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Atacar os ricos é atacar nosso próprio padrão de vida

Pergunta direta: quanto vale um caminhoneiro sem
seu caminhão?

Enquanto você pensa intuitivamente na resposta,
façamos outras perguntas semelhantes.

Quanto vale um garçom sem
um restaurante?

Quanto vale um operário sem
as instalações e as máquinas da fábrica em que trabalha?

O que seria do
funcionário de uma loja sem a loja, sem um computador, e sem um scanner de
preços?

Ou ainda: de que vale um
eletricista sem a energia elétrica? Quanto vale um jogador de futebol sem a TV?
Vou até perguntar sobre mim mesmo: quanto valho sem um computador e a internet?

Sem capital não há criação de riqueza

Voltemos ao caminhoneiro. Sem um caminhão, seu valor econômico para os outros diminui para quase
zero. Já com um caminhão, ele se torna extremamente produtivo e útil para
terceiros.

Suponha um brutamontes capaz
de carregar toda a carga do caminhoneiro nas costas. Quem vale mais: um
caminhoneiro com seu caminhão ou o brutamontes? Ainda que o brutamontes seja
extremamente inteligente e culto, e ainda que o caminhoneiro não seja tão
esperto, tão educado e tão forte, o fato é que o caminhoneiro vale milhares de
vezes mais que o brutamontes. Por quê? Exato, por causa do caminhão.

Com isso, você começa a entender que o que
realmente permite salários maiores e um padrão de vida mais alto é o capital.

Capital é tudo aquilo que aumenta a produtividade
e, em última instância, o padrão de vida de uma sociedade. Capital são
todos os fatores de produção — como ferramentas, maquinários, edificações,
meios de transporte etc. — que tornam o trabalho humano mais eficiente e
produtivo. Trabalhar menos e produzir mais é o resultado direto da acumulação
e do uso do capital.

Agora, uma pergunta simples: quem pagou por aquele caminhão
da transportadora dirigido pelo caminhoneiro: um rico ou um pobre? Quem empregou
o caminhoneiro, e o mantém empregado: um rico ou um pobre?

Muito provavelmente um rico. Poucos caminhoneiros permaneceriam
empregados por pessoas pobres. Pelo menos, não por muito tempo.

Igualmente, quem pagou pela fábrica que construiu o
caminhão? Certamente algum rico. Ou então
vários indivíduos ricos. O mesmo pode ser dito sobre a fábrica que produz chips de
computador em volume suficiente para fazer seus preços caírem para centavos por
gigabyte, o que requer fábricas de custo bilionário.

Os pobres não as construíram; foram os ricos que o
fizeram. O mesmo vale para a iluminação e os estúdios de televisão onde o
eletricista trabalha; para as fábricas de televisores e de cabos que colocam o
jogador (bem como os atores e âncoras de notícias) na televisão; para o
restaurante e as indústrias que criam os bens que cada trabalhador usa diariamente
em seu trabalho; para a loja em que o funcionário trabalha, bem como o caixa e
os scanners que ele usa.

E vale para mim, também.
Eu valho muito menos sem um computador, o qual tornou as coisas incomensuravelmente
mais eficientes. Por isso, não tenho por que ter raiva daqueles que utilizaram
sua poupança para construir as fábricas e fabricar os chips e
os computadores que tornam meu trabalho muito mais eficiente e produtivo do que
seria sem estes chips e monitores.

Com efeito, eu gostaria
de facilitar as coisas para eles —
pois isso me tornaria ainda mais valioso para os consumidores dos meus serviços,
aumentando meus rendimentos. Eu gostaria que o governo diminuísse sua tributação,
de modo que estes ricos pudessem ficar com uma fatia muito maior de seus
ganhos. Aliás, eu gostaria que eles ficassem com 100% dos seus ganhos.

Três maneiras de criar riqueza

Há apenas três maneiras
de se criar riqueza real. E nenhuma delas envolve a coerção e as transferências
involuntárias — ou seja, o roubo.

