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O cientificismo gerou os “novos iluminados” — e estes adulteraram o Direito e a Economia

Eu me recordo da reação dos colegas ao escutar o professor de história do colegial dizendo que que, no ancien régime, os reis eram legitimados pela teoria do Direito Divino

Impulsionados pelo professor, os alunos riam da sociedade passada, a qual, por alguma razão, aceitou a ideia de que o próprio Deus designara alguém para representá-Lo perante os humanos. 

O desdém aprendido e mantido pelos alunos é um sintoma típico de uma doença cujo surto ocorreu no século XVIII e, tornada pandêmica, jamais saiu de cena desde então. Refiro-me, é claro, ao cientificismo, trazido à tona pelo movimento iluminista e impregnado nas mentes — das mais sofisticadas às mais simplistas — daquela que se convencionou chamar de civilização ocidental.

O cientificismo é a visão de que todo conhecimento verdadeiro é conhecimento científico, e que não existe uma forma racional e objetiva de investigação que não seja um ramo da ciência. Por ‘ciência’, os cientificistas entendem que é todo o ramo do conhecimento no qual se pode utilizar o método científico baconiano

É indiscutível que o método científico foi responsável por uma revolução nas ciências naturais. O desenvolvimento da biologia, física, mecânica, química e os grandes avanços ocorridos ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX favoreceram a ideia de que a linguagem científica poderia ser a chave para que o homem pudesse entender o universo de forma holística, ou seja, em seu total. 

Daí, a tentativa de sistematizar todo o conhecimento a partir da ciência fundou a chamada filosofia da ciência no sentido moderno do termo.

A filosofia moderna da ciência rompe as formas e substâncias do modelo aristotélico-tomista e é sistematizada pelo seu principal expoente: Auguste Comte, na doutrina do positivismo. Comte acreditava que, assim como no caso das ciências naturais, as agora chamadas ciências sociais passariam a ser o novo paradigma da verdade, legando à teologia e à metafísica um espaço decorativo e supersticioso na história humana. O positivismo de Comte era uma ideologia de engenharia social. A sociedade como um todo deveria ser organizada de acordo com conhecimentos científicos.

O positivismo, adicionalmente, afirma diz que a linguagem científica é a marca registrada da modernidade, e que para efetuar o progresso é preciso haver uma classe especial de pessoas que conheçam as leis da sociedade, e que sejam capazes de estabelecer a ordem e promover esse progresso

O cientificismo iniciou uma guerra fictícia entre aqueles que defendem a fé e os que defendem a ciência. Para os últimos, já que religião não tem fundamento científico (ou assim eles afirmam), ela não tem fundamento racional e deve ser expulsa do debate sobre quaisquer assuntos. 

Assim como a religião e a metafísica não são “úteis” para conhecermos o comportamento dos átomos, também não podem ser úteis para conhecermos a verdade acerca do bom, do belo e das questões éticas. Em nosso tempo, o cientificismo atinge seu ápice no neoateísmo de Richard Dawkins e Christopher Hitchens. Para tais autores, tudo o que somos, pensamos e sentimos não passa de reações químicas a serem descobertas pelo avanço da micro e da nanobiologia. Haverá um dia em que, por meio de uma “injeção” das substâncias adequadas, curaremos não só as doenças do corpo, mas também as da alma humana (embora, para o neoateus, não existe essa isso de alma).

Os derrotados

É difícil definir qual foi o campo das chamadas “ciências sociais” mais prejudicado pelo positivismo. Mas, sejam lá quais forem, certamente dentre eles estarão a Economia e o Direito. 

Na Economia, o que antes era uma investigação lógica a respeito de como os recursos escassos são produzidos e administrados na sociedade humana passou a ser uma série de formulações matemáticas que inicialmente foram criadas para se entender a realidade e posteriormente foram usadas para forçar a realidade a se adequar à elas

Se um determinado economista provasse em seu “modelo científico” que seria vantajosa a produção extra de um certo recurso X, o político poderia se valer daquela “verdade científica” para forçar que a tal prescrição fosse cumprida, ignorando a vontade dos agentes e passando por cima de qualquer objeção ética. Afinal, quem sabe mais, o médico ou o paciente? Apenas obedeça ao cientista. É tudo para o seu próprio bem.

