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A “economia comportamental” fez contribuições interessantes, mas é contraditória

Richard Thaler, da Universidade de Chicago, ganhou
o prêmio Nobel de economia[1]
deste ano.

Thaler é o grande expoente da chamada “economia comportamental“,
que nada mais é do que a aplicação da psicologia a problemas que envolvem
escolhas, transações, valorações e precificação.

A maioria dos economistas adeptos da Escola
Austríaca de Pensamento Econômico, seguindo os princípios de Ludwig von Mises, faz
uma profunda distinção entre a praxeologia — que é a análise lógica da ação
humana — e a psicologia, que analisa as motivações comportamentais que
precedem e sucedem a ação (veja
a distinção aqui
). Por exemplo, os austríacos dizem que a ação humana é proposital, o que significa que ela visa
a um objetivo, mas não afirmam que ela sempre será racional, pois nem sempre será bem-sucedida em alcançar o objetivo
pré-determinado.

Já a economia neoclássica optou pelo caminho
inverso, com uma tendência cada vez maior de mesclar psicologia e praxeologia,
na esperança de assim criar uma explicação mais rica e mais robusta para o
comportamento humano. Afinal, se as pessoas (“agentes econômicos”) são modeladas
como “maximizadoras de utilidade”, e se a utilidade é entendida como um estado
psicológico de bem-estar, então por que não introduzir a psicologia na análise
econômica?

Thaler, ao vencer o prêmio, observou: “Para ser um
bom economista, você tem de ter em mente que as pessoas são humanas” — isto é,
os seres humanos reais não são aquelas máquinas super-calculadoras que aparecem
nos modelos econômicos neoclássicos. Isso é uma verdade indiscutível. Porém, inserir a
psicologia no arcabouço da teoria neoclássica para tentar a aprimorá-la não
necessariamente é um aperfeiçoamento.

Sim, entender psicologia é importante para
empreendedores e historiadores. Mas a teoria econômica, como entendida por
Mises, é um exercício puramente lógico, independente das motivações
psicológicas específicas dos indivíduos. Por exemplo, a teoria de Carl Menger sobre valoração e escolha,
subsequentemente desenvolvida nos trabalhos de Böhm-Bawerk, Fetter,
Wicksteed, Mises e Rothbard, bem como de outros economistas austríacos, é um
conceito lógico, e não comportamental. (Veja aqui outros exemplos).

Mas tudo piora.

Revigorando
a disciplina, mas de maneira incoerente

A economia neoclássica sempre fez pressuposições
estritas e estreitas sobre o que significa ser “racional”. Em particular, o
agente neoclássico sempre é consistente; ele possui uma ordem de preferência
clara em relação a todas as coisas possíveis de serem feitas; ele sempre
maximiza seu bem-estar; ele jamais exibe um viés para o consumo presente. E por
aí vai.

Mas, em sua defesa, ele não é (como alguns críticos
afirmam) um mero egoísta maximizador do lucro. Ele é tão egoísta ou altruísta
quanto o resto de nós. Por mais estreita que seja a definição, “racionalidade”
não significa egoísmo. Significa, isso sim, que ele é totalmente diferente de
qualquer pessoa real que conhecemos. A piada é que ele jamais se preocupa com a
desutilidade marginal de se preocupar com a utilidade marginal.

No entanto, o real problema com a economia
neoclássica não é aquele que Thaler e os economistas comportamentais pensam
ser. O indivíduo neoclássico nunca foi pensado para ser uma imagem de uma
pessoa real. Ele é apenas uma marionete — uma construção teórica criada para
gerar previsões sobre o mercado ou sobre o comportamento agregado das pessoas.
Assim como as pressuposições irrealistas das ciências naturais (“imagine que o
carro é uma esfera”, “suponha que não haja atrito”), o indivíduo neoclássico
funciona como um artifício analítico.

Já o mercado não é uma mera reflexão das capacidades
decisórias do indivíduo; ele é um filtro no qual a concorrência e outras
restrições institucionais alteram os resultados. Frequentemente o mercado
produz resultados que são diferentes das intenções e capacidades dos agentes
individuais. Eu diria que, na maioria das vezes, para melhor. Mas sempre
diferente.

Sendo assim, a crítica às limitações teóricas do
paradigma racional neoclássico, capitaneada por Thaler, foi algo bastante
refrescante e útil. No entanto, e este é o paradoxo, a economia comportamental permanece apegada a este conceito estreito de
racionalidade, a qual é vista como um padrão normativo e prescritivo de
avaliação
.