A maneira mais óbvia é
por meio da produção de bens e serviços que são vendidos a compradores
voluntários. Se as pessoas não comprarem voluntariamente
estes bens e serviços, então é porque elas não lhes atribuem os valores cobrados.
Neste caso, riqueza não foi criada, mas sim destruída. Capital e recursos
escassos foram imobilizados em coisas que não geraram valor para ninguém.

Uma maneira menos óbvia
de criar riqueza é investindo em instalações, equipamentos, educação e
treinamento que aumentam a qualidade e a quantidade da produção de bens e
serviços que podem ser comercializados.

E uma maneira ainda menos
óbvia é por meio da proteção de tudo aquilo que foi produzido. Isso cria
riqueza indiretamente: as pessoas são mais propensas a produzir aquilo que
podem manter para si e transacionar por outros tipos de riqueza. Isso significa
que os direitos de propriedade e a garantia e cumprimento de contratos são
fundamentais para a criação de riqueza.

A maioria das pessoas consegue
ver que educação ou treinamento criam riqueza, direta ou indiretamente. No
entanto, por si sós, pouca ou nenhuma riqueza é criada apenas por meio disso.
Qual é o valor de um programador de computador sem um computador? Quanto valem
jornalistas, atores ou atletas profissionais sem a TV e os bilhões em
infraestrutura (privada) que lhes permitam exibir seus talentos? Qual a função de
um vendedor sem uma loja e de um operário sem uma fábrica? Quanta riqueza é
criada por um soldador habilidoso sem o equipamento de soldagem, ou sem máquinas
e ferramentas para soldar? Alguma riqueza é criada ao treinar um astronauta
quando não há uma cápsula espacial (construída por empreiteiros privados)? Que
tal um geólogo sem equipamento de perfuração ou sem os equipamentos necessários
para escavar, os quais custam milhões?

E um caminhoneiro sem um
caminhão?

O problema em tributar os ricos, sejam eles
empreendedores ou meros “rentistas”

Os efeitos da tributação sobre um rico
empreendedor são diretos. Com uma fatia maior de seus ganhos confiscada pelo
governo, ele terá menos capacidade para investir e ampliar sua capacidade
produtiva. Seu processo de formação de capital será diretamente afetado.

Com sua capacidade futura de investimento das
empresas reduzida, isso significa menor produção, menos contratação de
mão-de-obra e, consequentemente, menor oferta de bens e serviços no futuro.
Significa também menos compras de ferramentas, equipamentos e, principalmente,
do treinamento contínuo necessário para aumentar a produtividade — diminuindo
assim a oferta de bens e serviços que de outra forma seriam disponibilizados a
terceiros.

Quando o governo tributa a renda e os lucros,
ele apenas faz com que o dinheiro que seria utilizado para ampliar e aprimorar
os processos produtivos seja agora direcionado para o mero consumismo do
governo, ficando sob os caprichos de seus burocratas, obstruindo a formação de
capital.  

Quanto aos ricos “rentistas”, sempre é bom
repetir: ao contrário do
que muitos imaginam, o dinheiro dos ricos não
fica parado dentro de uma gaveta. Em nosso atual sistema monetário e financeiro, todo o dinheiro está
inevitavelmente em algum depósito bancário. Não importa se o rico comprou
ações, debêntures, títulos, CDBs, LCIs, LCAs ou LCs, aplicou em fundos de
investimento ou em fundos de ações: no final, este dinheiro caiu em alguma
conta bancária, e será emprestado pelos bancos para financiar
investimentos. 

Se o governo tributar
esse dinheiro, fará apenas que o dinheiro que antes era direcionado para
determinados setores (garantindo emprego e renda) ou investido diretamente em
coisas produtivas seja direcionado para o mero consumismo do governo, ficando
sob os caprichos de seus burocratas e bancando toda a máquina estatal. Isso
seria uma simples e direta destruição de capital.  

Por tudo isso, impostos sobre
os mais ricos são um grande obstáculo aos investimentos produtivos, à formação
de capital e ao simples bem-estar de terceiros. É deste dinheiro que vem a
poupança necessária para os investimentos produtivos.

Se, em vez disso, os empreendedores e investidores
pudessem manter seus ganhos e investir, todos nós estaríamos mais ricos —
incluindo aqueles de nós que ganhamos a vida usando caminhões e computadores.