No Direito, e aqui entramos de fato no tema do artigo, o cientificismo foi além. Repudiando os mitos fundadores dos estados que foram “mortos” pelas revoluções iluministas, os cientificistas acabaram criando novos mitos que, de alguma forma, eles pudessem justificar sob a égide do racionalismo científico. Nas palavras de Butler Shaffer:

Os sentimentos humanistas do Iluminismo ajudaram a moldar as suposições autocráticas sobre a fonte da autoridade política, utilizando como racionalização para o estado o mito de um “contrato social“.

Os novos iluminados

Aqueles que antes desdenhavam do Direito Divino citado no início passaram a louvar os novos iluminados, os quais, despidos de uma metafísica explícita, criaram para si uma falsa metafísica que justificasse o poder dos pensadores sobre a “massa inculta e ignara”. 

A ideia de ‘educação libertadora’ (das artes liberais) deixou de ser o objetivo da erudição. Agora, a educação passaria a ser a certificação que habilitaria o homem ao exercício do poder. A educação transformaria o novo homem; aquele “ser bruto medieval” passaria a ser um indivíduo de sentimentos nobres e racionais após receber uma formação racionalista. E, sempre que esse homem — puro e humanista — fosse tentado a retroagir aos seus instintos individualistas, ele teria ali uma constituição para lhe mostrar o caminho correto a ser seguido. 

Recorrer ao manual — à constituição — seria para o juiz ou legislador ato semelhante àquele praticado pelo engenheiro que recorre ao manual de física para a boa prática de sua função. A justiça e o legislativo, nas democracias liberais, certamente levariam o homem ao paraíso social, de perfeição euclidiana, uma vez que, ainda que falhassem os juízes ou legisladores de graus inferiores, os atos falhos poderiam ser corrigidos por seus colegas dos graus superiores, homens ainda mais elevados e de humanismo e racionalidade ainda mais acurados. 

Por fim, ainda que todos os graus do promoção do progresso falhassem, haveria ali uma constituição para resguardar os cidadãos de uma possível tirania por parte do estado.

Os homens que desdenhavam daqueles que acreditavam no Direito Divino passaram a crer — sim, a palavra adequada é “crer” — em um pedaço de papel. Para um religioso, a constituição não pode ser entendida de outra forma que não a idolatria. 

É uma enorme ingenuidade acreditar que toda a corte e as elites que apoiavam os monarcas absolutistas de fato criam nessa história de Direito Divino. Contudo, era conveniente a eles que houvesse algum meio de garantir a estabilidade do estado. E, ademais, um rei, por mais opulento e esbanjador que fosse, possuía interesse direto na prosperidade e estabilidade política de seu reino — afinal, tratava-se de sua propriedade e de seus súditos. 

Assim, por lógica, em qualquer monarquia, há uma limitação natural à interferência do rei nos negócios privados; seu interesse é majoritariamente externo; tudo o que importa é manter uma boa fonte de impostos que sustentem sua corte, seu reinado e suas guerras.

No Direito Positivo, por outro lado, não há uma relação direta entre o interesse do legislador/aplicador da lei e o benefício social de seus atos. Afinal, ninguém é “dono” do estado. Cada um está ali como mandatário temporário, e os recursos acumulados/espoliados não serão legados para a próxima geração de legisladores. 

Sendo assim, há um interesse direto por uma pilhagem maior e mais rápida, de forma que o máximo de benefício possa ser extraído do estado enquanto um determinado mandatário, legislador ou juiz se mantém no poder. 

Os positivistas mais bem intencionados acreditaram que poderiam limitar tais instintos humanos por meio de uma constituição. Mas, ora, a quem cabe interpretar a tal constituição? Aos homens, é claro.

Na prática, os positivistas apenas substituíram a divindade por um pedaço de papel, já que no âmbito da aplicação do poder (seja ele dado por Deus ou por uma constituição) estão os mesmos homens de sempre. A diferença é que, antigamente, eles usavam mantos vermelhos e coroas; agora, usam togas e se referem a seus pares por “vossa excelência”. 

Um rei absolutista poderia justificar seus atos abusivos como sendo a “vontade de Deus”; já um ministro de suprema corte pode fazer o mesmo tendo como justificativa “a vontade da constituição”. 

Nos dois casos, quem é que define qual é a vontade de Deus ou da constituição, senão os próprios homens que em seus nomes praticam os atos que melhor lhes aprouverem?

Os incriticáveis

O ministro do STF Alexandre de Moraes, desde o dia 27 de maio de 2020, quando expediu vários mandados de invasão de propriedade e sequestro temporário de bens de pessoas a quem ele julga “inimigas da democracia”, continua irrefreável e inabalável. O primeiro inquérito foi aberto por seu colega Dias Toffoli, que não gostou da forma como algumas pessoas vêm se referindo aos representantes da divindade (eles, os ministros) na internet. Desde então, pode-se dizer que os magistrados “tomaram gosto” pelo poder.

