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O empreendedorismo não é “destruição criativa”, mas sim produção criativa

Havia uma doutrina sobre destruição criativa no
século XIX. O rival de Karl Marx, o anarco-comunista Michael
Bakunin, era o grande propagandista. Ele era um revolucionário. De um lado, ele
via a violência operária contra o estado como algo produtivo. De outro, ele
também era hostil ao livre mercado. Bakunin era tão hostil ao livre mercado
quanto ao estado.

Ele jamais descreveu como uma economia baseada na
divisão do trabalho poderia funcionar sem o processo de mercado — e seu livre
sistema de preços — para guiar a alocação racional dos recursos. E ele também
jamais descreveu como essa mesma economia sem mercado funcionaria sem o
planejamento central feito por burocratas estatais.

Ele simplesmente defendia uma ideia impraticável,
sem jamais se dar ao trabalho de explicar — mesmo que minimamente — como ela
funcionaria. Marx também nunca o fez. Ele jamais descreveu como funcionaria sua
supostamente inevitável ordem social suprema, o comunismo
. Ambos eram apenas
revolucionários sem idéias.

A frase “destruição criativa” foi popularizada pelo
economista Joseph Schumpeter. Schumpeter era austríaco, mas não era membro da
Escola Austríaca de pensamento econômico. Ele foi contemporâneo de Ludwig von
Mises. Ambos estudaram economia na Universidade de Viena. 

Schumpeter descreveu
o empreendedor em uma sociedade capitalista como sendo uma força criativa na
sociedade. Não havia nada de novo nesta constatação. Os economistas seguidores
da Escola Austríaca há muito já haviam descrito o empreendedor nestes termos,
inclusive Mises.

Mas Schumpeter acrescentou a palavra “destruição”
para descrever o empreendedorismo. Erro fatal. Analiticamente, o cerne do
empreendedorismo não é a destruição; é a satisfação do consumidor.

O verbete da Wikipédia
sobre “Destruição Criativa” diz:

A destruição criativa (em alemão: schöpferische
Zerstörung), também conhecida como “a onda de Schumpeter”, é um conceito
econômico que, desde a década de 1950, passou a ser prontamente identificado
com o economista austro-americano Joseph Schumpeter, que derivou o termo da
obra de Karl Marx e o popularizou como uma teoria para a inovação econômica e
para os ciclos econômicos.

De acordo com Schumpeter, a “onda da destruição
criativa” descreve o “processo de mutação industrial que incessantemente
revoluciona a estrutura econômica desde dentro, incessantemente destruindo a
antiga, incessantemente criando uma nova”. Na teoria economia marxista, o
conceito de destruição se refere mais amplamente ao processo de acumulação e
aniquilação de riqueza sob o capitalismo.

Marx entendeu tudo errado. Bakunin também.
Schumpeter também.

Compre
a preços baixos, venda a preços maiores

Um empreendedor de sucesso é aquele que compra
barato e vende caro. Mas como ele consegue fazer isso se, segundo a teoria
neoclássica, o livre mercado sempre estipula corretamente os preços dos fatores
de produção e dos bens de consumo? Como é que ele encontra essa brecha? Para
que ele consiga comprar barato e vender caro, a precificação dos recursos teria
de estar errada.

A resposta para isso é simples, mas só é
compreendida por quem é seguidor da Escola Austríaca de Economia. O sistema de
livre mercado e de livre concorrência de fato revela quais recursos específicos
estão erroneamente precificados. Mas quem realmente faz esse serviço crucial
são os empreendedores.

Economistas seguidores da Escola Austríaca começam
com esta pressuposição: as pessoas não
são oniscientes. Elas não reconhecem de imediato quais recursos estão
erroneamente precificados. Sempre há ignorância e desconhecimento no mercado.
Por isso, os economistas austríacos enfatizam que a teoria econômica, para ser
realista, tem de apresentar um conceito de precificação de mercado que seja
baseado em informações incompletas e incorretas.

Portanto, sempre há recursos subvalorizados
(baratos) e sobrevalorizados (caros) no mercado. O livre mercado consegue
reduzir o número de recursos subvalorizados criando dois arranjos lucrativos. O
primeiro é o mercado de capitais. Empreendedores podem comprar fatores de
produção (mão-de-obra, matéria-prima, espaço de fábrica, máquinas e ferramentas
especializadas, e espaço de armazenamento), misturá-los, produzir bens de
consumo, e colocar esses bens a venda para os consumidores.

