A maior forma de caridade ocorre quando a ajuda dada permite ao ajudado se tornar auto-suficiente.
Assim argumentou o filósofo judeu Maimônides, ainda no século XII.
No entanto, os sistemas de caridade estatal vigentes — eufemisticamente chamados de ‘sistemas de bem-estar social’ — geraram o efeito oposto: eles na realidade criaram dependência.
Logo, é urgente repensar a maneira como estamos atualmente delegando ao estado a tarefa de ajudar as pessoas.
Eis uma sugestão que muitos poderão considerar perturbador e desconcertante: o bem-estar social e todas as variedades de assistencialismo seriam mais eficazes, mais variados, mais difundidos e mais baratos se não houvesse nenhum envolvimento estatal.
As pessoas instintivamente pensam que, sem um programa assistencialista gerido pelo estado, os pobres e os necessitados não seriam cuidados e, consequentemente, seriam deixados à míngua. Com esta inaceitável perspectiva em mente, as pessoas consequentemente se tornam fervorosas em sua defesa de algum programa assistencialista estatal, ainda que possam porventura apresentar reservas à maneira como tal programa esteja sendo gerido pelo estado.
Mas sugerir que o assistencialismo estatal não está funcionando e que ele deveria ser abolido não é a mesma coisa que sugerir que os pobres e necessitados não devem receber cuidados. Com efeito, é justamente o oposto.
A assistência é algo complicado — e não é apenas o assistido o que importa
O fornecimento de serviços assistenciais é um processo delicado, complicado e imprevisível. Em algumas ocasiões, simplesmente dar dinheiro pode realmente levar o assistido ao caminho da auto-suficiência; em outras, não.
Dar dinheiro pode gerar uma redução temporária de seu sofrimento, mas frequentemente gera uma maior dependência e uma menor auto-suficiência.
Em determinadas ocasiões, uma abordagem estritamente local é tudo de que se necessita; em outras, uma abordagem mais prática passa a ser essencial; já em outras, é necessária uma abordagem puramente psicológica ou emocional; e há também ocasiões em que se deve buscar algo que seja mais específico às circunstancias particulares de cada indivíduo.
Por fim, há também ocasiões em que todo o necessário é apenas dar o proverbial “tapinha nas costas”. Diferentes circunstâncias requerem diferentes abordagens e diferentes formas de assistência.
No passado, era assim que era feito. E os resultados eram superiores.
O historiador David Beito, em seu livro “From Mutual Aid to the Welfare State: Fraternal Societies and Social Services, 1890-1967” (Da ajuda mútua ao estado assistencialista: sociedades fraternais e serviços sociais, 1890-1967), mostrou que, independentemente de suas origens, os membros de praticamente todos os grupos étnicos e nacionais criaram formidáveis redes de auxílios individuais e coletivos para ajudar a aliviar a pobreza.
Essas redes de auxílios recíprocos tendiam a ser descentralizadas, espontâneas e informais. Era comum que os doadores e os recebedores fossem pessoas da mesma camada social. Os recebedores de hoje podiam se transformar nos doadores de amanhã.
Segundo Beito:
A ajuda recíproca era algo muito mais predominante do que a ajuda governamental e até mesmo do que as doações privadas. Sua expressão mais básica era a doação informal: os incontáveis e imemoriais atos de bondade entre vizinhos, colegas de trabalho, parentes e amigos. […]
A ajuda mútua e os arranjos informais entre os vizinhos, criados pelos próprios pobres, ofuscavam completamente os esforços das agências governamentais voltadas ao “combate à pobreza”.
Sobre isso, Edward T. Devine, um proeminente assistente social, escreveu um artigo para a revista “Survey” para alertar seus colegas contra a presunção e a mania de grandiosidade que eles próprios se atribuíam. Ele reiterou que milhões de pessoas pobres estavam se mostrando capazes de sobreviver e progredir sem recorrer à ajuda governamental.
Disse ele:
“Nós que estamos engajados nesse trabalho de gerar alívio aos pobres . . . acabamos tendo impressões bastante distorcidas sobre a importância, na economia social, dos fundos que estamos distribuindo ou dos esquemas sociais que estamos promovendo . . .
