Nota do Editor
O artigo abaixo foi originalmente publicado em dezembro de 2018. Com o recente anúncio de que Trump pretende elevar de 10% para 25% as tarifas de importação dos EUA sobre produtos chineses, já na próxima sexta-feira, 10 de maio, as previsões feitas no artigo se comprovaram bastante acuradas.
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O encontro
dos países do G-20 em Buenos Aires tinha um objetivo supremo: fazer com que
EUA e China chegassem a um acordo e reduzissem suas tensões comerciais.
No entanto, o anunciado acordo foi muito mais uma “trégua
diplomática” do que um acordo verdadeiro: os EUA se comprometeram a postergar
a imposição de tarifas de importação contra a China (que entrariam em vigor no
dia 1º de janeiro de 2019), e a China se comprometeu a comprar mais produtos agrícolas
e energéticos (como gás natural
liquefeito). Adicionalmente, a China também
prometeu se empenhar mais em questões de segurança jurídica e de cumprimento
de contratos, em abrir o mercado de capitais e em proteger a propriedade
intelectual.
No entanto, todo o linguajar foi vago, os
comprometimentos são condicionais, e o tempo é limitado.
Nada
de novo
Quando a imprensa fala em “guerra comercial” como se
fosse uma novidade, ela incorre em um grave erro. O mundo vive uma guerra
comercial há anos.
Os EUA vêm há anos denunciando as barreiras
comerciais impostas pela China
e por outros países, direta
e indiretamente, sem que a Organização Mundial do Comércio fizesse nada a
respeito. Consequentemente, o país reagiu e, erroneamente, também recorreu ao
protecionismo, de modo que, de 2009 a 2016, o país introduziu mais medidas
protecionistas do que qualquer
outro país do G-20. A Organização Mundial do Comércio alertou,
em várias ocasiões antes de Trump ser eleito, sobre o aumento do protecionismo
que vinha ocorrendo desde 2011.
Número
de medidas comerciais discriminatórias impostas anualmente desde 2009
Número
total de medidas comerciais discriminatórias impostas por cada país desde
novembro de 2008
A
necessidade da China
O aumento do protecionismo global, especialmente o
americano, é péssimo para o modelo econômico chinês. A China desesperadoramente
tem de manter seu superávit comercial com os EUA para dar sustento ao seu
modelo de crescimento baseado em exportações (maciçamente subsidiados pelo
governo chinês).
Essa necessidade chinesa de manter exportações para
os EUA é muito maior do que a necessidade americana de manter a China como a
principal compradora dos títulos da dívida pública dos EUA. (A China usa os dólares
obtidos por suas exportações para comprar títulos da dívida americana).
Para começar, a China não é o principal detentor dos
títulos públicos americanos (embora ainda seja o maior detentor estrangeiro).
Os principais detentores são os próprios investidores e instituições dos EUA. Adicionalmente,
a demanda por títulos públicos americanos continua robusta e, mesmo com a China
e o Fed vendendo títulos, os juros sobre eles não
dispararam.
Por outro lado, as reservas
internacionais da China estão caindo.
Evolução
das reservas internacionais da China, em dólares
A China não pode manter seu modelo econômico — que
se baseia em crédito subsidiado ao setor exportador, que é majoritariamente
industrial — se suas exportações para os EUA diminuírem. Simplesmente não há outro
mercado que possa substituir os EUA e assim contrabalançar uma eventual queda
das exportações para os americanos. O superávit comercial da China com os EUA foi
de US$ 375
bilhões em 2017, sendo o principal impulsionador do PIB
chinês pela ótica do setor externo.
Uma redução no crescimento das exportações da China, além de afetar os números
do PIB do país, causaria uma profunda e negativa reação em cadeia não apenas em todo o seu poderoso setor industrial, como também nas redes de fornecedores, de transporte, de peças de reposição, de matéria-prima, de logística etc. A economia da China é
fortemente dependente do setor industrial exportador, tendo crescido em torno dele. Uma redução nas exportações para os EUA alteraria todo este
desenho, de modo que as indústrias (e suas redes de apoio) teriam de ser redimensionadas e rearranjadas
visando a um novo mercado consumidor que substituísse (ao menos em parte) os americanos.
Como esse mercado teria de vir da população interna do país, e dado que ela é muito mais pobre que a americana, é óbvio que preços, receitas e lucros teriam de cair.
