Já fazia muito tempo que eu não lia nada escrito por Paul Krugman. E ao deparar-me com sua última coluna no The New York Times, constatei que não perdi nada, pois ele não mudou em nada.
Estando hoje no extremo tanto do keynesianismo quanto do partidarismo político, ele há muito tempo abandonou qualquer tipo de análise econômica, e hoje se dedica àquilo que Mises rotulou de metafísica.
Não obstante, minha curiosidade foi mais forte tão logo vi que ele escreveu que reabrir a economia e permitir que as pessoas voltem a trabalhar irá certamente causar uma depressão econômica. Escreve ele:
Na semana passada, a Secretária de Estatísticas do Trabalho [Bureau of Labor Statistics] confirmou oficialmente o que já sabíamos: com alguns meses da crise da Covid-19, os Estados Unidos já têm um nível de desemprego igual ao da Grande Depressão. Mas isso não equivale a dizer que estamos em uma depressão. Só saberemos se é verdade quando virmos se este desemprego extremamente alto irá durar muito tempo — digamos, um ano ou mais.
Infelizmente, o governo Trump e seus aliados estão fazendo de tudo para tornar mais provável uma depressão em grande escala.
Agora, muitos de nós acreditamos que as maciças intervenções monetárias e fiscais na economia, tanto do governo federal quanto dos governos estaduais, irão afetar ainda mais a economia e, aí sim, causar uma depressão e fazer com que a taxa de desemprego dispare ainda mais.
Este, no entanto, não é o ponto de Krugman. Com efeito, ele parecer acreditar que não há intervenção estatal o suficiente — algo que, aliás, é uma constante em seus escritos.
Krugman afirma que reabrir a economia e permitir que a produção e o trabalho voltem irá gerar a próxima depressão.
Já estivemos nessa seara antes. Como esquecer daquele inesquecível dia, em 2011, quando Krugman disse que se o governo imaginasse que alienígenas fossem atacar a Terra e começasse a gastar preparando alguma defesa, a economia estaria curada?
Quem já leu (ou lecionou, como é o meu caso) economia keynesiana sabe que, de acordo com os keynesianos, a economia de mercado sempre está à beira de um colapso e prestes a vivenciar uma recessão e um maciço desemprego a menos que o governo (a) reduza juros até não poderem mais ser reduzidos, e (b) incorra em maciços novos gastos para estimular a “demanda agregada“, pois o “pleno emprego” só pode ser alcançado com o governo intervém. E ponto final.
Mas mesmo eu devo admitir que esta coluna em específico me pegou de surpresa. Embora ainda recorra aos tradicionais partidarismos, Krugman intensificou. À pergunta sobre como evitar uma completa depressão, Krugman responde que “temos de manter o curso atual” (em suas palavras) e manter todo mundo trancafiado em casa por um período de tempo ainda maior.
Seu raciocínio é que, se os governos autorizarem as pessoas a saírem do seu confinamento doméstico agora, todos os “avanços” supostamente já obtidos contra a Covid-19 serão perdidos, e aí a rocha voltará a rolar morro abaixo até chegar ao vale da montanha. Escreve Krugman:
Se pudéssemos controlar o coronavírus, a recuperação poderia ser realmente muito rápida. É verdade, a recuperação da crise financeira de 2008 levou muito tempo, mas isso teve muito a ver com problemas que se acumularam durante a bolha imobiliária, com um notável nível sem precedentes de endividamento das famílias. Não parece haver problemas similares hoje.
Mas controlar o vírus não significa “achatar a curva”, o que, aliás, já fizemos — conseguimos desacelerar a disseminação da Covid-19 o suficiente para nossos hospitais não estarem superlotados. Significa esmagar a curva: reduzir muito o número de americanos infectados, depois manter um alto nível de testagem para localizar novos casos, juntamente com o rastreamento de contatos para podermos pôr em quarentena os que podem ter sido expostos.
Para chegar a esse ponto, porém, precisaríamos primeiro manter um regime rigoroso de distanciamento social, não importa quanto tempo dure, para reduzir as novas infecções a um nível baixo. E então teríamos de proteger todas as pessoas com as testagens e o rastreamento já disponíveis para as pessoas que trabalham diretamente para o governo, e para quase mais ninguém.
O mais próximo deste tipo de raciocínio foi o do correspondente da Associated Press no Vietnã, Peter Arnett. Após um bombardeio aéreo americano dizimar o povoado de Ben Tre, ele pronunciou a frase imortal: “Foi necessário destruir a cidade para salvá-la”.
