Na semana passada, o presidente Americano Donald
Trump, frustrado que o Congresso não tenha aprovado o financiamento para a construção
do muro na fronteira com o México, propôs implantar crescentes
tarifas de importação sobre os produtos mexicanos até que o México
interrompa o fluxo de imigrantes ilegais para os EUA.
De
acordo com Trump, as tarifas começariam em junho, de 5% sobre todos os
produtos mexicanos importados. Dali em diante, iriam aumentar gradualmente até
chegar a 25% no final de setembro.
Esta ameaça vem na esteira de outra ameaça, que
é feita recorrentemente: o governo americano simplesmente fecharia a
fronteira entre México e EUA por um longo
período de tempo até que, de novo, o México interrompesse toda a imigração ilegal
para os EUA. Esta ameaça, no entanto, ainda não se concretizou.
É claro que é perfeitamente possível discordar da política
de imigração que vigorou nos EUA há décadas, bem como das estratégias de vigilância
da fronteira. No entanto, abalar o comércio com o México irá afetar, além das
empresas mexicanas, os consumidores e as empresas dos EUA.
E o próprio presidente Trump demonstra saber disso.
Quem
paga as tarifas
Tarifas de importação nada mais são do que impostos que
incidem sobre a compra de bens importados. A mercadoria importada chega ao
país (de avião, navio, caminhão ou trem) e, ao ser desembarcada, lá está um
burocrata da alfândega para impor uma taxa ao valor total que o importador
pagou.
Isso significa que, de um lado, o consumidor terá de
pagar mais caro, pois, ao valor final do produto foi acrescentada uma taxa pelo
seu próprio governo. Já o produtor (estrangeiro) irá ou reduzir seus preços para
tentar contrabalançar essa tarifa (o que irá afetar sua margem de lucro) ou
manter os preços inalterados (o que provavelmente levará a uma redução de suas
vendas por causa da queda na demanda).
Normalmente, aplica-se um meio termo: o produtor
estrangeiro reduz os preços, mas menos que o valor acrescido pela tarifa (de modo que o preço final é maior do que antes da tarifa); e o consumidor
americano, consequentemente, paga mais caro, embora menos que o acréscimo total
da tarifa. Ou seja, ambos os lados perdem.
E o próprio Trump sabe disso. Ao discutir o
fechamento da fronteira, ele desdenhosamente admitiu
que isso afetaria a economia americana. Tradicionalmente, o México sempre foi o
terceiro maior parceiro comercial dos EUA (atrás de China e Canadá). Mas no
início deste ano, o México se tornou o parceiro
comercial número um. Em 2018, o comércio total dos EUA com o México foi de
US$ 671 bilhões. As exportações totais dos EUA para o México foram de US$ 299
bilhões.
Se Trump realmente implantar essa tarifa de 25%,
quais produtos irão encarecer para os americanos?
Em 2018, estes foram os
principais bens comprados pelos americanos do México:
- Veículos
(US$ 93 bilhões) - Máquinas
elétricas (US$ 64 bilhões) - Maquinário
(US$ 63 bilhões) - Combustíveis
fósseis (US$ 16 bilhões) - Instrumentos
óticos e médicos (US$ 15 bilhões)
Os americanos também importaram uma grande
quantidade de comida, bebidas e bens agrícolas, como:
- Vegetais
frescos (US$ 5,9 bilhões) - Frutas
frescas (US$ 5,8 bilhões) - Vinho
e cerveja (US$ 3,6 bilhões) - Salgadinhos
e doces (US$ 2,2 bilhões) - Frutas
e vegetais processados (US$ 1,7 bilhão)
Além destes dados, vale ressaltar que
aproximadamente metade das importações totais dos EUA são, na realidade, insumos
utilizados por empresas americanas para fabricar bens de consumo.
Logo, as tarifas de Trump recairão não apenas sobre
os consumidores americanos, mas também sobre os produtores americanos
que utilizam alimentos, veículos, produtos eletrônicos, alimentos e
instrumentos médicos importados do México (como restaurantes, transportadoras,
firmas médicas e qualquer empresa que utilize automóveis). Estes agora arcarão
com custos de produção maiores.
Consequentemente, os produtores americanos terão
duas alternativas: ou aumentam os preços, prejudicando todos os consumidores
americanos, ou mantêm os preços e arcam com margens de lucro menores. Só que
margens menores significam menos produção e menos mão-de-obra contratada.
