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A guerra comercial é uma ameaça real, mas a verdadeira encrenca é o sistema bancário chinês

Esta semana, o Banco Central da China anunciou uma
desvalorização do yuan em relação ao dólar. A taxa de câmbio saltou de ¥6,85
por US$1 para ¥7,05 por US$1.

Embora possa parecer pouco, há um grande simbolismo
nesta atitude: tal valor é o maior
dos últimos 11 anos
.

O governo americano retaliou acusando oficialmente a
China de “manipuladora
cambial
“, uma medida que Washington sempre ameaçou fazer, mas que até então
nunca havia realmente efetuado.

A ironia, no entanto, é que, ao contrário do sempre
disseram a mídia e figuras do governo americano, a moeda chinesa não só não era artificialmente desvalorizada,
como, ao contrário, sempre foi artificialmente valorizada. Confira no gráfico a taxa de câmbio do yuan em relação
ao dólar desde o ano 2000.

renm.png

Figura
1: evolução da taxa de câmbio Yuan/dólar

Observe que, até o início de 2005, eram necessários
8,28 iuanes para comprar um dólar. Era um câmbio fixo. Desde então, o yuan
começa a se apreciar em relação ao
dólar, com o ápice da apreciação ocorrendo ao final de 2013, quando um dólar
passou a custar apenas 6,05 iuanes.

De 2014 ao início 2017, aí sim, ocorreu uma
desvalorização, a primeira desde o fim do câmbio fixo (não coincidentemente, a
economia chinesa desacelerou
fortemente desde então
).

Após uma rápida apreciação ocorrida entre 2017 e
2018, o yuan voltou ao valor do início de 2017 e se manteve ali até esta
semana, quando foi realmente desvalorizado.

Ou seja, a China, na realidade, vinha mantendo sua
moeda apreciada, e não depreciada. Há, inclusive, analistas que afirmam que, se
o governo chinês sair do mercado de câmbio e deixar a moeda flutuar — como
quer o governo americano –, o yuan iria se desvalorizar
de 30 a 40%
. Exatamente o oposto do que deseja o governo americano.

Como era de se esperar de um conflito puramente
político, a medida do governo chinês de deixar a moeda desvalorizar tem menos a
ver com fatos e mais a ver com posicionamento político, dado que a guerra
comercial
entre Trump e o Partido Comunista Chinês voltou
a esquentar
.

A reação dos mercados financeiros ao ressurgimento
desta batalha de egos entre os líderes das duas maiores economias do mundo foi
significativa. As moedas
de todas as economias emergentes derreteram. [N. do E.: o real, que vinha se
fortalecendo perante as principais moedas do mundo, desabou, com a cotação do
dólar indo
de R$ 3,75 para quase R$ 4 em apenas três dias
]. As bolsas de valores ao
redor do mundo desabaram.

O fato de terem caído com a notícia de algo que já vinha ocorrendo desde 2017
mostra que os mercados financeiros esperavam algum tipo de acordo de
cavalheiros entre os dois países. Talvez esperassem que Trump estivesse
desejoso por um acordo, já que estamos adentrando a temporada eleitoral nos EUA
(e nenhum presidente americano é reeleito quando a Dow Jones e o S&P 500
estão em queda). Ou então imaginavam que os distúrbios
anti-governo em Hong Kong
amolecessem Pequim.

Em todo caso, a queda dos mercados financeiros com a
notícia ressalta um problema ainda mais fundamental: os agentes financeiros
ainda acreditam que as políticas protecionistas de Trump representam o principal risco para a
economia da China
.

Só que isso não é verdade.

Apenas para não deixar dúvidas: as tarifas de
importação implantadas por Trump sobre os produtos da China têm sido uma
tormenta para o governo chinês. Não apenas elas impactaram as exportações
chinesas para os EUA (que
caíram quase 8% em julho
), como também — e talvez ainda mais importante –
as tarifas retaliativas que a China impôs sobre produtos americanos (particularmente
produtos agrícolas como soja e carne de porco) contribuíram para aumentar os preços dos
alimentos no país
.

Este aumento no custo de vida, em conjunto com uma
redução no crescimento econômico — o qual Xi Jinping rotulou
como sendo “o novo normal”
–, certamente traz pressões singulares e
inéditas sobre o Partido Comunista. (O que apenas mostra como tarifar produtos
estrangeiros
é uma medida ignara, pois sempre afeta a
população
).

