Nota do Editor
A Buser é conhecida como a Uber dos ônibus. Trata-se de uma empresa que já atua em vários estados do Brasil, fazendo a venda de passagens por aplicativo para vários municípios e em horários fixos.
Os preços chegam a ser metade dos preços cobrados pelas empresas já estabelecidas no ramo.
É óbvio que tamanha concorrência gerada pelo livre mercado incomodaria as empresas que atuam neste mercado amplamente regulado pelo estado. As empresas tradicionais, que contam com fortes laços na política, estão fazendo de tudo para proibir a concorrência e evitar baixar preços ou melhorar o serviço.
Nesta semana, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou uma lei que, na prática, proíbe aplicativos de ônibus. A tramitação da lei durou menos de um mês, um recorde.
Já o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, conseguiu aprovar um projeto que extingue milhares de novas linhas de ônibus e restringe a atuação dos aplicativos. Ele agora pressiona os deputados para aprovarem a medida. O projeto atende aos interesses da sua família, dona de duas empresas do ramo.
Esta é a perfeita ilustração do nosso “capitalismo de estado“. Por aqui, as coisas funcionam na base do Rent seeking (ou “busca pela renda”): conquistar privilégios e benefícios não pelo mercado, mas pela influência política.
Em uma economia baseada no rent seeking, as instituições regulatórias e os burocratas são comprados por grupos de interesse com o objetivo de obter privilégios e bloquear a concorrência.
Neste arranjo, os indivíduos concorrem entre si para ganhar favores de políticos, e não para oferecer a clientes produtos e serviços melhores ou mais baratos. O grosso do lucro advém de privilégios garantidos junto ao governo e não da oferta de bens e serviços aos consumidores.
A livre concorrência fica proibida de fazer sua mágica de derrubar preços e aumentar o poder de compra dos cidadãos.
No Velho Continente, as coisas também eram assim. Mas já mudaram, como mostra o artigo abaixo.
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Recentemente,
tive de ir de Budapeste a Viena, uma viagem de aproximadamente duas horas e meia.
Sem ter um carro, tive de encontrar outro meio de transporte para voltar pra
casa.
Eu
poderia optar pelo trem, e teria de pagar o equivalente a US$ 45. Porém, optei
por uma alternativa: e então, em vez de US$ 45 paguei apenas US$ 10 sem
qualquer demora adicional.
Durante
toda a minha viagem, usufruí uma internet wi-fi surpreendentemente estável,
conseguindo até mesmo assistir a eventos esportivos em meu smartphone — um
incrível contraste com as instáveis conexões de internet dos trens europeus. Tive cappuccino grátis. Os assentos eram muito
confortáveis. Havia monitores de TV nas costas de cada assento, com
canais de televisão e rádio, um mapa, e muita música. Havia até uma comissária
de bordo frequentemente oferecendo assistência aos passageiros.
Não,
eu não fui de avião. Eu não tive a sorte de conseguir um vôo extremamente
barato tão em cima da hora. Em vez disso, peguei um ônibus da RegioJet, uma empresa da República Tcheca
que opera trens e ônibus. Esta empresa privada, fundada em 2009, fornece
viagens extremamente baratas de trem e de ônibus ao longo de toda a Europa
Central.
Desregulamentação gera inovação
Não,
não estou recebendo nenhum dinheiro da RegioJet. Com efeito, foi a primeira vez
que utilizei a empresa.
O
motivo por que estou relatando isso é para ilustrar apenas mais um exemplo de
uma revolução no setor de transportes que está atualmente ocorrendo em toda a
Europa graças a medidas de desregulamentação criadas tanto pela União Europeia
(quem diria!) quanto pelos governos nacionais.
Tais
desregulamentações estão possibilitando cada vez mais a entrada da iniciativa
privada nos até então severamente regulados mercados de trem e ônibus (o setor aéreo europeu já
está praticamente todo desregulamentado, e possui hoje as mais baratas
tarifas do globo), tornando ainda mais evidente que o setor de transportes não
precisa ser — ou, melhor ainda, não deveria ser — um bem público fornecido ou
mesmo regulado pelo estado.
Historicamente,
esta ideia — ou seja, o setor de transportes ser um bem público que deve ser controlado
ou regulado pelo estado — sempre esteve enraizada na mente dos governantes
europeus. Portanto, tal mudança de paradigma é notável.