Uma tarifa, no final, é uma apenas um termo mais
elegante para “imposto”. E, assim como qualquer imposto, uma tarifa
aumenta os custos dos bens e serviços para o consumidor, ao mesmo tempo em que
limita sua escolha.
Texas
é o grande perdedor; outros países poderão ganhar
Embora todos os estados americanos sejam afetados
por esta medida, o Texas, que é o maior exportador do país, será desproporcionalmente
afetado caso o comércio com o México seja perturbado.
O Texas, sozinho, exporta mais de US$ 97 bilhões
anualmente para o México, em produtos
que incluem computadores e eletrônicos, equipamentos de transporte, energia
e agricultura. Obviamente, o México é o principal destino das exportações do
Texas. Estima-se que 36,9%
das exportações do Texas sejam enviadas para o México. O Texas possui um superávit
comercial de US$ 8,5 bilhões anual com o México. As vendas para o México constituem
5,7% do Produto
Estadual Bruto do Texas.
O website MarketWatch estimou
que “se todos os custos forem repassados para os consumidores americanos, eles
pagarão US$ 17 bilhões a mais por ano sob uma tarifa de 5%. E este custo poderá
saltar para US$ 87 bilhões caso as tarifas cheguem aos prometidos 25%”.
Afetar a cadeia de suprimentos integrada da América
do Norte poderá ter um duradouro impacto sobre até mesmo a economia mundial. Se
os clientes internacionais não mais podem confiar na oferta de bens fornecidos
pelas empresas sediadas nos EUA, então estes irão recorrer a indústrias de
outras localidades, como Europa, Ásia e até mesmo América Latina. Se estes
estiverem bem-posicionados em termos de preço e eficiência, poderão roubar uma
fatia de mercado até então usufruída pelas indústrias norte-americanas.
E, uma vez que esta fatia de mercado é perdida, não há
nenhuma garantia de que as indústrias americanas irão recuperar estes clientes
estrangeiros perdidos quando as linhas de oferta americanas forem eventualmente
restauradas. Tudo vai depender da eficiência indústrias estrangeiras.
As que souberem se aproveitar disso irão ganhar.
Mas
há algo que pode impedir
Essa postura de Trump de recorrentemente ameaçar com
tarifas está afetando enormemente a capacidade de planejamento de longo prazo
das empresas.
Em um momento, ele anuncia tarifas sobre o aço e alumínio
do México, do Canadá e de países da Europa. No momento seguinte, ele anuncia
que está revogando estas tarifas. Agora, ele anuncia que irá tributar em até
25% todos os produtos do México. Esta política comercial convoluta torna
incrivelmente difícil para as empresas planejarem suas operações e seus gastos
em investimentos, bem como administrar toda a sua cadeia de oferta.
Entretanto, no final, há um detalhe crucial que pode
impedir a implantação destas tarifas sobre o México: a eleição presidencial de
2020.
Como dito, o Texas é o principal estado exportador
dos EUA, e depende maciçamente de seu vizinho ao sul. Mas o Texas, que até então
votava com os republicanos, está cada vez mais se tornando um estado politicamente
indeciso (chamado de swing state,
isto é, que tanto pode votar nos republicanos quanto nos democratas). Consequentemente,
se Trump demonstrar indiferença ao bem-estar econômico dos texanos, há o risco
real de ele perder os votos do estado caso os consumidores e as empresas do
Texas sintam as consequências desta política antes das eleições.
E, se
ele perder o Texas (mesmo se sagrando vencedor nos mesmos estados em que
ele ganhou em 2016), os democratas voltam para a Casa Branca.
A moeda do México deu uma derretida depois desta ameaça do Trump.
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E o real começou a se valorizar bem.
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Se Bolsonaro e trupe não fizerem cagada, vai dar pra surfar bem essa guerra.
Esse Trump merece o prêmio “Soção Awards 2019” o cara é um baita de um socialista, mas tem gente que tem muita dificuldade em enxergar isso.
Cadê o país símbolo do laisser faire, da liberdade e de todo aquele mimimi hollywoodiano ?.
Aparentemente, houve um erro de tradução no seguinte trecho:
“Normalmente, aplica-se um meio termo: o produtor estrangeiro aumenta os preços, mas menos que a tarifa; ”
Não seria o contrário? (“…o produtor estrangeiro reduz os preços, mas menos que a tarifa”).
