Trecho extraído do livro Ação Humana, de 1948
As massas, as legiões de indivíduos comuns, não concebem ideias, sejam elas verdadeiras ou falsas. Elas apenas escolhem entre as ideologias elaboradas pelos líderes intelectuais da humanidade. No entanto, essa escolha é decisiva e determina o curso dos eventos. Se preferirem doutrinas ruins, nada poderá impedir o desastre.
A filosofia social do Iluminismo não se deu conta dos perigos que poderiam advir da prevalência de ideias falsas. As objeções habitualmente apresentadas contra o racionalismo dos economistas clássicos e dos pensadores utilitaristas eram inconsistentes; no entanto, havia uma deficiência nestas doutrinas: elas ingenuamente pressupunham que tudo quanto fosse lógico e razoável prevaleceria.
Não chegaram a imaginar a possibilidade de a opinião pública apoiar ideias espúrias cuja aplicação viesse a ser danosa à prosperidade e ao bem-estar, e que levasse à desintegração da cooperação social.
Atualmente, é moda desmerecer aqueles pensadores que criticavam a fé que os filósofos liberais depositavam no homem comum. Apesar disso, foram pensadores como Edmund Burke e Karl Haller, Luis de Bonald e Joseph de Maistre que chamaram atenção para o problema essencial que os liberais não haviam percebido. Foram eles que souberam avaliar o comportamento das massas mais realisticamente do que os seus adversários.
Esses pensadores conservadores, sem dúvida, iludiam-se ao pensar que o sistema tradicional de governo paternalista e a rigidez das instituições econômicas pudessem ser preservadas. Louvavam o Ancient Régime pela prosperidade que havia proporcionado e por haver até mesmo humanizado a guerra. Mas não perceberam que precisamente essas realizações haviam dado lugar a um aumento demográfico e, portanto, a um excedente populacional para o qual não havia mais espaço no antigo sistema de restricionismo econômico.
Ignoraram o surgimento de uma classe de pessoas que não poderia ser absorvida, se prevalecesse a ordem social que desejavam perpetuar. Não conseguiram oferecer uma solução para o mais sério problema que a humanidade teria de enfrentar às vésperas da “Revolução Industrial”.
O capitalismo deu ao mundo aquilo de que ele precisava: um melhor padrão de vida para um população em constante crescimento. Mas os liberais, os pioneiros e os defensores do capitalismo, não chegaram a perceber um ponto essencial: um sistema social, por mais benéfico que seja, não pode funcionar sem o apoio da opinião pública. Não previram o êxito que a propaganda anticapitalista teria.
Depois de haverem destruído o mito de que reis sagrados estavam a mando de Deus em uma missão divina, os liberais se deixaram seduzir por outras doutrinas não menos ilusórias: o poder irresistível da razão, a infalibilidade da volonté générale, e a divina inspiração das maiorias.
A longo prazo, pensavam eles, nada pode impedir a melhoria progressiva das condições sociais. Ao desmascarar antigas superstições, a filosofia do Iluminismo havia, de uma vez por todas, implantado a supremacia da razão.
Os resultados das políticas pró-liberdade seriam uma demonstração irresistível das vantagens da nova ideologia; nenhum homem inteligente se atreveria a questioná-la. Estava implícita na convicção desses filósofos que a imensa maioria das pessoas é inteligente e capaz de pensar corretamente.
Não ocorreu aos antigos liberais que a maioria poderia interpretar a experiência histórica com base em outras filosofias. Não imaginaram a popularidade que viriam a ter, nos séculos XIX e XX, ideias que eles considerariam como regressivas, supersticiosas e inconsistentes. Estavam tão convencidos do fato de que todos os homens são dotados da faculdade de raciocinar corretamente, que não souberam interpretar adequadamente os presságios.
Consideravam todos esses maus augúrios apenas como recaídas passageiras, episódios acidentais, sem importância para o filósofo que contemplava a história da humanidade sub specie aeternitatis. Os defensores do atraso poderiam dizer o que quisessem, mas havia um fato que não poderiam negar: que o capitalismo propiciou a uma população em rápido crescimento um padrão de vida cada vez melhor.
