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O mito do “milagre econômico de esquerda” em Portugal

Nota do Editor (11/04/2018):

O otimismo com Portugal voltou a ocupar as
manchetes.

Eis alguns trechos de uma recente reportagem
do jornal El País (negritos meus):

Esquerda
portuguesa encontra a fórmula do sucesso econômico

País lusitano, que fez os ajustes mais duros durante
a crise na Europa, encontra um caminho para combinar crescimento e uma
progressiva recuperação do bem-estar social

“Pela primeira vez desde a adesão ao euro, Portugal
cresce acima da média da União Europeia”. O Parlamento Europeu escutou há
algumas semanas o primeiro-ministro português, o socialista António Costa,
contar a fórmula do sucesso de sua política econômica. “Definimos uma alternativa
à política de austeridade centrada em mais crescimento, mais e melhor emprego e
mais igualdade”, explicou Costa. […]

Portugal fechou 2017 com um crescimento de 2,7% (o
maior do século); mas não só isso. O déficit, acima de 3% há dois anos, é de 1,1%
e no próximo ano será de 0,3%.

A presidenta do Conselho das Finanças Públicas,
Teodora Cardoso, nem um pouco dada a elogiar governos, reconhece “uma evolução
muito favorável do saldo orçamentário que nós, pouco tempo atrás,
consideraríamos impossível”.

“Portugal não só cresce como nunca nesse século,
como cresce bem”, diz o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral. “E não por um aumento de gasto público; vem
das exportações, com um aumento de 11,7%. O investimento subiu 9%,
especialmente o privado e o estrangeiro
“. Também ajudou muito o espetacular
aumento do turismo: no ano passado, o pais superou seu recorde de visitantes,
com 20 milhões, quase o dobro da população portuguesa.[…]

[Segundo o Ministro da Economia Caldeira Cabral]: “O
que acontece é que nossas reformas são diferentes. […] Nossas reformas, que
estão reduzindo o déficit e a dívida, se dirigem à modernização do país. […]
O Simplex é uma das bandeiras do Governo: a eliminação de burocracias e a anulação de milhares de leis, normas e
decretos obsoletos e contraditórios. “Antes de abrir uma empresa era necessário
conseguir 11 licenças ambientais, agora uma basta
“, diz o ministro.

Como mostra o artigo abaixo — publicado originalmente em junho de 2017, e agora com dados e gráficos atualizados –, as causas do
crescimento econômico de Portugal se deveram à adoção de políticas econômicas que, ao
menos em tese, contrariam as principais crenças da esquerda.

______________________________________

De
21 de junho de 2011 a 26 de novembro de 2015, Portugal foi governado pelo
primeiro-ministro Pedro
Passos Coelho
, do Partido Social-Democrata. Em Portugal, o Partido
Social-Democrata é considerado de direita.

Sob
os social-democratas, políticas de austeridade — no caso, corte de gastos e
aumento de impostos — foram implantadas. Vários indicadores melhoraram, sendo
o principal deles a forte queda nas taxas de juros de longo prazo, que
desabaram de astronômicos 15% para irrisório 1,72%
.

A
economia, após três anos de recessão — 2011, 2012 e 2013 — voltou
a crescer a partir de 2014, e cada vez mais aceleradamente
.

No
dia 26 de novembro de 2015, António Luís Santos da Costa, do Partido Socialista, se
tornou o novo primeiro-ministro. Desde então, ele se tornou o novo — e único —
bibelô
das esquerdas mundiais
, que não se cansam de repetir
que a atual coalizão de esquerda que governa Portugal está obtendo resultados
espetaculares
em termos de crescimento econômico, criação de emprego e redução
do déficit fiscal após haver abandonado a
insuportável austeridade imposta pela Troika
(Comissão Europeia, Banco
Central Europeu e FMI).

Qual
o problema com esta narrativa? Simples: ela é completamente mentirosa. O atual
governo de esquerda de Portugal não só não abandonou as políticas de austeridade,
como ainda as aprofundou em alguns aspectos.

