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Eis a promessa da “Teoria Monetária Moderna”: as utopias são alcançáveis sem consequências nefastas

Em um intervalo de tempo de poucos meses, a chamada Teoria Monetária Moderna (TMM) saiu da escuridão para a proeminência.

O gatilho para o lançamento da TMM para a notoriedade foi o “Green New Deal“, projeto ambiental para os Estados Unidos criado pela ala socialista do Partido Democrata (Democratic Socialists of America).

As promessas abrangem, além de mais gastos para a proteção ambiental (o que inclui, sem exagero, a abolição de viagens aéreas), uma renovação da infraestrutura, pleno emprego, saúde pública “gratuita” para todos e, principalmente, a promessa de uma renda mensal para todos aqueles que “não querem” trabalhar (atenção: não é apenas para aqueles que “não podem” ou “não conseguem” trabalhar, mas também aqueles que simplesmente não estão dispostos a trabalhar)

Os promotores deste projeto citaram a Teoria Monetária Moderna como sendo o arcabouço que permite que todos estes desejos sublimes se tornem magicamente práticos. Em outras palavras, a TMM seria o elixir que irá financiar todo esse plano de gastos públicos.

Os pontos que a TMM defende

A TMM sustenta que o governo pode gastar sem restrições, e que grandes déficits e dívidas públicas não importam quando a economia não está em plena capacidade.

Também afirma que o estado, como emissor soberano da moeda, não pode ir à falência porque cria moeda sempre que gasta. Poupança insuficiente não restringe os gastos públicos, pois os déficits orçamentários têm automaticamente a poupança privada como contrapartida.

Os representantes desta teoria alegam que o emissor da moeda do país não pode ir à falência porque o estado soberano pode sempre criar o máximo de dinheiro necessário para honrar sua dívida. A função da tributação não é “obter receita” para o governo, mas sim ser um instrumento para obrigar o público a usar a moeda soberana como dinheiro (segundo a teoria, a aceitação da moeda decorre do fato de que ela pode ser usada para quitar impostos). Adicionalmente, a tributação também teria a função de retirar dinheiro da economia quando este se tornasse excessivo e começasse a pressionar os preços.

Em outras palavras, a moeda é dívida e não primariamente um meio de troca. A lógica da MMT diz que, como o governo cria dinheiro com seus próprios gastos, a tributação não é necessária para financiar a atividade estatal. A principal função da tributação é motivar o uso da moeda nacional e obter sua aceitação geral, porque é essa unidade de conta que o estado reconhece como meio de pagar impostos. Além disso, a tributação tem uma função reguladora para desviar o excesso de demanda e modificar o comportamento individual.

Todo o gasto público pode ser financiado ou pela impressão direta de dinheiro ou pelo endividamento do governo, pois os títulos do governo são tão bons quanto a moeda que o estado soberano emite. O estado, portanto, pode emitir dívida e, depois, imprimir dinheiro para quitar esta dívida.

A dívida pública, ademais, não é um problema, pois ela representa a “riqueza financeira no setor privado”, que investe nela. Logo, o gasto do setor público não apenas não absorve a poupança, como, ao contrário, gera renda para o setor privado. Os gastos do governo e os déficits orçamentários não levam a um menor investimento privado e não exigem uma carga tributária maior no futuro. O governo está livre de qualquer restrição fiscal porque pode sempre criar tanto dinheiro quanto for necessário.

Por tudo isso, o governo não deve conduzir suas finanças como uma família, que antes de gastar precisa de renda. Um governo que emite moeda fiduciária como moeda legal de um país não necessita de impostos e empréstimos para gastar.

Déficits não importam” é o mantra fundamental da Teoria Monetária Moderna. Os déficits orçamentários não representam um problema para o desempenho da economia quando há capacidade econômica supostamente não-utilizada. Ao contrário: são benéficos. Como os gastos públicos levam à criação de dinheiro, eles próprios criam a poupança necessária para financiar o déficit orçamentário. Consequentemente, o governo (ou seu Banco Central) pode definir a taxa de juros em qualquer nível que desejar, de preferência em zero.