Tudo isso, no entanto, é uma ameaça menos grave
quando se leva em consideração o real problema que assombra a China: um sistema
bancário em crise.

Bancos inflados e insolventes

Dois meses atrás, o governo chinês encampou
o Baoshang Bank
, uma pequena instituição sediada na Mongolia. O que foi
realmente notável neste ato não foram as ações tomadas pelo governo, mas sim o
fato de que a medida
foi noticiada
. Embora o Partido Comunista Chinês (PCC) certamente
tivesse o poder de manter suas ações secretas, com vários especulando que
medidas similares já foram tomadas no passado, os próprios burocratas fizeram
questão de eles próprios alertarem a
imprensa sobre suas ações
. Eles até mesmo escolheram a Reuters, em vez da
mídia tradicional chinesa, para fazer o anúncio.

Há quem diga que esta medida do governo foi
calculada para ser vista por todos como um sinal de que o PCC está a par dos
amplos problemas em seus bancos regionais e está preparado para tomar as
medidas necessárias. Com efeito, após essa medida, o governo criou um novo
programa de seguro de depósitos
, com o intuito de “ajudar instituições
financeiras a lidar com riscos e criar mecanismos de saída”.

Ao final de julho, descobriu-se que outro banco
estava em crise, desta vez o maior e regional Banco de Jinzhou. Embora feita de
maneira distinta da explícita encampação do Baoshang, novamente o governo
chinês teve de vir ao socorro: instituições financeiras estatais injetaram
capital diretamente no banco
.

Embora até seja possível que Baoshang e Jinzhou
sejam incidentes isolados, vários analistas especializados em China estão
alertando que estes são apenas os primeiros tremores de um sistema financeiro
sobre-alavancado que está começando a sofrer as consequências de anos de expansão artificial do crédito.
(Ver também aqui e aqui).

O país vivenciou uma maciça expansão do crédito na
última década. Desde 2008, toda a dívida existente no país em relação ao PIB
praticamente dobrou, ultrapassando
300% do PIB em 2019
(a espantosa quantia de US$ 34 trilhões). Dado que o
mundo também apresenta altos níveis de endividamento, seria fácil ignorar estes
dados chineses, mas há uma variedade de motivos por que os níveis de
endividamento da China são particularmente preocupantes.

Para começar, o principal componente da dívida
chinesa não é a dívida do governo, mas sim a dívida das empresas. Em 2017, de acordo com o FMI,
a dívida corporativa foi de 160% do PIB. (A título de comparação, a dívida
corporativa americana, que é considerada alta, é de 48% do PIB). Ainda mais
inquietante é o fato de que as empresas controladas pelo estado foram as mais
agressivas em assumir riscos: elas pegaram 85%
de todos os empréstimos feitos no país
.

Obviamente, o fato de serem controladas pelo estado
concedeu a estas empresas uma vantagem comparativa no mercado de crédito, o que
contribuiu para afugentar e impossibilitar o acesso de empresas privadas a empréstimos.
E, também obviamente, empresas controladas pelo estado não estão interessadas
em lucratividade, mas sim em atender aos desejos políticos dos líderes governamentais.
Elas operam visando à política, e não a resultados econômicos. A consequência inevitável
é que vários desses empréstimos foram tomados para efetuar projetos que nunca
foram lucrativos. Ou seja: é uma dívida que simplesmente jamais será quitada.

O
sistema bancário paralelo (shadow banking)

Há outras razões por que a situação de endividamento
da China é mais volátil do que a de outros países. Eis
uma delas
:

A
dívida chinesa é avassaladora não por causa de seu volume – mais de US$ 34
trilhões  — mas sim porque a cifra
quadruplicou em sete anos (2007-2014). … Não é apenas a velocidade do crescimento
da dívida; sua composição também preocupa. Quase metade dela foi direcionada ao
setor imobiliário e aos setores relativos a esta indústria, e pelo menos outros
30% advém do sistema
bancário paralelo
(“shadow banking”), cujos critérios financeiros são altamente
questionáveis.

O sistema bancário
paralelo
(shadow banking) mencionado
acima é outra área que sempre
preocupou os burocratas do PCC
.

