Nota: Este artigo é a continuação deste outro
A questão do lixo
Se reciclagem fizesse sentido —
economicamente, e não como um sacramento para a adoração de Gaia –, estaríamos
sendo pagos para tal.
Quando visto sob a devida
perspectiva, os problemas que enfrentamos hoje em relação ao lixo não são
piores do que foram no passado. O lixo
sempre foi um problema durante toda a história humana. A única diferença é que, hoje, temos métodos
seguros para lidar com ele — caso os ambientalistas nos permitam.
Dizem, por exemplo, que devemos
separar jornais para a reciclagem. E a
ideia de fato parece fazer sentido.
Afinal, jornais velhos (isto é, com mais de meia hora de impressão)
podem ser transformados em caixas, folhas de fibra, revestimento de parede e
material isolante. O problema é que o
mercado está inundado de papel de jornal, graças também aos programas e às propagandas governamentais. Um caso clássico ocorreu em Nova Jersey, no
início da década de 1990. Por causa do
excesso de oferta, o preço dos jornais usados, que estava em US$ 40 a tonelada,
despencou para menos US$ 25 a
tonelada. Ou seja: antes, os empreendedores
do lixo estavam dispostos a pagar ($40) por jornal velho. Depois, eles passaram a cobrar ($25) para
levar o entulho.
Se for economicamente eficiente
reciclar — e jamais poderemos saber ao certo enquanto o governo estiver
envolvido –, então o lixo inevitavelmente terá um preço de mercado. É apenas por meio de um livre sistema de
preços, como Ludwig von Mises demonstrou há 90 anos, que podemos saber ao certo o
valor de bens e serviços.
O homem das cavernas tinha problemas
com o lixo, e o mesmo problema acometerá nossos descendentes. E tal ciclo perpetuar-se-á enquanto a
civilização humana existir. E o governo
não possui a solução para o problema. Um
sistema estatizado de coleta de lixo é inerentemente ineficiente, como podemos
comprovar diariamente. O lixo pode até
ser coletado, mas sua destinação certamente não será a mais “ambientalmente
saudável”. Um sistema socialista de
coleta de lixo funciona exatamente como a economia da Coréia do Norte.
Apenas o livre mercado pode
solucionar o problema do lixo, e isso significa abolir não apenas o sistema
socialista de gerência do lixo, mas também aquele sistema corporativista
(fascista) relativamente mais eficiente que várias prefeituras costumam adotar,
no qual uma empresa com boas conexões políticas vence a licitação.
A solução é privatizar e
desregulamentar tudo, desde a coleta até os aterros sanitários. Dessa forma, cada um pagará a fatia
apropriada dos custos. Alguns tipos de
lixo serão levados mediante uma taxa, outros serão levados de graça e vários
outros poderão inclusive ser vendidos para os coletores. A reciclagem seria baseada no cálculo
econômico, e não no decreto governamental.
Coleta e manuseio de lixo é um serviço como qualquer outro. Se é verdade que todo mundo quer ter seu lixo
removido e tratado, então há uma demanda de mercado para tal serviço. Há dinheiro a ser feito nessa área. Caso não houvesse tal interesse, não haveria
tantos “coletores ilegais” como vemos hoje.
Com efeito, a única coisa que impede a concorrência no mercado do lixo é
exatamente o fato de o estado ter tornado tal atividade ilegal.
Se o mercado estivesse no comando, a produção excessiva de lixo não seria
vista como um problema — como vê o governo –, mas como uma oportunidade. Empreendedores estariam se atropelando para
satisfazer a demanda por coleta, assim como acontece em todos os outros setores
que são controlados pelo mercado. Será que os fabricantes de sapatos vêem um
aumento na demanda por calçados como um problema? As redes de fast food vêem os glutões como
uma terrível ameaça? Pelo contrário,
esses são encarados como oportunidades de lucros. Da mesmo forma, é muito provável até que o
sistema de coleta fosse feito da maneira mais confortável possível para
nós, os clientes.
A escolha é sempre a mesma: ou se coloca os consumidores no comando, dando
espaço para a propriedade privada e para o livre sistema de preços, ou cria-se
um fiasco por meio da gerência governamental.
Sob esse sistema de livre concorrência, até eu vou começar a separar meu
lixo.
