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A tal “terceira via” é uma mistura de socialismo com corporativismo

Inevitavelmente, a cada quatro anos, sempre ressurge
a ideia da “terceira via”. E o fenômeno é global.

Políticos ao redor do mundo, praticamente sem
exceção, vivem parolando sobre as supostas glórias da “terceira via”,
isto é, a adoção de um modelo econômico que não seja nem capitalismo nem
socialismo, mas sim uma mistura daquilo que “ambos os sistemas têm de
melhor”. 

A moda é antiga, mas ganhou especial vigor na década
de 1990 nos EUA, na Grã-Bretanha e na Alemanha, com as respectivas eleições de
Bill Clinton, Tony Blair e Gerhard Schröder. Desde então, a defesa de tal
sistema só se revigora a cada ano, não obstante seus retumbantes fracassos.

O
principal objetivo da terceira via é tentar combinar a eficiência econômica do
capitalismo com a “justiça social” do socialismo — o que significa,
na prática, a imposição de maiores impostos, mais assistencialismo, mais
privilégios e mais regulamentações. 

Para
os adeptos da terceira via, “tradições burguesas” como propriedade privada e
economia de mercado são toleradas, mas a economia tem de ser rigidamente
regulada e tributada. Cabe aos burocratas do governo intervir no mercado para
redistribuir a riqueza criada pelos produtivos e para manter a economia funcionando de acordo com seus
desígnios.

Políticas
redistributivistas — que envolvem também subsídios para os empresários amigos
do regime — são inegociáveis. Uma fatia da renda dos indivíduos realmente produtivos
da sociedade deve ser confiscada e redistribuída para os não-produtivos e para
os privilegiados com laços governamentais. Grandes empresários se tornam
submissos aos interesses do regime e, em troca, são beneficiados por subsídios
e políticas industriais, bem como protegidos por tarifas protecionistas.

Em suma, a terceira via é apenas um nome mais
pomposo e populista para a manutenção do status
quo
.

Só funciona, e limitadamente, em
economias que já enriqueceram

Ludwig von Mises, ainda em 1921, já havia acabado
com essa noção de que você pode combinar o “melhor” do socialismo e
do capitalismo. Não existe isso de “o melhor” do socialismo,
escreveu ele, pois mesmo a menor quantidade de socialismo distorce o
funcionamento de uma sociedade livre.

E, de fato, nem é preciso fazer aqui uma explicação
mais elaborada desta tese para que se entenda por que tal afirmação é
verdadeira. Todas as coisas que nos enfurecem em nosso dia a
dia
— utilizar os Correios, encontrar boas escolas públicas, trafegar nas
ruas estatais congestionadas, ir ao DETRAN, utilizar a saúde pública, a ausência
de saneamento básico, ir a uma repartição qualquer — são, em sua totalidade,
operações governamentais. 

Já os setores da economia que estão, de um modo
geral, livres de amarras governamentais — a indústria tecnológica, o comércio
via internet, os serviços de aplicativos e o setor de serviços (aqueles que não
são pesadamente regulamentados pelo governo) — funcionam como deveriam.

Economias de mercado prósperas e capitalizadas
conseguem aguentar o fardo imposto pelas políticas da “terceira via”
com bem mais vigor do que as economias menos desenvolvidas. Por exemplo, a
“terceira via” adotada pelas antigas repúblicas socialistas do Leste
Europeu destruiu uma
década
de tentativas de reforma após 1989. E, ainda hoje, a pesada
regulação estatal continua aprisionando enormes segmentos da população da
América Latina, da África e do Oriente Médio na pobreza.

Criador
e criatura

Amartya
Sen
, que ganhou o Prêmio Nobel de economia em 1998, é considerado o guru do
pensamento da “terceira via”. Diz-se que ele colocou uma
“face mais humana” na ciência econômica ao introduzir uma
“dimensão ética” e uma “preocupação com os pobres” em seus
ensaios. 