O shadow
banking
envolve instituições financeiras que oferecem retornos mais altos sobre
os depósitos de clientes para fazer o que eles chamam de “gestão de recursos”. Este
dinheiro é então emprestado a empresas que não conseguem obter empréstimos tradicionais.
O shadow banking se tornou extremamente
atrativo no país devido à sua capacidade de pagar juros maiores do que as
contas bancárias tradicionais.

A própria natureza do shadow banking carrega em si mais riscos do que o sistema bancário
tradicional. Dada a predominância das empresas estatais no mercado de crédito
(quase apenas eles conseguem obter empréstimos), o sistema bancário paralelo se
tornou uma desesperadoramente necessária fonte de crédito para empresas
privadas, ainda que a juros muito maiores. Embora Pequim tenha tentado —
exitosamente — reduzir o crescimento do setor no ano passado, tais esforços
foram abandonados em decorrência da atual guerra comercial, o que fez com que o
setor voltasse
a crescer em 2019
.

Trazendo a história de volta para os anteriormente
mencionados socorros bancários, boa parte do sistema bancário paralelo chinês opera
em conluio com bancos regionais, tais como os bancos de Baoshang e Jinzhou. À época
de sua tomada, acreditava-se que 25%
dos ativos do Baoshang eram investimentos no sistema bancário paralelo
.

Simultaneamente, a Moody’s alerta
que essa modalidade de crédito (arriscados empréstimos feitos pelos bancos
convencionais ao sistema bancário paralelo) está crescendo rapidamente (foi de
100 para 300 bilhões de iuanes em três anos), colocando todo o sistema bancário
tradicional em risco.

Outro alerta está no fato de que os balancetes dos
bancos chineses são particularmente intrincados. Como observou
a Bloomberg
, o socorro ao Banco de Jinzhou foi adicionalmente complicado
pelo fato de que “os balanços contábeis do banco estavam tão confusos e desorganizados,
que ninguém ainda conseguiu decifrar e divulgar os dados de 2018”.

E complicando ainda mais a situação estão a desconfiança
generalizada nas empresas de auditoria chinesas e a baixa confiabilidade das demonstrações
financeiras dentro do país, como relatou o The Wall Street Journal no início deste
mês.

Portanto, a qualidade destes empréstimos – tanto no
sistema bancário tradicional quanto no paralelo — é uma enorme interrogação que
os reguladores chineses estão tendo de decifrar à medida que vão tentando
entender essas instituições.

Tudo isso ajuda a ilustrar por que há crescentes preocupações
com o sistema bancário chinês.

Adicionalmente, a eventual insolvência destas instituições
tem consequência para seus pares. Imediatamente após o encampamento do
Baoshang, houve um acentuado aumento nas taxas de juros dos empréstimos interbancários
e nas exigências de colateral (garantia), com os grandes bancos se tornando
mais cautelosos até mesmo em seus empréstimos para instituições de mesmo
tamanho.

Com efeito, os quatro
grandes bancos da China
viram os preços de suas ações cairem às mínimas históricas
esta semana, com temores de que eles seriam convocados a socorrer instituições menores
no futuro próximo – um sinal de que ninguém imagina que os pânicos bancários estejam
perto do fim.

Quantas dessas instituições estão com problemas?

Kyle Bass, gestor de fundos multimercado que há muito
vem alertando que o sistema bancário chinês é insolvente, afirmou que
há “aproximadamente 500 bancos na China que são tidos pelo próprio governo como
problemáticos”.

Se for verdade, é possível que o PCC esteja próximo
de enfrentar sua maior crise financeira da era moderna.

Para
concluir

Embora seja particularmente difícil para um
estrangeiro ter uma visão sólida da real força da economia chinesa, há fortes
motivos para acreditar que o país possui um sistema bancário altamente
alavancado, com uma carteira de crédito composta por empréstimos de qualidade
duvidosa e com calotes crescentes.

Embora praticamente toda a mídia permaneça concentrada
em Trump e no guerra comercial, a maior ameaça à economia chinesa pode vir a
ser uma maciça bolha financeira criada por eles próprios.

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78 comentários em “A guerra comercial é uma ameaça real, mas a verdadeira encrenca é o sistema bancário chinês”

  1. Algumas dúvidas: por que houve a desvalorização do yuan?

    E por que o governo chines deixou se desvalorizar e não resolver valorizar o yuan?

