Ao longo de praticamente todo o período da história
humana, privações materiais e insegurança crônica sempre foram a norma. A
pobreza, e não a fartura, era o lugar o comum.
Nem mesmo aquelas pessoas que estavam no topo da
pirâmide social e do poder político podiam usufruir todos estes confortos
básicos (como alimentação, habitação e vestuário) e prazeres consumistas que os
“pobres” do mundo ocidental atual veem como naturais e corriqueiros.
Em determinadas épocas, certas populações
sobressaíam-se e usufruíam uma qualidade de vida superior — como talvez na
Grécia antiga e em Roma, e na China durante a Dinastia Sung (960–1279) –, mas
tais casos representavam a exceção.
No final do século XIV, os chineses provavelmente
eram o povo que usufruía o mais alto nível de vida dentre todas as grandes
populações do mundo. A admiração com que os europeus receberam os relatos
de Marco Polo sobre a China no final do século XIII — ainda que, como o
próprio Polo havia declarado em seu leito de morte, ele não descrevera nem
metade do que havia visto na China[1] — é
uma das provas desta superioridade chinesa.
Ao fim da Idade Média, os europeus começaram a
apresentar um progresso econômico mais acelerado, ao passo que os chineses
entraram em um processo de estagnação econômica. Ainda mais notável foi a
alteração ocorrida na energia econômica da Europa, que começou a se distanciar
dos grandes centros comerciais do norte da Itália e se moveu em direção à
periferia da civilização, no noroeste da Europa. Os bárbaros, aparentemente,
haviam de alguma forma descoberto o segredo do progresso econômico.
Dali em diante, apesar de alguns reveses e contratempos,
os europeus ocidentais — e, mais tarde, seus primos coloniais na América do
Norte — conseguiram progredir de modo contínuo e se distanciar economicamente
do resto da humanidade. No século XVIII eles já estavam muito à frente dos
chineses, para não mencionar em relação aos povos mais atrasados do
mundo.
E, até o presente, essa disparidade de riqueza
continua extremamente significativa.
O
que houve?
Como foi que o Ocidente teve êxito em gerar esse
progresso econômico contínuo?
Historiadores e cientistas sociais já ofereceram
várias hipóteses; porém, até o momento, nenhuma explicação única conseguiu
ganhar aceitação geral. Ainda assim, certos elementos de uma determinada
resposta conseguiram obter um amplo consentimento.
Deirde McCloskey afirma
que houve uma mudança radical na mentalidade das pessoas. Houve uma mudança na
atitude das pessoas em relação ao empreendedorismo, ao sucesso empresarial e à
riqueza em geral. O crescente individualismo da cultura ocidental, arraigado na
doutrina cristã, também parece ter contribuído significativamente.[2]
Adicionalmente, a fragmentação política dos povos
europeus durante a Baixa Idade Média e o início do período moderno — um
pluralismo político com centenas de jurisdições distintas — estimulou um
processo de experimentação institucional e tecnológica por meio do qual
empreendedores puderam descobrir como tornar a mão-de-obra e o capital mais
produtivo.
Fundamental a este dinamismo sustentado foi a
importância crescentemente dada aos direitos de propriedade privada. Se as
pessoas não confiam que haverá uma razoável chance de colherem os frutos de
seus próprios esforços e investimentos, elas terão pouco ou nenhum incentivo
para trabalhar duro e acumular capital físico, humano e intelectual. E,
sem tal acumulação, é impossível haver um progresso econômico contínuo.
No entanto, estes direitos de propriedade, que se
tornaram mais seguros e confiáveis, não simplesmente caíram do céu. Na
maioria das vezes, os comerciantes adquiriram a proteção de tais direitos por
meio de pagamento de propinas aos barões medievais (nobres déspotas que
extorquiam tributos) e aos aspirantes a reis que constituíam a fragmentada
elite dominante da Europa ocidental.
No extremo, os comerciantes estabeleceram uma
independência política nas cidades-estados onde podiam exercer total controle
sobre as instituições legais que davam suporte às suas atividades econômicas.
“O fato de que a civilização europeia passou
por uma fase em que foram criadas cidades-estados”, de acordo com Sir John
Hicks, “é essencial para se entender a divergência entre a história da
Europa e a História da Ásia”.[3]
No final da era medieval, Veneza, Genova, Pisa e
Florença eram as principais cidades de Europa. Mais tarde, Bruges,
Antuérpia, Amsterdã e Londres assumiram a liderança. Cada cidade tinha
sua própria milícia, a qual estava sempre pronta para defendê-la contra ameaças
à sua autonomia político-econômica.