Entretanto, a verdade é que essa “ética” e
essa “preocupação” nada têm a ver com o quanto ele pessoalmente
contribui para causas caritativas. Tais termos são simplesmente códigos
para sinalizar que ele defende a medicina socializada, o
agigantamento do
assistencialismo
e um grande papel do governo em planejar a economia.

A realidade é que todos nós devemos ficar muito
atentos a propostas de “uma face mais humana” para a economia. Por
algum motivo, essa face invariavelmente se traduz na munheca cerrada do
estado. É por isso que Sen escreveu que a prosperidade das nações
ocidentais “não é o resultado de nenhuma garantia fornecida pelo mercado ou
pela busca por lucros, mas sim devido à seguridade social que o estado ofertou”.
Ou seja, segundo Sen, o mundo é próspero porque o estado tributou a riqueza
criada. 

Interessante também é constatar que os soviéticos
nunca foram capazes de gerar prosperidade por meio de sua ampla rede de
proteção social.

Ao ler toda a literatura defensora da “terceira
via”, a impressão que se tem é a de que o estado, além de ser um grande
indutor da criação de riqueza, é também formado por funcionários amorosos,
cuidadosos e oniscientes, sempre em prontidão para confortar os angustiados e
fornecer seguridade para os marginalizados. 

Obviamente, nenhum estado com essas características
jamais existiu e jamais irá existir, por uma única razão: a característica
única e inconfundível do estado é o seu uso da coerção, da ameaça
e da violência
, e não a sua oferta de amor. O estado não possui
recursos próprios; tudo o que ele adquire é por meio da agressão contra as
pessoas e suas respectivas propriedades.

As regulamentações estatais são violentas, pois
impedem — ao imporem condições sob pena de processo — que indivíduos façam
contratos voluntários entre si e restringem a liberdade de
empreendimento
em vários setores da economia. Os subsídios, na forma de
dinheiro dado diretamente a determinados grupos de interesse, são violentos,
pois transferem riqueza de um grupo para outro sem a permissão daqueles. A
inflação monetária é uma forma sutil e insidiosa de roubo,
pois subtrai poder de compra do dinheiro que o estado nos obriga a utilizar. E nada
falarei aqui sobre os impostos
para não ferir a decência.

Instabilidade
e falta de lógica

Mises argumentava que a
“terceira via” é instável porque as intervenções criam efeitos
nocivos e imprevistos, os quais acabam clamando por mais intervenções apenas
para serem corrigidos [no Brasil, essa constatação de Mises
é explícita
]. O resultado é uma inexorável marcha rumo à economia planejada, a
menos que alguns passos definitivos sejam dados com o intuito de retroceder o
agigantamento do estado. 

Uma maneira de contornar esse problema, obviamente,
é simplesmente assegurar aos cidadãos que os efeitos ruins do intervencionismo
(por exemplo, um menor nível de investimentos) são compensados pelos supostos
bons efeitos (toda uma classe de pessoas aliviadas do fardo de ter de
trabalhar, por exemplo).

Porém, como podem os “custos sociais” e os
“benefícios sociais” de várias políticas serem comparados uns aos
outros? Se seguirmos a lógica ensinada pela Escola Austríaca de economia, isso
é impossível. O valor
de algo é subjetivo
; é o produto de cada mente humana individual. Os
planejadores sociais não têm acesso a essa informação subjetiva simplesmente
porque algo tão pessoal como ‘valores’ não pode ser colocado em equações e
sofrer manipulações. É impossível existir algo como “custo
social” ou “bem-estar social” em um sentido matemático; tais
coisas simplesmente não podem ser computadas.

Adicionar e subtrair valores individuais, e com isso
criar um índice de bem-estar geral, é uma impossibilidade — se levarmos a
lógica a sério. Porém, no mundo de Amartya Sen, não se pode deixar que a
lógica interfira na “face humana”. Em suas teorias sobre custo
social, ele defende a ideia de que as “utilidades
interpessoais
” podem ser comparadas. Afinal, se é para termos um
estado amoroso e caridoso, temos então de ter alguns meios para compreender a
vontade do povo.