Aquecimento global
No dia 22 de abril de 1970,
celebrou-se o primeiro Dia da
Terra, evento criado pelo burocrata Gaylord Nelson, senador do estado de
Wisconsin. Na época, os ambientalistas
estavam alarmados com um iminente resfriamento global. O mundo viveria uma nova era do gelo caso os
governos não tomassem providências imediatas.
Recentemente, utilizando
praticamente a mesma mensuração, o alerta era sobre a inevitabilidade do
aquecimento global. Como as tendências
futuras revelaram-se muito incertas, optou-se então por chamar o “fenômeno” de ‘mudanças
climáticas’ (primavera para verão?), só pra garantir.
Com essa nomenclatura, obviamente, a chance de qualquer previsão dar errado é nula.
Esses são os mesmos climatologistas
que não sabem dizer se vai chover na próxima sexta-feira, mas que, por algum
motivo, estão certos de que a temperatura da terra estará, em 2031, x
graus Celsius mais quente do que hoje.
Níveis crescentes de dióxido de carbono na atmosfera irão derreter as
calotas polares e as áreas costais serão inundadas.
A solução proposta para conter a
mudança climática é, surpresa!, mais gastos e controles governamentais, e um
menor padrão de vida para todos.
Entretanto, como já foi inúmeras
vezes relatado, não há qualquer evidência de que as mudanças climáticas (outono
para inverno?) sejam causadas pelo homem.
E há evidências abundantes de que elas ocorrem ciclicamente, sendo que a
hipótese de que o mundo era mais quente na idade média do que é hoje não foi descartada nem
por cientistas aquecimentistas.
O fato de não estar havendo
aquecimento global tem seu lado triste.
Muitos cientistas concordam que o efeito seria positivo: prolongaria o
período de cultivo, tornaria a terra mais habitável e adiaria qualquer futura era
glacial.
Animais em extinção
Desde um simples caracol até as plantas parasitas, absolutamente todas as
espécies de animais e plantas existentes devem ser mantidas em existência pelo
governo — alegam os ambientalistas –, mesmo que direitos humanos e de
propriedade sejam violados. Mas por quê?
Se considerarmos todas as espécies que existiram desde a “criação”, a
maioria delas, dos trilobitas
aos dinossauros, está hoje completamente extinta. Um processo absolutamente normal. Por que não permitir que isso continue?
Se, para propósitos científicos ou de entretenimento, algumas pessoas
quiserem preservar essa ou aquela espécie em sua própria terra e às suas
próprias expensas, ótimo. Zoológicos e
universidades já fazem isso. Mas o resto
da população não deveria ser tributada e regulada, e ter seus direitos de
propriedade exterminados, apenas para que todas as ervas e percevejos sejam
salvos. O único impacto ambiental que
importa é aquele que ocorre sobre humanos.
A economia do ambientalismo
Uma vez rejeitadas as utopias, e entendido que, por exemplo, 10 milhões
de pessoas que vivem numa cidade grande não podem exigir que o ar seja igual ao
de uma aldeia de 50 pessoas, podemos então finalmente nos dedicar a resolver os verdadeiros
problemas ambientais, utilizando para tal o único mecanismo realmente possível:
propriedade privada e sistema de preços.
Quando o sistema de preços funciona livremente, ele garante que oferta e
demanda estejam quase sempre em equilíbrio, garantindo que os
recursos sejam alocados para seus fins mais produtivos. Já quando o governo intervém no sistema de
preços, ele garante desperdícios, dificulta o empreendimento e empobrece as
pessoas.
Se o café — por quaisquer razões — se tornar mais escasso, seu preço
subirá, alertando aos consumidores para que bebam menos. Se mais café entrar no mercado, os preços
cairão, avisando aos consumidores que eles podem beber mais. Preços, portanto, constituem um sistema de
preservação de recursos.
Mas os ambientalistas se imaginam capazes — como os planejadores centrais
soviéticos — de saber o valor econômico de tudo, sem que para isso tenham de
recorrer ao sistema de preços. Eles
sempre alegam que tudo está “acabando”, e que, portanto, é necessário que o
governo intervenha com vigor e controle o consumo. Porém, se de fato estivéssemos ficando sem
petróleo, por exemplo, seu preço iria disparar, alertando os consumidores para
que utilizem menos o mineral, e avisando os empreendedores para que encontrem
substitutos. Quando a oferta de petróleo
ficou ameaçada após o início da Guerra do Golfo, foi exatamente isso o que aconteceu.
