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Quando a medicina é estatal, o governo decreta que você deve morrer

Em um sistema de saúde controlado pelo governo, é o
estado quem determina quem pode receber tratamento, como e quando. Isso sempre
foi admitido. No entanto, o que é bem menos discutido é o fato de que, quando
um paciente se encontra dentro de um hospital gerido pelo governo, o estado
pode negar-lhe tratamento — mesmo que este tratamento venha a ser financiado
privadamente.

O sistema judicial do Reino Unido, a pedido dos
burocratas do National
Health Service
(o sistema estatal de saúde do país), sequestrou e assassinou
um bebê de 8 meses. Este odioso ato ocorreu em plena luz do dia, com plena
cobertura da mídia. Pior: o governo britânico e os tribunais do país disseram
que tal ato não apenas era humano, como também representava a coisa certa a ser
feita.

Embora tal narrativa possa parecer uma exagerada hipérbole
(pleonasmo intencional), isso foi exatamente o que aconteceu. No dia 11 de abril
de 2017, os tribunais do Reino Unido determinaram que Charlie Gard, um bebê
sofrendo da síndrome de depleção do DNA
mitocondrial
— uma doença extremamente rara, que reduz a expectativa de
vida para algo entre 3 meses e 12 anos — deveria ter seus aparelhos
imediatamente desligados
e deixado para morrer. Contra o desejo de seus
pais.

O National Health Service (NHS), previsivelmente,
negou o tratamento ao bebê, dizendo que era arriscado demais. O custo do
tratamento, de 1,2 milhão de libras esterlinas (5,2 milhões de reais),
certamente foi um fator decisivo, indicando que a experiência técnica, o conhecimento
e os remédios necessários não estavam disponíveis.

Na maioria dos casos envolvendo serviços médicos estatais,
quando os custos são vultosos, a
decisão judicial é final
. O tratamento médico é negado e o paciente é
rejeitado, sendo deixado à morte. Quando isso ocorre com indivíduos ricos,
sempre há a opção dos tratamentos estrangeiros. Todos os anos, aproximadamente 800
mil pessoas
voam para os EUA, e outras
600 mil
, para Cingapura, à procura de tratamento médico de ponta e de alta
qualidade, o qual não está disponível em nenhum outro lugar. Porém, no caso do
bebê Charlie, o preço de 1,2 milhão de libras estava completamente fora do alcance
de sua família.

Mas foi aí que uma grande característica do livre
mercado — a caridade privada — se manifestou. E de maneira maravilhosa. Após um
mês da negativa do tratamento médico estatal, os pais de Charlie conseguiram,
por meio de uma campanha na internet, arrecadar via doações voluntárias toda a
quantia necessária para o tratamento nos EUA (inclusive a viagem). Em um mundo
normal, este teria sido o final da história. Charlie teria sido levado aos EUA,
recebido seu tratamento médico, e hoje já estaríamos sabendo se sua terrível situação
foi mitigada ou se o tratamento fracassou.

Mas não. O NHS decidiu, por algum motivo obscuro,
interferir no processo. Quando os pais de Charlie tentaram retirá-lo do
tratamento, o hospital Great
Ormond Street
, um hospital infantil gerenciado pelo NHS e localizado na
grande Londres, prontamente recorreu à Suprema Corte para impedir os
pais de fazerem isso. Previsivelmente, como costumam fazer os tribunais
estatais, a Suprema Corte se aliou aos burocratas do NHS e negou aos pais o
direito de buscarem por conta própria um tratamento médico privado.

Pior: a Suprema Corte decretou que
Charlie deveria ter seus aparelhos desligados e ser deixado para morrer.

Apenas para ressaltar, se a família de Charlie fosse
autorizada a buscar um tratamento privado — para o qual ela já havia
conseguido o dinheiro –, não haveria lado ruim. Se o tratamento fracassasse, o
resultado final seria o mesmo, mas os pais ao menos teriam a certeza e o
descanso de saber que fizeram todo o possível. Já se o tratamento fosse
bem-sucedido, ele viveria tempo o bastante para conhecer os pais, interagir com
eles, e ao menos vivenciar algumas alegrias na vida.