Tanto o inquérito quanto as apreensões quanto as próprias investigações são expressamente proibidas pela constituição do Brasil. Um juiz, em um sistema jurídico minimamente sério, não pode abrir investigação monocraticamente, muito menos indicar aquele que seria o “juiz natural” do processo, incorrendo aí em um latente vício processual. Mas, quem se importa? Lembremos da frase do governante divino, Rei da França Luís XIV: “O Estado sou eu“. É neste mesmo espírito que Dias Toffoli declara: “Os ministros são considerados pelo STF a própria instituição, em qualquer lugar em que estejam“.

Os positivistas levaram a sociedade a crer que os cientistas e os homens bem educados seriam aqueles capazes de conduzir a sociedade ao seu apogeu de desenvolvimento. Uma era em que as miudezas e mesquinharias individuais seriam suplantadas pela prosperidade coletiva, pela erradicação das doenças, pela universalização do conhecimento e, principalmente, pela elevação do homem ao posto de divindade, o agente de todo o progresso e o solucionador de toda espécie de males. 

Para vender sua utopia, os cientificistas fizeram crer à sociedade que o planejamento econômico científico é superior ao livre mercado, que a ética se resume ao que está escrito nas leis e que a obediência é superior à liberdade. O homem que age segundo suas próprias convicções não só é mesquinho como também é inimigo do progresso e, por consequência, de toda a sociedade. Se você não quer “matar os idosos”, fique em casa e use máscaras — afinal de contas, quem é você para questionar a ciência?

O que os positivistas não contaram ao mundo é que eles não veem indivíduos com suas respectivas individualidades e com sua infinitude de interesses distintos. Tudo o que eles veem é o homem agregado, único e uniforme, que representa o somatório de todas as vontades e interesses dos indivíduos reunidos em um único ser mítico. 

Este ser mítico deve caminhar rumo ao progresso, não importam os custos éticos dessa caminhada. O nome deste homem? Estado Democrático de Direito, que é inquestionável e inatacável.

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85 comentários em “O cientificismo gerou os “novos iluminados” — e estes adulteraram o Direito e a Economia”

  1. Isso acontece porque ninguém dividiu os poderes. Podemos começar dividindo o poder do STF, assim como o Legislativo é dividido. Assim como a presidência também deveria. Com 50 a 60 divisões teremos algo menos opressor.

  2. Ótimo artigo. E segue o problema que Rui Barbosa apontou e que até hoje ninguém respondeu: se ministros do STF cometem crimes e não são punidos, o que a população pode fazer?

  3. Parabéns ao autor! Texto muito relevante e atualíssimo!

    É inequívoco que o cientificismo, abuso da ciência e perversão da linguagem científica, é um grave problema dos dias de hoje. E um dos sintomas mais claros disso é o fato de que muitas pessoas cientificamente incultas (mesmo que “dipromadas”) desconhecem os limites das ciências que praticam ou cujo nome empunham, o que significa dizer que não as levam a sério o suficiente e dela abusam.

    Isto transforma a Ciência em fetiche e seu nome em chavão, que passa a ser usado para justificar todo tipo de despropósitos e abusos. Inclusive a perseguição de pessoas e o cerceamento de seus direitos.

    É bastante sintomático que algumas pessoas achem que Ciências particulares como a física ou a medicina, parciais por definição, possam dar respostas que englobem toda a Realidade.

    Ou seja, ao se procurar resolver problemas complexos que as envolvam, não basta deter-se nelas, sendo necessário cotejar suas contribuições com as de outras ciências e, muitas vezes, lidar com problemas extra-científicos, como o sejam as decisões políticas e as que envolvem a liberdade humana individual, decisões dos indivíduos sobre suas próprias vidas.

    Muitas vezes invade-se também o campo da Filosofia, pois há ocasiões em que os questionamentos levantados pelas próprias ciências particulares põem em cheque os seus próprios princípios, tratando-se portanto de uma meta-questão, que já é do âmbito da Filosofia da Ciência; ou ainda, tocam princípios outros que as ultrapassam completamente, de modo que os recursos internos dessas Ciências não podem dar resposta à questão, que passa a exigir a reflexão racional de cunho Filosófico para arbitrá-la ou dirimi-la.

