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Nos EUA, a mão-de-obra na indústria caiu, mas a produção explodiu e a renda aumentou

Além da “segurança nacional“, uma
das razões fornecidas por Donald Trump para impor novas tarifas de importação
ao aço e ao alumínio é que esse protecionismo, ao garantir uma reserva de
mercado, irá criar empregos industriais e, consequentemente, gerar um aumento
da renda e o padrão de vida da população americana.

Essa falácia já foi devidamente refutada aqui, mas vamos voltar
a ela pelo bem do debate.

Trump está se apoiando em um mito que, por algum
motivo misterioso, se recusa a morrer: a ideia de que uma redução na quantidade
de mão-de-obra empregada na indústria resulta em queda no padrão de vida como
um todo.

Para começar, o que sempre é ignorado nesta ideia é
que o emprego industrial, em relação à população geral, caiu significativamente
desde o fim da Segunda Guerra Mundial até meados da década de 1960. E, ainda
assim, durante este período, a
renda média real dos americanos aumentou
.

O gráfico abaixo mostra a evolução da renda média
real das famílias americanas (linha azul, coluna da direita) versus a
quantidade de pessoas empregadas na indústria em relação à população geral
(barras azuis, coluna da esquerda).

manuf_jobs.png

Gráfico
1: Evolução da renda média real das famílias americanas (linha azul, coluna da
direita) versus a quantidade de pessoas empregada na indústria em relação à
população geral (barras azuis, coluna da esquerda)

A renda permaneceu relativamente estagnada durante a
década de 1970, mas voltou a crescer substantivamente nas décadas de 1980 e
1990. E, obviamente, durante as décadas de 80 e 90, os empregos industriais mantiveram seu acentuado declínio.

Em outras palavras, simplesmente não está nada claro
que uma redução no emprego industrial gera uma redução na renda real média ou
mesmo uma redução no padrão de vida.

Por outro lado, é verdade que apenas apontar algumas
correlações — ou, no caso, a ausência delas — nos dados não necessariamente
prova que empregos industriais não possuem absolutamente nenhuma conexão com a
renda e com a riqueza. Para entender isso, é necessária uma sólida teoria
econômica. E a sólida teoria econômica é cristalina: impostos maiores — isto
é, tarifas de importação mais altas — representam custos de produção maiores
para as indústrias que utilizam aço e alumino como insumos (a esmagadora maioria
das indústrias americanas), e isso, por definição, não tem como ser a solução
para o crescimento econômico.

Mas tudo isso ainda é o de menos.

Empregos
ou produção?

Quando se fala sobre empregos na indústria, é
importante observar que quase nunca se menciona o que realmente interessa, que
é a produção industrial.

É a produção industrial o que realmente determina a
renda real e o padrão de vida das pessoas. Maior produção significa maior
oferta de produtos, o que pressiona os preços para baixo — ou, no caso, impede
que eles subam.

Logo, maior oferta de produtos a preços contidos
significa aumento da renda real da
população consumidora ao longo do tempo.

Adicionalmente, maior produtividade necessariamente
implica maiores salários para os trabalhadores dessa indústria. É exatamente a
produtividade o que permite aumentos salariais.

Portanto, maior produtividade beneficia tanto os
trabalhadores da indústria quanto toda a população consumidora.

Dito isso, é inteiramente possível que a produção industrial aumente ao mesmo tempo
em que os empregos industriais estão em queda
.

Isso, aliás, deveria ser óbvio para qualquer um que
conheça a história da evolução da agricultura. No século XVIII, praticamente
toda a população estava envolvida na produção de produtos agrícolas.
Atualmente, apenas uma ínfima quantidade da população trabalha no campo. Ao
mesmo tempo, a produção agrícola é hoje várias vezes maior
do que era nos séculos XVIII, XIX e até mesmo em meados do século XX.

Similarmente, se olharmos para a produção
industrial, as indústrias americanas produzem muito mais hoje do que produziam
em meados do século XX, o qual sempre é relembrado como “os bons velhos tempos”
do emprego industrial nos EUA.