Essa transição seria dolorosa e, obviamente, traria
grande insatisfação dos chineses em relação ao seu governo.
Mas há também outro ponto igualmente importante: uma
redução nas exportações também aceleraria a já acentuada queda no volume de
reservas internacionais do país, as quais já caíram 30% desde as máximas
alcançadas em 2014.
E isso geraria um ciclo vicioso: uma redução nas
reservas internacionais da China irá acentuar a saída de capitais do país (que
já está acontecendo); essa saída tende a levar à imposição de mais
controles de capitais, o que gera três efeitos: menor
crescimento econômico, aumento
nos juros da dívida, e o risco de desvalorização do renminbi.
Esses três efeitos já ocorrerem em 2018, como comprovam
os hyperlinks acima.
Em suma, para a China, uma guerra comercial seria
devastadora para seus principais indicadores macroeconômicos. Para os EUA,
seria negativa, mas para a China seria um desastre.
Os EUA exportam muito pouco em relação ao seu PIB (apenas
11%), de modo que qualquer ameaça que leve a um acordo para aumentar suas exportações
é vantajosa. Sim, uma guerra comercial pode gerar custos mais altos de bens e serviços
para os americanos, mas a realidade é que a China exporta desinflação para os EUA,
e as expectativas inflacionárias nos EUA estão caindo, e não subindo.
Ou seja, a ideia de que ambos os lados seriam impactados
de maneira igualmente negativa em caso de uma guerra comercial é simplesmente
incorreta tanto do ponto de vista teórico quanto empírico.
Apenas
palavras
Por tudo isso, o acordo anunciado entre EUA e China
na reunião do G-20 nada mais é do que um “cessar-fogo condicional”.
A China não tem intenção de garantir propriedade
intelectual, nem de eliminar controles de capital e tampouco acabar com enorme interferência
política sobre questões jurídicas. Já o anunciado aumento de importações de produtos
americanos pela China provavelmente terá um impacto muito pequeno no superávit comercial
do país.
Esse acordo, portanto, foi apenas uma pausa, e é de
se imaginar que as ameaças tarifárias voltarão tão logo fique claro que não houve
alterações. Pelo combinado, se a China não cumprir suas promessas em 90 dias,
as tarifas anunciadas serão efetivamente implantadas em 25%.
As diferenças de interpretação no acordo entre os
governos chinês e americano podem ser vistas em suas respectivas declarações oficiais.
Os EUA dizem que a China irá mudar sua política em relação a controle de capitais,
propriedade intelectual e segurança jurídica; já a China apenas diz que ambos irão
“trabalhar junto”. Os EUA afirmam que o acordo estará invalidado após 90 dias;
a China não menciona nenhum prazo. Os EUA afirmam que as compras de produtos
americanos pelos chineses irão aumentar em vários setores específicos da
economia americana; já a China apenas fala sobre ‘comprar mais produtos’.
O acordo, ademais, não altera as diferenças comerciais
e políticas de ambos os países, e é muito similar ao fracassado acordo firmado
com a China em
maio, o qual não deu em nada.
Conclusão
Recomenda-se cautela, e não euforia. A China de fato
tem muito a perder com uma guerra comercial, mas não é muito crível imaginar
que ela adotará todas as exigências, especialmente as que envolvem a postura de
seu governo. Se a China continuar injetando capital em seus setores financeiro
e corporativo, isso será um sinal de que o acordo não tem nenhuma credibilidade
para o governo chinês. E aí a guerra comercial poderá ser efetivamente iniciada.
Não se deve imaginar que este suposto acordo seja um
catalisador que colocará a economia mundial novamente em seu modo de expansão. A
inquietante realidade é que o acordo, por si só, não tem por que trazer nenhum
estímulo para a economia global.
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também:
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de ser uma contradição em termos, possui um histórico pavoroso
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The Art of the Deal.
Os burocratas que gerenciam o governo chinês determinaram que é bom para a China vender para os estrangeiros todos os bens de valor que produzem, desta forma reduzindo a oferta destes bens para os próprios chineses e, com isso, privando sua população de usufruir um maior padrão de vida.
Obviamente, isso é um péssimo negócio para a maioria dos cidadãos chineses, mas um ótimo negócio para os protegidos magnatas do setor exportador.
É também um ótimo negócio para os cidadãos americanos que compram produtos chineses bons e baratos. O governo chinês está subsidiando o estilo de vida dos americanos.