É de se imaginar, com algum cinismo, se a Suprema
Corte não teria ordenado a morte de Charlie apenas para evitar o
risco de um constrangimento para o NHS caso o tratamento nos EUA realmente funcionasse.

O que torna este caso tão pavoroso é o fato de que
nenhum membro da família teve qualquer poder na decisão de desligar os
aparelhos. O governo simplesmente sobrepujou a autoridade dos pais e roubou deles
o seu filho. Tendo apenas 8 meses de idade, Charlie não estava em posição de
formular algum desejo ou mesmo de discutir com seus familiares como ele
gostaria de ser tratado.

Eis uma notícia da BBC, de 27 de
junho:

Chris
Gard e Connie Yates [os pais] perderam sua última apelação judicial para poder
levar seu filho para um tratamento nos EUA.

Especialistas
do Hospital Great Ormond Street acreditam que Charlie não tem nenhuma chance de
sobreviver…

Juízes
da Corte Europeia concluíram que Charlie estava “sendo exposto a dores e sofrimentos contínuos” e que ser submetido a um tratamento
experimental “sem grandes chances de sucesso … não lhe traria benefício
nenhum”.

Os
juízes afirmaram que o apelo apresentado pelos pais era “inadmissível” e que a decisão
da corte era “definitiva”.

A
corte “também considerou apropriado abolir a medida interina”, a qual determinava
que Charlie fosse mantido vivo por meio de aparelhos.

O
correspondente da BBC Fergus Walsh disse que os aparelhos de Charlie
provavelmente serão desligados assim que as discussões entre o hospital e sua
família forem encerradas.

Colocando abertamente: em
vez de simplesmente autorizarem seus pais a buscar tratamento médico privado
nos EUA — para o qual já haviam conseguido dinheiro –, os juízes declararam
que a criança deveria morrer.

O estado está exigindo
que a criança seja abandonada à morte porque alguns médicos estatais — nenhum
dos quais tem qualquer parentesco com a criança — querem que assim o seja.

Vale ressaltar que os
pais de Charlie não querem utilizar nenhum recurso — financiado por impostos
— do hospital estatal britânico. Eles simplesmente querem buscar tratamento em
outro país.

Mas o estado diz que isso
não pode.

Conclusão

Estatistas e intervencionistas alegam que, em um
livre mercado, tratamentos médicos seriam desumanos, pois seriam negados aos
mais pobres. O caso de Charlie destrói toda esta falsa imagem. Os elementos do
livre mercado funcionaram exatamente como o esperado, fornecendo a Cherlie todos os recursos existentes para o seu tratamento, mas o governo fez de tudo
— aberta e ativamente — para interferir no processo e garantir a morte do
paciente.

Aqueles que defendem que toda a saúde seja
estatizada — fazendo com que, na melhor das hipóteses, os hospitais operem com
a eficiência de uma repartição pública, sendo igual aos Correios ou ao Detran
— insistem que a medicina estatal seria mais humana. O que estamos vendo, no
entanto, é exatamente o oposto: a medicina estatal não apenas decreta quem vive
e quem morre, como ainda faz um espetáculo público com tudo isso. E com um agravo: a
medicina estatal ainda leva à prática do sequestro infantil e da eutanásia compulsória,
ambas as quais são praticadas para impingir os decretos estatais.

Imagine se um hospital particular fizesse o mesmo
que o hospital estatal e a Suprema Corte do Reino Unido fizeram?

__________________________________________

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também:

Como Mises explicaria a
realidade do SUS?
 

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leis econômicas
 

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91 comentários em “Quando a medicina é estatal, o governo decreta que você deve morrer”

  1. Pe. Paulo Ricardo

    Nesses termos, a diferença entre um cachorro agonizante na rua e uma criança gravemente enferma na clínica pediátrica é meramente circunstancial. O tratamento dispensado a eles, seja pelo veterinário, seja pelo médico, é exatamente o mesmo. Ambos vão morrer porque não servem para mais nada.