Os
governos de Alemanha e França, durante vários séculos, bloquearam
qualquer entrada de empresas privadas no setor ferroviário. Também proibiam a
entrada no setor rodoviário. Na Alemanha, por exemplo, de 1935 a 2012
era proibido uma empresa de ônibus ofertar uma linha entre, por exemplo, Berlim
e Munique, pois havia o temor de que ninguém mais usaria a Deutsche Bahn — a
empresa ferroviária do governo. Sempre que houvesse uma linha ferroviária entre
duas cidades era proibido
haver linhas de ônibus. Como consequência, na década de
1980, viagens de ônibus na Alemanha praticamente deixaram de existir.
No
entanto, não só na Alemanha como em toda a Europa, a pavorosa ineficiência das
empresas ferroviárias estatais foi deixando cada vez mais claro que este
arranjo não poderia ser mantido. Por exemplo, a SNCF, a estatal ferroviária
francesa, tem uma
dívida acumulada de $54 bilhões.
Assim,
a União Européia — que normalmente não é conhecida por
gerar boas notícias — começou
a implantar medidas desregulatórias há algumas décadas, sendo que o “quarto
pacote ferroviário” entra em vigor ano que vem. Os mercados foram liberalizados,
empresas privadas ganharam permissão para entrar e ofertar seus serviços, e a
concorrência além das fronteiras foi permitida.
Hoje,
as empresas que sempre dominaram este mercado em seus respectivos países —
tanto estatais quanto algumas privadas protegidas e subsidiadas pelo estado —
estão enfrentando concorrência de todos os tipos, desde novas empresas privadas
até algumas empresas estatais de outros países.
E
não foi apenas a União Europeia a responsável por isso. Nos últimos anos,
vários governos nacionais também desregulamentaram seus respectivos setores,
permitindo que empresas privadas operassem nele e permitindo também a entrada
de empresas de outros países da Europa. Tal processo continua e, ao que tudo
indica, não será revertido. (Antes da Covid-19 alterar o foco do mundo, Emmanuel Macron estava travando
uma batalha contra os sindicatos franceses em relação a estas reformas).
Na
Alemanha, uma coalizão de conservadores e liberais legalizou
a entrada de empresas de ônibus no mercado de transportes intermunicipais em
2013. Desde então, naquele país em que praticamente não mais havia empresas de
ônibus, nada menos que 150
novas linhas de ônibus intermunicipais surgiram, levando a uma
significativa alteração nas preferências dos consumidores, que começaram a
abandonar os trens e adotar cada vez mais os ônibus para longas viagens.
Durante
esse processo concorrencial, uma empresa chamada Flixbus, fundada em 2011 se
destacou e, graças a seus preços incrivelmente baixos, detém
hoje 90% do mercado de ônibus na Alemanha.
Os
ônibus já estão sendo rotulados
de “o novo meio de transporte favorito da Alemanha”, e a Flixbus está
atualmente se expandindo para “Flixtrain”, planejando
oferecer ligações ferroviárias entre Munique e Berlim por $11 — sendo que
pela estatal Deutsche Ban os preços variam de $13 (impossíveis de se conseguir)
a astronômicos
$215.
Estas
imensas reduções de preços — em conjunto com serviços muito melhores — se
tornaram um fenômeno rotineiro em todo o continente europeu, tanto que tal
revolução já está sendo considerada uma “ameaça existencial” para as antigas
empresas ferroviárias. Como
a empresa de consultoria Oliver Wyman observou:
Os ônibus intermunicipais de hoje
oferecem confortos iguais aos dos trens (como poltronas luxuosas, banheiros
higiênicos, internet wi-fi, lanches e bebidas), mas a uma fração dos preços
cobrados pelas empresas ferroviárias nas rotas de alta densidade.Acreditamos que, passados alguns
anos, as novas empresas de ônibus já conseguiram capturar 20% dos clientes das
ferroviárias, graças a agressivas táticas de maketing, a uma inteligente rede
de itinerários e a ônibus com grandes capacidades para passageiros.
Todo
esse processo mostra a beleza do mercado em ação. Todas as melhorias que podem
ocorrer quando não são burocratas que estão no controle do mercado, mas sim
empreendedores em busca do lucro, ofertando benefícios e comodidades para
tentar conquistar clientes e, com isso, auferir ganhos monetários.