Por fim, vale ressaltar algo óbvio: toda e qualquer
pessoa em posse de muito dinheiro investe. Tais pessoas, por definição, vezes vivem muito abaixo das suas condições
(afinal, elas não gastaram todo o seu dinheiro), o que significa que elas
investem “as sobras”. Sendo assim, e como dito acima, será que são realmente
elas que se beneficiam de seu capital? Não. São as pessoas comuns que se
beneficiam com os bilhões que acabam sendo investidos em fábricas de microchip,
em fábricas que produzem carros, em meios de transporte, em instalações hoteleiras,
em parques temáticos, em hospitais, em siderúrgicas, em companhias aéreas, em pecuaristas
e no agronegócio, em fabricantes de alimentos, em empacotadoras de alimentos, em
cervejarias, em todas as fábricas e indústrias, em todo o setor atacadista,
varejista e provedor de serviços.

Os benefícios do capital —
de propriedade tanto de super-ricos como da classe média-alta que faz
investimentos — são fornecidos para nós, desde smartphones e notebooks, passando por viagens à Disney e
cruzeiros oceânicos, até coisas elementares como alimentação, roupas e
hospitais. Todos nós usufruímos tudo isto por uma pequena fração do custo total
desse capital.

Querer confiscar o dinheiro de quem financia tudo
isso significa simplesmente odiar os alicerces de sua própria existência.

Reduzam ou (melhor ainda) acabem com os
impostos

Baixas alíquotas de
impostos sobre aqueles de rendimento elevado são desejáveis não porque eles
precisam do dinheiro, mas sim porque nós precisamos — sob a
forma de capital, que inclui fundos investidos. É isso o que cria as
instalações e equipamentos que permitem nossa existência e também nosso
bem-estar, como nossos smartphones e aviões e navios de
cruzeiro que tornam possíveis nossas férias em lugares distantes — com os
quais, apenas um século atrás, nossos ancestrais não podiam sequer sonhar.

Este capital também é a fonte
da igualdade de renda: quando você
considera todas as “coisas” que temos hoje e que não existiam há cinquenta anos
— ou que até existiam mas
cujos custos desabaram
–, percebe que o capital iguala o poder de renda
para os não-qualificados, fracos e enfermos.

Considere: quase qualquer
um pode operar máquinas que fazem a grande maioria do trabalho — a produção —
e ganhar uma renda decente. Uma pessoa com um QI de 120 não tem qualquer
vantagem sobre outra com um QI de 80 ao operar um grande equipamento; nem uma
pessoa de 110 quilos tem uma vantagem sobre outra que pesa 55 quilos. Um homem
não tem vantagem sobre uma mulher programando ou operando um computador. Os saudáveis
têm pouca ou nenhuma vantagem sobre os deficientes físicos na criação de
imagens de computador.

Pessoas de renda média a alta que não consomem
todos os seus ganhos investem suas economias e criam o capital necessário para
a indústria, bem como os equipamentos — as fábricas de microprocessadores e caminhões — que criam um padrão de vida mais alto para todos, incluindo os pobres, enfermos
e deficientes.

Se tais pessoas puderem reter uma maior fatia da sua renda para investir, todos nós seremos mais ricos — inclusive aqueles de nós que ganham a vida com computadores e caminhões.

E ninguém melhor que a própria Suécia —
aquele paradigma da social-democracia — para mostrar isso: lá, a alíquota
máxima do imposto de renda de pessoa jurídica é de apenas 22% (nos
EUA é de 35%; no Brasil chega a 34%). Mais: os ricos da Suécia usufruem várias vantagens
econômicas não oferecidas a seus compatriotas das classes mais baixas. A Suécia
sempre concedeu deduções fiscais bastante generosas para custos de capital. As
empresas suecas podem deduzir 50% de seus lucros para reinvesti-los no futuro,
o que os torna uma reserva
isenta de impostos
. Quem realmente banca o estado de bem-estar sueco são os
pobres e a classe média, por meio dos cada vez maiores impostos indiretos.