Pois foi precisamente este fato que a imensa maioria contestou.
O ponto essencial das teses de todos os autores socialistas, e particularmente das de Marx, é a afirmativa de que o capitalismo resulta no progressivo empobrecimento das massas trabalhadoras. Em relação aos países capitalistas, o equívoco desse teorema é explícito e não tem como ser negado. Em relação aos países subdesenvolvidos, que só foram afetados superficialmente pelo capitalismo, o crescimento demográfico sem precedentes não parece confirmar a interpretação de que as massas estão cada vez mais em pior situação. Esses países são pobres em comparação com outros mais avançados. Sua pobreza é fruto do rápido crescimento populacional. Preferem ter mais filhos do que elevar o seu padrão de vida. A decisão é deles.
Mas não se pode negar o fato de que tiveram os recursos necessários para prolongar a duração média de vida. Teria sido impossível criar tantas crianças sem que tivesse ocorrido um aumento dos meios de subsistência.
Apesar disso, não apenas os marxistas, como também muitos autores “burgueses” seguem afirmando, sem grande oposição, que a previsão de Marx quanto à evolução do capitalismo foi, de um modo geral, confirmada pela história dos últimos cem anos.
Ultimamente os liberais e até libertários tão subestimando os reacionários e nacionalistas, o que tem de gente passando pano pra dupla BolsoTrump e afins…
O socialismo jamais traria qualquer tipo de preocupação se os seus defensores não partissem do princípio de que ele deve ser implementado à força e que todos são obrigados a participar do arranjo.
Se fosse algo de adesão totalmente voluntária e com plena liberdade de emancipação, seria tão importante quanto a existência dos amish e dos kibutz.
Pra mim, o maior problema é que a maioria das pessoas não toma decisões racionalmente e sim emocionalmente. E é exatamente aí que socialistas e etc são bons, todo o discurso deles é feito pra levar as pessoas a sentirem algo e não a pensarem em algo, assim eles conseguem manipular as massas.
Falando diretamente, o conflito é entre aqueles que insistem em atribuir cada vez mais tarefas e função ao estado e aqueles que criam riqueza no setor privado.
O tamanho do orçamento do governo em relação à riqueza criada pelo setor privado determina a posição do estado no espectro que vai da tirania ao capitalismo.
Socialismo, social-democracia e demais intervencionismos autoritários são ideias populares em todas as classes sociais, sem distinção. Todos querem viver à custa do resto (ricos querem subsídios; pobres querem assistencialismo; e classe média quer funcionalismo público), e todos estão dispostos a conceder a políticos mais poderes sobre suas próprias vidas.
E nós não escaparemos disso pelo voto.
O caso recente do Chile é um exemplo? As reformas econômicas foram impostas ou parte do eleitorado clamava por elas?
Suíça talvez seja um dos poucos casos onde ainda há algum ideal de liberdade nos eleitores, mas mesmo lá não é perfeito e houve alguns retrocessos (como o fim do sigilo bancário e com relação ao armamento civil).
Seria o “brasileiro médio” um povo conservador nos costumes e esquerdista na economia, ou isso é um apelo ao coletivismo?
Pessoal,
A religião cristã promete o paraíso no céu. E as igrejas estão repletas de fiéis, crentes na salvação das suas almas. Isto persiste por dois milênios.
Já o socialismo promete o paraíso para o corpo aqui na terra.Mais persuasivo, eficaz e sólido! Aí está a razão de serem invencíveis. Alguém tem dúvida?
Abraços
O socialismo é a ideologia da inveja e do ressentimento. O que não falta nesse mundo são pessoas que fracassaram por falta de energia, capacidade ou sorte. Existe um campo enorme para o socialismo florescer nas mentes desses indivíduos.
Fraudaram as eleições nos EUA na cara dura. Só espero que Trump consiga reverter a situação.