    Muitos sequer percebem que os métodos empíricos, úteis como sejam, lidam com fatos contingentes, o que impõe certas limitações intrínsecas a esses métodos e às ciências que neles se escudam. Esta ignorância imperdoável e o desleixo com certas limitações metodológicas é causa de muitos erros que se espraiam por toda a sociedade e afetam as vidas das pessoas, com graves consequências!

    Esperemos que cada um ponha a mão na própria consciência e procure não cair vítima desses erros fatais. De resto, esforcemo-nos nós próprios por não cometê-los, e por servir de bons exemplos. E agradeçamos, por fim, a quem escreve bons textos como este que o site publicou, vez que prestam importante serviço ao esclarecimento.

  4. Fui pesquisador na UFRJ por 8 anos. Isso é pouco pra uma carreira de pesquisas (que não tenho mais), mas por esse pouco tempo percebi o quão ‘ditatorial’ é esse ambiente.

    Sinceramente, eu tenho doutorado e convivo com dezenas de doutores que vivem de publicação de artigos revistos pelos seus próprios pares. É uma patota, um clube de revistas que basicamente serve para emular uns aos outros dentro do clube ideológico. Os de fora que ousam usar argumentos fora da caixa são extirpados. Em resumo, os títulos acadêmicos nas universidades (pelo menos daqui) seguem, basicamente, mais política e menos mérito científico.

    A ciência é de extrema importância, mas acreditar que ela é inerrável é uma tremenda ignorância do que realmente é ciência (que envolve mais erros do que acertos). Existem inúmeros paradigmas que cientistas não largam fácil, pré-conceito é regra na academia. Para se reformular uma teoria ou hipótese dominante, os dados esperados precisam ser demasiado contraditórios.

    Cientificismo é a religião do século XX, e se resume na ideia de que políticos e burocratas devem usá-la pra controlar a vida da humanidade.

  5. Jesus disse nas cartas de Cristo: Os Cientistas têm a mente excessivamente cheia de conhecimento livresco especializado, de fórmulas e equações aceitas, e tem também uma grande necessidade de aprovação e reconhecimento dentro da comunidade científica, o que impede a penetração mística de inteligências mais elevadas.

  6. Boa noite!

    Um assunto em OFF-TOPIC:

    Se um país tiver um imposto de renda em 7% tanto de pessoa física quanto de jurídica, a carga tributária desse país seria de 7% do PIB? A mesma coisa se atribuirmos um Imposto Sobre Bens e Serviços de 7% nesse mesmo país, a carga tributária seria de 14%?

  7. O Direito (no inglês, Law) é algo que muitas vezes não é possível de ser reduzido a um livro-texto. Tampouco pode ser determinado em algo escrito. O Direito sempre foi algo que as pessoas cumpriam e seguiam sem saber exatamente a razão. E a história comprovou que um grupo que seguia determinadas normas sempre obtinha mais prosperidade que aqueles outros que não seguiam.

    Como dizia Hayek: “Aprender a partir da experiência, entre homens não menos que entre animais, não é um processo essencialmente de raciocínio, mas sim de observância, disseminação, transmissão e aperfeiçoamento de práticas que se impuseram porque deram bom resultado."

    Os indivíduos não têm como enunciar isso já que essas normas não foram criadas por eles, mas passaram a governar as ações dos indivíduos, pois as ações realizadas em conformidade com elas alcançaram resultados melhores do que aquelas de indivíduos ou grupos concorrentes.

    Tal ideia empírica é criticada por pessoas que acreditam que todas as normas somente serão válidas se forem criadas pelos legisladores. Para tais pessoas, também chamada de construtivistas, essas normas espontaneamente surgidas não seriam "racionais”. Só é racional aquilo que é criado por seres iluminados, muito acima do populacho.

    E é isso que domina todos os debates atuais, seja de direito, seja de economia e até mesmo de infectologia. Algum iluminado determinou que lockdown é algo inquestionável e que deve ser aceito sem questionamento. Quem questiona é um genocida anti-ciência.

  8. “Os ideais positivistas e suas constituições garantem a soberania do estado sobre a do indivíduo”

    Se você acha que os “ideais positivistas estão sobrepujando o indivíduo” basta, nas próximas eleições, votar num candidato de inspiração anarcocapitalista ou minarquista. Eis o processo resumido:

    1) Existirá um candidato ANCAP (vou falar assim) para uma vaga no Legislativo ou Executivo

    2) Esse candidato ANCAP deverá ser eleito.