  2. Boa noite!

    Excelente artigo, mas eu gostaria de saber se algo positivo virá desta “guerra comercial” entre China e Estados Unidos. Eu me pergunto pelo setor do agronegócio: farelo e óleo de soja, soja em grão, milho em grão, suco de laranja, açúcar, carne de frango e de porco, carne bovina, café, entre outros. Se os chineses pararem de comprar alguns desses produtos dos EUA, eles poderiam comprar do Brasil? Ou não?

  3. Só sei que ser americano deve ser muito bom. Lá, o presidente pode anunciar qualquer medida anti-mercado, como essa agora de taxar produto chinês, e o que acontece com o dólar? SE VALORIZA.

    Aqui, se um vereador vai pro Twitter e fala mal de um deputado, real e bolsa desabam.

    Povo privilegiado esse americano!

  4. Eduardo Alves Ramos

    Já morei na China por dois anos (sou engenheiro aeronáutico). A única cidade que funciona a contento é Xangai. Nas outras você nem sequer consegue sacar dinheiro nas ATMs, que sempre estão quebradas. E o pior é que a esmagadora maioria do comércio só trabalha com dinheiro.

    Xangai é pujante mas a pobreza nas outras cidades principalmente nas periferias delas é dantesca.

    Fora o ar que é irrespirável. São Paulo é um paraíso em comparação.

    Há obras grandiosas e faraônicas no país. Os hotéis voltados para os turistas ocidentais são tão monumentais que beiram a extravagância. Só o lobby do Hotel Shangyu tem a altura de um prédio de 6 andares e eu tive de andar uns 800 metros (juro) só pra chegar ao meu quarto, o que incluía uma escada rolante absolutamente gigantesca, típica de metrô.

    Só que tudo era só aparência. Os serviços do hotel eram péssimos. A piscina tinha uma água esverdeada e tinha lixo boiando nela (e era verão). O ar condicionado estava estragado, e a recepção informou que estava assim durante todo o verão.

    Ou seja, o hotel era só visual; nos serviços, era menos que funcional. Isso é típico de todos os hotéis fora das áreas turísticas.

    Mas o que mais me chamou a atenção foi a megalomania dos aeroportos. Os principais foram projetados pensando no A380. Consequentemente, os portões são grandes demais para os aviões convencionais, os quais são obrigados a estacionar no tarmac e esperar os passageiros via ônibus ao mesmo tempo em que as pontes de embarque dos terminais estão vazias. Isso causa inúmeros atrasos nos vôos. O aeroporto de Hangzhou foi eleito o segundo pior do mundo em termos de pontualidade: apenas 42% dos vôos saem no horário.

    De resto, é raro ver o verdadeiro povo chinês se beneficiando de qualquer coisa. Quase sempre só dá a elite do PC chinês e os empresários ligados a eles. (Nos próprios eventos de minha empresa havia figurões do PC e grandes empresários do ramo, pois você não consegue fazer nada lá sem a permi$$ão de burocratas).

    Muita gente pensa que a China é uma potência irrefreável. Mas só fala isso quem conhece apenas os centros turísticos. Quando se sai dali é possível ver que as estruturas são podres.

  5. Artigo que estava faltando,bom, os comentarios interessantes de quem conhece e percebe na “epiderme” a coisa real.

    Não precisa ser genio, DUMPING,capital investido em função de resultados politicos, BANCOS SEM CADERNOS EM DIA E EXTRAVIADOS …não precisa dizer mais.

    A “CRUZADA CHINESA NO MUNDO ” ficara na história, esculhambou os mercados de trabalho no mundo,atropelou,destruiram estruturas industriais do ocidente com seus produtos chineses e precificação distorcida.bancos com cadernos extraviados,lembra , outra história “GRANDE DEMAIS PARA QUEBRAR”, em Wall Street ,só que pelos dados apresentados,numa escala muito maior.