    Aliás, é bem possível que em alguns lugares, como no Brasil, por exemplo, os tribunais constranjam o veterinário por certa indelicadeza com o cão (vide o recente caso do ator e chefe de cozinha Rodrigo Hilbert, que está sendo processado por matar uma ovelha e cozinhá-la em rede nacional).

    À vida humana, por sua vez, nenhum valor será dado senão o do utilitarismo.

    padrepauloricardo.org/blog/bebe-e-sentenciado-a-morte-por-tribunal-europeu-dos-direitos-humanos

  2. Affonso Henrique

    Mas nossos “ixpechialistas” já se manifestarem a respeito. E sempre pró-estado, é claro.

    “Para Luciana Dadalto, advogada especialista em saúde, a decisão da Corte Europeia é importantíssima para a discussão da obstinação terapêutica. "É preciso conscientizar as pessoas de que há uma hora para parar e deixar o curso natural da doença. E, especificamente quanto ao caso Charlie Gard, entendo que realmente o melhor para ele é não ser submetido ao tratamento experimental e ter resguardado o direito à morte digna".

    Percebam que a “doutora” sabe exatamente o que é melhor para os outros. Eis o ápice ditadura das boas intenções. “Eu sei o que é melhor para você. E o melhor é que você morra.”

    veja.abril.com.br/saude/pais-passam-os-ultimos-momentos-com-bebe-charlie/

  3. Juízes da Corte Europeia concluíram que Charlie estava “sendo exposto a dores e sofrimentos contínuos” e que ser submetido a um tratamento experimental “sem grandes chances de sucesso … não lhe traria benefício nenhum”.

    Agora meia dúzia de burocratas é que vão definir o quanto uma pessoa está autorizada a sofrer – se passar desse limite, tem que matar.

    O pior é a mentalidade típica do escravinho estatal que concorda com isso, dizendo que a criança não pertence apenas aos pais, mas também ao estado.

    É um nível abjeto de subserviência – as pessoas realmente estão dispostas a conceder a esses parasitas o poder quase divino de decretar quando a sua vida tem que terminar.

  4. Alerson Molotievschi

    Aiaiai…esse assunto é extremamente complexo e delicado para ser retratado dessa maneira infame, na minha humilde opinião.

    Há uma mistura perniciosa de conceitos, idéias e emoções. Lamento ler algo assim aqui.

    Um liberal e, principalmente, um libertário necessita uma imensa bagagem moral e ética para discutir esse assunto.

    Seria necessária outra “classe” de homem; os “excelentes em virtude” de Algernon. É óbvio que os pais devem ter a liberdade de usar os recursos que alcançaram para tratar o filho onde bem queiram tratar, mas para uma condição gravíssima e sem prognóstico como essa, seria “de menos” esperar que do “lado de lá”, dos possíveis “bem-feitores”, dos “médicos americanos” não existam pessoas interessadas apenas nos milhões?

    Pais, familiares, enfim…as pessoas que amam um paciente-familiar…”acabam” se desfazendo de TUDO que podem e não podem para “tentar” de tudo para salvar…mas isso pode ser “usado” exatamente com a finalidade de obtenção desses recursos envolvidos num tratamento de altíssimo custo, mesmo SABENDO que nada, realmente, poderá ser feito para realmente alcançar um resultado melhor que o fim…

    “A Fé implícita pertence aos tolos, a verdade deve ser compreendida pelo exame cuidadoso dos princípios.” (Algernon Sidney)

    Oras, quem aqui usaria um sapato que lhe machuca os pés simplesmente porque o sapateiro disse que foi extremamente bem feito?

    Lamento a forma leviana de abordar assunto tão filosoficamente complexo. Ponto negativo ao site e seus editores.

  5. Isso dá uma boa dica do que ocorrerá quando houver idosos demais para pagar aposentadoria e jovens de menos trabalhando e pagando impostos. As supremas cortes decidirão pelo “bem comum”.