Na novilíngua atual, Krugman está dizendo que, para salvar a economia, o governo tem de decretar e impingir políticas que irão afetar severamente a atividade econômica. Ninguém deve produzir nem trabalhar. Todos devem ficar parados em casa até haver testes disponíveis para cada indivíduo.
No entanto, Krugman, sendo Krugman, acredita que há uma “solução” fácil a ser aplicada neste ínterim, a qual irá permitir a economia continuar funcionando suavemente — sem ninguém trabalhar, é claro. Escreve ele:
Ao mesmo tempo, o governo e seus aliados parecem estar decididos a não fornecer a ajuda financeira que nos permitiria manter o distanciamento social sem dificuldades financeiras extremas. Prorrogar os benefícios aos desempregados, que vão expirar em 31 de julho? “Só sobre nossos cadáveres”, disse o senador Lindsey Graham. Ajudar os governos estaduais e locais, que já demitiram um milhão de trabalhadores? Isso seria um “pacote de resgate para estados democratas”, segundo Mitch McConnell. (Grifo meu)
Ou seja: se todo mundo ficar parado em casa, e o governo simplesmente imprimir moeda e distribuir para cada indivíduo da economia, os problemas econômicos estão resolvidos.
Essa declaração expõe por completo a extrema mentalidade keynesiana: imprimir dinheiro é o equivalente mais próximo a realmente produzir algo. Como todo keynesiano, Krugman comete a falácia da composição: ele acredita que se algo pode ser bom para uma pessoa (ou para algumas poucas pessoas), então será bom para todas as pessoas.
No caso dos EUA, já vimos que, graças às atuais políticas estatais (que somam seguro-desemprego dos governos estaduais e federal a mais uma ajuda de US$ 1.200 para cada cidadão), muitos trabalhadores estão recebendo de seguro-desemprego benefícios que são maiores que os salários que recebiam quando ainda trabalhavam.
Logo, não é surpresa nenhuma que os pedidos de seguro-desemprego só fazem aumentar e muitos continuem sem trabalhar. De acordo com jornalistas keynesianos da CNBC, isso é “ótimo”.
Não, isso não é ótimo. É um desastre em construção. Embora possa ser bom para mim se o governo me der um milhão de dólares por semana para não trabalhar, isso seria efetivo somente se eu fosse o único recebendo o benefício. Embora o resto da sociedade ficasse em pior situação em decorrência desta política — dado que isso seria uma explícita política de transferência de renda de todos para mim —, eu ao menos poderia dar a desculpa de que isso realmente é “ótimo”, pois, na linguagem keynesiana, tal política faria aumentar a “demanda agregada”.
Agora, pense nessa política em uma ampla e vasta escala, com todo mundo recebendo dinheiro criado do nada pelo Banco Central, e você terá uma ideia do que Krugman está realmente defendendo em nome de impedir uma depressão.
Embora o governo já tenha inundado a economia de dinheiro recém-criado com a esperança (a vã esperança) de que isso irá sobrepujar os permanentes danos econômicos trazidos por um desligamento compulsório da economia, Krugman está deixando claro que esses estímulos ainda não são o bastante. Sua crítica partidária acima mostra que, na prática, ele quer que o governo coloque praticamente toda a força de trabalho como recebedora de benesses.
Isso lembra a famosa frase de Keynes, que disse que a expansão do crédito que ocorre quando o governo cria dinheiro do nada realiza o milagre de “transformar pedras em pães“. Krugman essencialmente está dizendo a mesma coisa: o governo, por meio de volumosas injeções de moeda na economia, magicamente fará surgir coisas reais. Ninguém precisa trabalhar ou produzir. A mera criação de papel-moeda (ou dígitos eletrônicos) irá miraculosamente se converter no surgimento mágico de novas máquinas e equipamentos. Linhas de produção surgirão milagrosamente. Bens e serviços reais aparecerão do nada. Coisas “aborrecidas” como poupar, investir e produzir podem ser perfeitamente contornadas.
Infelizmente, várias autoridades políticas e econômicas ao redor do mundo genuinamente acreditam que isso é possível. Para a nossa miséria, a ideia de que imprimir moeda é a cura para tudo é algo que rejuvenesce à medida que se esquecem as experiências passadas.
Assim como vários outros na esquerda, Krugman acredita que temos apenas duas opções: trancar todo mundo em casa e derrotar o novo coronavírus ou permitir que as pessoas vivam suas vidas sem interferência do governo e, com isso, adoecem e morram.