Na economia comportamental, os resultados de mercado
são criticados tendo por base este conceito estreito de racionalidade. E é com
base neste conceito estreito de racionalidade que os economistas
comportamentais recomendam políticas públicas para “corrigir” distorções de
mercado.

Exatamente pelo fato de a economia comportamental ver
as pessoas como não sendo estreitamente racionais, o comportamento delas deve
ser corrigido via políticas públicas. Richard Thaler, por exemplo, argumenta
que, dado que as pessoas se comportam “irracionalmente” (isto é, de maneiras
que não maximizam sua utilidade, como entendido pela teoria neoclássica), os
governos devem intervir — não por meio de proibições ou de imposições de
determinados comportamentos, mas sim “cutucando” gentilmente as pessoas,
empurrando-as delicadamente para o rumo certo.

Por exemplo, afirma-se que as pessoas são obesas
porque elas não levam em “total consideração” os efeitos negativos de seus
hábitos alimentares não-saudáveis. E o que seria “total consideração”? Elas
deveriam saber todas as futuras
consequência nefastas de seus hábitos alimentares e trazer estas consequências
futuras para o momento presente. Em termos técnicos, elas deveriam descontar
esses efeitos negativos à taxa racional de desconto — a taxa de longo prazo, a
taxa que uma pessoa usaria caso fosse super-racional e prudente. No entanto, a
maioria das pessoas não é capaz de fazer isso. Segundo a economia
comportamental, a maneira como o agente olha para as coisas hoje, no momento de
decidir o que comer, é errada. É impetuosa. É “voltada para o presente”. Desconsidera
“as consequências negativas futuras”. Logo, o indivíduo precisa de ajuda. E, na
prática, é o governo quem deve intervir para ajudar.

Outros exemplos de intervenções defendidas pelos
economistas comportamentais são leis determinando que os supermercados coloquem
os alimentos mais saudáveis imediatamente na entrada do recinto, ou ainda que
os patrões automaticamente inscrevessem seus empregados em planos
previdenciários ou contas-poupança, a menos que eles especificamente optem por
sair, e por aí vai.

Thaler chega até mesmo a rotular isso de “paternalismo
libertário”, fazendo uma distinção em relação às variedades mais pesadas de
intervenção estatal.

Com efeito, há uma infinidade de comportamentos “irracionais”
que podem exigir correção via intervenção estatal. As pessoas poupam pouco; comem
muito; se endividam em excesso; usam o cartão de crédito sem saber; não fazem
planos previdenciários; são muito otimistas quanto à própria capacidade de
superar imprevisibilidades (e são muito pessimistas quanto à probabilidade
delas ocorrerem); fumam muito; não usam energia sustentável; desconhecem os
juros embutidos nos financiamentos etc.  

Alguns economistas comportamentais defendem
abertamente que o comportamento “irracional” dos indivíduos deve ser não apenas
“gentilmente direcionado” (foi Thaler quem criou o termo “cutucada“),
mas também tributado e regulado na direção daquele que seria o comportamento do
indivíduo neoclássico perfeitamente racional.

Fora as implicações políticas deste raciocínio, há
uma inacreditável ironia: a economia comportamental faz troça da economia
neoclássica — porque os neoclássicos pressupõem indivíduos sempre racionais
–, mas, no final, segue estas mesmas
pressuposições como sendo o ideal a ser perseguido pelos seres humanos
.

Dado que o indivíduo não se comporta racionalmente
— como sugere os modelos neoclássicos –, então a solução da economia
comportamental é adotar políticas públicas que façam o indivíduo se comportar
de maneira um pouco mais semelhante ao indivíduo racional da economia
neoclássica — a mesma economia escarnecida pelos economistas comportamentais.

No final, é como se houvesse um indivíduo
neoclássico no fundo de todos nós, lutando para se libertar, mas sendo
continuamente bombardeado por choques comportamentais. A economia
comportamental seria nada menos que fazer com que você se torne o verdadeiro
você. E tudo isso apesar de sua resistência.

Outro paradoxo

Um óbvio problema com todo este raciocínio é que os
agentes que irão criar e implantar os “cutucões” comportamentais são também
eles próprios “irracionais” — afinal, eles são seres humanos como todos os
demais agentes humanos. Sendo assim, por que deveríamos esperar que os cutucões
melhorassem os resultados sociais?