Sen é mais desavergonhado e direto que a maioria de
seus colegas, porém é fato que o vício de quase toda a ciência econômica
moderna é essa presunção de que os economistas sabem melhor do que as próprias
pessoas o que é bom para elas próprias e para toda a sociedade. Entretanto,
se realmente quisermos que a vontade do povo prevaleça, nenhum sistema tem
chances de gerar um resultado melhor do que a economia de mercado.  

Em um livre mercado, toda a produção, trabalho e
consumo refletem as escolhas voluntárias de indivíduos que querem melhorar sua
situação de vida
. Em uma sociedade puramente voluntária, ninguém é
forçado a fazer nada que seja contrário a seus objetivos finais individuais,
desde que estes sejam buscados de forma pacífica.

Entender genuinamente esse ponto seria, aí sim,
começar a pôr uma autêntica face humana na ciência econômica. É o estado
quem trata as pessoas como sendo menos do que humanas, como meros objetos a
serem manipulados de acordo com a visão que terceiros têm sobre como a
sociedade deve funcionar. 

Conclusão

A
terceira via, quando destituída de toda a sua retórica, nada mais é do que um
sistema de concentração de poder e de redistribuição de riqueza, o qual
supostamente fará com todas as pessoas produtivas continuem trabalhando duro
para bancar todo este arranjo, não obstante o confisco cada vez maior de sua
riqueza.

A verdadeira dinâmica da “terceira via”
não é o préstimo ou a compaixão: trata-se, ao contrário, da batalha cruel e
selvagem pelo controle das alavancas do poder e, consequentemente, de toda a
riqueza propiciada por esse poder. 

Não é nenhuma coincidência que, tão logo os
políticos de qualquer ideologia chegam ao poder, a primeira coisa que eles
fazem é falar que são favoráveis à terceira via.

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também:

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Brasil entrou em colapso – abandonemos os delírios e sejamos mais realistas

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50 comentários em “A tal “terceira via” é uma mistura de socialismo com corporativismo”

  1. Comunismo Hayekiano

    Você pode achar que é uma contradição em termos, um paradoxo. Mas você está errado: estamos acostumados a pensar em categorias puras, enquanto a vida real é muito mais complexa; e paradoxos existem na vida real. A China é de fato um país comunista hayekiano.

    Em nenhum lugar, penso eu, a riqueza e o sucesso material são mais abertamente celebrados do que na China. Talvez isto tenha sido estimulado pelo 40 º aniversário da política de abertura, que é este ano, mas mais fundamentalmente, eu acho, é estimulado pelo desenvolvimento econômico de maior sucesso na história. Empresários ricos são celebrados em jornais, televisão, conferências. Suas histórias de enriquecimento são consideradas exemplos para todos. Ayn Rand se sentiria em casa nesse ambiente. O mesmo aconteceria com Hayek: uma incrível quantidade de energia e descobertas foram desencadeadas pelas mudanças que transformaram a vida de 1,4 bilhão de pessoas, duas vezes mais do que as populações combinadas da "velha" UE e dos Estados Unidos. As pessoas descobriram informações econômicas antes inacessíveis ou desconhecidas, organizaram de maneira schumpeteriana novas combinações de capital e trabalho e criaram riqueza em uma escala quase inimaginável (certamente, inimaginável para qualquer um que olhasse para a China em 1978).

    Em um grande banquete em Pequim, foram apresentadas histórias em primeira mão de cinco capitalistas chineses que partiram do zero(nada!) na década de 1980 e se tornaram bilionários em dólares hoje. Um passou anos no campo durante a Revolução Cultural, outro foi preso por sete anos por "especulação", o terceiro fez sua "aprendizagem" do capitalismo, como ele disse com franqueza, enganando as pessoas no leste da Ásia ("depois aprendi que se eu realmente quisesse ficar rico, não deveria trapacear; a trapaça é para perdedores "). Hayek teria escutado essas histórias, provavelmente transfixado. E que notícias ele teria amado melhor do que ler no Financial Times de hoje que a sociedade marxista da Universidade de Pequim foi dissolvida por causa de seu apoio aos trabalhadores em greve na Zona Econômica Especial de Shenzhen?