Se os consumidores comprarem esses bens de consumo a
um preço maior que o custo de produção, então o empreendedor terá um lucro.
Caso os consumidores não comprem, ele terá um prejuízo.

Isso advém de uma fundamental incerteza que permeia os assuntos humanos. Não conhecemos o futuro. Não somos capaz de prevê-lo. Mas
há algumas pessoas — os empreendedores — que acreditam ser capazes de prevê-lo
com mais precisão do que seus concorrentes. Eles arcam com os custos da
incerteza ao comprarem recursos e produzirem produtos para a venda. Essa incerteza é inevitável. É impossível escapar
dela. Ela
é imposta pela condição humana. As pessoas não são oniscientes.

Ludwig von Mises, como sempre, foi quem melhor resumiu o arranjo.
Vale a pena ler a citação completa:

O
que possibilita o surgimento do lucro é a ação empreendedorial em um ambiente
de incerteza. Um empreendedor, por natureza, tem de estar sempre estimando
quais serão os preços futuros dos bens e serviços por ele produzidos.

Ao
estimar os preços futuros, ele irá analisar os preços atuais dos fatores de
produção necessários para produzir estes bens e serviços futuros.

Caso
ele avalie que os preços dos fatores de produção estão baixos em relação aos
possíveis preços futuros de seus bens e serviços produzidos, ele irá adquirir
estes fatores de produção. Caso sua estimação se revele correta, ele auferirá
lucros.

Portanto,
o que permite o surgimento do lucro é o fato de que aquele empreendedor que
estima quais serão os preços futuros de alguns bens e serviços de maneira mais
acurada que seus concorrentes irá comprar fatores de produção a preços que, do
ponto de vista do estado futuro do mercado, estão hoje muito baixos.

Consequentemente,
os custos totais de produção serão menores que a receita total que o
empreendedor irá receber pelo seu produto final.

Esta
diferença é o lucro empreendedorial.[…]

Lucros
nunca são um fenômeno normal e corriqueiro. Eles surgem onde há uma
discrepância entre o uso atual dos fatores de produção e o uso possível destes
fatores de modo a fazer com que o material e os recursos disponíveis satisfaçam
da melhor maneira possível os desejos do público.

Lucros
são a recompensa para aqueles empreendedores que descobrem esta discrepância.
Quanto maior forem as discrepâncias antecedentes, maiores serão os lucros
auferidos pela sua remoção.

Os
especuladores e o mercado de futuros

Há uma outra abordagem institucional, que está
analiticamente relacionada ao que foi acima explicado. Trata-se do especulador
que opera no mercado futuro de commodities.

Neste arranjo, o empreendedor, agora chamado de
“especulador do mercado de futuros”, entra em um mercado que lida com uma
commodity específica. Pode ser milho, soja, café, laranja, trigo etc. Pode ser
também dólar ou ouro.

Se ele acredita que estes bens estão hoje
subvalorizados, ele fica “comprado”, isto é, ele se posiciona esperando uma
valorização futura destes produtos. Consequentemente, ele promete que, em uma
data futura específica, irá comprar a um preço estipulado
hoje
, uma quantidade específica deste produto. Caso sua previsão
esteja correta — isto é, caso os preços realmente sejam maiores no futuro –, ele terá grandes lucros. Ele comprará ao
preço antigo acordado (baixo) e depois poderá revender ao atual preço vigente
(alto). Caso sua previsão se revele incorreta, ele terá prejuízos.

Por outro lado, se ele acredita que estes bens estão
hoje sobrevalorizados, ele ficará “vendido”. Consequentemente, ele promete que,
em uma data futura específica, irá vender
a um preço estipulado hoje
, uma quantidade específica deste produto. Caso sua
previsão esteja correta — isto é, caso os preços realmente sejam menores no futuro –, ele terá grandes
lucros. Ele irá vender ao preço antigo acordado (alto) algo que ele pode
comprar ao preço vigente no futuro (baixo). Caso sua previsão se revele
incorreta, ele terá prejuízos.