Mas a realidade mostra que não somos tão indispensáveis assim. . . . Se não houvesse recursos públicos em épocas de enormes aflições e angústias, e essas pessoas tivessem de recorrer às ajudas mútuas e voluntárias, bem como aos auxílios informais feitos por vizinhos, ainda assim a maioria destas aflições seriam debeladas.”
A caridade privada era mais efetiva do que o assistencialismo estatal porque indivíduos contribuindo com seu próprio dinheiro são muito mais incentivados a identificar necessidades genuínas.
Em nível local, é fácil monitorar os auxiliados para garantir que eles de fato estão genuinamente se esforçando para se tornarem independentes. Com efeito, no passado mais distante, grande parte da ajuda fornecida vinha daqueles que conheciam pessoalmente os recebedores do auxílio.
Em contraste, burocracias estatais centralizadas são impessoais por natureza. Elas lidam com milhões de indivíduos que estão na lista dos auxiliados, de modo que é impossível conhecer cada um pessoalmente.
Acrescente a isso o fato de que elas estão distribuindo o dinheiro alheio, extraído coercivamente via impostos, e você concluirá que os incentivos para se determinar as genuínas necessidades desaparecem quase que por completo.
A consequência é que se torna muito mais fácil fraudar o sistema (no Brasil, ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Os indolentes e os espertalhões sabem como se aproveitar do moderno sistema de assistencialismo público, ao passo que esses mesmos não teriam qualquer chance no sistema privado de antigamente.
A destituição do filantropo
Além de tudo isso, a dignidade do assistido também tem de ser considerada. Ser alvo da caridade alheia pode ser algo degradante e humilhante. Em algumas ocasiões, o anonimato pode ser necessário; em outras ocasiões, não.
Tendo tudo isso em mente, a seguinte pergunta se torna inevitável: como pode alguém realmente pensar que é viável criar um programa de assistencialismo estatal que seja feito de cima para baixo, e imaginar que tal programa irá satisfazer todas essas necessidades distintas e variáveis, de maneira consistente?
E tudo piora. Até agora, falamos apenas do assistido. Temos de falar também do doador, do “filantropo”. Ele também tem de ser considerado.
Compaixão, assistência e caridade são atitudes humanas essenciais. Elas fazem parte da natureza humana. Assim como as pessoas precisam receber, elas também devem dar. Assim como as pessoas precisam ser ajudadas, elas também devem ajudar. Basta apenas ver o olhar de satisfação das crianças quando elas recebem algo para comprovar a evidência desta afirmativa.
Mesmo aquele que talvez tenha sido o mais brutal e sanguinário traficante da história, Pablo Escobar, era conhecido por ser um prolífico filantropo. Ele construiu vários abrigos, igrejas e escolas em sua cidade natal, Medellín, e o fez em uma escala insuperável até mesmo para o governo colombiano.
No processo caritativo, o filantropo também tem suas necessidades. Em algumas ocasiões, ele quer anonimato; em outras, ele quer reconhecimento. Há ocasiões em que ele quer estar envolvido de alguma maneira com o assistido; e há ocasiões em que ele prefere não ter envolvimento nenhum.
No entanto, quando a caridade se torna um programa estatal compulsório, as necessidades do filantropo nem sequer são consideradas. Sua renda é confiscada via impostos e fim de papo. O filantropo não tem nenhuma voz ativa; ele simplesmente não pode especificar a maneira como o dinheiro que ele ganhou e que lhe foi tomado deve ser gasto. Para piorar, o filantropo é, na maioria das vezes, moralmente contra os programas que seus impostos financiam.
A tributação é um ato de doação forçada que destrói a satisfação altruísta que as pessoas normalmente sentem quando fazem doações voluntárias. Ajudar os outros e compartilhar com eles um pouco do que temos é parte de nossa humanidade. No entanto, em um mundo em que o governo se arvorou a responsabilidade de cuidar dos pobres e necessitados, essa compaixão foi removida. Como resultado, o estado hoje detém um quase-monopólio da compaixão.
E qualquer um que não concorde com o conceito de um estado assistencialista inchado e generoso é imediatamente tido como insensível e egoísta.