Portugal, mais austeridade que na
Espanha

Como
dito, a coalizão de esquerda liderada por António Costa começou a governar Portugal
em 26 de novembro de 2015. Para agradar à sua base eleitoral, suas primeiras
medidas realmente implicaram a reversão de algumas reformas recomendadas pela
Troika: a jornada de trabalho dos funcionários públicos foi reduzida de volta
para 35 horas semanais [quando funcionários públicos trabalham menos, a
economia produz mais], as aposentadorias voltaram a ser reajustadas pelo índice
de preços, algumas privatizações foram paralisadas e o salário mínimo foi
aumentado em 5% em 2016 e mais 5% em 2017 (o atual e já reajustado salário mínimo
português, de 676 euros, é 21% menor que o espanhol).


que nada disso significa uma reversão das políticas de austeridade.

Para
começar, os gastos públicos do governo português encolheram nada menos que 9% sob
o governo de Passos Coelho, de 2010 ao final de 2015. A partir de 2016, já sob António
Costa, mantiveram-se absolutamente estáveis (e isso em termos nominais; mas dado que a inflação de preços foi de 2%, então houve uma redução de gastos em termos reais).

portugal-government-spending.png

Gráfico
1: evolução dos gastos governamentais em Portugal

Vale ressaltar: não foi uma mera “redução na taxa de
crescimento”, como fazem em vários outros países. Foi corte de gastos, mesmo. Se um corte de 9% nos gastos do governo não
é mais considerado austeridade, então a esquerda ficou moderada.

Como consequência deste brutal corte de gastos, o
déficit do governo, que estava em astronômicos 11,1% do PIB, caiu para míseros 4,4%
do PIB sob Passos Coelho. Já o socialista António Costa aprofundou ainda mais a
redução do déficit, levando-o para míseros 2% em 2016 e 3% em 2017.

portugal-government-budget.png

Gráfico
2: evolução do déficit público em Portugal

Vale ressaltar que este déficit de 3% em 2017 se deveu a uma recapitalização do banco estatal Caixa Geral de Depósitos; sem esse recapitalização, o déficit seria de 0,9%, um valor impressionante.

Em decorrência da redução dos gastos do governo e do
acentuado encolhimento dos déficits, as taxas de juros de longo prazo
(determinadas pelo mercado e essenciais para que haja investimentos produtivos
em vez de especulativos) desabaram:

historical.png

Gráfico
3: evolução dos juros dos títulos de 10 anos em Portugal

Para
efeitos comparativos, peguemos um país semelhante: a Espanha.

Durante
este mesmo período, o governo espanhol cortou gastos até o final de 2012, voltando
a aumentá-los a partir dali. Do início de 2013 até hoje, o governo espanhol —
sob o comando do “direitista” Mariano Rajoy — já aumentou seus gastos em quase 15%.

spain-government-spending.png

Gráfico
4: evolução dos gastos governamentais na Espanha

 

O
déficit do governo espanhol também caiu, mas bem menos que o do governo
português (ainda não há dados para 2017).

spain-government-budget.png

Gráfico
5: evolução do déficit público na Espanha

 

Como
consequência, os juros de longo prazo da Espanha — um país muito mais rico que
Portugal — é apenas 0,50 ponto percentual menor, sendo que sua queda também foi
bem menos acentuada.

historical (1).png

Gráfico
6: evolução dos juros dos títulos de 10 anos na Espanha

Consequentemente,
quando se afirma — corretamente — que Portugal reduziu, em 2016, seu déficit público
para menos que 3% pela primeira vez desde a crise econômica de 2008 (gráfico
2), vale ressaltar que isso ocorreu inteiramente por meio do corte de gastos.

Em
2015, o gasto público de todos os níveis de governo de Portugal foi de 48,3% do
PIB ao passo que as receitas totais foram de 44% do PIB. Resultado: um déficit equivalente
a 4,4% do PIB (déficit este que já era substantivamente menor que o de 7,2% de
2014). Em 2016, sob o governo socialista, as receitas do governo caíram de 44% do PIB para 43,1%, de modo
que todo o ajuste, em 2016, se deu por meio do gasto, o qual caiu de 48,3% do
PIB para 45,1% do PIB.

portugal-government-spending-to-gdp.png

Gráfico
7: gastos governamentais em Portugal (todos os níveis de governo) em relação ao
PIB (ainda não há dados para 2017)

Um
gasto público de 45,1% do PIB é o nível mais baixo desde 2007.

Ou
seja, o “superkeynesiano” e “anti-austeridade” governo de esquerda de Portugal reduziu o tamanho do setor estatal em relação
à economia portuguesa ao nível mais baixo em uma década.

