“Trata-se de uma afirmação totalmente
estapafúrdia!”.
É o que você certamente está pensando após ler o
título. Afinal, “políticas que não deram certo” é o tópico principal
de todas as discussões e debates sobre medidas governamentais. Qualquer
indivíduo, independentemente de suas preferências políticas, tem uma lista contendo
aquelas que ele considera serem as mais explicitamente fracassadas políticas
adotadas por um governo.
No entanto, esta maneira de ver as coisas está
completamente errada.
As pessoas dizem que uma determinada política foi um
fracasso porque ela não gerou o objetivo declarado. Por exemplo, políticas
assistencialistas não reduziram a pobreza. Políticas de guerra às drogas não reduziram a criminalidade. Políticas educacionais não melhoraram a educação e nem a qualidade da mão-de-obra. Políticas de
segurança pública não reduziram a violência e não deixaram as pessoas mais
seguras. Políticas protecionistas não estimularam a indústria. Políticas de subsídios
não geraram crescimento econômico. Agências reguladoras não melhoraram a
qualidade dos serviços. Etc.
Qual o grande erro desta análise? Simples: ela levou
a sério os objetivos proclamados de cada política. Ela se esqueceu de que praticamente
tudo o que o governo faz é distribuir benefícios e privilégios para determinados
grupos à custa de toda a população ao mesmo tempo em que engana essa população
dizendo que tal política clientelista será boa para ela própria.
A melhor maneira de entender por que o governo na
realidade possui um histórico quase que impecável de políticas de sucesso é
analisar para onde está indo o dinheiro. “Siga o dinheiro” é a prática que
nunca falha. Sem muita dificuldade, você sempre conseguirá chegar até os
indivíduos e grupos de interesse que verdadeiramente se beneficiam com uma
determinada política.
Toda e qualquer política implantada visa a
beneficiar determinados grupos, sejam eles empresariais, de funcionários
públicos ou de eleitores poderosos. O governo não dá ponto sem nó. Ele sempre
diz que está adotando uma determinada política “para o bem da nação e da
economia como um todo”, mas os reais beneficiados serão apenas alguns
poucos, e sempre à custa de todo o resto. Eis alguns exemplos.
Políticas educacionais são implantadas não para estimular a inteligência e
o raciocínio próprio dos alunos, e nem para criar uma população mais preparada
e qualificada, mas sim para beneficiar os poderosos sindicatos dos professores.
Políticas industriais e
protecionistas são implantadas não para gerar uma indústria nacional
competitiva e pujante, mas sim para garantir uma reserva de mercado para essas indústrias
e proibir os consumidores de comprar produtos bons e baratos do estrangeiro. São políticas que visam a proteger as empresas ineficientes, seus empresários
e seus sindicatos contra as verdadeiras demandas dos consumidores.
Políticas de subsídios e de empréstimos subsidiados não têm como objetivo aumentar a oferta de produtos
bons e baratos para a população, mas sim garantir privilégios e altos lucros
para os amigos do regime.
Políticas assistencialistas
são mantidas e expandidas não para retirar as pessoas da pobreza e torná-las
auto-suficientes, mas sim para manter os pobres na pobreza e com isso garantir
que eles continuarão eternamente dependentes do governo, o que sempre garante
votos.
Agências reguladoras
foram criadas não para proteger os consumidores e garantir bons serviços, mas
sim para impor barreiras à entrada da concorrência no mercado e com isso garantir
um mercado cativo para as empresas já estabelecidas. Os setores bancário, aéreo, telefônico, internet, elétrico, postos de gasolina etc.
são os exemplos mais visíveis de setores em que a livre entrada da concorrência
foi abolida pelas agências reguladoras para proteger as empresas já
estabelecidas e prejudicar a liberdade de escolha dos consumidores.
Universidades
“públicas e gratuitas” foram criadas não para criar uma população altamente
capacitada e produtiva, mas sim para açular a classe média pagadora de
impostos, devolvendo-lhe um pouco de seus impostos.
Subsídios para a cultura
foram criados não para realmente estimular uma suposta “cultura nacional”, mas
sim para obter o apoio da intelectualidade e dos artistas engajados.
Ocasionalmente, os verdadeiros beneficiados não se
beneficiam na forma de um aumento de renda ou de riqueza, mas sim por meio de
outras formas de recompensa. Ainda
assim, o princípio permanece o mesmo.