Outros economistas comportamentais, como Vernon
Smith, são abertamente céticos quanto à ideia de que a razão seja a principal
faculdade a guiar as ações humanas. Para ele, a principal força-motriz são as
emoções. Consequentemente, ao colocar em dúvida a capacidade das pessoas de
usar seus cérebros, os economistas comportamentais acabaram criando os
fundamentos e justificativas para a introdução de controles governamentais para
“proteger os indivíduos de seu comportamento irracional”.

E, de novo, o paradoxo se mantém: afinal, se os
seres humanos possuem um comportamento irracional e devem ser guiados para se
tornarem mais racionais, então quem serão os ultra-racionais agentes incumbidos
de guiar racionalmente todos os outros?

Conclusão

No final, a economia comportamental, embora tenha
trazido contribuições interessantes, frequentemente empacota idéias simples e
já bem conhecidas por economistas práticos, empreendedores e historiadores, e
as trata como sendo descobertas novas e excitantes. Um
fascinante ensaio do economista Steven Poole
, de 2014, mostra que a maioria
das descobertas dos economistas comportamentais não se aplica ao mundo real
porque, dentre outras coisas, as pessoas se comportam de maneiras específicas
dentro de um laboratório, maneira estas que são bem “racionais”.

Os economistas seguidores da Escola Austríaca
deveriam ficar felizes com o fato de que o prêmio Nobel de Thaler abra as
portas para debates sobre idéias básicas, como valoração, escolhas, transações
e como nós deveríamos tentar entender o comportamento humano. Isso faz com que
seja ainda mais importante relembrar as pessoas de que a praxeologia oferece
uma crítica paralela, porém distinta, à microeconomia neoclássica.

________________________

Leia
também:

Praxeologia – A constatação
nada trivial de Mises

Psicologia versus
Praxeologia

Economia praxeológica e
Economia matemática

Prêmio Nobel para a
praxeologia

Explicando o verdadeiro
significado do apriorismo


[1] O
grande empreendedor sueco Alfred Nobel nunca patrocinou nenhum prêmio para a
ciência econômica, e o comitê criado em sua homenagem (com o patrimônio que ele
deixou) nunca concedeu nenhum prêmio desse tipo até hoje.  No entanto,
existe um “Prêmio para as Ciências Econômicas em Memória de Alfred
Nobel”. Mas ele é patrocinado pelo Banco Central da Suécia. 
Desde 1969, este prêmio também vem sendo concedido anualmente no início de
outubro.

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38 comentários em “A “economia comportamental” fez contribuições interessantes, mas é contraditória”

  1. O problema fundamental é que a economia comportamental não só é paternalista, como o próprio Thaler admitiu, como parte do viés ultra-esquerdista de que “como as pessoas nem sempre sabem o que é melhor para elas próprias, precisamos de políticos e reguladores para guiá-las”.

    E eu já vi vários libertários namorando esta teoria, simplesmente porque seus grandes expoentes não defendem uma intervenção tributária do governo, mas sim meramente “direcional”.

    No fundo, a economia comportamental é apenas mais uma teoria que faz apologia do planejamento centralizado, mas sem controle de preços. E tem libertário caindo nisso.

  2. É interessante a economia comportamental, um avanço em relação à teoria dos seres plenamente racionais e dos agregados, daqui a pouco eles descobrem a praxeologia. Uma pena que tenham esquecido as contribuições do James Buchanan, também ‘prêmio Nobel’. Se lembrassem, além de refletirem sobre as contradições atuais, não teriam tanta fé em intervenções.

  3. “afinal, se os seres humanos possuem um comportamento irracional e devem ser guiados para se tornarem mais racionais, então quem serão os ultra-racionais agentes incumbidos de guiar racionalmente todos os outros?”

    Serão os membros da Administração Pública, pergunte a qualquer popular médio se este não deseja que o Estado preste serviços de maneira proba e eficiente, se possui tal expectativa de um terceiro logo o julga mais racional que si próprio.

  4. “As pessoas nem sempre sabem o que é melhor para elas, daí devemos colocar alguns iluminados para dizerem o que elas devem fazer”.

    Esse paternalismo tosco já foi devidamente refutado por Rothbard em “Power and Market”.

    Aliás, a “behavioral economics” também já foi está refutada no livro “Austrian Economics Reexamined”, de Mario Rizzo e Gerald P. O’Donnell.

    Como se não bastasse a imbecilidade da “tese”, essa gente, só para variar, faz questão de promover a confusão semântica: o Thaler, junto com o jurista esquerdista Cass Sunstein, ao chamar a intervenção estatal de “paternalismo libertário” está aí apenas para colocar uma roupagem mais liberal nessa prática.