Entendido
tudo isso, a única argumentação possível seria dizer que esta grande contenção do
gasto público não afetou o dinamismo da economia porque o governo luso sabe da importância
de se impulsionar a recuperação econômica com aumentos do investimento público.
Mas nem isso: o investimento público em Portugal caiu sob o governo socialista.
Foi de 2,3% do PIB em 2015 para 1,5% do PIB em 2016, o nível mais baixo desde
1995 (início da série histórica). Com efeito, o investimento público em
Portugal, em 2016, foi menor que o espanhol.

investimentopublico.png

Gráfico
8: taxa de investimentos públicos em relação em PIB em Portugal (linha
vermelha) e na Espanha (linha preta)

Em
definitivo, o governo português “de esquerda” simplesmente manteve e, em alguns
casos, até mesmo aprofundou em 2016 a austeridade de seu antecessor Pedro
Passos Coelho.

Por
que então este governo está sendo louvado pela esquerda como “anti-austeridade”?
Majoritariamente, por causa da retórica: havia alguns cortes de gastos adicionais
programados pelo governo Passos Coelho que o atual governo não implantou (em
cujo caso a austeridade seria ainda maior). Mas isso de modo algum significa uma “rebeldia
anti-austeridade”.

No
mais, o número de pessoas empregadas já vinha crescendo desde 2013. portugal-employed-persons.png

Gráfico
9: evolução no número de pessoas empregadas em Portugal

Ao que se deve aquela forte alta em 2017? Fácil. Com as reformas já consolidadas (e as taxas de juros de longo prazo em queda), e vendo que o atual governo socialista manteria a agenda anterior, a confiança dos investidores aumentou, e a taxa de investimento explodiu. 

portugal-gross-fixed-capital-formation.png

Gráfico 10: evolução da formação bruta de capital fixo em Portugal

Consequentemente, os empregos se intensificaram.

O número de desempregados também já vinha caindo continuamente desde 2013.

portugal-unemployed-persons.png

Gráfico 11: evolução no número de pessoas desempregadas
em Portugal

Finalmente, o ritmo de queda do desemprego apenas
manteve a tendência já iniciada em 2013.

portugal-unemployment-rate.png

Gráfico 12: evolução da taxa de
desemprego em Portugal

Conclusão

Definitivamente, Portugal não é nenhum exemplo de
políticas anti-austeridade e de rebeldia à Troika.

Que a esquerda esteja recorrendo a Portugal como
exemplo prático de sua agenda econômica é um grande mistério.

É claro que o atual governo pode realmente vir a adotar,
no futuro, uma agenda econômica realmente de esquerda, passando a aumentar os
gastos e o intervencionismo. Isso é algo impossível de prever. Porém, até
agora, isso não foi feito.

O que é certo é que, até o momento, utilizar Portugal como exemplo de êxito de políticas anti-austeridade e expansionistas de
esquerda é uma grande burla intelectual.

____________________________________________

Leia também:

O exemplo irlandês – como a redução dos gastos do governo impulsionou o crescimento da economia

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80 comentários em “O mito do “milagre econômico de esquerda” em Portugal”

  1. é interessante a situação na grécia: o partido de esquerda radical (no próprio nome) fez mais austeridade do que qualquer governo anterior.

    um jornal português tinha comentado o porquê disso: com o controle que eles tem dos sindicatos, mídia, ong’s, etc eles conseguem fazer frear quaisquer manifestações mais radicais contra si.

    isso se vê em outros países também, claro hehehe

  2. Quando a realidade econômica aperta, não há ideologia que resista.

    Acredito que a Grécia, mais cedo ou mais tarde, irá fazer a mesma coisa.

  3. Tudo isso apenas ajuda a comprovar aquilo que foi dito neste artigo:

    Governos de esquerda que adotam reformas liberais

    Reformas impopulares — mesmo que seja apenas a manutenção delas — só conseguem prosperar tranquilamente em governos de esquerda, pois estes não sofrem oposição nem de sindicatos, nem de funcionários públicos e nem da mídia progressista. Ao contrário, aliás: até conseguem ganhar o apoio destas.

  4. Helder Ferreira

    Também há que levar em conta a teoria dos ciclos, que ajuda a explicar este crescimento económico e a queda do desemprego.