Enquanto isso, os cidadãos chineses, que estariam felizes em poder consumir os bens produzidos pela indústria chinesa, acabam sendo privados destes mesmos bens, pois a preferência é que eles sejam exportados para os estrangeiros.
Isso é o básico do mercantilismo. Tudo de bom que um país produz deve ser mandado para fora com subsídios do governo, deixando sua população apenas com as sobras. Ganha o setor exportador e ganham os burocratas do governo (que recebem “gratificações” deste setor exportador). Todo o resto do populacho perde.
E se a China ameaçar desovar os títulos públicos americanos, quais as consequências?
Estamos perto de uma nova crise então?
Bom que guerra (ainda) não tenha começado, mas não vamos nos iludir sobre o atual arranjo comercial, que continua severamente tolhido pelos governos (embora o brasileiro seja o pior de todos).
Acordos de livre comércio genuínos não precisam de mais do que uma página. Não colocarei tarifas sobre suas exportações e você não colocará tarifas sobre as minhas. Fim.
Mas é claro que isso nunca ocorrerá, pois políticos estão ali para proteger empresários e sindicatos ineficientes e preguiçosos, os quais utilizam seus lucros oriundos de sua reserva de mercado (garantida pelo governo) para fazer doações de campanha. E assim o ciclo se perpetua.
O dia em que o capitalismo foi abolido no Natal
O Instituto Capital Imoral de Assuntos Sociais está lançando um texto especial de Natal. Vamos viajar no tempo e conhecer a estória de Paulo, um menino muito rico e inteligente, que estava triste com o materialismo de seu tempo e a corrupção dos homens. Vamos conhecer o milagre de natal que impediu o capitalismo de existir durante um dia.
A Máquina que move o mundo
1945,
o governo de Getúlio Vargas assume o poder. Novos economistas promoviam uma política de incentivo e desenvolvimento ao setor industrial de São Paulo. Novas empresas não paravam de nascer; dentre as estatais, haviam pelo menos três: Companhia Vale do Rio Doce (1942), Fábrica Nacional de Motores (1943), Fábrica Nacional de Álcalis (1943). Pessoas do mundo inteiro queriam estar em São Paulo a fim de participar da Nova-Inglaterra em terras tupiniquins. O dinheiro tornou-se abundante. Grandes edifícios brotavam do chão, novas lojas – uma mais bela que a outra – disputavam por clientes. O Natal de 1945 prometia ser o mais belo de todos. Havia uma espécie de alegria não-dita.
Homens elegantes caminhavam pela calçada, admiravam a imensidão de uma cidade que não parava de crescer. O luxo, sempre intenso, cada vitrine parecia um templo do consumo. Tudo estava limpo, belo e organizado. As lojas eram como uma extensão das belas ruas arborizadas, dos homens e suas incognitas, dos carros em movimento. Cada homem era uma obra de arte urbana: Cigarro (hollywood) na boca e pensamentos, muitos pensamentos; um casaco preto em volta do terno; olhos atentos, levemente encobertos por um chapéu preto. Mulheres eram o extremo-oposto, como se a estética revela-se a natureza de cada ser: Maquiagem leve e belos brincos; um vestido que carrega consigo a beleza de um verão inteiro; olhos cheios de misericórdia, como se estivessem perdoando os meus pecados. O que falar das crianças? Representavam uma pureza viva e ativa; Boina na cabeça, sapato social desgastado; joelho ralado e muita disposição para correria – estavam a brincar de pique-esconde.
– Papai, veja! a máquina que move o mundo.
Paulo falava sobre o trenzinho de brinquedo, podia-se ver através da vitrine da nova (e imensa) loja de brinquedos.
– Você gostou, meu filho? Pois saiba que essa máquina representa o capitalismo. Essa máquina move o mundo assim como capitalismo. Leandro, pai de Paulo, já sabia o que comprar para o filho. Leandro, homem rico, trabalhava como economista no governo de Getúlio Vargas. Ele vivia no paraíso: Tinha uma bela mulher, belos filhos e um casarão na Avenida Paulista.
Leandro falava com o vendedor enquanto Paulo brincava fora da loja.
– Eu gostaria de pagar com o meu novo cartão American Express Personal Cards foda foda foda de ouro".
– Meu senhor, não aceitamos esse cartão. Afirmou o atendente.