O verdadeiro significado de tudo isso é a crença de que a escassez não existe.

Para os promotores da MMT, a dívida nacional não é uma dívida no sentido convencional, mas representa os déficits acumulados do passado e, como tal, é um registro da quantia líquida de moeda que o governo federal criou ao longo do tempo. Entender esse poder da criação de moeda significa abandonar as restrições dos tetos de endividamento e renunciar à exigência de um orçamento equilibrado. A adoção desta visão tornaria o governo livre de falsas restrições e abriria o caminho para a plena prosperidade.

Livre das amarras da contenção financeira, o governo federal poderia restaurar a infraestrutura do país, investir em saúde e educação, garantir a segurança interna e externa, garantir salário para quem não quer trabalhar, e, de quebra, resolver o problema previdenciário.

A visão utópica diz que, com a aplicação da Teoria Monetária Moderna, qualquer nação alcançaria o pleno emprego e acabaria com a pobreza.

A TMM está chegando (na verdade, voltando) ao Brasil

No Brasil, a crise que nos açoita desde 2014 escancarou a fragilidade das políticas econômicas da última década.

A política fiscal e a trajetória da dívida pública estão no centro do debate brasileiro, mais notavelmente com a aprovação da lei, em 2016, que impõe um teto aos gastos públicos e o projeto de reforma previdenciária atualmente discutido no Congresso.

Neste contexto, André Lara Resende, em artigo publicado no Valor Econômico, adota o discurso da TMM — apesar de não fazer referência ao termo devido à sua conotação político-ideológica — para afirmar que a moeda fiduciária é unidade de conta e que, por isso, o governo não enfrenta restrição financeira.

Ao inverter a causalidade entre moeda e gasto, ele afirma que o governo, sempre que gasta, credita unidades monetárias nas contas bancárias de sua contraparte e, por isso, não precisa de financiamento. Conforme sua visão, os impostos não são arrecadados como receita para financiar os gastos, mas para obrigar o uso da moeda que o estado soberano emite. Da mesma maneira, a emissão de dívida não é uma exigência para financiar os gastos públicos, mas um instrumento de gestão de passivo.

Para Lara Resende, a inflação não é causada por excesso de moeda, mas por excesso de demanda agregada. Os gastos do governo, que são parte da demanda agregada e são financiados com criação de moeda, não causam inflação desde que sejam focados em “setores operando abaixo da capacidade”. A restrição aos gastos do governo, portanto, está na capacidade produtiva do país. A preocupação da política fiscal não deve ser seu financiamento, mas sua “qualidade”, tanto dos gastos quanto da tributação.

Mais: a expansão dos gastos do governo deve ser mantida até o ponto de pleno emprego, quando, aí sim, a tributação entrará em cena para absorver qualquer excesso de dinheiro que possa ser inflacionário.

Como políticas específicas para o Brasil, Lara Resende propõe a remuneração das reservas bancárias, inclusive para pessoas físicas, o que representaria a forma mais barata de financiar o passivo do governo, e a manutenção da taxa básica de juros sempre abaixo da taxa de crescimento da economia, o que significaria uma trajetória decrescente da dívida pública.

Ou seja, na prática, a TMM é apenas uma combinação convoluta de antigas e heterodoxas idéias que envolvem imprimir dinheiro, colocar o governo para gastar (nada de muito diferente do que era feito rotineiramente durante o governo de José Sarney) e usar impostos para “retirar o excesso de dinheiro da economia”.

A arrogância intelectual é a mesma

Os seguidores da Teoria Monetária Moderna subestimam as complexidades das modernas economias. Eles sofrem da chamada pretensão do conhecimento. A MMT nega a complexidade da economia que opera hoje em escala global.

A coordenação da ação individual entre os consumidores e os produtores em uma rede tão complexa necessita de mercados para os quais o planejamento de políticas não é um substituto. Para que o estado realize a tarefa que a teoria estabelece, os governos teriam de saber muito mais do que poderiam (com burocratas sabendo mais que investidores, produtores e consumidores) e agir de forma mais racional do que a política permite.