    Em situações de recessão e de austeridade (quando a política orçamental é pro-cíclica, ao invés de anti-cíclica, como deveria acontecer), há por norma uma reorientação dos fatores produtivos para setores onde haja mais vantagens comparativas, designadamente em bens transacionáveis. Que foi o que aconteceu: gerou-se desemprego, por força de crescimento económico negativo, e houve uma parte dessa massa empregada que deslocou para outros setores, maioritariamente exportadores.

    Com a recuperação da procura externa (que é, regra geral, o primeiro passo para a recuperação), o setor exportador acaba por prosperar e assim cresce o país.

    Com o tempo, devido ao lag temporal que as variáveis macroeconómicas, como o desemprego, levam a reagir aos efeitos positivos, a economia acaba por crescer.

    Porém, olhando para os ciclos económicos, verifica-se que este CE tem uma grande componente de variabilidade conjuntural, designadamente um grande crescimento do emprego, que tem sido o principal motor do crescimento do PIB. Ou seja, não há uma alteração das condições fundamentais da economia portuguesa, como uma melhoria da produtividade. Há sim algumas reformas feitas no mercado laboral, no sentido de o flexibilizar, que continuam a dar sinais de terem sido bem feitas.

    E assim cresce Portugal, com uns a reclamar a si os louros do trabalho desenvolvido por outros, ignorando que está quase tudo igual e que se desaproveitou o tempo de política monetária acomodatícia do BCE, que devia servir essencialmente para reformar PT a sério, ao invés de se cometer os mesmos erros de antes.

  5. Andre Cavalcante

    Só uma dúvida? Como é possível uma inflação em euros em Portugal? Há um BC local que cria euros? De onde vem a inflação em Portugal?

  6. António Coutinho

    Cá em Portugal tanto reclamavam contra as medidas do governo anterior mas acabaram por manter uma grande parte delas, incluindo a reforma do mercado de trabalho, feita em 2012 (no sentido da liberalização)

  7. Prefiro Zurique

    Off

    Bom dia, tarde ou noite, a todos do IMB. Desculpem-me a ignorância, mas o que são os Acordos da Basiléia e quais são seus efeitos? Por que eles são tão ruins?

  8. Meu professor disse que a Grécia ainda está em crise porque aplicou austeridade e que a Islândia saiu rápido da crise com intervenção estatal na economia.

    Um amigo meu de esquerda também me mandou isso: brasil.elpais.com/brasil/2015/02/18/economia/1424281414_946592.html

    Qual o erro nesses argumentos de esquerda?

    Agradeço se o Leandro ou qualquer um que saiba puder responder.

  9. Excelente artigo. Uma correcção vinda de Portugal: o défice de 2015 foi de 4,4% porque o governo das esquerdas, em Dezembro, estoirou quase 3 mil milhões para salvar um banco privado, recusando investimento privado. Ficará como dívida futura para o Estado. A Comissão Europeia (que está com problemas relacionados com o Brexit, terrorismo ou imigração) tem permitido e sustentado tudo e mais alguma coisa a Portugal, porque não pode arranjar aqui mais um problema, por enquanto.

    Se forem estudar os indicadores como a produtividade (a descer) e a dívida pública (a subir a olhos vistos) perceberão como eles estão a hipotecar as contas futuras do país e a aproximar-se da quarta bancarrota (até agora, desde 1974, três bancarrota nacionais, sempre com os socialistas no poder). Enquanto isso, os transportes estão cada vez pior e os preços dos bens a aumentar. Apenas há dinheiro para sindicatos e clientela deste governo, que eram quem estava sempre na rua em manifestações.

    A imprensa portuguesa esconde-o porque tradicionalmente é de esquerda (para viver nas saias do Estado, ou seja, dinheiro dos contribuintes) e têm que aguentar este governo até 2018, quando será nomeado um novo Procurador-Geral da República. A actual, nomeada por Passos Coelho em 2012, tem promovido a investigação de casos de corrupção. Com os anteriores, os processos eram bloqueados e os corruptos (maioritariamente de esquerda) ficavam impunes…

  10. http://www.jornaldenegocios.pt/economia/financas-publicas/detalhe/divida-publica-sobe-para-2474-mil-milhoes-de-euros-em-abril

    O BCE está ativo no mercado, sem esta liquidez muitos países estariam com grande dificuldade, com estado, famílias e empresas altamente endividados, isto sem contar a taxa de juro 0%.

