A crescente automação em vários setores da economia
se transformou em uma grande preocupação nos últimos anos. Com os algoritmos
dos computadores se tornando cada vez mais sofisticados, as máquinas estão se
tornando cada vez mais capacitadas para realizar trabalhos que são o ganha-pão
de várias pessoas.
Carros sem
motorista já estão, há um bom tempo, sendo testados nas estradas americanas
e européias. Embora ainda não estejam disponíveis comercialmente, é apenas uma
questão de tempo para que o sejam. Quando isso acontecer, eles irão substituir
não apenas os taxistas, como também as pessoas que hoje trabalham para empresas
como Uber e Lyft. Afinal, se os empregadores puderem remover os gastos
relacionados ao pagamento de motoristas, eles poderão fornecer seus serviços a
preços muito menores. Simultaneamente, ainda conseguirão reter um maior lucro
líquido.
Veículos automatizados (e autônomos) também
irão substituir caminhoneiros.
Mas não é só nessa área que a automação irá sacudir
o mercado de trabalho. Nos países mais ricos, já vemos a integração de várias
máquinas de auto-atendimento nas grandes redes de supermercado, substituindo os
caixas humanos. Mesmo restaurantes fast-foods estão adotando essa tendência. O
McDonald’s atualmente possui quiosques em várias localidades que permitem aos
clientes pedir e receber sua comida sem qualquer interação humana. As redes Carl’s Jr.
e Hardees
também
já anunciaram que irão testar quiosques automatizados em seus estabelecimentos.
Ainda em 2012, uma startup de robótica chamada Momentum Machines apresentou
um protótipo de uma máquina totalmente autônoma que recebe os pedidos dos
clientes, cozinha a carne, fatia os vegetais, monta o hambúrguer, embala-o, e
entrega ao cliente. Esta máquina se mostrou capaz de preparar 400 hambúrgueres
em uma hora. A empresa já comprou um prédio na cidade de San Francisco e
pretende inaugurar um restaurante totalmente autônomo em breve. Tal restaurante
ainda irá necessitar de alguns poucos humanos, que terão as funções de garantir
que as máquinas funcionem harmoniosamente, retirar o dinheiro das máquinas e
efetuar outras tarefas menores.
Obviamente, caso essa hamburgueria automatizada se
comprove lucrativa, é de se esperar que as grandes cadeias sigam essa tendência.
A pergunta que está na cabeça de várias pessoas é:
se as máquinas podem conduzir as pessoas em carros e processar pedidos e fazer
sanduíches, o que ocorrerá com os milhões de indivíduos que atualmente estão
empregados nessas profissões?
Os
mercados mudam — e isso vem ocorrendo desde o surgimento dos mercados
Mas o fato é que essas tendências, embora
surpreendentes, realmente não têm nada de novo. O mundo se desenvolveu e
enriqueceu exatamente dessa maneira.
As impressoras eliminaram a necessidades de escribas
(pessoas que literalmente tinham de escrever a mesma coisa várias vezes para
assim difundir uma obra). E, mais recentemente, a mídia online reduziu a
necessidade de impressoras (hoje, você mesmo pode publicar seu livro online,
sem ter de recorrer a editoras).
As máquinas de venda automática — tanto para
tickets quanto para cervejas, refrigerantes e guloseimas — já substituíram os
vendedores humanos há muito tempo. E não nos esqueçamos de que ascensoristas
eram extremamente comuns no passado, pois apenas eles sabiam como operar um
elevador.
Voltando ainda mais no tempo: no passado, a maioria
das pessoas trabalhava no campo. A
automação acabou com 99% desses empregos. Literalmente, 99%. Eles
não existem mais. O trator substituiu o arado e a enxada.
A criação do automóvel e do caminhão tornou obsoleto
todo o setor de transporte manual, em que cargas eram carregadas nas costas por
vários trabalhadores. Já o computador provavelmente destruiu mais empregos
do que qualquer outra inovação tecnológica na história da humanidade, com a
possível exceção do automóvel. Por sua vez, a eletricidade destruiu um
sem-número de empregos na indústria de velas e na indústria de carvão.