Pelo menos é que se compreende do parágrafo anterior, que afirma o seguinte:
“Já o produtor (estrangeiro) irá ou reduzir seus preços para tentar contrabalançar essa tarifa (o que irá afetar sua margem de lucro) ou manter os preços inalterados (o que provavelmente levará a uma redução de suas vendas por causa da queda na demanda).”
Está aí o pretexto que faltava para o Texas declarar independência e se separar dos EUA.
Tipo assim, eu até entendo o cara querer atacar a China com base em argumentos geopolíticos (sou totalmente contra, mas até vejo algum sentido). Agora, atacar o México? Que faz parte do Nafta? Nonsense total.
Mas, como disseram acima, o Brasil pode se beneficiar. E, desde que o laranja anunciou essas ameaças, o dólar deu uma boa derretida, o que é bom para nós. Que vá em frente, então.
Trump faz um bom governo, mas essas atitudes explosivas e um tanto quanto loucas jogam contra o trabalho que ele vem desempenhando. O artigo é muito explicativo quanto a situação que essa taxa irá afetar a população americana. Por outro lado, o Brasil poderia se aproveitar desse momento para se aproximar ainda mais dos EUA, principalmente na exportação de matéria prima e de alimentos.
Acho que o sonho do Trump é ver a GM voltar a fazer as porcarias no antro de sindicalistas, em Michigan.
Pessoal,
Li só dois artigos hoje. A visita de Trump ao Reino Unido e o artigo acima. Ele parece meio loucão, sim.
Mas quando leio que no Reino Unido o esperam com protestos de “misógino, machista, homofóbico, sexista, preconceituoso” e outras referências na mesma linha, fico meio paranóico e chego a pensar numa orquestração da esquerda mundial para desacreditar qualquer político que não se alinhe com eles. Parecia que o pessoal estava se confundindo e era o Bolsonaro que estava em visita ao Reino Unido.
Agora em comércio exterior, é uma enorme confusão o que o Trump faz e o artigo está corretissimo.
Me parece que o empresário Trump ao interagir e sociabilizar com colegas americanos, internalizou as queixas dos mesmos sobre a tal “competição injusta e desleal”. Agora como presidente dos EUA, ele não se mostra capaz de livrar-se destas crenças. Foram décadas ouvindo e concordando com seus pares. Creio que é difícil mesmo! Certas idéias depois de cristalizadas são difíceis de jogar no lixo…
Abraços
Meu entendimento
Pimenta nos olhos dos outros é refresco
Seja a bola da vez é veja se reagirá como escreve
Se não existissem cobaias não se teria escritas .
Acho engraçado o Trump pestanejar contra os déficits comerciais americanos, quando eles são a fonte da prosperidade desse país, pois o fato de o FED produzir a moeda de troca internacional permite com que os EUA importem produtos apenas com promessas de pagar mais dólares produzidos pelo FED no futuro. É o efeito Cantillon aplicado ao comércio internacional e ele se manifesta no déficit comercial americano.
Já eu acho que o Trump tem total entendimento de que as tarifas são ruins para o país, mas ele não tem outra alternativa pra conseguir o que quer, que é o caso de imigração vinda do México e das tarifas e espionagem da China.
Se ele não usar essa tática suicida, vai usar o que? A força com os militares?
Li o “A Ética da Liberdade” do Rothbard, o “6 Liçõed” do Mises e estou lendo o “A escola Austríaca” do Huerta de Soto. Estou me aprofundando na escola austríaca e preciso de indicações de livros para entender melhor a economia, alguem me sugere algo? Pensei em ler o Ação Humana mas ouvi dizer que é uma leitura muito pesada para começar.
Pior que é verdade. O Texas tá bem dividido. Até o Ted Cruz quase perdeu a eleição para o tal de Beto O’Rourke. Dizem que tem gente migrando da California para o Texas, como a Califórnia é um antro de democratas…É a teoria que eu vejo alguns americanos explicarem, pq o Texas tá virando democrata…
O Trump é mais protecionista que Stálin, mas membros da chamada”nova direita brasileira” (um bando de cegos ideológicos e ignorantes em economia) tem dificuldades em enxergar isso.
Entendo o ponto de vista do site assim como o daqueles que olham para a situação apenas no ponto de vista econômico. Não dá pra discutir que, se o único ponto na questão fosse comercial e financeiro, que essas decisões seriam um tiro no pé.