  6. Felipe Lange S. B. S.

    Pessoal, o assunto é um pouco fora do artigo, mas eu quero saber: Há algo a ser aproveitado em Zygmunt Bauman? Meu professor de história (do cursinho) citou-o e deixou implícito a demonização do mercado e o que eu interpreto como materialismo, além de tentar correlacionar isso com o número de depressivos ao redor do mundo que segundo ele é o maior na história¹ e que foi causado na vida das pessoas após a revolução industrial, desse modo por causa do avanço tecnológico (exemplificando as redes sociais).

    ¹ apesar de eu me questionar, visto que a metodologia aplicada em alguma possível pesquisa da qual ele se baseou não é necessariamente a mesma e isso deveria ser comparado, de maneira honesta, à todos os séculos anteriores para se ter comparação e, também deve-se levar em conta que o termo “depressão” pode ter inúmeros significados

  7. Credo, existe coisa mais bizarra que uma população delegar o cuidado de sua própria saúde ao Estado? Como alguém passa sua própria vida para alguém que se demonstra dia após dia cada vez mais ser completamente incompetente e corrupto? Não entendo como tem “gente” que ainda defende esse modelo fracassado.

  8. John Maynard Keynes

    Queria ver se fosse com o filho destes favelados morais. O totalitarismo genocida dos pogreça é doente. Parece que querem superar Hitler.

  9. Henrique Zucatelli

    O caso do menino é apenas a ponta do Iceberg chamado medicina estatal.

    Esse monstro mata milhares de pessoas todos os dias, com quase total aprovação da mídia e da massa alienada, ao negar técnicas experimentais, substâncias consideradas proibidas ou mesmo terapias já comprovadamente funcionais, mas de pouco interesse dos lobbistas que vivem do soldo pago pelos grandes laboratórios.

    Como reverter isso? Sinceramente não sei, pois o paradigma da verdade absoluta dos operadores da medicina torna qualquer outro enfoque em conhecimento apócrifo, ou como eles amam dizer – pseudociência, têm o aval da grande maioria. Para o azar deles. Quem tem recursos recorre ao que for necessário, lícito ou não. Quem não tem, ou como o caso dos pais que caíram na malha fina da Justiça, realmente só resta lamentar e enterrar seu ente querido.

  10. Ex-microempresario

    Bem, SE (grande e maíusculo SE) foi comprovado, dentro dos critérios médicos normalmente aceitos que “Charlie estava “sendo exposto a dores e sofrimentos contínuos”, então tendo a concordar com a decisão. Se o bebê não pode se manifestar, não vejo por que alguém, mesmo sendo o pai ou a mãe, tenha o direito de impor sofrimento a outra pessoa, mesmo que em nome da “preservação da vida”.

    Vida, para mim, pressupõe liberdade. Sofrer imóvel em uma cama enquanto uma máquina empurra ar para dentro dos pulmões e outra força o coração a bater, não é uma vida que eu desejo nem para mim nem para qualquer outro.

    Repito, minha opinião considera que Charlie era capaz de sentir dor, como alegado.

  11. HELIO ANGOTTI NETO

    “Talvez a pergunta que todos devamos fazer seja a seguinte: desde quando viramos objetos de uma tecnocracia impessoal que decide o quanto vale nossa vida ou qual a sua "qualidade"?

    Você quer um Estado que decida que está na hora de você morrer? Para mim, um dos piores pesadelos distópicos possíveis é viver numa sociedade em que a elite tecnocrática de um Estado tirano encontrou meios formais para livrar-se daqueles os quais julga inúteis.

    Até quando você será útil?”

    medicinaefilosofia.blogspot.com.br/2017/07/o-dever-de-matar.html

  12. Se esquerda fosse sinonimo de autoritarismo e Estado de patrimonio coletivo, não haveriam governantes que governam apenas segundo seus interesses patrimoniais, e se o patrimonio é coletivizado com o uso de legitimidade ele não está sendo autoritário, logo assistencialismo e caridade são esquerdistas independente da quantidade de veludo que tu toma para ti.

    Chega de usar falácia relativista e enfiar tudo que não convém a ideologia no conceito de esquerda direita.? Palavras de um amigo meu.