Para facilitar seus negócios, os comerciantes
criaram seu próprio sistema jurídico. Com o intuito de fornecer uma
rápida, barata e justa resolução para as contendas comerciais, esta Lex mercatoria criou instituições e precedentes
que sobrevivem até o presente, e as quais encontram hoje expressão em um vasto
sistema de resoluções alternativas (não-estatais) de contendas, como as
arbitragens privadas.[4]
Em alguns países, os comerciantes e industriais
utilizavam sua influência política para introduzir suas instituições jurídicas
consuetudinárias nas leis estatais. Por causa da fragmentação política da
Europa, governos que dificultavam excessivamente a vida dos empreendedores tendiam
a perder comerciantes e seus negócios — e, por conseguinte, sua base
tributária — para jurisdições concorrentes, de modo que a simples ameaça de
tais perdas já fazia com que os governantes fossem mais contidos em sua fúria
reguladora e tributária, dando aos empreendedores mais liberdade de manobra.[5]
O Grande Enriquecimento começou para valer na
Holanda do século XVII. No século XVIII, o fenômeno já havia se espalhado para
Inglaterra, Escócia e as colônias americanas. Começou com o pára-raios de
Franklin e a máquina a vapor de James Watt. Isso foi expandido, nos anos
1820 (século XIX), para uma nova invenção: as ferrovias com locomotivas a
vapor. E então vieram as estradas macadamizadas, assim chamadas
em homenagem ao engenheiro escocês John Loudon McAdam. Depois surgiram as
ceifadeiras, criadas por Cyrus McCormick, e as siderúrgicas, criadas por Andrew
Carnegie. Ambos eram escoceses que viviam nos EUA.
Tudo se intensificaria ainda mais no restante do
século XIX e aceleraria fortemente no início do século XX.
Deu-se dignidade e liberdade à classe média pela
primeira vez na história da humanidade e esse foi o resultado: o motor a vapor,
o tear têxtil automático, a linha de montagem, a orquestra sinfônica, a
ferrovia, a empresa, o abolicionismo, a imprensa a vapor, o papel barato, a
alfabetização universal, o aço barato, a placa de vidro barata, a universidade
moderna, o jornal moderno, a água limpa, o concreto armado, os direitos das
mulheres, a luz elétrica, o elevador, o automóvel, o petróleo, as férias, o
plástico, meio milhão de novos livros em inglês por ano, o milho híbrido, a
penicilina, o avião, o ar urbano limpo, direitos civis, o transplante cardíaco
e o computador.
O resultado foi que, pela primeira vez na história,
as pessoas comuns e, especialmente os mais pobres, tiveram sua vida melhorada.
A
retração da China e do mundo islâmico
Consequentemente, o Ocidente, que durante séculos
havia ficado atrás da China e da civilização islâmica, se tornou incrivelmente
inovador a partir do século XVIII.
Já a China, que por séculos havia sido a grande
potência do mundo, começou um fragoroso processo de retração.
Ao contrário dos comerciantes da Europa e,
posteriormente, dos Estados Unidos, que conseguiam jogar um governo contra o
outro em sua contínua busca por direitos de propriedade mais confiáveis, os
empreendedores da China sofreram implacáveis ataques estatais de seu amplo e
abrangente governo imperial.
“Já em 1500, o governo decretou ser pena
capital construir um navio com mais de dois mastros; e, em 1525, o governo
ordenou a destruição de todas as embarcações construídas para navegação no
oceano.” Assim, a China, cujo comércio exterior havia sido vasto e
abrangente durante séculos, “impôs a si própria uma trajetória que a
levaria à pobreza, à derrota e ao declínio”.[6]
Dentre várias outras ações adversas, o governo
mandarim “interrompeu o desenvolvimento de relógios e de máquinas
industriais movidas a água por toda a China”.[7]
No mundo islâmico, um governo imperial também
esmagou o progresso econômico ao se mostrar incapaz de proteger direitos de
propriedade e ao impor regulamentações e impostos arbitrários.[8]
No século XX, o império soviético igualmente adotou
a política de inventar e impor uma grande e péssima ideia — planejamento
econômico centralizado –, a qual suprimiu totalmente a liberdade econômica
necessária para um progresso econômico contínuo e robusto. Infelizmente,
os comunistas chineses,
os europeus do leste, e vários
governos pós-coloniais do Terceiro Mundo seguiram o caminho aberto pela URSS, e
foram à ruína econômica.
Hoje
Durante os últimos 20 séculos, as maiores economias do mundo foram China e Índia, exceto nos últimos dois séculos XIX e XX, devido à ascensão do capitalismo no Ocidente. Com a chegada da economia de mercado ao Oriente, o século XXI pode vivenciar a “volta à normalidade”, com o retorno da populosa Ásia à liderança — principalmente se as economias ocidentais continuarem demonstrando uma olímpica indiferença aos pilares básicos que permitiram a pujança do Ocidente.