O gráfico a seguir mostra a evolução da produção
industrial americana (barras marrons, coluna da esquerda) versus a quantidade
de pessoas empregadas na indústria em relação à população geral (linha preta,
coluna da direita).

industrial.png

Gráfico
2: Evolução da produção industrial (barras marrons, coluna da esquerda) versus
a quantidade de pessoas empregadas na indústria em relação à população geral
(linha preta, coluna da direita)

Em 1953, 10% da população americana trabalhava na
indústria. Atualmente, 4%. Isso representa uma queda de 60%. (Já em termos de números absolutos,
em 1979, que foi o pico do emprego industrial, havia 19,5 milhões de pessoas
trabalhando na indústria americana; atualmente, há 12,5 milhões — queda de 36%
no emprego industrial)

Neste mesmo período, o índice da produção subiu de
20 para 103. Aumento de 415%.

Em outras palavras, graças aos ganhos em
produtividade, são necessários muito menos trabalhadores para fabricar muito
mais produtos.

Da perspectiva econômica, dificilmente pode haver uma
relação melhor. A indústria americana quintuplicou sua produção utilizando 60%
menos mão-de-obra no universo da população. Criar mais valor utilizando menos
mão-de-obra significa que a indústria é hoje muito mais eficiente ou —
utilizando outras palavras — bem mais produtiva do que jamais foi.

Este impressionante ganho de produtividade possui
várias fontes, as quais se manifestam principalmente na forma de avanços
tecnológicas em áreas como software, robótica e comunicação. Graças à automação
e a outras melhorias na produtividade, hoje são necessárias bem menos pessoas
para fabricar mais produtos.

A globalização e a transferência de processos
produtivos mais primários para outros países também tiveram grande importância,
uma vez que elas permitem aos trabalhadores americanos um maior grau de
especialização naqueles setores em que sua vantagem produtiva é maior.

Com efeito, o contínuo crescimento da produção industrial
a qual inclui também mineração
e energia
— mostra que a ideia de que “os EUA não mais fabricam coisas” é
simplesmente mentira. As indústrias americanas estão produzindo mais bens, e
bens de maior valor agregado, do que faziam no passado. A diferença é que cada
vez menos humanos são necessários para fabricar esses bens.

Logo, dizer que há “uma crise na indústria americana”
ou até mesmo uma “nefasta desindustrialização” é algo não comprovado pelos
dados.

E
a renda real?

Maior produção por pessoa significa, como já dito,
mais produtividade e produtos menos caros. Isso, por sua vez, gera aumentos
salariais reais.

No entanto, como mostra a linha do Gráfico 1, houve
um problema com a renda real dos americanos após 2001. De 2001 a 2015, a renda
real parece ter ficado estagnada. Foi só nos últimos dois ou três anos que ela
finalmente voltou a subir e ultrapassar o valor que havia alcançado em 2007,
antes da crise
financeira mundial
. Foram necessários mais de oito anos para que a renda se
recuperasse e voltasse ao nível pré-crise.

De um lado, seria extremamente simplista olhar para
esse dado e concluir que a solução está em estimular artificialmente o emprego
no setor industrial. Mesmo porque impor tarifas de importação sobre o aço e o
alumínio irá resultar em um aumento no custo de se empreender nos EUA, ao mesmo
tempo em que elevará o custo de vida e, consequentemente, reduzir a renda média.

Ao elevar artificialmente os preços do aço e do
alumínio, o governo americano está encarecendo o custo de uma matéria-prima
utilizada pela maior parte das indústrias americanas, afetando a produtividade
delas. Já a quantidade de indústrias que se beneficiam desta tarifa é ínfima.
Como explicado aqui:

A
esmagadora maioria dos trabalhadores está empregada em indústrias que se
beneficiam de aço e alumínio baratos: há aproximadamente 200.000
de trabalhadores
 nas indústrias de aço e alumínio. E há nada menos
que 6,5
milhões de trabalhadores
nas indústrias que utilizam aço e alumínio como
matéria-prima para seus produtos — empresas que fabricam de tudo, desde
caminhões, automóveis e maquinários pesados até latas de cerveja e aramados
para galinheiro.

Essas
empresas terão de arcar com preços maiores para suas matérias-primas, o que
obviamente afetará sua lucratividade e, consequentemente, o próprio emprego de
seus trabalhadores.