Ao mesmo tempo em que o
imposto sobre a renda decresceu, o imposto sobre o consumo
aumentou na Suécia
.

Conclusão

Por último, mas não menos
importante, algumas perguntas retóricas: o seu patrão é mais rico ou mais pobre
que você? Se o governo aumentar o confisco do dinheiro dele, seu emprego ficará
mais garantido ou menos garantido? Suas chances de aumentos salariais serão
maiores ou menores? 

Enfim, você estará melhor em uma economia com vários ou com poucos ricos?

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Leia também:

Como a desigualdade de riqueza acaba reduzindo a pobreza

Quatro consequências inesperadas de se aumentar os impostos sobre os mais ricos

A propriedade privada dos ricos beneficia a todos e é responsável direta por nosso bem-estar

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54 comentários em “Atacar os ricos é atacar nosso próprio padrão de vida”

  1. Como surgiu o Capitalismo. Por Capital Imoral.

    Neste artigo iremos aprender como surgiu o Capitalismo. Este artigo é uma refutação formal de Capital Imoral para o artigo: Primeira Lição – O Capitalismo de Ludwig von Mises.

    Uma revolução verde

    Durante milhões de anos, nossos ancestrais viveram da caça, da pesca e da coleta de frutas e folhas. A agricultura significou para o ser humano uma verdadeira revolução, modificando seus hábitos, como por exemplo, fixar-se à terra e permitindo que se tornasse sedentário. Foi com ela que surgiram as primeiras cidades e civilizações, poucos filósofos sabem, mas também foi através da revolução verde que nasceu o verdadeiro capitalismo. Segundo a teoria do grande filósofo, Capital imoral.

    Para entendermos todo esse processo. Precisamos entender que houve uma grande migração, movida, principalmente, porque o planeta vivia na época uma Era Glacial, durante a qual as águas do mar baixaram drasticamente. Os primeiros seres humanos estavam movendo-se para o continente americano. Por volta de 12000 a.C. a temperatura da Terra voltou a elevar-se. As placas glaciais que cobriam parte dos continentes derreteram, restando apenas o gelo das calotas polares. Com o fim da Era Glacial, o clima tornou-se mais ameno e o solo, mais fértil. Os primeiros grupos que construíram suas cabanas próximos a rios e lagos, começaram a perceber, que certos grãos de cereais quando caiam acidentalmente no solo, estavam germinando. E assim começou o domínio da agricultura.

    O domínio da agricultura provocou uma grande transformação na vida dessas pessoas. Porque pela primeira vez as pessoas podiam sair da posição de caçadores e coletores e passarem a assumir um controle da produção alimentar. Esse controle permitiu a sedentarização do homem, ao qual poderia, agora, se dedicar a outros afazeres. Podemos pensar que foi neste momento que surgiu o socialismo. Todo mundo era feliz, todos dividiam alimentos, não existia fome, não existia hierarquias; existia, apenas, companheirismo e amor ao próximo. A vida era tão bela. Tão doce.

    Como surgiu o verdadeiro Capitalismo?

    Como essas pessoas tinham bastante alimento estocado; surgiu a necessidade de uma melhor divisão das tarefas: enquanto algumas pessoas se responsabilizavam pelas obras públicas, outras cuidavam da agricultura e da fabricação de instrumentos. Nessa época o socialismo funcionava perfeitamente, porém, começou a ser corrompido. O resultado desse esforço foi um gradual avanço tecnológico. À medida que algumas atividades e profissões foram assumindo maior importância, começaram a surgir os primeiros graus hierárquicos e de domínio humano, portanto, neste momento o capitalismo começa a corromper o socialismo vigente, pois foi neste momento que havia pessoas que mandavam e pessoas que obedeciam. Antes disso, era apenas companheirismo e amor.

    Começou a haver um processo de estratificação social.