Muitos passam pano nos Conservadores , Reacionários , e muitos ainda chamam alguns Conservadores ou Socialistas de Liberais , é um atraso total, o Governo de Bolsonaro /Trump, nunca foi liberal , é uma farsa , são Conservadores Reacionários
Gente, saindo do assunto do artugo, sou um leitor novo nesse site e recentemente acabei de ler Ação Humana, então por isso eu gostaria de pedir algumas sugestões de livros sobre economia e coisas do gênero, livros libertários etc.
[off-topic]
jornalista lembra que nao pode chamar de aglomeraçao se for turminha da esquerda
twitter.com/DOprimido/status/1325960878664060929
Os liberais modernos são tão frouxos assim ou é impressão minha? Nunca vi tamanha vergonha alheia em parabenizar um socialista como se nada tivesse acontecido nas eleições.
sei que isso foge do assunto… mas qual é a diferença entre sobreinvestimentos e malinvestimentos ?
Estou assistindo à série documental “Uma Morte em Vermelho” da Netflix sobre o assassinato do político Detlev Rohwedder durante a reunificaçao alemã e noto q, reiteradamente, a série tangencia um certo vitimismo patente nos relatos dos ex moradores e socialistas convictos da antiga Alemanha Oriental: uma velha esquelética ex guerrilheira da RAF q era famosa por ter apenas dois dentes na boca, embora ainda capaz de desossar um padre com um abridor de latas e um velho gagá ex membro da STASI q adora se referir a Detlev como o genocida dinamitador do socialismo-para-todos e sobre o qual ele nao esconde uma tendência homicida inaudita caso fosse intimado a dar o tiro fatal q deu cabo a vida do político alemão. Para um jovem desavisado em economia e política, fica fácil ser cooptado para o lado dos saudosistas socialistas q juram q o capitalismo foi o responsável indireto pela miséria e opressão sob as quais a Alemanha Oriental viveu durante o regime socialista, bem como o desemprego e privatização das empresas pós reunificaçao. Em momento algum (pelo menos até o episódio 3) a série mencionou o êxodo de mais de três milhões de moradores do lado oriental para o ocidental durante o período pré Muro de Berlim, (como se o exílio forçado para dentro do próprio país fosse uma fuga para o parque de diversões) e fica aquela nítida impressão de q a série serve a um propósito panfletário sub-reptício para jovens jihadistas e toda sorte de antifas escondidos no porta-malas dos nossos carros, ou seja, o marxismo cultural — invisível aos olhos e ao coração — segue onipresente nos fazendo de otários na maior cara dura.
Sou leigo em economia e procuro sites como esse pra informar e buscar dicas de aprendizado.
Uma coisa me deixou encucado ontem pois o Paulo Guedes falou que há risco sério de hiperinflação e ao mesmo tempo a bolsa subiu! Como pode?
Os especuladores ganham dinheiro com a hiperinflação? É aquela história do pobre se dar mal com a inflação e o rico conseguir se proteger?
Já vi artigosaqui falando sobre hiperinflação mas talvez não tenh capturado tudo
Indico o site e o canal do Senso Incomum no youtube. La tem literalmente mais de 100 podcasts contemplando política, geopolítica e história, bem como atualidades. O canal do Brasil Paralelo dispensa apresentações. Esses dois canais juntos representam uma das poucas vozes no deserto de ideias q temos na politica e cultura brasileiras. Para os iniciantes em economia como eu vale destacar Economia numa Única Liçao do H. Hazlitt e As Seis liçoes e Açao Humana do Mises
Viram a nova?
Jornalista faz acusação grave contra candidato esquerdista.
O que a “imprensa” faz? Investiga a denúncia, para saber se ela tem algum fundamento?
Não, ataca massivamente quem fez a denúncia.
O padrão é o mesmo no mundo inteiro.
