o poder total, mas muitas vezes se limitam a ficar
apenas com aquilo que lhes permita escapar livremente.
Como
vivemos em tempos de declínio cultural e moral acelerado, parece ser indelével o fato de
que as pessoas estão mais propensas a tolerar déspotas. A maioria hoje só reconheceria um tirano na
presidência caso ele tivesse um bigode da mesma largura das fossas nasais.
Praticamente
todas as pessoas com as quais conversamos hoje em dia admitem um sério desgosto
com as opções eleitorais. Entretanto,
ainda assim a maioria das pessoas irá optar nas urnas pelo “menor dos males” —
seja lá o que isso signifique, e provavelmente não há como saber
antecipadamente –, já sabendo que nenhuma opção real e viável irá surgir.
Na iniciativa privada, desejos ainda não
satisfeitos representam oportunidades de lucro.
Nas eleições, eles representam oportunidades para o suborno, a corrupção
e a politicagem.
Todo
o processo é o bastante para deixar qualquer um cético em relação a campanhas e
eleições. Mas essa é a reação errada. Não há nada de errado com campanhas e
eleições. Eleições são coisas corriqueiras no ambiente corporativo e em várias outras instituições privadas, inclusive religiosas. A verdadeira questão está no problema
fundamental da “propriedade” pública. O
que não tem dono, não tem racionalismo no uso.
Não tem prestação de contas. Não
tem punição. Dê-me uma chance de votar
contra esse arranjo e eu prometo voltar a comparecer às urnas.


Por isso não há porque ter esperança na democracia.
@eduardo este tipo de afirmação “Por isso não há porque ter esperança na democracia.”eo que faz o libertarios não encher uma kombi.não estou questionando o merito do artigo so acho que bater nesta tecla distancia-se do publico comum.
Enquanto isso as forças totalitárias avançam e isso nos levará nosso país a um regime de exceção,temos que reverter esta tendencia e não vai ser criticando a democracia que isso ocorera.
Oneide, SÓ vai ser criticando a democracia (tirania da maioria)que isso ocorrerá. Democracia é um sistema nefasto de exploração e deve ser rechaçado em todas as oportunidades que um defensor da liberdade tiver de fazer isso.
A kombi está ficando pequena, pois cada vez mais pessoas se dão conta disso. Até entre alguns liberais, “democracia” era um termo santificado. Isto está mudando. E se a opinião pública é podre, estar afastado dela não seria algo negativo… Não devemos jamais nos pautar pela opinião pública; se fizermos isto devemos passar a apoiar, por exemplo, a socialização da saúde, da educação e tantos outros crimes e absurdidades economicas inaceitáveis.
Nossa missão é mudar a opinião pública e não nos aproximar dela.
É extremamente interessante como uma análise de qualquer fenômeno político sob a ótica da lógica de mercado nos faz ver a irracionalidade do Estado. Excelente artigo! Creio que todos concordamos em teoria com os princípios libertários. Difícil é determinar como devemos agir. Enfrentamos, creio, alguns problemas: se o libertarianismo radical prega a inexistência do Estado, então ele não pode se constituir como movimento político no contexto de uma sociedade estatal, restando poucas opções de ação concreta nesse sentido; já o liberalismo mais moderado, não enfrenta esse problema, mas tem que se haver com a inconsistência interna de aceitar a atuação do estado em certas áreas e em outras não, áreas estas que não podem deixar de ser escolhida por critérios arbitrários ou convencionais: não há nenhuma justificação teórica necessária para as chamadas funções típicas de Estado. Mas há um problema mais grave: se rejeitamos teoricamente todas as formas de coletivismo, como pregar uma atuação homogênea ou mesmo uma única linha de pensamento? Parece-me, infelizmente, um paradoxo.
A Democracia é modelo menos pior que conheço…
As melhores democracias são aquelas que os melhores votam e os melhores são votados…
Que não é o nosso caso!
Esse negócio de democracia é nefasto, é choro de perdedor. Gente autoritária que acha que democracia é apenas quando seu partido, classe ou coligado está no poder.
É uma pena que o IMB partiu para esse tipo de crítica rasteira. Perde legitimidade com isso, pois como no atual momento, agremiações com idéias e ideologia diametralmente oposto a vocês está vencendo eleições democraticamente, o discurso cai facilmente.
O próprio Mises reconheceu que, a tendência do desenvolvimento do capitalismo, mesmo funcionando sem “amarras governamentais”, a tendência é a concentração de poucas empresas (ou uma única) em TODOS os ramos de produção. Vocês têm dúvida? Vamos ao Mises em seu livro “Liberalismo”:
“The division of labor gives a specialized function to each productive unit in the economy. This process never stops as long as economic development continues. […]. With the progress of specialization, the area served by an individual supplier must continue to widen. […]. Undoubtedly this progressive specialization of production tends toward the development in every field of enterprises that have the whole world for their market. If this development is NOT opposed by protectionist and other anticapitalist measures, the result will be that in every branch of production there will be a relatively SMALL number of concerns, or even ONLY A SINGLE concern, intent on producing with the highest degree of specialization and on supplying the whole world.” (pp. 90 e 91)
TRADUÇÃO
“A divisão do trabalho atribui função especializada a cada unidade produtiva da economia. Este processo nunca se interrompe, na medida em que continua o desenvolvimento econômico. […] Com o progresso da especialização, a área servida por um fornecedor individual deve continuar a ampliar-se. […] Sem dúvida, essa progressiva especialização da produção volta-se para o desenvolvimento de todo tipo de empresa que tenha o mundo inteiro como mercado. Se esse desenvolvimento NÃO for obstado por medidas protecionistas e por outras medidas anticapitalistas, o resultado será que, em todo ramo de produção, haverá um número relativamente PEQUENO de firmas, ou mesmo apenas UMA ÚNICA FIRMA, voltada para produzir com alto grau de especialização e para suprir todo o mundo.”