No mercado de futuros, “vendidos” e “comprados”
fazem contratos uns com os outros. Para que haja um vendido tem necessariamente
de haver um comprado. E vice-versa. Este é um processo de soma zero. O ganhador
ganha à custa do perdedor. Mas esse arranjo não é um jogo. Especuladores no
mercado de futuros estão lidando com problemas do mundo real relacionados à
incerteza: o desconhecido futuro econômico. Eles não estão em um jogo de
chances estatísticas criado e manipulado pelo proprietário do cassino para
ficar rico.

O mercado de futuros é um arranjo voluntário que promove a descoberta de preços, algo que
acaba por beneficiar centenas de milhões de outros empreendedores e
participantes do mercado. E, no entanto, esses outros empreendedores e
participantes do mercado não pagam por esse processo de descoberta de preços.
Eles são “caroneiros” no mercado de futuros. Os especuladores — os comprados e
vendidos — é que arcam com todo o processo.

Não há nada de destrutivo neste arranjo, ao
contrário do que dizem os críticos dos especuladores e críticos do mercado. O
mercado de futuros é uma das grandes instituições da vida moderna. Um punhado
de ganhadores e perdedores coloca seu dinheiro em risco. Nós não pagamos nada a
eles por efetuarem este crucial serviço social: a descoberta de preços.

Ganhadores e perdedores

Em um empreendimento qualquer, o empreendedor compra
recursos escassos — mão-de-obra, matéria-prima, espaço de fábrica, máquinas e
ferramentas especializadas, e espaço de armazenamento — para fabricar bens de
consumo. Ele acredita que, no futuro, os consumidores irão pagar mais por esses
bens do que seu custo de produção. Ainda mais importante: ele acredita que isso
ocorrerá em uma intensidade maior do que acreditam seus concorrentes.

De novo: ele espera comprar esses recursos escassos
a preços menores do que aqueles que os consumidores estarão dispostos a pagar
no futuro pelo bem de consumo final. Como isso é possível? É possível porque
seus concorrentes não viram essa mesma oportunidade. Consequentemente, eles não
foram atrás desses mesmos recursos e, logo, não elevaram os preços deles com
sua demanda.

O empreendedor compra recursos. Isso ajuda todos os
produtores desses recursos, que os vendem para o empreendedor a um preço
livremente acordado no mercado. Se isso não fosse bom para esses produtores,
eles não venderiam seus recursos. Essa atitude do empreendedor também ajuda os
consumidores. Caso ele não fizesse esse empreendimento, ninguém mais o teria
feito. Nenhum concorrente viu a oportunidade. Consequentemente, o empreendedor
foi capaz de criar um elo entre os produtores dos recursos e os consumidores
finais dispostos a pagar pelos bens de consumo produzidos por esses recursos.

Agora vem a pergunta derradeira: por que isso seria
destrutivo? Onde está a destruição? Não é destrutivo para os vendedores e
compradores de recursos. Não é destrutivo para o consumidor final. É destrutivo
apenas para aqueles empreendedores rivais que não viram essa oportunidade. Eles
agora vêem uma fatia de mercado tirada deles por um concorrente. Esse
concorrente começará a ter lucros. Se ele continuar tendo lucros — isto é, se
os concorrentes não o imitarem –, os concorrentes continuarão perdendo mais fatia
de mercado. “Isso é
destrutivo!”, eles gritarão. Para eles, é mesmo. Mas o livre mercado
não existe para ajudar maus prognosticadores. O livre mercado existe para
ajudar consumidores a conseguir barganhas.

Schumpeter apenas reverberou as lamúrias dos
empreendedores ineficientes que não foram capazes de atender as demandas dos
consumidores. Ele rotulou esse processo de destrutivo. Não é destrutivo do
ponto de vista dos vendedores de recursos. Não é destrutivo para os
consumidores. É destrutivo apenas para os perdedores incapazes de atender aos
consumidores por terem sido incapazes de saber comprar dos produtores de
recursos. Estes perdedores não ajudaram nem os consumidores e nem os produtores.

O processo efetuado pelo livre mercado — de criar
um elo entre vendedores de recursos e compradores de produtos — não deveria
ser rotulado de “destruição criativa”. Deveria ser chamado de produção criativa.
Um empreendedor de sucesso vai até seus clientes e faz a eles uma oferta: “Compre
de mim, e não dos meus concorrentes. Vou lhe fazer uma ótima oferta”. Ele pode
fazer uma ótima oferta porque ele comprou fatores de produção a preços menores
que seus rivais.

