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A “Quarta Revolução Industrial” será distópica e muito diferente da primeira

Se tomarmos as publicações do Fórum Econômico Mundial (WEF) como uma indicação de como a “Quarta Revolução Industrial” mudará a sociedade, o mundo enfrentará um ataque maciço contra a liberdade individual e a propriedade privada. Um novo tipo de coletivismo está prestes a surgir. Assim como o comunismo do passado, o novo projeto atrai o público com a garantia de avanço tecnológico e inclusão social. Além disso, a sustentabilidade ecológica e a promessa de longevidade ou mesmo imortalidade são usadas para atrair o público. Na realidade, porém, essas promessas são profundamente distópicas.

 

A Quarta Revolução Industrial

Segundo Klaus Schwab, fundador e atual presidente executivo do WEF , a “Quarta Revolução Industrial” (2016) representa uma nova etapa dos avanços tecnológicos disruptivos que começaram no final do século XVIII com a indústria têxtil e o uso de energia a vapor. A Segunda Revolução Industrial ocorreu nas décadas anteriores e posteriores a 1900. Ela criou uma infinidade de novos bens de consumo e tecnologias de produção que permitiram a produção em massa. A Terceira Revolução Industrial começou por volta de 1950 com os avanços nas tecnologias digitais. Agora, de acordo com Klaus Schwab, a Quarta Revolução Industrial significa que o mundo está caminhando para “uma verdadeira civilização global”.

A Quarta Revolução Industrial oferece o potencial “para robotizar a humanidade e, assim, comprometer nossas fontes tradicionais de sentido – trabalho, comunidade, família, identidade”. Schwab prevê que a Quarta Revolução Industrial “elevará a humanidade a uma nova consciência coletiva e moral”.

O transumanismo faz parte da transformação que vem com a quarta Revolução Industrial, pois a inteligência artificial  (IA) superará até mesmo os melhores desempenhos humanos em tarefas específicas. As novas tecnologias “não pararão de se tornar parte do mundo físico ao nosso redor – elas se tornarão parte de nós”, declara Schwab .

No prefácio do último livro de Schwab, Shaping the Future of the Fourth Industrial Revolution  ( 2018 ), o CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirma que a evolução das novas tecnologias “está inteiramente ao nosso alcance”. A Microsoft e outras empresas de alta tecnologia “estão apostando na convergência de várias mudanças tecnológicas importantes – realidade mista, inteligência artificial e computação quântica”.

Satya Nadella informa aos leitores que Microsoft, Amazon, Google, Facebook e IBM cooperarão em uma parceria de IA que trabalhará para desenvolver e testar a tecnologia em áreas como “automóveis e saúde, colaboração entre humanos e IA, deslocamento econômico e como a IA pode ser usada para o bem social”.

 

Transformação Abrangente

No prefácio de seu último livro, Klaus Schwab prevê que a Quarta Revolução Industrial “subverterá as formas existentes de sentir, calcular, organizar, agir e entregar”. Ele afirma que “as externalidades negativas” da atual economia global prejudicam “o ambiente natural e as populações vulneráveis”.

As mudanças que acompanham as novas tecnologias serão abrangentes e derrubarão “a forma como produzimos e transportamos bens e serviços”. A revolução vai alterar a forma como “nos comunicamos, a maneira como colaboramos e a maneira como experimentamos o mundo ao nosso redor”. A mudança será tão profunda que os avanços nas neurotecnologias e biotecnologias “estão nos forçando a questionar o que significa ser humano”.

Como o prefácio de Satya Nadella, o texto de Schwab reitera várias vezes a afirmação de que a “evolução da Quarta Revolução Industrial” está “inteiramente ao nosso alcance” quando “nós” usamos a “janela de oportunidade” e buscamos o “empoderamento”. O “nós” de que ambos os autores falam é a elite tecnocrática global, que clama por um controle central e intervencionismo estatal (chamado “moldar o futuro”) em um novo sistema que se caracteriza por uma cooperação íntima entre empresas e governo, ou, mais especificamente, entre alta tecnologia e um punhado de estados-chave. 

A página do Fórum Econômico Mundial sobre o “Grande Reinício” (Great Reset) proclama que “a crise do Covid-19” apresenta “uma janela de oportunidade única para moldar a recuperação”. Na atual “encruzilhada histórica”, os líderes mundiais devem abordar “as inconsistências, inadequações e contradições” que vão desde saúde e educação até finanças e energia. O fórum define o “desenvolvimento sustentável” como o objetivo central das atividades de gestão global.

O “Great Reset” pede cooperação global para atingir objetivos como “aproveitar a quarta Revolução Industrial”, “restaurar a saúde do meio ambiente”, “redesenhar contratos sociais, habilidades e empregos” e “moldar a recuperação econômica”. Conforme tematizado no “ Jobs Reset Summit” de 20 a 23 de outubro de 2020 , uma “recuperação verde” da crise da covid-19 promete um “ horizonte verde ”. A cúpula do WEF em janeiro de 2021 abordou especificamente as transformações que estão por vir. Os principais temas são “clima estável”, “desenvolvimento sustentável”, economia de “zero carbono” e produção agrícola que reduziria a pecuária em sintonia com a redução global do consumo de carne.