É
tudo muito explícito
Quando comecei a estudar economia e, em seguida, a
lecionar economia, ainda na década de 1960, aprendi como os mercados e o
sistema de mercado como um todo funcionam. Com esta noção em mente, tornei-me
capaz de identificar vários motivos pelos quais uma determinada política pode
fracassar: ela pode estar baseada em informações incorretas ou insuficientes;
ela pode gerar consequências não-premeditadas; ela pode receber financiamento
inadequado para sua implantação; ela pode estar baseada em uma teoria
equivocada ou em uma interpretação errada de algum fato histórico, e assim por
diante.
Analistas que abordam a questão das políticas
fracassadas exclusivamente de acordo com estas possibilidades podem ficar sossegados,
pois jamais irá lhes faltar material para novas análises. Mais ainda: jamais
haverá escassez de novas medidas a serem propostas para legisladores,
reguladores, políticos e juízes.
Por exemplo, se as políticas fiscais, monetárias e
de subsídios do governo não lograram êxito em gerar crescimento econômico —
porque elas se baseiam em uma teoria macroeconômica equivocada –, então esse
analista irá tentar identificar os possíveis erros nesta teoria e, então, irá
tentar formular uma teoria mais sólida, com base na qual uma nova política mais
bem-sucedida possa ser implantada.
Estas idas e vindas entre remendos teóricos e
avaliações de políticas são ótimas para preencher várias páginas de artigos
acadêmicos.
Porém, tudo isso é uma enorme perda de tempo no que
diz respeito à consecução dos objetivos proclamados, pois estes objetivos
proclamados nunca foram os reais objetivos dos criadores da política em
questão. Eles eram apenas a justificativa apresentada ao público para encobrir
o verdadeiro objetivo: promover o enriquecimento, o engrandecimento e o
favorecimento de indivíduos e grupos de interesse politicamente poderosos e bem
conectados que fizeram o lobby para a criação da política em questão.
Estes indivíduos e grupos de interesse serão aqueles que mais garantirem
doações de campanha, votos para os legisladores e, principalmente, subornos
para políticos. Igualmente, serão aqueles que efetivamente conseguirem ameaçar políticos
com punições tangíveis, como o fim das propinas, o cancelamento de doações
financeiras para a reeleição ou a recomendação para que seus afiliados e demais
membros não mais votem nestes legisladores caso seus interesses não sejam
atendidos.
Conclusão
Várias pessoas, e por uma boa razão, já concluíram
que a melhor maneira de saber se um político ou funcionário público está
mentindo é fazer a seguinte pergunta: “Os lábios dele estão se
movendo?”
Um teste igualmente simples e eficaz pode ser
proposto para determinar se uma política aparentemente fracassada foi na
realidade um sucesso para os manda-chuvas da classe política. Este teste requer
apenas que perguntemos: “Tal política continua vigente?” Se a resposta for sim, podemos estar certos
de que ela continua servindo aos interesses daqueles que realmente são
decisivos em determinar os tipos de política que o governo estabelece e implanta.
Hoje, como ontem, “políticas que não deram
certo” são um mito. Se uma determinada política continua vigorando além do
curto prazo — ainda que tenha sido temporariamente interrompida (porque seus
efeitos nefastos se tornaram muito explícitos) –, esteja certo de que ela
atendeu exatamente aos reais objetivos buscados.
As pessoas que efetivamente comandam o governo,
estejam elas dentro ou fora da máquina estatal, não comandam o governo com o
intuito de dificultar a consecução de seus próprios interesses. Muito pelo
contrário.
Todo o resto do processo político é, como diria
Macbeth, “uma narrativa contada por um idiota [e aumentada por
economistas, advogados, lobistas e relações públicas], cheio de som e de fúria,
não significando nada.”
Texto pequeno, conciso e extremamente contundente. Explica precisamente o porquê de nenhuma política pública jamais servir aos propósitos anunciados. Já comecei a espalhá-lo aos 4 ventos!
Excelente.
Nunca é tarde para as pessoas entenderem os reais objetivos da política.
Faz pouco tempo que vi uma discussão entre amigos do tipo “se o cigarro mata mais que a maconha e cria mais custos médicos, porque um é legalizado e outro proibido?”