    Mas o mais “curioso” de tudo é que essa gente só aplica a “behavioral economics” para os agentes privados… Nenhum agente público aparentemente tem irracionalidades…

  5. O mais irônico é ver como os "comportamentalistas", seres tão racionais, adoram fazer afirmações irracionais.

    Por exemplo, em uma entrevista à BBC, o Daniel Kahneman (outro Nobel) disse que os hábitos dos taxistas são um exemplo de comportamento irracional. A lógica dele é que é difícil encontrar taxis em dias de chuva e, ao mesmo tempo, os taxis estão sempre vazios em dias de sol. Logo, disse ele, os taxistas deveriam ofertar seus serviços muito mais em dias chuvosos e ficar mais em casa nos dias de sol.

    Dias de sol, segundo Kahneman, deveriam ser dias de folga para os taxistas; e dias de chuva deveriam ser de trabalho intenso, pois são mais lucrativos. E o fato de os taxistas fazerem o exato oposto disso mostra como eles são "irracionais". Em vez de pensarem em maximizar sua renda, trabalhando mais em dia de chuva, eles simplesmente vão para a casa quando já alcançaram sua meta daquele dia.

    Só que qualquer um que já tenha conversado com taxistas ou que até mesmo pare para pensar um pouco nesta questão irá perceber que as coisas não são tão simples assim. Alguns taxistas dizem que, contrário ao que diz Kahneman, pode haver bem menos passageiros em dias de chuva. Por exemplo, um eventual passageiro que estava pensado em sair para comer pode decidir comer em casa em vez de tomar chuva. Já outros taxistas afirmam que, quando está chovendo, os passageiros tendem a fazer viagens mais curtas e menos lucrativas para o taxista, em vez de viagens mais longas.

    Há também o fato de que vários taxistas têm contas a pagar semanalmente. Assim, para garantir sua renda, eles têm de dirigir sob qualquer que seja o tempo. Eles não podem se dar ao luxo de optar por ficar em casa em dias de sol. Tampouco podem se dar ao luxo de ficar esperando os mais lucrativos dias de chuva para só então ir trabalhar. A meteorologia em si é totalmente imprevisível.

    Nestes casos, simplesmente não há uma solução perfeita, a qual será adequada para todas as circunstâncias. É provável que a ação correta irá variar de acordo com as condições específicas de cada local, bem como com as necessidades específicas de cada indivíduo.

    O ponto é que é simplesmente errado pressupor que taxistas que trabalham mais em dias de sol estão se comportando irracionalmente. Eles podem ter motivos perfeitamente racionais para estar dirigindo naquelas condições e não em outras. Com efeito, é muito provável que eles saibam muito mais sobre como gerenciar suas próprias vidas do que Daniel Kahneman.

  6. Bom artigo. Sabe qual a diferença entre o empreendedor e o economista comportamental? O empreendedor tenta prever as escolhas dos outros, já o economista comportamental tenta manipular essas escolhas.

    Já dá para saber qual dos dois possui mais respeito pelo ser humano.

    O economista comportamental certamente gostaria de viver num mundo formado por idiotas mentalmente lesados. Aliás, é exatamente isso que ele jura que os outros são.

  7. A assustadora indiferença que os neoliberais têm para com próximo.

    O princípio único do inferno é este: “Eu sou meu.” – George Macdonald.

    Em uma postagem no facebook sobre o caso envolvendo o homem nu e obras de arte, podemos encontrar o seguinte comentário: “Não ligo nem um pouco se você coloca uma vela na bunda, por mim pode colocar até um rojão, só não envolvam crianças nisso.” Esse tipo de comentário revela o momento assustador no qual vivemos. Ninguém mais tem compaixão pelo futuro do próximo. Todos estão largados. Vamos entender um pouco mais sobre esta questão.

    Em um passado não tão distante assim, à sociedade tinha uma legítima preocupação para com o próximo. Todo mundo queria saber como estava indo sua vida; se você estava trabalhando ou estudando; se estava casado ou namorando, entre outras coisas. Sempre que alguém caia ou seguia por um caminho ruim, encontrava-se maneiras de aconselhar a pessoa. Por isso as instituições religiosas sempre tiveram um importante papel na sociedade, pois, o primeiro lugar onde as pessoas buscavam conselhos, era diante de um padre ou de um pastor. A verdade é que todo mundo tinha um certo medo de ir para o inferno e deixar que seu semelhante também fosse. Acredito que esse medo fazia as pessoas ter mais cautela nas escolhas e o mesmo tempo faziam elas ter uma preocupação para com o próximo. Isso levava a sociedade a seguir o caminho do bem e da virtude, apesar dos pesares.

