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O problema com o sistema penitenciário

Os conservadores sempre tiveram uma visão romantizada do
poder policial, vendo-o como se fosse uma linha divisória entre a liberdade e o
caos, impedindo que este último prevaleça. 
Embora seja verdade que a lei em si é algo vital para a liberdade, e que
a polícia possa de fato defender os direitos à vida e à propriedade, disso não
necessariamente se segue que qualquer indivíduo comedor de impostos portando
uma arma autorizada pelo estado e calçando botas de cano alto esteja do lado do
bem.

Todas as regulamentações estatais, bem como todo o tipo de
tributação, são, em última instância, escorados e reforçados pelo poder
policial, de modo que os defensores do livre mercado têm todos os motivos para
sentir receio desse aparato de estilo socialista.

Uma postura não crítica em relação à polícia leva, ao fim e
ao cabo, a um apoio irrestrito do estado policial.  E um ótimo exemplo disso é o atual regime
iraquiano, cujo governo — apoiado pelos EUA, o maior estado policial do mundo
ocidental — vem aplicando leis marciais desde a invasão.  Desnecessário dizer que os conservadores
apóiam tais medidas, pois creem que esses métodos constituem passos firmes em
direção à liberdade.

É o poder policial, cada vez mais militarizado e
federalizado, quem irá, num futuro próximo, confiscar as armas dos cidadãos
indefesos e entregá-las para a classe política, impor e executar o toque de
recolher, instalar e comandar inúmeros postos de controle e checagem, e cercear
nossa liberdade de expressão.

Se você quer ver como o poder policial irá tratar os
cidadãos no futuro, quando estes se rebelarem contra seu governo, olhe
cuidadosamente para como as tropas americanas tratam os civis iraquianos, ou
como o governo norte-coreano lida com seus cidadãos.  As diferenças tendem a se convergir.

Porém, esse não é exatamente o assunto deste artigo.  A questão a ser abordada aqui jaz um pouco
mais no âmago do estado policial: as prisões. 
Trata-se de um problema inerentemente ligado à visão que os
conservadores têm da lei e da justiça.

Construir e preservar todo um sistema carcerário é um dos
principais gastos do governo, em todos os níveis.  A taxa de prisioneiros por 1.000 habitantes
varia de um país para outro.  O que não
varia são os gastos crescentes para sustentar esse regime.  Muitas pesquisas e estatísticas são
divulgadas sobre a correlação entre a taxa de aprisionamento e os índices de
criminalidade.  Embora a ideia dominante
seja a de que quanto mais presos, menos crimes, há outras pesquisas que indicam
que, nos EUA, a criminalidade explica apenas 12% do aumento do número de
prisões, ao passo que mudanças nas condenações — com o endurecimento sobre os
“crimes sem vítimas”, como prostituição e drogas — explicam 88% do aumento.

No geral, os gastos com o sistema penitenciário, polícia,
judiciário e outros itens relacionados à justiça estão completamente fora de
controle.  E o que ganhamos com
isso?  Mais justiça, mais segurança e
melhor proteção?  Não.  Estamos comprando as correntes da nossa
própria escravidão.

Podemos pensar nas cadeias como miniaturas de uma sociedade
socialista, onde o governo exerce o controle total.  Exatamente por essa razão, o sistema
penitenciário é um fracasso completo para todos — menos para os burocratas que
lá trabalham e para as empresas que ganham as licitações para construir as
cadeias, seguindo o modelo
fascista das PPPs
.

A maioria dos presidiários está lá por delitos relacionados
a drogas, supostamente sendo punidos por seu comportamento.  Entretanto, o mercado de drogas viceja nas
prisões.  Se isso não é a perfeita
definição do fracasso, então não sei o que é.

No sistema penitenciário, nada ocorre fora do domínio do
governo.  As pessoas encarceradas são
completa e totalmente controladas pelos administradores estatais, o que
significa que elas não têm valor algum e não podem oferecer nada de valor a
ninguém.  Essa condição é certamente o
caminho mais certo para se reduzir a vida humana à mais completa ruína.

As pessoas lá dentro são escravas do estado.  Após terem sido condenadas, elas passam a ser
consideradas por seus apreensores como nada mais do que seres biológicos que
ocupam espaço.  O fornecimento de todos
os serviços a elas depende exclusivamente dos caprichos de seus mestres, que
não têm nenhum interesse na condição final de seus cativos.