Ainda mais do que antes, uma nova onda de planejamento econômico baseada na arrogância da pretensão do conhecimento não traria prosperidade e estabilidade, mas miséria e caos. Uma vez iniciados, os planos de política econômica da TMM levariam o país em direção ao socialismo.

As consequências inflacionárias do aumento substantivo dos gastos do governo são minimizadas pela Teoria Monetária Moderna. A expansão pode continuar até o ponto de pleno emprego, no qual, a partir de então, a tributação entrará em cena para absorver qualquer excesso de dinheiro que possa ser inflacionário.

Com essa crença, os devotos dessa teoria assumem uma economia de um setor com um suprimento ilimitado de capital cuja única restrição é o trabalho. Obviamente, essa visão da economia moderna é totalmente irrealista. A economia não é uma entidade homogênea em que a atividade econômica pode ser inflada e murchada como se fosse um balão.

Mas piora: nos escritos dos partidários da TMM é impossível encontrar o conceito e a função do capital na economia moderna. Em suas construções, a economia é um veículo puramente monetário e está longe da economia “capitalista”, na qual os empreendedores devem construir e reorganizar incessantemente a estrutura de capital.

A mesma história, contada várias e várias vezes

Gastos sem fim derrubaram o Império Espanhol com o influxo de ouro e prata das colônias americanas. A expansão maciça da oferta monetária durante e após a Primeira Guerra Mundial levou à hiperinflação na Alemanha, que destruiu sua classe média. Na América Latina, diferentes experiências com políticas semelhantes à TMM levaram à hiperinflação e ao colapso econômico. Esse foi o caso do Chile nos anos 1970, do Peru e da Bolívia nos anos 1980, e da Argentina e da Venezuela hoje.

O Brasil, obviamente, também vivenciou uma hiperinflação de preços como consequência da emissão exponencial de dinheiro. As agruras vivenciadas na década de 1980 foram consequências diretas deste arranjo. Desde então, o Brasil assumiu um setor público hipertrofiado, presente em todas as áreas, o que gerou um profundo traço de corrupção e uma aversão à confiança e à poupança.

Para concluir

A Teoria Monetária Moderna não é nem moderna nem uma teoria — é a tentativa de vender algo velho como novo. Vinho velho em garrafa nova é um fenômeno recorrente na economia. Embora prometa curar todos os tipos de problemas econômicos, a MMT é o elixir venenoso que arruinará aqueles que o tomam, como já aconteceu antes.

Embora a TMM seja um sistema de crenças falsas, isso não exclui seu uso como instrumento de propaganda política. A promessa de prosperidade para todos por meio de mais atividades do estado e de mais gastos do governo sempre encontrará voz na política e ouvidos na população. É apenas uma questão de tempo até que mais políticos descubram a Teoria Monetária Moderna e levem sua mensagem para avançar sua agenda socialista de políticas governamentais.

Por fim, embora seja correto dizer que a TMM é para a economia o que o movimento da Terra plana é para a geografia, a realidade é que a forma da terra não muda de acordo com o que as pessoas pensam sobre ela. Por outro lado, as ideias econômicas são poderosas mesmo quando estão erradas. Em termos puramente acadêmicos, a TMM não mereceria mais análises. No entanto, como artifício político, a Teoria Monetária Moderna é atualmente uma das ideias econômicas mais perigosas e, portanto, deve atrair nossa maior atenção.

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Leia também:

O tenebroso conto de fadas da Teoria Monetária Moderna – e de André Lara Resende

A Teoria Monetária Moderna foi aplicada na Argentina. Eis os resultados

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61 comentários em “Eis a promessa da “Teoria Monetária Moderna”: as utopias são alcançáveis sem consequências nefastas”

  1. Eu li em algum lugar que para o André Lara Resende a “Inflação” ta relacionada com as “expectativas” dos agentes. Deu a entender que é mais um fenômeno psicológico. É como se ele dissesse que “aumentar a quantidade de dinheiro” na economia nem sempre vai causar a inflação. (Diferente da Escola Austríaca que afirma categoricamente isso como se fosse algo exato, tipo 2+2 sempre será 4.)