Por isso, as tarifas irão muito mais prejudicar do
que ajudar no aumento da renda real.

Mas agora vem o principal: é fácil comprovar que, na
prática, houve um aumento nos salários reais dos americanos.

Nas últimas décadas, por exemplo, os benefícios não-salariais dos americanos explodiram.
Hoje, eles recebem vários tipos de auxílios para deslocamento e para
realocação, recebem planos de saúde pagos pelo empregador, recebem cobertura
odontológica e oftalmológica, recebem cuidados médicos que também se estendem a
seus filhos, possuem participação em generosos fundos de pensão, e recebem do
empregador seguro de vida corporativo (há empregadores que pagam as creches dos
funcionários). Há também férias pagas e o direito de se faltar ao trabalho 6
vezes ao ano sem ser descontado. Há lojas que dão desconto a funcionários de
determinadas empresas. Tudo isso chega, no mínimo, a 40% do salário do indivíduo
(fonte aqui). 

Adicionalmente, no geral, os preços de vários bens
de consumo importantes desabaram. Coisas como fogão, geladeira, televisão e
todos os tipos de sistemas de entretenimento doméstico, lava-louças,
churrasqueiras, microondas, forno elétrico, panelas especiais, torradeiras,
esteiras de ginástica, aspiradores de pó etc. ficaram 76%
mais baratos
, em média.

Já os preços de vários utensílios domésticos caíram
81% entre 1960 e 2013
 em termos de horas de trabalho necessárias para
comprar esses itens.

Ou seja, os benefícios não-salariais (não computados
nas estatísticas) dos trabalhadores aumentaram 40% e os preços nominais caíram entre
76% e 81%. 

Para completar, adicione a tudo isso a recente
explosão na oferta de comodidades
gratuitas ou a preços irrisórios (e que também não entram nas estatísticas
),
e não haverá como negar que tudo isso representou um substantivo aumento real dos salários, maior do que o
capturado nas estatísticas. Graças não só ao estrondoso aumento na
produção industrial, mas também à globalização e ao empreendedorismo.

Conclusão

Argumentar que “os EUA não produzem mais nada” e que
o país “só perde na questão do comércio exterior” representa uma grave
distorção da realidade.

Ainda pior é querer “corrigir” um problema
inexistente com a imposição de tarifas de importação, as quais irão apenas
debilitar a própria
indústria
e, aí sim, reduzir a renda real das pessoas.

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Leia
também:

A
“desindustrialização” foi intensificada pelos governos, mas é um
fenômeno inevitável

Estamos mais ricos e
melhores do que imaginamos – mas as estatísticas não capturam isso

Antes de Trump, Bush e
Obama também elevaram algumas tarifas de importação. Eis as consequências

 

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66 comentários em “Nos EUA, a mão-de-obra na indústria caiu, mas a produção explodiu e a renda aumentou”

  1. Os dados, os gráficos e a teoria parecem encerrar o assunto em definitivo. Mas quero chamar atenção para um ponto quase nunca enfatizado: empregos industriais são insalubres e, por isso mesmo, indesejáveis.

    Eu sempre me delicio ao ver intelectuais defendendo o aumento no emprego industrial como se fosse uma coisa desejável e agradável. Ora, trabalhar na indústria é algo totalmente punitivo do ponto de vista da saúde e da segurança. É um ambiente maçante, monótono e até mesmo emburrecedor. O trabalhador industrial passa oito horas do dia fazendo trabalhados repetitivos e extenuantes. É a perfeita caricatura do homem robotizado, sem emoções e vontade própria.

    Por isso, qualquer redução do emprego industrial deveria ser comemorada como algo humanístico; qualquer substituição de homens por máquinas deve ser aplaudida como algo em prol da humanidade.

    Antigamente, a esquerda criticava os empregos gerados nas fábricas (Revolução Industrial). Hoje, ela diz que a salvação está nos empregos nas fábricas. Apenas gente que nunca empunhou um instrumento de trabalho mais pesado que um lápis pode defender a ideia de que o progresso está em fazer trabalhos excruciantes e "quebradores de coluna" nas indústrias.