– Como não? Vocês são burros ou o quê? Esse é o American Express de Ouro! Para você ter um desse você teria que vender sua casa, seu carro, sua mãe e ainda não conseguiria pagar os juros desse cartão. Disse Leandro.
– Eu entendo, mas a loja não aceita esse cartão. Afirmou o lojista.
– Isso é um absurdo! Eu vou escrever um artigo para o Instituto Liberal de Economia e depois eu vou fechar essa budega através de um decreto! Vocês se meteram com a pessoa errada! Eu trabalho para Getúlio Vargas e o pau vai comer! Vamos, Paulinho.
O dia estava chegando ao fim. Leandro estava indo embora com seu filho quando passou em frente a Paróquia São Luiz Gonzaga – logo ali, na Avenida Paulista – e alguma coisa o induzia a entrar – talvez o senso de comunhão.
Paulo estava animado, o Natal estava chegando e a Igreja promovia um novo projeto de fim de ano. Dizia o Padre: Meus irmãos, neste fim de ano vamos mostrar a todos que é a misericórdia divina que move o mundo – Leandro olhou torto para o Padre -, vamos visitar comunidades carentes, distribuir alimentos, presentes e oferecer à palavra que dá vida.
– Vamos, Papai?
– Eu não sei, meu filho. Eu vou estar muito ocupado bolando um artigo para derrubar aquela porcaria de loja.
– Mas, Papai. É apenas uma loja de brinquedos.
– Não, meu filho. Eles precisam aprender a lidar com homens como eu – homens que têm a informação correta -, Eles me devem respeito pois eu tenho à luz do mundo.
– Por favor, Papai. Eu não quero mais a máquina que move o mundo. Eu quero ajudar a Igreja.
– Leandro pensou: Parece-me ser uma boa ideia, eu não irei gastar dinheiro e ainda o meu bebê vai ajudar os incapazes, os aleijados intelectuais, que não souberam ter "informação" e fazer "trocas voluntárias".
– Muito bem, meu filho. Nós iremos.
Os pequeninos
O grande dia chegou. Paulo estava animado pois chegará em um ambiente totalmente novo para ele: uma favela. Paulo percebeu que a Favela do Gato, que fica no Bom Retiro, era o extremo-oposto de uma grande avenida comercial. o ambiente era horrível e a realidade, dura. Não se podia dizer que moravam em casas, aquilo não era uma casa, aquilo, na melhor das hipóteses, era um abrigo para sobreviver em um mundo cruel e desumano. Um mundo que não se importa com seus sentimentos.
Homens que mal tinham o que vestir: Uma camisa de político e chinelos nos pés; a cabeça, sempre raspada; os pensamentos, sempre sexuais. Garotas vítimas da própria cultura e pobreza: Grávidas, mas com uma inocência, sempre, de criança; roupas curtas e mal alinhadas; cabelo bagunçado; pele negra, sim, porque essa é a realidade; mas o mesmo olhar que perdoa os meus pecados. O que falar dos pequeninos? Crianças, quase sempre negras, com roupas doadas – sempre doadas; mamadeira na mão e um olhar inocente, como se não entendessem o por quê de tudo aquilo. Ao fundo, podia-se ouvir uma música com palavras de baixo calão – um amigo havia comentado ao Padre que aquela música estava sempre presente, como se a música fosse uma isca para levar as almas ao pecado. O padre, gentilmente, pediu que desligassem a música enquanto ele entregava presentes e dava bênçãos. Nada feito, a música precisava correr pois era parte integrante da comunidade. Não demorou muito e as brigas começaram:
– Seus coxinhas de merda! Eu pedi um tênis da Nike e vocês me dão essa porcaria de Sigati. Que diabos é Sigati?;
– Eu pedi uma casa e vocês me deram uma meia. =-( ;
– Chamisleine pediu uma bicicleta rosa da Barbie e não essa porcaria de boneca da roça!.
E a discussão corria até que se ouviu tiros ao fundo – hora de fugir -, a polícia chegou. Corre, Corre, Corre. Olhos atentos, agitados, de uma pequena criança a observar, pela eternidade, a perdição do homens. Corre, corre, corre. Essa é a nossa natureza.
Paulo, mesmo observando a breve felicidade dos pequeninos, tinha em mente que aquela felicidade era temporária, logo, voltaria o terror da convivência. Os olhos da pequena criança denunciavam que a pior pobreza é sempre a da alma. Corre, corre, corre. Essa é a nossa natureza.