Em pleno século XXI, era de se esperar que,
finalmente, as pessoas e os governos já houvessem entendido o elo
inquebrantável entre liberdade econômica e crescimento econômico, e apreciassem
a importância vital dos direitos de propriedade privada. Porém, e
infelizmente, isso parece ainda não ser a realidade.
Em todos os cantos do globo, os governos continuam
concedendo privilégios a grupos específicos, atacando empreendedores que
genuinamente criam riqueza e impondo restrições que estrangulam a liberdade
econômica.
Como a história perfeitamente mostra, os direitos de
propriedade privada requerem uma contínua e inflexível defesa — caso
contrário, as pré-condições para todo e qualquer progresso econômico serão
solapadas e destruídas.
[1] John Hubbard, “Marco Polo’s Asia”
[2] Deepak Lal, Unintended
Consequences: The Impact of Factor Endowments, Culture, and Politics on
Long-Run Economic Performance (Cambridge, Mass.: MIT Press, 1998), pp.
75–97; Michael Novak, “How Christianity Created Capitalism,” Wall
Street Journal, December 23, 1999.
[3] John Hicks, A Theory
of Economic History (London: Oxford University Press, 1969), p. 38.
[4] Ver, por exemplo, a Câmara de
Comércio Internacional, “International Court of Arbitration:
International Dispute Resolution Services.”
[5] Nathan Rosenberg and L. E.
Birdzell, Jr., How the West Grew Rich: The Economic Transformation of
the Industrial World (New York: Basic Books, 1986), pp. 114–15,
121–23, 136–39.
[6] Nicholas D. Kristof,
“1492: The Prequel,” New York Times Magazine, June 6,
1999, p. 85.
[7] Jared Diamond, “The
Ideal Form of Organization,” Wall Street Journal, December 12,
2000.
[8] Lal,
pp. 49–67.
Essa ascensão do individualismo no ocidente foi fundamental para o desenvolvimento daquela região. Palavra como “obrigado” e “por favor” com certeza começou a ser mais frequentemente utilizada naquela época.
Uma economia de mercado é mágica por isso: as pessoas precisam uma das outras para atender seus prazeres. É fácil enxergar isso até no dias hoje: países com uma forte economia de mercado são mais pacíficos e tentam evitar, a todo custo, qualquer tipo de conflito, pois sabem que precisam uns dos outros para continuarem prósperos e que guerras só trarão prejuízos.
A idade média foi recheada de guerras por não conseguirem entender esse processo do mercado.
Vivemos a era mais pacifica da história do mundo. Graças ao capitalismo, ao individualismo, a ganância, ao egoismo.
Lidem com isso.
ótimo texto, só um detalhe, quando fala em “alta idade média” deveria ser “baixa idade média”, isso porque a classificação da idade média é diferente no Brasil e nos eua.
Já estava a procura disso há algum tempo. Muito obrigado pelo artigo.
Muito interessante.
Quando uma nação concorre com as outras dentro de seu próprio território, o simples fato de ser “local” dá algumas vantagens, como o conhecimento do terreno e do mercado em que atua. Além disso, o governo daquele país desenha as regras do jogo da competição, e as empresas estrangeiras deverão se ajustar a estas regras. Mas essas regras podem ser mais ou menos abertas ou mais ou mais ou menos fechadas em relação às empresas estrangeiras, dependendo da vocação competitiva do país anfitrião.
A imagem que tem prevalecido neste assunto é ilustrada com animais, o ouriço ou porco-espinho de um lado, e a raposa ou a lebre do outro. Enquanto a lebre e a raposa possuem um espírito aventureiro que incentiva a concorrência, o ouriço e o porco-espinho são fechados em si mesmos para se proteger. Os primeiros amam a liberdade. Os outros, a segurança. Os primeiros são inovadores. Os outros são estáticos. Há algo sobre o caráter de cada povo inclinando-se, conforme o caso, pela liberdade ou pela segurança.
Tudo depende do grau de desenvolvimento que tenha o país em um determinado momento. Os países que são “vencedores” aceitam de bom grado a concorrência. Os países que são “perdedores” tentam evitá-lo.
Dos países que evitam a concorrência dizem que são “protecionistas”, porque sua prioridade é proteger, por agora, o que eles já têm. Outros países, que têm mais confiança, ao invés de proteger o que eles já possuem, estão inclinados a buscar o que lhes falta. Estas distinções valem não apenas para países, mas também para os seus diversos setores.