    Estratificação social é, portanto, a divisão da sociedade em camadas superpostas. Essa divisão é estabelecida pelas diferenças existentes entre grupos sociais, em termos de prestígio, riqueza ou poder. Concluímos que o capitalismo tem bases neste termo. Essas pessoas estavam em busca do lucro social para poder comandar outras pessoas. Veja que no princípio não existia comandantes e tudo dava certo; o socialismo funcionava perfeitamente nas primeiras civilizações. Mas infelizmente, o homem foi querer escravizar outros homens e acabou se deixando corromper pelo diabo na Terra. Embora não houvesse, na época, dinheiro ou bancos; podemos, sem dúvida, afirmar que havia sim concorrência pela moeda vigente: fama e prestígio. Vemos que a Fama e o Prestígio é um vício humano. Que acabou abrindo as portas do inferno.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises. .

  2. Alexandre Nascentes Schmitt

    Uma pergunta que não tem a ver com o artigo. Porém não foi respondido na artigo que eu perguntei. Eu estava lendo sobre a importancia de poupar capital em uma sociedade. Mas se uma sociedade passa a poupar mais para enriquecer futuramente, a conta poupança aumenta e a corrente contrai. A tal contração não geraria um desastre na economia? Pois seria menos capital correndo por ela.

  3. Isso é balela.

    Sabemos que os rentistas aplicam em investimentos improdutivos, no caso títulos públicos. Pensava que os austríacos abominassem esse ciclo de investimento onde se empresta para o governo e ele o gasta em coisas desnecessárias, mas vejo que a política que vocês defendem é a imoralidade dos rentistas para com a população, ou seja, a população é quem banca os rentistas.

    E mais, se vocês defendem esse arranjo, como acabar com a dívida pública que é tão criticada por vossos senhorios? Não me parece contraditório?

  4. Clovis Sergio Karnal

    Karnal foi na veia ao comparar a possessão demoníaca e a possessão pelo capital. Esse site foi possuído pelo capital.

    cultura.estadao.com.br/noticias/geral,a-possessao-demoniaca-e-a-do-capital,70002001452

  5. Creio que compartilho da opnião da maioria deste site sobre o fato de qualquer imposto ser um roubo.

    Gostaria que os mais estudados quanto a filosofia das idéias libertárias comentassem sobre esse fragmento do livro “O Capital no século XXI” de Thomas Piketty em que ele defende o imposto progressivo.

    “(…) No fim das contas, trata-se de acabar com esse tipo de renda ou de patrimônio, julgados pelo legislador como socialmente excessivos e estéreis para a economia, ou no mínimo de tornar muito custoso mantê-lo em tal nível a fim de desencorajar fortemente sua perpetuação. O imposto progressivo constitui sempre um método mais ou menos liberal para se reduzir as desigualdades, pois respeita a livre concorrência e a propriedade privada enquanto modifica os incentivos privados, às vezes radicalmente, mas sempre de modo previsível e contínuo, segundo regras fixadas com antecedência e debatidas de maneira democrática, no contexto de um Estado de direito”

    Desde já agradeço a participação de todos!

  6. “Baixas alíquotas de impostos sobre aqueles de rendimento elevado são desejáveis não porque eles precisam do dinheiro, mas sim porque nós precisamos — sob a forma de capital”.

    Brilhantemente colocado. Uma ótima maneira de se resumir o assunto. E ótimo artigo, como de praxe.

  7. Liberalismo economico refutado

    A carga tributária do Brasil é de 34,4%

    O que isso quer dizer?

    Nada.

    A do Chade é 4,2%, de Angola 5,7% e Bangladesh 8,5%.

    A do Reino Unido é 39%, da Áustria 43,4% e da Suécia 47,9%.

    Alguém pode vir com alguns poucos exemplos de países que pagam menos do que nós e estão melhor, mas isso também não quer dizer NADA.

    O problema real tem muito mais a ver com a forma como é cobrado. Como já escrevi em vários textos, o Brasil cobra

    – muito no consumo e

    – pouco na renda.

    Isso na média. Porque mesmo na renda se cobra

    – pouco de quem está em cima

    – muito de quem está embaixo.

    Resultado:

    – A galera de baixo é a que mais sente

    – A galera do meio é a que mais paga,

    – A galera de cima não sente e (quase) não paga.

    Como assim?

    Como assim?