    Funciona ainda a maxima:”com dinheiro não se brinca”, o tempo dirá, o tempo dirá…

  6. Saindo um pouco do tema há um bom tempo venho pensando sobre a proposta de capitalização privada proposta pelo Guedes, mas que foi amplamente rechaçada pela mídia. Eles fizeram uma compação com o Chile onde os aposentados acabaram tendo pensões baixas, MAS TEM UM DETALHE, nem mesmo a equipe do governo se atentou em rebater dizendo que no Chile eles aplicam apenas 8% do salário do trabalhador na previdência privada….

    NO BRASIL 31% DOS NOSSOS SALÁRIOS VÃO PARA O INSS (20% O PATRÃO PAGA SEM APARECER NAS NOSSAS FOLHAS DE PAGAMENTO E 11% PAGAMOS COM DESCONTO EM FOLHA!!!!).

    Qualquer pessoa aplicando 30% do salário durante toda sua vida produtiva CHEGA AOS 65 ANOS MILIONARIO É SÓ FAZER AS CONTAS!!!! SÓ COLOCAR NUMA CALCULADORA DE TESOURO DIRETO DA VIDA.

    O salario médio do brasileiro é 2.100 reais, peguei 1 terço 700 reais, coloquei uma simulação de aplicação mensal no tesouro selic por 360 meses (30 anos) se acumula R$672.000,00 – total investido R$252.700,00 – rendimento 420.000,00!!!

    Logico existem aplicações mais vantajosas e provavelmente o trabalhador vai trabalhar mais que 30 anos e contribuir com mais que 700 mês, então chega milionário aos 65 anos fácil.

    Factivel que num sistema de previdência privada teriamos no Brasil um país de APOSENTADOS MILIONARIOS!!! E estou falando só do peão comum que ganha 2 salários mínimos, quem ganha de 5 a 10 mil chegaria com alguns milhões na conta.

    Gostaria que vocês do MISES fizessem um estudo mais aprofundado e matéria sobre esse tema tão importante. Obrigado. Denis.

  7. Quanto da potencial recuperação econômica brasileira após as reformas econômicas será consumida com este cenário internacional deteriorado?

  8. Que a China um dia passará por uma crise financeira, não é novidade para ninguém. A dúvida é como o partido comunista chinês reagirá a uma crise.

    Veja, os ciclos da economia americana são bem conhecidos: longo períodos de expansão seguido de uma recessão.

    Mesmo com toda a gritaria política em ambos os lados do espectro político, há uma certa previsibilidade sobre a economia americana, suas instituições e sua moeda.

    Mas sobre a China não há previsibilidade alguma. A propaganda oficial do PC é de que eles vão crescer até o céu e dominar o mundo. Prometem isso a sua população e já agem como se fossem a super potência que sonham um dia ser. Haja vista seus gastos militares e suas ações no mar do sul da China.

    Imagina para os burocratas chineses terem que adiar seu domínio sobre o mundo, enfrentando uma crise no demonizado sistema financeiro. Pode haver na China um recrudescimento em termos econômico, estatização do sistema do financeiro seguido de um aumento do intervencionismo estatal e do Keynesianismo econômico, que só tendem a agravar as grandes distorções que existem na economia chinesa.

  9. Cara, estou muito interessado em saber o que é isso aí que vcs estão falando, explique aí anônimo.

    Que diabos é isso de gdp ppp ???

    Só não me venha com links de YouTube ou Wikipedia.

  10. Pessoal, estou com dúvida que me ocorreu agora.

    Sabemos que grande parte dos gastos brasileiros são engessados. Nas palavras do próprio Guedes quase tudo já vem “carimbado”. Sendo assim, não dá para esperar muitos cortes de gastos.

    Mas suponha que o Guedes/congresso resolvesse dar uma banana para isso e resolver cortar impostos a rodo SEM SE IMPORTAR COM O CRESCIMENTO DA DÍVIDA.

    Do ponto de vista moral isso seria correto. Afinal, não fomos nós que fizemos a dívida. Sendo assim, por qual motivo estamos sendo espoliados para pagá-la?

    Mas isso seria bom para a economia? Por um lado teremos corte de impostos mas por outro a bomba relógio da dívida iria explodir. A minha pergunta é: É melhor redução de impostos e aumento de dívida pública ou manter os impostos mas pagando a dívida (o que parece ser o plano de Guedes. Ele quer privatizar e usar a grana para pagar parte da dívida pública)?