    Hoje com a informática dos bancos e o dinheiro digital é possível ter um controle muito diferente do que ocorreu no passado. O Estado consegue “ver” quem tem dinheiro e inclusive consegue “tomar” esse dinheiro. Consegue irrigar e enxugar o dinheiro da economia de uma forma muito mais abrangente.

    Eu li também um texto do David Graeber que ele fala da criação dos “empregos de merda”. Que aumentaram muito nos EUA. Você tem vários trabalhos “improdutivos” simplesmente porque as pessoas têm que fazer alguma coisa… essa moral de mercado(que a escola austríaca endossa) de que todo mundo tem que ser “produtivo” pra economia girar… Mas na verdade você tem uma grande parcela de trabalhos inúteis…

    O mundo atual o tal do CAPITAL não migrou para produtividade.

    Tem até um livro sobre isso “A Era do Capital Improdutivo”. Os agentes que tem excesso de capital preferem especular, “jogar” com o dinheiro e esse dinheiro não é usada para produção, para coisas que geram valor de verdade pra sociedade.

    Nesse aspecto a escola austríaca é meio negligente e ingênua(Por que acha que o Capital sempre vai migrar pra algo produtivo). Nem Marx tinha previsto isso… esse FINANCISMO. Essa outra fase do capitalismo.

    E antes que venha algum abestalhado postar link de algum artigo pra eu ler, eu ja li praticamente tudo que esse site tem a dizer.

    Outrora já até flertei com as ideias da escola austríaca, mas elas caem por Terra quando se vive o mundo real. Não se fala do mundo real sem incluir o Estado na jogada.

    O problema da esquerda é tentar corrigir a diferença de capital entre as pessoas por meio de IMPOSTO. É a única via que eles encontraram.

    Imposto é uma violência contra os que possuem Capital.

    Mas os que não possuem Capital já são violentados por não terem Capital para participar do capitalismo. Aqueles que não tem nada a oferecer em troca, onde tudo ao redor virou propriedade. É o toma lá da cá do capitalismo e o poder de barganha entre os que tem Capital/propriedade e os que não tem Capital/propriedade.

  2. Importam essas ideias insanas de países ricos e tentam aplicar no Brasil, um país desgraçado de pobre, tomado por um estado bem estar social gigantesco. É complicado…

  3. Os autores aqui desse site são engraçados, julgam a economia como uma peça imutável e que segue regras fixas, sem as quais estaria fadada ao “fracasso absoluto”. Muito “fear-mongering” e pouco raciocínio prático, vai aqui um belíssimo artigo do Ray Dalio, CEO do maior hedge fundo do mundo, dando uma aula aos incautos sobre como o futuro será com a adoção da MMT e a MP3. Escancara como a política monetária não é uma ‘lei’ imutável e que novos mecanismos são necessários e muito bem-vindos, quem sabe o pessoal aqui não aprende algo novo? http://www.linkedin.com/pulse/its-time-look-more-carefully-monetary-policy-3-mp3-modern-ray-dalio

  4. A crise econômica tornou-se uma depressão, existe solução para o momento econômico do Brasil? Se existe, qual a solução? Eu vejo em todos os setores, comércio, serviços, além dos profissionais liberais( enfermeiros, advogados, fisioterapeutas, administradores, economistas) se queixam pois as contas não param de chegar mas a renda não acompanha esse ritmo…A reforma da previdência vai surtir efeito?

  5. A TMM será o destino natural dos desenvolvimentistas frustrados. Essa turma jurava que juro baixo e dólar caro fariam a economia bombar. Pois então. O dólar foi pra R$ 4 e a Selic foi pra 6,50%. Ambos recordes de alta (dólar) e baixa (juro).

    E a economia? Paradona. Aliás, a indústria, que os desenvolvimentistas explicitamente falavam que ia bombar com dólar caro e juro baixo, está praticamente morta.