A
revolução dos transportes na Europa é também um claro exemplo de uma
“destruição criativa”, como Joseph Schumpeter rotulou o que ocorre quando o status quo é obrigado a enfrentar um
distúrbio causado por novas idéias e novas práticas.
Empresas
estatais ou empresas privadas operando sob regime de concessão (isto é, com um
monopólio protegido e garantido pelo estado) dominaram por décadas os mercados
europeus. Porém, tão logo surgiu a oportunidade de outras empresas entrarem no
mercado, aquelas empresas já estabelecidas começaram a cambalear, ao passo que
as novas entrantes estão prosperando e prevalecendo.
Os
benefícios para os consumidores estão sendo imensos. Os preços caíram, a
qualidade aumentou e as possibilidades para o cidadão comum europeu viajar de
forma ampla e barata aumentaram.
Isso,
por si só, já é muito mais do que qualquer governo jamais conseguirá fazer na
área de transportes.
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Complemento do editor
No
Brasil, ainda está em vigor o nosso jurássico sistema cartelizante, em que o
estado, por meio de suas agências reguladoras, determina quem pode e quem não
pode atuar no mercado, e quem pode e quem não pode operar determinadas rotas.
No
setor de transportes rodoviários, por exemplo, as regulações da ANTT (Agência
Nacional de Transportes Terrestres) impedem o surgimento de empresas de ônibus
para concorrer com as já existentes, as quais detêm privilégios monopolísticos
concedidos pela agência.
Pior: impedem que as já existentes concorram mais
diretamente entre si. É a ANTT quem estipula qual empresa de ônibus pode fazer
qual rota e em qual horário. E é ela também que impede que mais de uma empresa
de ônibus sirva a cidades que tenham
menos de 200 mil habitantes. Obviamente, a ANTT também proíbe empresas
estrangeiras de fazerem viagens nacionais dentro do Brasil.
No
setor aéreo, igualmente, as regulamentações da ANAC garantem
uma reserva de mercado para as empresas nacionais já estabelecidas. Quem tentar
criar uma empresa para concorrer com elas será barrado (a menos, é claro, que
você tenha boas conexões políticas). Empresas estrangeiras
são proibidas de
fazer vôos nacionais aqui dentro, para não afetar o oligopólio protegido
pela ANAC.
Com uma reserva de mercado garantida — há apenas três grandes empresas
aéreas autorizadas pelo governo a servir um mercado de 200 milhões de
consumidores potenciais –, o Brasil é o 12º
país mais caro do mundo para viajar de avião. Brasileiros pagam 48% mais
que os britânicos e 223% mais que os norte-americanos para cada 100 quilômetros
voados. Enquanto isso, na Europa, que atualmente tem o setor aéreo mais livre
do mundo, empresas oferecem
vôos por 9,99 libras.
Esse cara contou que foi da Moldávia até a Romênia num trem decadente da era soviética. Ele optou pelo trem soviético apenas para fazer uma experiência. Segundo ele, a viagem leva 5 horas a mais que um ônibus e custa 10 vezes mais.
E olha que a passagem de um trem soviético saindo da Moldávia não deve ser das mais caras.
queroficarrico.com/blog/ignorancia-seletiva/
De resto, eu realmente não sabia que o mercado de transporte terrestre lá estava passando por essa liberalização toda. Eu já sabia do aéreo mas o terrestre é novidade. Ótimo, já sei o que fazer no meu próximo mochilão. Obrigado pleo artigo.
Como um presidente ou prefeito desregulamentaria o setor de transporte terrestre em uma cidade populosa como São Paulo e Rio de Janeiro? Faria regras parecidas da frota de carros?
Lembrando que a Ryan Air já disse que, daqui a 5 anos, as passagens aéreas serão gratuitas.
http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/turismo/noticia/5867904/companhia-aerea-afirma-voos-serao-gratuitos-cinco-anos
Pronto. Agora realmente não há a menor chance de o governo brasileiro permitir estrangeiras fazerem voos de cabotagem aqui dentro. “Vão acabar com as aéreas brasileiras!”, grita o brasileirinho que adora ser espoliado, desde que seja por um compatriota.