Ao mesmo tempo, todas essas invenções destruidoras
de empregos acabaram criando outros novos empregos que até então ninguém jamais
havia imaginado serem possíveis.
Quem gostaria de voltar a viver em um mundo sem
carros, computadores, internet e eletricidade, considerando todos os empregos que
tais invenções destruíram? Quem gostaria de voltar a viver em um mundo em
que praticamente todos os seres humanos tinham de trabalhar exaustivamente no
campo — querendo ou não — apenas para sobreviver?
Hoje, ninguém se queixa de nenhuma dessas invenções.
Ninguém se queixa da falta de empregos para escribas, para ascensoristas, e
para operários em fábricas de carroça e de máquinas de escrever. Sabemos que
esses empregos desapareceram porque tais tarefas podem hoje ser efetuadas muito
mais econômica e rapidamente por outros meios.
O mesmo continua ocorrendo hoje, só com que outros
empregos.
Outro fato digno de menção é que a automação cria
luxos com os quais a humanidade jamais havia sonhado. Mais ainda: ela nos
entrega serviços que jamais sequer sabíamos que queríamos. Por exemplo, antes
de inventarmos os automóveis, o ar condicionado, as televisões de tela plana e
o cinema, ninguém que vivia na Roma antiga sonhava com a possibilidade de
assistir a filmes em um televisor de tela plana enquanto se locomoviam para
Atenas dentro de um veículo confortável e climatizado.
Adicionalmente, a automação nos possibilitou
empregos com os quais jamais havíamos sonhado. A industrialização e suas
máquinas fizeram mais do que apenas aumentar nossa expectativa de vida. Ao
libertar a humanidade da necessidade de efetuar trabalhos pesados, maçantes,
brutos e monótonos, ela levou uma grande fatia da população a decidir que
humanos foram feitos para ser músicos, filósofos, bailarinos, matemáticos,
atletas, artistas, designers de moda, professores de ioga, escritores de romances
e, hoje, pessoas com profissões mais “exóticas“, como
YouTuber, Instagramer, jogador profissional de videogame etc.
O mesmo é válido para a atual tendência da
automação. No futuro, olharemos para o passado (hoje) e teremos vergonha do
fato de que seres humanos eram utilizados para fazer determinados tipos de
trabalho braçal, monótono e intelectualmente desestimulante.
Reduzindo
o custo de vida
Em economias livres e dinâmicas, os empreendedores
estão continuamente se esforçando para implantar inovações que os tornem mais
eficientes e, consequentemente, mais lucrativos e mais preparados para agradar os consumidores. Uma maior automação
apenas intensificará esse processo.
Isso, no entanto, leva a um questionamento bastante
comum: sim, é fato que todas essas inovações permitidas pela automação irão
criar empregos para as pessoas mais
capacitadas e qualificadas, como os engenheiros que constroem essas
máquinas, os programadores e cientistas da computação que irão desenvolver os
algoritmos para essa máquinas, e os profissionais da Tecnologia da Informação,
que irão lidar com os problemas de software e de hardware sempre que estes
ocorrerem.
Mas e os trabalhadores pouco qualificados? É certo que nem todo mundo tem o privilégio (ou
o tempo, dado que várias famílias são obrigadas a ter vários empregos para
pagar suas contas) de se tornar criadores, codificadores e reparadores de
máquinas.
E mesmo que absolutamente cada empregado das redes
de fast-food, cada taxista e cada caminhoneiro adquirisse uma nova habilidade,
isso faria com que os outros mercados se tornassem saturados de mão-de-obra
qualificada à procura de um novo emprego.
O que fazer?