O erro FUNDAMENTAL dessas pessoas foi assumir como hipótese que a preocupação do governo é com a saúde da população, com a segurança contra indivíduos violentos, etc.
Partindo dessa hipótese, até faz sentido questionar tal atitude ilógica do governo.
Porém, como bem colocou o texto: o governo não dá ponto sem nó; e por conta dessa hipótese falsa, nunca se chegará à resposta correta.
É preciso esquecer a hipótese que o governo pretende servir à sociedade, e partir da hipótese que o governo pretende parasitar a sociedade, enriquecer seus membros e amigos, manter o controle e poder sobre a população, etc.
Então a pergunta da maconha e cigarro, por exemplo, não pretende mais ser respondida pela via do bem estar da população.
Deve-se perguntar coisas como: como a maconha proibida e o cigarro legalizado/regulamentado servem aos propósitos reais do estado, e que reformas seriam feiras pra servir melhor aos propósitos reais do estado?
Quais reformas fariam mais dinheiro de cidadãos produtivos entrar nos cofres de parasitas que não produziram nada?
Quais reformas tirariam dos cidadãos seus direitos de propriedade e de livre associação para transferir propriedade ao estado, e pra permitir que burocratas e políticos controlem cada vez mais esses direitos mais básicos das pessoas?
Quais reformas enriqueceriam membros do estado, amigos de membros do estado e os que compram membros do estado?
Respondendo essas perguntas, é fácil entender, por exemplo, a política de drogas atual e por que ela é assim. Bem como entender pra onde tendem a ir quaisquer “reformas” que sejam propostas.
Tentando responder a pergunta relativa ao bem estar e saúde da sociedade, só se ouve, no meio do silêncio, alguma voz errada alegando que “o governo falhou nessa política”.
Muito interessante essa abordagem. Eu nunca havia pensado por este aspecto.
Eu assisti uma palestra do Hélio Beltrão e concordei plenamente com ele.
Esse socialismo nutela, que quer colocar bons gestores, é um grande erro.
Já experimentamos isso, com a destruição de coisas que estavam funcionando um pouco melhor.
A melhor prova disso é a Lei de responsabilidade fiscal aprovando déficit primário, metas de inflação desrespeitadas, governo comprando novas empresas, dinheiro sendo criado sem aumento de poupança, preços regulados em concessões, dívidas públicas sendo roladas sem a mínima preocupação com o futuro, aprovacões de aumentos salariais durante crise, etc.
As pessoas insitem em bons gestores, mas sempre vai aparecer um mal gestor ou alguém que quer tirar a pressão das costas.
Isso tudo resulta no que o artigo desmonta. Como qualquer problema é resolvido com destruição e flexibilização de coisas boas, o resultado é a compra de apoio com beneces, arrêgos, bolsas, mamatas,etc.
Em 500 anos de Brasil, eu só conheço uma pessoa que fez alguma coisa radical para mudar a cultura da irresponsabilidade da economia, que foi o Gustavo Franco. O problema é que a realidade apareceu e o povo quis voltar para o mundo da fantasia.
Isso é o que mais é mostrado nas séries televisivas.
Boardwalk Empire fala sobre a máfia do álcool nos EUA na década de 1920, centrado num tesoureiro de Condado de Atlantic.
House of Cards mostra um político democrata que sai de líder da maioria na Câmara dos Deputados e vira presidente por meio de muita politicagem visando a benefícios próprios, como todos fazem.
É um erro achar que políticos querem apenas dinheiro (almejar dinheiro é o objetivo apenas de deputadinhos do segundo escalão do PMDB). Políticos grandes querem poder. Querem se eternizar no poder. E para isso implantem as políticas citadas no artigo.
Quem fica procurando conta bancária em nome de Lula não entendeu absolutamente nada do jogo político. Lula não é um político que tem como objetivo supremo desviar dinheiro pra contas na Suíça. Isso é coisa para Eduardo Cunha e Rodrigo Rocha Loures — desconhecidos sem perspectivas duradouras de poder e que sempre foram do segundo escalão do PMDB.
Na própria House of Cards, nenhum personagem graúdo fala de dinheiro. Todos querem é o poder (e o dinheiro vem naturalmente com o poder). As únicas personagens que só pensam em dinheiro são as prostitutas.
Em Brasília é a mesma coisa.