Tampouco as voluntárias restrições ambientalistas funcionam como o
planejado. Os ambientalistas estão
sempre nos dando ordens para que sejamos mais pobres e utilizemos menos água,
menos gasolina, menos papel higiênico, etc.
Porém, se eles reduzirem o próprio consumo, isso já diminuiria os preços
para o resto dos seres humanos, que consequentemente passariam a poder utilizar
mais desses bens. Os ambientalistas realmente
comprometidos com a causa já fazem isso (P.S.: não conte esse segredo econômico
para eles; essa abstenção voluntária é o único favor que eles
fazem para toda a humanidade).
É quando algo não tem dono, ou seja, quando é de posse de todos, gerido
comunalmente — como ar e água –, que vemos todos os efeitos maléficos do
socialismo. As pessoas abusam dos
recursos “gratuitos” exatamente porque elas não têm de arcar diretamente com o
preço desses recursos.
Para resolver esse problema, qualquer um que for pessoalmente
prejudicado, ou ter seus negócios arruinados, pela poluição do ar, por exemplo,
deveria ter o direito e o poder de processar o agressor para que ele pare com
essa poluição, de modo que o prejudicado seja recompensado pelos estragos
sofridos. Mas desde o século XIX o
governo intervém nesse direito consuetudinário, sempre visando ao favorecimento
daqueles grupos de interesse mais poderosos, impossibilitando, por exemplo, um fazendeiro de processar uma ferrovia cuja emissão de fagulhas queimou e
destruiu seu pomar.
O governo também nacionalizou as orlas e todos os cursos d’água
especificamente para facilitar as coisas para os poderosos grupos de interesse
industriais.
Se, como ocorre em vários cursos d’água na Inglaterra e em outros países, as
pessoas tivessem direitos de propriedade sobre rios que cortam sua propriedade,
elas poderiam impedir a poluição destes cursos d’água assim como elas impedem
qualquer lixo de ser despejado em suas portas.
E se os pescadores e proprietários de terra tivessem direitos de
propriedade sobre a região costeira e as águas adjacentes, eles poderiam impedir a
poluição destas e determinar adequadamente os direitos de pesca. Da mesma forma, petrolíferas que vazassem petróleo no litoral seriam devidamente penalizadas.
A questão das águas, portanto, é fácil de visualizar. Mas como ficaria a questão do ar? Há várias maneiras.
Primeiro, qualquer um teria todo o direito de modificar o ar sobre sua
propriedade como quisesse, desde que essa poluição não se espalhasse para o ar
alheio. Entretanto, isso seria uma
impossibilidade por causa do fluxo de ar. Logo, teria de haver uma maneira de impedir
que essas emissões chegassem ao ar alheio. E isso é problema para engenheiros. É lógico que o mercado criaria o aparato
específico: pode-se, por exemplo, coletar as emissões em grandes recipientes ou
simplesmente criar maneiras de converter as emissões em vapor d’água, o que
aliviaria o problema. Haveria sem dúvida
alguma maneira de impedir o agravamento da poluição. E sabemos que, se houver demanda, propriedade
privada e busca pelo lucro, haverá solução. E o fato é que as emissões seriam
significativamente reduzidas em um livre mercado, onde os indivíduos que emitem
poluentes estariam sujeitos a uma ação judicial. A solução de livre mercado é baseada no
cálculo racional; a solução estatal é baseada na permissão da poluição para
aqueles com boas conexões políticas.
A histeria constante na África em relação às presas de elefante é outro
exemplo de falta de propriedade privada.
Se as pessoas pudessem criar elefantes e vender suas presas — como o
próprio governo do Zimbábue fez no final de década de 1970, o que gerou um
aumento estrondoso do número de elefantes –, a quantia de presas de
elefante que haveria seria igual à demanda por elas.
Não haveria preocupações quanto a uma possível escassez desse item,
assim como não há escassez de carne de boi, frango ou porco.
O mesmo princípio é válido para todos os outros recursos. Se não houver propriedade sobre um bem,
certamente haverá abusos e malversações.
Porém, se colocado sob propriedade privada, haverá exatamente a quantia
necessária: a oferta suprirá a demanda.
Um exemplo de conservação via mercado foi o da empresa Cayman Turtle Farm (um viveiro
comercial de tartarugas) nas Ilhas Britânicas do
Caribe. A tartaruga-verde foi
considerada em risco de extinção graças à propriedade comunal, que estimulou
um excesso de capturas que não levava em conta suas capacidades
reprodutoras. O viveiro privado foi
capaz de incubar os ovos e fazer com que os filhotes crescessem e virassem
adultos a uma taxa bem maior do que a que ocorria na natureza. O estoque de tartarugas-verdes, até então em
risco de extinção, cresceu para 80.000.