    Obviamente, quem entende o mínimo de teoria econômica sabe que dólar alto na realidade ferra a indústria, de modo que o que está acontecendo não é novidade nenhuma. Mas querer que essa turma saiba algo de economia já é querer demais.

  6. Pelamor, não percam mais tempo com isso. Taí uma “teoria” que já nasceu morta. Quando até Paul Krugman vem a público dizer que a TMM concede poderes excessivos ao estado e subestima alguns riscos em relação aos gastos do governo, então a coisa já era.

    Se até Krugman alerta que uma filosofia econômica subestima os perigos dos gastos governamentais, então não há nenhuma chance disso prosperar no mundo real. Ficará mesmo só na Venezuela e na Argentina.

    Todos os artigos publicados aqui sobre a TMM são ótimos, mas não há motivos para perderem mais tempo com isso.

  7. Uma outra furada dessa “teoria” é acreditar que o governo não vai aumentar gastos quando aumentar impostos para “arrefecer” a demanda. Simplesmente qualquer perspectiva de aumento de receitas de impostos vai fazer os políticos salivarem e aumentar os gastos. Sempre foi assim na história do mundo.

  8. Como foi bem ilustrado no artigo da TMM na Argentina, vale ressaltar que o país consegue a proeza de ter uma carga tributária maior do que Canadá e EUA.

    Para um país como a Argentina ter a carga tributária maior que países como EUA e Canadá, a tributação precisa ser bastante alta e bem insonegável. Exatamente como pede a TMM, cuja tributação tem de ser eficiente para “enxugar a demanda”.

    Conclusão: a Teoria Monetária Moderna está sendo aplicada na veia argentina antes de sequer pensarem em dar um nome pra ela.

  9. O gasto que a Teoria Monetária Moderna (TMM) prega é o ótimo (investimentos que tenham retorno) e a tributação que ela defende é a ótima (sistema tributário simples, neutro, transparente, com equidade horizontal e vertical e que deixe pouca margem para evasão. A tributação ótima deve levar em conta a equidade horizontal e vertical, o princípio da neutralidade, o princípio do benefício, a progressividade e a regressividade da tributação, o principio da capacidade contributiva e etc.).

    Se isso for adotado a teoria irá funcionar.

  10. A bizarrice é tão grande que se torna difícil de acreditar que isto seja uma teoria defendida de maneira séria por algum economista. Mais parece uma paródia criada para fins humorísticos. A TMM ser utilizada para sustentar o Green New Deal, que quer proibir viagens aéreas, e Lara Resende apoiando isso comprovam que sua senilidade chegou relativamente cedo.

  11. Leandro,

    Seria muita falta de educação de minha parte lhe pedir dicas de investimentos e ações? kk

    Mas detalhes a parte, os comentários desse artigo está cheio de gente defendendo a TMM. Há pouco tempo atrás eu jurava que essa mentalidade tinha desaparecido, acreditava que o keynesianismo era o único remanescente das eras de máxima intervenção e que só países realmente muito estatistas (como Zimbábue) recorriam ao mesmo erro.

    Hoje, mesmo tendo 2 exemplos do nosso lado (Argentina e Venezuela), é incrível como tal mentalidade ainda exista. Como realmente defender a impressão generalizada de dinheiro e ainda achar que funciona?

    Achei que nem o PT e os grandes chegariam a tanto.

    Devo também falar que o forte nacionalismo que tá em crescimento no mundo todo também me assusta (Até na Estônia isso aconteceu…).

    Mas Leandro, você com toda a experiência e vivência nesses anos de instituto, graduação de economia e talz, têm alguma coisa a falar disso? Pelo menos no Brasil, tá com uma visão mais otimista? Teria a TMM tanto potencial no meio acadêmico e político?