    2-a) Sozinho, será bem difícil para o candidato ANCAP conseguir fazer a sua política, então, serão necessários uma quantidade maior de candidatos ANCAPs sendo eleitos.

    3) Após eleito, o candidato ANCAP poderá propor leis inspiradas na ideologia ANCAP ou revogar leis que ele considera com “estatistas (que aumentam a autoridade do Estado sobre o indivíduo)

    4) Essas leis ou revogações deverão ser aprovadas pelo Legislativo e pelo Executivo

    5)Essas leis ou revogações serão apreciadas pelo Judiciário, o qual verificará se elas não ferem a CF ou alguma outra lei de hierarquia maior

    5-a)Se a violação for por causa de uma “lei comum”, o representante ANCAP deverá para etapa 3 e propor uma revogação dessa “lei comum”. Muitas das vezes, Projetos de Emenda Constitucional serão necessários.

    5-b)Se a violação for por causa de uma “cláusula pétrea”, o representante deverá pedir uma nova Assembleia Constituinte para editar uma nova CF sem essas “cláusulas pétreas”. Talvez seja impossível “convocar um Assembleia Constituinte então, o representante ANCAP deverá fazer uma REVOLUÇÃO ou coisa assim.

    6) Se tudo tiver OK, ou seja, se o Legislativo e o Executivo aprovarem as leis ou revogações e se o Judiciário verificar que as leis ou revogações não violam a CF, as leis ou revogações ANCAPs PASSARÃO!

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    O que eu entendo como POSITIVO: positivo é o que é

    O que é:

    Os ancaps pensam que a sua ideologia é a mais racional e correta

    Os socialistas pensam que a sua ideologia é a mais racional e correta

    Os conservadores pensam que a sua ideologia é a mais racional e correta

    Os liberais pensam que a sua ideologia é a mais racional e correta

    Os cientificistas pensam que a sua ideologia é a mais racional e correta

    Os progressistas pensam que a sua ideologia é a mais racional e correta

    Os primitivistas pensam que a sua ideologia é a mais racional e correta

    Os fascistsa pensam que a sua ideologia é a mais racional e correta

    A ideologia de uma facção afetará, positivamente ou negativamente, a vida de todas as outras

    QUEM ESTÁ CERTO? TODOS PARECEM ESTAR ABSOLUTAMENTE CORRETOS

    Ao meu ver, isso não importa já que a RAZÃO não tem autoridade sobre os meus interesses (vontade), ou seja, eu não CULTUO a RAZÃO. Por exemplo, vocês ANCAPS falam que “as universidades públicas não deveriam existir”.

    Vocês podem até estar corretos mas e daí? Eu quero o meu curso “de graça”, ou seja, eu não vou sacrificar os meus interesses pelo “deus Razão”. Qual é a razão disso? Na minha “praxeologia” eu calculei que a utilidade é maior quando eu sou “à favor das públicas” e menor quando eu “sou contra”.

    Favor: 97 pontos (eu sei que não é de graça)

    Contra: 3 pontos

    (Se eu fosse uma máquina)

    Neste cenário, há duas formas de se decidir as coisas:

    1) Pela violência, ou seja, as facçoes podem decidir tudo pela força (os conservadores vencem, apostei)

    2)Pelo diálogo, ou seja, as facções podem aceitar a LEI que, geralmente, fala que “a vontade do povo deve prevalecer”. Claro, a vontade é da maioria, geralmente, entretanto é a regra do jogo (é um jogo)

    Tudo é ou não é

    O “deveria ser” é relativo

    Eis o que é

  9. Eu humildemente creio que a realidade é muito pior. No direito, por exemplo, a teoria marxista domina os cursos. Para todo e qualquer problema na sociedade, os “operadores do direito” clamam por mais soluções estatais e regulamentações. A estatolatria é a doutrina nas escolas jurídicas. Os professores mais respeitados são os agentes de estado (promotores, juízes, procuradores….) que acabam de pavimentar e sedimentar a grande importância do “estado”. Por favor, me diga algum livro de doutrina liberal? Exceto nosso prezado André Luiz, e seu importante trabalho, não conheço nenhum realmente que siga as premissas da liberdade individual. Abraços

  10. O artigo está de parabéns em perceber que o nosso fracasso é perfeitamente legítimo, constitucional e certo, com um adendo: sem uma mutação do direito positivo para o natural e uma nova constituinte liberal, o país vai continuar sofrendo com o fantasma fascista de Vargas que voava em 88.

    As vezes até creio que o design intencional foi esse mesmo: o de agradar burocratas e políticos mais que clientes, de legalizar o roubo e desmoralizar a população.