Com o efeito, a resposta está à nossa volta: o
benefício da automação, hoje e sempre, é o de reduzir o custo de vida (os
preços relacionados à tecnologia estão ou em queda ou estáveis) e o de fazer
com que todo e qualquer trabalho seja mais produtivo (salários maiores em
termos reais).
Analisando o que ocorreu ao longo das últimas
décadas com itens como tecnologia, alimentação e vestuário, veremos que houve
uma queda dramática nos preços — quando mensurados em termos de horas de
trabalho necessárias para se adquirir a mesma quantidade de cada item — e uma
sensível melhora na qualidade dos produtos.
Isso, aliás, vem ocorrendo desde a invenção da roda
e de todas as outras máquinas que reduzem a necessidade de esforço físico.
Isso, no entanto, leva a outra objeção: de nada
adianta haver bens mais abundantes e baratos se ninguém tiver emprego (e renda)
para comprá-los. Qual a resposta?
Nada muda. O cenário mais realista é o de que, com
os preços em queda (como já estão nos países de economia estável), serão
necessários menos empregos e menos horas de trabalho para se manter uma
família.
Isso, aliás, foi exatamente o que ocorreu ao longo
do século XX, quando a jornada de trabalho foi continuamente reduzida — graças aos avanços
tecnológicos e à acumulação de capital — e os trabalhadores passaram a
trabalhar cada vez menos. Simultaneamente, o padrão de vida subiu
continuamente.
Para fazer esse exercício de previsão, todos os
fatos têm de ser considerados: a inovação nos negócios poderá acabar com
empregos obsoletos; porém, com a maior eficiência permitida pela automação,
bens e serviços custarão cada vez menos.
Peguemos, por exemplo, os carros autônomos. Embora
seja de se lamentar que eles irão gerar um desemprego temporário para vários
motoristas profissionais, a queda nos preços do transporte serão uma dádiva
para todo o resto da humanidade.
Isso poderá ser especialmente benéfico para várias
famílias de baixa renda, que gastam uma grande fatia de sua renda mensal com
manutenção, seguro, combustível e impostos de seu carro. E as que nem sequer
têm carro, vêem seu salário descontado por causa do vale-transporte. Para todas
essas pessoas, não apenas ter um carro passará a ser desnecessário, como também
os gastos com transporte serão cada vez menores. Elas agora poderão usar
automóveis esporadicamente — como muito já fazem ao recorrer ao Uber –, e a
preços irrisórios. Isso terá
um efeito excepcional sobre a sua renda.
Com efeito, várias famílias já relataram que não
têm como pagar caso seu carro necessite de um serviço de manutenção de
emergência [no Brasil, é
ainda pior]. Consequentemente, para muitas famílias, a possibilidade de seu
carro estragar representa um assustador risco econômico. Por outro lado, o
surgimento de transportes autônomos em larga escala irá reduzir acentuadamente
este risco para o orçamento das famílias.
Muitas outras famílias também irão perceber que não
mais será economicamente sensato ter um carro próprio e incorrer em todas as
suas despesas de manutenção, seguro, combustível e impostos. Ato contínuo, irão
optar pelos transportes autônomos e baratos. Consequentemente, terão mais
dinheiro para gastar em outras coisas, ou mais dinheiro para poupar e investir.
Conclusão
Embora a inovação tecnológica possa eliminar os empregos
de algumas pessoas, outras várias pessoas serão enormemente beneficiadas.
Se os preços de vários bens e serviços caírem em
decorrência da automação, os salários mais baixos passarão a ser suficientes
para que várias pessoas vivam confortavelmente. Isso é o que é chamado de “amento
na renda real”, e é o que realmente importa.
De resto, como a história repetidamente já
demonstrou, a automação sempre representou uma libertação para o ser humano, não
só livrando-o da necessidade de realizar trabalhos braçais pesados e desumanos,
como ainda permitindo um aumento exponencial da sua renda: a renda média diária mundial,
que era de $ 3 há dois séculos, hoje é de $ 33, já descontando a inflação. E,
nos países ricos, é de US$ 100 por dia;
Essa libertação material nos permitiu viver vidas
mais confortáveis, mais humanas e muito mais gratificantes do que outras gerações
jamais experimentaram. Se isso, por si só, não é um argumento convincente, então
nenhum outro pode ser.