    Eu não entendo gente defendendo enfiar ainda mais humanos dentro de fábricas. Empregar humanos na indústria denota atraso. Avanço é substituí-los por máquinas e robôs. Países ricos fazem o segundo e liberam essas pessoas para se dedicar a empreendimentos mais prazerosos. Países pobres, o primeiro, e com isso permanecem no atraso, sem um setor de serviços vibrante e criativo.

  2. Pensador Consciente

    Gostaria de saber do IMB qual a opinião suas sobre a geopolítica da China,pois é sabido que ela é uma superpotência e sua moeda vem ganhando espaço como moeda de reserva internacional,até o FMI está lastreando seu DES em yuan,além do Dólar,do Euro,do Yen e da Libra esterlina,em que esta mudança nas finanças,economia e comércio internacional impactará nossas vidas e finanças.Quanto ao artigo mais uma aula de economia e confirmação de que a escola austríaca é imbatível em suas análises e diagnósticos.

  3. Eu já estou farto de ouvir as “trumpetes” dizendo que o Trump está fazendo história, que ele é uma espécie de herói mundial contra os globalistas e os comunistas chineses, e blá blá blá….

    As vezes só rindo mesmo…

  4. Já eu estou farto desse discurso liberaleco fora da realidade. Zero preocupação com a nossa agricultura, com a segurança alimentar do povo, além de não se preocuparem em entregarem as riquezas do nosso subsolo a estrangeiros. Enquanto isso, os chineses seguem avançando em nossas terras agricultáveis, ameaçando nossa soberania e nossa segurança alimentar. Vão matar o homem do campo.

  5. Sobre o assunto, recomendo a leitura do magnífico livro:

    – POR QUE AS NAÇÕES FRACASSAM – as origens do poder, da prosperidade e da pobreza.

    – Autores: Daron Acemoglu (prof. de Economia do MIT) e James Robinson (prof. de Administração Pública de Harvard)

  6. Que tiro foi esse? O presidente Trump aumenta a pressão nos protecionistas europeus e no dumping chinês, ao propor sobretaxas ao aço e alumínio. É apenas um movimento no jogo de xadrez geopolítico. Quem não sacou a finalidade da jogada fica perdido.

  7. Sobre a questão da renda, mesmo eu que sou pobre e vivo num país protecionista e com alta inflação consigo perceber um aumento na minha renda real. Meus gastos com entretenimento despencaram (graças aos serviços de streaming), e com transporte também (Uber e Cabify).

    Mesmo produtos tecnológicos estão discretamente reduzindo de preços (não fossem as tarifas de importação o efeito seria muito maior).

    Se isso é perceptível num país fechado como o Brasil, imagina nos EUA? Será uma pena se Trump (por quem sempre tive simpatias) reverter tudo isso.

  8. Liberdade ou Morte

    A câmara dos deputados gasta 5 milhões por ano com pilotos de elevadores. São 35 pilotos de elevador.

    As pessoas não sabem apertar o botão dos andares. No congresso só tem animais irracionais, incapazes de apertar um botão de elevador.

    Não tem como automatizar o congresso nacional e mandar todo mundo embora ?

  9. Pessoal do IMB como lemos no texto a produtividade do trabalhador americano aumentou significamente nas últimas décadas e supera de longe a produtividade do brasileiro.Na opnião de vocês isso que foi anunciado hoje vai ajudar a diminuir essa diferença:mobile.valor.com.br/brasil/5383707/industria-40-tera-credito-de-r-86-bi

  10. olá, sei q n tem tanta relação c o assunto, mas queria recomendação de artigos/livros/videos/ etc. sobre dumping, achei mt pouco material sobre o assunto e acho q é uma das principais criticas ao livre-mercado.obg dsd já.