Eu prefiro um monopólio estatal do que privado, pois pelo menos eu posso escolher um outro cara, com novas idéias, com novos projetos. Se eu estou insatisfeito com um governo X do partido A, eu voto no candidato Y do partido B. Por outro lado, o que fazer quando há um Monopólio PRIVADO, no setor de abastecimento de água potável (na exploração deste tipo de setor – de recursos naturais – o próprio Von Mises reconheceu que é Monopólio NATURAL)? O que fazer se estou insatisfeito com o serviço prestado pela empresa? Se for uma estatal, nas próximas eleições eu votaria num candidato de Oposição, com novas idéias e novos projetos, e a situação poderia mudar. Mas o que fazer no caso do monopólio privado? Rothbard, amigo de Lew Rockwell, alegava curva de demanda elástica, ou seja, o consumidor não é obrigado a consumir determinados bens e serviços, e poderia abdicar do produto ou serviço ou procurar substitutos. Mas no caso citado, por exemplo, o que fazer? Poderia abdicar de consumir água? Existe algum substituto à água?
O calcanhar de aquiles da democracia é o sufrágio universal e uma Constituição socialista. Infelizmente temos os dois!
Muito bom… Parabéns ao LEW!
Estive pensando no que um candidato – ou um burocrata qualquer – responderia diante da seguinte proposta:
“O senhor acha que existem bens que não podem ser deixados nas mãos do mercado? Então façamos o seguinte: em relação à esses bens “públicos”, que tal o senhor criar uma lei que afirme que apenas quem quiser usá-los é que deverá pagar impostos, e quem não quiser fica com seu dinheiro e faz o que quiser com ele?”
É uma ideia meio absurda, mas fiquei imaginando a cara de um político tentando responder a isso. kkkkkkk
Quanto menor o Estado, menos atraente ele é para os que querem dominar e saquear os outros.
* * *
Opa!mais um socialista|estatista convertido a libertário para encher a Kombi.
Estou viciado neste Site.
Esse desencanto com a democracia tem raízes em um equívoco elementar: a crença rousseaunica de que o ser humano é naturalmente bom. Então, se o governo é mau, a explicação é que o regime democrático foi de algum modo corrompido e sequestrado por um grupo oligárquico; a restauração de uma democracia “verdadeira”, então, colocaria no poder o verdadeiro homem bom, e dali por diante o governo seria benéfico.
É claro que isso é uma ilusão: os políticos, como todos os demais, vem do povo e não podem ser melhores do que o povo que os elege. O que define o governo democrático não é a eventualidade do governo ter a aprovação da maioria da população, mesmo porque, como foi colocado, isso não passa de uma eventualidade: um presidente pode ter a maioria dos votos no dia de sua eleição, e dois meses ser desaprovado pela maioria, dependendo dos resultados de seu governo. E a História registra numerosos exemplos de ditadores que se mantiveram no poder com o apoio entusiástico de amplas parcelas da população. O que, de fato, define a democracia são as garantias individuais e a independência dos poderes, essas sim características permanentes de todo o governo demcrático, independente do grau de aprovação do mandatário de plantão. A legitimidade da democracia não se mede pela quantidade de poder conferida à maioria que está no poder, mas pela quantidade de garantias conferidas às minorias que não estão no poder.
Vote no candidato “BRANCO” e confirme. Já que somos obrigados a perder tempo com esse teatro “democrático”, que percamos a menor quantidade. São só duas teclas apertadas. Simples.
Data venia, o sr. Rockwell defende o racismo ao promover o voto em branco (e seu similar: a abstenção, que é um voto em branco implícito, por isso, mais perverso). Sob uma conjuntura dialética, o termo ‘voto em branco’ é legado maligno da hierarquização da sociedade alegórica à cadeia produtiva em um ciclo do capital, referente à colonização brasileira; sua própria existência, em um país democrático e tão vasto como o Brasil, é denúncia da manutenção da estrutura racial na divisão social brasileira e – quando dado superioridade moral ao ‘voto em branco’, significa invocar a brutal estratificação social ainda dos tempos coloniais.
A própria existência do ‘voto em branco’ é uma aberração democrática, étnica e política. A cultura fascista desse voto de elite é inconcebível em uma sociedade legitimamente progressista e tanto sua função linguística como sua existência devem ser abolidas JÁ.
[b]Pelo fim do ‘voto em branco’ imediato.
Uma folha de papel geralmente é da cor branca. Se não tem nada aposto, escrito, desenhado, assinalado, a folha continua com sua cor original: BRANCA.
Antes da urna eletrônica, votar em branco era não assinalar nada na cédula…uma folha de papel com a cor original..branca.
Ver racismo nisso é o cúmulo. É ridículo.
Existiu alguma sociedade que conseguiu diminuir o governo através do voto?
Esse artigo é a tradução deste http://www.lewrockwell.com/2004/08/lew-rockwell/what-the-government-really-wants/ ?
“Todo o processo é o bastante para deixar qualquer um cético em relação a campanhas e eleições. Mas essa é a reação errada. Não há nada de errado com campanhas e eleições. Eleições são coisas corriqueiras no ambiente corporativo e em várias outras instituições privadas, inclusive religiosas. A verdadeira questão está no problema fundamental da “propriedade” pública. O que não tem dono, não tem racionalismo no uso. Não tem prestação de contas. Não tem punição. Dê-me uma chance de votar contra esse arranjo e eu prometo voltar a comparecer às urnas.”
Mas tem coisas que devem ser necessariamente públicas, não? como as vias (ruas, rodovias, estradas)…