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Thomas
Woods é um membro sênior do Mises Institute, especialista em história americana. É o autor de nove
livros, incluindo os bestsellers da lista do New York Times The Politically Incorrect Guide to American History e, mais recentemente, Meltdown:
A Free-Market Look at Why the Stock Market Collapsed, the Economy Tanked, and
Government Bailouts Will Make Things Worse. Dentre seus outros
livros de sucesso, destacam-se Como a Igreja Católica Construiu a Civilização
Ocidental (leia um capítulo aqui), 33 Questions About American History You’re Not
Supposed to Ask e The Church and the Market: A Catholic Defense of the
Free Economy (primeiro lugar no 2006 Templeton
Enterprise Awards). Visite seu novo website.
Aaron
Bailey é articulista do site Modern Survival Online, veterano
da Marinha, professor de violão e piano.
O tempo[O SENHOR DA VIDA] tem AGRACIADO determinantes VIÁVEIS para toda a Humanidade de provisões e de soluções.A inteligência Humana o grande divisor das águas.Parabéns e concordo ao debate.
Boa tarde, gostaria de uma opinião dos caros leitores.
Discutindo com uma pessoa no youtube sobre o preço de carro fabricado aqui e nos EUA, logo esse debate migrou para a conversão do real em dólar, mas os mesmos afirmam que não se pode fazer essa conversão, já que nos EUA eles ganham em dólar e o real convertido não influi em nada o poder de compra do americano comparado com o brasileiro.
Exemplo: R$20.000 – câmbio em R$3,40 – Logo o preço deste carro em dólar será de US$5,882 e vice-versa.
E essa comparação é chamada de “comparação burra”, termos inventados por youtubers que moram nos EUA.
Logo eu pergunto a vocês, essa comparação é burra ou não?
Pelo que eu leio aqui no site, a conversão de moedas demonstra o poder de compra de cada moeda.
Logo o dólar custando R$2,00, demonstra que o dólar tem o poder de compra 2 vezes mais do que o real.
Ou eu estou errado?
Obs: Eu sei que existem certa influências que pode mudar esse valor como impostos, mas eu acho que o câmbio é o elemento mais importante na precificação de bens entre países.
Exemplo seria o nosso salário mínimo de R$880, logo convertendo para o dólar em R$3,40, teremos um poder de compra de um americano de US$258. Está certo ou errado?
Para terminar meu raciocínio, eu disse o seguinte:
“Peguemos um carro fabricado aqui no Brasil, logo este carro irá usar ferro, aço e outras commodities que são precificadas em DÓLAR, agora pense na seguinte situação:
Se o dólar estiver em R$3,40; você acha que para fabricar um carro com o dólar esse valor, um carro sairia barato?
Agora pense no dólar a R$1,40; você acha que a fabricação do carro não ficaria mais barato?
Peguei a cotação do valor do aço no dia 04/01/2017, no horário de 13:56, o valor é de aproximadamente US$300.
Qual situação o carro sairia mais barato usando aço:
O dólar custando R$1,40?
Ou R$3,40?
Se a fabricação do carro bater no exato momento que o dólar está em R$1,40, logo o preço do aço em real seria de R$420, com o aço custando US$300.
Agora pegue o dólar custando R$3,40, a fabricação do carro sairia mais caro porque o câmbio é desvalorizado, logo o preço do aço em real custaria com o câmbio desvalorizado R$1020.
Para você, qual valor custaria mais barato um carro fabricado no Brasil?”
Ele usou um exemplo que a gasolina que exportamos para a Argentina e Uruguai é mais barata do que no Brasil, logo para ele o câmbio não é tão importante assim.
Quais são suas considerações caros leitores?