  11. Essa é boa, o vandalismo que tomou conta dos EUA pode ser culpa da extrema-direita racista.

    “Autoridades federais dos Estados Unidos estão investigando se supremacistas brancos e anarquistas estão se infiltrando nas manifestações raciais do país para causar violência…. os protestos que começam pacíficos terminam com saques e invasão a lojas…”

    noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2020/06/01/eua-investigam-se-supremacistas-brancos-se-infiltraram-em-protestos.htm

    Então os inúmeros vídeos com grupos de negros roubando lojas e agredindo lojistas brancos poderiam ser na verdade supremacistas brancos infiltrados.

  12. O positivismo jurídico é um cancro tão terrível que os estudantes são hipnotizados, nos bancos escolares, pelo (pseudo)axioma sempre repetido nas aulas de direito administrativo de que “o direito cria suas próprias realidades”.

    Daí a formar advogados com pretensões a revogar a lei da gravidade é um passo…

  13. O André Santa Cruz mostrou como o ensino jurídico no Brasil é viciado e eivado de apologias ao intervencionismo e à onisciência de burocratas e reguladores. Material altamente recomendado para todos os estudantes de direito.

  14. Interessante essa discussão aberta pelo artigo. Apesar disso tudo, o Iluminismo trouxe algum resquício, pelo menos, de contribuição intelectual à humanidade, nem na questão dos direitos naturais, do John Locke? Pergunto isso porque eu sei que muitos conservadores criticaram várias das decadências ocorridas após o movimento iluminista. Esse artigo do Rothbard é uma delícia de ler, Murray Rothbard é um bom historiador.

    Comecei a ler o livro “A história da riqueza do Brasil” e parte disso também é abordada, onde no Brasil Colônia haviam vários privilégios (que são mencionados como direitos adquiridos) mas como essa nobreza nem estava naquela terra, então na prática ninguém ali se importava e tudo ia bem. E então, com a chegada da Corte para o país, com a independência proclamada, o Jorge Caldeira expõe o contraste existente entre o Brasil e a Europa, ao falar que alguns traços do Antigo Regime se mantiveram no país, já que a nobreza veio junto com João VI, vindo junto com os privilégios e corporativismo, contrastando com o conceito de igualdade perante a lei que, por exemplo, existia nos EUA. Mas o exemplo dos EUA recém-formados mostrou uma contradição: o conceito do direito de propriedade contrastou com o direito de possuir escravos, uma aberração que acabou só depois.

    Por que a escravidão dos africanos durou tanto tempo no Brasil, já que era economicamente ineficiente e anti-ética? A Igreja Católica sempre condenou qualquer forma de escravidão? É uma discussão interessante, já que envolve Filosofia e Economia.

  15. Muitos que são contra o isolamento social evocam o argumento da imunidade de rebanho para que as pessoas se infectem e criem imunidade, advogando assim para que seja feito o "liberou geral".

    Entretanto, não percebem a contradição existente nesta defesa visto que tal expediente, a imunidade de rebanho, é implementará justamente em situações onde o indivíduo importa pouco e é colocado em segundo plano pra que se chegue ao bem maior do rebanho, que é exatamente a imunidade de rebanho.

    Ou seja, aqueles que dizem defender o indícios, colocá-lo acima da coletividade, na hora que é pra promover o ganho econômico e a destruição dos mais fracos colocam o grupo acima do indivíduo

  16. E defender o isolamento social não é defender o bem mais valioso de um indivíduo, que é a vida?

    Os indicadores mostram que países que adotaram quarentena mais firmes e organizara-se tiveram melhores resultados para o bem mais precioso dos indivíduos: a vida!

  17. Infelizmente, não foi só o direito e a economia que os cientificistas adulteraram. A própria ciência que, segundo Richard Feynman, Nobel de física em 1965, deveria ser “a cultura da dúvida”, foi transformada numa espécie de religião materialista. A teoria evolucionista possui muitos problemas, mas, quem ousa contestá-la é tido como louco, religioso e pseudo-cientista. Os PhD’s que endossam o manifesto “Dissent from Darwin” que o diga.

  18. Penso que a ciência sempre deve ser defendida, o cuidado é com os métodos, os métodos cientificos atuais são adequados apenas as ciências naturais. Esses métodos não devem ser aplicados para as ciências sociais e humanas e esse é ponto que causa maior confusão.