    Mostrar menos

  13. Esse é um típico artigo capaz de separar os meninos dos homens.

    À todos aqueles que defenderam a ação do estado: Vão todos pra PQP!

  14. Parabéns aos burrocratas! Honraram – como sempre – o seu nome!

    Acabaram de decretar a eutanásia obrigatória a todos os menores de idade que tiverem doenças graves que causem dor, e para as quais não haja ainda protocolo de tratamento padrão consagrado.

    Como conseqüência, toda e qualquer tentativa de inovação está proibida nestes casos. A sociedade fica então proibida de encontrar o tratamento!

    É muita burrice!

    Já agora, para completar a lambança, sugiro aos burrocratas que, por coerência, estendam o mesmo raciocínio a todos os “vulneráveis”, incluindo idosos, doentes mentais, pessoas de pouco estudo – enfim: todos aqueles que o estado e a maioria consideram que não têm capacidade de pensar e tomar decisões importantes por si mesmos. Dá para imaginar isso?

    É o fim da picada…

    []s

  15. A morte, pode-se dizer, está no DNA do Estado. Porque nenhuma das invenções que o homem criou até hoje em toda a história matou tanto quanto o Estado. Apesar de não ter mãos e não pensar, este monstro tira a inteligência das pessoas levando-as a se tornarem peões e joguetes. As maiores guerras da história foram feitas entre Estados. Os maiores genocídios foram executados por Estados. É verdade que a morte chega para todos, mas essa Besta disforme chamada Estado faz com que ela chegue mais cedo.

    Ele cria e dá direitos artificiais e nega direitos naturais e universais. Mata idéias genuínas em favor de ideologias repetitivas.

    Cada vez tenho mais nojo deste monstro.

  16. Essas coisas não são novidade nenhum na medicina estatal do Reino Unido.

    Comecem por aqui:

    British Clinic Is Allowed to Deny Medicine

    Depois vão aqui e vejam como a eutanásia compulsória de bebês doentes sempre foi rotineira por lá.

    Now sick babies go on death pathway: Doctor’s haunting testimony reveals how children are put on end-of-life plan

    Sem recursos (que inesperado!), os hospitais do NHS estão simplesmente cortando a alimentação deles, que são deixados à míngua até morrerem.

    Estatistas — que são obcecados com controle populacional — até salivam quando lêem coisas assim.

    E terminem aqui:

    Nearly 1,200 people have starved to death in NHS hospitals because ‘nurses are too busy to feed patients’

    1.200 pessoas morreram de fome nos hospitais estatais do Reino Unido (o National Health Service – NHS) porque as “enfermeiras estavam ocupadas demais para alimentá-las”.

    Como bônus, fiquem com isso (a foto é forte):

    http://www.dailymail.co.uk/news/article-1218927/Plumber-shattered-arm-left-horrifically-bent-shape-operation-cancelled-times.html

  17. Nem consigo imaginar como esses pais devem estar se sentindo. Se algum burocrata do governo me dissesse que eu sou obrigado a deixar meu filho doente morrer e que eu não tenho o direito de tentar fazer alguma coisa para reverter sua doença, nem imagino o que seria capaz de fazer com esse bosta.

    E eu que pensava que coisas como confisco de conta bancária e arresto de bens pela Receita Federal eram o pior que o governo podia fazer com o indivíduo…

  18. ok, quanta abobrinha.

    Engraçado aqui que ninguém mencionou, mas o tal tratamento experimental não foi testado nem em cobaias e o´próprio médico chefe da equipe que conduz os experimento, que queria usar uma cobaia humana e os recursos doas pais, disse que no caso desta criança ela o tratamento (que ainda nem tem testes positivos palpáveis) traria algum benefício.

    Realmente o Estado deve deixar que os pais sejam ludibriados por falsas esperanças e levem o filho para outro pais para ser usado de cobaia, mesmo quando ele sente dor apenas por estra vivo, mas sem conseguir expressar….