Schumpeter pegou emprestado o conceito de “destruição
criativa” de um par de revolucionários, Bakunin e Marx. Ambos pregavam
filosofias sociais que, embora rivais entre si, se baseavam no homicídio —
literalmente, e não figurativamente.

E Schumpeter se mostrou impressionado por esse
conceito dos dois revolucionários. Felix Somary relata em sua autobiografia, The
Raven of Zurich
(1986), uma discussão que ele teve com o economista
Schumpeter e com o sociólogo Max Weber em 1918. Weber era o mais prestigioso
cientista social acadêmico do mundo quando morreu em 1920. Naquela ocasião,
Schumpeter havia expressado alegria em relação à Revolução Russa. A URSS
seria o primeiro exemplo prático de socialismo. Weber alertou que o experimento
geraria uma miséria incalculável. Schumpeter retrucou dizendo que
“Pode ser que sim, mas seria um bom laboratório.” E Weber
respondeu: “Um laboratório entulhado de cadáveres humanos!”. E Schumpeter
retrucou: “Exatamente igual a qualquer sala de aula de anatomia”. Weber saiu extremamente irritado da sala (p. 121). Não
o culpo.

Conclusão

Já é hora de os defensores do livre mercado abandonarem
o conceito schumpeteriano de que o livre mercado gera destruição criativa. O conceito
está errado teoricamente. Pior ainda: em termos estratégicos, é um enorme
passivo.

O processo de mercado é destrutivo apenas para
aqueles empreendedores que fizeram estimativas erradas e fracassaram em
satisfazer os consumidores. Ele é criativo para todo o resto.

 

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95 comentários em “O empreendedorismo não é “destruição criativa”, mas sim produção criativa”

  1. O empreendedor só trabalha com previsões. Ninguém deveria investir em algo que está com excesso de oferta.

    O livre mercado gera destruição com a criação de coisas novas. Foi isso que aumentou a oferta de produtos. Nenhuma fábrica ou empresa é eterna.

    O capitalismo é dinâmico. Não existe concurso com estabilidade. Muitas fábricas irão fechar e muitas irão abrir.

    Enquanto o governo não estragar o dinheiro, os empreendedores poderão criar fábricas novas. Se o governo destruir o dinheiro, as fábricas velhas irão fechar e nenhuma será aberta.

    Enfim, a destruição de fábricas poderia mostrar o tamanho da evolução. O problema é que nós fechamos fábricas mesmo havendo demanda. O grande problema é a destruição do dinheiro pelo governo.

    PS: Se você é progressista, sua opinião não me interessa.

  2. OFF

    Na parte do artigo sobre o mercado especulativo me surgiu uma dúvida: o que a EA acha da análise técnica, ou seja, das pessoas que “preveem” o sentido do mercado baseado em gráficos e rabiscos em cima dos mesmos?

  3. Muito bom o artigo, porém…

    A discussão dialética entre Mises e Marx sobre a pauta já está obsoleta há algum tempo. Caso tivesse ido além- e me refiro a Thomas Khun, a abordagem seria bem diferente. Aliás, a revolução que Khun fez ao dissertar sobre o alicerce do paradigma na pesquisa científica e a quebra do mesmo em busca de algo novo e maior, dá o tom correto ao que seria na verdade a “destruição criativa”.

    Vou colar um trecho bacana de um artigo bem lúdico a respeito para demonstrar como a tal destruição existe, e após isso vou chegar na causalidade apriorista de Mises, refutando a idéia de que há apenas construção no mundo empresarial.

    "Paradigmas são as realizações cientificas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornece problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência." (Kuhn, 1991, p.13).

    E segue:

    “”O motor das ciências é a luta entre moldelos explicativos, entre teorias e concepções de mundo, "o desenvolvimentoda da maioria das ciências têm-se caracterizado pela contínua competição entre diversas concepções de natureza distintas". (Kuhn, 1991, p.22)”. É o que Kuhn denomina de ciência normal. A ciência normal não se desenvolve por acumulação de descobertas e invenções individuais, mas por revoluções de paradigmas.