  12. Esquerda pró reforma

    A reforma proposta pelo atual governo pune na medida certa a classe média improdutiva, reacionária e bolsonarista que espera se aposentar entre 50 e 55 anos atualmente uma vez que:

    -Receberam em 1985-90 ao entrarem no mercado de trabalho um país com renda per capita 20% acima da média mundial e hoje 2020 entregam para seus filhos um país com renda per capita 20% abaixo da média mundial;

    -Elegeram Collor, FHC e sucessivos congressistas patrimonialistas que transformaram o Estado brasileiro em um balcão de negócios;

    -A classe média dita progressista pouco fez para reverter votos reacionários, entregar panfletos e ir para o corpo a corpo nas ruas são sempre os mesmos, jovens e pobres.

    -Os pobres pouco serão afetados pela atual reforma uma vez que já são explorados pela classe média reacionária bolsonarista e têm que sofrer na chaga da informalidade até os 65 anos.

  13. Amigos, o que vocês acham da enorme juros da dívida que o Brasil está pagando, será que um auditoria dessa dívida seria bom para saber o que está sendo pago realmente.

  14. [off] Qual o será câmbio do dólar no dia 31/12/2019?

    Gostaria de saber a sua opinião, com as devidas justificativas, sobre qual será o câmbio do dólar em 31/12/2019 considerando que o texto aprovado da reforma da previdência trará uma economia nos próximos 10 anos de:

    1. 1,2 tri

    2. 0,9 tri

    3. 0,6 tri

  15. Já que é a festa da impressão do dinheiro, deixa todo mundo imprimir o seu em casa. Aí a economia vai girar que é uma beleza e acabou a pobreza!

  16. Leandro, fale sobre os 250 bi de créditos suplementares. Dá pra estimar o aumento da inflação e dos juros a mercado dos títulos públicos?

  17. Estado o Defensor do Povo

    Eu li em algum lugar que para o André Lara Resende a “Inflação” ta relacionada com as “expectativas” dos agentes. Deu a entender que é mais um fenômeno psicológico. É como se ele dissesse que “aumentar a quantidade de dinheiro” na economia nem sempre vai causar a inflação. (Diferente da Escola Austríaca que afirma categoricamente isso como se fosse algo exato, tipo 2+2 sempre será 4.)

    Meu caro, o que é a moeda? Um meio de troca, ela não é consumida, é apenas usada para mensurar o preço de algo em função dela, por exemplo, se temos 20 sapatos numa economia, e 20 moedas, cada sapato custa em média 1 moeda, se duplicarmos o número de moedas, mas não duplicarmos o número de sapatos, o que acontece com o preço deles? aumenta por “fatores psicológicos”?Aliás o que é esses “fatores psicológicos”? Usar essa palavra no contexto econômico fica ambíguo demais, simplesmente não faz sentido,explique melhor o que significa esses “fatores psicológicos”.

    Hoje com a informática dos bancos e o dinheiro digital é possível ter um controle muito diferente do que ocorreu no passado. O Estado consegue “ver” quem tem dinheiro e inclusive consegue “tomar” esse dinheiro. Consegue irrigar e enxugar o dinheiro da economia de uma forma muito mais abrangente.

    De novo, não está claro o que você quer dizer, tá falando de que o governo pode simplesmente tomar o meu dinheiro no meu depósito? De forma a combater a inflação?

    Eu li também um texto do David Graeber que ele fala da criação dos “empregos de merda”. Que aumentaram muito nos EUA. Você tem vários trabalhos “improdutivos” simplesmente porque as pessoas têm que fazer alguma coisa… essa moral de mercado(que a escola austríaca endossa) de que todo mundo tem que ser “produtivo” pra economia girar… Mas na verdade você tem uma grande parcela de trabalhos inúteis…

    “Empregos de merda”? Quem julga o que é emprego de merda e inútil? Pra se gerar um emprego, basta que uma pessoa A pague a B para fazer algo que A ache útil, não precisa ser algo que TODO MUNDO ache útil, tal coisa não existe, se alguém está disposto a pagar você pra fazer o que quer que seja, você está sendo produtivo, pois está fazendo algo de útil pra alguém, por exemplo eu acho degustadores de comida um emprego meio meh, não vejo muita utilidade para o que fazem, mas tem muita gente que quer contratar eles pra sua rede de fast-food, pois são úteis para essas pessoas de alguma forma, logo são produtivos, independente da minha e sua opinião.