    Se você ganha até R$ 1900, como 66% dos brasileiros, não paga imposto de renda. Mas todo o seu dinheiro vai para a subsistência, que é taxada. Absurdamente taxada.

    Sobra nada.

    E ainda usa um serviço público ruim.

    Se você ganha entre R$ 2000 e R$ 6800, como 25% dos brasileiros, pode pagar até 27,5%. E também gasta muito para sobreviver, então paga alto.

    Sobra pouco.

    E não quer usar o serviço público ruim, então sobra menos ainda.

    Bom mesmo é quem ganha muito.

    Mas muito, aquele 1% de cima, sabe?

    Esse reclama porque a empresa dele é taxada, mas embute isso no preço dos produtos – aquele imposto que mata o resto dos brasileiros – enquanto tem sua renda isenta. Chamam de lucros e dividendos.

    Se você ganha até R$ 1900, como 66% dos brasileiros, não paga imposto de renda. Mas todo o seu dinheiro vai para a subsistência, que é taxada. Absurdamente taxada.

    Sobra nada.

    E ainda usa um serviço público ruim.

    Se você ganha entre R$ 2000 e R$ 6800, como 25% dos brasileiros, pode pagar até 27,5%. E também gasta muito para sobreviver, então paga alto.

    Sobra pouco.

    E não quer usar o serviço público ruim, então sobra menos ainda.

    Bom mesmo é quem ganha muito.

    Mas muito, aquele 1% de cima, sabe?

    Esse reclama porque a empresa dele é taxada, mas embute isso no preço dos produtos – aquele imposto que mata o resto dos brasileiros – enquanto tem sua renda isenta. Chamam de lucros e dividendos.

    Sabe quantos países isentam lucros e dividendos?

    Dois.

    Brasil e Estônia.

    Quando muito, essa galera de cima paga aquela média de 3% sobre o patrimônio, enquanto a média mundial está entre 8% e 12%.

    E aí ficamos discutindo se a CPMF é boa ou ruim.

    E por quê?

    E por quê?

    Porque a galera do meio compra facinho o discurso de que a carga tributária é alta.

    Só que a Suécia tem 7 vezes mais dinheiro por habitante para gastar no serviço público.

    Mas a galera de cima não usa serviço público.

    Ela quer mesmo é pagar ainda menos imposto.

    Então, vende esse discurso para a galera do meio, que passa a querer

    – imposto baixo angolano e

    – serviço público sueco.

    É isso.

    Reflita.

  8. HELDUARD MARKUS DE SOUSA

    Dinheiro que seria retroalimentado na economia, ocasionado pelo seu efeito multiplicador, propiciando mais empregos e renda, gerando assim, benefícios tanto econômicos quantos sociais para todas as classes. Contudo para sustentar a nefasta máquina pública, com gastos cada vez mais ineficientes as custas de um verdadeiro heroi neste país, o empresário.

  9. Esse artigo me lembrou deste trecho “Ainda que não sejam públicas, dado que as montadoras não são nacionais e portanto seus balanços são publicados apenas no exterior, sem fazer distinção entre vendas aqui e nos Estados Unidos por exemplo, estima-se que a média de lucro das companhias aqui instaladas chegue a 10%, contra 2% nos Estados Unidos e 5% na média mundial.Fonte aqui

    Ou seja, o lucro de um país mais livre é de 2%, enquanto um país protecionista como o Brasil é de 10%, o que será que atrapalha os mais pobres? Um capitalismo de livre mercado e livre concorrência ou um capitalismo protecionista? Para muita gente, é mais fácil atacar todo o capitalismo.

  10. Sergio Sienkiewicz

    Uma ideia muito propagada pelas esquerdas é que se o sujeito é rico , se tornou assim porque roubou dos pobres .

    Será ?

    Vamos pegar um dos homens mais ricos da atualidade . O Bill Gates .

    Será que ele fez a sua fortuna recolhendo moedinhas dentro das canecas dos pedintes ?