Porém, os ambientalistas odiavam a Cayman Turtle Farm, já que, na visão
deles, é algo moralmente condenável obter lucros com animais selvagens. A empresa foi forçada a fechar as portas, e a
tartaruga-verde voltou a ser uma espécie ameaçada — mas sendo muito amada
pelos ambientalistas.
Os verdes — como todos progressistas — justificam a intervenção
governamental com base naquilo que os economistas chamam de “bens públicos” e
“externalidades”.
Um “bem público” supostamente é aquilo que todos nós queremos, mas nunca
teremos, a menos que o governo nos forneça.
Os ambientalistas alegam que todos querem parques e reservas ecológicas
nacionais, mas o mercado não tem interesse em fornecê-los. Portanto, o governo tem de entrar em
cena e suprir e demanda. Mas como podemos saber,
independentemente do mercado, se todos querem parques caros? Como é possível saber quantos parques todos querem? E de
quais tipos?
(O Instituto
Inhotim, em Minas Gerais, é um ótimo exemplo de reserva ambiental privada que atende a
demanda dos consumidores por esse “bem público”)
Poderíamos até fazer inúmeras pesquisas, mas isso não nos diria nada sobre
a intensidade da demanda econômica. Mais
importante: não basta saber que as pessoas querem diamantes, por exemplo. Tal demanda somente terá algum significado econômico se essas pessoas estiverem dispostas a dar algo em troca para obter
esses diamantes.
Incrivelmente, os economistas progressistas e social-democratas nunca
desenvolveram um modo de identificar o que realmente são bens públicos. Consequentemente — e como eles são
cientistas objetivos — eles sempre recorrem à intuição. O exemplo favorito de Paul Samuelson para um
bem público era o das torres de farol, até que Ronald Coase demonstrou que
empreendedores privados proveram torres de farol durante séculos.
Se compreendermos que somente o mercado pode nos dar informações econômicas,
o suposto problema dos bens públicos desaparece. Na ausência de subsídios e proibições
governamentais, ou na falta de concorrência de parques “gratuitos”, o mercado
irá garantir que tenhamos exatamente o número de parques que as pessoas querem,
e pelos quais estão dispostas a pagar. (Ademais, se
os parques nacionais forem vendidos, a dívida pública poderá ser abatida.)
Já uma “externalidade” é um efeito colateral. O belo jardim do seu vizinho é uma
externalidade positiva; o cachorro dele latindo é uma externalidade negativa; o primeiro é uma benção, o último é irritante.
Mas você não comprou voluntariamente nenhuma das duas.
Voltando ao início, os ambientalistas dizem que o lixo é uma externalidade
negativa do consumismo. Logo, eles
advogam mais regulamentação e burocracia para resolver o problema. Entretanto, o livre mercado soluciona tal
problema de modo muito mais justo e eficiente por meio dos direitos de
propriedade. Desestatize tudo e as
externalidades serão “internalizadas”. Ou seja, os custos ficarão exatamente com aqueles que têm de pagar por eles.
Porém, para os ambientalistas, a prosperidade humana é, em si, uma
externalidade negativa.
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Leia também:
Se você gosta da natureza,
privatize-a
Ainda melhor que o primeiro artigo! O pessoal que ficou na gritaria ontem, exigindo propostas, deveria ao menos ter tido a finesse de esperar essa continuação, que responde as perguntas exigidas. Parabéns ao pessoal do IMB pela paciência.
Tem uma empresa de coleta de lixo hospitalar aqui em recife(PE) que está cada vez mais faturando, vale lembrar que é, ainda, um monopolio!
Adoraria saber quem são esses ‘nazi-ativistas ambientais’ que ele conhece…para mandá-los fazer terraformação em Marte eu mesma.Gostei muito do final do artigo ( embora pessoalmente ache que o autor tem algum ‘problema’ com os tais ambientalistas. Freud teria muito o que fazer com ele). Ah, não conte a ele, mas nós (os ambientalistas não nazistas) já discutimos e implementamos iniciativas assim há décadas.Uma olhada em Transition Towns, por exemplo, não seria nada mal.Parabéns, citarei o artigo na íntegra no site de TT e no meu blog.