Mas o que constantemente é negligenciado é a questão social e política. O mundo não toma decisões apenas pela ótica do capitalismo e do liberalismo, as vezes existem problemas além dessa esfera que necessita de decisões duras que vão contra essa ótica.
Em meados dos anos 70, menos de 1 milhão de mexicanos viviam nos EUA. Hoje esse número já passa de 30 milhões. Em algumas cidades próximas a fronteira a população de mexicanos já é superior a 80% da total. Isso causa impactos na sociedade civil. Alguém se incomodou em listar esses impactos? Ou a população local tem que aceitar e pronto?
Claro que olhando sobre uma ótica distante, fria e utilitarista isso é sempre irrelevante, mas quando você vive nesses ambientes e vivência as tensões sociais isso muda completamente. Fora a criminalidade que tanto conhecemos aqui, que também cresce por lá. Quase 20% dos presos nos EUA são mexicanos, proporção muito maior do que representação populacional deles no quadro geral.
Isso sem contar, é obvio, o aspecto mais importante e determinante para essa questão, o eleitoral!
O partido democrata usa e manipula a população latina com promessas interesseiras anistia imigratória geral para angariar votos, para então definir de uma vez por todas o delicado equilíbrio politico nos EUA, sentenciando o partido republicano a perder sempre. Isso seria quase que o mesmo que importar eleitores a revelia das consequências. É o mesmo que comprar votos com assistencialismo, só que versão vitaminada: bolsa-cidadania. "Aceitamos qualquer um! É so votar na gente."
Não é óbvio isso?
Ignorar esses fatos torna toda a discussão esquizofrênica. Porque realmente fica difícil entender as motivações do Trump quando não se vai no foco das questões, e nesse caso não é meramente econômico.
Vários congressistas republicanos estão se unindo para bloquear essa tarifa do Trump. Se isso ocorrer, será um ato inédito de desobediência.
GOP lawmakers discuss vote to block Trump's new tariffs on Mexico, in what would be a dramatic act of defiance
Vou deixar minha opinião, baseada em achismo mesmo. Imagino que Trump tenha observado que o imigrante e sua descendência vem tendo o “acolhimento” dos democratas, para usar um termo caro à esquerda, na forma de concessão facilitada de cidadania. Ora, a maior parte desse contingente se torna eleitor de democratas, enquanto a população branca, eleitores republicanos, encolhem. Trump percebeu isso, e tenta de todas as maneiras conter a imigração, mesmo violando o livre mercado.
Esse Trump é mercantilista, o cara é um jegue, sempre disse que ele é mais mercantilista do que protecionista. Na cabeça desse imbecil, é um jogo de soma 0.
Agora, não dá pra dizer que um mexicano tenha o “direito” de ir e vir no território americano, tanto que se faz necessário o escrutínio alfandegário. Se é posição sua a política de fronteiras abertas, tudo bem! Mas não é a politica dos EUA (e de nenhum outro país até onde eu saiba). Independente de concordar ou não contigo, isso é um fato hoje.
Por que essa birra com os caras atravessarem uma “fronteira”? Sinceramente, são linhas que nem existem de verdade, é só político brincando de deus achando que eles mandam em todo mundo dentro de um território demarcado arbitrariamente e que dizem que os “estrangeiros” são “inimigos”, que só podem atravessar a “fronteira” com a permissão dos nossos excelsos políticos onipotentes, cara faça um exercício mental, você tá andando de boa lá pelo México, tudo sussa, só que do nada BUM, você atravessa a fronteira com os EUA, e agora? Quem poderá nos defender? Alguém foi agredido? Alguém morreu? Oh não chame o Trump, ele saberá o que fazer, pfft, essa merda de “imigração ilegal” é uma coisa que só atrapalha a vida de pessoas pacíficas. E blz, isso é um fato hoje, mas e daí? Tem que acabar com essa merda, aliás, têm países que fizeram o que eu estou propondo, são os integrantes da UE (não que eu ache a UE uma coisa boa, mas nesse ponto ela acertou), um francês transita livremente pela Alemanha, Espanha, Portugal, …, não precisa ficar pedindo autorização besta, o que a UE fez deveria ser feito com todos os países so mundo, TODOS, ABSOLUTAMENTE TODOS os seres humanos da faze da terra podem ir pra onde quiser, ninguém tem o direito de lhes impedir, TODOS somos habitantes desse planeta.