Aqui em Minas os ônibus e táxis clandestinos fazem viagens baratas para todos os cantos de nossa terra saindo de Belo Horizonte. Enquanto os ônibus autorizados pelo estado cobram mais de R$ 100,00, R$150,00, os clandestinos cobram R$ 60,00, no máximo R$70,00 e só não oferecem confortos devido a crise que passamos, pois tinha copinhos de água mineral a vontade há alguns anos atrás. Hoje não tem mais. A imprensa vive criticando que eles são inseguros (em parte é verdade), matérias sensacionalistas e fracassadas. O órgão fiscalizador por sua vez multa, reboca e inferniza, mas a demanda continua em alta. Imagina desregulamentando este setor?
Toda a desregularização do mercado que trás benefícios para o consumidor é importante, mas neste caso vejo o reverso, aumento do consumo de combustível fóssil, mais veículos trafegando nas estradas. É melhor desregular o mercado ferroviário, que sempre foi mais barato.
Se compararmos o preço de passagens de ônibus intermunicipais com o frete de caminhão, temos os seguintes dados aproximados: o ônibus arrecada por viagem cerca de 4 vezes mais; gasta muito menos diesel, porque leva menos peso; ao chegar ao destino pode retornar imediatamente; o caminhão tem de descarregar e isso pode demorar pois depende de terceiros; o caminhão às vezes aguarda dias em fila na fábrica para carregar; enquanto o caminhão carrega e descarrega, o ônibus pode ter feito mais de uma dezena de viagens.
Obviamente, se não fosse uma concessão pública, haveria uma infinidade de interessados em por um ônibus na estrada, cobrando possivelmente menos de um quarto do que é cobrado pelo atual sistema imposto.
Minha trip pela Europa passa por 1o diferentes cidades em 7 países. TODAS as passagens aéreas e terrestres juntas somaram menos de 150 euros. Saio de Dublin, vou pra Nice, Monaco, Pisa, Florença, Veneza, Berlin, Praga, Viena, Budapeste e Atenas. Além disso, uma hospedagem em frente a Torre de Pisa sai a 10 euros, nem na pousada mequetrefe de Ponta Negra você consegue esse valor.
Ah que pena… O Brasil poderia copiar. Eu acho que um transporte coletivo de qualidade é melhor do que um carro particular ( dirigir é um saco, combustível é caro e manutenção de carro também). Daí só usar Uber quando realmente necessário.
Viagem por terra são legais. São mais divertidas que as de avião nas quais se passam algumas horas tediosas vendo nuvens! O Brasil poderia copiar e a música e a TV são dispensáveis. Melhor ver paisagem. Nem precisa de tanto…
Parece que ser o 12° país mais caro nas viagens aéreas explica o horror que é o preço das passagens para alguns países da Europa. Melhor escolher dois destinos no continente americano do que um só no europeu.
Sei que não tem nada a ver com o assunto mas a crise aqui tá muito séria. Percebi agora andando pelo centro comercial do Recife que várias lojas foram fechadas. Muitas padarias que antes vendiam uma variedade grande de produtos como salgados, bolos e outros doces agora vendem apenas o pão. Raphael do ideias radicais vive falando que o Brasil vai falir. Se isso não é falência então eu nem quero pensar no que isso significa.
Quer viajar barato dentro da europa?
Se estiver em mais de 2 pessoas, se a viagem for longa, aluga um carro, por poucas dezenas de euros, vc economiza passagens, taxas, tempo, economiza o taxi pro aeroporto, pode escolher uma gama maior de hotéis, economiza em transportes publicos que são caros
… mas precisa ser bem estudado, rotas e paradas, estacionamentos são caros, pedagios são caros, gasolina até é cara, mas os carros lá são incrivelmente economicos
Sobre os ônibus, falando do estado de São Paulo apenas:
No estado de São Paulo as passagens dos ônibus são tabeladas pela Artesp. Todas as rodoviárias, e acho que isso é no país todo, são estatais ou privadas em regime de concessão. Ninguém pode construir uma rodoviária melhor para concorrer com essas velharias. As rodoviárias privadas tendem a ser ligeiramente melhores, mas no geral elas são ruins por serem monopólios.
A qualidade dos ônibus, por outro lado, é excelente. Mas o excesso de regulamentações, em especial o tabelamento de preços de passagens e a enorme carga tributária sobre elas, geram algumas distorções na alocação de recursos:
A qualquer hora do dia, em qualquer dia do ano as passagens custam sempre o mesmo valor. Isso faz com que em um mesmo dia um ônibus faça viagens quase sem passageiros em alguns horários e esgotem passagens para outros horários. Em feriados isso fica crônico, se a passagem não for comprada muito antecipadamente a pessoa precisa viajar no outro dia. As empresas ajudam muito colocando vários ônibus extras nesses dias, mas muitas vezes isso não é suficiente.