Muito bom artigo.
Me lembro de um professor babaca de matemática que ao envés de nos ensinar cálculo, ficou o ano inteiro tentando nos empurrar um “projeto do lixo”, que falava sobre o consumo dos países em geral, em salvar o meio ambiente, e toda essa babozeira.
Porém o mesmo usava para seu transporte individual um S-10 cabine dupla a diesel, que poluía pra caramba. Sempre perguntei porque ele não ia de bicicleta, e o mesmo manda eu cuidar da minha vida.
Ambientalistas são uma nova forma de comunistas. “faça o que digo, mas não faça o que eu faço!”
Excelente artigo! Foi mesmo no alvo! Estou absolutamente cheia dessa conversa mole de sustentabilidade, meio ambiente, veganismo e que tais.
As pessoas simplesmente não sabem fazer o que acham certo e deixar aos outros que ajam de acordo com sua própria consciência.
Julgam-se certos e todos os outros errados e querem obrigar O MUNDO TODO a fazer o ELES ACHAM que está certo! Absolutamente INSUPORTÁVEL!
Ainda que eu não acreditasse em Deus (e eu acredito) tenho certeza que, pelos bilhões de anos que a terra existe, sabe perfeitamente cuidar de si, sobreviveu e inimagináveis catástrofes e está aí, firme e forte e provavelmente estará aqui, quando a humanidade não mais existir.
Parodiando minha mãe: vão plantar batatas ou pentear macaco.
PS- Tomei a liberdade de reproduzir este artigo no meu tumblr, citanto a fonte.
Pergunta: se os pandas fossem ser extintos (e isso parece ser uma realidade), o governo não “deveria/poderia” fazer nada? Quando ouço um ecologista falando em extinção, nunca é de extinção de carrapatos, mas sim de focas, baleias, ursos, etc. Ironizar os ambientalistas por esse caminho é fácil e completamente infantil. Vocês deviam levar um pouco mais a sério a crítica. Não é porque ambientalistas fanáticos falam bobagem que esse site também deveria. Me mostre um único protesto contra a extinção dos carrapatos (tem algum?). Eu mesmo apoio o pensamento libertário por razões de propriedade e economia, mas jamais por declarações como esta. E afinal, o que faríamos sobre a extinção de leões, pandas, etc? Dizer “o ser humano está acima de tudo, então morram todas as outras espécies”? Porque quando eu falo de economia, consigo provar para qualquer pessoa que o governo só atrapalha, mas falando assim duvido conseguir convencer uma só pessoa a apoiar a causa. Grato.
Sinceramente, esse é o tipo de artigo que me faz ter vergonha de reproduzir textos, muitas vezes sensatos, sobre economia que são publicados nesse site. As pessoas parecem estar sempre buscando uma “panacéia”, uma cura única para todos os problemas. Aí, descobrem que o livre mercado oferece boas soluções para a economia e “pimba”, começam a defender que liberdade econômica e propriedade privada é a solução para absolutamente todos os problemas, desde meio ambiente até coração partido.
Vou propor um exemplo para os que defendem o que está escrito no texto acima. Imaginemos uma sociedade sem Estado, sem regulamentação, com plena liberdade e propriedade. Eu, com o meu $$, vou lá e compro um grande terreno em uma área densamente populosa (digamos, no bairro de Moema, em SP) e lá construo meu lixão. Coleto lixo da cidade, cobro taxa dos usuários, e fico com meu lucro. Evidente que, para manter os preços baixos, eu não faço tratamento nenhum do lixo. Isso encareceria o serviço. Jogo lá e pronto. Os vizinhos, evidentemente, ficarão revoltados com o mau cheiro, os ratos, as baratas, as moscas e todos os “presentes” que só um lixão pode proporcionar.
E aí, o que fazer? Segundo o texto, é só “processar” o dono do lixão e pronto, pedir reparação pelo dano sofrido. Ocorre que um princípio básico do direito é que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão por força de lei. Assim, para que alguém possa ser processado, é necessário que ele tenha quebrado alguma regra, infringido alguma lei, ou, em português mais claro, desrespeitado a regulamentação. Em um mundo totalmente desregulamentado, você não pode processar ninguém, porque ninguém está violando lei nenhuma.
No nosso exemplo, dono do lixão não está fazendo nada fora da lei. Lembre-se: essa sociedade não tem regulação estatal! Então, não tem lei nenhuma proibindo o dono do lixão de causar mau cheiro, ou de proliferar baratas e ratos, ou de fazer coisa alguma. Não há regulamentação, lembram?