Como o estado destrói a propensão filantropa das pessoas
Quando você é obrigado a pagar impostos para o governo para que ele forneça serviços assistencialistas (ou mesmo educação e saúde) para os necessitados, a sua capacidade de pagar por estes mesmos serviços para você e para sua família é reduzida, pois agora você tem menos dinheiro.
Após uma parte da sua renda ser confiscada via impostos, torna-se mais difícil para você bancar a escola de seus filhos, seu plano de saúde e seu aluguel. E se torna ainda mais difícil você ser caridoso para com terceiros, o que significa que tal tarefa será delegada com ainda mais intensidade ao estado.
Pior ainda: o próprio fato de você agora ter menos dinheiro significa que você provavelmente também dependerá do estado para determinados serviços. Isso faz com que a rede de dependência cresça cada vez mais.
Mais: se o estado está fornecendo auxílio para os necessitados com o seu dinheiro, então você inevitavelmente se sentirá absolvido da responsabilidade moral de ajudar os outros necessitados.
Simultaneamente, o assistencialismo estatal, além de ser inflexível, é caro. As burocracias que administram os programas de redistribuição de renda sempre são ineficientes e dispendiosas. Pior: elas são propensas à corrupção e ao rentismo (pessoas que manipulam o sistema para ganhos políticos e para proveito próprio).
Se você analisar o que ocorreu ao longo das últimas décadas com itens como tecnologia, alimentação e vestuário — necessidades humanas essenciais que, em grande parte, não são fornecidas pelo estado —, verá que houve uma queda dramática nos preços (mensurados em termos de horas de trabalho necessárias para se adquirir um valor monetário capaz de comprar a mesma quantidade de cada item) e uma sensível melhora na qualidade dos produtos. A concorrência reduziu os custos. No entanto, no campo assistencialista, não houve tal melhoria. Por que não? Porque, graças ao quase-monopólio estatal, não há concorrência nesta área.
A ideia de haver concorrência para serviços caritativos é ofensiva para muitas pessoas. Mas é necessário haver concorrência se a intenção for melhorar a qualidade e reduzir os custos.
O maior gasto em nossas vidas não é, como muitos acreditam, nossa casa ou a educação de nossos filhos. Nosso maior gasto é com o governo. E tal gasto não deve ser mensurado apenas em termos de carga tributária, mas também em termos de regulamentação, de burocracia, de infraestrutura decadente e de serviços pelos quais temos de pagar em dobro, pois os que o estado fornece com nossos impostos são lastimáveis (como saúde, educação e segurança).
Sendo assim, imagine um mundo com um estado mínimo. Repentinamente, este gasto desnecessário seria removido. Sem o custo do estado, teríamos agora mais capital para investir e gastar. As pessoas genuinamente estariam no poder. Nossa capacidade de ajudar os necessitados seria aumentada.
Nossa responsabilidade moral em ajudar os outros seria repentinamente restaurada. E seria aumentada. Simultaneamente, e graças à concorrência, a ajuda que queremos e podemos oferecer seria mais barata, mais variada e de melhor qualidade. Organizações estariam competindo entre si para oferecer mais ajuda a um preço menor. E mesmo organizações que visam estritamente ao lucro estariam propensas a fazer isso porque, no mínimo, seria bom para a imagem delas.
Qual seria o resultado? Auxílios caritativos a custos mais baixos, auxílios caritativos mais eficazes, auxílios caritativos mais variados, mais difundidos e mais flexíveis, que poderiam satisfazer necessidades específicas.
Em suma, uma rede caritativa de maior qualidade e que estimulasse algum retorno dos auxiliados em termos de qualificações profissionais.
Para concluir
Você diz que, sem o estado assistencialista, os pobres e necessitados seriam deixados à míngua? Pois eu digo que eles serão tratados em um padrão muito mais elevado do que aquele vigente hoje.
Afinal, já foi assim no passado.
Quem se beneficia de todos os programas redistributivos é a própria burocracia responsável pela distribuição. Quanto mais redistribuição, mais burocratas contratados com altos salários. Mais burocratas para desviar dinheiro.
E isso não ocorre só em países atrasados e corruptos não. No Canadá, que figura entre os 10 países menos corruptos do mundo, o número de burocratas contratados apenas para gerenciar os programas de redistribuição de renda aumentou incríveis 43% em apenas seis anos.