Assim, alguns paises apresentam o seguinte: o campo porque se sente competitivo, invade o mundo, e a indústria, ao contrário, precisa de proteção.
]
As tendências protecionistas podem ser razoáveis ou doentes. É natural que as nações jovens estejam inclinadas ao protecionismo até sua hora chegar. Mas há países e setores que parecem nunca ter tempo para competir. Eles são como Peter Pan: crianças eternas que, na primeira dificuldade, procuram ansiosamente refúgio no útero materno.
“Redescobrindo o Ocidente“, por João Carlos Espada.
Houve muitos fatores influindo na Europa (e depois na América do Norte). Até a geografia conta, como mostrou Thomas Sowell em outro artigo. Segurança institucional, liberdade econômica, livre concorrência ajudaram muito.
Outro fator é a abertura mental para novas possibilidades. Os chineses inventaram o papel, a pólvora, a bússola, etc. Mas pensavam: “Meu pai e meu avô não precisaram disso; eu, meu filho e meu neto também não precisamos”.
Então os comerciantes basicamente compraram seus direitos de propriedade. Isso me lembra os escritos de Thomas Sowell, que disse que alguns escravos compraram sua liberdade. Interessante que a influência do dinheiro na política, que é vilipendiada, foi o caminho que as pessoas usaram para elevar a humanidade ao maior nível de liberdade que já havia sido alcançado à época.
Olá companheiros !
Algém poderia me dizer onde posso conseguir uma boquinha “teta-de-governo” como a que eu tinha antes do fim do imposto sindical ?
P.S. não sei fazer nada e nunca trabalhei.
saudações vermelhas !
Adam Smith disse que a Holanda era o país que mais próximo havia chegado da adoção integral de suas ideias. Os holandeses foram os primeiros genuínos capitalistas. Só que eles absorveram seus princípios econômicos dos teólogos da Universidade de Salamanca.
Esse livro conta toda a história:
http://www.amazon.com/God-Capitalist-Markets-Moses-Marx-ebook/dp/B078333TVD/ref=sr_1_4?s=books&ie=UTF8&qid=1513046555&sr=1-4
Os liberais e conservadores são os maiores culpados pela falta de liberdade. Isso está mudando, mas a culpa é nossa.
Nós deixamos a esquerda assumir o poder. Nós não fomos capazes de mostrar que a liberdade é o melhor caminho.
Os liberais elogiam apenas políticos que já estão mortos. Os liberais e conservadores que entram na política não possuem apoio, nem mesmo apoio financeiro.
Nós não tivemos capacidade para criar um país livre. Enquanto os liberais trabalhavam, a esquerda tomava de assalto as escolas, universidades, jornais, justiça, etc.
Eu acho que ainda é possível reverter essa situação, mas não será fácil.
Existe um funcionalismo público estabelecido que não vai querer voltar a trabalhar na iniciativa privada. Por isso, a mudança vai ser longa e demorada.
O Mises defende o individualismo recorrendo ao passado, a condições que nada mais tem em comum com a atual realidade. Omite que as grandes corporações são sociedades anônimas de controle pulverizado, em que o acionista majoritário raramente possui mais de 5% das ações. Omite que os principais investidores nessas ações são fundos de pensão de operários, professores e outros profissionais da base da pirâmide – que elegem os CEO em assembléias. Assim, as principais empresas do mundo subordinam-se a um coletivismo organizacional bem distanciado do individualismo. Espero que este Marco Polo que vos fala tenha contribuído para que o instituto possa corrigir suas ideias ultrapassadas.
Onde eu poderia encontrar farto material (e confiável) contando a história política e econômica da China, Japão, Índia e dos islâmicos ao longo das idades média, moderna e contemporânea?
Sobre a relação entre Liberdade Econômica e Desenvolvimento, tudo ok.
O que o texto me desperta a curiosidade é – como um governo pequeno (não apenas em atribuições, mas também geograficamente) que defenda os direitos de propriedade privada consegue manter um desenvolvimento contínuo e constante de suas regiões, e tenho minhas dúvidas se alguma região conseguiu se desenvolver dessa maneira enquanto anarcocapitalista – de forma que entendo que um governo, de preferência monárquico, é capaz de manter a ordem vigente por um tempo mais prolongado que uma sociedade sem governo.
Cito como exemplo a Dinastia dos Habsburgos e o desenvolvimento social e cultural da Áustria durante a Idade Moderna – em que, até onde sei (perdoem-se se estou sendo ignorante nesse ponto) teve um crescimento invejável sob um governo que não cresceu seu poder acima de seu povo, como vem ocorrendo com os E.U.A.