Nesse ponto é possível ver a total incoerência do texto. O autor diz que não deve haver regulação nenhuma: “A solução é privatizar e desregulamentar tudo, desde a coleta até os aterros sanitários”. Mas logo em seguida ele diz que os prejudicados deveriam processar o poluidor: “qualquer um que for pessoalmente prejudicado, ou ter seus negócios arruinados, pela poluição do ar, por exemplo, deveria ter o direito e o poder de processar o agressor para que ele pare com essa poluição, de modo que o prejudicado seja recompensado pelos estragos sofridos”. A contradição é evidente! Se não existe regulação nenhuma, isso quer dizer que não existe lei nenhuma dizendo o que se pode e o que não se pode fazer. E, se não há lei proibindo, o poluidor não pode ser processado por ninguém.
Dando um exemplo com o “mundo real”: se eu saio com o meu carro hoje, e alguém me processa por estar queimando gasolina e poluindo o ar, eu posso dizer: “não devo nada a você porque, apesar de estar sim poluindo o ar, eu não estou fazendo nada ILEGAL”. Agora, se eu construir um lixão em Moema, posso sim ser processado e pagar indenização, porque há lei que proíbe que eu faça isso.
O que eu quero deixar claro é que, para ser possível qualquer processo, qualquer reparação, é necessário que haja antes a regulação. O direito de pedir reparação pressupõe o desrespeito de uma regra. Você não pode processar alguém que não infringiu lei nenhuma.
E, para quem quer ver o efeito que o exagero de liberdade (“desregulamentar tudo!”) pode causar no meio ambiente e na saúde, sugiro que assistam o documentário Cidades Sujas (Filthy Cities), da BBC, sobre NY industrial. Principalmente na parte da fabricação de salsichas. A solução, por mais estranha que possa parecer, foi mais regulação estatal e menos liberdade.
T+
"Eu, com o meu $$, vou lá e compro um grande terreno em uma área densamente populosa (digamos, no bairro de Moema, em SP) e lá construo meu lixão."
Já falou besteira, o que desqualifica todo o resto do seu texto. Se, de acordo com suas próprias premissas, há plena liberdade e propriedade, então os moradores deste bairro, que ali estavam antes de você e são os donos legítimos do local (lembre-se, um bairro é propriedade de seus moradores), poderão proibi-lo de despejar lixo ali. O bairro é propriedade privada deles e você não pode simplesmente sair jogando lixo ali.
Não sei se você notou, mas essa sociedade seria ainda mais rígida com a qualidade ambiental, pois tudo tem dono.
Você é apenas mais um triste exemplo da "Lei de Almeida": sempre que um sujeito vem cheio de si, afetando arrogância e jurando ter "descoberto" uma falha no pensamento libertário, as chances são de 100% de que ele não tenha entendido sequer o mais básico da teoria.
É perfeitamente válido discordar das ideias; o que não é defensável é mentir a respeito delas.
Continue tentando.
” Se, de acordo com suas próprias premissas, há plena liberdade e propriedade, então os moradores deste bairro, que ali estavam antes de você e são os donos legítimos do local”
Sim, são os donos do local, até que eu compre o terreno, certo? Ou será que na sua visão o direito de propriedade não inclui o direito de poder dispor de seu patrimônio?
Então, eu vou lá com o meu $$ (pode ser um bilhão Tory, a cifra não importa, desde que eu tenha o suficiente para pagar) e compro um quarteirão inteiro. Os legítimos donos, no exercício de seu direito de propriedade, venderam para mim e foram embora. Os demais moradores do bairro são donos do resto do bairro (todos os outros quarteirões), mas não do meu quarteirão, Luiz Almeida, onde eu desejo construir meu lixão.
Ninguém sequer tocou no ponto mais delicado (e certamente mais polêmico): você não pode proibir alguém de fazer alguma coisa sem regulação (lei, decreto, chame como quiser). E, se não há proibição, não se pode processar ninguém por eventuais danos. Se eu montei o lixão no meu terreno, que é de minha propriedade (já que eu adquiri), e não tem lei nenhuma que me proíba de fazer o lixão ali (a menos que o libertário reconheça que precisa ter uma regulamentação dizendo onde e como podem ser construídos lixões, caso em que eu concordarei), eu não posso ser processado por ninguém, já que não terei desrespeitado qualquer lei. Esse é o ponto. Não dá para falar em processar alguém que fez algo que não é proibido. Para poder responsabilizar pelos danos, tem que proibir (regulamentar) antes.