Isso comprova uma obviedade: é do interesse de políticos e burocratas criar (impor) uma cultura de dependência. Quanto mais assistencialismo, maiores os ganhos daqueles que o gerenciam.
Há algumas décadas, antes de o estado se intrometer na saúde, a Igreja mantinha hospitais de excelente nível, fornecendo vários serviços gratuitos, serviços estes que eram financiados por doações, inclusive de ateus caridosos. Mas desde que o estado entrou em cena para mostrar todo o seu amor aos pobres, a Igreja perdeu doações, pois as pessoas pensaram: “O estado já faz o serviço; não preciso mais contribuir para serviços caritativos”.
O curioso é que absolutamente ninguém toca nesse assunto. Ninguém comenta como os serviços caritativos da Igreja auxiliavam as pessoas no passado e hoje perderam espaço para o SUS. Defensores da saúde estatal é que devem explicações.
Eu sempre foi engajado em movimentos de filantropia e auxílio. Na década de 90, o dinheiro doado poderia ser descontado do imposto de renda. Mas no governo do PT isso mudou. Foi criado um fundo, gerido por representantes da sociedade e do governo. O desconto do imposto foi limitado as doações a esse fundo.
Já fui representante de um conselho que tinha poder de gerir um desses fundos, no caso voltado para assistência a crianças. É uma piada de mau gosto. Existe tanta burocracia na gestão que algumas entidades nem recebem o dinheiro. Teve ano que o dinheiro ficou guardado no fundo, e, é claro, foi para o caixa do governo. Ficou lá alimentando o Leviatã.
“Compaixão, assistência e caridade são atitudes humanas essenciais. Elas fazem parte da natureza humana. Assim como as pessoas precisam receber, elas também devem dar. Assim como as pessoas precisam ser ajudadas, elas também devem ajudar. ”
Balela neoliberal. O capitalismo é essencialmente atribuído a ética individualista, sendo assim quando as pessoas recebem, elas não sentem a necessidade de devolver, isso é pura demagogia.
Eu mesmo já me vi quase deixando de ser caridoso por causa do estado. Certa vez me ligaram de uma creche que cuida de crianças com problemas mentais pedindo uma doação. Na hora me veio à mente o seguinte:
“Ora, o estado já me rouba 40% do que ganho com o argumento de cuidar das pessoas, porque não vão pedir dinheiro para a prefeitura, o governo estadual o federal??” e quase desliguei o telefone na cara da moça. Mas felizmente me lembrei de muita coisa que aprende aqui no Mises e me tornei doador da creche. Todos mês colaboro com um pouco.
Se nós passarmos a fazer caridade voluntariamente mesmo com o estado nos roubando NÓS VAMOS MOSTRAR A INUTILIDADE DO MESMO.
Bom texto. A ideia é muito boa mesmo… Mas, na hipótese de uma rede caritativa privada, não estatal, três perguntas: (1) qual seria a motivação, o retorno, para o grupo caritativo privado, considerando que vivemos num mundo capitalista? E deveria ser um bom retorno, visto que o autor julga que haveria até boa concorrência! (2) o Estado não existe justamente para promover o “bem comum” posto que certas atividades não são desenvolvidas por nenhum grupo visto que não dão retorno ?…
Bom, agradeceria as sugestões das pessoas daqui. Abraços
Segundo os cálculos desse cara, um mendigo esforçado consegue tirar mais de R$ 7 mil por mês no semáforo.
administradores.com.br/artigos/nao-trabalhe-por-dinheiro-um-mendigo-ganha-mais-do-que-voce
De início eu achei o valor exagerado. Mas aí me lembrei de minha infância em Belo Horizonte. Tinha um mendigo (simpático e gente fina) que ficava no semáforo da Rua Professor Morais com Avenida do Contorno. Ele próprio se gabava de que todo ano ele ia de ônibus para Porto Seguro e ficava em "pousada chique" lá.
Concordo que não faz sentido entregar o juízo de valor (determinar quem precisa e quem não precisa de ajuda) ao estado. Mas deixar a cargo do indivíduo também não irá funcionar. Vou dar um exemplo muito comum no nosso mundo: Você tá lá no trânsito, dentro do seu carro, e de repente aparece uma pessoa pedindo ajuda. Você não conhece essa pessoa, como você vai ter condições de fazer um julgamento correto?