Notícia equivalente ao artigo: Fabricante de iPhones Foxconn já substitui humanos por robôs na China
Foxconn troca 60 mil empregados por robôs na China
Infelizmente a nossa sociedade ainda está mais para o ludismo.
A CF/88 consagra essa mentalidade absolutamente imbecil:
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
(…)
XXVII – proteção em face da automação, na forma da lei;
Outro tipo de robô que vai contribuir muito para o progresso são os drones.
Com drones fazendo entregas de mercadorias, por exemplo, milhares de empregos de entregadores serão eliminados. E toda essa mão de obra ociosa poderá ser alocada em novos empregos.
Sem os drones esses entregadores ficariam ocupados fazendo entregas.
Com os drones esses entregadores poderão realizar outras atividades enquanto os drones cuidam das entrega, o resultado final é muito mais produtividade!
Só falta os governos liberarem o uso de drones para entregas.
A inovacão e automacão são inevitáveis como demonstra a história.
Aos que não entendem isso: ARDAM!
Eis a incoerência: os socialistas adoram reclamar que no capitalismo você tem que trabalhar uma exaustiva quantidade de horas pra manter a produtividade. Aí, quando querem colocar uma máquina que vai possibilitar um emprego menos exaustivo, eles querem proibir.
Alguém me explica.
Morava num sítio uma família muito pobre. O lugar estava sem cuidado, a casa de madeira sem acabamento; os moradores, um casal e três filhos, vestidos com roupas rasgadas e sujas. Diante de tantas privações, eles oravam muito a Santo Antônio, pedindo ajuda.
Um dia, Santo Antônio, junto com um amigo, resolveu ir até o sítio ver o que estava acontecendo. Chegando lá, começou a observar a família e o lugar. Notou que a família sobrevivia graças a uma vaquinha que dava vários litros de leite todos os dias. Uma parte do produto eles vendiam ou trocavam na cidade vizinha por alimentos; com outra parte produziam queijo, coalhada etc. para o consumo. Era assim que sobreviviam.
Depois de pensar muito, Santo Antônio pegou a vaquinha, levou-a ao precipício e jogou-a lá em baixo. O amigo arregalou os olhos, assustado com a cena que precenciava. Mas, Santo Antônio pedu qe o amigo tivesse calma e desse tempo ao tempo. No dia seguinte, a família viu a tragédia e orava dizendo: – Ai, meu Santo Antônio! Por que o senhor deixou acontecer isso com nossa vaquinha? E agora, o que será de nós?
O tempo passou, e Santo Antônio, junto com amigo espiritual, voltaram ao sítio. Quando se aproximaram do local, avistaram um sítio muito bonito, com árvores floridas, todo murado, com carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. O amigo ficou triste, imaginando que aquela humilde família tivera que vender o sítio para sobreviver. Mas, ao aproximar-se mais, notou que era a mesma família que visitaram antes.
O amigo, assustado e confuso perguntou: Santo Antônio, como eles melhoraram o sítio e estão bem de vida? E o Santo respondeu: – Eles tinham uma vaquinha que lhes davam o sustento. Quando perderam a vaquinha, tiveram que fazer outras coisas e desenvolver habilidades que nem sabiam que tinham. Assim alcançaram o sucesso que seus olhos vislumbram agora.
Ótimo texto.
A celeuma está na transição do indivíduo de um trabalho braçal para outro mais voltado ao intelecto. Quanto + dinâmica for a economia em questão, quanto melhores forem os índices educacionais, menos traumática será essa travessia. E claro que não custa muito dar uma força para quem está passando por um período de adaptação laboral:
https://bordinburke.wordpress.com/2016/10/06/por-que-os-avancos-tecnologicos-causam-arrepios-no-brasileiro/
Comparado a humanos, robôs são menos custosos para ser empregado — em parte por razões naturais, em parte por causa das crescentes regulamentações governamentais.