    Quando o computador engatinhava , eles eram montados em oficinas improvisadas na garagem do papai . O Bill Gates ao invés de se preocupar com o teclado , o monitor ou a caixa do computador , cuidava do sistema operacional , coisa que ninguem vê , mas sem ele nem adianta ligar que não acontece nada . E melhor , o sistema operacional serve para todas as maquinas , diferente de um teclado , uma tela ou uma caixa de plastico que são personalizadas conforme a marca .

    Ao vender disquetes com seu sistema operacional pediu um preço absurdamente caro , mas o mercado podia e queria pagar . O sistema operacional foi ficando melhor e valendo mais. E o mercado reconhecia isto e continuava a pagar .

    Então igual ao caminhão do artigo , muita gente que trabalha em escritorios tem um computador para ajudá-lo , uma evolução incrivel diante das velhas maquinas de escrever e tornou cada um de nós mais produtivo e eficiente , precisando de menos gente para executar o trabalho dentro do escritório , criando a chance de pagar mais pelos empregados mais capacitados . O Bill Gates fez voce ter um salario melhor .

  11. Há uma coisa comum em nações de terceiro mundo: todas elas enxergam o empresário, o empreendedor e o tomador de risco como um sujeito mau. Focam mais no quanto ele ganha do que no quanto ele devolve à comunidade, através da geração de riqueza e empregos.

    Precisamos mudar de vez essa mentalidade. Os empreendedores, dos pequenos comerciantes aos grandes empresários, são aquelas pessoas que arriscam o próprio tempo, saúde, família e capital atrás de um sonho que, muitas vezes, só eles enxergam

  12. Felipe Lange S. B. S.

    Leandro, você poderia me explicar como funcionam as lemon laws nos EUA? Seriam uma espécie de gambiarra legislativa como o Código de Defesa do Consumidor aqui no Brasil que só prejudica as fabricantes e consumidores ou, de fato, garantem o direito à propriedade?

  13. Artigo muito bom, cujo raciocínio e a experiência não têm como serem contestados. Será ótimo o dia em que pudermos defender a redução da tributação sobre os ricos, mesmo que muitas vezes em detrimento de uma defesa da redução da tributação sobre o consumo. Mas a julgar pela atual proposta de reforma tributária, que vai na contramão dessa ideia, esse é claramente um luxo que deve ser deixado para sonhar somente depois.

    Em primeiro lugar, exatamente por não podermos comparar o Brasil com uma Suécia da vida, pode ser que o mix da atual proposta não seja tão deletério. Veja que por exemplo, ela exclui nove impostos, e substitui-os por um Imposto Seletivo e um Imposto sobre Valor Agregado (IVA). O que pode levar a uma leve simplificação tributária.

    Além disso, o discurso é de que não se quer aumentar nem diminuir impostos, mas sim redirecionar a arrecadação para que ela incida mais sobre os que ganham mais e incida menos sobre a população mais pobre, que é mais consumidora e ganha menos. É ruim, mas o histórico dos países escandinavos mostra que foi o justamente o imposto sobre valor agregado (que incide sobre o consumo) o que mais aumentou ao longo do tempo.

    A proposta pretende também acabar com a guerra fiscal entre os estados e municípios. Como é um tema que divide opiniões até entre os liberais, então esse ponto pode agradar a alguns.

    Mas melhor concluindo, liberal no Brasil tem mesmo é que ser indiferente com relação a esse assunto de impostos, e se concentrar na campanha de corte de gastos do governo e na desmistificação da social-democracia. Defender redução de impostos para o “andar de cima” é coisa para liberal — ou quem sabe, social-democrata — de país rico.

  14. E há outros fatores ainda.

    Os super-ricos são capazes de proteger suas fortunas de várias maneiras contra os aumentos de impostos, que acabam atingindo principalmente a “classe” média.

    Os super-ricos podem cortar seus supérfluos que dão empregos a inúmeras pessoas.

    Os aumentos de impostos sobre os super-ricos servem apenas para que pessoas de “classe” média não sejam capazes de crescer e ameaçar suas posições.

    Os aumentos de impostos sobre os super-ricos pouco ajudam os mais pobres com o assistencialismo que financiam, pois a maior parte dessas verbas vai para financiar a estrutura estatal e nem vou falar do abastecimento da corrupção.

    Etc.

    * * *

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