Agora, você pode dizer que esse é exatamente o tratamento que
alguns tipos de pessoa merecem, porém esteja ciente de que este é o assalto
derradeiro à dignidade humana.  Elas
estão “pagando o preço” por seus delitos, só que ninguém está na posição de se
beneficiar desse preço pago.  Elas não
estão saldando suas dívidas ou recompensando suas vítimas ou mesmo lutando para
superar alguma coisa.  Elas estão apenas
“cumprindo tempo”, custando aos contribuintes quase US$ 25.000 ao ano por
presidiário [no Brasil esse valor está em
R$ 18.000
].  Isso é tudo o que essas
pessoas são para a sociedade: um custo — e elas são tratadas como tal.

E nas prisões, as comunidades nas quais essas pessoas vivem
são formadas por outras pessoas também desprezadas — e todas elas, em conjunto,
formam uma massa socializada nessa mentalidade que é totalmente contrária a
toda noção de civilização.  Sem mencionar
a impiedosa violência (tanto a ameaça física quanto a real), os barulhos
horríveis e a abundância de todo o tipo de perversidade moral.  Em resumo, as prisões são a representação
mais próxima do inferno na terra.  Não é
de se estranhar que elas não reabilitem ninguém.  Como disse George Bernard Shaw, “o
encarceramento é tão irreversível quanto a morte.”

Ademais, tudo o que conhecemos sobre o governo é elevado ao
paroxismo quando aplicado a esse supremo programa governamental.  Ele é caro, ineficiente, brutal e irracional.  O atual sistema penitenciário é um fenômeno
relativamente novo na história — ele é utilizado principalmente para impor e
reforçar as prioridades políticas (a guerra às drogas), e não para punir os
crimes reais contra a propriedade.  O
sistema é manipulado por paixões políticas e não por uma genuína preocupação
com a justiça.  Os resultados da guerra
contra as drogas falam por si: ao invés de reduzir o consumo, houve um aumento.

Enfim, conhecendo-se essa realidade, não é surpresa alguma
que as prisões sejam lugares caóticos onde corrupção e abusos monstruosos
imperam.  Tampouco é de se estranhar que
as pessoas saiam das prisões piores do que entraram, sem nada a perder e
traumatizadas para o resto da vida.

No sistema jurídico e carcerário, não há absolutamente
qualquer ênfase na ideia da restituição. 
E a restituição não é apenas uma parte importante da ideia de justiça;
ela é sua própria essência.  Se uma
pessoa é roubada e seu ofensor é preso, que justiça há em se roubar a vítima
novamente para pagar pela total desumanização do seu ofensor?

Como disse Rothbard: “A vítima não apenas perde seu
dinheiro, como também é obrigada a pagar novamente pela dúbia emoção da
captura, condenação e consequente sustento do criminoso; e o criminoso será
mantido escravo, mas não pelo bom propósito de recompensar sua vítima.”

Mesmo os defensores do livre mercado há muito já aceitaram a
ideia de se ter o atual sistema penitenciário, sob a justificativa de que o
estado deve ter o monopólio da justiça. 
Mas, por favor me digam, onde está a justiça desse sistema?  E quantas cadeias é preciso ter para que o
número possa ser considerado excessivo? 
Quantos prisioneiros é preciso haver para que se reconheça que o governo
extrapolou?  Portanto, não vamos mais
celebrar a expansão desse sistema socialista, na crença de que a aplicação cada
vez maior de força é algo capaz de solucionar todos os problemas sociais.

Sim, um sistema de livre mercado iria enfatizar a punição;
porém, ele daria ainda mais atenção para a restituição.  E toda a população não seria tributada a fim
de pagar pelos crimes de alguns poucos. 
O custo do crime recairia sobre aqueles que o cometeram, de modo que a
vítima fosse recompensada.  Isso não
significa que os criminosos passariam a ser empregados contratuais das vítimas,
prestando-lhes vários serviços.  Haveria
uma indústria especializada em justiça criminal da mesma forma que há
indústrias especializadas em todos os outros serviços requeridos pelo mercado.