    Por exemplo, a teoria geocêntrica de Ptolomeu, que afirmava ser a terra o centro do universo, foi substituída por um novo modelo, a teoria heliocêntrica de Copérnico, que afirmava ser o sol o centro. Outro exemplo é a teoria da gravitação de Newton, que afirmava ser a gravidade uma força fundamental existente em todos os corpos.

    Essa teoria foi completamente modificada por um novo modelo explicativo, a teoria da relatividade-geral de Einstein. Segundo esse novo modelo, a gravidade não seria uma característica dos corpos, mas das distorções do espaço-tempo local causado pelo peso das massas dos corpos. Essas transformações de paradigmas são revoluções científicas e "a transição sucessiva de um paradigma a outro, por meio de uma revolução, é o padrão usual de desenvolvimento da ciência amadurecida" (Kuhn, 1991, 32).””

    Ao passo que a criação de modelos empresariais passa normalmente por técnicas, sejam rudimentares ou avançadas, estas ditas técnicas acabam por se tornar ciências, e em seguida se tornam modelos de si mesmas, o que popularmente chamamos hoje de Engenharia, Medicina, Direito, Administração, Economia etc.

    Dado o dinamismo apriorista da sociedade que se interpõe entre clima, cultura , gostos, escassez, etc. há sempre o dilema entre invenção e necessidade. Se ontem recebíamos cartas, hoje são emails, IM, e outras tecnologias. Se ontem andávamos a cavalo, hoje estamos prestes a nem dirigir mais. Se ontem era necessário acender uma vela para ter luz, hoje estamos caminhando em direção a autonomia total por energia solar.

    Quando acontecem mudanças drásticas na forma como interagimos com o mundo, como foi a revolução digital, a ruptura causada pela invenção é revolucionária e destrói completamente o mundo anterior. Tal destruição não é planejada, não está contida em artigos ou em cursos regulares. Ela simplesmente acontece, e quando nos damos conta já estamos novamente em processo inventivo, que precede a destruição do velho e obsoleto. É o apriorismo puro em ação.

    Essa é a correlação com Mises, totalmente de acordo com Ação Humana, seu maior legado.

    Se você teve paciência para ler, obrigado. A partir daqui denoto o erro de causalidade do artigo.

    Voltando a Ação Humana, Mises refuta diversos paradigmas de várias correntes econômicas, políticas e filosóficas que já existiam. Mises em si é a ruptura do paradigma neoclássico, a revolução apriorista, que se seguida a risca pela sociedade, põe um fim em todos os ciclos econômicos, na inflação monetária e até mesmo no Estado – mesmo Mises sendo a favor da democracia como forma de defesa de princípios e de fronteiras.

    Logo, quando algo novo é criado e preenche todo o espaço científico que revela sucesso na empiria, a velha teoria é destruída completamente.

    Vou além e explico nessas poucas palavras o por quê dificuldade que os economistas Keynesianos, Friedmanianos e outros ao aceitar a Escola Austríaca: Mises é o novo. Ele não seguiu ninguém de fato, ele CRIOU. Só que sua criação destrói as escolas concorrentes, destrói as bases teóricas e a empiria de outros pensadores.

    Para concluir pelo momento, a destruição criativa é um fenômeno posterior a invenção genuína, que é totalmente embasada no apriorismo, ou voltando a Mises, na Ação Humana.

    Obrigado mais uma vez por quem leu tudo isso.

  4. O que dizer sobre uma minoria de ricos deter mais da metade da riqueza mundial?

    Como resolver isso? Porque uma minoria tem mais riqueza de que 80% da população mundial?

  5. Pelo que eu me lembre, a questão de destruição criativa de Schumpeter se referia à necessidade de destruição de empregos e bens obsoletos para abrir espaço para novos tipos de empregos, serviços e bens…

  6. “Se ele acredita que estes bens estão hoje subvalorizados, ele fica “comprado”, isto é, ele se posiciona esperando uma valorização futura destes produtos. Consequentemente, ele promete que, em uma data futura específica, irá comprar a um preço estipulado hoje, uma quantidade específica deste produto.”