É óbvio que estas não são as únicas opções. E tampouco estamos diante de um dilema. A política original do lockdown, que Krugman endossa, surgiu em decorrência de um modelo epidemiológico completamente fraudulento criado por Neil Ferguson, do Imperial College de Londres, que previu que 2,2 milhões de americanos morreriam a menos que o governo decretasse imediatamente a quarentena de toda a população (sendo que o próprio Ferguson caiu em desgraça e renunciou).
E hoje, após quatro meses de pandemia mundial, já há evidências concretas de que o lockdown não altera o número de mortos per capita. Estatísticos não conseguem encontrar nenhuma diferença de excesso de mortalidade entre os países que se trancaram e os que não.
Logo, é praticamente tão difícil levar o Krugman epidemiologista a sério quanto é impossível levar o Krugman economista a sério.
Para resumir, enfim, a última explosão krugmaniana, temos a seguinte progressão: (a) fechar empresas e proibir pessoas de trabalharem resultou em maciças demissões e em uma taxa de desemprego igual à da Grande Depressão; (b) deixar as pessoas voltarem a trabalhar, empreender e produzir irá resultar em níveis muito maiores de adoecimento, o que irá aumentar ainda mais o desemprego; (c) portanto, imprimir muito dinheiro e manter todo mundo trancado em casa é a solução e tudo ficará bem.
As falácias lógicas são avassaladoras. E não pense que isso é monopólio de Krugman. Ele é apenas o difusor mais famoso. Todos os economistas heterodoxos ao redor do mundo defendem o mesmo: a impressão de dinheiro é a solução.
Se os governos continuarem mantendo as empresas fechadas e ordenando as pessoas a continuarem em prisão domiciliar, as taxas de desemprego irão disparar para níveis sem precedentes, e vivenciaremos uma depressão ainda pior. Como corretamente apontou Elon Musk, se todos estão em casa sem produzir coisas, não mais existirão coisas. E imprimir moeda não vai solucionar isso.
No entanto, Krugman afirma que se os governos imprimirem dinheiro e ainda estimularem o endividamento, tudo estará sob controle. E toda a esquerda progressista pensa o mesmo. Esta não é uma lógica apenas de Keynes, mas também de malucos como Silvio Gesell e os atuais seguidores da Teoria Monetária Moderna.
Para ser honesto, a única coisa que está faltando nesta última fantasia de Krugman é começar o artigo com “Era uma vez…”
Algum estado americano deveria permitir esse tipo de coisa acontecer, só pra ver no que dá.
Boa tarde pessoal. Desculpem pelo meu comentário não ter relação com o artigo, mas o que vocês acharam da fala do Campos Neto de que o Banco Central poderá intervir no câmbio a partir de agora para conter um “descolamento” de desvalorização em relação às outras moedas da região?
E se o Leandro ou alguém experiente puder responder: É possível, com a reabertura da economia, uma suposta estabilização do câmbio e volta da tramitação das reformas, a economia voltar a crescer significativamente e isso fazer o Real voltar a se apreciar? Se sim, acham que as chances disso ocorrer são altas?
A lógica é simples, quando o governo imprime dinheiro pra gerar empregos, ele mata a poupança e consequentemente os empregos futuros, isso de inicio aumenta os empregos porque o povo gasta mais, porém gera desemprego a longo prazo. Ou o governo precisa imprimir cada vez mais, ou parar de imprimir. Se continuar imprimindo a inflação aumenta cada vez mais, se parar de imprimir gera desemprego. É assim que a inflação gera desemprego, apesar de gerar empregos de inicio.
Muitos políticos estão interessados em gerar empregos agora com essa crise afinal as eleições se aproximam. O resultado será mais desemprego ou inflação alta.
excelente! uma pancada realmente forte no keynesiano que acredita nos milagres econômicos que acontecem quando se distribui dinheiro criado do nada. o texto é melhor ainda porque complementa um dos melhores artigos que já li neste site, intitulado “Economistas do lado da oferta vs. economistas do lado da demanda – entenda esta distinção crucial”, texto obrigatório, no meu entender, e cujo link é http://www.mises.org.br/article/3190/economistas-do-lado-da-oferta-vs-economistas-do-lado-da-demanda–entenda-esta-distincao-crucial
O KungFlu tem uma taxa de sobrevivência de 99,8% e uma taxa de mortalidade igual à da gripe (Fonte: Universidade de Stanford). Mais de 90% daqueles que pegam nem sabem que tem. 99% das fatalidades são de idoso com comorbidade.