A “imprensa” virou um órgão de propaganda e militância da esquerda.
http://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/24539/jornalista-investigativo-desbarata-laranjal-e-desmascara-guilherme-boulos-veja-o-video
O mal que existe em quem apoia uma política de esquerda, é que diferente ou independente de ser um direitista ou não, eles é que são os primeiros a pisar na bola (não que os conservadores não tenham pisado na bola não, pelo contrário, a história humana consta isso). Esquerdistas se fazem de santos e populares, mas no governo lula, veio o mensalão e outros “probleminhas”, no governo dilma, foi o que mais superfaturou obras e eventos nacionais, mas não fez nadica de nada que prestasse para o país.
O melhor que podemos fazemos é sempre olhar para os jornais na tv de todos os canais e avaliar por nós mesmos. O perigo político pode vir de qualquer lado. Mas qual lado é o mais perigoso? O esquerdismo cínico e imaturo, ou o direitismo bitolado e prepotente? Bom, só dialogando e debatendo sobre essas questões pra saber o que é melhor.
Onde é uma boa de investir hoje? Não tô conseguindo saber, o mercado de ações tanto o brasileiro quanto o americano tá extremamente incerto, a renda fixa não tá lá muito atraente por causa dos juros baixos, criptomoedas eu já tô cheio delas na minha carteira, ouro será?
“Atualmente, é moda desmerecer aqueles pensadores que criticavam a fé que os filósofos liberais depositavam no homem comum. Apesar disso, foram pensadores como Edmund Burke e Karl Haller, Luis de Bonald e Joseph de Maistre que chamaram atenção para o problema essencial que os liberais não haviam percebido. Foram eles que souberam avaliar o comportamento das massas mais realisticamente do que os seus adversários.”
Quanto ao Joseph de Maistre, ele não era tão monarquista como muitos pensam. Deixo aqui um texto da Associação Cultural Montfort sobre Joseph de Maistre:
Se porventura indagarmos quem foi Joseph de Maistre a certos conservadores, ouviremos extenso laudatório. De Maistre teria sido, talvez, um dos maiores católicos ultramontanos, ardoroso inimigo da Revolução Francesa, vibrante defensor da Igreja e do Papado. Eis o rótulo.
Se, não nos contentando com isso, desejarmos passar ao conteúdo, certamente ficaremos perplexos. A leitura das obras do conde saboiano surpreende pela flagrante incongruência entre seu renome de contra-revolucionário e a diametral oposição de muitas de suas teses aos interesses e à doutrina da Igreja.
Mas não é só. Perplexidade talvez ainda mais aguda nos causará a verificação da ingenuidade daqueles que, encantados pelo brilho do invólucro, aceitam cegamente o que ele reveste. Ainda que desse modo se lhes esteja inoculando o pior dos venenos.
Tal é o pensamento que vem à mente de quem estuda as obras de De Maistre, particularmente “Considérations sur la France” (1795), sobre a qual Veritas oferece hoje a seus leitores um comentário.
Para tanto, valemo-nos da edição da Librairie Catholique Emmanuel Vite, Lyon, 1924.
A “Divindade” conduz a revolução satânica
“Há na revolução francesa um caráter satânico que a distingue de tudo o que já foi visto e talvez de tudo o que se verá” (Cons., pág. 55).
A frase tornou-se célebre, e bastou para consagrar as Considérations sur la France como obra contra-revolucionária.
Se a revolução francesa era satânica, qual a atitude normal do católico diante dela? O combate, naturalmente.
Engano. A lógica de De Maistre não condiz com a lógica comum. Segundo ele, combater a revolução era contrariar os planos da Providência, conforme veremos adiante.
Para o conde, havia na revolução “uma força avassaladora que faz curvarem todos os obstáculos”; ela “conduz os homens, mais do que os homens a conduzem” (Cons., pág. 4).
Eis como ele desenvolve sua tese: “Os próprios celerados que pareciam conduzir a revolução dela tomaram parte apenas como simples instrumentos”. Robespierre, Collot ou Barrère “não pensaram em estabelecer o governo revolucionário e o regime do terror; eles foram conduzidos a isso insensivelmente pelas circunstâncias, e jamais se tornará a ver algo semelhante” (Cons., pág. 5). Tudo deu certo para eles, “porque eles eram apenas os instrumentos de uma força que conhecia mais do que eles” (Cons., pág. 6).