Apenas fiz uma observação factual da proporção elevada de mexicanos no grupo de presidiários. Não creio de forma nenhuma neles como um grupo mais violento, muito menos nego a presunção de inocência, ou apoio preconceito de grupo. Apenas chamo a atenção para o aspecto da pressão social da população americana pressionada pelo aumento da violência.
Beleza, se você quiser resolver esse problema, então simplesmente deixe as pessoas se armarem, se defenderem de quem quer agredi-las, mas não dificulte a vida dos outros mexicanos, vou repetir, mesmo que no México tivesse um milhão de pessoas, e 999.999 destas fossem para os EUA, e todas elas virassem assassinos e estupradores lá, ainda assim não deveríamos complicar a vida do único mexicano que sobrou, ele não tem nada haver com os outros.
, se o estado do Texas começar a sofrer esse tipo de coisa com os americanos imigrantes do estado da Nevada, ninguém vai tentar dificultar a passagem de quem mora na Nevada pra ir pro Texas, por que a gente não trata o mexicano da mesma maneira?
Caro defensor do povo, novamente você confunde posição pessoal com observação de fatos. Não tenho birra com barrar a circulação de mexicanos. Mas é um fato de que eles não podem cruzar. É lei, não opinião minha. Se você ou eu somos contra essa lei por opinião pessoal, isso não desfaz ou invalida a lei. Estou errado?
Dizer também que a união europeia aboliu as fronteiras é uma meia verdade. Eles aboliram as fronteiras internas, não as externas. Tanto que uma penca de brasileiros são deportados todos meses tentando entrar na UE vindos de fora.
Não que eu me considere preparado pra elaborar os motivos ou uma analise sofisticada sobre essa questão, mas é obvio que fronteiras são uma inconveniência. Mas também são um problema para os inimigo de uma população. Imagino que o principal motivo de se terem fronteiras seja pela segurança nacional. Também serve para proteger culturas locais de outras culturas invasoras dominantes, recursos de uma região de depredadores oportunistas, enfim, mil motivos. Até mesmo uma forma de defesa de propriedade privada mais rudimentar, sendo que populações podem se achar "donas" de um território,
mesmo que não no sentido clássico de propriedade.
Imagino que você não devesse olhar para a história apenas do fim pro começo, encarando tudo sob uma perspectiva libertária, pacifista e moderna sem entender de onde vieram as convenções sociais.
Fazendo o caminho inverso ao seu, suspeito que o conceito de nação venha de um instinto primal de proteção de território, filhotes e recursos, muito similar a dos animais, adaptado por nos na condição primitiva de dominância tribal e, posteriormente, sofisticado para o de nações. Tente negar esse aspecto da natureza tentando invadir um território de leões ou mesmo um tribo indígena violenta por considerar as demarcações deles como bobagens fictícias pra você ver o que acontece.
No mundo também acontecem guerras, invasões, dominações estrangeiras, escravização de povos, realocações forçadas, genocídio de populações, encarceramentos e estupros em massa, conversão religiosa forçada e toda sorte de barbaridades cometidas por populações sobre outras. Fingir que isso não existe e querer sugerir um multi-culturalismo libertário altruísta e pacifista e a abolição de todas as fronteiras para todo o mundo me parece que seja ingenuidade ou romantismo. Obviamente que num mundo ideal e maravilhoso apenas de pessoas civilizadas, empreendedoras e cordiais eu não tenho dúvidas de que esse seria o cenário ideal, mas não me parece uma projeção da realidade próxima.
Vejo que nunca vamos chegar num consenso porque você está emitindo posições pessoais, que eu respeito, admiro e até concordo em parte, mas que estamos longe quanto a visão prática da realidade. Você por exemplo usa a palavra direito como uma visão universalista mais conceitual e romântica. Eu já abordo de uma maneira mais prática e tradicional: Não! O mexicano não tem o direito de entrar nos EUA enquanto o cara de Nevada pode sim ir pro Texas. Essa é a lei! Imputada pelo estado americano, que por sua vez é sustentado pela vontade do povo americano, soberano sobre sua região, que sobrepõe o direito universalista libertário que você defende. Tanto que é fato que os Mexicanos não podem cruzar (por enquanto…).