O sistema imunológico humano já aguentou e já se adaptou a centenas de milhares de vírus ao longo de milhões de anos. O novo corona é mais um. Deve ser tratado como o equivalente a uma gripe sazonal, isolando os idosos mais suscetíveis, e com todo o resto da população voltando ao trabalho, exatamente como foi nos anos anteriores.
Não é um invasor alienígena que irá dizimar homens, mulheres e crianças indiscriminadamente. Mas não é supresa que Krugman esteja capitalizando em cima disso (ele gosta de aliens, como relembra o artigo). Ainda menos surpreendente é a ver a esquerda delirando de alegria. Regozijaram tanto que Lula não se conteve e disse "ainda bem que a natureza criou esse monstro”, pois fará as pessoas voltarem a se submeter ao estado.
Acho que uma tradução melhor para Bureau of Labor Statistics seria algo como Departamento ou Secretaria de Estatísticas do Trabalho, porque a palavra “escritório” é algo que remete ao mercado privado, não uma repartição estatal.
De fato, quem desconhece acha que nos EUA não existe uma social-democracia e que as pessoas demitidas vão passar fome. Muito pelo contrário. Nem mendigo passa fome. Isso é coisa de países pobres como o Brasil e a Índia. Li a notícia da Forbes, realmente um seguro desemprego desses é gostoso, praticamente a renda média da população de lá (que é de US$ 3700 por mês aproximadamente, o que não é uma porcaria). As pessoas reagem aos incentivos. Só ver a farra que está sendo agora com a migalha do auxílio de R$ 600. Claro que tem que existir caridade. Mas ela tem que ser privada, como existiu por tantos séculos, graças à instituições como a Igreja Católica. Mesmo hoje ainda existe tantas iniciativas assim.
Quem não se lembra de quando o Leandro nos disse, anos atrás, de que é melhor ser um desempregado espanhol do que um assalariado brasileiro, ao expor os benefícios de uma moeda forte e uma economia mais livre? Hoje essa disparidade está ainda maior, ainda mais que a taxa de desemprego espanhola, até antes dessa pandemia, era menor do que a taxa no Brasil.
Uma coisa que o Trump poderia fazer é entupir de medidas supply-side, facilitar ao máximo a abertura de novos negócios, entre outras coisas. Se essa notícia estiver certa, comemoremos. Outra coisa seria incentivar a poupança, já que a taxa de poupança nos EUA é baixa.
Não sei se é impressão minha mas o AMLO no México não quer nem salvar o setor privado com endividamento, e ele até está planejando abrir a economia logo logo (não sei nem se lá ele impôs quarentenas e lockdowns). Logo sai meu artigo dele. Descobri fatos interessantes e surpreendentes ocorridos no governo dele.
Enquanto isso, no Brasil, expandindo crédito, dando esmolas e afundando a moeda… parabéns a todos os envolvidos.
Só fazendo um adendo… o que me surpreende é que o Paul Krugman ainda é levado a sério. O cara tem até coluna em jornal, isso mostra que defender economia mainstream ainda paga as contas. E no Brasil há muitos assim, alguns até piores e que defendem abertamente o lixo da TMM.
Alguém poderia me explicar o motivo de nenhum político ou burocrata ter imposto quarentenas e lockdowns na forte pandemia do H1N1? Mero interesse político? O cenário era parecido, aliás, exceto o fato de que aqui no Brasil o Meirelles não deixou a nossa moeda ser destruída.
Infectologista sueco diz que lockdowns não têm base científica
http://www.gazetadopovo.com.br/ideias/infectologista-sueco-diz-que-lockdowns-nao-tem-base-cientifica/
É como as pessoas dizem no interior: “Matando o boi para acabar com o carrapato”… ou seja, para resolver um problema é só destruir tudo.
Leandro, fiquei com dúvidas sobre o seu comentário dias atrás.
Esse longo prazo seria daqui quantos anos? IPCA seria algo de nível Dilma? Ou Collor? Castello Branco? E quanto aos preços das commodities, que você falou que explodiriam em um cenário de crise mundial que atacasse todos os setores agropecuário ao redor do mundo (uma super peste)? De qualquer forma, isso pode refletir na reeleição do Bolsonaro…
“No atual arranjo, o real está claramente subvalorizado porque os juros de curto prazo (Selic) estão tabelados em um valor claramente irreal para o Brasil. Só que o principal culpado destes juros artificialmente baixos (para os padrões brasileiros) é o sistema de metas de inflação, que está perseguindo uma inflação de preços obscenamente alta.