Não podemos saber de antemão como exatamente esse sistema se
desenvolveria em um mercado — afinal, ninguém pode planejar o mercado.  A grande tragédia é que o governo monopolizou
por tanto tempo esse serviço — ao contrário das escolas e dos serviços postais
— que nenhum sistema concorrencial de justiça privada teve a permissão de
surgir.  Mas podemos, por exemplo,
considerar a maneira como o sistema de crédito financeiro tem aplicado suas
regras, em sua maioria voluntariamente. 
Aqueles que se comportam bem, são beneficiadas; e aquelas que não, são
prejudicadas.  Os danos causados pelas
trapaças se voltam para aqueles que tentam fraudar o sistema.

A justiça pode ser ofertada pelo livre mercado?  Tenho toda a confiança que sim, porque se há
algo que a história da oferta de serviços já nos ensinou é que, sempre que a
sociedade precisa de algo, o mercado o fornece de maneira muito superior ao
governo.  Esse princípio se aplica tanto
para a justiça criminal quanto para qualquer outro setor da economia.  Bens e serviços em uma sociedade livre são
fornecidos pelo mercado, e não pelo governo.

E quanto àquela linha divisória entre a civilização e o
caos?  Frequentemente, os defensores das
cadeias e polícia estatais assumem uma forma cruenta de hobbesianismo, a
filosofia política moldada pelo inglês Thomas Hobbes no século XVII.  Seu livro Leviatã
foi publicado em 1651 durante a Guerra Civil Inglesa com o intuito de
argumentar que um governo central tirânico era o preço a se pagar pela
paz.  O estado natural da sociedade,
disse ele, era o de guerra de todos contra todos.  Nesse mundo, a vida é “solitária, pobre,
sórdida, bestial e curta”.  O conflito é
a única forma de compromisso humano.  A
sociedade está repleta dele, e não poderia ser de outra forma.

O que impressiona nesse caso é o contexto do livro.  Os conflitos de fato eram onipresentes.  Mas qual o motivo desses conflitos?   Um só: decidir quem iria controlar o estado
e como esse estado iria operar.  Tal
cenário de modo algum representava o estado natural da sociedade, mas sim uma
sociedade sob o controle do Leviatã.  Foi
exatamente o Leviatã quem gerou esse conflito do qual falava Hobbes — e a cura
que ele propôs era essencialmente idêntica à doença.

Com efeito, o resultado da Guerra Civil foi a brutal
ditadura de Oliver Cromwell, que governava sob slogans democráticos.  Esse regime foi um presságio de algumas das
piores violências políticas que o século XX viria a experimentar.  Foram o nazismo, o fascismo e o comunismo que
transformaram sociedades outrora pacíficas em comunidades violentas nas quais a
vida de fato se tornou “solitária, pobre, sórdida, bestial e curta”.  O Leviatã não consertou o problema; ele o
fomentou — e o arraigou na sociedade como condição permanente.

O que também impressionava em Hobbes é que em momento algum ele
pensou em questões econômicas.  A questão
do bem-estar material humano não fazia parte de seu aparato intelectual.  Por causa dessa deficiência, ele não foi
capaz de prever o que a Inglaterra viria a ser dali a apenas um século e meio:
um bastião da liberdade, uma terra de crescente prosperidade para todos.

Ele escreveu sua obra exatamente no final de uma época que
precedeu a ascensão do liberalismo clássico. 
Na Inglaterra de 1689, John Locke publicava seu Dois Tratados Sobre o Governo, um livro que viria a fornecer a
estrutura básica para a Declaração da Independência americana e que levaria à
formação da mais livre e próspera sociedade na história do mundo.

Como
Hobbes não pensava em questões econômicas, uma essencial constatação liberal
não entrava em sua estrutura mental.  E
qual era essa constatação?  Ela está
resumida na frase de Frédéric Bastiat: “as grandes tendências sociais são
harmoniosas.”  O que ele quis dizer com
isso é que uma sociedade contém dentro de si a capacidade de resolver conflitos
e de criar e sustentar instituições que fomentem a cooperação social.  Ao buscar seus próprios interesses, as
pessoas podem chegar a acordos mútuos e praticarem trocas que lhes trarão
benefícios recíprocos.

Bastiat
em momento algum supôs que todas as pessoas de uma sociedade são espertas,
iluminadas, talentosas, educadas e pacíficas. 
Ele apenas estava dizendo que a sociedade pode lidar com a malevolência
por meio da economia de mercado, e exatamente da maneira como vemos hoje: empresas
de segurança privadas, produção privada de armas, trancas e cadeados, tribunais
de arbitramento privados e empresas de seguro privadas. 