Os governos e suas leis devem ser rapidamente racionalizadas em BENEFÍCIOS das pessoas(físicas e jurídicas). Mas, isso não pode ser feito(como todos sabem) de forma a desrespeitar os DIREITOS ADQUIRIDOS das pessoas(físicas e jurídicas), pois a função dos governos e das leis é servir as pessoas(físicas e jurídicas) na forma que se legislou, se legisla e se legislará. O Estado de Direito deve penetrar, 100%, nos governos e suas leis. Os governos e suas leis estão sujeitos às pessoas físicas e jurídicas.
A Lei Maria da Penha é um exemplo de desperdício: aumentou a burocracia com intimações, gratificações para os funcionários das varas, para os juízes que atuam nesta vara específica. Aumentou também número de psicólogos do estado a soldo do contribuinte, horas extras para promotores, etc…
As varas de família já existentes poderiam resolver as picuinhas nos processos que as mulheres colocam(80%); e os casos criminais de lesão corporal, poderiam ser julgados por uma vara criminal comum, sem aumento de novas varas, diminuindo gastos…
Muito pertinente.
Política pública eficiente; Livre mercado e reforma tributária.
https://youtu.be/eNQdlABL2aQ
Viu só o cartel das montadoras?
https://www.flatout.com.br/fabricantes-alemas-envolvidas-em-suposto-cartel-ford-podera-ter-injecao-de-agua-no-ecoboost-o-novo-jaguar-xjr575-e-mais/
Nossa…sou advogado…e senti uma espetada aqui…não sei se foi de raiva ou de inveja…
poise bem…vamos lá…
meu primo entrou esse ano na UFRJ, economia, eu porém sou advogado, mas gostaria de perguntar pra vocês economistas…
qual a opinião de vocês sobre a crise de 2008?
aguardo respostas…
http://www.zerohedge.com/news/2017-07-24/shrinkflation-how-food-companies-implement-massive-price-hikes-without-you-ever-noti
O mesmo raciocínio pode ser utilizado com relação ao socialismo.
Socialismo é extremamente bem-sucedido em promover genocídios, escravizar nações inteiras e concentrar poder e riqueza nas mãos de uma elite governante.
O fracasso do socialismo ocorre apenas quando os socialistas não conseguem tomar o poder.
O que motivou a criação dos bancos centrais? Existem países sem BC?
Leandro, por que os banqueiros brasileiros são mais ricos do que os demais? Mesmo considerando toda a regulamentação do setor, ainda assim é espantoso a riqueza desses banqueiros brasileiros, haja vista que em quase todos os países, o setor é bastante regulado, mas ainda sim os banqueiros brasileiros são os mais ricos, como explicar isso?
https://oglobo.globo.com/economia/governo-cria-agencia-reguladora-aumenta-royalties-muda-regras-para-mineracao-21630501
Eis as reais funções das agências reguladoras (mais uma!): extorquir as empresas no curto prazo aumentando a arrecadação do governo, criar mais cargos inúteis ao funcionalismo público, criar e estabilizar cartéis.
A reforma política nunca foi pra frente, porque o voto distrital poderia reduzir muito a ideologia na política.
A eleição com o distritão (grandes regiões) e com voto proporcional(puxadores de votos) virou um zoológico de representantes de classes.
O voto proporcional em distritão transformou a democracia em um antro com verdadeiros zumbis, onde representantes de acéfalos ficam justando votos por uma imensa região em defesa de ideologias, causas, beneces, mamatas, etc.
Alguns chamam o voto distrital de democracia bairrista (democracia de bairo), porque ela colocaria representantes de todas as regiões, reduzindo membros de classes, seitas, tribos, sindicatos, profetas, líderes de militontos, chefes de bandos, etc.
É uma escolha entre representantes de regiões e representantes de classes. Enquanto representantes de classes irão travar verdadeiras guerras ideológicas, representantes de regiões irão defender apenas as suas regiões.
Enfim, alguém precisa acabar com essas guerras ideológicas, que sempre foram usadas para reduzir o poder de indivíduos.
http://www.zerohedge.com/news/2017-07-03/undercover-investigation-exposes-deteriorating-auto-lending-standards-europe-no-job-
O velho erro de acreditar na declaração de intenções das pessoas sem verificar se o contexto e o comportamento delas corrobora essa declaração…
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