Luis, vc disse que os moradores poderão “me proibir” de jogar lixo ali. Mas aí eu te pergunto, se não há lei proibindo, que direito os donos dos outros terrenos ao redor têm de dizer o que eu posso e o que eu não posso fazer com o meu próprio terreno? Por acaso vc está dizendo que os vizinhos, mesmo sem serem proprietários do meu terreno, têm o direito de limitar a minha propriedade, em benefício do restante do bairro? Se sim, vc acaba de reconhecer a necessidade de regulamentação (ideia com a qual concordo). Caso contrário, como é que eles vão me proibir de fazer o que eu quero na minha propriedade?
A inciativa privada é o motor do crescimento econômico, mas não é a solução milagrosa para todos os problemas da sociedade. Discordo totalmente do texto.
OBS: deixo registrado meu agradecimento à moderação, que diferente de sites “socialistas”, autoriza a manifestação de ideias contrárias, como meus comentários que foram publicados. É da dialética que se cria o conhecimento.
Senhores, suponhamos que haja uma área de preservação ambiental cuja aquisição seja pretendida por um empreendimento hoteleiro, por exemplo, na extinção da APA, num processo de transição para o libertarianismo, qual seria a medida adequada pelos moradores que querem usufruir das belezas naturais? Adquirir o local? Impor restrições contratuais ao empreendimento? Enfim, o que me vem a mente, em primeiro lugar, é que existem áreas com belezas naturais sendo apropriadas por empresas do setor hoteleiro, gerando protestos da população, como ocorre em Floripa. Essas áreas sofrem com poluição, justamente por serem públicas, sem responsabilizações. O fato de os vizinhos não poderem impor restrições comtratuais tb piora a situação. Qual seria a medida mais adequada a ser tomada pela população local? Poderia haver um tribunal privado para conciliar as pretensões sem impedir a liberdade do empreendimento, correto?
Quero argumentar apenas sobre esse trecho.
Animais em extinção
Desde um simples caracol até as plantas parasitas, absolutamente todas as espécies de animais e plantas existentes devem ser mantidas em existência pelo governo — alegam os ambientalistas —, mesmo que direitos humanos e de propriedade sejam violados. Mas por quê?
Se considerarmos todas as espécies que existiram desde a “criação”, a maioria delas, dos trilobitas aos dinossauros, está hoje completamente extinta. Um processo absolutamente normal. Por que não permitir que isso continue?
Se, para propósitos científicos ou de entretenimento, algumas pessoas quiserem preservar essa ou aquela espécie em sua própria terra e às suas próprias expensas, ótimo. Zoológicos e universidades já fazem isso. Mas o resto da população não deveria ser tributada e regulada, e ter seus direitos de propriedade exterminados, apenas para que todas as ervas e percevejos sejam salvos. O único impacto ambiental que importa é aquele que ocorre sobre humanos.
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Quando uma espécie gera um impacto ambiental gigantesco além da perda de conhecimento.
Usando de exemplo, nosso empresário John Will Johnson, ele resolve fazer uma caça as Araras do bico azul, uma ave nativa de uma ilha.
Como não existe nenhuma lei tanto politica ou social em relação a sua proteção ela é extinta.
Nessa ilha existe uma espécie de cobra que só se alimenta dessa Arara, logo essa espécie também estaria em extinção.
Sabendo então que o único predador de um inseto “venenoso ou não” é a Arara do bico azul, causando um descontrole biológico.
Se baseando em um esquema de ABC de teoria da seleção natural das espécies isso se daria um prejuízo também a propriedade privada de outras pessoas, tanto pelo acumulo dos insetos e pela extinção das cobras que foram extintas pela retirada de seu alimento.
revistaescola.abril.com.br/ciencias/pratica-pedagogica/impactos-extincao-especies-cadeia-alimentar-607995.shtml?page=0
Poderia também citar as arvores de uma região, exemplo a amazônia, como sabemos a floresta amazônica influencia o clima brasileiro e causando chuvas em diversas regiões brasileiras.
globotv.globo.com/rede-globo/jornal-nacional/v/amazonia-tem-grande-influencia-nas-mudancas-de-clima-no-brasil/1887739/
g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/04/amazonia-e-principal-responsavel-por-mudancas-climaticas-no-pais.html
mundogeo.com/blog/2008/07/30/estudo-monitora-influencia-da-floresta-amazonica-nas-chuvas-do-pais/
Imagine que o filhinho do nosso John W. Johnson conhecido como Johnson William Johnson resolve derrubar a floresta para fazer consolos de madeira para vender e usar se ele quiser.