Não fica claro que até um indivíduo não tem condições de fazer um julgamento sobre o outro? Para ser justo, ou você ajuda todo mundo ou não ajuda ninguém pois se tentar fazer um julgamento, terá uma grande probabilidade praticar uma injustiça.
OFF
Esse instituto eh reconhecido pela defesa ampla de liberdade de expressão. Tanto que são contra qualquer regulamentação de fakenews.
O problema eh que agora a tecnologia permite capacidades de simular que uma pessoa disse algo que nunca disse com uma capacidade de realismo assustadora.
Na prática conseguimos atualmente fazer com que tenha um vídeo de qualquer pessoa falando qualquer coisa que queiramos. Basta editar o vídeo.
Assim, como fazer com que tenhamos uma capacidade de distinção do que eh verdade ou não dentro desse contexto? Não devemos ter uma regulamentação?
O assistencialismo contabilmente apenas subtrai de quem produziu. Fica insustentável quando quem produz vai à falência.
Tem que se fazer os improdutivos que querem trabalhar, conseguirem, pois tem a intenção. E não é assistencialismo; vc está dando apoio, mas ele tá produzindo, portanto colaborando.
Já o improdutivo que não quer produzir se equipara ao ladrão. Subtrai os bens de outros, não colabora com a atividade produtiva, é bem alimentado com o dinheiro alheio, e ainda tem tempo de fazer militância, criticar que a sociedade não lhe dá o suficiente, acusar quem lhe sustenta de ser tudo “ista”.
Os artigos aqui costumam trazer bastante gráficos e dados. Esse eu acho que pecou nesse sentido.
Concordo em linhas gerais mas gostaria de ver mais dados, pois em geral países com maior assistencialismo governamental tem menos gente em situação de vulnerabilidade. Haja vista a dicotomia entre o capitalismo selvagem americano e o welfare state europeu.
Até mesmo dentro do Brasil. Antes do Bolsa familia o grau de indigencia era muito pior do que pos-Bolsa familia. Era importante ter dados e graficos pra rebater essas percepções
Eu me lembro de quando Johnny Depp esteve no Rio de Janeiro e zerou a fila de espera doando 220 aparelhos auditivos para crianças pobres ele foi duramente criticado e esculachado por grupos de esquerda no facebook. “Ele só quer aparecer na mídia” eles diziam (era o governo Dilma).
A verdade é que a esquerda possui verdadeira ojeriza à caridade privada, já que ela evidencia de forma cristalina toda a ineficiência e incapacidade do estado em atender as necessidades das pessoas.
Na mente doentia de alguns socialistas é preferível ver alguém morrer na fila de espera de um hospital público do que algum rico aparecer e ajudar todo mundo, já que isso seria um claro sinal da superioridade da caridade privada sobre a “caridade” estatal.
Esqueçam. Agora com o Renda Brasil, que veio pra ficar, assistencialismo estatal não apenas já está solidificado, como ainda será turbinado. O Bolsa Família tinha um valor médio de R$ 190 e era só pra quem era miserável. O Renda Brasil será de R$ 300 (mas pode subir) e poderá ser recebido até mesmo por autônomos e profissionais liberais. O governo afirma que 10 milhões a mais de pessoas serão contempladas (além das 14 milhões de famílias, aproximadamente 60 milhões de pessoas que já recebiam).
Por outro lado, com isso, o PT já era.
O artigo quer comparar a filantropia com o assistencialismo?
Na filantropia, a pessoa dá porque quer e, da mesma facilidade que ele doa, ela pode cismar de não doar. O miserável que depende da filantropia não tem garantia nenhuma.
Agora, com o assistencialismo, essa pessoa é obrigada a dar via tributação e se ela não dar, ela vai para cadeia. O miserável que depende do assistencialismo estatal possui garantias. (Lembrando que corrupção é crime)
Nem me venha com argumentos moralizantes do tipo “a verdadeira caridade não é obrigada” ou “o miserável vai ficar dependente e nunca terá vida plena”….A moralidade é relativa e o poder faz o certo e o errado
Olhem que interessante:
“Mãe de família desempregada recebe auxílio emergencial e abre frigorífico”
Ela provavelmente investiu R$ 3,6 mil (ou menos) do auxílio para abrir o frigorífico. Boa sorte à ela, espero que tenha sucesso.