– Papai! Eu preciso mudar o meu pedido de Natal.
– Agora não, Paulo. Estamos fugindo dos traficantes. (corre, corre, corre)
A noite fria do dia 24 de dezembro de 1945
Paulo acordou às 7h00 da manhã, queria ir sozinho para Paróquia São Luiz Gonzaga. O dia estava frio, ventos gelados e uma avenida vazia. "Ora, onde está todo o mundo? O que houve com a correria dos homens? É melhor eu entrar logo e me proteger deste grande vazio".
Uma paróquia imensa, luxuosa, apresentava-se diante de Paulo. Ele gostava daquela paróquia porque sabia que ali havia algo que o protegia. Algo que o protegia da correria. Como se o nada fosse o tudo. Enquanto olhava para o Sacrário, Paulo pensava: Por que a alma dos pequeninos deveria ser corrompida pela sexualidade e materialismo? Eu daria tudo para que eles pudessem ver o mesmo que vejo, sentir o mesmo que sinto – afinal, a boa vida é um estado superior de contemplação. O presente é apenas algo material com o propósito de amenizar doenças da alma; Paulo sabia disso, sempre soube. O que devo fazer? Como posso mudar essa realidade? Se houver alguém no sacrário, por favor, ajude-me.
Sinos tocavam ao fundo.
Um velho de barba branca adentrou à Igreja. Paulo logo olhou para trás, aterrorizado. Um velho com um saco cheio de latinhas nas costas caminhava lentamente pelo carpete vermelho. Sua presença, suja, tornava tudo um grande incômodo estético diante de tanta beleza e harmonia. Sua face revelava um homem que sofreu muito. Sentou-se ao lado de Paulo.
– Que a paz esteja convosco, meu filho.
– Quem é você?
– Eu sou apenas um velho de barba branca.
– Sério? Então você é o Papai Noel?
– Bem…Eu sou pai de muitos filhos.
– Hahaha. Você é engraçado, Papai Noel.
Estavam apenas os dois em uma imensa paróquia. O frio era intenso, mas o ambiente, agradável. Como se a presença d'Ele estivesse em todo lugar. Conversaram durante horas; Paulo não parava de falar, por algum motivo, ele se sentia empolgado, vivo, ao lado do velho de barba branca.
– Papai Noel, eu tenho um pedido.
– Pois diga, meu filho.
– Eu gostaria que o capitalismo fosse abolido neste Natal. Eu não aguento mais tanto materialismo e corrupção.
– A corrupção sempre estará entre vós, meu filho. Enquanto houver o que comer e o que beber, haverá corrupção no mundo. Mas irei atender ao seu pedido para que os homens vejam, com clareza e medida, que no fim, é a misericórdia que move o mundo.
Um milagre de Natal
Quando o sol surge com seu calor, a relva seca, a flor murcha e a beleza de sua aparência morre. É assim que o rico murchará em seus negócios. – Carta de Tiago.
O sol surgiu e as pessoas começaram a sair pelas ruas, não para comprar, mas para observar que algo mudou. Não havia carros, casas, lojas, empresas, marcas; apenas pessoas em uma metrópole infestada de coisas. Elas sentiam que o começo, meio, fim era o ser humano. Os homens não tinham mais interesse em fazer trocas porque não importava mais. Qual a vantagem de tirar vantagens de um homem que não possui nada? Qual a vantagem de tirar vantagens de um homem que possui tudo? Pois era assim que eles se sentiam. Sete bilhões de pessoas sentiam que não possuam absolutamente nada, eram miseráveis, e, ao mesmo tempo, distintos seres diante da misericórdia.
O tempo carrega consigo uma natureza cruel que nos desgasta, nos deixa sem rumo, e ao mesmo tempo revela o eterno. Como uma ponta de agulha onde só quem presta bastante atenção consegue passar. No natal de 1945 essa ponta estendeu-se e tornou-se clara para todos. Os homens conseguiam observar a extensão do tempo e espaço, podiam ver, com clareza e medida, as próprias iniquidades e como se corromperam por tão pouco.
Todos eram gigantes, e, igualmente gigantes, por natureza. Do mais pobre ao mais rico, todos eram filhos de Adão.