Agora, como opinião pessoal, eu também preferiria essa sua visão de porteiras abertas. Amanha mesmo eu estaria em Miami e longe do brasil for good!
Caro defensor do povo, novamente você confunde posição pessoal com observação de fatos. Não tenho birra com barrar a circulação de mexicanos. Mas é um fato de que eles não podem cruzar. É lei, não opinião minha. Se você ou eu somos contra essa lei por opinião pessoal, isso não desfaz ou invalida a lei. Estou errado?
Claro que eu posso ter a minha opinião sobre, e a estou expondo aqui, legalismo é um problema gravíssimo, considera apenas as leis positivadas pelos políticos, na Alemanha nazista era lei um alemão denunciar o seu vizinho judeu, e agora? Vai defender os alemães que denunciaram os judeus só porque eles tavam cumprindo a lei? Óbvio que não, vou lhe fazer uma pergunta sincera então, me responda, se você ver um imigrante ilegal por aí fazendo os bicos dele, trabalhando e sustentando uma família pacificamente, você irá denunciá-lo? Se não então pronto, assunto encerrado.
Dizer também que a união europeia aboliu as fronteiras é uma meia verdade. Eles aboliram as fronteiras internas, não as externas. Tanto que uma penca de brasileiros são deportados todos meses tentando entrar na UE vindos de fora.
Foi o que eu euis dizer, eles aboliram suas fronteiras internas, deveriam abolir as externas também, e todos os países deveriam fazer o mesmo.
Mas também são um problema para os inimigo de uma população
De novo você está caindo no coletivismo, não existe “inimigo da população”, existem pessoas que agridem outras, ponto, o Fernandinho Beira-Mar é muito mais perigoso para mim do que um argentino comum, ou seja no fim não importa em nada a nacionalidade do cara, se vier algum meliante na minha rua eu me defendo dele, não me interessa se ele nasceu no Brasil ou na Rússia, assim como quando eu for contratar alguém, não me interessa onde ele nasceu, eu só quero que ele faça um bom trabalho.
Imagino que o principal motivo de se terem fronteiras seja pela segurança nacional
E o que é “segurança nacional”? A única segurança que eu reconheço é a do indivíduo, a minha e a sua, e eu tenho certeza que alguns imigrantes vindos da Argentina ou do Chile não são lá muito perigosos, se você acha que eles ameaçam a sua segurança, blz, direito seu, feche as portas da sua casa e da sua empresa contra qualquer argentino que passe por perto, só não se meta na minha relação com eles, se você for rebater de novo com a tal da “segurança nacional”, então defina melhor o que ela é, e veja se faz algum sentido.
Também serve para proteger culturas locais de outras culturas invasoras dominantes, recursos de uma região de depredadores oportunistas, enfim, mil motivos
Motivo meio estranho também, a cidade de Nova York é hipermulticultural, são faladas umas 20 línguas ali, mas ainda assim não vejo ninguém lá sendo “ameaçado pelos depredadores oportunistas”, assim como o Brasil também, “culturas invasoras dominantes” também é outro conceito que não faz o mínimo sentido, se vier um japonês pro Brasil pra introduzir o sumô eu vou achar super legal, assim como muitos brasileiros, se você não gosta disso beleza, direito seu, é só não se envolver com o sumô brasileiro, só não venha impedir isso sob o pretexto de que isso tá “invadindo nossa cultura”, as pessoas fazem o que elas querem, contanto que não agridam outras.
“Imagino que você não devesse olhar para a história apenas do fim pro começo, encarando tudo sob uma perspectiva libertária, …, um tribo indígena violenta por considerar as demarcações deles como bobagens fictícias pra você ver o que acontece. ”
Tô ligado nessas coisas, mas ainda assim, você está fazendo parecer nesse trecho que isso é inerente ao ser humano e que é impossível fugir disso, só que você não pode provar isso (e já adianto que não existe isso de “a história provou”, conhecer o passado não nos permite conhecer o futuro), e ainda assim, duvido muito que os índios sejam dessa forma, o território que eles defendem eles usam não? Portanto eles podem defendê-lo, é muito diferente de um país, o Brasil por exemplo é um vazio total, no Amazonas dá pra achar áreas inabitadas com um raio de 300kms, é muito espaço vazio que ninguém liga, se um cidadão quiser construir uma cidade lá eu não vou nem ligar, mas infelizmente o governo federal vai querer ir lá roubar o cara via imposto, e mesmo que com os índios não seja isso ainda assim não importa, tem coisas que eles fazem que não vale a pena a gente repetir.