  11. Bom, o que penso sobre o assunto. Os E.U.A. , das economias mais dinâmicas , é a mais dinâmica do mundo.

    Olhamos para a América com olhos de brasileiros onde queremos, aqui, muito, mas muito menos impostos e taxas – vivemos , hoje nos 2/5 dos infernos sobre o PIB. No passado, um sujeito foi enforcado e esquartejado por pedir menos de 1/5 dos infernos – , ou seja, queremos menos Estado no nosso pão de cada dia. Uma economia, graças ao estado paquidérmico e corrupto, em frangalhos. Empresas ‘campeãs nacionais’ devoradoras de…. concorrência e todas girando este estado gigantesco e corrupto. JBS ? Odebrecht ? E precisamos privatizar tudo. Aí olhamos o conservador Trump, empresário, republicano(GOP), impor novas tarifas de importação ao aço e ao alumínio para proteger a indústria e empregos do seu país. Um retrocesso. Um retrocesso ? Como as empresas fora dos EUA estão ? Felizes ? Desenvolvidas ? Que bacana !

    A tecnologia gerada nestes anos de ‘abertura’, de ‘liberalismo econômico’, de globalização, fizeram com que elas, empresas, e suas economias se desenvolvessem ? O tal P&D, delas, como ficaram ? A educação, os salários, a saúde,nestas economias melhoraram ? Que bom ! Anos de estudo na área foram ganhos ? Novas tecnologias na área prosperaram fora dos E.U. A. ? Maravilha ! Em se tratando de uma economia dinâmica como a dos E.U.A. acredito que, se perderam, perderam pouca coisa mas se continuarem bonzinhos com os outros… Bom, como exemplo dou a nossa outrora maravilhosa indústria naval brasileira.

    O que perdemos, hein ? Por favor, como conservador pergunto para os primos liberais e gostaria de uma resposta. Se um, digamos, Bolsonaro quiser ‘trazer’ a indústria naval de brasileira de volta, como nos anos 1960 e 1970, como fica ? Aumentar tarifas sobre navios construídos fora do país… Isso não impede, no nosso caso, de coreanos montarem, aqui, uma indústria naval moderna. Será que irão querer ? Sem o nosso dindin via BNDES ? Qual é a cadeia produtiva de um bom estaleiro de super containers ? Do rapaz da limpeza ao engenheiro naval, por favor. Empregos diretos e indiretos. Hum… Estou pensando num país com menos carga tributária, com 2/5 dos infernos, esqueçam. Fazer um pão de queijo já é difícil pacas. E uma coisa não ficou clara neste imbróglio. Falamos dos EUA, que, se necessário for, retiram as barreiras num estalar de dedos. Repito, o dinamismo de sua economia ajuda. Brasil, economia engessada até o último fiapo de cabelo, com este exemplo da ‘falida’ indústria naval brasileira( dizem estarmos em quarto lugar. Não acredito), melhor continuando a comprar navios coreanos, chineses ou japoneses e assim perdendo este potencial maravilhoso de pesquisa e desenvolvimento tecnológico em nome da globalização ? Penso na EMBRAER. No E2. No KC-390. A Boeing esta aí mesmo, encima do maior orgulho nacional. O único que nos restou. Ah, tem a seleção brasileira… kkkk ! Nossas matas tem mais verde ! Meu Deus. Bom, teremos ITA no futuro ? E aí ? Respostas, por favor. E aí…

    OBS: O Trump está indo contra países que estão com certo superavit comercial avantajado em relação aos E.U.A….

    ‘Dona’ Europa é muiiiiiito protecionista. Vão vender beterraba para a UE e verão como a globalização deles é fantááástica ! É o que podemos vender sem contar bananas, chapas de aço e alumínio e os EMBRAER… Temos tecnologia na construção de aviões de médio porte. A Airbus teve que se unir a Bombardier, né ? Então como fica ? Temos condições de construir jatos como 787 ou A350 ? Ou pegamos a Boeing de ‘sócia’ ? Não é só avião que ela quer, não. Conseguimos algo que a indústria aeronáutica americana, dos jumbos e tecnologia stealth, não conseguiram.

    E o ITA ? Mandaremos mais cérebros para fora do país ? Resistirá ou fechará as portas ?

    Como é difícil esta tal de globalização, não ?

    OBS: A maldade que fizeram com João Amaral GURGEL . Coisa de brasileiros contra brasileiros, por um punhado de dinheiro, para deixar bem claro. Coisa nossa, de mais de século, e que vem até os dias de hoje e Lava Jato não me deixa mentir. Quem aí lembra do BR-800 ? Estão rindo ? O que os coreanos faziam naqueles anos 1980, hein ? Quem aí tem um HB-20 ? Os indianos andam num carrinho pior que o BR-800 e andam exportando a porcaria. Hoje ! 2018 ! Tata Nano. Globalização no ùc dos outros é refresco. Muito cuidado com ela. Trump está certo.