Obs: Sim, é um convite a um debate sobre o anarcocapitalismo x minarquismo
Uma pergunta de alguém leigo: O ocidente teve grande influência do judaísmo e, em especial, do cristianismo. Ok. Nota-se que os países com população predominantemente católica se desenvolveram menos e são mais adeptos às ideias de esquerda (Brasil, é um grande exemplo). Existe alguma explicação para isso ou seria apenas uma coincidência?
Excelente artigo! Robert Higgs é um dos melhores escritores do instituto mises, análise impecável, e uma escrita convicta
Já li que o Ocidente aprendeu a opulência e o luxo com os orientais, principalmente árabes, persas e chineses. O luxo contaminou o estoicismo e a frugalidade ocidental e só foi freado pela Ditadura Moral da Igreja Católica durante a idade media. O culto a opulência retornou no Renascimento. Até a Revolução industrial o ocidente estava em pé de igualdade com o oriente, talvez até ligeiramente atrasado. No oriente só o japão aderiu a essa revolução e se deu bem, os outros ficaram atrasados por 1 século.
Já li que o Ocidente aprendeu a opulência e o luxo com os orientais, principalmente árabes, persas e chineses. O luxo contaminou o estoicismo e a frugalidade ocidental e só foi freado pela Ditadura Moral da Igreja Católica durante a idade media. O culto a opulência retornou no Renascimento. Até a Revolução industrial o ocidente estava em pé de igualdade com o oriente, talvez até ligeiramente atrasado. No oriente só o japão aderiu a essa revolução e se deu bem, os outros ficaram atrasados por 1 século.
“Em pleno século XXI, era de se esperar que, finalmente, as pessoas e os governos já houvessem entendido…”
A elite de modo geral entende, mesmo que seja apenas intuitivamente. Mas o negócio deles é ampliar os próprios privilégios, não maximizar o bem-estar da população.
* * *
Olá. Entre os adeptos da escola austríaca, como são vistas as teses de Max Weber no livro a ética protestante e o espírito do capitalismo? Tenho visto muitos comentários a cerca da economia dos últimos séculos e muita coisa bate com o raciocínio de Weber, mas me estranha o fato desse pensador não ser mencionado nem para corroborar, nem para contestar suas teses. Agradeceria se alguém pudesse resolver esta minha curiosidade.
Parece um conto de fadas.
Na realidade o ocidente tomou o mundo inteiro com a força dos canhões.
A exploração desenfreada dos recursos dos territórios ocupados — incluindo a sua população, quase totalmente aniquilada, como aconteceu nas Américas, ou transformada em escravos que espalharam pelo resto do mundo, como na África.
O tráfico de drogas na China, tendo um terço dos chineses viciados em Ópio. 8 superpotências atacando a China para abrir concessões.
Creio que a fonte do progresso ocidental foi uma coisa chamada Universidade. Hoje, infelizmente ela é a fonte da destruição do progresso, pelo menos em algumas áreas.
A teoria econômica, a matemática, a física, a quimica, passaram por essas instituições, e então, permitiram que empreendedores fossem criativos com essas descobertas.
Nisso um ateu(eu incluso) precisa dar o braço a torcer para a religião ocidental. Ela financiou essas instituições onde no resto do mundo estavam sendo abandonadas . A fase de Ouro do Islã já havia passado
Pessoal e sobre a África, se enquadra no ocidente? Por sinal eu gostaria de entender mais porque os países africanos de modo geral enfrentam tanta dificuldade em se desenvolver, por que a maioria deles nunca enriquece? Existe algum que já está começando a se desenvolver? Qual(s)? Vocês acham que é possível fazer uma previsão do rumo que eles tão tomando ? Vocês têm algum artigo a respeito? Abraços.
Também eu leio na internet que o movimento libertário no Brasil é um dos que mais cresce, temos algumas figuras libertárias relativamente famosas, o Instituto Mises, instituto Rothbard etc, na Venezuela eles têm algo parecido com isso? Eles precisam bem mais que nós conhecer o libertarianismo.
Vou colocar o meu entendimento (provavelmente incompleto e superficial) sobre a questão: o Estado é necessário para garantir a solução de litígios sem guerra.
O exemplo mais simples que eu não consigo ver como pode funcionar sem Estado é a questão das patentes: imagina duas gigantes da tecnologia, tipo Google e Apple, brigando por questões de patentes (coisa frequente no mundo da tecnologia), as duas tem grana de sobra pra bancar tribunais e/ou exércitos privados. Sem um Estado, qual foro o litígio deve ser julgado? No tribunal da Apple ou no da Google?