Com o fim da amazônia isso geraria crises nas chuvas, podendo gerar secas no Sul, tempestades no Nordeste, Vendavais no Sudeste e assim vai.
Vai além de querer proteger ervinhas e joaninhas, pois a extinção de uma espécie não se resume apenas a está espécie.
Os impactos causados pela perda de propriedade de John ou Johnson é muito menor comparado com a perda feita com a perda de uma espécie ou de uma floresta.
Cara equipe IMB,
Por acaso vocês já viram isso?
How Fossil Fuels Have Greened the Planet
Matt Ridley on How Fossil Fuels are Greening the Planet
Será que não merece uma tradução, ou menção no blog do site? 🙂
Abraços!
"Se, como ocorre em vários cursos d’água na Inglaterra e em outros países, as pessoas tivessem direitos de propriedade sobre rios que cortam sua propriedade, elas poderiam impedir a poluição destes cursos d’água assim como elas impedem qualquer lixo de ser despejado em suas portas.(…) A questão das águas, portanto, é fácil de visualizar"
Como faríamos aqui com o Rio Pinheiros? Qual o interesse em ser dono da margem esquerda, digamos, da ponte do Jaguaré até 500 metros adiante?
Não estou sendo irônico, apenas refletindo e buscando uma solução. Agradeço a ajuda.
"Porém, se colocado sob propriedade privada, haverá exatamente a quantia necessária: a oferta suprirá a demanda."
Muito bom o exemplo dos elefantes no Zimbabue. No Quenia, por sua vez, em 1973 a caça foi declarada ilegal. Resultado nada surpreendente: população desse animais caiu de 275 mil para apenas 20 mil em 15 anos. Nos outros países africanos em que a caça é legal, com áreas exploradas por PHs – caçadores profissionais – a população cresceu. Em diversas áreas o problema é de superpopulação até.
Mas sobre esta passagem do artigo:
"E o fato é que as emissões seriam significativamente reduzidas em um livre mercado, onde os indivíduos que emitem poluentes estariam sujeitos a uma ação judicial."
Mas como quantificar o que é poluição e o que não é? Qual o limite para emissões? Ou não poderia nenhuma? Definir um limite não passaria, necessariamente, por regulação?
O governo nunca perde uma chance de transformar oportunidades em problemas.
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Excelente o texto. Apesar do autor ter cometidos alguns equívocos, como a comparação da disponibilidade de carne de porco, vaca e frango com a de animais silvestres. Mesmo que a Sadia quisesse produzir carne de Zebra, ela não conseguiria. Pelo simples fato desses animais não serem domesticáveis….
Outro equívoco do texto, foi a afirmação sem nenhum fundamento científico sobre desvinculação das atividades humanas com a alteração climática. Bem, a maioria dos estudos científicos dizem o contrários.
vide (www.skepticalscience.com/).,
O restante do texto é sensacional. Principalmente, sobre a maneira da gestão dos recursos.
Na minha humilde opinião, regulação estatal na área ambiental sim. Execução de gestão NUNCA.
Obrigado.
Desconfie das coisas “grátis”. Certamente, o preço oculto é muito maior. Vejam os governos.
podem me informar a fonte dessa história dos elefantes do Zimbabue, no fim dos anos 1970?
Excelente artigo, um verdadeiro caçador de mitos!
parabéns!
A questão é, o livre mercado pode dar conta do problema ambiental, ou seriamos consumidos pela saga do lucro sem limites?
Exemplos: baleias, tigres, rinocerontes, petróleo, desmatamento, poluição dos rios e mares, pesca predatória, etc…
Achei o artigo ótimo mas entrei em duvida sobre o sofrimento de um elefante ou de outros animais visando a utilização de partes do corpo deles (como as presas, que se não fossem necessárias provavelmente não se desenvolveriam mais ou até mesmo o uso da pele de outros animais) como mercadoria, tendo em vista que eles tem cérebro, nervos, etc e sentem dor e sofrimento, no minimo físico, como o Homem, como isso se daria visando o bem estar animal em uma situação de liberalismo economico?