  12. Sobre a renda, segundo matéria no portal Vox, a partir de 1973 a remuneração média dos americanos praticamente estagnou, apesar dos ganhos de produtividade (primeiro gráfico).

    Dados de um estudo mais recente fazem uma radiografia da distribuição dessa remuneração no período de 1980 a 2014. O americano com remuneração (incluindo benefícios) até a mediana teve aumento real anual de até 1% no período, sendo que os mais pobres em alguns casos tiveram uma redução ou uma estagnação. Já remuneração dos mais bem pagos disparou. Chama a atenção a comparação com o período de 46 a 80.

    Uma outra matéria sobre variação de preços de bens e serviços mostra que os itens que mais caíram de preço no período analisado são aqueles que você não precisa. Já itens como moradia, alimentação, saúde, educação tiveram aumentos bastante significativos.

    O artigo não comenta esse detalhe.

    Quanto a oferta de "comodidades" "gratuitas", me parece haver uma certa ingenuidade. Empresas como Facebook e Google são monopólios que vivem as custas de um verdadeiro assalto à privacidade e à produtividade, e de uma ameaça à saúde e ao bem estar dos seus usuários. A capacidade dessas empresas de manter uma vigilância 24×7 sobre um usuário, rastrear todos os seus passos e dos que o rodeiam, sem consentimento, é uma covardia. Há uma falta de ética generalizada. Fazem uso de técnicas similares as de caça niqueis para viciar os usuários. Estudos mostram que usuários checam 180 vezes por dia os seus smartphones e podem levar em média 23 minutos para recuperarem a concentração. Outros estudos apontam para fortes indícios de que alguns destes serviços causam depressão. Sem contar que todo o tráfego gerado por esta propaganda e este rastreamento – entre 20-80% do tráfego total – é cobrado de você no seu plano de dados. É escandaloso.

  13. Este é um dos poucos blogs da internet onde os comentaristas escrevem corretamente e defendem raciocínios coerentes. Me faz ter fé na humanidade.

  14. A questão é que Trump além de ganhar a eleições em estados com predomínio da economia rural e de moral religiosa e conservadora, ganhou também em estados do cinturão da ferrugem, onde há uma enorme quantidade de antigos galpões industriais abandonados, e onde a população nutre uma grande nostalgia dos velhos tempos onde a grande maioria estava empregada na indústria, que ofereciam trabalho em tempo integral e havia relativa estabilidade. Atualmente o desemprego está baixo, mas a grande maioria dos empregos não tem a qualidade que havia no passado. A maioria dos empregos oferecidos hoje em dia é de meio período em serviços estilo McDonalds. A nostalgia do passado ajudou a eleger um governo populista e que está entregando aquilo que prometeu, mais protecionismo.

  15. O protecionismo em qualquer forma é um erro e os argumentos apresentados são sempre infundados.

    Mas o motivo oficial nem sempre é o verdadeiro motivo. Temos que olhar a foto e o filme.

    Talvez seja a estratégia do cachorro louco:

    “Eu sei que essa decisão também vai me prejudicar; mas vai prejudicar muito mais a você, enquanto eu aguento o baque; você sabe disso, então é melhor você ceder às minhas outras exigências.”

    Não estou defendendo Trump nem “desdefendendo”, só tentando compreender.

    * * *

  16. Esse artigo indica que o maior responsável foi o setor de TI – Computadores

    medium.com/pensamento-econ%C3%B4mico-marginal/a-farsa-industrial-estadunidense-70d4ec073a9a

    E que a industria, em si, não teve um aumento de produção muito maior do que o resto da economia.

    O problema é que os economistas não separam a industria por setor, ai da a impressão que o setor de circuitos integrados é o mesmo que o de fazer sapatos.

    No geral, foi o setor de computadores que inflou esses dados, e se você tirar ele, o resto da industria produz menos hoje do que em 2007

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