Não vejo como qualquer um desses dois poderia ser livre de viéses e justo. O mais plausível que eu consigo imaginar é um terceiro neutro e de comum acordo julgando a disputa (a Samsung, vamos supor que ela seja neutra na questão, ou qualquer outra grande empresa que tenha grana pra bancar um tribunal privado). Mesmo assim, nada garante que um dos lados não vá ser intransigente e não aceitar ninguém além do próprio tribunal para julgar a questão, especialmente em casos de patentes violadas após o lançamento de produtos, onde o lado que lançou o produto está interessado em adiar tudo o que puder o julgamento.
Mas mesmo sem esse problema de determinar quem vai julgar uma questão onde não é possível determinar um foro previamente, ainda tem outro problema. Pra qualquer lado que a decisão favoreça, alguém vai ficar insatisfeito. Num mundo sem Estado nada impede que um dos lados simplesmente comece uma guerra (ou faça atentados à diretores/funcionários da outra empresa, destrua prédios etc) se não concordar com uma decisão legal (ou por qualquer outro motivo). Enquanto se fala de empresas de tecnologia agressão direta ainda é uma possibilidade meio remota, pois rola muita grana, mas não tanta a ponto de um prejuízo ser maior que o custo de uma guerra. Porém, com empresas do ramo petrolífero (ou, ironicamente, farmacêutico, dentre outros) a conversa já é bem diferente. Por exemplo, a perda do direito à exploração de uma jazida de petróleo (tipo pré-sal ou as da Venezuela, essas últimas as maiores do mundo) é um prejuízo muito maior do que o preço de uma guerra. E aí? Como evitar uma guerra entre empresas onde quem ganhar compensa o prejuízo com a guerra e ainda lucra?
E, saindo do escopo da sua pergunta, a ideia de tribunais e exércitos privados tem desdobramentos maiores: esse tipo de litígio (no caso do tribunais) ou conflito (no caso do exército) tende a ser relativamente comum num mundo sem Estado (pelo menos mais do que no nosso mundo, pelos motivos que eu coloquei acima). Porém, a esmagadora maioria das empresas (mesmo as grandes) não tem o mínimo conhecimento de como formar, administrar e manter um tribunal ou um exército privados, quanto mais de como agir em caso de guerra declarada. Nesses casos acontece o que costuma acontecer com tudo o que não é o “core business” (negócio principal) da empresa: acaba sendo terceirizado para uma empresa especializada.
Empresas gigantes vão evitar contratar o mesmo exército privado de concorrentes (justamente para poder partir para a guerra quando conveniente). Porém, como essas empresas gigantes são pouquíssimas, cadeias de produção inteiras (e autossuficientes) vão acabar contratando o mesmo exército. Então a tendência é ter cada vez menos exércitos, os tempos de paz cada serem cada vez mais longos e o poder bélico se tornar extremamente concentrado na mão de pouquíssimo exércitos.
Todavia, é uma lógica da guerra que quanto maior é o poder bélico de um exército, menos guerras ele terá para lutar. Como um exército de 100 mil homens vai se manter sem guerras? Ou ele provoca guerra continuamente pra ter prestar serviços (o que não é bom para os negócios) ou ele cobra dinheiro das empresas pra se manter em tempos de paz. Isso acaba virando imposto, os tribunais acabam virando um só (não tem sentido tribunal sem um exército por trás, não vou discorrer a respeito, esse texto já está imenso), enfim, acaba se formando um Estado (ditatorial, inicialmente) em volta da proteção do exército.
O que faltou em concisão espero ter sobrado em clareza.?
O ocidente tem democracia… o oriente nunca ouviu falar disso. 😉
Esse artigo é incrível e consegue contar de forma sucinta e objetiva séculos da história do Ocidente.
“o século XXI pode vivenciar a “volta à normalidade”, com o retorno da populosa Ásia à liderança — principalmente se as economias ocidentais continuarem demonstrando uma olímpica indiferença aos pilares básicos que permitiram a pujança do Ocidente.”
Infelizmente não vejo outro caminho além do retorno a “normalidade”. A população do Ocidente que entende e defendeu esses pilares está envelhecendo, e os jovens que estão substituindo essa parcela da população são um bando de mimados que acreditam que todo conforto que existe hoje sempre existiu e sempre existirá.
Ao mesmo tempo a China comunista, em minha opinião, é a maior bolha que já existiu na história e um dia – assim como a URSS – essa bolha irá explodir. O problema é que isso levará décadas, ou séculos e causará estragos como toda bolha sempre causa.
Pobre Ocidente. Só nos resta levar nossa vida da forma mais independente possível, comprando ouro /btc e cuidando da nossa privacidade dentro do possível.