    Mas há uma coisa em que Hayek errou. Esses incríveis sucessos pessoais (e sociais) foram alcançados sob o governo de um único partido, o Partido Comunista da China. A celebração da riqueza é natural para os marxistas. O desenvolvimento, a educação generalizada, a igualdade de gênero, a urbanização e, na verdade, o crescimento mais rápido do que sob o capitalismo, foram a lógica e as fontes de legitimidade das revoluções comunistas, como ocorreram no mundo menos desenvolvido. Lênin disse isso; Trotsky confirmou isso quando procurou uma industrialização em larga escala; Stalin implementou: "Estamos a cinquenta ou cem anos atrás dos países avançados. Temos que percorrer essa diferença em dez anos. Ou nós fazemos isso, ou seremos esmagados ".

    Lembro-me de que, como estudante precoce do ensino médio na Iugoslávia, escaneei os jornais em busca de indicadores de crescimento industrial. Como a Iugoslávia estava entre as economias que mais cresciam no mundo, fiquei profundamente desapontado quando a taxa de crescimento mensal (anualizada) cairia abaixo de dez por cento. Eu achava que dez por cento era a taxa normal de crescimento das economias comunistas: por que você se importaria em se tornar comunista se não crescesse mais rápido do que sob o capitalismo?

    Assim, a celebração do crescimento – novas estradas, novos trens super rápidos, novos conjuntos habitacionais, novas avenidas bem iluminadas e escolas ordeiras – vem naturalmente para os comunistas. Não menos do que para os empreendedores hayekianos. (Como exercício, leia as belas memórias de Neruda, Confesso Que Vivi, onde ele exala enorme prazer em ver as barragens construídas pelos soviéticos.) A diferença é que os hayekianos celebram o sucesso privado que também ajuda a sociedade a avançar; no comunismo, o sucesso também deveria ser socializado.

    Mas isso não aconteceu. Os esforços coletivistas funcionaram por uma década ou duas, mas o crescimento acabou declinando e os esforços foram murchando. O cinismo reinou supremo. Foi deixado para a China e para Deng Xiaoping tropeçar(na frase imortal de Adam Ferguson) numa combinação em que o governo do partido comunista seria mantido, mas plena liberdade de ação e papel social seriam dados aos capitalistas individuais. Eles iriam trabalhar, enriquecer, enriquecer muitos outros no processo, mas as rédeas do poder político permaneceriam firmemente nas mãos do partido comunista. Os capitalistas fornecerão o motor e o combustível, mas o partido segurará o volante.

    As coisas seriam melhores se o poder político também estivesse nas mãos dos capitalistas? Isso é duvidoso. Eles poderiam tê-lo usado para recriar o governo de Nanjing dos anos 1930, venal, fraco e incompetente. Eles não iriam trabalhar duro, mas usariam o poder político para manter seus privilégios econômicos. É um dos principais problemas do capitalismo dos EUA hoje, em que os ricos controlam cada vez mais o processo político e, assim, distorcem os incentivos econômicos da produção e competição para a criação e preservação de monopólios. Muito pior provavelmente teria acontecido na China. É precisamente porque a esfera política foi amplamente isolada da esfera econômica, que os capitalistas poderiam ser mantidos ocupados com a produção, e à distância (tanto quanto possível, porque o partido está exposto à crescente corrupção) da política.

    Como a China chegou nessa combinação? Pode haver muitas razões, incluindo a tradição milenar de ser governada por burocracias imperiais, a aliança histórica – mesmo que tenha sido desfeita – entre o rumo comunista e o KMT de Sun Yat-sen (uma aliança que nunca existiu em outras partes do mundo comunista – mas não se pode perguntar a si mesmo, poderia ter acontecido em outro lugar também? Possivelmente. A nova política econômica de Lênin não era muito diferente das políticas chinesas dos anos 80. Mas Lenin via a NEP como uma concessão temporária para os capitalistas – porque ele acreditava que o socialismo traria mais progresso e, assim, “cientificamente” geraria um crescimento maior. Talvez sejam apenas os fracassos do Grande Salto para a Frente e o caos da Revolução Cultural que castigaram a liderança chinesa e convenceram Deng e outros de que a iniciativa privada era mais "progressista" do que o planejamento central e as empresas estatais. Lenin não poderia ter visto isso. Era cedo demais.