Uma meta de IPCA de 4% já é, por si só, uma valor escandalosamente alto. Mas em meio a uma pandemia que destruiu renda e que gerou uma taxa de desemprego de mais de 20% ao redor do mundo, tal meta é pornograficamente alta. Para alcançá-la já no curto prazo, a Selic tem de ser artificialmente baixa. Se a meta fosse mais realista — por exemplo, IPCA de 2%, como é no primeiro mundo, ou de 3% como é no México, no Chile e na Colômbia (no Peru é de 2%) —, a Selic seria maior, e, como consequência, a moeda não estaria tão destruída.
Não me entenda mal: eu acho que, no longo prazo, o IPCA ficará bem acima de 4% (estamos com choque de oferta e com os BCs do mundo inteiro imprimindo moeda), mas, no curto prazo, o cenário é desinflacionário (previ isso há mais tempo).
Por isso, para alcançar 4% de inflação de preços em um cenário que no curto prazo é desinflacionário, o BC tem de jogar a Selic lá pra baixo. Isso não só destrói a moeda no curto prazo, como ainda complica qualquer combate à carestia no longo prazo, quando os preços realmente começarem a subir (o que tenderá a exigir aumentos na Selic ainda maiores). “
Por que a SELIC tem que ser baixa com o IPCA nessa meta? O que aconteceria se a SELIC aumentasse e a meta de inflação permanecesse a mesma?
Olhem que maravilha:
“Guedes defende que Tesouro compre fatias de aéreas para evitar falências”
Parte da notícia:
“A estratégia é similar à adotada pelo presidente Barack Obama no pós-crise de 2008, quando o Tesouro dos Estados Unidos comprou fatias de empresas automobilísticas, como a GM, para evitar os efeitos de falências em série.
Na reunião que teve com empresários, o ministro também afirmou que cada setor está sendo estudado pela equipe do ministério para se chegar a soluções específicas.
Sobre a saída da crise, Guedes salientou que enxerga um cenário positivo, que chamou de "V".
"[Esse V é assim,] ele cai meio rápido, sobe meio devagar, mas fica pouco tempo lá embaixo, já começa a subir de novo. O Brasil tem capacidade de fazer uma recuperação relativamente rápida. Isso é o que eu acredito. Mas nós vamos ter que entrar em campo para fazer isso acontecer daqui a uns 30 dias", disse.”
Imagina só, salvar um monte de empresa e endividar loucamente. Quem começou a salvar a GM foi o Bush, que foi atender às birras dos executivos. Obama foi fazer isso com a Chrysler, que fundiu com a Fiat. A GM nos EUA só está de pé por causa de seus utilitários (Silverado, Suburban e Tahoe), que por sinal são muito bons e já têm tradição de décadas (assim como os da Ford). Chrysler vide. A Ford foi a única que foi esperta e não foi salva, pelo menos não como foram a GM e Chrysler. Enquanto isso, a Toyota, Nissan, Hyundai e Honda não choraram e a fatia de carros no mercado americano só aumentou desde 2008. Hoje você vê mais sedã de marca asiática do que de marca americana. Os carros de passeio da Chrysler, Chevrolet e Ford praticamente sumiram todos do mercado. Chrysler foi salva duas vezes, na verdade. A primeira vez foi perto da década de 80, quando ela fez aquelas porcarias dos carros K. A marca, que já não tinha uma boa reputação de confiabilidade, piorou após ser comprada pela Fiat.
Lá só não é pior pois o setor automotivo é competitivo, imagina nessa porcaria de Brasil, onde o protecionismo rola solto (e com carros super sofisticados como o Fiat Mobi).
Imagina a farra e a destruição econômica que irão causar no Brasil. Sem contar a corrupção e afins.
No caso dos EUA, já vimos que, graças às atuais políticas estatais (que somam seguro-desemprego dos governos estaduais e federal a mais uma ajuda de US$ 1.200 para cada cidadão), bmuitos trabalhadores estão recebendo de seguro-desemprego benefícios que são maiores que os salários que recebiam quando ainda trabalhavam.
Logo, não é surpresa nenhuma que os pedidos de seguro-desemprego só fazem aumentar
Nos EUA se vc pede demissão vc ganha seguro desemprego também?