    O que difere ciências naturais das ciências sociais e humanas? A mente humana, que permite a nós a liberdade de ação e escolha, portanto é impossível adequar o método de observação e experimento aos humanos, além do problema prático de replicar um ambiente fiel com as mesmas variaveis, ainda há o fato intriseco de que um ser humano pode não ter a mesma resposta igual ao de outros sob os mesmos efeitos. Uma mesma pedra jogada com a mesma força e condições ambientes terá o mesmo resultado sempre, já a mente humana sob o efeito de uma ação, mesmo mantendo as mesmas condições de um primeiro experimento, pode ter respostas diferentes.

    Também não é possível apenas coletando dados sociais e econômicos, pois apenas os dados não permitem esclarecer se há uma correlação com causalidade ou há uma correlação espúria.

    O que sobra para ciências sociais e humanas? racionalismo ou politicagem

  19. Problema é que muita gente das Ciências Naturais acha que as Ciências Humanas e Econômicas são e devem funcionar exatamente do jeito que ocorre nas Ciências Naturais. A própria imposição de quarentena e bloqueios é uma evidência disso. Basta usar um modelo matemático e pronto, a sociedade inteira deve se moldar aos seus desejos. Outra coisa: modelo matemático não é Ciência. Isso é fraude e coisa tirada da cabeça de planejador central.

    E vocês repararam que isso é a mesma coisa que estão fazendo com o ambientalismo, no qual eles também usam modelos matemáticos que supostamente prevêem o clima daqui algumas décadas, caso o homem não reduzir suas emissões?

  20. Boa tarde estimado Sr. Vieira. Espero que estas palavras lhe encontrem bem.

    Gostaria primeiramente de me apresentar. Meu nome é Felipe Santos, li seu texto e encontrei um ataque à espantalho, cujo qual gostaria que endereçasses com maior detalhe ou fizesse as correções necessárias.

    Ao dizer que o pensamento de Richard Dawkins resume a experiência humana a reações químicas é criado um espantalho que pode ser combatido e facilmente derrotado. Quando, na realidade, diversas vezes declara de maneira objetiva “Religion is both a source of conflict and a justification for belief without evidence (Dawkins 2006)” (Religião é tanto uma fonte de conflito e uma justificativa para crenças sem evidencias).

    Endereçar nossas críticas às questões propostas por Richard Dawkins se constituirá em ferramenta fundamental para esclarecer a verdade.

    Lhe felicito pelo texto e desejo muito sucesso.

  21. "É certo que muitos intelectuais invejam a renda mais alta dos empresários prósperos, e que esses sentimentos os levam ao socialismo. Eles acreditam que as autoridades de uma comunidade socialista lhes pagariam salários mais altos do que aqueles que ganham sob o capitalismo."

    Mises

    * * *

  22. BREVÍSSIMA TEOLOGIA POSITIVISTA PARA NÃO INICIADOS

    Convenhamos, essa tentativa de associar o ateísmo ao positivismo comteano é de uma traquinagem intelectual que dá até vontade de dormir de fralda. É coisa de quem realmente não se importa com o vexame público. Vamos aos fatos teóricos:

    O ateísmo não é uma escola filosófica e não inaugurou ou sistematizou formas ideais de descrença, logo, o apelo retórico ao suposto cientificismo ateísta é um famigerado espantalho. Posso ser um ateu anti-cientifico, da mesma forma que poderia ser um ateu burro, incapaz de escrever textos. Aliás, a maioria dos ateus são tão preguiçosos que nem se lembram que não acreditam em nada, e até se esquecem de se defenderem na rua. Adoram ser xingados de trouxas e não estão nem aí para o que acham dele. São os famosos ateus mulambos que se confundem com entidades de beira de estrada. Pode parecer incrível, mas tecnicamente pode existir um ateu macumbeiro dentro de você. E por que não? Existe alguma bíblia ateia que impeça um ateu de se associar ao paganismo ou ao xamanismo? A-Teísmo, ou seja, um universo sem deuses e sem sentido faz TODO sentido.

    O ateísmo por se dirigir apenas à descrença individual, integral ou seletiva e à privacidade silenciosa não enche templos em honra a deuses caídos ou deuses não criados. Também não faz despacho e nem roda a galinha preta. Ateísmo nunca pretendeu ser engenharia social e muito menos decidir a sorte de quem resolvesse acreditar em deuses somente nos dias pares da semana. Já foi provado que um presidenciável autoproclamado ateu tem as mesmas chances de ser eleito que um elefante com duas trombas. O simples fato de alguém não acreditar que após a morte vai viver para sempre ou vai rever alegremente seus parentes mortos é o suficiente para condená-lo em vida ao ostracismo político. Ato contínuo, o medo impõe ao suposto tecnocrata-cientificista ateu a invisibilidade. Uma tecnocracia invisível ateia seria tão inviável quanto um Socialismo laissez-faire. Pelo menos na morte somos todos iguais, pelo menos até que o Diabo saiba que estamos mortos.