O
livre mercado pode organizar a proteção de maneira muito superior ao
estado.  A iniciativa privada pode
fornecer — e de fato fornece — serviços policiais superiores aos do
estado.  Como argumentou Hayek, o estado
é amplamente superestimado como um mecanismo mantenedor da ordem.  O estado é — e sempre foi ao longo da
história — uma fonte de desordem e caos, e esse problema só piora à medida que
o estado cresce.  Se você duvida disso,
apenas olhe para as cadeias, um lugar onde o estado está no total controle da
situação.

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37 comentários em “O problema com o sistema penitenciário”

  1. Brilhante artigo do Lew Rockwell, como sempre.\r
    Porém não basta constatar o caos e falar em propostas inatingíveis dentro das condições políticas atuais; ou então estamos perdendo tempo com este assunto.\r
    \r
    No caso específico da crise gerada pela criminalidade no Rio de Janeiro (favor não chamar isso de “violência”, como grande parte da imprensa adestrada tem feito, de modo a despersonalizar e descaracterizar o crime como apenas mais uma faceta do comportamento humano), entendo que, mesmo se ocorresse a descriminalização da droga em curto prazo, existe um passivo muito grande por parte dos atuais envolvidos, através da concretização de inúmeros atos criminosos contra a vida e a propriedade. Esta imensa dívida não poderia ser simplesmente anistiada e todo mundo declarar “OK, vamos ser amiguinhos e esquecer tudo o que passou”. Qualquer medida de liberalização teria que ser acompanhada de algum tipo de “acerto de contas” entre vítimas e perpetradores (de todas as facções) e do estabelecimento de regras sobre o ciclo completo da droga.\r
    \r
    Quanto a outros comportamentos hoje classificados como crime – p. ex. a prostituição e suas indústrias auxiliares -, estes certamente contribuem também com a superlotação dos presídios, e caso haja uma descriminalização, os passivos referentes a vidas e propriedades afetadas também deverão ser zerados.\r
    \r
    Ao mesmo tempo, somente seria restaurada a médio e longo prazo a tranquilidade, se os comportamentos verdadeiramente criminosos, como as violações do direito à vida e à propriedade, fossem julgados e disciplinados com severidade e justiça verdadeira, enfatizando sempre a restituição à vítima e, em raros casos, realmente punindo o criminoso com reclusão, caso ele represente um risco iminente à comunidade, conforme critérios de avaliação arbitrados dentro do “novo” conceito de justiça.\r
    \r
    Mas a minha visão sobre este assunto é infelizmente pessimista, pois não se consegue fazer a maioria das pessoas entenderem a necessidade de liberdade no seu sentido amplo, nem sequer através de medidas simples como a desregulamentação dos mercados.\r
    \r
    O tecido estatista foi tão fortemente tramado que é praticamente indestrutível.\r
    \r
    Saudações austro-libertárias (um tanto depressivo…),\r
    RH\r

  2. “Quanto a outros comportamentos hoje classificados como crime – p. ex. a prostituição e suas indústrias auxiliares”\r
    \r
    hmmm… Prostituição não é crime. Pelo menos não no Brasil.

  3. E qual seria a alternativa às prisões num regime totalmente livre (anarco-capitalista)? Mesmo que 99% dos que hoje cumprem pena nas prisões sejam de criminosos que não ofereçam perigo sério a sociedade, os demais 1% são perniciosos e oferecem riscos (falo de assassinos contumazes, maníacos sexuais e outras ‘bestas selvagens’). A solução, nesses casos, é a forca? Ou seria permitido que cidadãos de bem inimputáveis nessa situação específica, pudessem se reunir em pequenos grupos para caçar e matar pessoas que representassem algum risco? Dizer que “não podemos saber de antemão como exatamente esse sistema se desenvolveria em um mercado” é simplesmente apontar problemas sem mostrar soluções — mesmo tendo certeza que o mercado, de um jeito ou de outro, numa hora ou noutra, dará uma solução (ou várias soluções) a todo problema que aparecer — Rockwell poderia ao menos especular (deixando claro que a ação humana é imprevisível). Capacidade para isso ele tem de sobra.

  4. Creio que o artigo cometa um erro grave ao considerar os conservadores como apoiadores cegos dos aparatos policiais do Estado. Pelo contrário, os conservadores são a favor da autodefesa e do porte de arma aos cidadãos. Isso é o oposto a esse poder sem limites citado no artigo. É a desconfiança em relação ao monopólio da violência pelo Estado. São a favor sim de penas rigorosas, e nisso estão certíssimos.