Não seria a opressão sobre o alheio um instinto humano e uma condição natural do ser humano? Sendo esta necessitando de um agente externo para ser quebrada, como uma religião com mais elevados valores morais, condições difíceis de terreno e episódio de grande escassez repentina?
Acabou o OCIDENTE, eles venceram! O progressismo venceu, a China prevaleceu.
Pronome neutro será imposto nas escolas e sera o novo normal, black lives matter e aborto tera financiamento publico…
E agora? O que eu faço tenho apenas 25 anos!!
Os EUA são a maior democracia capitalista do mundo. Não vai ser um presidente que vai derruba-los.
O negócio é seguir confiando na democracia que melhores ventos virão. Um Eua capitalista de verdade voltará
No contexto das ameaças do intervencionismo estatal, eu estou lendo sobre os bitcoins
Mas eu tenho uma dúvida:
Se, suponhamos, eu tenho 4 bilhões de dólares em Bitcoin, por que um banco que tem dólar trocaria os seus dólares pelos meus bitcoins?
Fácil, o bitcoin se valoriza com o tempo, é deflacionário e, teoricamente, o banco ganha dinheiro
Mas é aí que entra o governo. E se houver uma lei proibindo a troca de Bitcoins por dinheiro? Seja nos bancos ou em qualquer lugar?
Imagino que a ideia do bitcoin se firmará quando a moeda digital agir mais como “moeda mesmo” do que como “um investimento que você faz para ganhar mais dinheiro (no caso, dinheiro estatal). ”
Resumindo, o bitcoin tem futuro se todo mundo parar de usar dólares ou reais e começar a usar somente Bitcoins ou outras moedas do tipo.
Portanto, qual é o objetivo, que eu acho, do bitcoin?
É eu comprar tudo bitcoin por 20000 para quando eu tiver 70 anos me aposentar com os 20000 reais transformados em 1 milhão de reais ? Não! É arriscado já que, provavelmente, os governos irão proibir os bancos de trocar bitcoin por reais
Então, qual é?
Substituir as moedas estatais inflacionárias e vulneráveis aos desmandos governamentais por uma moeda muito semelhante ao ouro e, praticamente, invulnerável aos desmandos econômicos do governo (o sistema peer-to-peer, o sistema hash e aquela história da verificação dos 51% torna ela bastante segura).
Seria como se todo mundo largasse o real e começasse a usar ouro nas transações (não seria o fim das moedas governamentais mas elas enfrentariam concorrência e os governos seriam menos inflacionários)
Mas é necessário que todo mundo comece a utilizar Bitcoins
Queria entender uma coisa: porque a bolsa americana reagiu bem a vitória (momentânea) de Joe Biden? Achava que a bolsa americana ia despencar com essa notícia. Até o Ibovespa passou a subir mais. Não consigo entender, sendo que as políticas de Biden são mais prejudiciais a economia.
Na minha opinião, á humanidade só evoluiu até chegar á aceitação do empreendorismo devido ao crescimento populacional e á compreensão e paz entre culturas e povos, que até antes guerreavam entre e si e causavam destruições constantes de riquezas.
Isso causou o fenômeno chamado “Globalismo”, investidores começaram á serem capazes de investirem no que bem entendem, sem serem importunados por guildas, e empreendedores começaram á montar suas fábricas sem reclamações, e também começaram á acumular capital sem correrem o risco constante de perderem tudo em alguma guerra, o que ocasionou na revolução Industrial.
Essa então representou o começo do ápice do globalismo, às guerras estavam acabando e às pessoas tinham liberdade para fazerem o que bem entendem, sem serem julgadas por motivos religiosos ou culturais.
O ápice econômico global só começou de vez mesmo com á criação dá eletricidade e dá aviação, pessoas podiam viajar de um país para o outro dentro de dias, e a liberdade econômica cresceu substancialmente.
Às coisas só começaram á piorar quando o Estado começou á intervir excessivamente na econômia, esse fenômeno começou desde o fim total do padrão ouro, o que ocasionou em um aumento excessivo dos preços na economia, devido ao padrão keynesiano de moeda que começou á ser adotada. E enquanto isso, os americanos são os únicos beneficiados, por serem os detentores dá moeda global.
Antes os governos eram punidos com hiperinflação caso tentassem fazer gracinhas com á moeda, hoje, com o sistema Keynesiano, fazem o que bem entendem.
Agora, em pleno século XXI, principalmente aqui no Brasil, tudo é caro, e devido á isso estamos presenciando uma enorme queda na natalidade global, agradecemos aos keynesianos, país salvadores dos pobres. O único motivo de á economia global continuar andando para frente é devido ao alto-grau de liberdade econômica, mas com á esbulho global crescendo cada vez mais, temo pelo pior.