 

A alternativa

A elevação dos padrões de vida juntamente com o crescimento da população mundial tornou-se possível por causa da Revolução Industrial. Aqueles que querem derrubar a sociedade capitalista e a economia devem necessariamente optar pelo declínio do padrão de vida e pelo despovoamento. Os promotores dos planos para criar uma nova ordem mundial com a força do estado negam que o capitalismo radical poderia fornecer os meios muito melhores para se mudar para um mundo melhor, como tem sido o caso desde o início da Primeira Revolução Industrial.

O que provocou as revoluções industriais do passado foram o livre mercado e a escolha individual. Como explica Mises, foi a ideologia laissez-faire que produziu a Primeira Revolução Industrial. Houve primeiro uma revolução espiritual que pôs fim à “ordem social na qual um número cada vez maior de pessoas estava condenado à miséria e indigência” e onde a atividade manufaturada “atendia quase exclusivamente às necessidades dos ricos”. E sua “expansão era limitada pela quantidade de luxo que as camadas mais ricas da população podiam pagar”.

A ideologia do Fórum Econômico Mundial é a da era pré-industrial. Embora o site do Fórum esteja repleto de termos como “poder”, “organização” e “desenvolvimento sustentável gerenciado”, conceitos como “liberdade”, “coordenação de mercado” e “escolha individual” estão flagrantemente ausentes. O Fórum esconde o fato de que, em vez do progresso humano, o empobrecimento e a repressão são o futuro da humanidade. A consequência implícita da “economia ecológica” planificada é a redução drástica da população mundial.

Com a abolição dos mercados e a supressão da escolha individual, que os planos coletivistas do WEF propõem, uma nova era das trevas viria. Ao contrário do que supõem os planejadores, o próprio progresso tecnológico estagnaria. Sem a criatividade humana que brota da mentalidade do individualismo, nenhum progresso econômico jamais foi possível.

 

Conclusão

As novas tecnologias que acompanham a Quarta Revolução Industrial podem trazer imensos benefícios para a humanidade. As tecnologias em si não são o problema, mas como elas são usadas. Um futuro distópico nos espera se a elite global do Fórum Econômico Mundial tiver a decisão final. O resultado seria um regime de terror tecnocrático mascarado como um governo mundial benevolente. 

No entanto, há uma alternativa. Como amplamente comprovado nos últimos duzentos anos, o livre mercado e a escolha individual são as fontes do avanço tecnológico, do progresso humano e da prosperidade econômica. Não há razões racionais para presumir que a Quarta Revolução Industrial exigiria o coletivismo. O livre mercado é a melhor maneira de lidar com os desafios que surgem com as novas tecnologias. Não menos, mas mais capitalismo é a resposta.


A primeira parte desta serie de artigos pode ser lida aqui: https://mises.org.br/artigos/3103/o-progressismo-do-futuro-e-na-verdade-apenas-o-socialismo-do-passado

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1 comentário em “A “Quarta Revolução Industrial” será distópica e muito diferente da primeira”

  1. Em suma, eis o lema “você não terá nada e será feliz”,
    O quotidiano padrão que os globalistas querem impor ao mundo é ração diária de insetos (quem sabe os veganEs aqui não chiariam um pouquinho?), uma vacina a cada dois meses, pessoas alegando serem “não-binaries”, mesclando características sexuais secundárias (ou mesmo primárias, vide as mulheres barbadas que saíram do circo para a lacrosfera), além de um aumento maior em propaganda progressista woke nas mídias permitidas, pois obviamente teriam nesse cenário um Ministério da Verdade bem mais robusto, além de crianças sendo retiradas do convívio familiar já aos três meses de idade, sendo-lhes proibido educar com alguma crença religiosa, exceto, obviamente, a crendice marxista, como na ex-Alemanha Oriental e na atual Coréia do Norte, incluindo aí também um autorização para que homens e mulheres heterossexuais possam casar-se, restringindo o quanto possível deslocamentos interurbanos, ou mesmo dentro da mesma cidade (fala-se até em “lockdown climático”) em uma distópica combinação de “1984” e “Admirável Mundo Novo”. Ao menos, assim o Ocidente seria redesenhado por esses demônios, considerando que Rússia e China resistiriam a muito do que tentei expor…
    Como viveriam os propositores do tal Grande Reset? Como bons elitistas aristocratas, levando um modo de vida bastante tradicional em suas casas, como já escrevi no site antes, com uma família funcional, com princípios conservadores contra os quais combatem fora de suas mansões, alimentando-se de carne vinda da Argentina ou do Uruguai, bebendo os vinhos das mais prestigiadas safras do mundo, matando baratas, grilos, anelídeos, os quais jamais experimentariam nem brincando, com a prole educada por tutores ou quiçá em internatos de rigor britânico, com o mínimo contato possível com jovens fora deste âmbito. Claro, continuariam a viajar quanto e aonde desejassem com seus jatinhos privados e motoristas particulares “cagando” quanto à pegada de carbono que seus veículos produziriam, pois isto é exigência apenas sobre o proletariado ocidental… não sei se me esqueci de algo, mas enfim…

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