  11. As curvas de juros dos títulos do tesouro americano finalmente se inverteram. Isso significa que daqui 6 meses haverá uma recessão severa nos EUA.

    Isso pode ser danoso ou benéfico para o Brasil, dependendo da maneira como encararem a situação O QUANTO ANTES.

    O Brasil precisa, urgentemente, desburocratizar o que é necessário para investimentos estrangeiros, principalmente americanos, serem feitos aqui.

    Se algum chegado ao Paulo Guedes visita esse site, por favor avise que todos os esforços devem ser destinados para os investimentos estrangeiros serem facilitados nessa republiqueta.

  12. Seria muito curioso se o PCC mudasse de estratégia e tornasse a China o paraíso do livre mercado, algo como Hong Kong já é, ao estilo Pinochet por falta de outro exemplo. em níveis radicais: solidificar sua moeda com base no ouro, abrir totalmente o mercado, corrigir o sistema bancário e matar o mercantilismo de vez. Infelizmente são coisas para o longo prazo, seria hilário ver a reação do Trump contra tais medidas.

    O que vocês acham que isso poderia causar no mundo, na própria China e no próprio partido chinês?

    Minha opinião: A China dominaria o mundo mas o PCC teria muita chance de ser extinto por ondas democráticas.

  13. “os balanços contábeis do banco estavam tão confusos e desorganizados, que ninguém ainda conseguiu decifrar e divulgar os dados de 2018”

    Mas isso é óbvio. Imagina decifrar um balancete em mandarim? Eu iria demorar décadas…

  14. Os países gigantes são vítimas do seu próprio tamanho: demoram mais para sentir os efeitos de práticas keynesianas e marxistas do que os países pequenos. São como o sujeito que se torna alcoólatra [em parte] por causa da sua alta tolerância ao álcool.

    * * *

  15. Ótima reportagem, esclarece como pensa e opera o BC chines e o PCC.

    Parabéns pela imparcialidade!

    Gostaria de aproveitar o momento que estamos falando sobre as 2 maiores economias do mundo que também possuem as maiores dívidas.

    Os USA tem um dívida acumulada de US$22 Trilhões que é muito alta em relação ao PIB mas não tão alta em relação a China.

    http://www.usgovernmentspending.com/debt_clock

    Gostaria de entender por que apesar desse número ser astronomico, o governo central continua aumentando a dívida em 700 Bilhoes por ano e parece que não reflete na economia e no sistema financeiro.

    Aqui vemos o nosso governo fazer de tudo para cortar gastos / reduzir despesas para pagar o superavit primário e não aumentar a dívida pública.

    Se puder falar um pouco sobre isso ficaria muito grato.

  16. Desde o fim de abril de 2020, o renminbi só tem se valorizado. A cotação atual está por volta de 6,69 renminbis por dólar, valor próximo ao de 31 de janeiro de 2019, 2 de julho de 2017 e 31 de agosto de 2016.

    Tem gente que ainda fica surpreso sobre a decisão da Sony tirar fábricas do Brasil por ser incapaz de competir com a China (e com a Coreia do Sul). Claro que, além do câmbio, há outros fatores envolvidos nessa decisão de investimento. Por mais que a China seja um país grande, a sua pauta de importações também é grande e muitos insumos utilizados na indústria também são importados. Hoje eles são uns dos principais beneficiados das exportações brasileiras de commodities, como a soja e a carne.

    E o renminbi se valorizou por volta de 4% nesse ano em relação ao dólar, chegando nesse quesito perto do iene japonês, o qual se valorizou 2,74%. Acho isso bastante interessante. Eis o gráfico comparando com o franco suíço e com a libra esterlina. Gráfico comparando o renminbi em relação ao ouro. Será que a China quer desafiar o dólar, diante desses dados?

    Agora, além disso, uma pergunta dentro do mesmo assunto: será que viveremos aquele cenário incrível de dólar se valorizando fortemente em relação ao ouro, como ocorreu entre 1980 e início dos anos 2000, ou isso é impossível? Para mim foi um grande feito, uma moeda fiduciária conseguir se valorizar por tanto tempo em relação ao ouro. Paul Volcker tem seus defeitos (o Greenspan eu não conheço quase nada, mas ele me parece ser também supply-sider), mas ele inegavelmente acabou com a inflação. Falta alguém assim aqui no Brasil.

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