Porém existe uma ligeira concorrências entre as empresas, como não brigam nos preços, fazem isso na qualidade. As viações precisam de autorização da Artesp para efetuarem as rotas que desejam, mas em grande parte delas é possível escolher entre viações diferentes.
Viajar de ônibus no estado de São Paulo é muito confortável. O problema é até o momento em que você pisa dentro do ônibus graças as péssimas rodoviárias. Uma vez no ônibus, a viagem é agradável. São várias as viações que oferecem inclusive WiFi dentro dos ônibus, algumas até possuem pontos de energia para conectar notebooks e outros dispositivos em algumas poltronas. Vários destinos oferecem opção de leitos e semi-leitos entre outras comodidades.
Em resumo:
Viações: Privadas e confortáveis, mas caras (os preços são regulados pela Artesp).
Rodoviárias: Estatais ou concedidas e péssimas.
Artesp: Extremamente intrusiva e garantidora de reservas de mercado
Agências reguladoras são verdadeiras escatologias. Sob a esparrela de que regulam a prestação do serviço, tais entidades apenas concedem aumentos de tarifas enquanto os cartéis e os monopólios vilipendiam os consumidores o tempo todo.
Inobstante servirem aos cartéis e aos monopólios, as autarquias supra também são excelentes ”criadouros de cabides de emprego”.
Extinção dessas porcarias todas já!
Eu que dependo de transporte rodoviário sei o que é um transporte regulado pelo estado. Toda semana eu pego ônibus de Mococa a Muzambinho. Só há uma empresa que opera na linha, a Santa Cruz, e se não chega a ser terrível, tem o fato de horários simplesmente serem restritos. Sem contar o preço. Por exemplo, se eu usar a mesma Santa Cruz para pegar uma viagem de Mococa a Campinas, sai mais caro do que, por exemplo, eu pagar uma carona pelo BlaBlaCar. Pena que o BlaBlaCar ainda é limitado, me ajudaria consideravelmente.
Falando nisso, alguém sabe como é esse ambiente regulatório nesse setor aqui no Brasil? Já foi livre ou sempre foi essa geringonça?
Na italia custa aproximadamente 4 euros a cada 100km com trem “regional” que os italianos reclamam muito mas tem velocidade de 150 a 220km/h com mesinha, tomadas para celular e ar condicionado.
Já que muitos aqui estão falando em reformas necessárias para o país, eu pergunto:
Alguém viu o debate entre os presidenciáveis ontem na Band ?
Eu vi e foi deprimente, só ouvi mais do mesmo…
Ganhe quem ganhar, não teremos nenhuma mudança minimamente significativa.
Em São Paulo, já há uma certa concorrência em algumas rotas. Há uma empresa chamada Levare, que faz uma linha entre São Paulo e a região de São José do Rio Preto, concorrendo com outras duas empresas: além de terminais próprios (em postos de gasolina) com sala VIP, a empresa possui ônibus com poltronas muito confortáveis, telas individuais de entretenimento e até mesmo comissária de bordo.
Gente gente. Antes tarde do que nunca. Se ha 13 anos atras tivessem candidatos assim e menos vagabundos de estatais se vitimizando e o povao dando corda,o Brasil nao estaria do jeito que esta. O politico esta la para ganhar o dele,e o povo que tem que aprender o basico. Estado minimo,funcionario publico e tudo vagabundo. O resto se ajeita.
Algum tempo atrás usava fretado para ir trabalhar, extremo conforto, qualidade, tínhamos até cervejas, refrigerantes e salgados na sexta feira bastava pagar uma taxa de serviço e fazer o pedido dos salgados ( necessidade básica para enfrentar o transito de sexta em SP)
Toda a frota da empresa tinha ônibus com menos de 5 anos, e os motoristas reportavam ganhos muito acima das demais no ramo municipal e intermunicipal.
E o custo, na época 310 reis por MÊS algo como 7 reais por um trajeto de aprox 100 km ida e volta ( Guarulhos – Alphaville ) e o ônibus basicamente te pegava na porta de casa e deixava ou na esquina ou na porta da empresa.