Alias, é bom que se diga que nos EUA a ajuda de US$600 dolares semanais (1200 é so para situação muito específica) é em função da situaçlão do seu IR em 2019, não tem a ver se a pessoa está empregada ou nao. Ela pode receber mesmo estando empregada.
Logo, não entendi a lógica da colocação do autor do artigo, alguém consegue me explicar?
Boa noite.
Sou principiante em Economia Liberal, embora tenha uma boa noção sobre ela, mas de boa noção e boas intenções, o Inferno está cheio. Claro, é melhor ter alguma noção do que ser totalmente beócio.
Isto posto, vamos ao que interessa: essa “pandemia” altamente questionável, usada pela esquerda mundial para toler a nossa liberdade, a atitude comunista de ditar onde, quando e por quê sair de casa, essa “novidade” de imprimir dinheiro, é muito, muito surreal.
1984, de Orwell, parece conto infantil perto do que vivemos agora e viveremos no futuro, se nada fizermos para reverter todo esse mal. No Livro do Apocalipse, também conhecido como Book of Revelation, fala em um momento muito crucial da espécie humana, onde o joio será separado do trigo.
Embora não pareça ter similaridade com o atual momento, infelizmente, tem e muito!
O duro é ver muitos liberais, libertários, conservadores, cristãos, defendendo a destruição da economia e o totalitarismo típico de Mao, Hitler, Stálin, Fidel, e outros ditadores, que os vários governantes mundiais impuseram às populações. A ideia de criar uma “Lei Universal”, pela organização esquerdista, ONU, é de corar Lênin e os demais que citei acima.
Que esquerdistas defendam imprimir dinheiro e manter as pessoas presas em casa, nós entendemos, pois são psicopatas que merecem estadia eterna nos hospícios da vida, mas pessoas anti esquerda defenderem isso, é o Caos se apoderando do planeta.
Abraços.
Para se defender dessa impressão criminosa de dinheiro por parte do estado, uma poderosa ferramenta que vem crescendo são as criptomoedas. Com elas é possível usar uma moeda que não tem inflação estatal, que possui privacidade, que traz descentralização, entre outros benefícios.
Precisamos tomar essa liderança e ir adotando e usando criptomoedas para tudo. Torná-las mais populares.
Pessoas, comecei a ler o livro do Jorge Caldeira, o “A História da Riqueza do Brasil”, muito bom por sinal e mostra um Brasil desconhecido.
Entretanto, eu peguei um trecho do livro e que me chamou atenção (página 256), durante o governo de Dom Pedro I, e me causou dúvidas. O trecho é este:
“O Banco do Brasil se tornara a peça central para manter um governo que gastava muito e arrecadava pouco, empregando um método ainda desconhecido na economia local. O governo emitia títulos de dívida e estes eram adquiridos pelo banco com o dinheiro que os depositantes deixavam em seu caixa. A posse do título conferia ao banco o poder de emitir notas de papel que tinham circulação oficial como dinheiro. Na hora de fazer o balanço, o banco contabilizava os títulos como ativos e os juros que eles pagavam como lucro. O esquema criava dois fluxos de dinheiro. Um carreava os recursos dos depositantes para os cofres do governo, outro ia do banco para os seus acionistas. Como o governo pagava apenas os juros, o banco emitia sempre mais – algo que interessava aos acionistas. Para todos os demais brasileiros sobrava dinheiro de papel, que cumpria a mesma função da moeda falsificada.”
Então, deixem ver se eu entendi: o banco emitia notas de papel que eram usadas como cédulas de dinheiro na economia pelas pessoas? Por que o banco emitia sempre mais essas notas? Os acionistas eram beneficiados em quanto mais notas o banco podia emitir? O dinheiro que os depositantes depositavam ia para comprar os títulos do governo, portanto emprestando dinheiro para o Tesouro?
Esse sistema me lembrou muito o sistema bancário de hoje.
Leandro, você disse que hiperinflação não costuma durar muito tempo. A Venezuela atualmente seria exceção?
Pessoas, eu vi uma notícia do AMLO que me chamou a atenção, onde ele simplesmente se recusou a endividar o governo para salvar a CCE (seria uma FIESP que come tacos?). O plano é esse.
Esse trecho da primeira notícia me chamou a atenção:
“Ele afirmou que, se os empresários mexicanos estão em crise e enfrentam falência, são eles que devem arcar com os custos e não as pessoas.