    O BCE aceita dívida portuguesa, porque tem uma agência de rating chamada DBRS que mantém o país acima de lixo.

    Esta semana tivemos um evento importante, o Santander comprou o Banco Popular (era o sexto maior da Espanha) por 1€, sim UM EURO, segundo o BCE o banco estava com problemas, então está foi a melhor opção e foi um “sucesso”, uma venda relâmpago, tem um artigo interessante no zerohedge ,

    http://www.zerohedge.com/news/2017-06-08/how-bail-out-becomes-bail

    Com os chamados “estímulos” tudo vai sendo mascarado, algumas cidades são literalmente um canteiro de obras, logo terão muitas inaugurações para a massa ficar distraída…

    Quando os “estímulos” forem retirados, vamos ver qual a rentabilidade das megalomanias.

  11. Poderiam me explicar em que sentido foi utilizado a frase “a jornada de trabalho dos funcionários públicos foi reduzida de volta para 35 horas semanais [quando funcionários públicos trabalham menos, a economia produz mais]”?

    Concordo que o governo não produz nada de bom, mas uma redução na jornada de trabalho não iria atravancar ainda mais o sistema? Por exemplo, imagina como seria o Brasil se os cartórios funcionassem só das 9h às 12h?

    Ou, no caso, a redução da carga de trabalho veio acompanhada de redução de salário (deixando mais dinheiro disponível para os setores produtivos da economia?)

  12. Acho que vou fundar um partido de esquerda, com o símbolo da estrelinha vermelha e quando chegar ao poder vou implementar um livre-mercado e corte severo de gastos.

    Assim a mídia vai puxar meu saco, vou atrair apoio dos esquerdistas das universidades e os sindicatos não vão encher meu saco com a demissão de funcionários públicos.

  13. Não entendi o seguinte trecho:

    “a jornada de trabalho dos funcionários públicos foi reduzida de volta para 35 horas semanais [quando funcionários públicos trabalham menos, a economia produz mais],”

    Diminuição de carga horária de servidores seja por diminuir salário ou diminuir burocracia melhora a economia. Mas o texto não deixou claro a que se refere, e em alguns casos diminuir funcionalismo não diminui, antes aumenta a burocracia, pois ela se acumula. Afinal, o que reduz burocracia são leis menos burocráticas, se mantivermos as leis atuais e diminuirmos a jornada de trabalho, o serviço se acumulará, vide o judiciário brasileiro, que está sobrecarregado seja por excesso de leis e burocracia seja pela consequência disso, a falta de mão de obra para acompanhar toda essa quantidade de leis.

    Então prá mim esse ponto está nebuloso. Se alguém puder me ajudar…

    Obrigado.

  14. “Que a esquerda esteja recorrendo a Portugal como exemplo prático de sua agenda econômica é um grande mistério.”

    Discordo que seja um grande mistério: dizer isso e fazer aquilo faz parte integrante do modus operandi da esquerda. A única dúvida é o quanto desse discurso é autoengano e o quanto dele é ludibriação.

    Resposta: quanto mais alto na hierarquia esquerdista um militante está, menor o seu grau de autoengano e maior o grau de mentira profissional.

    * * *

  15. Alguns dos doutos comentadores aqui vive em Portugal para testemunhar o que realmente se passa na primeira pessoa? Algum douto comentador vai negar que foram devolvidos os impostos extraordinarios cobrados pelos fascistas aos trabalhadores portugueses?

    Pois vou contar um segredo, eu TRABALHO em Portugal, e o novo governo fez com que grande parte do meu salario deixasse de SER ROUBADO..!

    Ide mas é trabalhar e deixar de escrever MENTIRAS!

    MENTIROSOS! ALDRABÕES!

  16. Ajuda off topic. Como posso contra-argumentar essa frase?:

    “Olha as taxas de juros que o mercado aplica livremente aqui no Brasil… E olha que a Selic tenta regular isso.”

  17. Alyson Vasconcelos

    Não é muito diferente do que já tivemos aqui no Brasil, guardadas as devidas proporções. Tivemos boas politícas implementadas pela equipe do FHC em seu primeiro governo, uma certa manutenção no segundo. Quando veio os governos petistas, surfaram na onda, fizeram festa, mudaram a narrativa, até que o dinheiro e os efeitos acabaram eo Brasil se afundou mais na merda.