    Também me perguntei o que Stalin teria feito da China. Ele provavelmente teria ficado feliz por seu nome ainda estar consagrado no panteão oficial. (Em uma grande livraria no centro de Pequim, a primeira linha de livros são traduções de clássicos marxistas: o próprio Marx, Engels, Lênin … e Stalin. Pouquíssimas pessoas olham para eles. As próximas filas que mostram livros sobre gestão de patrimônios, finanças econômicas , os investimentos no mercado de ações etc. são muito mais populares.) Stalin ficaria impressionado com o crescimento chinês; pelo extenso poder do estado e do país (com certeza, não mais um país para o qual ele poderia enviar seus conselheiros para ajudá-lo tecnologicamente), pela capacidade do partido de controlar de maneira muito sofisticada e discreta a população.

    Stalin teria adorado o sucesso econômico e o poderio militar que o acompanha, mas provavelmente ficaria chocado com a riqueza privada. É difícil vê-lo coexistir com Jack Ma. A reação de Hayek teria sido o oposto: ele teria ficado encantado com o fato de suas alegações sobre a ordem espontânea do mercado terem sido reivindicadas de maneira mais enfática, mas não teria entendido que isso só era possível sob o domínio de um partido comunista.

    Ninguém ficaria indiferente com a história econômica mais bem-sucedida de todos os tempos. E ninguém teria entendido isso completamente.

    glineq.blogspot.com/2018/09/hayekian-communism.html

  2. A terceira via é uma das melhores invenções da política pública desonesta (e existe outro tipo ?) dos últimos anos.

    Maquiavel ficaria orgulhoso. Aliás, a palavra pragmatismo hoje em dia é vista como algo bom em vários países, principalmente aqui no Brasil. E essa tal terceira via é o pragmatismo aplicado na prática: os políticos sempre conseguem falar o q as pessoas querem ouvir.

  3. Sobre a frase:

    “É impossível existir algo como “custo social” ou “bem-estar social” em um sentido matemático; tais coisas simplesmente não podem ser computadas”

    Acredito que esse foi precisamente o objeto de estudo de Kenneth Arrow em seu teorema da impossibilidade, no sentido de que ainda que fosse possível estabelecer uma forma de medir o bem-estar social, não seria possível prever se as escolhas realizadas pela sociedade levariam à maximização dessa medida.

  4. Me vi Pensei que era Eu

    “terceira via, isto é, a adoção de um modelo econômico que não seja nem capitalismo nem socialismo, mas sim uma mistura”

    Sinto um aroma agradável de perfume no ar, mas eu solto um peito para misturar as coias.

  5. Capital Imoral Filho

    De fato, a 3º via é um engodo burguês para alienar o proletariado da luta de classes. Aceita-se o capitalismo libertário imediato como defendido pelos anarco-neoliberais desta comunidade: visando meramente a maximização dos lucros e indiferente ao ser humano. Não mais a vanguarda deverá aguardar pelas esmolas da sua classe, apenas o sofrimento, o rancor e a dor dos pobres nos levará à revolução como previsto pela sempre precisa dialética marxista.

    O assistencialismo não leva à revolução do proletariado. No máximo, cria a dependência sobre a qual o autor frisou ser perfeitamente atendida por cada reprodução capitalista (mudança após cada ciclo econômico da mais-valia). Seguindo Marx à risca, que sejam proibidos e punidos violentamente os sindicatos, que os trabalhadores recebam horas de trabalho máximas e salários de fome(Pois ambos são determinados apenas pela “generosidade” da burguesia), que todos os serviços públicos sejam abolidos imediatamente e que qualquer mecânica de controle de preços estatal jogue todos esses para cima.