Fome? Abrigo? Necessidades? Qual o sentido dessas palavras quando elas não têm mais serventia? Minha comida é a palavra que dá vida. Não se preocupavam com essas coisas porque buscavam, desesperadamente, alguém que pudesse lhes oferecer misericórdia. Alguém que pudesse dizer: Eu te perdoo. Como um copo de água para quem está no deserto. Esse foi o dia em que não importava o amanhã, apenas o hoje. Alguns ficavam loucos ao concluir que não havia ninguém para lhes conceder misericórdia – a culpa os consumiria pela eternidade de um dia.
Um dia de Natal.
Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
Neste caso, seria inteligente dos EUA forçar a barra chinesa futuramente ao passo de firmar algum outro aliado industrial? Seria essa postergação para avaliar a futura situação do Brasil e Europa no ano que vem? Uma vez que a possível (justamente aí que entra a postergação da “guerra”) industrialização do Brasil, vindo de facilitação burocrática e acordos comerciais bilaterais, faria do Brasil (e seus 207 milhões de pessoas) um substituto em potencial para suprir a “queda” dos acordos com a China?
Ver como será a futura aliança com o Brasil e o possível resultado poderia ser fato decisivo. Pois se os EUA forçar a China e houver fuga de capital dos xingling, este capital poderia vir para o Brasil: aliado dos EUA, desburocratizado, com menor intervenção, com diversas privatizações (chamando capital) e com uma ampla gama de setores para fortalecer a industrialização.
O que é interessante para os EUA fazer uma estratégia dessa, uma vez que ter um substituto comercial/produtor da China comunista com um aliado mais “alinhado” e próximo (culturalmente, economicamente, ideologicamente e geograficamente), o que resultaria numa futura não necessidade de uma guerra comercial.
Lendo este artigo, lembrei-me da guerra fria, um fazia ameaças para o outro, mas no final ninguém tomava nem uma iniciativa.!
Sobre a dificuldade de ser patrão no Brasil:
http://www.youtube.com/watch?v=MlnZ9-fkw-8
Muito bom
O TRUMP disse que o FED é um problema maior que a China, me parece que ele sabe que um próximo CRASH esta por vir.
Que data vocês chutariam? 2021? 2022? Da tempo do trump vencer mais uma?
Uma coisa é certa, Bolsonaro vai encarar uma crise internacional no seu governo né?
Abraços
Uma coisa que chama atenção na China são os carros feitos com gosto local (acho que até o Leandro vai ficar curioso com isso).
Só ver o Audi A6 com entre-eixos maior do que no resto do mundo, que vai ser lançado (ou até já foi lançado) por lá. E muitos carros são feitos em fabricantes que fazem abertamente associação com o governo, o que já denuncia o poder ainda existente no partido. Muito provavelmente o público-alvo é de burocratas e afins, porque ainda existe um poder severo do estado sobre a economia privada.
Não é mais a tarifa protecionista para garantir a boquinha das corporações, eles já se pegam abertamente em sociedades de economia mista.
Só não sei o que virá depois do fim do PCC, porque uma hora ele vai sumir.
Alguém me dá as seguintes respostas?
Como judiciários privados irão proteger aqueles que não tem dinheiro (logo não terá acesso) das injustiças do mundo? E como os judiciários funcionariam pelo fato de terem pensamentos de justiça um pouco diferente?
O que impede de pessoas influentes e com poder capital de criar um país?
Os policiais só iriam defender quem paga essa instituição privada?
Quem iria garantir as leis (moral e ética que vocês tanto falam)? Logo se isso acontecer não vai acabar tendo um governo em volta dessas leis?
Espero que o Brasil aumente sua participação no comércio americano, e que impostos sejam reduzidos. Que o Brasil se torne mais atraente aos americanos que a China, aí quero ver como vai funcionar esse jogo
Alguém poderia me explicar o por que da China “exportar desinflação” para os EUA? Seria por que os EUA compram os produtos chineses e mandar dólar pra China, diminuindo a quntidade de moeda nos EUA?
Olá pessoal do Mises!
Editores e autores, não costumo pedir artigos e raramente o fiz no já longo tempo em que frequento o site. Mas gostaria de sugerir um tema: as supostas turbulências a ocorrer no mercado norte-americano no ano de 2019 e as consequências que esta poderá ter para o Brasil.
Há várias pessoas, inclusive o “austríaco” Jim Rogers, insistindo no tema. E considero que isto é de interessa nacional, sobretudo em vista das mudanças políticas que vive nosso país. E não há quem possa dar melhores esclarecimentos ao público brasileiro sobre a questão que a equipe do Mises Brasil.