    Porque o Estado é mau, óbvio. Sei sei… neste caso o Estado está fazendo exatamente o que deveria, cuidando do interesse de quem não pode se expressar, uma criança com uma doença irreversível, em dor e que mesmo se a doença inicial pudesse ser curada por milagre ainda assim restaria sequelas não menos graves (neurológicas, cegueira, surdez. Mas claro, como foi o Estado mau que decidiu, então está errado e os pais devem ter todo o direito de levar o filho cobaia para as mães de pesquisadores que ganhariam uma cobaia e recursos para testar o que quisessem. Perfeito!!

  19. Ora, vamos lá…

    Não entendi qual o ponto do artigo. Ele realmente afirma que pais possuem direitos absolutos sobre seus filhos, inclusive de lhes impingir sofrimento desnecessário? Pois foi disso que a decisão tratou*.

    Quem já assistiu Coração Valente deve lembrar do povo clamando por misericórdia ao ver William Wallace tendo seu intestino removido. Pois bem, misericórdia, neste caso, não significa libertá-lo, mas sim dar-lhe uma morte rápida e sem sofrimento, ou seja, digna. É o reconhecimento de que há coisas piores que a morte.

    Acredito que seja um ponto unânime entre libertários que eutanásia voluntária de pacientes lúcidos não deva ser ilegal.

    Mas muito mais difícil é se determinar quando, e se, a eutanásia deve ser aplicada no caso de crianças, que não têm a devida capacidade para tomarem tal decisão. Obviamente a decisão deve ser levada a terceiros, sendo os primeiros candidatos, ao meu ver, os pais. Mas teria um pai o direito de aplicar eutanásia mesmo com vários médicos assegurando que a criança pode perfeitamente viver sem dor com sua condição? Ou, de outra maneira, teria um pai o direito de prolongar artificialmente a vida de uma criança, mesmo com vários médicos assegurando que sua condição é dolorosa e irreversível?

    Em ambos os casos, não teria uma corte (pública ou privada) o poder de sobrescrever a decisão dos pais?

    Ao meu ver, esta é a questão fundamental. E, pelo que entendi, é contra isso que o artigo argumenta.

    Ora, ou os pais têm direitos absolutos sobre seus filhos, ou podem ter suas decisões sobrescritas pelo menos em alguns casos.

    No primeiro caso, não seriam as crianças tidas como propriedades dos pais e, portanto, suas escravas?

    No segundo caso, o artigo poderia argumentar como a decisão da corte foi errada e levou (levará) à morte de Charlie, mas não deveria argumentar se a corte tem ou não a legitimidade de sobrescrever a decisão dos pais em alguns casos.

    *Lendo a transcrição do julgamento de 11 de abril, entendi que Charlie apresentava dano cerebral severo e irreversível — estado vegetativo? — e, portanto, mesmo que o tratamento contra sua doença, MDDS, obtivesse êxito, isto em nada melhoraria seu estado cerebral, mas apenas lhe causaria dor. Por isso as decisões em não prolongar seu sofrimento.

    Ao escrever que “O NHS decidiu, por algum motivo obscuro, interferir no processo”, o autor deixa explícito que sequer procurou se informar da razão pela qual todos os envolvidos optaram pela decisão tomada, inclusive os médicos ingleses envolvidos e os médicos espanhóis consultados.

    PS – antes que algum cretino venha me chamar de eugenista, blá, blá, blá, meu ponto fundamental é: deve um pai ter direito absoluto sobre seu filho, sem que alguma corte — pública ou privada — possa sobrescrever suas decisões?

  20. Por outro lado deve ser horrível estar morto em vida.

    Quando minha avó ficou muito doente no mesmo quarto estavam várias outra velhinhas já a 10, 15 anos em estado semi vegetativo e muitas delas implorando para morrer já que nem os parentes iam mais visita-las. O dia delas era praticamente gemer de dor o dia inteiro, já que não podiam se alimentar, sair da cama, falar, respirar, com tubo na sua garganta, soro no seu braço, usando frauda.

    Teve um dia que uma delas quase morreu e uma mulher chamou os médicos que conseguiram salva-la, mas quem disse que a velha estava feliz em ser salva.