“Se você for à falência de uma empresa, deixe que o empresário, os parceiros ou acionistas assumam a responsabilidade”, concluiu AMLO.”
Assim como no Brasil, no México foram também impostos os lockdowns e quarentenas (só que lá foi de nível federal, enquanto aqui os prefeitos e governadores inovaram, apesar da postura do Bolsonaro). Dito isso, esse setor que pediu por socorro foi também afetado. E aí me ficou um dilema: será que o fato de o setor ter sido prejudicado, justifica economicamente e eticamente os socorros? Pelos ciclos econômicos, sabe-se obviamente que não, os socorros feitos pelo governo americano produziram corporações mimadas e ineficientes. E em ciclos econômicos, o governo é que gera esses ciclos (a não ser que em um cenário sem interferência estatal, houvesse as reservas fracionárias junto, o que acho improvável).
Entre as medidas que lá foram colocadas, houve também a pitada demand-side, com crédito e empréstimo e o que foi considerado como “estímulo aos preços da gasolina” (ele afirmou que não haverá aumento nos combustíveis, mas desde o governo Peña Nieto que não há mais subsídios e controles de preço no setor). Só encontrei isso.
Outra dúvida que me ficou é se haveria algum site para ver qual o percentual que o petróleo representa no PIB de um país. Já pesquisei o Trading Economics e demais sites, e não achei.
É fato que em arranjos de câmbio atrelado, o risco de ataque especulativo é grande, por causa da mistura da política cambial e monetária. Assim sendo, seria Bolívia uma exceção? Na Bolívia o arranjo existe deste o fim de 2008! No Brasil, o câmbio atrelado não durou nem 5 anos. Só se lá na Bolívia o regime é diferente, vai saber…
Por incrível que pareça, esse arranjo cambial é ainda relativamente comum ao redor do mundo, particularmente em países muito pobres e sem muito protagonismo na economia mundial (como Iraque, Gabão, entre outros). Seria essa falta de protagonismo algo que faz com que os especuladores não ataquem?
No Haiti o arranjo é denominado de soft-peg arrangement. Além do gourde haitiano, o dólar americano também pode ser usado lá. Espero que um dia o Haiti saia disso.
Aquilo que o Leandro disse, de que os países enriqueceram ou sob padrão-ouro ou câmbio atrelado, cada vez me faz mais sentido. Nenhum país que crie uma moeda fiduciária, do nada, vai ter a sua moeda aceita. Se você criar um câmbio flutuante, uma moeda é realmente um pedaço de papel que vai servir apenas como papel higiênico. O real é uma porcaria mas ele veio da herança de quando ele estava lastreado em dólares.
Leandro, por que essa restrição na exportação de gás natural nos EUA não gerou redução na oferta interna, já que você disse que se a exportação de carne fosse restringida aqui no Brasil, não aumentaria a oferta e sim diminui-la?
No cenário do mundo de hoje, não poderia surgir grupos lobistas de importadores que façam pressão por tarifas menores e moeda forte?
Você acha que o Japão poderia se destacar agora na economia mundial pois, apesar de estar estagnado, não impôs as medidas de quarentena e bloqueios como grande parte do mundo? Um dia sairão disso? Eu tenho até fé, porque o país não tem problemas de infraestrutura (só ver a extrema agilidade e competência para reparar as estradas após os terremotos de 2011, com perfeição), insegurança patrimonial e jurídica comuns a países pobres como o Brasil. Óbvio que o estado japonês tem alguns traços de autoritarismo que assustam até brasileiros. Apesar do protecionismo, há uma fartura de opções de carros domésticos que nem se sonha por aqui (é, acho que só tem carro de marca japonesa). Mas eu posso estar errado. Problemas crônicos como os do Brasil levam décadas para a resolver, isso se fizerem algo. A CF/88 já é o erro central.
Por que o setor agropecuário brasileiro normalmente é mais robusto contra crises? Acho que os subsídios não fariam sentido, já que a indústria brasileira, que também é subsidiada, se ferrou bastante nos anos do governo petista após 2014.
Pena o potencial não ser explorado por inteiro, graças às extensas regulações e impostos. Imagina só trocar acres e acres de terra de cana por feijão, arroz e outros gêneros (vale lembrar que o setor sucroalcooleiro inchou graças à tupiniquim obrigatoriedade de ter 27% de etanol na gasolina vendida no Brasil, além do fato de que carros flexíveis em combustível pagam menos impostos). Aliás, era para a gente ver o etanol sendo vendido a coisa de R$ 1,50 para menos o litro. Aquilo só é álcool etílico e água. Não sei nem se um dia poderia surgir um motor a etanol com grande eficiência, mas suspeito que não, já que é só aqui que ficamos com isso. Ok, nos EUA tem e existe até carro com motor V8 flexível em combustível, mas lá quase ninguém usa no carro (por isso que não tem em tantos postos).