É vergonhoso o estado tentar atrapalhar o privado, como a regra para fretado é bem burrocratica mas ainda tem guerreiros para atuar a solução é culpá-los por transito e tentar atrapalhar algo que funciona.
Só mais um comentário.
Para que um setor possa ser verdadeiramente liberalizado, além de enterrar a agência reguladora do setor (nem precisava realmente acabar com a agência, bastaria privatizá-la e deixá-la somente com poderes para normas em questões de segurança, sendo a norma absolutamente opcional para as empresas so setor), teria que se pensar em liberar os setores fornecedores diretos.
Assim, transporte, por exemplo, só vai estar realmente livre liberando-se também os mercados de veículos e combustíveis.
A segurança é um fator crítico no transporte aéreo e, na minha opinião, isso dificulta muito uma desregulamentação agressiva nesse modal.
Mas afinal de contas , o que OBJETIVAMENTE foi a desregulamentação, para brigarmos por isso aqui no Brasil? Sei que muitas empresas de baixo custo não usam terminais rodoviários convencionais, por exemplo, mas ainda assim alguns critérios mínimos devem ter permanecidos e esses devem ser objeto de estudo.
No Brasil os preços são inflados porque sustentamos uma penca de burocracia nas empresas de transporte; burocracia que a internet e sistemas de gestão automatizados matam completamente. Fora isso, algumas linhas ainda circulam com onibus vazios em diversos horarios, tornando mais caro todo o empreendimento.
Rio x SP, por exemplo. Com passagens a 50 reais e 30 pasageiros (3/4 do onibus), se arrecadaria 1500 reais. Considerando que o mesmo onibus fará ida e volta e que dois motoristas podem ir juntos, cada um assumindo a direção em um sentido, o lucro seria enorme , mesmo com pedágios absurdos e gasolina cara (mais dois preços estatais a serem combatidos).
Se tivessemos tido uma bolha de onibus como tivemos uma bolha de caminhão, provavlemnte os preços ja estariam bem menores.
A Ryanair é bem barata. O desafio está em passar ileso pelas aterrissagens.
Os ônibus brasileiros intermunicipais são muito bons (pelo menos todos os que andei), o problema é a infraestrutura egípcia que há aqui. Heróis os motoristas que precisam andar em cidadezinhas estreitas, desviar de buraco, passar em lombada e valeta, ver se há uma lombada mal sinalizada… hoje já há aplicativos como o Buser, então pelo menos os passageiros não devem depender das medonhas rodoviárias. Em cidades de interior, as rodoviárias simplesmente fecham e já vi caso de um sujeito que perdeu viagem de ônibus porque, como a rodoviária estava sem funcionar, o motorista do ônibus não aceitou o embarque por falta de bilhete impresso… (se não me falha a memória). Não sei como está hoje.
O Marco das Ferrovias parece bom, uma surpresa ter sido proposto pelo José Serra. O BR do Mar também é bom. Nessa parte o governo Bolsonaro pelo menos tem feito coisas boas.
Os Talibãs retornaram ao poder no Afeganistão. Qual a opinião do IMB sobre isso?
Boa noite, meus amigos e companheiros de batalha contra a máquina de assassinatos. Sei que o meu comentário não tem nada a ver com o que foi pautado no artigo, mas diz respeito a uma causa muito maior, a nossa causa. Não sou um amplo conhecedor do método austríaco (na verdade, poderia dizer que sou apenas um “degustador”), por isso, gostaria de pedir a ajuda de vocês em relação a um tópico econômico.
http://www.youtube.com/watch?v=Kx9ZF6EEU0Q&t=3s
Esse vídeo me foi enviado por alguns colegas socialistas, numa tentativa deles de me induzir a acreditar que o anarcocapitalismo é uma utopia.
De todos os tópicos abordados no vídeo acima, o unico que realmente me incomodou foi o quarto.
Para aqueles que não tiverem disposição para ver o vídeo, irei resumir aqui o que é pregrado: o apresentador do vídeo diz que o capitalismo precisa do Estado para que ele assuma as rédeas em situações de investimentos arriscados e com previsão de lucro a longo prazo.
Como eu já disse, sou mais um simpatizante do método austríaco do que um conhecedor assíduo, e venho buscar o auxílio de vocês para o elucidamento dessa questão.
Abraços.