    Não algo mais ou menos assim?

  18. Os governos de esquerda só têm sucesso em têm duas situações : quando se aproveitam da riqueza acumulada durante os governos da direita; ou quando simplesmente governam segundo a direita, conforme aconteceu com Portugal.

  19. Pode ser uma cilada: um governo de esquerda adota certas práticas liberais, obtém resultados relativamente bons e daí os esquerdistas o apontam como exemplo de como o socialismo pode funcionar; muitos acreditam e eles obtêm mais poder.

    * * *

  20. MARCOFABIANO CAMEJO DE ARAUJO

    Prezados, desculpe estar perguntando isso apenas agora: Pergunto-lhes: Qual a intenção de vocês?? tornar o mundo um lugar onde as pessoas possam trabalhar, progredir e ter uma vida confortável ou tornar o mundo um lugar onde as pessoas possam trabalhar, progredir e ter uma vida confortável com um governo declaradamente liberal??

    Eu sou uma pessoa simpática às bandeiras da esquerda, entretanto se um governo tornar os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez menos pobres ou manter os ricos e os pobres menos pobres pouco me importa se ele seja vermelho, azul, direita ou esquerda.

    Logo, questiono-lhes: se um governo como o de portugal se proclama de esquerda e está usando práticas liberais e está conseguindo sucesso…ora, que bom….ou não vale por que é de esquerda??

  21. “quando funcionários públicos trabalham menos, a economia produz mais”

    Gostaria de me informar sobre a fonte dessa afirmação. Achei o conceito interessante, mas numa rápida pesquisa não encontrei nenhum tipo de trabalho acadêmico que comprove isso.

  22. Esse era o histórico inflacionário de Portugal com o escudo. Em muitos anos, com padrão de inflação argentino. Só depois de 1984 é que o índice de preços passou a ser controlado (provavelmente porque entrou na Comunidade Econômica Europeia). No ano passado o país teve deflação. O funcionamento de estados sob a UE é parecido com as federações em relação à Brasília: os estados não podem emitir dívidas e nem imprimir dinheiro. Podem até ser socorridos, mas pode haver algumas imposições por parte da entidade central. Alguém aqui já imaginou se ainda tivéssemos bancos estaduais sendo socorridos pelo BCB, ainda mais no ano passado? Seria uma farra total e com direito à hiperinflação. O “Covidão” seria fichinha perto disso.

    PS: Talvez fosse o Brasil ainda colônia de Portugal, estaríamos usando o euro e tendo tarifas de importação (bem) mais baixas.

  23. Atualizando alguns dados sobre o país..

    – Déficit nominal ficou em 5,7 % do PIB em 2020;

    – Mais meses com deflação de preços;

    – Poucas alterações nos gastos governamentais, sem nenhuma grande explosão nas despesas;

    – Taxa de desemprego já está melhor que no Brasil… 7,1 % no quarto trimestre do ano passado;

    Se ainda estivessem com o escudo, dificilmente fariam essas reformas. Continuariam inflacionando a moeda e empurrando o problema com a barriga. Tem como trocar Brasília por Lisboa?

  24. No Brasil enquanto isso.

    Do começo dos anos 2000 até o ”golpe” de 2016…

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/10/brasil-e-o-pais-que-mais-expandiu-gasto-publico-em-uma-decada.shtml

    De 2018 em diante, até chegar nessa situação.

    http://www.biznews.com.br/gastos-livres-do-governo-caem-ao-menor-patamar-da-historia-e-ameacam-servicos-publicos/

    É pragmatismo, o dinheiro não leva desaforo.

    Expandiu gasto público e endividou o país, uma hora a conta chega e no caso brasileiro, a recessão de 2014-2016 mostra que chegou pesado.

  25. Confesso que estava interessado em saber onde foi que a esquerda errou em Portugal..

    Mas parei de ler na citação do artigo, quando apareceu “A presidenta do Conselho das Finanças Públicas…”.

    Esse povo é o mesmo, onde quer que seja…

    E os errados e retrógrados somos nós.

  26. Pela primeira vez em toda a história do ranking da Heritage Foundation (em 28 anos), Portugal agora está entre as 34 economias mais livres do mundo. Uruguai está pelo mesmo caminho.

    Alguém acha que Portugal estaria melhor se tivesse ainda o escudo português?

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