    Como assim “comprar a um preço estipulado hoje”? Não é isso que ocorre. Os preços futuros não tem absolutamente nenhuma relação com os preços à vista. Por exemplo, é perfeitamente possível o preço do dólar à vista hoje estar em R$3,00 e o preço do dólar futuro para janeiro do ano que vem estar em R$4,00. Quem acredita hoje que o dólar se valorizará e chegará em R$4,00 em janeiro, já perdeu a vez, não tem como comprar dólar para janeiro do ano que vem pelo preço de hoje no mercado futuro. O que pode ser feito é comprar dólar à vista e aguardar a valorização.

    “O mercado de futuros é um arranjo voluntário que promove a descoberta de preços, algo que acaba por beneficiar centenas de milhões de outros empreendedores e participantes do mercado. E, no entanto, esses outros empreendedores e participantes do mercado não pagam por esse processo de descoberta de preços. Eles são “caroneiros” no mercado de futuros. Os especuladores — os comprados e vendidos — é que arcam com todo o processo.”

    Isso tudo é especulação. Tenho sérias dúvidas sobre até onde empreendedores utilizam os preços futuros para tomar decisões.

  7. A seguinte passagem do texto:

    [I] No mercado de futuros, “vendidos” e “comprados” fazem contratos uns com os outros. Para que haja um vendido tem necessariamente de haver um comprado. E vice-versa. Este é um processo de soma zero. O ganhador ganha à custa do perdedor.[/i]

    Me pareceu equivocada do ponto de vista praxeológico.

    Ao decidirem (agirem) operar comprados ou vendidos os especuladores fizeram uma escolha racional, ou seja, acreditaram que estariam em uma situação melhor ao marcar a posição no mercado futuro.

    Se após essa ação (ficar comprado ou vendido) o resultado for diferente do esperado isso não muda a escolha racional feita a priori.

  8. Por qual motivo os especuladores do mercado de opções não foram citados? Estes ao especularem não colaboram para que a descoberta de preços ocorra?

  9. Reginaldo Ribeiro Oliveira

    Eu tinha uma visão positiva de Schumpeter. Depois dessa explicação mudei totalmente meus conceitos de empreendedorismo. Muito obrigado pela explicação. Infelizmente o conceito schumpeteriano de empreendedorismo é muito difundido mas universidades brasileiras. Será que isso pode ser o motivo do grande número de falências das empresas brasileiras emergentes?

  10. Os homens agem e da maneira mais racional possível, portanto, os grandes empresários criaram, criam e criarão “lobbies” para que o governo sempre os proteja da concorrência e de qualquer outra adversidade.

  11. O artigo é bom mas a conclusão ficou confusa. Dissequemos

    Já é hora de os defensores do livre mercado abandonarem o conceito schumpeteriano de que o livre mercado gera destruição criativa. O conceito está errado teoricamente. Pior ainda: em termos estratégicos, é um enorme passivo.

    Ok. Até aqui estamos juntos

    O processo de mercado é destrutivo apenas para aqueles empreendedores que fizeram estimativas erradas e fracassaram em satisfazer os consumidores.

    Bom aqui já estamos contradizendo o que vinha acima. Mesmo que seja destruidor apenas pros errados e fracassados ele segue sendo destruidor. E o conceito vai além de pessoas físicas ou jurídicas mas para bens ou serviços. A charrete foi destruída pelo carro mas não pq a charrete eh burra. Entendem?

    Ele é criativo para todo o resto.

    Aqui acho que o autor quis dizer produtivo

  12. Eu quero fazer uma pergunta à vocês: vejo sempre um debate semântico entre vocês e outros anti-capitalistas, pois vocês definem capitalismo como livre mercado, ou seja, liberalismo. Mas outras escolas definem ele como um sistema de contratação assalariada, ou seja, mesmo em um mercado livre se não tiver assalariados logo não há propriedade privada e nem capital, logo não há capitalismo. Por isso, comunistas e outros apontam sobre a existência de um capitalismo de Estado, pois o capitalismo laisez-faire, nessa definição, não é o único. Eu desafio vocês: me expliquem porque a definição de vocês seria a certa e não as de outras escolas? Eu quero, de preferência, uma resposta do Leandro, que aparentemente é o guru refutador aqui nos comentários do Instituto Mises. Está dado, aguardo resposta.

  13. Marionete do Nego Ney

    [OFF]

    Pessoal, qual é o prospecto de vocês em relação ao futuro do ocidente em geral? Eu de certa forma me permito ter um pouco de esperança, já que nas redes sociais (não só aqui em Banânia) cada vez mais se vê pessoas, principalmente jovens, rejeitando ideias pró intervenção estatal.