  21. “Quando a medicina é estatal, o governo decreta que você deve morrer

    Na Grã-Bretanha, o governo estipulou que um bebê deveria morrer em vez de receber tratamento privado”

    Quem determinou foi o Supremo Tribunal e não o governo. Ao contrário daqui, o supremo tribunal do Reino Unido é independente do governo. E também há que lembrar que a política vigente no Reino Unido é direita e extrema direita.

    Infelizmente a mídia deste país vive politizando o que se passa mundo afora e não olha para o seu umbigo, isto é, não olha para a mortandade infantil que o Estado brasileiro produz neste país, com a falta de medicamentos, com falta de cuidados de saúde profissional, com falta de qualidade dos hospitais, com a fome que grassa neste País.

  22. Como os libertáris lidariam com a questão da vacinação, que só podem funcionar quando a maioria da população é vacinada..

    Me parece um caso claro de tragédia dos comuns, o seu interesse pessoal de não se vacinar afetar a sociedade. Pra mim, isso só é resolvido por meio de uma lei obrigando a pessoa a se vacinar.

    http://www.independent.co.uk/news/world/europe/france-vaccination-mandatory-2018-next-year-children-health-measles-dying-anti-vaxxers-edouard-a7824246.html

    Tinha tantos pais idiotas na frança negando vacinas aos seus filhos, que já tava virando caso de saúde publica, e precisaram criar uma lei para eles vacinarem seus filhos.

    Intromissão do estado na propriedade alheia ou defesa da propriedade alheia? Se vc considerar como uma tragédia dos comuns, me parece o mesmo problema da poluição..

    Como os libertários resolveriam o problema da tragédia dos comuns na questão atmosférica(a atmosfera terrestre nao pode ter dono), e na questão da vacinação?

  23. Parabéns aos burrocratas! Honraram – como sempre – o seu nome!

    Acabaram de decretar a eutanásia obrigatória a todos os menores de idade que tiverem doenças graves que causem dor, e para as quais não haja ainda protocolo de tratamento padrão consagrado.

    Como conseqüência, toda e qualquer tentativa de inovação está proibida nestes casos. A sociedade fica então proibida de encontrar o tratamento!

    É muita burrice!

    Já agora, para completar a lambança, sugiro aos burrocratas que, por coerência, estendam o mesmo raciocínio a todos os “vulneráveis”, incluindo idosos, doentes mentais, pessoas de pouco estudo – enfim: todos aqueles que o estado e a maioria consideram que não têm capacidade de pensar e tomar decisões importantes por si mesmos. Dá para imaginar isso?

    E ainda alguns “libertários” apoiam ou ficam em cima do muro. É o fim da picada…

  24. “Charlie Gard ficou preso na Inglaterra, mesmo seus pais tendo conseguindo arrecadar 1,2 milhões de libras esterlinas (cerca de 4,5 milhões de reais) para um tratamento experimental na América. O tratamento tinha um percentual de recuperação de 10%, o que é altíssimo para tratamentos experimentais. Mesmo assim, a Justiça inglesa sentenciou que os aparelhos que mantinham o bebê vivo deveriam ser desligados.

    Na semana passada, um médico americano que conhece o tratamento, o dr. Michio Hirano, afirmou que Charlie Gard tinha entre 11% e 59% de recuperação. Mas com o impedimento da Justiça inglesa, o bebê foi sofrendo danos cerebrais até que seus pais desistiram da batalha judicial.”

    En garde por Charlie Gard

    Charlie Gard: Justiça inglesa sentencia bebê à morte, mesmo com arrecadação para tratamento

    Pais de Charlie Gard desistem da luta pela vida do bebê

    Bebê Charlie Gard morre na Inglaterra

    New York Times chama Charlie Gard de "o bebê britânico incuravelmente doente"

    * * *

  25. Rodolpho Pueyrredón Morethson Ferreira

    Olá Pessoal do Mises. Os links da seção ‘Leia também’ estão quebrados e não levam para os artigos correspondentes

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