Por isso peço à equipe que considere um artigo sobre o tema.
Abraços
Boa tarde!
Excelente artigo, mas eu gostaria de saber se algo positivo virá desta “guerra comercial” entre China e Estados Unidos. Eu me pergunto pelo setor do agronegócio: farelo e óleo de soja, soja em grão, milho em grão, suco de laranja, açúcar, carne de frango e de porco, carne bovina, café, entre outros. Se os chineses pararem de comprar alguns desses produtos dos EUA, eles poderiam comprar do Brasil? Ou não?
OFF
A Internacional Progressista oferece algum perigo ou é só um bando de derrotado lamentando a derrocada da esquerda no mundo?
Não digam. E vocês só foram perceber isso agora??
Quando vocês afirmam que o mercantilismo é um mau negócio pro povo Chinês e um bom pro governo Chinês E PARA OS AMERICANOS, cometem um erro grave. A China é comunista e pretende dominar o mundo (NAS SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS), e são INIMIGOS dos americanos e sua (ainda restante) liberdade comercial.
Isso só demonstra que um país exportador pode ter eventuais problemas se um governo nacionalista subir ao poder e começar a taxar tudo. Com um país importador essa situação não aconteceria, por isso os EUA estão em uma posição de vantagem perante a competição com a China nesta guerra comercial.
É verdade que 51% do lucro da Apple fica com o Estado chinês?
Há uns dois ou três anos atrás conheci em um desses sites de amizades à distância entre estudantes, uma moça chinesa de 17 anos, ela era de uma cidade grande de lá que infelizmente não lembro mais qual é. Nas nossas conversas ela me falava sobre o sistema de ensino da China, aula de segunda à sábado, das 7:30 às 22:00, e segundo ela, nos domingos raramente dava pra fazer qualquer coisa pois tinha que estudar e fazer as tarefas da escola, e que vários alunos la tem problemas sérios de coluna por ficar sentado por muito tempo. Todo esse esforço pra conseguir uma gloriosa vaga numa universidade, onde a carga horária é semelhante. Então eu perguntei pra ela se todo esse esforço realmente vale a pena e tal, e ela me disse: “Aqui se você não tiver um diploma universitário é muito difícil conseguir se alimentar”, é o tipo de coisa que eu consideraria totalmente normal ouvir de um brasileiro ou de qualquer pessoa vinda de país pobre, mas não da China com suas gloriosas taxas de crescimento e a imensa riqueza que supostamente existe por lá, porém lembrando disso hoje, só me fica claro o quanto essa riqueza é “falsa”, meia dúzia de membros do partidão e empresário amigos do governo limpando a bunda com nota de 100 dólares, enquanto a população tem que se sujeitar a algo tão degradante só para conseguir ter uma vida minimamente digna. Papo vai, papo vem, ela me disse que queria ser arquiteta, mas que não pode pelo fato de arquitetos por lá trabalharem muitas vezes 18 horas por dia (Lendo o artigo agora eu entendo perfeitamente por que), e que ela não aguentaria isso.
Pra mim está bastante óbvio que o Trump usa o Twitter para fazer especulação no mercado financeiro. O S&P sobe, ele vai pro Twitter e faz uma ameaça, a economia global trava, S&P despenca, ele compra tudo e aí fica mansinho. E então o S&P volta a subir forte, ele vende tudo, compra índice de volatilidade, volta pro Twitter, faz mais ameaça e começa tudo de novo.
O caso chinês me fascina também em outra coisa: o setor automotivo. Ao contrário do Brasil onde os subsídios são mais discretos (com por exemplo BNDES financiando fábrica da BMW em Santa Catarina), na China o negócio é feito na cara dura: as fabricantes se associam com estatais chinesas.
A Volkswagen, por exemplo, se torna a FAW-VW por um _joint-venture_, onde o maior acionista é a estatal FAW (com 60% da fatia). E um fenômeno que surgiu lá é de carros com distância entre-eixos maior do que no resto do mundo. O A6, por exemplo, chamado de A6L, possui entre-eixos maior que o A8. E isso é comum em vários carros, mais recentemente chegando também no Série 3 da BMW. Há também o Jaguar XE, Audi A4 e Mercedes-Benz Classe C.