    Aliás, essa tarefa de condenar pessoas com expedientes metafísicos sempre foi tarefa de gente com excesso de crenças. Inclusive os chamados ATEUS FRACOS podem ser estigmatizados à vontade como covardes e como “ateus nutela”, exatamente como a “ala teológica” costuma arrotar metafisicamente aos quatro ventos, mas, diferentemente dos crentes os quais têm respostas pra tudo, um ateu honesto jamais afirmaria que deuses não existem, simplesmente porque um ateu não tem as respostas prontas na manga. Ateus corajosos admitem ser pequenos e não saber sobre dados metafísicos. Ou seja, minha coragem supõe que eu consiga me imaginar flutuando eternamente no Nada para encontrar nenhum criador nem criado do outro lado do Mundo Visível. Isso é irritante, eu sei, mas não é mais irritante que qualquer teologia aristotélica tentando me convencer que a morte eterna é uma impossibilidade lógica.

    Até um ateu forte nível 4 como Dawkins tem o bom senso de observar que, no fundo, ele não tem como afirmar categoricamente que um deus ou vários deuses não existem, ou seja, um ateu honesto por mais forte que seja jamais chega ao nível 5. E não chega ao nível 5 porque apenas religiosos podem transformar crença em fatos da realidade. Religiosos são sempre nível 5, só que às avessas . E a Realidade é tão picareta quanto qualquer um que afirme com certeza que Deus existe. Na verdade, o sistema de crenças de boa parte dos religiosos é que costuma ser bem contraditório. Martelos são contraditórios, eles batem o prego e vez por outra acertam nossas unhas. Picaretas idem.

    O próprio Olavo de Carvalho que é um filósofo de grandiosa cultura e brutal inteligência um dia “picaretou” e afirmou que “não vê problema nenhum em alguém seguir a bíblia ao pé da letra”, o que implica em jogar pela janela o DNA e a datação do carbono, aquele elemento abundante no Cosmo e que é capaz de demonstrar que a Terra tem milhões de anos. Mas curiosamente o Olavo utiliza silício processado para telefonia celular e costuma palestrar alegremente sobre a infalibilidade da Igreja Católica e a Terra de Jesus de apenas 6 mil anos. Sim, a Igreja infalível, a mesma Igreja que faz a dança das cadeiras dos pederastas pedófilos enfiando padres velhos em sacristias novas ao bel prazer de seus membros em riste. Aliás, seguir a bíblia ao pé da letra traria o incômodo de não termos inventado a roda, mas isso parece ser apenas uma externalidade bíblica. Os chutes cósmicos abundam, mas sempre na bunda alheia. Inclusive deve existir um expediente bíblico capaz de explicar afinal por que cargas d’água esses deuses onipotentes que abundam nas religiões alheias não criaram um milagre mínimo para intervir em religiões onde o deus local parece não se importar com estupros coletivos. O que eu vejo até hoje é uma modorra onipresente, uma vontade inescapável que os deuses têm de se manterem invisíveis.

    Mas uma coisa que até hoje não vi foi um teólogo indo pra TV admitir com todas as letras que ele é um ateu seletivo já que não acredita em Alá, nem em Baal ou Vishnu. Ainda não vi um um teólogo com coragem pra afirmar que ele é ateu sim e que ele tem orgulho disso, já que o Deus de Abraão, segundo ele, é maior que todos os outros que para ele jamais existiram.

  23. Conheço o site a pouco tempo e tenho achado os conteúdos muito bons, informações muito interessantes e referências ótimas .

    Achei a frase a seguir sensacional:

    "O que os positivistas não contaram ao mundo é que eles não veem indivíduos com suas respectivas individualidades e com sua infinitude de interesses distintos. Tudo o que eles veem é o homem agregado, único e uniforme,"

    Pra eles nós somos apenas another brick in the wall

    Acham que somos todos a mesma coisa, a beleza da humanidade está justamente na diversidade, mas eles odeiam isso.

  24. O pior está por vir

    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2021/08/18/ongs-pedem-indenizacao-xp-avel-por-falta-diversidade-entre-colaboradores.amp.htm

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