Mas o que seria essa “força avassaladora”, da qual os líderes da revolução eram simples instrumentos? Certamente – pensará o leitor – a força satânica a que se refere De Maistre.
Novo engano. “Diz-se muito bem, quando se afirma que ela (a revolução) caminha sozinha: essa frase significa que jamais a Divindade se mostrou de uma maneira tão clara em nenhum acontecimento humano. Se ela emprega os instrumentos mais vis, é porque ela pune para regenerar” (Cons., pág. 7 – grifo nosso).
Portanto é essa “Divindade” que conduz essa revolução de caráter satânico, empregando instrumentos vis – os próceres revolucionários.
Esse é apenas o primeiro de uma série de paradoxos que infestam a obra.
O jacobinismo, “único meio de salvar a França”
Se a revolução era o meio de atuação da “Divindade”, combatê-la seria contrariar o próprio Deus. Tal é a conclusão que se impõe, e De Maistre não hesita em confirmá-la: foi a Providência quem impediu o triunfo das forças contra-revolucionárias, cuja vitória teria conseqüências funestas.
Com ele a palavra:
“Se apenas a força tivesse operado aquilo que se chama a contra-revolução e recolocado o rei sobre o trono, não teria havido meio de fazer justiça” (Cons., pág. 13).
Para argumentar, o autor arquiteta uma hipótese:
“Transportemo-nos à época mais terrível da revolução; suponhamos que, sob o governo do comitê infernal, o exército, por uma súbita metamorfose, se tornasse de repente realista; suponhamos que ele convocasse suas assembléias primárias e que nomeasse livremente os homens mais esclarecidos e estimáveis para lhe traçar a rota a ser seguida nessa situação difícil; suponhamos, enfim, que um desses eleitos do exército se erguesse e dissesse: 'Bravos e fiéis guerreiros, há circunstâncias em que toda a sabedoria humana se reduz a escolher entre diferentes males. É duro, sem dúvida, combater em favor do comitê de salvação pública, mas haveria algo ainda mais fatal: seria voltar nossas armas contra ele. No instante em que o exército se imiscuir na política, o Estado será dissolvido, e os inimigos da França, aproveitando esse momento de dissolução, a penetrarão e dividirão. Não é para o momento atual que nós devemos agir, mas para a continuação dos tempos: trata-se sobretudo de manter a integridade da França, e nós somente podemos fazê-lo combatendo em favor do governo, qualquer que seja ele” (Cons., págs. 16 e 17).
Como – perguntamos – deveria ser recebida tal proposta pelos católicos contra-revolucionários? Poderiam tais sofismas encontrar guarida? Afinal, já não estava dividida a França pela revolução, se não em seu território, em seu povo e em sua Fé? Poderiam os católicos, a pretexto de manter aquela artificial integridade territorial, juntar suas forças às do governo assassino, que derrubara Igreja e trono, inundando de sangue o solo francês?
Não. Sem dúvida, o autor de tal discurso seria repelido pelos católicos não acovardados como vil traidor.
Não é o que pensava De Maistre: “Esse homem”, diz ele, “teria falado como grande filósofo” (Cons., pág. 17). E ele continua: “Se pensarmos bem, veremos que, uma vez estabelecido o movimento revolucionário, a França e a monarquia somente poderiam ser salvas pelo jacobinismo” (Cons., pág. 17). O poder revolucionário, em sua visão, “era ao mesmo tempo um castigo terrível para os franceses e o único meio de salvar a França” (Cons.,pág. 18).
A História, como já era previsível, negou-lhe razão. Tragicamente.
De Maistre, a pretexto de patriotismo, não poupa os contra-revolucionários:
“O que pediam os realistas, quando pediam uma contra-revolução tal como eles a imaginavam, quer dizer, feita bruscamente e pela força? Eles pediam a conquista da França, e portanto sua divisão, o aniquilamento de sua influência e o aviltamento de seu rei, ou seja, massacres talvez de três séculos, como conseqüência infalível de uma tal ruptura de equilíbrio” (Cons., pág. 18).