    Gosto de fazer amizades no estrangeiro, principalmente nos EUA pois quero treinar meu inglês com falantes nativos, e nessa jornada já topei com mais conservadores e liberais (no sentido clássico) do que esquerdistas, e todos os amigos que tive e tenho estão na faixa dos 18 ~ 25 anos de idade, alguns inclusive estudam em universidades públicas, a maioria deles é pró armas e uma menina de 17 anos do Novo México inclusive tinha um verdadeiro arsenal em casa (Que obviamente não era realmente dela e sim do pai, mas era ela quem atirava mais) (À quem possa interessar, tenho 23 anos de idade no momento). Mesmo os de esquerda que conheci geralmente eram mais moderados, nada daqueles fãs do Bernie Sanders ou piores.

    Conheci também vários da Europa, principalmente da Alemanha pois quero também treinar meu Alemão, lá a galera já é bem mais progressista, mas a esquerda de lá me parece um século mais evoluída do que a daqui, eles em geral não defendem esse monte de baboseira trabalhista que vemos nos canhotos daqui, não querem regulações sem pé nem cabeça sobre a livre iniciativa (exceto no que tange as leis ambientais, mas mesmo nisso eles são muito mais pé no chão do que os aqui), não lambem as partes íntimas de ditadores com Fidel Castro e o balofo da Coreia da Morte, etc, o negócio deles é mais multiculturalismo e baboseiras desse tipo. Mas conheci também um alemão, jovem, que era de direita e pró armas, mas é claro que ele não manifestava isso publicamente por lá pois seria pedir para ser comparado com o tal bigodudo do gás.

    Enfim, o que me parece é que há muito mais libertários e conservadores nessas bandas do que nos permitimos acreditar, mas essas pessoas em geral não são ativistas, apenas levam a sua vida e querem ser deixados em paz, diferente dos “militantes” que gritam lacram aos quatro ventos. Talvez só imaginamos que a maioria é de esquerda porque a mídia em geral dá pouco espaço para os “fascistas” e “neoliberais”, ou talvez porque a própria oposição não se manifesta com a devida firmeza.

    É isso, apenas um pensamento que me veio aqui aleatoriamente.

    Obrigado à todos e não esqueçam de reverenciar o Nego Ney!

  14. JEFFERSON LELIS FERREIRA

    De acordo com Schumpeter, a “onda da destruição criativa” descreve o “processo de mutação industrial que incessantemente revoluciona a estrutura econômica desde dentro, incessantemente destruindo a antiga, incessantemente criando uma nova”. Na teoria economia marxista, o conceito de destruição se refere mais amplamente ao processo de acumulação e aniquilação de riqueza sob o capitalismo.

    O autor afirma que não há destruição criativa porque no livre mercado há perdedores e ganhadores.

    O raciocínio de Schumpeter é, em vários pontos, circular. Processo e mutação implica em movimento, oscilação e equilíbrio. O termo revoluciona nada tem a ver com ruptura estrutural da atividade econômica, que continua a mesma. No caso do empreenderorismo, destruição significa a saída de uma agente do mercado, e criação significa entrada de um agente no mercado. Mas o mercado continua lá.

    Não entendi o argumento marxista acerca da acumulação e destruição da riqueza. Se alguém puder me ajudar, agradeço.

  15. Qual política é a mais nociva?

    Manter, por meio de subsídios e protecionismo, um parque industrial deficitário só para evitar o desemprego? (ou construir um parque estatal só para acabar com o desemprego)

    Ou deixar o parque falir mas subsidiar com assistencialismo os trabalhadores desempregados (diretamente e indiretamente)?

  16. "O capitalismo deu ao mundo o que ele precisava, um padrão de vida mais alto para um número cada vez maior de pessoas."

    Mises

    * * *

  17. Ronald ''Ronnie'' McCrea

    Não esperar senão 2 coisas do estado : Liberdade e Segurança, e ter bem claro que não se poderia pedir mais uma terceira coisa, sob o risco de perder as outras duas. Frederic Bastiat.

    A base do liberalismo é permitir que as forças espontâneas da sociedade tenham liberdade para atuar e gerar riqueza. Friedrich Hayer.

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