    O mundo atual o tal do CAPITAL não migrou para produtividade.

    Tem até um livro sobre isso “A Era do Capital Improdutivo”. Os agentes que tem excesso de capital preferem especular, “jogar” com o dinheiro e esse dinheiro não é usada para produção, para coisas que geram valor de verdade pra sociedade.

    Desculpa cara mas aqui você errou feio, o mercado financeiro e a bolsa de valores são EXTREMAMENTE IMPORTANTES para a economia, sem eles os investimentos maiores em larga escala demorariam muito mais tempo para acontecer, outra tarefa deles é alocar com maior eficiência os recursos , de modo a evitar problemas como superprodução e escassez, eles fazem isso estabilizando mais os preços das coisas, funciona mais ou menos como a nossa conab, na verdade acho que é a mesma coisa, só que, diferente da conab, eles se importam com o lucro, lhes incentivando a fazer um trabalho melhor, outra tarefa deles é acelerar uma transação, pois compram um bem com demanda baixa esperando que no futuro a demanda seja maior.

    Nesse aspecto a escola austríaca é meio negligente e ingênua(Por que acha que o Capital sempre vai migrar pra algo produtivo). Nem Marx tinha previsto isso… esse FINANCISMO. Essa outra fase do capitalismo.

    Desculpa cara, mas é você que está sendo ignorante ao diminuir a importância do mercado financeiro dessa forma, tente abrir uma empresa sem esse “FINANCISMO” e veja se consegue.

    E antes que venha algum abestalhado postar link de algum artigo pra eu ler, eu ja li praticamente tudo que esse site tem a dizer.

    Não é o que tá parecendo.

    Outrora já até flertei com as ideias da escola austríaca, mas elas caem por Terra quando se vive o mundo real. Não se fala do mundo real sem incluir o Estado na jogada.

    De novo não está claro o que você quer dizer, a EA inclui o Estado sim em suas teorias, e mostram o que acontecerá caso o Estado intervenha demais na economia. Mas tipo, o que diabos é “saia da sua teoria e vá viver o mundo real”? O que é o mundo real então caramba? Explique-se, as pessoas tém muito essa ideia de que teoria e “mundo real” são completamente antagônicos, como se tudo que a teoria mostra fosse o completo oposto do que acontece na prática, como se tudo que fosse teórico fosse inerentemente falso e inútil, a teoria é uma forma de explicar o mundo real meu caro, se não for teoria vai ser o quê? Superstição? Não sei se foi isso exatamente que você quis dizer, mas quis deixar essa interpretação aqui.

    O problema da esquerda é tentar corrigir a diferença de capital entre as pessoas por meio de IMPOSTO. É a única via que eles encontraram.

    Corrigir? Corrigir o quê? Se eu ganho 100.000 e você ganha 10.000, isso tem que ser corrigido? Há algum problema aí? Há alguém sendo agredido? Há alguém empobrecendo? Você acha justo que um neurocirurgião ganhe exatamente o mesmo que o porteiro do prédio? E não, a finalidade do imposto não é reduzir as desigualdades, e sim custear as despesas do Estado, mas mesmo que fosse isso, tal coisa não é possível devido aos incentivos que se cria em tal arranjo, se você tira milhões dos mais ricos para distribuir aos pobres, que incentivo os ricos têm de produzir mais riqueza? já que eles sabem que terão seus ganhos confiscados, e que incentivo os pobres têm de produzir alguma riqueza? Já que eles sabem que receberão dos mais ricos independente se trabalham ou não, o resultado que você terá é uma diminuição da produção e aumento da pobreza, isso sim é fugir do mundo real, esse negócio de distribuir riqueza via imposto nunca dará certo na prática, pois não leva em conta inúmeras coisas sobre a natureza humana.

    Imposto é uma violência contra os que possuem Capital.”