Linhas escritas por um falso contra-revolucionário, não apenas contra nobres, mas também contra camponeses católicos que, nada possuindo além de sua Fé, tomaram rudes armas para, desordenadamente, defender a Igreja e o Trono. Linhas que, a pretexto de falso patriotismo, apaziguavam consciências de omissos. Linhas assassinas, responsáveis pelo massacre de milhares de católicos franceses.
Bons frutos da má árvore
O otimismo de De Maistre não conhece limites. Profeticamente, o conde vislumbra resultados maravilhosos da revolução satânica. Para demonstrá-las, ele não hesita lançar mão de paradoxos, por mais irrazoáveis que sejam.
Aliás, ele não deixa de advertir quanto a isso: “Povo francês, não escute os raciocinadores; raciocina-se demais na França, e o raciocínio está banindo dela a razão. Entrega-te sem temor e sem reservas ao instinto infalível de tua consciência” (Cons., pág. 111).
Vê-se bem que De Maistre seguia à risca seu próprio conselho, entregando-se a esse estranho “instinto infalível”.
Entre os excelentes resultados da revolução, o ultramontano conde vislumbra o ecumenismo:
“Era necessário, provavelmente, que os padres franceses fossem mostrados às nações estrangeiras; eles viveram entre nações protestantes, e essa aproximação diminuiu muito os ódios e preconceitos. A emigração considerável do clero, e particularmente dos bispos franceses, para a Inglaterra, me parece sobretudo uma época notável. Seguramente, ter-se-ão pronunciado palavras de paz! Seguramente, ter-se-ão formado projetos de aproximação durante essa reunião extraordinária! Ainda que não se tenha senão desejado em conjunto, isso já seria muito” (Cons., págs. 22/23).
Comovente, sem dúvida. Com essa demagogia, nosso tradicionalista poderia ser, hoje, presidente do Conselho Mundial das Igrejas.
Mas o ecumenismo é apenas uma das conseqüências benéficas da revolução descobertas por De Maistre:
“Todos os monstros que a revolução concebeu trabalharam apenas, segundo as aparências, em favor da realeza. Através deles, o brilho das vitórias forçou a admiração do universo, e envolveu o nome francês de uma glória da qual os crimes da revolução não puderam despojar inteiramente; por eles, o rei voltará ao trono com todo seu brilho e todo o seu poder, talvez mesmo com um acréscimo de poder” (Cons.,pág. 19).
“Qui habitat in coelis irridebit eos”. A história demonstra o ridículo dessas palavras.
Entusiasmado, De Maistre prodigaliza sua estranha lógica:
“Se desejarmos conhecer o resultado provável da revolução francesa, basta examinar em que todas (as facções revolucionárias) desejaram o aviltamento, a própria destruição do cristianismo universal e da monarquia; de onde se deduz que todos os seus esforços redundarão apenas na exaltação do cristianismo e da monarquia” (Cons., pág. 117, o estranho destaque é do original).
Eis a árvore má a produzir bons frutos!
Que fazer? Nada fazer.
Ante tão belas perspectivas, que atitude tomar?
De Maistre responde: “Essa mesma idéia, que tudo se faz em vantagem da monarquia francesa, me convence de que qualquer revolução realista é impossível antes da paz; pois o restabelecimento da realeza deteria subitamente todos os recursos do Estado” ( p. 19). “Entretanto, parece sempre mais vantajoso para a França e para a monarquia que a paz, e uma paz gloriosa para os franceses, se faça pela república” (p.20).
Assim, De Maistre aconselha a nobreza a esperar a “paz gloriosa pela república”. Enquanto isso, devia ela, segundo suas palavras, “curvar a cabeça e resignar-se. Um dia ela deverá abraçar de bom grado filhos que ela não carregou em seu seio; esperando, ela não deve mais fazer esforços exteriores; talvez mesmo fosse desejável que jamais a tivessem visto em uma atitude ameaçadora” (p. 151).