    Não há revolução de burocratas. A classe dominante será apenas eliminada pelo ódio vicioso e o desejo sanguinário dos revolucionários.

  6. “E, de fato, nem é preciso fazer aqui uma explicação mais elaborada desta tese para que se entenda por que tal afirmação é verdadeira. Todas as coisas que nos enfurecem em nosso dia a dia — utilizar os Correios, encontrar boas escolas públicas, trafegar nas ruas estatais congestionadas, ir ao DETRAN, utilizar a saúde pública, a ausência de saneamento básico, ir a uma repartição qualquer — são, em sua totalidade, operações governamentais.”

    Todos os Estados, seja o brasileiro ou o canedense?

  7. Aqui no Brasil essa terceira via se transformou em uma eficiente propaganda política usada em eleições. De 1998 até hoje, todos os postulantes dos grandes partidos sempre abraçaram esse discurso, de uma forma ou de outra. (Embora Dilma tenha sido a mais explícita nesse sentido).

    Após chegaram ao poder todos tratam de ampliá-lo e consolidá-lo, via assistencialismo para os pobres e subsídios para os grandes empresários. Isso é terceira via.

    Por isso esse negócio de terceira via não tem nada de novo, muito pelo contrário: sempre foi o modus operandi dos políticos.

  8. Terceira Via nada mais é que o fascismo em sua releitura. E como Stalin dizia, o fascismo é o navio quebra gelo da revolução.

    Não por menos temos sempre um risco de virar uma Venezuela

  9. A Terceira Via também é uma forma de radicalismo. É a defesa da onipotência e onisciência do estado e seus burocratas, uma radicalização da corrupção, inevitável e inerente a esse sistema.

    Por fim, é coisa instável que, a longo prazo, não beneficia nem mesmo aqueles que teoricamente ganhariam com ele: políticos e funcionários públicos. Moeda instável, altos impostos sobre renda e consumo, uma briga desenfreada pelo poder e uma atitude hostil da população em geral acabam por tornar complicada até mesmo a vida de quem recebe o pirão primeiro, quando a farinha é pouca.

    Quando levada às últimas consequências, como ocorreu no Brasil, ainda ocorre uma desconfiança generalizada. Empresários não investem, pessoas não consomem, todos com medo de perder seu dinheiro perante um futuro incerto, onde medidas governamentais pode tornar qualquer negócio inviável.

    Quem defende o intervencionismo é, na verdade, o que Taleb chamaria de fragilista. Na ânsia de eliminar os problemas, acaba gerando iatrogenia em larga escala, e tornando a sociedade muito mais frágil e instável.

    Por fim, quem se preocupa com pobres deveria exigir o estado fora de tudo, tanto porque pagar salários altos para burocratas que distribuem migalhas a gente necessitada é ineficiente, quanto porque confiscar recursos de indivíduos e empresas lucrativas e em expansão acaba gerando incerteza, redução de investimentos e redução no número de vagas de emprego e outras oportunidades criadas. Empiria pura.

  10. Estratégia das Tesouras.

    Enquanto a social-democracia (uma das formas do “socialismo pragmático”, vulgo “terceira via) continuar sendo aceita pela sociedade, será impossível ver o livre mercado florescer adequadamente. Haverá apenas privilegiados e escravos.

  11. No Brasil, antes do fenômeno Bolsonaro, terceira via era aquele que se punha entre PSDB e PT.

    Os petistas eram a “esquerda carnívora” e os tucanos eram a “esquerda herbívora”.

    O PSDB sempre foi a esquerda herbívora, mas a Janela de Overton faz as pessoas pensarem que ele é de direita. Já o PT fingiu ter se convertido ao vegetarianismo (principalmente no primeiro mandato de Lula), porém a dieta carnívora foi ficando cada vez mais explícita.

    A esquerda herbívora permite que você continue com sua propriedade privada na teoria (de jure), apenas a retiram de você na prática (de facto): deixam que pensemos que somos donos do que é nosso, mas confiscam 40% do que produzimos e determinam como podemos usar os outros 60%. Já a esquerda carnívora venera Cuba e Venezuela.