Dentre os custos naturais estão o treinamento, as necessidades de segurança, e os problemas pessoais como contratação, demissão e roubo no local de trabalho. Adicionalmente, os robôs podem também ser mais produtivos em determinadas funções.
Dentre os custos governamentais estão o salário mínimo, os encargos sociais e trabalhistas e todos os eventuais processos na Justiça do Trabalho, muito comuns principalmente no setor da gastronomia. Chegará um momento em que a mão-de-obra humana em restaurantes fará sentido apenas para preservar um “toque de classe” — ou então para preencher um nicho.
Mas se trabalhadores pouco qualificados são excluídos do mercado de trabalhado, de que adiantaria ter mais produtividade e menores preços?
Nesse caso a culpa não é da tecnologia, é do governo que insiste em se intrometer no mercado de trabalho. Quando o mercado de trabalho for liberal, for uma verdadeira troca voluntária, não tiver intervenção estatal de nenhum lado, o desemprego involuntário estaria abolido.
Este artigo é um bálsamo de vida e progresso para quem lê (e obrigado também Leandro pela tradução e revisão).
Me lembro da primeira discussão há muitos anos nas primeiras aulas de filosofia no extinto colegial, quando a professora (marxista) colocou esta pauta em discussão, argumentando que a automação roubaria os empregos, e eu, desprovido de qualquer base teórica argumentativa, tentei expor para a turma que era exatamente o contrário: mais automação, mais necessidade de alguém para construir, manter e inventar robôs.
A pergunta seguinte foi: “Mas se robôs acabarem por construir robôs”? Minha resposta intuitiva foi: alguém terá de cria-los e programa-los.
Não satisfeita, ela questionou em tom de deboche: E quando os robôs forem capazes de programar e criar? Pensei por um instante e respondi: Professora, não acredito que robôs possam evoluir por si mesmos, pois eles não possuem alma. Porém, se isso acontecer e robôs forem capazes de criar a si mesmos e evoluir eles terão capacidade criativa . Todo ser que consegue criar pensa, logo existe. Se ele existe terá vontades e desejos, e não vai querer trabalhar 24 horas por dia de graça.
A classe toda ficou de boca aberta, e a discussão acabou ali.
Hoje, 15 anos depois e com a burra cheia de conhecimento, vejo que nada é mais correto e digno que a automação. Ela dignifica o trabalho, torna ele mais leve, senão desnecessário, como exaustivamente demonstrado no artigo. Empregos “roubados” por bots nada mais são que tarefas extenuantes, insalubres e em alguns casos enlouquecedoras. Acredito que essa apostasia trabalho X homem fará com que nos tornemos mais senhores de nossas vidas.
E em contraponto ao brilhante Thomas, tenho muita fé na curva de aprendizado do ser humano médio, e com a evolução dos cursos online e a involuntária desregulamentação das profissões mesmo a contra gosto do Estado, nos surpreenderemos a cada dia com invenções que curam auxiliam ou substituem os protocolos médicos atuais – sendo que 80% deles já está datado em pelo menos 30 anos.
Ao passo que certas profissões forem sumindo graças a tecnologia, a mesma estará cada vez mais acessível. Temos script kids com 9 anos ganhando dinheiro com apps. Temos adolescentes criando dispositivos para detecção de doenças. Temos jovens dispostos a tudo para fornecer diagnósticos médicos de qualquer parte do mundo. O tempo disponível fará com que homens e mulheres coloquem seu verdadeiro potencial para funcionar e resolvam questão por questão do nosso cotidiano. E mesmo aqueles que forem realmente na média ou abaixo dela, ainda assim poderão trabalhar com e-commerce, fornecer entretenimento ou outros milhares de serviços que exigem espontaneidade, algo impossível para máquinas.
Se eu for dar um chute bem otimista, nós não resolvemos nem 1% dos problemas da humanidade, seja em qual campo for. Não há caminho mais certo e mais brilhante do que a tecnologia.