Puxa vida, isso é coincidência. No dia que caiu o site do IMB, o dólar chegou hoje a R$ 5,04, menores valores desde 3 de março!
Que vocês acham?
PS: Vamos ver se o Guedes e afins defendem câmbio flutuante mesmo, ou isso se aplica somente para quando o câmbio flutua para cima.
Pessoal, olha que maravilha, a esmola dos R$ 600 pode se tornar permanente. E, além disso, olhem só que beleza:
“O PL 3023/20 determina ainda diferentes fontes para o financiamento do Programa Renda Básica Brasileira. Aumenta a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das instituições financeiras de 20% para 25%. Estabelece também a cobrança de Imposto de Renda sobre lucros e dividendos, e eleva de 15% para 20% a alíquota desse mesmo tributo sobre juros do capital próprio.
O texto cria uma nova contribuição com a mudança da destinação do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), mantendo as atuais alíquotas – esse fundo setorial acumula atualmente quase R$ 2,1 bilhões em saldo retido no Tesouro Nacional. Além disso, prevê que o governo utilize no programa o superávit financeiro do Tesouro apurado em balanço dos exercícios anteriores.”
Paulo Guedes sempre defendeu renda mínima, isso até o Milton Friedman defendeu.
E sabem o que é pior? Ao contrário do projeto das fake news, esse passa com mais facilidade. Mentalidade estatista ainda está encalacrada na população, ainda mais em um país onde criticar a CLT ainda é heresia. Basta falar contra isso em qualquer postagem bolsonarista e você verá.
Dado o fato de que a curva de juros já inverteu há algum tempo, estamos em uma recessão americana que está sendo postergada a todo custo pelos burocratas do Banco Central Americano?
O que vai ser após tudo isso?
Com tudo que está acontecendo, o que vocês acham que vai acontecer se a esquerda voltar com força em 2022?
Por exemplo, o que vocês acham que aconteceria caso Ciro Gomes fosse eleito? O que esperar de um governo dele?
Uma pergunta que parece um tanto estúpida, eu sei: o assistencialismo não poderia fazer com que, com menor demanda por empregos, aqueles que estarão dispostos a conseguir um emprego a todo custo (talvez por uma questão moral) sejam beneficiados com menos concorrência de outros candidatos pela mesma vaga de emprego, ou os empregadores logo perceberiam isso e ofereceriam menos vagas de emprego? Até que ponto a questão moral poderia interferir no assistencialismo? Eu já vi brasileiros implorando para que o Bolsonaro (pelo menos em um vídeo gravado em Brasília de pessoas falando diretamente com ele) cessasse os lockdowns e que eles não queriam receber esmolas.
Ou isso estaria naquela questão igual nos ciclos econômicos: eu sei que daqui alguns anos os juros irão subir e reverter o ciclo de expansão, mas se eu não investir agora nessa farra de juros, o concorrente fará isso antes de mim e eu posso quebrar antes de o ciclo econômico acabar.
A montadora norte-americana Ford anunciou nesta segunda-feira que vai fechar suas três fábricas no Brasil neste ano e assumir encargos antes de impostos de cerca de 4,1 bilhões de dólares, já que a pandemia de Covid-19 ampliou o nível de ociosidade de sua capacidade de produção.
http://www.moneytimes.com.br/ford-vai-encerrar-operacoes-no-brasil/
Repitam todos:
“Fique em casa! A economia a gente vê depois…”
"Os verdadeiros patrões, no sistema capitalista de economia de mercado, são os consumidores."
Mises
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O que eu havia perguntado meses atrás sobre a possibilidade de sobrar empregos por causa do assistencialismo, acabou se confirmando. Problema também está tendo no Reino Unido, só que lá tem também a questão de que os caminhoneiros estrangeiros estão proibidos de voltar para o país e trabalhar.
Se continuar assim, vão ter que substituir por pessoas que querem trabalhar (talvez de fora do país, já que os que estão “dentro” não querem trabalhar…).
Aqui no Brasil, é o contrário: uma massa de pessoas procurando por emprego e escassez de vagas.