    Este ano será a primeira vez que a hegemonia destes irmãos será confrontada.

  12. A social-democracia e o fascismo são imparáveis e imbatíveis. Além de funcionarem por muito tempo porque aceitam reformas (mesmo com resistências), é o sistema preferido da elite política e da elite capitalista. Até mesmo quem se estrepa nesse arranjo (população comum), vai defender o Mecanismo com todas as forças por motivos emocionais das propagandas.

    A única forma de combatê-la é através de um sistema que não seja democrático e centralizador. Não é atoa que o mundo inteiro está lentamente se transformando em terceira-via.

  13. O interessante é que socialismo Fabiano, socialdemocracia e terceira via se confundem. Eu mesmo tenho dificuldades quando pesquiso sobre a história dessas doutrinas políticas.

    Segundo fontes, a socialdemocracia surgiu antes do socialismo fabiano, inclusive as ideias revisionistas (reformas socialistas graduais, ao invés de revolução). Entretanto, sabe-se também que a socialdemocracia foi influenciada por inúmeros pensamentos ao longo de sua constituição, e um destes pensamentos que a influenciou bastante foi justamente o socialismo fabiano.

    Já a terceira via se popularizou apenas na década de 1990.

    A minha dúvida é: partidos no Brasil como PT, PSDB, PMDB, PDT, DEM etc. são socialistas fabianos ou socialdemocratas? Ou ambas as coisas? Algum não é terceira via?

  14. Mises fala em seu livro “Uma crítica ao intervencionismo” que essa “terceira ordem” procura não eliminar a propriedade privada,mas limitá-la. Ou seja, querem evitar os “excessos e males” do capitalismo, mas querem manter as vantagens e industrias da iniciativa privada, que o Estado não pode gerar. Entretanto, esse sistema intermediário, é por si só contraditório e ilógico. As tentativas de introduzi-lo seriamente em uma sociedade pode nos levar a uma crise e dessa crise só pode sair duas coisas, capitalismo ou socialismo.

  15. É importante procurar ter sempre equilíbrio, mas a própria busca de equilíbrio precisa ser contrabalançada pelo bom senso. Nem sempre o melhor é buscar um “meio termo”, uma “solução mista” entre duas alternativas opostas.

    Qual seria o “meio termo” entre um policial honesto e um bandido? Um policial corrupto?

    E qual seria o meio termo entre um copo de água 100% limpa e um copo de água 100% suja? Um copo de água 50% suja?

    * * *

  16. JOTA JUNIOR MARQUES ROSA

    Não tem nada a ver o que o senhor está falando. Terceira via, não tem nada a ver com socialismo. A terceira via socialista é bem diferente da capitalista. Uma análise superficial em tábua rasa do modo de produção em sua etiologia, desculpe. Não critico suas idéias, longe disto. Terceira via, tampouco é uma síntese de modos de produção. É somente uma alternativa, quicá uma geopolítica. Presidente FHC no BR foi a maior expressão desta prática. Um desastre total.

  17. Guilherme Silveira A. Santos

    O jornalista britânico Francis Wheen disse que acreditar na terceira via é como acreditar no segundo advento ou na quinta dimensão.

  18. Com terceira via , primeira via ou segunda via o corporativismo ou

    a perfeita manutenção de todo o establishment estará lá no poder político , Bobagem acreditar que o establishment não estará lá , lógico, sempre esteve, inclusive no sistema Capitalista , ditaduras comunistas , governos Teocráticos , fascistas , etc etc ……..sempre estará lá o CORPORATIVISMO.

  19. De fato não há terceira via, enquanto essa não for defensora das liberdades básicas – trabalho, empreendedorismo, propriedade.

    Do contrário só será uma via socialista com roupagem democrata, a moda dos países europeus (Welfare state).

    E isso o Brasil já conhece.

  20. O STF já está dando indícios de quê irá se movimentar, pelo jeito as teorias de que o Bolsonaro será jogado para fora das eleições de uma forma ou de outra pelo STF estão começando á se concretizar.

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