“Carros sem motorista já estão, há um bom tempo, sendo testados nas estradas americanas e européias. Embora ainda não estejam disponíveis comercialmente, é apenas uma questão de tempo para que o sejam. ”
No Brasil a lei vai “proteger” os motoristas como ocorrem com os frentistas e cobradores de onibus.
Acredito que no futuro a automação vai aumentar cada vez mais o número de “trabalhadores investidores”.
As empresas, industrias e comercio terão como sócios e parceiros econômicos esses trabalhadores investidores: muitos deles sairão até mesmo das empresas onde os mesmos eram trabalhadores braçais.
O progresso deve ser constante.
Não vivemos de empregos nem de dinheiro . Vivemos de bens. Se as maquinas os produzem sem que ninguem trabalhe, qual é o problema? No futuro, notem bem , no futuro de uns 80 anos, é so se apropriar coletivamente de seu trabalho.
O autor simplesmente não foi capaz de responder a perguntar principal do artigo, de modo satisfatório. O que acontece com os menos qualificados, em um sentido psicológico e social? Ele fez questão de esconder isso de você.
O autor do artigo, enrolou e enrolou e não respondeu satisfatoriamente. Porque na verdade, ele quer esconder o que acontece com os pobres em um mundo automatizado.
Pois bem, eu irei responder, usando não panfletagem ideológica como no presente artigo, mas argumentos sociais.
O psicologo Anthony Malcolm Daniels, já havia percebido, o que acontece na mente dos seres humanos quando existe muita oferta, ou pouco estado para regular a cultura. Ele percebeu que a exigência em um mundo de livre mercado é muito maior. Em compensação, por outro lado, a cultura do livre mercado, torna os seres humanos “abobalhados”.
Mas qual o problema?
O que percebi em minhas pesquisas, foi que em uma sociedade de livre mercado, existe forças que abaixam a cultura da população, impedindo esta mesma de querer qualificar-se ou querer trabalhar. As pessoas não serão mais livres, quando tudo for feito pelas maquinas, elas irão entregar-se aos vícios humanos com muita mais facilidade. Agora, é neste momento que adentramos no mundo dos pobres, que o autor fez questão de esconder.
O que vai acontecer com os menos qualificados?
O resultado, será o que sempre acontece em uma sociedade capitalista. Alguns poucos, com alto poder intelectual e aquisitivo, estarão no topo da sociedade, em quanto aos pobres, resta apenas a função de consumir e levar uma vida abobalhada. O controle da mente humana será elevado a outro nível, os efeitos psicológicos do livre mercado são devastadores para a mente humana. Os pobres serão escravos do consumo.
A representação estética do que vai acontecer com os pobres.
Não existe melhor representação estética da sociedade de livre mercado e sociedade autônomas do que, a que encontramos em um episódio da série black.mirror.
Aqui está o episódio eu recomendo que assista:
https://www.youtube.com/watch?v=7tMXKQdc5ZM
Capital imoral é filosofo e escritor e já refutou Mises.
Olha, nos EUA pelo menos a classe trabalhadora classica (classe media) tá em vias de extinçao, so ta sobrando empregos de meio periodo ”part time jobs” , e empregos que exigem conhecimento especializado.
acho que se a automaçao chegar ao ponto de inteligencia artificial, mesmo que rude, estaremos no buraco…
O capitalismo e a tecnologia destroem trabalhos piores no processo de criar trabalhos melhores. Mas é gradual e desconfortável, a maioria prefere olhar para o que se perde.
* * *
Aproveitando o assunto do artigo, trago outros dois quem exemplificam a visão austro-liberal (ou austro-libertária) e a visão mainstream-keynesiana-malthusiana-intervencionista:
https://medium.freecodecamp.com/bill-gates-and-elon-musk-just-warned-us-about-the-one-thing-politicians-are-too-scared-to-talk-8db9815fd398#.u1bo7qdlm
https://fee.org/articles/fear-not-the-robots-jobs-arent-scarce/