    Só que um belo dia, o paganismo foi implementado, juntamente com a onda de liberdade social e econômica.

    Neste momento começou a nascer um individualismo exacerbado; a nova onda do momento era dizer: “da minha vida cuido eu, meu amigo.” E todo mundo que tinha a ousadia de querer aconselhar, logo era visto como intrometido, que não cuida da própria vida. Assim, aos poucos, à sociedade foi mudando de mentalidade. Começou a nascer duas vertentes de pensamento: Uma afirmava que ninguém deve se intrometer na sua vida; e a outra, ao mesmo tempo, afirmava que você deveria largar as amarras da sociedade e ser livre dos preconceitos. O caos estava plantado.

    Voltemo-nos ao comentário do Facebook: precisamos ter compaixão pelo próximo. Sempre andar com o coração na mão. Quando você ver alguém rolando no chão, como um animal. Tenha compaixão. Pois é um ser humano igual a você. Não caia nesta armadilha neoliberal que afirma que todos devemos respeitar a “individualidade” da pessoa. Existem caminhos que inevitavelmente irá nos levar para o inferno dentro da nossa própria mente; você tem a obrigação moral de aconselhar essas pessoas. Viver na superfície o castigará por ter negligenciado, a seu tempo, o futuro que sempre herda do passado.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.

  8. Isso pra mim é educação financeira gourmetizada, não é novidade alguma.

    pesquisei sobre os últimos ganhadores do Nobel, pensei que fosse achar só

    intervencionistas ou keynesianistas, mas para surpresa achei um tal de Jean Tirole, segue abaixo

    um trecho de suas fundamentações, sobre a regulação de empresas.

    “Muitas indústrias são dominadas por um pequeno número de grandes empresas ou apenas por um simples monopólio. Deixados sem regulação, esses mercados frequentemente produzem resultados sociais indesejáveis – preços mais altos do que o dos outros motivados por custos, ou empresas improdutivas que sobrevivem por bloquear a entrada de novas empresas mais produtivas”, afirma a Real Academia Sueca de Ciências sobre o contexto em que os estudos de Tirole foram realizados.

  9. Luiz Eduardo Toledo

    Prezados, boa tarde.

    Seria esta uma nova página do livro Econômico Mainstream para burlar a E.A.? Como uma repaginada muito simplista dos assuntos mais relevantes tratados pela E.A.?

    Essa tentativa de tonar a economia mais “humana” sem citar Mises, é postura costumas, usada para se apropriar (em doses homeopáticas) das ideias alheias. Da mesma forma que a esquerda o fez e sempre fará, quando acusa um liberal ou conservador de algo que ele mesmo não o seja, e que advêm da essência Comunista.

    Não vejo com bons olhos, e muito menos com frescor este prêmio recebido pelo Thaler. Como foi mencionado o “paternalismo libertário” é o intervencionismo a serviço do “bem comum”. A serviço dos “pobres” irracionais, que tomados por anos de uma economia enraizada no crédito e no consumo criou, um sem-números de seres sem qualquer preparo emocional para enfrentar o livre-mercado,ou a concorrência. Pessoas que se julgam empreendedoras, mas preferem correr o risco certo de uma franquia ao se debruçar em algo novo, seja por imediatismo e/ou falta de conhecimento analítico do mercado.

    Não existe um meio termo para uma humanização da economia; ou se está lastreado pelas premissas Austríacas ou estaremos diante do lançamento de um novo engodo. Que será tomado como verdade e será chamado de Liberal. Estamos diante de desserviço!

    Obrigado pela atenção.

    Abraços,

    Luiz Toledo

  10. Alerson Molotievschi

    Triste.

    Só precisamos do primeiro parágrafo do primeiro capítulo de Man, Economy, and State with Power and Market.. para concluir que é possível ganhar um título sem razão, sem qualquer Razão.

  11. Eu senti uma pitadinha de recalque nesse artigo hein( risos ).

    A escola austríaca não inova em nada desde a morte de Mises. Você repetem conhecimento velho e isso é um ponto negativo.

    Deu pra perceber também o motivo real da birra com a “economia comportamental”…

    o Estado… vocês tomaram birra porque a economia comportamental mostrou uma função importante do Estado na economia.