Nada mais cômodo.
***
Assim pensava Joseph de Maistre. Surpreende que, passados dois séculos, continue ele a gozar do renome de grande católico contra-revolucionário.
À sua revelia, é preciso reconhecer, pois ele se afirma “estranho a todos os sistemas, a todos os partidos, a todos os ódios, por caráter, por reflexão, por posição” (p. 183).
Essa derradeira mentira talvez seja a maior contida na obra. Pois por detrás da falsa neutralidade de De Maistre, ou de seu falso prestígio de católico contra-revolucionário, existia, sim, um sistema e um partido. E existia, sim, muito ódio. O mesmo sistema, o mesmo partido e o mesmo ódio que levaram, mais tarde, o mundo a assistir impassível à gradual descristianização dos povos. Que não permitiu houvesse uma forte reação contra-revolucionária entre os católicos, a pretexto de não dividi-los. Que tem auxiliado a caminhada revolucionária até nossos dias, acalentando a inanição e a pusilanimidade de muitos daqueles que deveriam ser seus maiores opositores.
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/consideracoes/
E as armas? O futuro ditador Lula vai “mandar devolver” (reparem que ele está com um tom autoritário, ou seja, caiu no próprio engano de “achar que foi o maior governante do Brasil” sendo que os maiores méritos do governo dele, os da parte econômica, vieram do Meirelles, do Palocci e afins que ele tanto combatia.)
O mais legal é um “argumento” desarmamentista que eu vejo muito, mas muito, por aí. Se não me engano, veio da nossa “sapientíssima” classe letrada (vou chutar que veio da Ilona Szábo, é só pesquisar depois). Vejam a pérola parafraseada e entre aspas:
“Devemos ser contra as armas porque o próprio portador fica inseguro já que, após ter comprado uma, ele se torna uma vítima em potencial de ladrões de armas.”
Vejam, se você compra uma Ferrari, ok, os ladrões ficam de olho em você. Se você compra uma barra de ouro, ok, os ladrões ficam de olho em você…agora, se você compra uma arma quer dizer, então, que o ladrão vai querer invadir a sua casa, com o risco de ser alvejado, para roubar ela? Como assim meu?! Pô, será que os bandidos são burros como os nossos intelectuais e não pensarão assim: “-Poxa! Se eu invadir aquela casa armada, eu posso sair de lá com ela como também posso sair de lá num saco preto”.
E toda essa asneira é “digada” como se fosse o “auge da racionalidade humana”…Albert Einstein? Leibnitz? John von Neumann? Que nada! A Escola de Atenas está aqui, ocupada pelos nossos “çábios dezarmamentistas”.
É tanto gênio por aqui que eu não sei como que era para termos 99988 Prêmios Nobel. Fica óbvio entender o porquê da polarização: Um lado quer arrancar a liberdade do outro.
E continuam subestimados mesmo, viram a última do “Ciro Guedes” em suas propostas de reforma tributária? Tributar o “lucro” sobre o valor de mercado do seu imóvel. Gênio futurologo. Do mal… Farsante comunista miserável. Se isso sequer entrar em votação, merece toda a torcida para que sofra algum tipo de acidente, ele e seu presidente, e depois o impeachment, desgraçados..
Trump e Bolsonaro estão somente cumprindo a agenda globalista, infelizmente aqui no Brasil estamos vivendo um estamento burocrático há décadas e para mudar precisamos de muitas décadas há frente de reversão de pensamento.
Cada vez pior.
Esse pais vai acabar
https://www.istoedinheiro.com.br/deficit-fiscal-do-brasil-caminha-para-superar-15-do-pib-neste-ano-10/?fbclid=IwAR3_wU2noUUV7KOOszEsyVcyeCZzqxhZGHTZPW5KzA-DVfwx_2BnOSL_MwM
Pais falido nao segura território