No mundo também acontecem guerras, invasões, dominações estrangeiras, escravização de povos, realocações forçadas, genocídio de populações, …. Obviamente que num mundo ideal e maravilhoso apenas de pessoas civilizadas, empreendedoras e cordiais eu não tenho dúvidas de que esse seria o cenário ideal, mas não me parece uma projeção da realidade próxima.
Tais coisas acontecem sempre via Estado, é sempre uma nação soberana querendo se impor à outra, inclusive no livro “Democracia o Deus que falhou” do Han Hermann Hoppe, ele fala que antigamente mesmo nações que estava, em guerra não significava que todo mundo dentro delas se odiavam, não era incomum ver um inglês andando por Paris ao mesmo tempo em os exércitos francês e inglês se degladiavam, mas agora assim, você deu a entender nesse trecho que uma sociedade libertária nunca irá acontecer , que sempre irá haver ´Estado(preste atenção no grifo, pois nenhum libertário diz que não haverá mais agressão, e sim que pode não haver agressão institucionalizada e que é incentivada pelas pessoas, ou seja, Estado), blz você pode estar certo, mas ainda assim eu defendo isso, é que nem estupro e assassinato, todos sabemos que isso nunca vai deixar de existir, mas nem por isso vou me conformar com a situação e fazer nada a respeito.
Haha. Confesso que esse debate está divertido apesar de um pouco caótico. Mas enfim, vou tentar sintetizar pra não aumentar ainda mais o escopo das mensagens.
Perdemos um pouco o foco do debate original. Na minha primeira mensagem, meu único ponto era que; seria necessário compreender a crise americana social e politica quanto a imigração ilegal incialmente, para somente então poder analisar as ações do Trump. E não apenas abordar a questão unicamente do ponto de vista econômico, como eu achei que o artigo fazia de forma simplificada.
Só isso! Mais nada!
Mas nos dois entramos no debate meio perdido. Você acabou entendendo essa minha cautela como uma posição pessoal anti migratória nacionalista (o que eu tenho repetidamente negado) e dando seus contrapontos.
Estamos discutindo coisas diferentes: Eu defendendo uma análise abrangente do problema proposto pelo artigo e você uma opinião pessoal conceitual quanto a liberdade de circulação de pessoas.
Mas ok! No intuito de direcionar e concluir a questão, me dirijo para sua proposta, expondo meu ponto de vista:
Entendi que você tem claramente uma visão de mundo ultra libertária e anti-nacionalista. Não tenho nenhum problema com isso! Acho ate interessante essa visão, mas vejo como pouco pragmática e distante da realidade.
Você aparentemente desconsidera as demandas da população local americana quando esta gera restrição de imigração ou medidas economicamente anti liberais e parece que avalia todo nacionalismo como tosco, arbitrário e retrógrado. Me perdoe se eu tiver entendido errado.
Ao meu ver:
Em primeiro lugar, Eu não sou um legalista! Por outro lado é difícil não aceitar o poder das leis quando um policial está prendendo você por infringir uma lei. Uma coisa é o que o mundo pode vir a ser. Mas não pra julgar o mundo como ele é a luz de ideais ainda não concretizados. Sofro de pragmatismo crônico.
Em segundo lugar, pegar uma população que deseja restrições migratórias e impor a eles livre circulação de pessoas sobre sua região, a revelia da vontade deles, meramente por conta de um ideal libertário, me parece mais uma forma de ditadura tecnocrática libertária.
Antes de querer impor isso a um povo, não seria mais interessante que fosse um desejo expontâneo deles? Hoje ainda não é. Quem sabe no futuro? Ai eu concordaria.
Hoje eu acho que a imposição dessa proposta seja brutalidade ideológica, apesar de concordar com os ideais.
Também creio que existam muitas ameaças a liberdade extrema. Terroristas homem bomba, por exemplo, não são ameaças de estado, mas já são suficiente pra gerar um medo muito primitivo na humanidade. Mais do que suficiente pra atropelar qualquer ideal libertário e gerar draconianas leis anti-migratórias. O mesmo para narco traficantes e crime organizado. É só ver o que acontece hoje nos EUA.