    Fora isso o texto parece um tanto ingênuo. OK, essa tal “indústria penal” poderia dar certo em relação a crimes menores, sem violência, uma espécie de pena alternativa mais eficiente. Mas será que alguém em sã consciência acredita que um Fernandinho Beira-Mar ou um Marcola solto simplesmente vai trabalhar para mim a fim de pagar por seus crimes? Quem vai coagi-lo a isso?

    Como sempre, vejo que os anarco-capitalistas se concentram demais no aspecto econômico e esquecem todos os outros aspectos da sociedade e da natureza humana. O mal existe. Psicopatas perigosos existem. Essas pessoas vão matar e estuprar se estiverem soltas. Não vai ser pelo livre-mercado ou pela economia que será diferente. Vivendo no Rio há anos cada dia tenho mais certeza de que tem gente que só entende a violência. O problema é predominantemente de valores. Nessas situações economia não é nada.

    Acho que o ponto alto do texto é dar alguma solução alternativa pelo menos para uma parcela do problema. Agora, os argumentos usados para chegar a ela simplesmente não fazem sentido na vida real.

  5. Acho que Rockwell foi um tanto minimalista e horas anocrônico quando falou sobre Hobbes e as revoluções inglesas, Lawrence Stone em “Causas da revolução inglesa: 1529-1642”, realiza uma abordagem bem ampla e interessante. Mas acho que essa questão não é a central, reitero o que foi dito a ideia de nosso companheiro “Anônimo”, que afirmou que o mercado resolveria a questão, mas não que isso impeça a teorização do tema, enfim a ideia do acordo ou indenização são bem interessante, apesar de que em alguns casos isso não pareça ser o bastante…
    Mas coisa é fato os crimes que de fato possuem vítimas, e não os contra o Estado, seriam reduzidos em um ambiente de livre-mercado cheio de oportunidades para as pessoas e que também desinteressaria os tráficos, o que cortaria o caixa das mafias.

    Obs: Minha intenção foi ofender Rockwell, apenas apontei um autor me parece fazer uma interpretação mais ampla do assunto.

  6. Certa vez, assistindo um programa de TV a cabo sobre uma presidio de segurança máxima dos EUA leventou-se a pergunta sobre prender uma individuo se era correto ou não. A resposta foi a melhor que encontrei até hoje: “Um indivíduo que não sabe respeitar a sociedade deve permanecer afastado dela. A cadeia não é para recuperar, punir… é apenas para afastar pessoas que não são capazes de respeitar as regras sociais.”

    Me parece que o autor faz referências a privatização da Justiça, excelente, Bill Gantes, Steve Jobs, Rockfeller…. serão sempre e inapelavelmente absolvidos. Ou será que a justiça do livre mercado terá a capacidade de contratar apenas juizes de honestidade inquestionável? Qual a lógica de contratar um cara que pode me condenar? Imagine o mercado de Juizes, aquele que mais absolve seria bilionário e aquele que mais condena seria um mendigo, ou você contrataria para julgar seu filho o juiz que mais condena? Enfim, não entendo justiça privatizada e o autor também não se ocupa de responder essas questões. (Talvez não tenha se ocupado nem de levanta-las!)

    Possuo o estudo guardado aqui em casa sobre privatizar o sistema prisional (veja a diferença entre justiça e sistema prisional), segundo o estudo, o custo de cada preso é mais barato e o sistema mais eficaz.

  7. Um dúvida sincera que sempre tive: por que existiria uma prisão privada? Qual o interesse de alguém em construir isso, de onde viria o lucro? Manter presos não seria, na verdade, um prejuízo inevitável?