    Vocês deviam parar de seguir religiosamente o líder de vocês(Mises) e inovar o conhecimento.

    E respondendo a questão do artigo:

    “E, de novo, o paradoxo se mantém: afinal, se os seres humanos possuem um comportamento irracional e devem ser guiados para se tornarem mais racionais, então quem serão os ultra-racionais agentes incumbidos de guiar racionalmente todos os outros?”

    Máquinas…sim, computadores

    Um algorítimo é menos corrupto que um ser humano.

    A nossa democracia pode ser redesenhada.

    Nós usamos modelos do tempo de Montesquieu, essa é a verdade.

    O capitalismo depende de leis, segurança jurídica, e quem trata disso é o Estado. Vocês dependem do Estado. Esse é o paradoxo que os liberalóides não enxergam.

  12. Acredito que como o Estado é uma “entidade” que transcende os indivíduos e goza da reputação de vontade pública, é perfeitamente viável certas iniciativas pontuais no que tange a padrões de comportamento. Afinal, historicamente, as nações surgiram com o objetivo de criar regras para convivência, vejo a economia comportamental como um aprimoramento dessa condição.

  13. Guilherme Ruffini

    Algo que o autor esqueceu de mencionar, é que autores como o Kahneman não propõe “pessoas iluminadas para guiar as políticas públicas”, pelo contrário, ele não confia em humanos tomando decisões, a sugestão dele é automatização.

    E cuidado ao afirmar que a EC demoniza os neoclássicos, não é bem assim. Ela veio para atuar em micro, não veio substituir os agregados.

    Por fim EC é muito mais que Thaler e Nudges. É sim uma busca nas origens da economia, que deriva da psicologia, e veio cobrir um espaço deixado na teoria neoclássica para entender o comportamento do indivíduo. O resto parece um pouco forçação de barra do autor.

  14. Muito bom o artigo.

    Mas fora desse debate teórico sobre indivíduos racionais e, lógico, dispensando totalmente essas “cutucadas” excessivas e intromissivas que os economistas comportamentais propõem, podemos observar (ou vislumbrar) alguns pontos em que um incentivo do governo, se não é benéfico, pelo menos leva ao menor dos males.

    Exemplo esse ocorre quando um governo que quer estimular o reinvestimento das empresas, permite que elas deduzam uma parte de seus impostos e destinem especificamente para tal fim. Ou quando para estimular o investimento em formação de capital em um país, o governo vai lá e reduz ou zera impostos sobre bens de caminhões, tratores, máquinas, equipamentos, etc.

    Em outro caso, supondo-se que, do ponto de vista do orçamento, seja mais viável investir-se em medidas que previnam doenças futuras do que ter que lidar com uma população que sofre de doenças crônicas, não seria de todo o mal o governo dar um empurrãozinho para que as pessoas tivessem hábitos mais saudáveis. Ressalto que é do ponto de vista de para onde vão os gastos do governo, porque essa aí de regular a disposição dos alimentos no supermercado para mim também é demais.

    Enfim, em termos práticos, essa ‘economia comportamental’ pode ser bem aproveitável.

  15. Primeiro, a Psicologia possui diversas vertentes; essa distinção entre Psicologia e Praxeologia se aplica de forma plena apenas a algumas dessas vertentes.

    Sim, a racionalidade humana possui limites quantitativos e qualitativos.

    Porém, um comportamento aparentemente disracional pela ótica de um observador muitas vezes está sob influências que este não conhece.

    Ou seja, só porque você não entende os motivos do comportamento de alguém, não quer dizer que ele não tem bons motivos.

    Além disso, como o artigo mencionou, o interventor estatal também é um ser humano com as mesmas limitações humanas básicas que as pessoas em geral.

    E mesmo que o interventor fosse especialmente capacitado, como Hayek disse, liberdade genuína significa a liberdade de [supostamente] errar. Se uma pessoa é “livre”, mas só pode agir de formas que uma outra considera sábias, então ela não é livre.

    Por fim, muitos comportamentos aparentemente irracionais das pessoas são ou foram provocados pelas próprias intervenções anteriores do governo.

    * * *

  16. Guilherme Silveira A. Santos

    No momento em que escrevo isto, foi publicada um entrevista com o economista Thaler. De fato, a economia

    comportamental nada mais é do que uma forma de anti intelectualismo. Conforme Ayn Rand disse, a razão é a única

    forma de orientação para se adquirir o verdadeiro conhecimento.

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