    Ou seja, todos. Mas supondo que você esteja certo e que só alguns se dão mal com imposto, então por que você quer que essas pessoas se deêm mal? O que elas fizeram pra você? Pelo amor de Deus cara trate as pessoas como gente, não importa se são ricas ou não, sinceramente não consigo entender de onde vem tanto ódio e difamação contra as pessoas mais ricas, chega a ser revoltante, por que você quer que haja mais violência contra elas? Se alguém é rico, há um motivo, que é servir as pessoas, o dono do Walmart por acaso cometeu algum crime ao começar a vender comida barata para as pessoas? Porque ao taxar ele você está assumindo que sim, de fato Mises estava certo, o homem comum tende a zombar de quem é mais próspero que ele, e diz que se ele não respeitasse as regras de moral e decência, ele também seri rico.

    Mas os que não possuem Capital já são violentados por não terem Capital para participar do capitalismo.

    Aqueles que não tem nada a oferecer em troca, onde tudo ao redor virou propriedade. É o toma lá da cá do capitalismo e o poder de barganha entre os que tem Capital/propriedade e os que não tem

    Beleza cara, qual a sua sugestão? Obrigar os outros a servirem os mais pobres? Eles por acaso não têm direito nenhum? Se o cara for pobre aí deboa, ele tem direito a tudo, inclusive a escravizar os outros para lhe fornecer algo, agora se esse mesmo pobre enricar, já era, automaticamente ele perde os seus direitos e deve agora ser escravizado por aqueles que não enricaram, cara se for assim então façamos um teste, se alguém pede pra você dar aula ou então a tratar um paciente, você exigirá um pagamento pelo seu serviço? Se sim, nossa como você é cruel e desumano, como assim você quer algo em troca por fazer algo pelos outros?Tinha que ser um egoísta mesmo, gente como você que perpetua esse nosso capitalismo malvadão e desumano; mas se não então pronto, faça o favor de abrir uma escola ou um consultório tudo de grátis, as pessoas lhe agradeceriam bastante.

  18. Pelo que entendi das medidas propostas é que não há uma natural escassez e que, muito pelo contrário, o que há é não apenas um estoque, mas, ainda pior, um fluxo tão imenso de riquezas que isto poderá, por alguma razão não muito bem delineada, ser extremamente perigoso à humanidade, razão pela qual o Estado deverá proteger as massas, criando artificialmente tanta escassez quanto consiga, ainda que das formas mais toscas que se possa imaginar.

  19. A velha jogada de mudar os termos e/ou as definições para parecer que é uma ideia nova e funcional, quando na verdade é algo que já foi refutado na teoria e na prática. Mas como diz o que muitos querem ouvir, sempre encontra pessoas dispostas a acreditar.

    * * *

  20. 1) A MMT não diz que o governo pode dinheiro imprimir dinheiro e com isso criar riqueza. Ela diz o que os governos JÁ fazem hoje: Desde 2008, Estados Unidos, União Européia, China e Japão simplesmente imprimem dinheiro para um monte de coisas, especialmente em 2008 pra salvar o sistema financeiro.

    2) Isso gera inflação? Nem sempre. O sistema bancário JÁ cria moeda absolutamente sem limites (e muito mais que o Estado) devido as reservas fracionárias, e isso não cria inflação, assim como em 2008 os QEs não criaram.

    3) O que a MMT propõe é reestabelecer a função aristotélica do dinheiro como nomisma, isto é, um objeto do direito e não do mercado. É uma idéia pré-moderna na verdade.

    4) Isso significa que dinheiro dá em árvore e o governo pode por 1 milhão de reais na conta de todo mundo? Não. O governo na MMT só não tem restrição financeira, mas ainda tem restrições fiscais reais e externas. O governo não pode emitir moeda soberana de outro país e não pode violar os limites físicos da economia. Se o governo gastar moeda até o limite dos fatores de produção ocorre inflação. Isto porque moeda não é mercadoria, é um crédito contra o governo, é um objeto do direito. A limitação está na realidade porque os recursos são escassos.

    É importante dizer isso, pois a MMT não nega a escassez de recursos e meios, o que ela nega é que o governo possa ser insolvente em sua própria moeda.

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