  8. “O estado é amplamente superestimado como um mecanismo mantenedor da ordem. O estado é — e sempre foi ao longo da história — uma fonte de desordem e caos, e esse problema só piora à medida que o estado cresce. Se você duvida disso, apenas olhe para as cadeias, um lugar onde o estado está no total controle da situação”

    Perfeito. Eu ainda me impressiono que existem libertários que apoiem a existência. Aliás, vão dizer que é coisa de “criança e adolescente revolucionária” (um ad hominem muito comum, que tem um fundo de verdade, mas não é uma.) mas a coisa que mais se constata nessa época da sua vida é que o “Sistema” gera mais caos do que previne ele.
    Essa constatação me fez virar um Anarquista Punk (lol) mas como nunca concordei com o socialismo e as criticas contra o capitalismo (meu papai é micro-empresário) então era um anarquista capitalista sem entender nada sobre isso e sem saber se daria certo.
    O que eu sabia desde aquela época que é qualquer estado é SEMPRE pior do que uma anarquia. SEMPRE E SEM EXCEÇÃO. E aqui aprendi que temos sempre que avaliar se um país ou sociedade é ordeira por razão do estado, ou APESAR do estado. Eu sempre acho que é apesar. Digo isso ao observar a sociedade japonesa, por exemplo.

    E sempre sabia também que o capitalismo ajudava sempre as pessoas a resolver conflitos sem necessariamente terem uma moral ou um caráter…. melhor elas resolviam com o mais puro egoísmo, isso é incrível!.
    Alias, essa problema de se gerar mais caos do que já existe se dar em todas as formas de autoridade monopolística.
    Lembro de quando eu e minha irmã brigávamos: quando a gente apelava pra mamãe resolver, ela sempre piorava a situação, e ambos ficávamos nos jogando uma contra o outro pra ter o privilégio de ser protegido pela mamãe.
    Mas quando resolvíamos nos mesmos, raramente a briga durava muito tempo. (e geralmente resolvíamos com um troca de interesses, benéfica a ambos)

    Logo, antes de tudo, sou mais contra liberais conservadores do que anarco-comunistas (não que eu acredite no conto de fadas desse, blergh!).
    Digo, ter um estado máximo como a suécia interferindo no sistema econômico é bem menos pior do que um estado máximo interferindo nos conflitos pelos quais a sociedade deveria ser madura o suficiente resolver.

    Eu sou um adolescente saindo da adolescência e digo: ta na hora de a gente cresce como sociedade e parar de sair corrente pedindo ajuda do papai estado quando as coisas não vão do jeito que você queria.
    Sério galera, ta na hora de crescer, amadurecer e começar a ter responsabilidade pelos seus atos.
    Pessoal que acredita em liberdade com o estado estão no mesmo naipe de libertinos como playboy’s que arranjam confusão nas ruas e apelam pro papai quando a coisa fede.
    Liberais clássicos ou conservadores tem que parar de brincar de criancinha e começar a viver no mundo real.

  9. Tenho uma dúvida sobre prisões privadas
    O preso vai ser forçado a trabalhar pra pagar a despesa que ele dá, certo.
    Agora suponha que um programador mate a mulher e vá preso
    Quem trabalha na área sabe a dor de cabeça que é, você passa um tempo imenso só matando bugs
    Então, o que é que vai garantir que esse programador vá trabalhar direito, que ele não vai deixar um código cheio de erros e de bugs, ou o que é que vai fazer ele usar 100% da capacidade criativa dele?
    Ou seria o caso de botar esse cara pra quebrar pedras? E se for, sendo que essa não é a expertise dele, será que isso ia dar pra pagar a despesa dele?

  10. Sério mesmo que o Estado não é necessário?

    Crio um problema e espero a solução libertária para essa solução.

    Supomos que existam duas empresas gigantes brigando por um pedaço de terra. Ambas elegem um árbitro para solucionar tal conflito. O árbitro decide entregar a terra a empresa X.

    Ocorre que a empresa Y não concorda com tal decisão, e em virtude de seu poder bélico e econômico resolve por desacatar a decisão do árbitro, tomando a terra a força.

    Quem poderá fazer cumprir a decisão do árbitro, se não o Estado?

    Se puderem responder tal questão, eu viro anarquista por completo.

  11. Acho que o motivo das prisões serem o caos que são não é culpa do Estado ou de qualquer instituição humana, mas do próprio ser humano. Se elas são vandalizadas, sujas, e nelas impera a violência e viceja o tráfico de drogas, assim como praticamente qualquer crime (porque basta que o condenado tenha acesso a um celular, o que é muito fácil, para gerenciar sua quadrilha mesmo de dentro da prisão), é porque a maioria das pessoas que lá são de mau caráter.

    Também não concordo com o que disse o autor de outro texto (algo como “o plano de governo para o próximo presidente do Brasil”), sobre os traficantes de drogas serem empresários que apenas estão tentando exercer sua legítima atividade empresarial mas são criminalizados porque as leis os criminalizam. Para mim, isso é passar demais a mão na cabeça de bandidos.