Andei pesquisando sobre semicondutores, e não deixei de notar o quão pouco a iniciativa privada investe nesse setor, 90% dá produção de semicondutores mundial está na mãos de 5 empresas, porque será que é assim? Muito caro para produzir? Regulações?
A cerca deste artigo, a priori, não tenho nada a contestar. Parabéns ao editor.
Permitam-me uma contribuição ao assunto. Adicionalmente, e mais importante para o progresso econômico, faltou informar que, no Ocidente, diferentemente de outras religiões, predominou a mentalidade católica que considera que ciência e religião são complementares, e que, em plena Idade Média, a Igreja Católica criou as bases do sistema universitário e fundou as primeiras universidades. Até 1440 foram criadas na Europa 55 Universidades e 12 Institutos de ensino superior. Nada de parecido existiu no mundo antigo ou em outras regiões (Grécia, Roma, Egito, China, Arábia, Índia etc.).
Algumas das mais famosas universidades criadas pela Igreja foram: Montepellier (1125), Orleans (1200), Oxford (1214), Cambridge, Sorbonne de Paris, Salamanca, Santiago de Compostela, Complutense, Montepellier, Praga, Viena (1366), Coimbra, Cracóvia (1362), Edinburgo e Colonia. A universidade de Bolonha, por volta do ano 1200, tinha cerca de 10 mil estudantes. As universidades atraíam multidões de estudantes, de toda a Europa e também da Síria, Armênia e Egito.
Segundo o historiador Lowrie Daly, a Igreja desenvolveu o sistema universitário porque era "a única instituição na Europa com interesse consistente na preservação e cultivo do saber" e com capacidade para isso. O intercâmbio de mestres difundiu enormemente o conhecimento científico. O sistema universitário que temos hoje, com cursos de graduação, pós-graduação, exames e concessão de graus e títulos, como o de mestre, veio diretamente do mundo medieval. Quem conseguisse o grau de mestre podia lecionar em outras universidades.
O Papa Inocêncio IV (1243-1254) dizia que a Universidade era o "Rio da ciência que rege e fecunda o solo da Igreja universal", e o Papa Alexandre IV (1254-1261) a chamava de "Lâmpadas que resplandecem na Casa de Deus". Os Papas e Bispos foram os grandes defensores das universidades contra as ingerências dos reis e governantes locais.
Antes disso, já no séc. VI a Igreja começou a criar escolas no campo. No séc. VIII Teodulfo, bispo de Orléans, decretou: "Os sacerdotes mantenham escolas nas aldeias e campos… ensinem com perfeita caridade e nem por isso exijam salário ou recebam recompensa alguma". No século IX surgiram as escolas monásticas (nos mosteiros) e, também, as escolas das Paróquias e as das Catedrais. O Concílio de Latrão III ordenou ao clero que abrisse escolas gratuitas por toda a parte.
Com o tempo, por incentivo da Igreja, outras universidades foram criadas pelo poder secular (reis). E só muito tempo depois as universidades criadas pela Igreja passaram para as mãos dos Estados que estavam sendo criados, principalmente depois da cisão protestante (séc. XVI) e mais tarde pela tendência estatizante do ensino (sécs. XVIII-XX).
Muitas outras coisas deram sustentação ao progresso do Ocidente, mas por agora fiquemos apenas no sistema universitário. Fundando as primeiras universidades, com o compromisso com a razão e com a argumentação racional, a Igreja lançou as bases para o grande avanço cultural do mundo. A ciência floresceu em todas as áreas, em especial na Europa e no mundo ocidental. Quantos cientistas saíram dessas universidades (Nicolau de Cusa, Copérnico, Galileu, Kepler, Gregor Mendel, Monge Roger Bacon, Cristóforo Clávio…) e qual o impacto na construção do conhecimento científico?
Algumas fontes sobre o assunto: “Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental”, de Thomas E. Woods Jr. (Quadrante, 2008); Lowrie J. Daly, The Medieval University; “Uma história que não é contada – O trabalho da Igreja Católica para salvar e construir a Nossa Civilização”, Felipe Aquino (Cleófas, 2008).
Off topic – Alguém consegue explicar a relativa estagnação econômica do México? O país parece estar fazendo tudo certo de acordo com as ideias de economia ortodoxa tendo ainda uma indústria produtiva e um acordo de livre mercado com os EUA. Por que o México não se desenvolve?
Tem até um texto sobre isso: noahpinion.substack.com/p/mexico-a-development-puzzle
Gostaria de ver a opinião de vocês.