O melhor é um programa de renda mínima robusto e universal.
“A maior forma de caridade ocorre quando a ajuda dada permite ao ajudado se tornar auto-suficiente” (Maimônides).
Um dia li uma frase semelhante com essa e literalmente mudou minha vida, sempre quero ajudar os necessitados e dar tudo o que eles precisam, até mesmo coisas supérfluas. Então, quando vi uma frase parecida com essa, aprendi que não é assim que as coisas devem funcionar e este texto confirma ainda mais. As pessoas não podem ser dependentes das outras, temos que ajudá-las a serem independentes para que elas possam ajudar outras pessoas que precisam e assim o ciclo continuar.
Parabéns pelo texto!
Pra quem não sabe, o autor do texto tem um canal no youtube em que ele faz vídeos musicais de sátira absolutamente sensacionais. Recomendo muito que vocês deem uma olhada. O cara é incrível mesmo!
http://www.youtube.com/watch?v=L3CjvyP4ed4
Uma coisa que noto entre as diferenças de gerações, é que a geração de nossos avós (1920-1950) são muito mais ativos nessa questão de caridade. Mesmo minha avó ganhando pouco, ela doa pra orfanatos. Lembro que os vizinhos mais velhos se ajudam, quando a horta de um fica madura, ele manda sempre um presente para outro, eles varrem a calçada, a rua..
Coisa que a geração mais nova não faz de jeito nenhum, claro, na mente deles algum funcionário público vai fazer.
O que vejo é que antes o governo podia até ser grande, mas era de tal forma incompetente, que a sociedade de maneira orgânica se adequou a dura realidade da época, gerando uma caridade, senso de comunidade, coisa que perdemos quando o governo cresceu demais
O ASSISTENCIALISMO
É uma forma de dominação.
Permite ao dominado sentir-se importante e auxiliado; ao dominador para manter o dominado dentro de estreitos limites.
Me lembrou aquelas ONGs que vão nas comunidades ensinar teatro ou circo para menores carentes, os caras acabam indo pro sinal fazer malabarismo pra ganhar uns trocados.
Existe algum artigo sobre a real carga tributária brasileira?
Inicialmente, peço desculpas pelo meu desconhecimento. O texto está bastante bem escrito e provocativo. Entretanto, à luz do fechamento, fiquei com inúmeras questões em aberto em minha mente:
“… Para concluir
Você diz que, sem o estado assistencialista, os pobres e necessitados seriam deixados à míngua? Pois eu digo que eles serão tratados em um padrão muito mais elevado do que aquele vigente hoje.
Afinal, já foi assim no passado.”
Então, como seria essa organização social para que não existissem mais miseráveis em nossas democracias?
Tomemos o exemplo da pandemia, a) como os pobres e necessitados seriam acudidos pela sociedade civil mais abastada e aculturada à ajuda mútua e promoção das liberdades individuais na ausência de sistema público universal de saúde (sim, o SUS tem seus problemas, Deus me livre de ter um câncer ou precisar de um transplante, porém não soube de hospitais privados de ponta que ofereceram leitos espontaneamente para acolher os necessitados…)? b) Como os informais e os miseráveis de toda ordem, denominados como invisíveis pelo próprio ministro da economia em diversos momentos durante aparição pública, seriam eliminados dessa ordem social proposta sem Estado, digo, com um Estado mínimo?
Sério, fiquei curiosa. Também odeio pagar impostos, sinto que não vão para onde devem ir, a ineficiência é latente, mas sempre encarei com um mal necessário, afinal, isolados, como indivíduos, o que podemos fazer? Tem dias que eu fico até feliz (ou simulo felicidade) pagando os impostos. ” #gratidão Universo! Estou escapando da base da pirâmide.”. Mas até quando não sei… Infelizmente não há garantias de nada…
"O padrão de vida do homem comum é maior nos países que têm o maior número de empreendedores ricos."