Vocês não acham isso muito bizarro?
E a MP da liberdade econômica? O que acharam? Somente um osso para a liberdade econômica ou pode ter efeitos consideráveis? Será que vale um artigo do Leandro Roque?
Rapaz, ser americano deve ser muito bom. Lá, o presidente pode anunciar qualquer medida anti-mercado, como essa agora de taxar produto chinês, e o que acontece com o dólar? SE VALORIZA.
Aqui, basta o presidente fazer um simples comentário naquele tom de brincadeira típico dele, mais como sugestão do que como imposição, que o mercado já fica como? ”nossa, viram o que Bolsonaro falou??? ai meu deus, e agora?? precisamos agir, e rápido! desvalorização do real e queda da bolsa, ativar!”
Povo privilegiado esse americano!
Discordo. O cara ta cagando pra dinheiro pois ele ja é um multimilionario. O cara na real esta com uma bomba grande na mao,e se ele tomar as decisoes corretas,vai ter muito mais choro dos esquerdinhas americanos,porem,se nem um simples muro ele esta conseguindo fazer,imagine por exemplo,cortar assistencialismos e implantar um verdadeiro livre mercado. O proprio texto e mais alguns aqui do mises entrega isso,pois no modo geral,os governantes e os burocratas funcionarios publicos,isso sem falar dos socialistas recebedores de beneficios nao querem largar o osso. E digo mais.. Nao duvido que o presidente Trump nao desista de se candidatar a reeleicao do proximo ano na ultima hora. O cara nao é bobo,ele sabe onde esta pisando.
Leandro, ontem comecei a assistir à este podcast sobre a ESC, mas eu confesso que ainda estou com dúvidas sobre. Você pretende fazer um artigo abordando em detalhes, como você fez com a proposta de tributar dividendos e diminuir IRPJ?
Off-Topic
Simplesmente fantástico ver nesse site os artigos certeiros sobre economia. Um que me marcou profundamente é o texto que afirma que o capitalismo é um sistema que visa satisfazer os consumidores e não os empregados e os empresários.
Motoristas estão combinando de fazer greve e protestar por mais direitos e melhores salários.
Essa gente não entende o básico. Não existe direito a bons salários. A sua remuneração vai depender do valor que você gera aos consumidores. Se há muita concorrência em um setor (o que tende a acontecer em um livre mercado) a sua margem de lucro irá inevitavelmente diminuir pois você precisará reduzir os seus preços para continuar no mercado.
A Uber é um baita exemplo de que no livre mercado quem manda é o consumidor.
Curva de juros de três meses e dez anos voltando a cruzar!
Não sei se meu raciocínio está correto, mas pensemos: a renda per capita é superior a 60k dólares por ano. A renda per capita da China é de 10K dólares por ano.
Isso por si só não seria uma explicação para o déficit na conta americana?
Na média o americano é muito mais rico que o Chinês. Não é natural que uma população mais rica demande mais bens e serviços do exterior que outra mais pobre?
Há muitos pontos positivos na administração de Trump, redução de regulamentações, combate ao radicalismo da esquerda progressistas, aumento dos gastos militares (sim, eu sou a favor. Prefiro a América como superpotência hegemônica em termos militares, que uma Ditadura como a China, apesar de admirar o povo e a história da China), etc.
Mas há duas coisas que me incomodam muito em Trump: o pensamento mercantilista e o aumento do déficit público. Cortou impostos e aumentou gastos. Um arranjo insustentável a longo prazo.
Um país de economia controlada pode até crescer economicamente por certo tempo, mas esse crescimento jamais será sustentável no longo prazo.
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“E isso geraria um ciclo vicioso: uma redução nas reservas internacionais da China irá acentuar a saída de capitais do país (que já está acontecendo); essa saída tende a levar à imposição de mais controles de capitais, o que gera três efeitos: menor crescimento econômico, aumento nos juros da dívida, e o risco de desvalorização do renminbi.”
Quando a China mudou a sua política cambial desvalorizando a moeda em 2014, exatamente no mesmo período, as reservas internacionais chinesas começaram a cair acentuadamente. Isso é perceptível analisando os dois gráficos que basicamente quase todos os leitores devem conhecer. Lembrando que isso foi antes da guerra comercial com o governo Trump.
A minha pergunta é: A política cambial chinesa desde 2014 pode ter sido fundamental na diminuição das reservas internacionais da China?