Para evitar um reply inteiro sobre isso, faço questão de ressaltar: Não é uma sanha paranóica pessoal minha!
Mas sim, acredito que seja um comportamento humano inato essa reação defensiva. Essa é a minha visão trágica da vida. Quem sabe em alguns séculos, com profunda educação liberal e outras mil mudanças sociais isso mude. Infelizmente nem assim eu acreditaria.
Em suma, no campo conceitual/utópico e meramente hipotético eu tendo a concordar contigo mas, de forma pessimista e pragmática, na realidade não acho que irá se concretizar. Talvez pela idade ou por conta das frustrações e desilusões acho que me tornei um um tipo mais conservador e adepto das pequenas melhorias ao invés da busca pelo ideal libertário completo.
Parabéns pela determinação e defesa dos pontos! Faço votos para você esteja mais certo do que eu.
Isto é economicismo míope. Uma sociedade livre, que quer permanecer livre, deve tomar em conta uma realidade além de alguma estimativa que leva em conta apenas um ou outro dado econômico, como o comércio entre dois determinados países. Tarifas são um imposto nos próprios americanos? Sim. São necessárias, neste caso? Sim.
Tarifas não foram a primeira opção de Trump para reduzir os números da imigração ilegal. Foram várias políticas frustradas pela oposição Democrata e até Republicana antes de chegarmos neste ponto. Ele está se utilizando de tarifas porque estas são mais fáceis de serem declaradas por ele. Em um mundo ideal, haveriam tarifas? Não. Mas não vivemos em um mundo ideal, nós vivemos num mundo real, onde em muitos casos somos obrigados a escolher o menor dos males.
O autor citou o Texas e o perigo dele virar um reduto Democrata. Pois bem, isto parece inevitável agora. Sabem por quê? Pois por décadas houve imigração em massa. Democratas adoram imigração, ilegal ou não, porque a maior parte dos imigrantes é Democrata, vai votar em Democratas. Ilegais são ilegais apenas por um tempo, pois criam famílias, recebem cidadania, e até anistia. Republicanos, muitos cegos pelo economicismo que o autor representa, outros por puro interesse econômico de curto prazo, deixaram hordas de imigrantes adentrarem seu país, com resultados cada vez mais socializantes. Texas vai virar Democrata, sim. Não por causa de Trump, mas justamente por causa da imigração descontrolada. Obrigar o México a controlar o fluxo de “novos Democratas” através da ameaça de tarifas é provavelmente muito pouco, muito tarde para salvar Texas e os EUA de uma guinada socialista que pode ser explicada puramente pela tendência de determinados grupos votarem em determinados partidos e ideias. Mas, pelo menos, é alguma coisa, triste que é dizer isso. O que podemos dizer do autor e daqueles Republicanos e libertários que ignoraram a realidade e caminharam em direção ao abismo em que estão prestes a cair?
Mais um exemplo do que aprendi a esperar:
Em primeiro lugar, eu nunca me arvorei capacidade de enxergar o mundo de maneira privilegiada. Apenas disse que considerava outros fatores na discussão negligenciados.
Em segundo lugar, todas as discussões que tive nessa série de comentários sempre foram rebatidos com opiniões pessoais ou com determinismo ideológico. Infelizmente com pouca razão ou lógica.
Mas eu nem clamo vencedor nem acuso outros de perdedores. Foi somente uma troca de ideias menos pretensiosa acabou que descambou pra uma sucessão de manifestos pessoais e monólogos não sequenciais. Nada mais sofisticado que isso. Até mesmo da minha parte após um primeiro momento.
Agora, argumentos rebatidos incontestavelmente com lógica e razão? Pois é… era bem disse que eu estava falando.
Em ultima instância o erro foi meu. Perdoem me por não ter entendido o ethos do site, como disse um colega acima.
Não quero causar discórdia ou balburdia.
Tática Mad Dog: “Se não chegarmos a um acordo vou tomar essa decisão que prejudicará a nós dois, mas eu consigo aguentar as consequências mais do que você. Então lembre-se de que você precisa de mim mais do que eu preciso de você”.
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Há males que vem para o bem (pelo menos pra alguém)! Trump já está taxando o brasil por causa da desvalorização do Real. No fim das contas, quem poderá ganhar com isso são as consumidores brasileiros, basta o Trump ser bem sucedido e o BC daqui valorizar a moeda!