Mises
* * *
Sou contra até a caridade privada, mesmo ela sendo ética/moral, ela gera o mesmo efeito do socialismo, transformando humanos em parasitas. Claro que o objetivo do caridoso bem intencionado não é esse, ele quer ajudar a pessoa a sobreviver por um tempo para que ela encontre sua própria maneira de sobreviver, mas isso não só não vai ocorrer com esse ato de dar algo sem nada em troca como vai estimular ele a ser um parasita, transformando isso no clássico exemplo de ações com boas intenções criando efeitos negativos, algo que o governo é um especialista em fazer. Como o próprio artigo disse, a melhor maneira de fazer “caridade” é tornar alguém auto suficiente, o que é igual a um investimento, e isso não só é o melhor para a pessoa como também a torna uma pessoa honrada, digna, merecedora da vida, mas é claro que só uma minoria possui tais sentimentos, tem quem chegue ao ponto de desdenhar deles para se sentirem bem com a sua pobre vida patética.
Livre mercado não existe, no fim gera cartél e monopolio, maior prova é o setor de alimentos:
i1.wp.com/www.paulogala.com.br/wp-content/uploads/2019/12/283dd8c6-1e88-4014-8794-daa96223efed.jpg?resize=1024%2C937&ssl=1
Concordo com menos estado, só não concordo com utopia, assim como socialistas e anarco capitalistas.
Pegando o gancho nesse tema, esse artigo fala de exemplos históricos de ajuda externa que deram errado.
Caridade é algo que tem que ser feito pelos indivíduos, instituições (religiosas ou não) e afins, não pelo estado. Antes da popularização da social-democracia, a Igreja Católica fazia muito bem esse papel.
Como resolver a crise climatica sem o estado?
No artigo diz:
“Se você analisar o que ocorreu ao longo das últimas décadas com itens como tecnologia, alimentação e vestuário — necessidades humanas essenciais que, em grande parte, não são fornecidas pelo estado —, verá que houve uma queda dramática nos preços (mensurados em termos de horas de trabalho necessárias para se adquirir um valor monetário capaz de comprar a mesma quantidade de cada item) e uma sensível melhora na qualidade dos produtos. A concorrência reduziu os custos. No entanto, no campo assistencialista, não houve tal melhoria. Por que não? Porque, graças ao quase-monopólio estatal, não há concorrência nesta área.
A ideia de haver concorrência para serviços caritativos é ofensiva para muitas pessoas. Mas é necessário haver concorrência se a intenção for melhorar a qualidade e reduzir os custos.”
Sendo assim, por qual motivo as grandes cidades brasileiras são basicamente grandes favelões com partes bonitas? Por qual motivos nossas cidades não são organizadas de modo a ofertar vias urbanisticamente eficientes e confortáveis associado a empreendimentos residenciais e comerciais dos mais sofisticados aos mais populares – todos com um bom nível de construção e habitabilidade?
Pergunto isso porque se é um mercado que o Estado nunca quis entrar fortemente com regulamentação ou subsídios foi o mercado de construção/engenharia/arquitetura/urbanismo. Logo, sendo um mercado completamente livre para iniciativa privada, deveríamos ao menos ter boas cidades, com boas casas e etc… Porque isto nao acontece?
PS – Não discordo dos benefícios da desregulamentação e da redução do Estado, entretanto, fiquei com esta dúvida e resolvi fazer esta provocação.
“Como o estado destrói a propensão filantropa das pessoas”, resumido em quatro tuítes:
i.imgur.com/POVTp6W.png
Resumindo em duas frases:
“Já pago imposto para isso. Não preciso doar”.
E agora Leandro? Meta de inflacao ja era?
https://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&rct=j&url=www.infomoney.com.br/mercados/dolar-cai-mais-de-3-em-dois-dias-com-fed-e-depreciacao-pode-continuar-mas-efeito-de-longo-prazo-e-limitado/amp/&ved=2ahUKEwjMyNS_h7_rAhXlILkGHXx3AmcQiJQBMAB6BAgKEAc&usg=AOvVaw2D_Q8QhNEvBZHf1g99cIBv&cf=1
Realmente isso pode mesmo derrubar o dolar?