    Não sou estatista, sou minarquista, e acho que a instituição do Estado não é má. O que é ruim é o ser humano.

  12. Alan Almeida Santos

    Olá Bruno. Realmente o estudo da ação humana é fascinante e você tentou explorá-lo a com inteligência nessa entrevista com o jovem professor. Porém, na questão que vc levantou sobre a influência do meio e da natureza como elemento instigador da ação humana, percebi que o Felipe não foi direto ao ponto e meio que tergiversou. Dadas as diferenças econômica e tecnológicas entre as nações de clima tropical e as de clima temperado, eu penso que a natureza tem forte influência nas ações humanas que levam um povo ser mais desenvolvido que outros. Pena que o professor Felipe não destrinchou seu argumento.

    Parabéns pelo trabalho. Continuo ouvinte fiel do podcast.

    Sou professor de matemática da Universidade Federal de Sergipe.

    Abraço.

  13. O que mais me dificulta na análise e no próprio entendimento da praxeologia é aceitar, de maneira lógica, ou seja, entender logicamente a construção da teoria. A teoria da praxeologia diz que toda ação humana é propositada, ou seja, toda a ação humana busca alcançar algum objetivo, não há então uma ação aleatória sem objetivo. Eu não consigo observar essa tese e generalizá-la, talvez por não compreensão dos termos, pois ações reflexas por exemplo, não são anteriormente planejadas para um objetivo, ou você ficar em casa sem ter o que fazer também, a meu ver, é um exemplo de que nem toda ação humana é propositada.

  14. “você ficar em casa sem ter o que fazer também, a meu ver, é um exemplo de que nem toda ação humana é propositada.”

    Ora, como não? Ficar em casa é uma opção. Optar por não fazer nada é uma opção. A própria inação é, em si mesma, uma ação.

    Você pode perfeitamente questionar a inteligência de um indivíduo que opta por isso, é claro. Mas você não pode dizer que tal ação foi tomada inconscientemente.

    Praxeologia – A constatação nada trivial de Mises

    Ação humana é ação propositada

    Prêmio Nobel para a praxeologia

  15. E muito complicado difinir o que leva uma pessoa a cometer um crime, o lado moral e economico podem influenciar muito nisso como por exemplo no livro e filme crime e castigo, onde o personagem se encontra numa posicão em que cometer um assassinato seria a melhor forma a tira-lo de um momento difícil de sua vida.

    Mas por um lado a coisa que não vejo os anarcocap. realizando e o custo que um crime causa na sociedade, como sempre vejo-os apenas olhando o preço que e para retirar um individuo da sociedade.

    Mas concordo que uma adoção no caso que é feitos nas APACs, que lembra-me o mesmo sistema que e utilizado pelos japonesês nas escolas, colocando os indivíduos a cuidarem da propriedade aonde se encontram, o que acabar ensinam o respeito a propriedade e a valorizaçao do trabalho o que barateia muito custos, pois que ao invés de funcionários os próprios presos cuidariam da prisão.

    Mas também vejo o afastamento de indivíduos que já reincide diversas vezes no crime algo melhor, colocando-os em penas cada vez mais pesadas, serviria no caso como exemplo, pois quanto mais impunidade você obtem pela falta da aplicação de leis mais esses individuos tendem a cometer crimes novamente, porque a moral sua escolha já nao o impede de cometer um crime somados a leis que nao coloca uma consequencia aos seus atos vamos vendo cada vez mais e mais pessoas cometendo crimes, pessoas ate das classes maior como a Richthofen que mesmo não tendo qualquer problema financeiro ou no mercado de trabalho fez o que todoa vimos.

    Entao para eu vejo o problema e muito mais moral do que de mercado ou economico, pois temos hoje pessoas que preferem recolher latinha na rua a roubar e pessoa na rede publica que ganham mais que o teto da constituicao determina e mesmo assim decidem cometer uma crime.

  16. Olá gostaria de saber como funcionária um tribunal privado como é defendido no texto. E se não teria conflito de interesse caso o criminoso tivesse uma ligação com a empresa que organiza o júri.

  17. Alguém tem a referência aos autores e livros citados? Aliás venho ouvindo alguns dos podcasts e sempre sinto a falta das referências no posto.

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